Quando os
portugueses são questionados
sobre o que gostariam de
conhecer do Brasil, uns dizem
que gostariam conhecer o Rio de
Janeiro, outros, o Nordeste
Brasileiro mas quase todos
desejavam conhecer o Pantanal. E
nós também.
Infelizmente, a
literatura que cá temos não é
muito prodigiosa em se referir
ao Pantanal e a Mato Grosso.
Muitos ainda se lembram da
Telenovela “Pantanal” que passou
na nossa televisão pelos anos
90.
Fizemos várias
pesquisas sobre este tema e
vamos ver como vai sair o nosso
trabalho de pesquisa. Pelo menos
esperamos que os pantaneiros não
fiquem muito ofendidos…
Pelo Tratado de
Tordesilhas, de 7 de Junho de
1494, o actual Estado de Mato
Grosso, bem como quase todo o
Centro-Oeste e a Região Norte,
pertencia à Espanha. Por muitos
anos a sua exploração limitou-se
a esporádicas expedições de
aventureiros e à actuação de
missionários jesuítas espanhóis.
Com o movimento das bandeiras no
século XVII e a descoberta de
ouro no Brasil Central no século
XVIII, a região é invadida por
exploradores. Em 1748 é criada a
capitania de Mato Grosso, com
sede em Vila Bela,
posteriormente transferida para
a vila de Cuiabá. Dois anos
depois, a região é incorporada
ao Brasil pelo Tratado de
Madrid, a 13 de Janeiro de 1750.
No século XIX,
como o declínio dos minérios, o
empobrecimento e o isolamento da
província são inevitáveis.
Alguma actividade agrícola e
comercial de substância
sobrevive nos campos mais
férteis do Sul. O único meio de
transporte até à capital é o
navio numa viagem pelo rio
Paraguai. Com a República esse
isolamento vai sendo vencido com
a ampliação da rede telegráfica
pelo Marechal Cândido Rondon, a
navegação a vapor e a abertura
de algumas estradas precárias.
Esse avanço em infra-estrutura
atrai seringueiros, criadores de
gado, exploradores de madeira e
de erva mate para a região.
Como
curiosidade, transcrevo um
apontamento sobre Mato Grosso,
do Jornal do Comércio de
Setembro do ano de 1900:
“É um dos 20
Estados da República do Brasil.
Confina com os Estados do
Amazonas, Pará, Goiás, São Paulo
e Paraná e, com as Republicas do
Paraguai e da Bolívia. Sua
superfície é de 1.379.651 KM2 e
a sua população de 160.000
habitantes. Capital Cuiabá e
cidades mais importantes são:
Mato Grosso, Corumba, São Luís
de Cáceres, Poconé, etc.. O
Estado tem uma só Câmara, a
Assembleia Legislativa, composta
de 24 deputados, eleitos por 12
anos. Tem 12 Municípios. Produz
borracha, café, mate, produtos
minerais, etc.”
Como todo a
Centro-Oeste do Brasil, o Estado
de Mato Grosso beneficia-se da
política de interiorização do
desenvolvimento dos anos 40 e 50
e da política de integração
nacional brasileira dos anos 70.
A primeira é baseada
principalmente na construção de
Brasília e a segunda nos
incentivos aos grandes projectos
agropecuárias e da mineração,
além dos investimentos em
infra-estrutura, estradas e
hidroeléctricas. Com esses
recursos, o Estado prospera e
atrai dezenas de milhares de
imigrantes. A sua população sobe
de 430 mil para 1,6 milhão de
habitantes entre 1940 e 1970. O
Governo Federal decreta a
divisão do Estado em 1977,
alegando dificuldades em
desenvolver a região pela sua
grande extensão e diversidade.
No Norte, menos populoso mas
mais pobre, sustentando ainda
pela agropecuária extensiva e às
voltas com graves problemas
fundiários, fica Mato Grosso. No
Sul, mais próspero e mais
populoso, é criado o Mato Grosso
do Sul. Além disso, a região
Centro-Sul de Mato Grosso, com
agricultura mais intensiva,
distribuída por um número maior
de propriedades, tem crescimento
económico e social diferente do
da região Norte, onde predominam
a pecuária extensiva e o
latifúndio. Para a região Sul
chegaram muito imigrantes desde
o século XIX, vindos do Sul e do
Sudeste. Esse movimento
fortalece no século XX e cria
uma sociedade mais complexa e
aberta, além de laços políticos
sólidos com os estados vizinhos,
especialmente com São Paulo.
Esse vínculo fica claro com a
participação do Sul do Estado na
Revolução de 1924 e nas Revoltas
Tenentistas e na Revolução
Constitucionalista de 1932.