O Mágico
Pantanal Mato-Grossense
Também
conhecido só por Pantanal, é
uma grande planície a
Sudoeste do Estado de Mato
Grosso e a Oeste do Estado
de Mato Grosso do Sul, com
altitudes entre os 100 e 200
metros, com 600 Km de
extensão no sentido Norte/
Sul, por 200 Km de largura
em alguns trechos.
Limitam-na ao Sul, Leste e
Norte, encosta e escarpas
que formam a borda do
Planalto Central. A Oeste,
em território paraguaio,
encontram-se elevações
pertencentes ao sistema
andino. É uma região de
rochas cristalinas, cobertas
por delgada camada de
sedimentos quaternários, de
que emergem algumas
elevações, entre as quais o
maciço de Urucum. A
denominação dá a falsa
impressão de uma área
permanentemente alagada e
pantanosa. Na realidade, a
região é apenas inundada
pelas cheias de Verão do rio
Paraguai e seus afluentes.
O rio Paraguai é o maior rio
do Pantanal, e tem grandes
afluentes como os rios, Jauru,
Cabaçal, Cuiabá, São
Lourenço, Miranda,
Aquidauana e Taquiri, que
marcam o ciclo das águas da
região porque, nesse
período, transformam
drasticamente a paisagem do
lugar ao longo do curso de
cada um deles. Com a chegada
do chamado “tempo das
chuvas”, que ocorre de
dezembro a março, formam-se
nesse território imensas
lagoas que cobrem os pastos,
obrigando os fazendeiros a
transferir o gado para áreas
secas situadas, muitas
vezes, em lugares distantes.
Durante o período seco, de
Julho a Novembro, a pastagem
natural brota com vigor, e
dela se aproveitam os
fazendeiros locais para
transformar a criação de
bovinos que é maior
actividade económica da
região. Apesar dos períodos
em que o excesso de chuva ou
estiagem prejudica os
criadores, porque interfere
directamente na qualidade e
quantidade da pastagem
aproveitada para alimentar
os rebanhos, a área
pantaneira é considerada
ideal para esse tipo de
exploração, tanto que se
tornou comum dizer que “no
Pantanal, não é o fazendeiro
quem cria o gado, mas sim o
gado que cria o
fazendeiro”. Na época de
cheias, quando os rios
transbordam em consequência
do grande volume de água
despejada pelas chuvas, e os
animais buscam as áreas mais
elevadas para sobreviver, o
Pantanal apresenta seus
vastos campos totalmente
alagados, mas exibindo a
plenitude de sua flora. Na
época da seca, período em
que as águas retornam ao
leito natural dos rios e
córregos e deixam os campos
secos, o único vestígio das
enchentes são as pequenas
lagoas formadas em
depressões do terreno, nas
quais uma grande
concentração de animais
(répteis, aves e mamíferos)
se alimenta e reproduz,
transformando-se, também, em
verdadeiro paraíso para
observadores, biólogos,
fotógrafos, turistas e
outros tantos interessados
na apreciação da natureza.
Devido à pequena inclinação
desta planície, a água que
cai nas cabeceiras do rio
Paraguai demora quatro
meses, ou até mais, para
atravessar todo o Pantanal.
Os ecossistemas são
caracterizados por cerrados
e cerradões sem alagamento
periódico, campos inundáveis
e ambientes aquáticos, como
lagoas de água doce ou
salobra, rios, e vazantes
por onde se esgotam para os
rios ás águas que se
acumulam nos brejos ou nos
campos, ou que transbordam
das lagoas. O clima é quente
e húmido, no verão, e frio e
seco, no inverno. Os solos
do Pantanal, na sua maior
parte, é arenoso, suportando
pastagens naturais da região
que servem de alimento aos
herbívoros nativos e ao gado
bovino ali introduzido pelos
criadores locais.
O rio Paraguai e seus
afluentes correm através
dele formando extensas áreas
inundadas que servem de
abrigo a grande variedade de
peixes e inúmeros animais,
como os jacarés, as
capivaras e ariranhas, entre
outras espécies. Muitos
delas correm o risco de
extinção em outras partes do
Brasil, mas na região
pantaneira ainda possuem
populações numerosas e
vigorosas, como exemplos
maiores o cervo-do-pantanal,
a capivara, o tuiuiú e o
jacaré. Nesta região são
encontradas cerca de 230
espécies de peixes, dentro
das quais se destacam a
piranha, o pintado, o pacu,
o curimbatá e o dourado.
Hoje em dia a protecção a
esses peixes constitui um
grande desafio para as
autoridades, especialmente
na época da desova, época em
que as fêmeas de muitas
espécies avançam contra a
corrente da água em direcção
às cabeceiras. É o chamado
espectáculo da piracema, que
impressiona a qualquer um
que o assista pela beleza
com que a natureza actua
para garantir a reprodução
das espécies: os peixes que
sobem os afluentes do rio
Paraguai em cardumes
enormes, com seus dorsos
dourados ou prateados
sulcando a superfície das
águas.
Para Leste,
longe do leito do rio
Paraguai, limitam-se a
porções deprimidas do
terreno, conhecidas como
baías. O solo é argiloso ou
arenoso; seco quando livre
das inundações,
revestindo-se de um tapete
de gramíneas que constituem
excelentes pastagens. Os
campos, na sua maior parte,
são do tipo cerrado, mas
encontram-se também campos
limpos; matas, capões e um
tipo de vegetação de
arbustos denominada bosque
encharcado. É uma das
principais regiões de
criação extensiva do Brasil.
A origem do
Pantanal é resultado da
separação do oceano há
milhões de anos. Animais que
estão presentes no mar
também existem no pantanal,
formando o que se pode
chamar de mar interior.
Atraído pela existência de
pedras e metais preciosos
que eram usados por
indígenas, que já povoavam a
região, como adornos, entre
eles o ouro. O português
Aleixo Garcia, em 1524,
acabou sendo o primeiro a
visitar o território, que
alcançou o rio Paraguai
através do rio Miranda,
atingindo a região onde hoje
está a cidade de Corumbá.
Nos anos de 1537 e 1538, o
espanhol Juan Ayolas e seu
acompanhante Domingos
Martínez de Irala seguiram
pelo rio Paraguai e
denominaram Puerto de los
Reyes à lagoa Gayva. Por
volta de 1542-1543, o
aventureiro espanhol, Álvaro
Nunes Cabeza de Vaca também
passou por aqui para seguir
para o Peru. Entre 1878 e
1930, a cidade de Corumbá
(situada dentro do Pantanal)
torna-se o principal eixo
comercial e fluvial do
estado de Mato Grosso,
depois acaba perdendo sua
importância para as cidades
de Cuiabá e Campo Grande,
iniciando assim um período
de decadência económica. O
incentivo dado pelos
governos a partir da década
de 1960 para desenvolver a
região Centro-Oeste através
da implantação de projectos
agro-pecuários trouxe muitas
alterações nos ambientes do
cerrado, ameaçando a sua
biodiversidade. Preocupada
com a conservação do
Pantanal, a Embrapa
instalou, em 1975, em
Corumbá, uma unidade de
pesquisa para a região, com
o objectivo de adaptar,
desenvolver e transferir
tecnologias para o uso
sustentado dos seus recursos
naturais. As pesquisas se
iniciaram com a pecuária
bovina, principal actividade
económica, e hoje, além da
pecuária, abrange as mais
diversas áreas, como
recursos vegetais,
pesqueiros, faunísticos,
hídricos, climatologia,
solos, avaliação dos
impactos causados pelas
actividades humanas e
sócio-economica. Nos últimos
anos houve investimentos
maciços no sector do
ecoturismo, com diversas
pousadas pantaneiras
praticando esta modalidade
de turismo sustentável.
Fonte:
Ministério dos Transportes
do Brasil (Informações
detalhadas sobre o Rio
Paraguai
O Rio
Paraguai, principal do
Pantanal, nasce na Chapada
dos Parecis, no interior do
estado do Mato Grosso, numa
área de grande importância
na hidrografia
sul-americana, pois reúne as
nascentes do Paraguai e
tributários do Amazonas.
Seus primeiros 50 Km na
direcção sul com o nome de
Paraguaisinho, partindo de
uma altitude de cerca de 400
m.
No seu curso total o
Paraguai tem uma extensão de
2.621 Km até sua foz, no rio
Paraná; o trecho brasileiro,
aqui considerado, percorre,
aproximadamente 1693 Km das
nascentes à desembocadura do
rio Apa. O trecho de Corumbá
a Cáceres, com uma extensão
de 720 quilómetros, é de
grande importância, pois os
demais meios de transporte
que tem acesso à região de
Cáceres não podem competir
com a navegação, apesar das
dificuldades que esta
encontra ao longo da via
fluvial.
Os factores meteorológicos
por si só não explicam a
grande diferença que se
observa no regime do rio
Paraguai e de alguns
afluentes, conforme se trate
da parte superior de seus
cursos ou daqueles que se
desenvolvem através do
Pantanal.
Assim é que tanto em Corumbá
como em Cáceres e Cuiabá, a
estação chuvosa tem início
em Setembro - Outubro e se
estende até Março - Abril,
ocorrendo o máximo de
precipitações, no período
Dezembro - Janeiro.
Entretanto, em Cáceres e
Cuiabá as cheias tem lugar
de Dezembro a Janeiro a
Março (verão), com o nível
máximo das águas em
Fevereiro e o mínimo em
Julho, e em Corumbá as
cheias se verificam no
Outono, com o nível máximo
das águas em Maio - Junho e
o mínimo em Dezembro -
Janeiro.
O rio Paraguai, em estado
natural pode ser considerado
como bastante satisfatório
para a navegação,
necessitando, todavia, ser
melhorado em alguns trechos
para ter condições óptimas
de navegabilidade. Dentro do
território brasileiro, estas
condições se dão a partir da
foz do rio Apa a Cáceres,
numa extensão total de 1.323
Km.
Da foz do rio Apa a Corumbá,
numa extensão de 603 Km,
temos o melhor estirão, do
ponto de vista da
navegabilidade. Neste trecho
se faz navegação
internacional, porquanto o
rio sirva de fronteira, em
longo percurso, do Brasil
com a Bolívia e com o
Paraguai.
Os pontos mais rasos se dão
no passo Piúva (Km 1.338 a
1.343),passo Coimbra (Km
1.322) e passo Santa Fé (Km
1.285). O que causa maior
empecilho à navegação é o
Piúva, que chega a atingir
menos de 0,90 m de
profundidade nas fortes
estiagens.
Existem diversos meandros
com raios de curvatura
pequenos que impedem a
passagem de grandes comboios
de empurra, sem desmembrar.
O trecho do rio Paraguai, de
Corumbá a Cáceres é
constituído de material
facilmente erodível, há
sensíveis mudanças de canais
e profundidades de ano para
ano. Estima-se, porém, em um
ano hidrológico médio,
estejam sempre acima de 1 m
(pouco mais que 0,90 m)
permitindo o tráfego em
qualquer época do ano de
embarcações com 0,90 m de
calado e em 85% com 1,22 m
de calado. Entre Descalvado
e Cáceres, as profundidades
mínimas podem cair até a
0,60 m (2 pés) só
permitindo então a passagem
de pequenas embarcações. Em
um ano hidrológico médio,
embarcações com 0,45 m (um
pé e meio) de calado podem
fazer o tráfego com
segurança todo o ano e
embarcações com 0,60 m de
calado cerca de 90% do
tempo.
No trecho Descalvado-Cáceres
há diversos bancos de areia
muito rasos e curvas
extremamente pronunciadas,
muitas com raio de curvatura
inferior a 60 m. Alguns
travessões rochosos e
pedrosos tornam a navegação
perigosa.
As restrições de
profundidades encontradas à
montante da foz do rio Apa
indicam os passos do
Conselho (Km 1.369) e
Caraguatá (Km 1.421) como os
mais críticos, além do passo
Piúva inferior. Na verdade
tem-se uma variação na
posição dos trechos mais
rasos, porém tem sido
observado que as
profundidades mínimas
disponíveis serão sempre da
mesma ordem de grandeza,
qualquer que seja o passo de
areia crítico.
Nas curvas muito acentuadas,
com canais estreitos, pode
haver limitação de
comprimento para a inscrição
das embarcações, o que
obriga o desmembramento dos
grandes comboios. Nos passos
de areia de um modo geral,
as curvas bruscas no canal
de navegação só aparecem em
níveis d'água muito baixos,
quando as profundidades por
si já impedem o tráfego das
embarcações maiores.
Há certas curvas que devido
aos raios de curvatura e
pequenas larguras, impedem o
cruzamento de dois comboios
com 36 m de boca. Destas, as
mais críticas são: Vuelta do
Formigueiro (Km 1.481),
Vuelta Rebojo (Km 1.303),
Vuelta Rápida (Km 1.184) e
Vuelta Batinha (Km 1.097).
Mesmo nestas, porém, não há
normalmente necessidade de
desmembramentos sistemáticos
dos comboios com 210 m de
comprimento e 36 m de boca.
Estima-se que, em média, em
25% do tempo (91 dias por
ano) esses comboios devem
ser desmembrados em duas
curvas.
Além das restrições
referidas, o trecho
considerado apresenta outras
dificuldades menores para a
navegação tais como: margens
baixas e alagadiças que
levam à perda do canal em
águas altas; vegetação e
troncos flutuantes, que
podem causar, nas cheias,
avarias às embarcações
(especialmente ao sistema de
propulsão); dificuldades de
encontrar o canal navegável
à noite, etc. Devido a essas
e outras dificuldades, a
navegação é interrompida à
noite no trecho entre os
quilómetros 1.422 e 1.330,
em águas baixas, durante 25%
do tempo (91 dias).
Pode-se citar a ponte
ferroviária Barão do Rio
Branco, situada pouco a
montante de porto Esperança,
como sendo o único obstáculo
artificial de relevo no
trecho a montante da foz do
Apa que causa dificuldades à
navegação.
Esta ponte apresenta
restrições tanto à altura
quanto à largura. O único
vão de navegação da ponte
situa-se sobre o canal do
rio que se apresenta no
local sob a forma de curva
de grande raio. A distância
entre os pilares é de 90 m,
o que já impede os
cruzamentos de comboios no
local. Além disso, a forma
de arco do vão faz com que
as alturas livres variem ao
longo da secção.
Junto ao pilar esquerdo
existe um banco de areia que
limita a 80 m a largura útil
em águas baixas.
Verifica-se uma forte
correnteza com direcção
ligeiramente oblíqua ao
canal (no sentido da margem
direita para a esquerda)
que, ligada à restrição de
largura obriga ao
desmembramento sistemático
dos comboios para passagem
no local, na descida.
O balizamento implantado
pela Marinha do Brasil é da
melhor qualidade e
impecavelmente mantido. As
únicas recomendações para a
sua melhoria são no sentido
de aumentar a densidade dos
sinais e balizas luminosas e
adaptá-las mais prontamente
às mudanças do leito do rio.
As balizas são constituídas
de madeira pintada em
xadrez, com 1,30 m de altura
por 1,60 m de comprimento,
em forma de losango,
pintadas de branco e
faroletes eléctricos,
alimentados por baterias
especiais; todos instalados
nas margens.
A manutenção do balizamento
é feita pelo serviço de
balizamento náutico do rio
Paraguai, com sede em
Ladário, que conta com todo
o equipamento necessário e
uma embarcação balizadora
especialmente adaptada ao
serviço.
Nos períodos de enchente,
embarcações com mais de 100
toneladas atingem facilmente
São Luís de Cáceres. Nas
épocas de estiagem, porém, é
necessário efectuar em
Descalvados, o alívio das
embarcações, ou fazer o
transbordo de cargas para
outros barcos menores.
A frota que faz o tráfego
pelo rio Paraguai acima de
50 TPB, é composta de 54
chatas, 1 autropropelido, 6
empurradores e 10
rebocadores, sendo que a
maior parte desta frota
pertence ao Serviço de
Navegação da Bacia do Prata
S.A., significando 80% do
total das embarcações.