Pantanal - 3º Bloco

 

 

 

 

 

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 
 

Os Nativos e os Exploradores

Antes dos colonizadores chegarem ao Pantanal, os índios Guaicurus dominavam toda a região do Pantanal. Durante séculos de penetração dos colonizadores, a resistência à ocupação se constituiu na tónica das relações entre índios e brancos. O Pantanal parece ter sido palco da maior e mais obstinada cena de oposição sistemática à presença colonizadora. Como resultado desse violento conflito ocorreu o quase extermínio da população indígena. Os Xavantes, a mais importante tribo da região, dizimados e expulsos de suas terras localizadas entre os rios Araguaia e Tocantins. Os espanhóis começaram a percorrer o Pantanal, então, os portugueses, a partir de 1525, começaram a explorar este território. Mais tarde, as bandeiras vasculharam todo o território à procura de ouro, pedras preciosas e principalmente à caça de índios para os trabalhos na lavoura, já que o preço dos negros escravos estava acima das posses dos moradores da província de São Paulo. Embora, no início do século XVII, a Espanha tenha procurado barrar esse movimento, incentivando a construção de missões ao longo dos rios Paraguai e Paraná, a cargo dos padres jesuítas, a ocupação portuguesa já se consolidava. Após a Guerra dos Emboabas, os paulistas, alijados da região das Minas Gerais, reorientaram as bandeiras em busca de novas jazidas auríferas. Foi assim que o bandeirante Pascoal Moreira Cabral descobriu as minas de Cuiabá, em 1718. Diante desta descoberta, o rei D. João V de Portugal, em 1748, resolveu reorganizar a administração daquela área para facilitar a fiscalização. Separou a região em duas partes, criando dois governos próprios. Surgiram assim as Capitanias de Mato Grosso e de Goiás. Portugal e Espanha, após longas negociações, assinaram o Tratado de Madrid, em 1750, oficializando a ocupação portuguesa. Em troca da colónia de Sacramento muito cobiçada pela Espanha, a Coroa Portuguesa recebeu todo o vale do Amazonas, com as áreas correspondentes aos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Rio Grande o Sul.

 

Fauna do Pantanal
A fauna pantaneira é muito rica, provavelmente a mais rica do planeta. Há 650 espécies de aves (no Brasil inteiro estão catalogadas cerca de 1800). A mais espectacular é a arara-azul-grande, uma espécie ameaçada de extinção. Há ainda tuiuiús (a ave símbolo do Pantanal), tucanos, periquitos, garças-brancas, jaburus, beija-flores (os menores chegam a pesar duas gramas), socós (espécie de garça de coloração castanha), jaçanãs, emas, seriemas, papagaios, colhereiros, gaviões, carcarás e curicacas. A fauna das aves aquáticas e paludículas (que vivem em lagoas) do Pantanal está entre as mais ricas do mundo, com muitas espécies de patos e marrecos filtradores de pequenos animais e de algas, entre os quais o irerê é o mais comum e abundante na região. Alguns dos patos pertencem à fauna típica do sistema Paraná-Prata. O tachã, ou a "sentinela do Pantanal", animal peculiar da América do Sul e parente distante dos anatídeos, pode facilmente ser visto nos campos de gramíneas ou empoleirados nas copas das árvores, onde permanece durante horas. Várias espécies de garças e socós formam grandes colónias nas árvores da mata ciliar. A maior espécie de nossas garças é a maguari. Embora tenha hábito solitário, é comum encontrar grupos de garça-branca-grande junto com a garça-branca-pequena. Cada uma é especializada na caça de várias presas, como peixes, anfíbios e pequenos répteis, em diferentes zonas das lagoas, durante o dia ou no crepúsculo. Ajaia ajaja, o lindo colhereiro cor-de-rosa, é um filtrador especializado. A cegonha, o cabeça-seca e o tuiuiú alimentam-se de insectos, caranguejos, caramujos, rãs e peixes, que recolhem nas águas rasas e em lodos. O tuiuiú é um dos símbolos do Pantanal. Os seus ninhos isolados em árvores se destacam  na paisagem pantaneira. Esse variado conjunto de aves aquáticas tem estratégias de caça e dietas diversas. O biguá, por exemplo, caça peixes nadando e mergulhando; a biguatinga, com seu pescoço serpentiforme, usa o bico pontiagudo para "espetar" os peixes. Já o gavião-caramujeiro é um "especialista" na caça de caramujos, sendo dependente da existência dos gastrópodes, principalmente do aruá.  No Pantanal já foram catalogadas mais de 1.100 espécies de borboletas. Contam-se mais de 80 espécies de mamíferos, sendo os principais a onça-pintada (atinge a 1,2 m de comprimento, 0,85 cm de altura e pesa até 150 kg), capivara, lobinho, veado-campeiro, veado catingueiro, lobo-guará, macaco-prego, cervo do pantanal, bugio (macaco que produz um ruído assustador ao amanhecer), porco do mato, tamanduá, cachorro-do-mato, anta, bicho-preguiça, ariranha, suçuarana, quati, tatu etc. A região também é extremamente piscosa, já tendo sido catalogadas 263 espécies de peixes: piranha (peixe carnívoro e extremamente voraz), pacu, pintado, dourado, cachara, curimbatá,piraputanga, jaú e piau são algumas das espécies encontradas. Há uma infinidade de répteis, sendo o principal o jacaré (jacaré-do-pantanal e jacaré-de-coroa), cobra boca de sapo (sucuri, jibóia, cobras-d’água e outras), lagartos (camaleão, calango-verde) e quelônios (jabuti e cágado).

 

 

 

 

 

 

 

 

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