Os Nativos e os
Exploradores
Antes dos
colonizadores chegarem ao
Pantanal, os índios Guaicurus
dominavam toda a região do
Pantanal. Durante séculos de
penetração dos colonizadores, a
resistência à ocupação se
constituiu na tónica das
relações entre índios e brancos.
O Pantanal parece ter sido palco
da maior e mais obstinada cena
de oposição sistemática à
presença colonizadora. Como
resultado desse violento
conflito ocorreu o quase
extermínio da população
indígena. Os Xavantes, a mais
importante tribo da região,
dizimados e expulsos de suas
terras localizadas entre os rios
Araguaia e Tocantins. Os
espanhóis começaram a percorrer
o Pantanal, então, os
portugueses, a partir de 1525,
começaram a explorar este
território. Mais tarde, as
bandeiras vasculharam todo o
território à procura de ouro,
pedras preciosas e
principalmente à caça de índios
para os trabalhos na lavoura, já
que o preço dos negros escravos
estava acima das posses dos
moradores da província de São
Paulo. Embora, no início do
século XVII, a Espanha tenha
procurado barrar esse movimento,
incentivando a construção de
missões ao longo dos rios
Paraguai e Paraná, a cargo dos
padres jesuítas, a ocupação
portuguesa já se consolidava.
Após a Guerra dos Emboabas, os
paulistas, alijados da região
das Minas Gerais, reorientaram
as bandeiras em busca de novas
jazidas auríferas. Foi assim que
o bandeirante Pascoal Moreira
Cabral descobriu as minas de
Cuiabá, em 1718. Diante desta
descoberta, o rei D. João V de
Portugal, em 1748, resolveu
reorganizar a administração
daquela área para facilitar a
fiscalização. Separou a região
em duas partes, criando dois
governos próprios. Surgiram
assim as Capitanias de Mato
Grosso e de Goiás. Portugal e
Espanha, após longas
negociações, assinaram o Tratado
de Madrid, em 1750,
oficializando a ocupação
portuguesa. Em troca da colónia
de Sacramento muito cobiçada
pela Espanha, a Coroa Portuguesa
recebeu todo o vale do Amazonas,
com as áreas correspondentes aos
Estados de Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Goiás, Tocantins
e Rio Grande o Sul.
Fauna do
Pantanal
A fauna pantaneira é muito rica,
provavelmente a mais rica do
planeta. Há 650 espécies de aves
(no Brasil inteiro estão
catalogadas cerca de 1800). A
mais espectacular é a
arara-azul-grande, uma espécie
ameaçada de extinção. Há ainda
tuiuiús (a ave símbolo do
Pantanal), tucanos, periquitos,
garças-brancas, jaburus,
beija-flores (os menores chegam
a pesar duas gramas), socós
(espécie de garça de coloração
castanha), jaçanãs, emas,
seriemas, papagaios, colhereiros,
gaviões, carcarás e curicacas. A
fauna das aves aquáticas e
paludículas (que vivem em
lagoas) do Pantanal está entre
as mais ricas do mundo, com
muitas espécies de patos e
marrecos filtradores de pequenos
animais e de algas, entre os
quais o irerê é o mais comum e
abundante na região. Alguns dos
patos pertencem à fauna típica
do sistema Paraná-Prata. O tachã,
ou a "sentinela do Pantanal",
animal peculiar da América do
Sul e parente distante dos
anatídeos, pode facilmente ser
visto nos campos de gramíneas ou
empoleirados nas copas das
árvores, onde permanece durante
horas. Várias espécies de garças
e socós formam grandes colónias
nas árvores da mata ciliar. A
maior espécie de nossas garças é
a maguari. Embora tenha hábito
solitário, é comum encontrar
grupos de garça-branca-grande
junto com a garça-branca-pequena.
Cada uma é especializada na caça
de várias presas, como peixes,
anfíbios e pequenos répteis, em
diferentes zonas das lagoas,
durante o dia ou no crepúsculo.
Ajaia ajaja, o lindo colhereiro
cor-de-rosa, é um filtrador
especializado. A cegonha, o
cabeça-seca e o tuiuiú
alimentam-se de insectos,
caranguejos, caramujos, rãs e
peixes, que recolhem nas águas
rasas e em lodos. O tuiuiú é um
dos símbolos do Pantanal. Os
seus ninhos isolados em árvores
se destacam na paisagem
pantaneira. Esse variado
conjunto de aves aquáticas tem
estratégias de caça e dietas
diversas. O biguá, por exemplo,
caça peixes nadando e
mergulhando; a biguatinga, com
seu pescoço serpentiforme, usa o
bico pontiagudo para "espetar"
os peixes. Já o
gavião-caramujeiro é um
"especialista" na caça de
caramujos, sendo dependente da
existência dos gastrópodes,
principalmente do aruá. No
Pantanal já foram catalogadas
mais de 1.100 espécies de
borboletas. Contam-se mais de 80
espécies de mamíferos, sendo os
principais a onça-pintada
(atinge a 1,2 m de comprimento,
0,85 cm de altura e pesa até 150
kg), capivara, lobinho,
veado-campeiro, veado
catingueiro, lobo-guará,
macaco-prego, cervo do pantanal,
bugio (macaco que produz um
ruído assustador ao amanhecer),
porco do mato, tamanduá,
cachorro-do-mato, anta,
bicho-preguiça, ariranha,
suçuarana, quati, tatu etc. A
região também é extremamente
piscosa, já tendo sido
catalogadas 263 espécies de
peixes: piranha (peixe carnívoro
e extremamente voraz), pacu,
pintado, dourado, cachara,
curimbatá,piraputanga, jaú e
piau são algumas das espécies
encontradas. Há uma infinidade
de répteis, sendo o principal o
jacaré (jacaré-do-pantanal e
jacaré-de-coroa), cobra boca de
sapo (sucuri, jibóia,
cobras-d’água e outras),
lagartos (camaleão,
calango-verde) e quelônios (jabuti
e cágado).