Pantanal - 5º Bloco

 

 

 

 

Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 


 

Capitais da região do Pantanal:

 

 

Cuiabá

 

 

 

 

Capital do Estado de Mato Grosso, fica nas margens do rio Cuiabá, com uma superfície de 12.790 Km2. A Baixada Cuiabana, tem 165 metros de altitude e alinha-se entre muitos exemplos de núcleos urbanos surgidos no século XVIII, em consequência do movimento dos bandeirantes. Os seus primeiros povoadores, provenientes de São Paulo, fixaram-se no local por aí terem descoberto depósitos de ouro. Chefiavam esse grupo de bandeirantes Pascoal Moreira Cabral e Miguel Sutil, fundadores do arraial de Cuiabá em 1719. Em 1727, foi o povoado elevado a Vila real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. A criação em 1748, da capitania de Mato Grosso e Cuiabá, com sede em Vila Bela, actual cidade de Mato Grosso, contribuiu para acentuar a decadência de Cuiabá. Com o tempo. Porém, Cuiabá tornou-se entreposto comercial e centro de abastecimento das regiões de Rosário, Diamantino e Livramento. Beneficiou-se também do contacto com o rio Cuiabá, lhe assegura com os campos do Pantanal, onde progride a criação de bovinos. Em 1881, já contava com cerca de 6 mil habitantes, existido na área do porto apenas umas quinze ou vinte casas. Em 1818, foi elevada a cidade e em 1825 tornou-se capital provincial. Seus habitantes eram ainda cerca de sete mil por volta de 1845. Encontra-se a cidade de Cuiabá no centro geográfico da América do Sul, na margem esquerda do rio do mesmo nome. O território da cidade constitui um planalto de 200 metros de altitude. Formado de terrenos da chamada série Cuiabá, descamba suavemente para o Sul até chegar na planície do Pantanal. Situada a jusante das marcas que marcam o ponto final da navegação do rio Cuiabá, a cidade ocupa o vale de um pequeno afluente da margem esquerda do Cuiabá, o córrego Prainha.

 

 

Campo Grande

 

 

 

Capital do Estado de Mato Grosso do Sul, com superfície de 8.477 Km2, situado  no Sul do Estado, na serra de Maracaju, que divide os afluentes do rio Aquidauana dos afluentes do rio Pardo; tem 542 Km2 de altitude. Em 1977, foi designada capital do Estado então criado. Fundada em 1875, elevada a cidade em 1918, tem um traçado moderno, com largas avenidas, muitas delas arborizadas. O seu plano urbanístico, traçado inicialmente pelo engenheiro militar Themistocles Pais de Sousa Brasil, foi completado pelo Escritório Técnico Saturnino de Brito. As vias públicas apresentam forma de xadrez, com uma distância média entre elas de 120 metros; as avenidas têm a largura de 50 metros. O crescimento populacional efectivo deu-se a partir de 1914 com a chegada dos trilhos dos Caminhos de Ferro Noroeste do Brasil. Outro factor que impulsionou o crescimento de Campo Grande foi a vinda de colonos estrangeiros na primeira metade do século XX. Em 1960, a população do município era de 74.249 habitantes. Por muito tempo a economia de Campo grande teve como base a agropecuária, estimulada pela facilidade das vias de comunicação. Actualmente, baseia-se também na indústria e no comércio. As actividades industriais estão em franco desenvolvimento. Destaca-se a de produtos alimentícios, seguida dos minerais não metálicos. Campo grande, é servida por rodovias federais e pelos Caminhos de Ferro Noroeste do Brasil, que de Bauru, em São Paulo, atinge a fronteira com o Paraguai e Bolívia. O aeroporto Internacional de Campo Grande mantém intenso movimento.

 

Cidades e Localidades da região do Pantanal .

Fonte: http://www.portalpantanal.com.br/cidades.html

 


Albuquerque

 

 

 

 

Enquanto nascia a capital Cuiabá, no local das minas de Mato Grosso, e de Vila Bela da Santíssima Trindade abria-se via de comunicação de Mato Grosso à Capitania do Grão Paraná. Faltava consolidar as fronteiras do rio Paraguai, até então sob influência dos castelhanos que se detiveram em sua marcha para o norte, diante de dois obstáculos naturais : a oeste, o Chaco desértico e seco, e a leste, o Pantanal alagadiço e húmido. Coube ao capitão-general Luís de Albuquerque de Melo e Cáceres delinear os limites ocidentais do Brasil, do Guaporé para o Sul, apossando-se de todo o curso do Alto Paraguai, em cujas margens erigiu o Forte de Coimbra e a povoação de Albuquerque, cujos habitantes transferiram-se mais tarde para Corumbá. Até os dias de hoje, Albuquerque não se tornou cidade, nem vila. É um povoado, um conjunto de casas, hotéis, pousadas, ranchos particulares, em pequenos lotes ou sítios espalhados numa região ao longo do rio Paraguai, principalmente na orla da baía de Albuquerque. Localizada estrategicamente próxima a locais conhecidos como óptimos pesqueiros e famosos como a barra do rio Miranda, o corixo do Silva, o rio Abobral, o rio Taquari e o rio Negro.

 

 

Aquidauana

 

 

 

“Aos quinze dias do mês de Agosto de 1892, reunidos a convite do cidadão Theodoro Rondon, nesta margem do Rio Aquidauana, lugar denominado São João sob uma sombra de frondosa árvore, apelidado por alguns Passo de Acury, o mesmo Rondon em breve alocução expôs aos presentes abaixo assinados, que o fim da reunião para os qual havia convidado era assentar as bases da fundação do povoado em projecto, para cujo fim, foi por ele feita a aquisição do terreno por compra do cidadão João Dias Cordeiro por meio da subscrição que conheceis, pelo que convida as pessoas presentes a apresentar os planos da fundação a fim de ser discutido e afinal adoptado para o início de sua execução.” Decorrido um ano, aproximadamente, retornaram ao local os maiores da comissão e nele fincaram as bases do povoado, que consistiram em pequenos ranchos de palha, levantados no meio da mata frondosa. Daí para diante nada mais pôde suster o ímpeto de crescimento desta cidade : já em 1896, tão só 4 anos da solenidade, havia no povoado uma Agência do Correio; em 1898, um Distrito Policial; em 1899, era Paróquia da Paz; em 1906 – Município, instalando-se este em 3 de Maio de 1907; em 1911, Comarca; em 1948, adquire foros de cidade. O nome, segundo a toponímia tupi-guarani e índios guaicurus, quer dizer: AC = grande; DA = lugar; OANA = araras. Daí, LUGAR DAS ARARAS GRANDES.

 

 

Cáceres

 

 

 

 

Antiga Vila Maria do Paraguai, foi mandada fundar pelo capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres em 1778. Situada no cruzamento estratégicos caminhos, fluvial e terrestre, o arraial logo se desenvolveu contribuindo para isso o fato de estar localizado no extremo norte navegável do rio Paraguai e na passagem de estrada que ligava Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade, antiga capital da Província do Mato Grosso. No começo do século XX foi ponto de escoamento da borracha, produzida na região do Guaporé.

 

 

Chapada dos Guimarães

 

 

 

 

Terra de mistérios, a Chapada dos Guimarães, fica no interior do Mato Grosso, num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico. Igualmente longe dos dois oceanos que ladeiam o continente - a 1600 km de cada um, se fosse traçada uma linha imaginária - esse planalto preserva histórias de índios e de estrelas coloridas e brilhantes que, segundo relatos de muitos de seus moradores, aparecem "num claro instante" para comprovar que os discos voadores não somente existem, como adoram circular por ali. A sequência de montanhas de arenito que forma a Chapada dos Guimarães tem mais fama de refúgio místico do que de paraíso ecológico. Uma injustiça. A energia que emana de suas paisagens pode ser um bom atrativo, mas não o único. As vistas, a flora e a fauna da região são tão ricas que o governo federal decidiu preservá-las. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que tem o mesmo nome do município vizinho, surgiu então com 33 000 hectares. Uma área pequena, na opinião dos ecologistas que lutavam por uma área três vezes maior. Seja como for , a fama mística do parque se alastrou de tal forma que hoje ele preserva - além de jaguatiricas, antas e tamanduás - alguns remanescentes do movimento hippie dos anos 70. Quem tem a oportunidade de entrar numa casa "alternativa" pode constatar as estátuas de duendes e as pinturas de discos voadores são comuns. Assim como as imagens de Senhora Santana do Santíssimo Sacramento, padroeira local, que enfeitam as salas dos sertanejos. Por causa do calor típico do Planalto Central, as cachoeiras costumam ser os locais predilectos dos frequentadores. E elas são muitas. Cachoeiras como a da Prainha, do Pulo, da Independência e das Andorinhas disputam o título de mais bonita do parque. Mas a rainha de todas é a Véu de Noiva, cartão - postal do Estado, que despenca placidamente por um paredão circular até o fundo do vale, 86 metros abaixo. As cores dos chapadões são responsáveis por boa parte do espectáculo diário do nascer e do  pôr-do-sol nas alturas. Pode-se ter uma mostra disso caminhando pela trilha íngreme que leva ao alto do Morro São Jerónimo, com 836 metros de altitude, o ponto culminante da Chapada. De seu mirante dá para entender direitinho que a Chapada é o degrau que divide o Mato Grosso em planície pantaneira, ao sul, e planalto central, que segue ao norte. Esse planalto que ruma até a Amazónia é o mesmo que engloba a refião de Brasília. Avistá-lo é uma experiência ainda mais fascinante nos dias claros, quando se enxerga a até 100 quilómetros de distância. Ou, então, quando se deita na pontinha de abismos como o do Paredão do Eco ou da Cidade de Pedra. Nesta última, uma verdadeira galeria de estátuas de formas estranhas, esculpidas pelo vento e pelas águas, ornamentam os despenhadeiros. Alguns belos recantos da Chapada dos Guimarães estão fechados à visitação para evitar danos ecológicos. É o caso da Caverna Aroê Jari, a 50 km da cidade, também conhecida como Caverna do Francês. Com 1400 metros de extensão, ela é considerada uma das maiores cavernas de arenito do Brasil. A Lagoa Azul, um lago transparente dentro de uma gruta vizinha, é tão impressionante que a administração do parque achou por bem interditá-la aos visitantes, à espera de um plano de visitação que garanta a preservação de sua beleza. Uma importante relíquia histórica da Chapada é a Igreja de Senhora Santana do Santíssimo Sacramento, que fica num larguinho que leva o estranho nome de Praça Dom Wunibaldo. Nos bancos da pracinha, moradores e visitantes se reúnem todas as noites, depois de um dia inteiro suado na lida do gado e nas caminhadas, para prosear até o sono aparecer.

 

 

Corumbá

 

 

 

 

Originou-se da antiga povoação de Albuquerque, mandada fundar pelo capitão-general Luís Albuquerque Melo Pereira e Cáceres em 1778. Foi elevada à categoria de vila em 1862. Corumbá foi libertada em 13 de Junho de 1867, quando foram expulsos os invasores paraguaios de todo o território matogrossense (Guerra do Paraguai), voltando o Alto-Paraguai ao domínio brasileiro. Reaberto o caminho fluvial para o rio Prata, reorganizaram-se os serviços de navegação comercial. Corumbá, a partir de então, experimentou surto de notável progresso fomentado por linhas regulares de vapores brasileiros, uruguaios e argentinos que passaram a ligar Corumbá a Montevidéu e Buenos Aires. O comércio local, recebendo fluxo de imigrantes, ampliou-se rapidamente, tornando-se a cidade um centro de importação e exportação de nível internacional. Instalaram-se charqueadas, ou saladeiros, em pontos chaves do rio Paraguai, de onde saiam grandes carregamentos de charque, destinados aos mercados internos e externos. Tendo com sede Corumbá, durante quarenta anos o rio Paraguai foi, o eixo da civilização pantaneira, só perdendo sua hegemonia em 1914, quando os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste chegaram a Porto Esperança. Com a chegada da ferrovia, o transporte fluvial foi abandonado e hoje as principais actividades económicas são a pecuária, o turismo pesca, o ecoturismo e a exploração mineral no Maciço do Urucum. Em 1998, a cidade comemorou 220 anos de fundação e dá sinais de retomada do desenvolvimento depois de três décadas de decadência económica. O apoio público e do sector privado ao turismo organizado, as obras do gasoduto Brasil - Bolívia e a construção da tão esperada ponte sobre o rio Paraguai, em Porto Morrinho, com certeza darão o impulso que Corumbá sempre almejou depois do fim do transporte fluvial. Conhecida lá fora  como um dos principais pólos pesqueiros do país, Corumbá - a Cidade Branca - tem a maior estrutura fluvial para a pesca desportiva, que vai desde os pequenos barcos aos grandes barcos - hotéis, verdadeiros hotéis flutuantes que partem do porto e chegam aos mais longínquos recantos de pesca, como a barra do São Lourenço na Serra do Amolar. Mas, tem também história, artesanato, uma comida típica muito rica à base do peixe, a fronteira com a Bolívia para compras e, principalmente, o maior potencial para o ecoturismo no Pantanal. Localizada às margens do rio Paraguai, na fronteira com a Bolívia, a cidade de Corumbá que em tupi-guarani significa "lugar distante" - é uma excelente opção, não somente para pesca desportiva e compras como também para o turismo voltado para a contemplação à natureza e para a rica história da cidade.

 

 

Coxim

 

 

 

 

 Os irmãos Leme, em 1719, vieram de São Paulo, chegaram à região de hoje Cuiabá, via Camapuã-Coxim. A região começou a tornar-se mais conhecida quando, em 1726, por ali passou D. Rodrigo César de Menezes, então governador da capitania de S. Paulo, pois, ali chegando, assinou a concessão de uma sesmaria, nos sertões do “Taquari”, em 4 de Março de 1727, a favor de João de Araújo Cabral; outra, no Rio Taquari, a 4 de Abril, a favor do Sargento-Mor Manuel Lopes do Prado e uma outra, ainda no rio Taquari, a 31 de Dezembro, a favor de Domingo Gomes Biliago. Este último unido a António de Sousa Bastos, Manuel Caetano e os Padres António de Morais e José de Frias, em 1729, fundaram o arraial do Biliago, à margem do rio Taquari, onde hoje, na margem oposta, se assenta Coxim, com o fim de socorrer as monções partidas de São Paulo para Cuiabá. O arraial fundado pouco se desenvolveu e, criado o destacamento militar no Piquiri, elevado a freguesia (1850), Biliago incluído dentro dos seus limites. Mas, à margem de um rio navegável e com a estrada que ligou ao interior de Goiás, o arraial foi se desenvolvendo, e em 1862 tomou o nome de Núcleo do Taquari, com a criação no lugar, de uma colónia militar, pelo governador da província, Herculano Ferreira Pena. Em Abril de 1865, o núcleo é povoado por forças invasoras do Paraguai, tendo seu comandante, Capitão António Pedro se retirado do povoado, com o contingente de 125 pessoas, rumo ao norte do Estado. Em 1872, o Núcleo foi elevado à categoria de freguesia com a denominação de São José de Herculânea, em homenagem ao Presidente Herculano Ferreira Pena, que lhe deu os primeiros impulsos. Em 1892, a Assembleia Legislativa apresentou ao Presidente do Estado, para ser sancionada, uma lei mudando-lhe o nome de Herculânea para Coxim.

 

 

Dourados

 

 

 

O Distrito de Dourados, pertence ao município de Ponta Porã, foi criado a 15 de Junho de 1914, pela Lei 658. A 20 de Dezembro de 1935, pelo Decreto nº 30, foi criado o município, com território desmembrado do município de Ponta Porã. A 26 de Outubro de 1938, pelo Decreto nº 208, a sede do município teve foros de cidade. No período entre 21 de Setembro de 1943 e 18 de Setembro de 1946, o município integrou o Território Federal de Ponta Porã e, com a extinção deste, voltou a pertencer ao Estado.

 

 

Estrada Parque

 

 

 

 

A estrada, projectada para transpor as águas do Pantanal, ligando Miranda a Corumbá, seria peça importante de uma grande rodo-hidro-ferroviária que cobriria boa parte do Pantanal já que, até então, os barcos eram o principal meio de transporte da região. Formar-se-ia assim, uma via de ligação à fronteira oeste até Corumbá, ponto de chegada dos trens da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, vindos de São Paulo e que hoje só funcionam transportando cargas. Curiosamente, a Estrada Parque nasceu também com certas conotações ecológicas. Seu traçado baseou-se nas rotas originais das grandes boiadas, caminhos naturais obrigatórios no Pantanal. Ambientalistas da época temiam que o aterro interferisse nas cheias, o que não aconteceu - a água vence a estrada sem grandes dramas, isolando-a às vezes por dois meses do ano. Os engenheiros da estrada, pelo contrário, acabaram criando sem querer uma peculiar "eco-rodovia". Há quem diga, com boa dose de humor e razão que a Estrada Parque é o mais extenso zoológico do mundo. Explica-se: os aterros revelaram uma surpreendente capacidade de reter as águas das cheias e assim, mesmo na época das secas mais terríveis, a água acumulada nas laterais das estrada, transforma-se num prodigioso refúgio de peixes, jacarés, capivaras, sucuris, garças, tuiuiús, e muitos outros animais. Em certos dias do ano, durante as cheias, não passam carros na estrada. O barco é o melhor meio de transporte nessa época. O ciclo das águas determina os movimentos dos homens e animais. Depois das cheias, no início da seca, a estrada floresce. É tempo de pescar nos incontáveis riachos que cruzam o caminho e tentar viajar por toda estrada, desafiando as infindáveis e precárias pontes de madeira. A estrada criou muitas histórias ao longo dos anos que se passaram e hoje, finalmente, despertou para sua real vocação: o ecoturismo.

 

 

Forte Coimbra

 

 

 

No século XV, a porção oeste do Brasil, originalmente pertencia à Coroa Espanhola, conforme acordo firmado entre Portugal e Espanha, pelo Tratado de Tordesilhas. Dessa forma, os espanhóis foram os primeiros povoadores europeus dessa área. Quando a primeira expedição de Aleixo Garcia chegou à barra do rio Miranda com o rio Paraguai em 1524, o homem branco encontrou o Pantanal povoado por várias tribos indígenas, em sua maioria pertencentes ao grupo Guarani. Naquela época, o acesso mais fácil para os espanhóis da região do Prata (Argentina e Paraguai) para o Pantanal era o rio Paraguai. Os bandeirantes chegaram à região pelo caminho mais difícil, ou seja, pelo planalto, saindo de São Paulo, pelos rios Tietê e Paraná, e afluentes do rio Paraguai, já no final do século XVI. Até a metade do século XVII, os espanhóis da região do Prata se uniram aos indígenas e efectuaram vários ataques às expedições bandeirantes na tentativa de evitar a expansão luso-brasileira para o oeste. Em meados de 1775, a Coroa Portuguesa determinou a construção de instalações militares ao longo do rio Paraguai, sendo o Forte Coimbra o primeiro a ser erguido. Desde essa época, fins do séc. XVIII e durante a Guerra do Paraguai (1864 a 1870), o Forte Coimbra exerceu papel decisivo nas grandes batalhas ali travadas tendo como cenário as paisagens tranquilas do Pantanal.

 

 

Miranda

 

 

 

O seu núcleo inicial foi o Presídio Militar de Miranda, fundado em 1797, com a finalidade de defender as fronteiras brasileiras contra as incursões de tropas espanholas e, mais tarde, contra os paraguaios. No meio caminho entre Campo Grande e Corumbá, Miranda tem na Serra da Bodoquena o divisor natural dos municípios de Porto Murtinho (ao sul) e Corumbá (a oeste). Além do diversificado comércio, clubes, hospital, hotéis, pousadas e restaurantes, a cidade tem como ponto forte o artesanato indígena em barro, feito pelos índios Terena e Kadiwéu, que transitam tranquilos pelas ruas da cidade oferecendo seus produtos. É sem dúvida alguma, um excelente ponto de apoio para os turistas que buscam a aventura pantaneira, principalmente a pescaria amadora e o ecoturismo.

 

 

Passo da Lontra

 

 

 

É uma comunidade localizada no Mato Grosso do Sul, entre as cidades de Miranda e Corumbá. Localizada na Estrada Parque a 9 km do Buraco da Piranha, às margens do rio Miranda, é ponto de referência e apoio de pescadores e ecoturistas na região do rio Miranda e rio Vermelho. Serve também como via de acesso fluvial às regiões do Morro do Azeite, barra do rio Aquidauana e Touro Morto. Identificada por uma grande ponte de madeira sobre o rio Miranda, Passo da Lontra originou-se de um simples boteco de beira da estrada com um rancho para pouso. No decorrer dos anos juntaram-se vários hotéis e pousadas, casebres de iscadores e até um posto de combustível com telefone público. A 5 quilómetros rio acima, na primeira curva do rio Miranda, está instalado um centro de pesquisas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Possui também um dos raros campings do Pantanal ao lado da cabeceira da ponte de madeira. Na região do Passo da Lontra, o turista tem como escolha várias alternativas para acomodação: desde o camping, mais económico, até apartamentos com ar condicionado e tem como atracções vários locais notáveis para pescaria e passeios ecológicos como o rio Miranda, o rio Vermelho, o Morro do Azeite, a barra do rio Aquidauana, até o corixo do Touro Morto.

 

 

Poconé

 

 

 

Tendo como origem a actividade mineradora ocorrida na região, no século XVIII, o antigo povoado de São Pedro D'el Rei foi fundado em 1776. A construção de suas casas lembra o estilo predominante nas velhas áreas de mineração de ouro, tendo sido famoso quanto à qualidade, o metal extraído de suas jazidas. Poconé foi o nome de uma tribo indígena existente na região e extinta há vários séculos. Por volta dos anos de 1830, o arraial já se encontrava decadente, pela exaustão de suas minas, tendo a maioria de seus habitantes emigrado para Diamantino, buscando novas jazidas de diamantes.

 

 

Porto da Manga

 

http://www.mundi.com.br/Fotos-Porto-da-Manga-2713286.html

 

 O Porto da Manga, propriamente dito, fica na margem esquerda do rio Paraguai, a 76 km a jusante de Corumbá. Possui um cais de concreto em rampas e patamares, com 126 metros de extensão. Situado em cota superior a das máximas enchentes existe um terrapleno pavimentado de 63x50 m que foi construído pela Petrobrás em 1972. Actualmente, o cais de concreto não possui qualquer espécie de equipamento ou actividade, permanecendo apenas a "manga" ou curral para pequenos embarques, originando daí o nome "Porto da Manga" que abrange, actualmente, toda a área adjacente. Nessa área, balsas transportadoras de veículos fazem a travessia do rio Paraguai, efectivando a ligação rodoviária pela Estrada Parque entre Corumbá com as cidades de Miranda (170 km), Aquidauana (250 km) e Campo Grande (370 km). A variedade de  paisagens, a diversidade faunística e de peixes da região é o principal atributo desse paraíso. Num pequeno trecho do rio Paraguai estão reunidas várias desembocaduras dos rios: Taquari, Negro, Abobral e Miranda. Como se fosse pouco, além das pescarias, há espaço também para a prática de mergulho livre em águas límpidas e selvagens da Palmeirinha (nos campos do rio Taquari). Como quase tudo o que é muito bom, Porto da Manga impõe algumas dificuldades aos que querem descobri-lo. O acesso de carro terá de ser feito por estrada de chão batido transpondo inúmeras pontes de madeira: a Estrada Parque. Mas para quem acha que isso é sacrifício (há quem considere uma das graças do passeio), é recompensador o contacto directo com a natureza: mesmo nas secas mais terríveis, a água acumulada nas laterais da Estrada Parque transforma-se num prodigioso refúgio de jacarés, capivaras, tuiuiús, araras e muitos outros bichos.

 

 

Porto Esperança

 

 

 

Situado na margem esquerda do rio Paraguai a cerca de 25 km, rio abaixo, de Porto Morrinho. Teve grande importância em épocas passadas, antes da construção da grande ponte ferroviária chamada Barão do Rio Branco. Naquela época, era o limite a que chegavam os trilhos da antiga Noroeste, o que fazia de Porto Esperança um ponto de transbordo de cargas e passageiros que se destinavam a Corumbá e adjacências fazendo a integração do transporte fluvial com o transporte ferroviário. Actualmente, com a desactivação da linha ferroviária para transporte de passageiros, a interligação do transporte fluvial com o transporte rodoviário, é feito por Porto Morrinho. O conjunto de Porto Esperança consta de um enorme pátio onde se armazena grandes montes de minério com a grande plataforma de atracadouro das grandes chatas na barranca do rio; a antiga estação da Noroeste: um antigo e decadente casarão que era o armazém do antigo Instituto Nacional do Mate ( INM ). Hoje, existe em Porto Esperança um destacamento do Exército e um posto telefónico público. Ao longo do rio, inúmeros ranchos de pesca foram sendo instalados e alguns já se tornaram pousadas para turistas pescadores. Identificada pela grande ponte ferroviária que cruza o rio Paraguai, a região de Porto Esperança é generosa ao turista pescador. Nas imediações da ponte, precisamente nos arredores dos alicerces desta, o leito do rio foi aprofundado devido à construção da fundação da obra. Quando o nível do rio Paraguai sobe, grandes poços e fortes rebojos são formados pela correnteza da água, alocando no fundo peixes das mais variadas espécies como jaús, pintados, barbados e principalmente cardumes de palmitos. Sobre o palmito, vale lembrar aqui, que este peixe de alguns anos para cá tem se proliferado bastante no Pantanal. Assim sendo, não poderíamos deixar de destacar certas qualidades desse peixe - são muitos os que dizem ser ele o melhor peixe em sabor e possui uma carne tenra e com pouco colesterol. Somado ao fato de que esses peixes andam sempre em cardumes, a chance de uma boa pescaria aumentam bastante.

 

 

Porto Jofre

 

 

 

 

Aos bem aventurados que conseguem chegar a Porto Jofre  restam duas impressões: a de que a pescaria tem tudo para ser boa nas águas escuras e piscosas do rio Cuiabá e de que a Transpantaneira é uma estrada, literalmente sem destino. Porto Jofre não é sequer uma vila. Antes da Transpantaneira chegar até ali, era apenas a Fazenda São José, apenas um ponto de referência no caminho de terra que chegaria até Corumbá. Quis o acaso que a estrada terminasse ali, e o lugar entrou nos mapas meio sem querer com o nome de uma outra grande fazenda da região: a Jofre. E por ser um porto de barcos de pesca, um dos poucos pontos habitados na divisa dos dois Estados, o local passou a chamar-se Porto Jofre e a Fazenda São José foi transformada num hotel - fazenda quase que exclusivamente para pescadores.

 

 

Porto Morrinho

 

 

 

Onde a rodovia BR-262 cruza o rio Paraguai, está situado Porto Morrinho. É uma localidade que se originou do pequeno comércio instalado nos dois lados onde atracam as balsas para a travessia do rio. Das lanchonetes instaladas em ambos os lados, vieram as construções de ranchos de pesca particulares, principalmente do lado de Corumbá. E de vários ranchos de pesca originaram-se os inúmeros hotéis e pousadas ali existentes ao longo de um braço do rio Paraguai denominado Gonçalito, que se tem acesso pelo canal artificial criado para o tráfego das balsas. A construção hoje finalizada da grande ponte rodoviária para a travessia do rio Paraguai encurta a viagem em meia hora, porém tira do viajante minutos preciosos de admiração da paisagem pantaneira, numa travessia outrora obrigatória e morosa, relaxante e reflexiva. Com certeza deixará saudades.

 

 

Porto Murtinho

 

 

 

 

É um município situado no extremo sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul, fazendo fronteira com a República Federal do Paraguai, e à margem esquerda do rio Paraguai. Com área de 16500 quilómetros quadrados, é o terceiro em extensão territorial do Estado. Sua população, constituída de gente boa e hospitaleira, é de cerca de 13800 habitantes. Uma das tradições, ligada às suas origens históricas, é a erva mate fria, que no Mato Grosso do Sul é bebida preparada como o popular "tereré". A cidade possui uma biblioteca, um ginásio de desportos coberto, agência de correio e duas agências bancárias. Possui toda uma infra-estrutura voltada para o turismo pesca, com hotéis que oferecem de tudo para a pescaria. Também há lojas de artigos de pesca e venda de motores de popa. Região de pesca abundante, nela encontramos os principais peixes de água doce do país, como o pintado, a cachara, o pacú, o dourado, o jaú, a piraputanga, o piaussú, o barbado, o palmito e a piranha. Para chegar aos locais de pesca, situados na bacia do rio Paraguai, o transporte é exclusivamente feito por barco. A pesca é feita nos diversos corixos e baías da região. Um ponto mais distante e bom é o rio Nabileque.

 

 

Serra do Amolar

 

 

 

 

Um dos mistérios do Pantanal, a região do Amolar é tão distante e secreta, encravada entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e a fronteira boliviana. Com montanhas, rios, lagoas e campos alagados durante o ano inteiro, é um lugar onde os homens precisam viver em simbiose com as águas, onde os índios Guatós, ancestrais habitantes da região acreditam que a Ilha Ínsua, onde vivem, é o centro do mundo. A sua estranha geografia e seu isolamento não são encontrados em nenhuma região do Pantanal. Primeiro, porque o Amolar não sofre tanto o ciclo das águas, permanece alagado durante todo o ano. Depois, pela paisagem, as montanhas são elementos inusitados na paisagem pantaneira. Por último, pelo passado que confinou ali apenas índios que para sobreviver nesse mundo de águas, tornaram-se mestres na arte da canoagem - os índios Guatós, os argonautas. São Lourenço - Serra do Amolar: O Pantanal já foi, há 60 milhões de anos, uma zona mais alta, resultado do processo de formação da Cordilheira dos Andes. As camadas de rocha que sofreram rupturas criaram a depressão pantaneira. Depois, com períodos de chuva e seca, muita areia foi transportada para lá, criando depósitos de centenas de metros de espessura. Na superfície da planície originaram-se leques aluviais de areia que condicionaram o caminho dos principais rios da região. O rio Paraguai, o maior do Pantanal, acabou correndo próximo ao pé da Serra do Amolar, num trecho muito baixo da planície. As montanhas, de certa forma, ajudam a represar a água, originando a formação de duas grandes baías - Baía Infinita e Baía do Burro - e três grandes Lagoas da região - Lagoa Mandioré, Lagoa Gaíva e a maior delas, a Lagoa Uberaba. Na região do Amolar a intensidade das águas limita até a presença dos bichos. Diferentemente das outras regiões, os animais não podem caminhar em busca de alimentos. Vivem ali apenas mamíferos aquáticos como ariranhas, lontras, capivaras e antas. A terrível onça pintada também se adaptou ali, nas partes mais altas, nas fraldas das montanhas. Há ainda grandes colónias de garças, biguás, tuiuiús, e , claro, grande quantidade de jacarés.
Inscrições Rupestres: Seu passado misterioso é alimentado por intrigantes resquícios arqueológicos. Já foram encontradas inscrições rupestres e cerâmicas que datam aproximadamente 3000 anos. Perto da Ilha Ínsua ou no rio Cará-Cará, um braço do rio Paraguai (ver Roteiro Rio Paraguai), existem vários sítios arqueológicos a céu aberto em forma de aterros feitos de conchas, ossos e areia. Esses lugares serviam como verdadeiros refúgios para os índios durante as cheias.
Quando os primeiros homens brancos chegaram ao Pantanal, no início do século XVI, encontraram diversas tribos indígenas que ali viviam, cada qual com suas características próprias, mas todas tendo em comum o fato de pertencerem ao grupo Guarani. Contactados pela primeira vez pelo explorador espanhol Martinez Deirala, os Guatós são as únicas almas indígenas que habitam hoje a região do Amolar. Acostumaram a chamá-la de "Pantanal Profundo", em referência à região das três grandes lagoas.

 

 

Sonora

 

 

 

É um pequeno município do estado de Mato Grosso do Sul, situado a 360 km de Campo Grande, via BR-163, rodovia que liga esta capital a Cuiabá. A cidade de Sonora é pequena, porém tem sua importância estratégica aos que querem conhecer o Pantanal por todos os caminhos. Situada na orla leste do Pantanal, tem nas imediações o rio Correntes e um pouco mais a oeste o rio Piquiri, vias de acesso a uma das regiões pouco conhecidas do Pantanal. Apesar de existir outras maneiras, ou outros caminhos, para se chegar ao tucunaré pantaneiro, como as entradas pelas fazendas que margeiam os rios, atravessando-as num abrir e fechar de centenas de porteiras, o caminho por Sonora é o mais curto e fácil. Portanto, Sonora tem sua importância destacada como ponto de apoio e referência do pescador e do ecoturista aventureiro. Ao ecoturista, vale a pena lembrar que nas imediações de Sonora existe o "sumidouro" do rio Correntes. É um acidente geológico no leito rochoso do rio que faz com que suas águas penetrem num túnel natural estreito, sumindo por entre as rochas, indo aparecer somente a centenas de metros abaixo. Por cima, atravessa a antiga estrada de terra que seria o trajecto da BR-163. Sonora, apesar de pequena, possui recursos como estação rodoviária, agências bancárias, postos de combustível , dois hotéis para pouso, padarias e uma loja de conveniências onde poderá repor ou comprar gelo, iscas, bebidas e material de pesca.

 

 

Transpantaneira

 

 

 

 

Iniciada em 5 de Setembro de 1972, as obras na estrada começaram no extremo norte do Pantanal, em Poconé, e seguiram por quatro anos de aventura até as margens do rio Cuiabá, na Vila São José, hoje Porto Jofre. Em tempos de "milagre económico" no começo dos anos 70, ela nasceu celebrada com ufaníssimo comparável à duas outras megalómanas obras de seu tempo: a ponte Rio - Niterói e a Transamazónica (hoje em situação mais lastimável). Seria peça importante sobre um certo "caminho do paraíso", o sonho necessário do progresso em uma das regiões mais belas e isoladas do Brasil. A nova rodovia teria ao todo 397 quilómetros, unindo Poconé a Corumbá. Formava-se assim uma via de ligação de norte a sul do Pantanal, unindo por sua vez o Mato Grosso ao Sudeste do Brasil. Só que o sonhado "caminho do paraíso", revelou-se mais cheio de pedras que o previsto. O que restou foi uma estrada com média de dez metros de largura e uma característica só dela: ao longo de seus 145 quilómetros, são 125 pontes de madeira, isto é, a estrada com maior número de pontes do mundo. Ao longo do tempo, percebeu-se que acabaram criando, sem querer, uma "eco-rodovia", onde os aterros revelaram uma surpreendente capacidade de reter as águas das cheias. Assim, mesmo na época das secas mais terríveis, a água acumulada nas laterais da Transpantaneira, transforma-se num prodigioso refúgio de jacarés, capivaras, tuiuiús, sucuris e muitos outros animais, num efeito idêntico às muitas lagoas da região sul do Pantanal, perto de Corumbá. Hoje, conta-se nos dedos os veículos que passam diariamente na estrada. Os raros transeuntes variam conforme a hora. Antes do sol nascer, são os ciclistas - pescadores de Poconé, basicamente garimpeiros que antes do trabalho jogam suas linhas nos primeiros riachos em busca do almoço do dia. Nas primeiras horas do dia são os pescadores melhor equipados que passam em suas camionetas  rumo a Porto Jofre.

 

 

 

 

 

 

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