Trabalho e pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro
Seringueira, é uma planta
brasileira (Hevea brasiliensis), da
família das euforbiáceas, originária da
Amazónia e mais tarde introduzida na
Indonésia e no Sudeste Asiático, pelos
holandeses. É uma árvore que atinge 50
metros de altura e de cujo caule,
através de incisões na casca, escorre um
látex com que se produz a borracha de
primeira qualidade. As suas sementes
contêm uma amêndoa de que se extrai um
óleo amarelado, utilizado na indústria
de vernizes e tintas.
Seringueira é uma árvore da
família das Euphorbiaceae (Hevea
brasiliensis) de folhas compostas,
flores pequeninas e reunidas em amplas
panículas, com fruto em uma grande
cápsula com sementes ricas em óleo, cuja
madeira é branca e leve, e de cujo látex
se fabrica a borracha. A seringueira é
uma árvore originária da bacia
hidrográfica do Rio Amazonas, onde
existia em abundância e com
exclusividade, características que
geraram o extrativismo e o ciclo da
borracha, período da história brasileira
de muita riqueza e pujança para a região
amazônica, até que grandes hortos fossem
plantados para fins de exploração, por
ingleses, no continente africano
tropical, na Malásia e no Sri Lanka. O
profissional que retira o látex da
seringueira se denomina seringueiro.
Seringueiro é aquele que extrai
o látex das seringueiras e com ele
prepara a borracha.
Está a passar na televisão em
Portugal, ao Domingo e no canal SIC, a
minisérie "Amazónia" cujo tema é a saga
da borracha:
Thiago Fragata *
http://www.infonet.com.br/serigysite
Gumercindo Bessa
A minissérie “Amazônia: de Galvez a
Chico Mendes”, de Glória Perez, exibida
pela Rede Globo, contextualiza a fase
áurea da economia da borracha e a
conturbada construção do Estado do Acre.
Em seus primeiros capítulos, dois
quadros saltam aos olhos do atento
telespectador: o cosmopolitismo de
Manaus e a presença de nordestinos no
território acreano, concorrido entre
brasileiros e bolivianos. Destacar o
envolvimento de sergipanos nesse momento
da História do Brasil constitui o
objetivo deste texto.
No início do século passado, o Estado do
Amazonas floresceu como zona próspera em
decorrência da produção de borracha.
Assim, independente da sorte de muitos
nordestinos, a propaganda do novo “El
dorado” estampada nos jornais da época
aguçava as ambições e atraía sujeitos
dos mais variados patamares sociais.
Eram desempregados, funcionários
insatisfeitos, militares, médicos,
bacharéis, professores, agrimensores
etc. Toda sorte de pessoas que
procuravam uma ascensão em um novo
território.
Apogeu, requinte e luxo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_da_borracha
Os novos ricos de Manaus tornaram a
cidade a capital mundial da venda de
diamantes.
Belém, capital do Estado do Pará, assim
como Manaus, capital do Estado do
Amazonas, eram na época consideradas
cidades brasileiras das mais
desenvolvidas e umas das mais prósperas
do mundo, principalmente Belém, não só
pela sua posição estratégica - quase no
litoral -, mas também porque sediava um
maior número de residências de
seringalistas que Manaus. Ambas possuíam
luz elétrica e sistema de água encanada
e esgotos. Viveram seu apogeu entre 1890
e 1920, gozando de tecnologias que
outras cidades do Sul e Sudeste do
Brasil ainda não possuíam, tais como
bondes elétricos, avenidas construídas
sobre pântanos aterrados, além de
edifícios imponentes e luxuosos, como o
requintado Teatro Amazonas, o Palácio do
Governo, o Mercado Municipal e o prédio
da Alfândega, no caso de Manaus, e o
mercado de peixe, mercado de ferro,
Teatro da Paz, corredores de mangueiras,
diversos palacetes residenciais no caso
de Belém, construídos em boa parte pelo
intendente Antônio Lemos.
A influência européia logo se fez notar
em Manaus e Belém, na arquitetura da
construções e no modo de viver, fazendo
do século XIX a melhor fase econômica
vivida por ambas cidades. A Amazônia era
responsável, nessa época, por quase 40%
de toda a exportação brasileira. Os
novos ricos de Manaus tornaram a cidade
a capital mundial da venda de diamantes.
Graças à borracha, a renda per capita de
Manaus era duas vezes superior à da
região produtora de café (São Paulo, Rio
de Janeiro e Espírito Santo).
Moeda da borracha: libra esterlina: como
forma de pagamento pela exportação da
borracha, os seringalistas recebiam em
libra esterlina (£), moeda do Reino
Unido, que inclusive era a mesma que
circulava em Manaus e Belém durante a
Belle Époque amazônica.
A borracha natural corresponde,
do ponto de vista químico, à forma
global (C5H8)n. É um polisopreno de
massa molecular média de 200 mil a 300
mil. Apresenta-se em massa translúcida,
incolor ou amarelada, conforme o
processo de fabricação. A acção do
oxigénio provoca o rompimento da cadeia
de diferentes elos de isopreno em
porções cada vez menores e a faz perder
suas propriedades de elasticidade e
resistência. Após o estiramento, a
borracha crua conserva certa deformação
permanente que a vulcanização permite
atenuar. Descoberta por Charles Goodyear
em 1840, a vulcanização consiste de
facto em interligar com átomos de
enxofre as cadeiras hidrocarbonadas , o
que aumenta o carácter elástico da
borracha, impedindo ao mesmo tempo o
deslizamento das cadeias umas sobre as
outras. Aumentando-se progressivamente o
índice das ligações em ponte, pouco a
pouco se diminui, porém, o carácter
elástico da borracha: a rede
tridimensional formada torna-se cada vez
mais rígida, e no seu limite corresponde
a um índice de 32% de enxofre; obtém-se
então uma massa quebradiça, a ebonite,
já totalmente desprovida de
elasticidade.
Os índios latino-americanos e o
uso da borracha...
http://www.acrilon.com.br/latex-historia.htm
Na
segunda metade do século XV, a borracha
foi vista pela primeira vez quando os
colonizadores chegaram à Região
Amazônica e lá encontraram os índios
Latino-Americanos brincando com bolas
rudimentares feitas da seiva da árvore ,
que os índios chamavam de "caucho".
Para muitos historiadores, Cristóvão
Colombo foi o primeiro europeu a ver a
borracha na segunda viagem ao Haiti em
1.493-96.
Na Amazônia, o uso da borracha foi
mencionado pelo Jesuíta Samuel Fritz e
pelo Frei Carmelita Manoel de Esperança,
entre os índios Cambebas ou Omaguas.
A árvore da borracha – Popularmente
“árvore que chora”.
Nomes Populares
Seringueira, seringa, seringa-verdadeira,
cau-chu, árvore-da-borracha,
seringueira-preta (AC),
seringueira-branca.
Nome científico: Hevea brasiliensis
Características Morfológicas : Planta
lactescente de 20-30m de altura, com
tronco de 30-60cm de diâmetro.
Folhas compostas trifolioladas, com
folíolos membranáceos de glabros.
Ocorrência: Região amazônica, na margem
de rios e lugares inuncdáveis da mata de
terra firme. Existe na floresta amazônia
mais 11 espécies de seringueira, todas
do gênero Hevea e muito parecidos com
essa espécie.
Fenologia : Floresce a partir de agosto,
prolongando-se até início de novembro.
A maturação dos frutos ocorre no período
de abril a maio.
Grandes Descobertas: A borracha foi
apresentada ao mundo por Charles de La
Condaimine que enviou amostras do
produto obtido na Amazônia Peruana para
a França, em 1.736 e publicou os
resultados das pesquisas em 1.745.
Alguns defeitos apareciam com o tempo
como forte odor, pegajosidade e
enrigecimento devido ao clima.
Charles Goodyear resolveu esses
problemas, ao descobrir o processo da
"vulcanização", quando acidentalmente
deixou cair um pouco de enxofre na
mistura de borracha em seu laboratório,
verificando propriedades valiosas
(resistência e elasticidade) ,fazendo
com que sua utilização se multiplicasse
drasticamente.
O inglês Joseph Priestley produziu a
primeira borracha, que utilizamos até
hoje, para apagar traços de lápis
esfregando-a sobre o papel. Cubos desta
borracha começaram a ser vendidos em
Londres em 1772 e foram chamados de "rubber"
que vem do inglês "rub" que significa
esfregar.
A borracha vulcanizada passa a
apresentar todas as propriedades que
fazem dela o produto conhecido hoje por
borracha natural, de vasta utilização
pela civilização, em mais de 40.000
itens diferentes como calçados, tecidos
emborrachados, apagadores de lápis,
indústrias automobilísticas - pneus etc.
destacando-se Luvas e oferecendo a cada
profissional das mais diversas
atividades adaptação ao seu meio de
trabalho.
A exploração do Látex: A borracha
começou a ser explorada no Brasil no
século XIX, na Região Norte. A partir de
1869, a atividade ganhou o reforço da
mão-de-obra nordestina, proveniente
principalmente do Ceará, onde as secas
de 1877 e 1880 estimularam a migração.
Entre 1934 e 1940, ocorreu o segundo
movimento migratório do Nordeste para a
Amazônia, conhecido como a Batalha da
Borracha.
As exportações Brasileiras de borracha
aumentam rapidamente, saindo de algumas
poucas toneladas em 1.846 para quase
10.000 toneladas em 1.880.
Conduzidas por Heny Wickham para o
Jardim Botânico de Kew Garden, em
Londres. Em 1.876, foram coletadas
70.000 sementes de seringueira já que o
mundo percebeu que a produção do Brasil
seria insuficiente para atender às
necessidades do futuro.
Assim, europeus e americanos passaram a
pensar na possibilidade de cultivar a
hevea em outras regiões de clima
tropical como o do Brasil, Ásia e
África.
Atualmente os maiores produtores são a
Tailândia, Indonésia e Malásia,
produzindo juntas 70% aproximadamente do
total mundial.
Borracha, apogeu e decadência
http://portalamazonia.globo.com
Explorada em pequena escala desde o
início do século XIX, a extração da
borracha intensificou-se na Amazônia a
partir de 1850. Com a comercialização do
produto em nível internacional,
principalmente entre os anos de 1905 e
1912, época de seu apogeu, quando toda a
economia brasileira e em particular a do
Amazonas, passou a depender unicamente
da extração do látex.
Essa época foi denominada de Ciclo da
Borracha. Nesse período, toda a economia
da Amazônia encontrava-se dominada por
firmas estrangeiras, com sede na
Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha,
impedindo qualquer iniciativa contrária
aos seus interesses.
Os benefícios que o Ciclo da Borracha
trouxe para o Amazonas podem ser
conferidos nas grandes obras construídas
na cidade de Manaus, com destaque para o
Teatro Amazonas.
A planta da cidade de Manaus passou a
ser construída em moldes dos padrões
europeus. As ações do governo, nessa
época, limitavam-se a cidade de Manaus,
dando pouco importância ao interior do
Estado. Dessa forma toda a riqueza e
poder estava concentrada na capital.
Como o interior do estado estava
relegado ao esquecimento, os
trabalhadores dos seringais tornaram-se
prisioneiros do sistema patronal, sem
meios para saldar suas dívidas.
O ciclo da borracha possibilitou, sem
dúvida, o maior movimento de migração
brasileira em direção à Amazônia.
Estima-se que durante o Ciclo da
Borracha, 500.000 nordestinos tenham
chegado a esta região para o trabalho
nos seringais.
Com a decadência da borracha e as
fracassadas tentativas dos governos
federais em recuperar a produção do
látex, os aventureiros e explorados
soldados da borracha deslocaram-se para
suas terras de origem ou para cidade. Na
cidade, por sua vez, a população viveu
momentos de incertezas e necessidades.
No interior, alguns seringais foram
abandonados, assim também outras
propriedades.
Diante desse quadro de incertezas
apresentava-se uma alternativa: voltar no
tempo e explorar a castanha-do-Pará, a
madeira, os óleos essenciais e vegetais,
os couros e as peles, o pescado e a
extração mineral. Passaram a explorar,
também, a agricultura juteira da várzea
e a criação da empresa Petróleo Sabbá,
trazendo perspectiva de investimento
para a região. Nessa época destacou-se a
participação de políticos, empresários,
intelectuais que se mobilizaram para
discutir e apresentar ao Governo Federal
novas alternativas de investimento para
a região.
Decadência da Borracha
Na segunda metade do século XIX,
ingleses levaram sementes selecionadas
de seringueiras (Hevea Brasiliensis)
para suas colônias do sudeste asiático,
onde se desenvolveram rapidamente. Já no
início do século XX, começa a chegar no
mercado internacional sua primeira
produção, causando uma queda dos preços
da borracha na Amazônia.
A partir dai a produção asiática entrou
em ascensão (aumentou) e a da Amazônia
entrou em declínio (diminuiu).
Na Ásia:
- As seringueiras eram próximas uma das
outras;
- O terreno era limpo e plano, fácil ao
cultivo;
- A plantação era próxima aos postos de
vendas;
- Apesar da grande produção,
continuou-se a plantação de
seringueiras.
Na Amazônia:
- Grande distância de uma seringueira
para outra;
- Dificuldade para se locomover na mata;
- Atraso na entrega da produção em
virtude da distância do posto de venda;
- Exploração sem replantio de outras
mudas;
Diante desta concorrência desigual a
borracha do Amazonas não resistiu à
competição do produto asiático que, em
poucos anos, substituiu quase
inteiramente os mercados produtores.
A partir dai o governo brasileiro
iniciou a implantação de planos de
desenvolvimento da Amazônia com o
objetivo de recuperar a decadente
produção do látex.
Portal Amazônia -
www.portalamazonia.globo.com
Os nordestinos recrutados para
trabalhar nos seringais foram chamados
de "soldados da borracha", mas jamais
receberam soldo nem medalhas
O SERINGUEIRO
http://www.jangadabrasil.com.br
No
início, todos os cearenses levados para
o território trabalham como
seringueiros. O seringueiro é o
trabalhador que extrai a borracha da
árvore chamada seringueira (hevea
brasiliensis). Trabalha oito meses por
ano, de abril a novembro, quando começa
a floração. Todos os dias, levanta-se às
três da madrugada, deixa no fogo a
panela de feijão e sai para correr "as
estradas", isto é, para fazer os cortes
nas seringueiras espalhadas pela
floresta e colocar as tijelinhas para
aparar o leite. Essa tarefa leva mais ou
menos cinco horas. Ele se arranja para
fazer um percurso para recolher o látex
das tijelinhas, transferindo-o para um
saco de borracha de sua fabricação ou
para um balde apropriado.
Às 2 ou 3 horas da tarde, volta para o
rancho almoça e começa a defumação do
leite recolhido. Se o seringueiro vive
sozinho – o que era regra geral no
começo – defuma, come e dorme no mesmo
rancho chamado tapiri. Atualmente
estando com a família, o tapiri serve
somente para trabalhar, havendo uma casa
ao lado para moradia. O seringueiro
gasta umas duas horas na defumação da
borracha. O fogo é feito debaixo da
terra para que a fumaça saia por um bico
ao nível do chão. A melhor fumaça é a de
coco de babaçu. O homem que já se cansou
o dia todo pelas picadas, por cima e por
baixo de paus, deve ainda aguentar essa
fumaça que arde nos olhos e enche os
pulmões. A bola de borracha é rodada em
volta de uma vara de 1,50m de
comprimento chamada "cavador". Para
iniciar a bola – que chamam também de
pela – enrola-se na vara um "tarugo" de
goma coagulada no qual o leite gruda
facilmente. O homem vai despejando o
leite com uma cuia ao mesmo tempo que
gira o "cavador" e a bola vai
engrossando, cada dia um pouco mais. Uma
pela pronta, depois de vários dias, pesa
uma média de 50 quilos.
Outro meio de se obter borracha mais
depressa consiste em derrubar a árvore,
isto, no entanto, só faz com o caucho (Castilhoa
Ulei), cujo látex não pode ser tirado
aos poucos porque coagula muito
depressa. A árvore, depois de derrubada,
é toda recortada de cima pra baixo, de
maneira que o látex escorra para o chão
previamente limpo. Basta depois juntar o
látex, deixando-o alguns dias dentro de
um caixote feito de quatro tábuas, no
próprio local, para acabar de endurecer
e tomar a forma de um fardo. Aí então
não se chama bola de borracha, mas
prancha de caucho.
Para o transporte da borracha, levam-na
até a estrada, onde é carregada por
caminhão para a cidade mais próxima. Se
o seringal se acha perto de um rio
navegável, as bolas são amarradas umas
às outras com cipós e jogadas na
correnteza. Quando se faz necessário, um
barco segue segurando o conjunto, o que
facilita o desembarque. As bolas são
abertas na chegada ao depósito,
unicamente para comprovar que o
seringueiro não as engrossou com
sujeiras, isto é, não falsificou a
fabricação.
(THIÉBLOT, Marcel Jules. Rondônia, um
folclore de luta)
Um caminho sem volta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_da_borracha
Entretanto, para muitos trabalhadores,
este foi um caminho sem volta. Cerca de
30 mil seringueiros morreram abandonados
na Amazônia, depois de terem exaurido
suas forças extraindo o ouro branco.
Morriam de malária, febre amarela,
hepatite e atacados por animais como
onças, serpentes e escorpiões. O governo
brasileiro também não cumpriu a promessa
de reconduzir os soldados da borracha de
volta à sua terra no final da guerra,
reconhecidos como heróis e com
aposentadoria equiparada à dos
militares. Calcula-se que conseguiram
voltar ao seu local de origem (a duras
penas e por seus próprios meios) cerca
de seis mil homens.
Mas quando chegavam tornavam-se escravos
por dívida dos coronéis seringueiros e
morriam em consequência das doenças, da
fome ou assassinados quando resistiam
lembrando as regras do contrato com o
governo.
Apontamentos finais
Os finais abruptos do primeiro e do
segundo ciclo da borracha demonstraram a
incapacidade empresarial e falta de
visão da classe dominante e dos
políticos da região. O final da guerra
conduziu, pela segunda vez, à perda da
chance de fazer vingar esta atividade
econômica. Não se fomentou qualquer
plano de efetivo desenvolvimento
sustentado na região, o que gerou
reflexos imediatos: assim que terminou a
segunda guerra mundial, tanto as
economias de vencedores como de vencidos
se reorganizaram na Europa e na Ásia,
fazendo cessar novamente as atividades
nos velhos e ineficientes seringais da
Amazônia.
O kit básico do seringueiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_da_borracha
Cada migrante assinava um contrato com o
SEMTA que previa um pequeno salário para
o trabalhador durante a viagem até a
Amazônia. Após a chegada, receberiam uma
remuneração de 60% de todo capital que
fosse obtido com a borracha.
O kit básico dos voluntários, ao assinar
o contrato, consistia em:
uma calça de mescla azul
uma blusa de morim branco
um chapéu de palha
um par de alparcatas de rabicho
uma caneca de folha flandre
um prato fundo
um talher
uma rede
uma carteira de cigarros Colomy
um saco de estopa no lugar da mala
Após recrutados, os voluntários ficavam
acampados em alojamentos construídos
para este fim, sob rígida vigilância
militar, para depois seguirem até à
Amazônia, numa viagem que podia demorar
de 2 a 3 meses.
"O seringueiro é sobretudo um
solitário, perdido no deserto da
floresta, trabalhando para se
escravizar. Cada dia num seringal
corresponde a uma empreitada de Sísifo -
partindo, chegando e novamente partindo
pelas estradas no meio da mata, todos os
dias, sempre, num "eterno giro de
encarcerado numa prisão sem muros."
(Euclides da Cunha, 1994, p.59)"
Trabalho e pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal