A História da
Maquilhagem
Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

No teatro, desde as origens na Grécia Antiga,
bem como nas demais manifestações culturais
equivalentes do Japão, Índia e outros países do
Extremo Oriente, a maquilhagem é parte essencial
na caracterização do actor. O maquilhador é uma
profissão que visa não apenas atender a funções
estéticas, mas também um técnico especializado,
com conhecimentos específicos sobre uma gama
extensa de substâncias cujo uso transcende o
embelezamento, passando mesmo na efectiva
caracterização das personagens e ainda na
percepção destes efeitos.
Mulheres como Cleópatra e Nefertiti, e não só
elas como também a grande maioria das egípcias,
cobriam suas sobrancelhas com traços negros e
contornavam seus olhos com substâncias verdes e
pretas. A substância preta essencial para a
maquilhagem era o kohl, à base de antimónio,
produto tóxico misturado com carvão. Até hoje, a
impressão que nos causa os olhos fortemente
delineados com preto é admirada. Uma infinidade
de substâncias serviam para dar cor e realçar os
olhos, bocas e bochechas. O antimónio vermelho
constituía a base para a confecção de batons que
eram perigosos para a saúde. Aliás, grande parte
das substâncias coloridas que os egípcios usavam
para se maquiar era venenosa, como a galena,
sulfato natural de chumbo de cor cinza azulado,
ou a malaquita, óxido de cobre de cor
esverdeada. Esta última dependendo do uso, podia
servir como preventivo contra as doenças dos
olhos. A hena vegetal servia para pintar as
unhas das mãos e dos pés, além das palmas das
mãos e das solas dos pés, da mesma forma que as
marroquinas e as indianas fazem hoje em dia. O
ocre vermelho e amarelo também ajudava a compor
a aparência dos homens e das mulheres da época.
Para a utilização desses produtos e a realização
da maquilhagem e de penteados, as egípcias
dispunham de utensílios como bastões para a
aplicação do kohl, grampos e frisadores de
cabelo, caixas para cosméticos e paletas para
misturá-los, além de espelhos de metal polido.
Fonte: Fonte:
www.maquiagemfacil.com.br
Cosméticos para maquilhagem
É no antigo Egipto que vamos encontrar os
primeiros testemunhos do uso de cosméticos. Os
faraós tinham nas perucas coloridas formas de
distinção social e consideravam a maquilhagem
dos olhos ponto de destaque fundamental para
evitar olhar directamente para Rá, o deus -sol.
As misturas de metais pesados davam o tom
esverdeado para impregnar e proteger as
pálpebras dos nobres. É também com a civilização
egípcia que surge a distinção: "Mulher de pele
clara" e "Homem de pele escura". Cleópatra bem
representou o ideal de beleza daqueles tempos.
Carismática e poderosa, a Cleópatra imortalizou
seu tratamento banhando-se em leite, cobrindo as
faces com argila e maquilhando seus olhos com pó
de khol.
Pele clara, obsessão universal: Dizia-se que
Pompeia tinha a pele muito branca graças ao
resultado de constantes banhos em leite de
jumenta. Ela lançou moda e todas as romanas
abastadas eram dadas às máscaras nocturnas, onde
ingredientes como farinha de favas e miolo de
pão se combinavam ao leite de jumenta diluído
para formar papas de beleza. Mas a verdade é que
a bela complementava seus tratamento de
clareamento da pele maquilhando as veias dos
seios e testa com tintura azul. Esta aparência
translúcida foi imitada em misturas de giz,
pasta de vinagre e claras de ovos durante muitas
décadas.
Conta a lenda que Psyché foi buscar no inferno o
segredo da pele branca da deusa Vênus, trazendo
a cerusa, ou alvaiade, para compor suas fórmulas
mágicas. Até a Renascença italiana esse mesmo
alvaiade era usado durante o dia pelas lindas
mulheres nobres, que à noite cobriam suas faces
com emplastros de vitelo cru molhado no leite
afim de minimizar os efeitos nocivos causados
pelo alvaiade. O Kama Sutra, escrito entre os
séculos I e IV, define a mulher ideal como
Padmini, aquela que tem "...a pele fina, macia e
clara como o lótus amarelo..." No Japão, do
século IX ao XII, período de Heian, a
valorização da pele branca era regra geral. Para
obter a aparência extremamente clara as mulheres
aplicavam um pó espesso e argiloso feito de
farinha de arroz, chamado oshiroi. Depois
passaram também à usar o beni, pasta feita do
extracto de açafrão, para colorir as maçãs do
rosto.
Aproximadamente em 150AC o físico Galeno criou o
1º creme facial do mundo, adicionando água à
cera de abelha e óleo de oliva. Mais tarde o
óleo de amêndoas substituiu o azeite e a
incorporação de bórax contribuiu para a formação
da emulsão, minimizando o tempo de processo.
Estava aí a primeira base para sustentar os
pigmentos de dióxido de titânio e facilitar a
aplicação na face; nascia a base cremosa facial.
Começam os obstáculos: Mas nem só de aprovação
caminhou a história dos cosméticos coloridos. Na
Roma antiga a indignação masculina frente aos
artifícios femininos de usar produtos para
maquilhagem está registada em obras imortais,
como escreveu Ovídio "...Seu artifício deve
permanecer insuspeito. Como não sentir
repugnância diante da pintura espessa em sua
face se dissolvendo e escorrendo até seus seios?
Por que tenho de saber o que torna sua pele tão
alva?..." Andreas de Laguna, o médico espanhol
do Papa Julius III, dizia que a maquilhagem das
mulheres era tão espessa que dava para cortar "a
nata da torta de queijo de cada uma das
bochechas" (Ilustrar com Bloch, volume 6,
revista 34, página 7).
A beleza entra na mira da igreja: Os líderes
religiosos expressavam sua indignação contra o
uso de artifícios coloridos. No relato de São
Jerónimo fica evidente a reprovação do ato de
maquilhar-se, visto como força do mal e da
impureza. "...O que faz essa coisa púrpura e
branca no rosto de uma mulher cristã, atiçadores
da juventude, fomentadores da luxúria, e
símbolos de uma alma impura?..."
Propaganda enganosa X bruxaria: No final do
século XVIII, o Parlamento inglês recebeu a
proposta de uma lei que tentava impor sobre as
mulheres a mesma penalidade por adorno que era
imposta por bruxaria. O termo desobrigava de
suas responsabilidades os maridos que haviam
casado com uma "máscara falsa": "Todas as
mulheres que à partir deste ato tirarem
vantagem, seduzirem ou atraírem ao matrimónio
qualquer súbdito de Sua Majestade por meio de
perfumes, pinturas, cosméticos, loções, dentes
artificiais, cabelo falso, lã de Espanha,
espartilhos de ferro, armação para saias,
sapatos altos ou anquilhas, ficam sujeitas à
penalidade da
lei que agora entra em vigor
contra a bruxaria e contravenções semelhantes e
que o casamento, se condenadas, seja anulado..."
É hilariante a carta publicada no jornal
britânico The Spectator, no ano 1711, onde um
marido aflito desabafa... "Senhor, estou
pensando em largar minha mulher e acredito que
quando o senhor considerar o meu caso, a sua
opinião será a de que minhas pretensões ao
divórcio são justas.
E a vaidade vence: Mas apesar da postura radical
da igreja e dos costumes rígidos, com os
desenvolvimentos científicos o ato de pintar os
lábios tornou-se moda desde o século XVII,
quando as pomadas coloridas tornaram-se mais
acessíveis e seguras. Ainda no século XVI a
preocupação com higiene pessoal foi deixada de
lado, o que ironicamente contribuiu para o
crescimento do uso da maquilhagem e dos
perfumes.
O primeiro estilista surgiu no século XIX,
quando um verdadeiro artista traz uma nova fonte
de prestígio à moda; Charles Frederick Worth
abriu sua loja em Paris em 1858, para vender
modelos de casacos e sedas de primeira classe. A
imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III era
sua mais famosa cliente. Em 1885 é fundada a
Chambre Syndicale de la Couture Parisienne,
regulamentando a arte da alta costura. Paul
Poiret, Madeleine Vionnet, Coco Chanel,
Christian Dior, Cristóbal Balenciaga, Hubert
Givenchy são alguns dos nomes que mudaram a
história da moda no mundo, causando a
necessidade de uma mudança de patamar na
indústria de produtos para maquilhagem.
Durante os 100 anos seguintes Paris firmou-se
como autoridade em moda, trazendo para o mundo
da maquilhagem um novo alento. Podemos dizer que
a popularização da moda aconteceu em 1892, com o
lançamento da revista Vogue, tendo em seus
primeiros números personalidades como Gertrude
Vanderbilt Whitney, vestindo suas próprias
roupas. Quando Condé Nasta comprou a revista, em
1909, a publicação passa à ter um enfoque mais
atraente, mostrando objectos do desejo para
todas as mulheres. É somente no século XX, com
os avanços da indústria química fina, que os
cosméticos se tornam produtos de uso geral. Em
1921, Paris é palco de uma verdadeira revolução
na história do batom; é primeira vez que um
produto desta categoria é embalado num tubo e
vendido em cartucho. O sucesso é tal que em 1930
os estojos de batom dominam o mercado americano,
trazendo uma nova fase para o desenvolvimento
destas formulações. A morena Marilyn Monroe
usava maquilhagem clara e pintava lábios
vermelhos intensos, atraindo e intensificando
sua feminilidade.
O maquilhador americano Kevyn Aucoin conta que
em 1967, ainda criança, quando confundiu a
maquilhagem branca -rosada intensa de uma
vendedora de cosméticos com a aparência deixada
pela aplicação de loção de calamina. Esta
mistura de óxido de ferro vermelho e óxido de
zinco era muito usada, na época, para aliviar o
desconforto causado por picadas de insectos. A
ingenuidade de Kevyn levou-o à comentar com a
moça o quanto ele estava penalizado por sua dor!
Como resposta deparou-se com um silêncio
sepulcral, que só foi entendido pelo menino
quando sua mãe, já a caminho de casa explicou
que se tratava de maquilhagem e não remédio...
Na década de 70 as cores de maquilhagem
tornaram-se populares, acompanhando as colecções
de alta-costura francesa, italiana e inglesa.
Cada vez que um grande costureiro lançava uma
nova colecção de cores e formas para as roupas,
lá vinha um tom de sombra específico para os
olhos, uma nova cor de boca. Dior, Chanel, Yves
Saint Laurent e todos os grandes fabricantes
ousavam e enchiam os olhos das mulheres de todo
o mundo com suas criações cada vez mais
tentadoras. E é no final da década de 80 que
entram em lançamento as fórmulas evoluídas para
cosméticos pigmentados. Às beiras do novo
milénio finalmente entram em cena fórmulas
baseadas em tecnologia de vanguarda, cujo uso
garante propriedades bem interessantes para
nossa beleza, como protecção solar, umectação e
controle do envelhecimento da pele.
Nos anos 90 a era do benefício visível ganha
importância vital. A haute couture toma rumos
inteligentes nesta nova era. Estilistas ingleses
de vanguarda como John Galliano e Alexander
McQueen vêm dar uma ventilada nas conservadoras
Dior e Givenchy, alterando mais uma vez a
história da moda & make-up. Hoje podemos nos
beneficiar do produto que colore e trata a pele,
limpa, perfuma e protege os cabelos, como nunca
antes na história da humanidade. Yohji Yamamoto,
Rei Kawakubo, Helmut Lang e Ann Demeulemeester
apontam para uma nova era, a era da Beleza
Inteligente, onde cada ser possa encontrar seu
equilíbrio na roupa, no cheiro e na cor.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Parece natural no homem o uso de substâncias
sobre a pele, encontrado mesmo em culturas mais
primitivas, ao lado de adornos e adereços.
Inicialmente com atributo religioso e
cerimonial, bem como militar, um exemplo dado
pela Antropologia tem-se nas pinturas corporais
dos índios americanos e tribos africanas: Há as
pinturas cerimoniais, com uso de substâncias
vegetais como o urucum e do carvão, e ainda de
argilas ou pedras moídas. Entre os Aborígenes da
Austrália as pinturas seguem intrincadas formas
geométricas. No Egipto Antigo a maquilhagem
recebeu a destinação que modernamente se lhe
emprega, que é essencialmente o de
embelezamento. Nesta cultura a beleza física,
tanto de homens como de mulheres, era realçada
com o uso de pinturas à base de hena, sobretudo
em torno dos olhos. Os faraós também usavam a
maquilhagem em cadáveres pois eles acreditavam,
que ao ressuscitarem, precisavam estar belos.
A história da maquilhagem: Cada década teve sua
história, seu estilo. O século XX foi veloz e
revolucionário. Conheça um pouco mais sobre as
influências da história na moda e na
maquilhagem.
Anos 30 - Olhos sofisticados e provocantes.
Sobrancelhas totalmente depiladas e redesenhadas
com lápis, num traço fino, ousado e marcante.
Sombras de pálpebras em pó exploravam todos os
matizes, indo dos castanhos aos cinzas, e
inclusive ao preto para a noite. Os cílios
cuidadosamente recurvados e cobertos por
máscaras para cílios. Para evitar todo excesso
considerado vulgar, a maquilhagem da boca
tornou-se mais discreta.
Anos 40 - Olhos armados de guerra. A beleza,
sinónimo de saúde, era considerada um dever
nacional. Os efeitos da guerra abalaram o mundo
e o mercado de cosméticos teve uma queda em
função da falta de matérias-primas. Graxa para
as botas serviam como máscara para cílios, o
carvão, como sombra de pálpebras, a graxa para
sapatos como tintura para as sobrancelhas e
pétalas de rosa embebidas em álcool produziam um
blush líquido da era vitoriana. Ao longo de todo
o conflito, as estrelas usaram cabelos longos,
um modo de exprimir feminilidade numa época em
que muitos outros meios não eram mais
acessíveis.
Anos 50 - Olhos de gazela.
Modelados pela sombra nas pálpebras, o lápis de
sobrancelha, a máscara para cílios e sobretudo o
delineador. A importância da maquilhagem dos
olhos trouxe uma infinidade de criações e
reformulações de produtos. A maquilhagem
realçava a palidez da pele e a intensidade dos
lábios. Os pós-de-arroz e compacto estavam mais
que presentes.
Anos 60 - Olhos de adolescente. Ultra-maquiados
transparecendo uma ousadia inocente. Na mesma
época, surgiram as minissaias e as mulheres
começaram a deixar de lado o clássico e então
"ultrapassado" visual fatal. A feminilidade
transitava entre o comportado e o irreverente.
As cores eram fortes, puras, verdadeiras:
rosa-choque, dourado, verde, violeta e laranja.
Os anos 60 marcam o início da cultura pop
americana.
Anos 70 - Olhos em busca de liberdade. A beleza
toma um aspecto moral e psicológico. Não existem
mulheres feias, há somente mulheres que ainda
não se conhecem. Pela primeira vez na evolução
da beleza, homens e mulheres podiam escolher sua
aparência seguindo seu estilo de vida pessoal, e
não somente as exigências da moda. A maquilhagem
e os cortes de cabelo se tornaram, mais que
nunca, meios de expressão de escolhas. Cabelos
livres, pele bronzeada e lábios brilhantes
fizeram dos anos 70, uma década de beleza
explosiva.
Anos 80 - Olhos cheios de movimento. Sob as
luzes estroboscópicas, a juventude dourada e
coberta de lantejoulas tinha os lábios muito
vermelhos, os olhos pintados de azul-elétrico e
as maças do rosto realçadas por blushes cor de
tijolo. Os códigos de beleza começavam a mudar
de acordo com as estações do ano. A sombra
passava do castanho ao violeta e era esfumada,
em arco-íris. Os cílios eram alongados com
máscaras coloridas (verde relva e azul piscina)
e a prova d'água. No topo dos anos 80, triunfava
Madonna, que foi um marco da década em que era
proibido "fraquejar". A beleza virou competição
e as mulheres passaram a cuidar muito do corpo.
Os músculos demonstravam que elas não seriam
mais intimidadas.
Anos 90 - Olhos menos cintilantes e mais
decadentes. Cansada da agitação dos anos 80, as
mulheres dos anos 90 apresentam uma beleza
esquálida e perturbadora que representa uma
sociedade em fase de mutação. Tatuagem e
piercings fazem do corpo um campo de expressão
da feminilidade "debochada".
De 2000 aos tempos actuais - Olhos espirais
levam ao túnel do tempo.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro –
Marinha Grande – Portugal
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