
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Até ao século XX, a contracepção (ou
anticoncepção) praticava-se sobretudo pela
interrupção do coito antes da ejaculação, método
velho de vários séculos, depois, mais tarde,
pelo uso do preservativo masculino. A pílula.
Introduzida em 1956, trouxe consigo eficácia e
relativa facilidade de utilização. Desde a mesma
época, e também possível agir depois da fase de
fecundação, pela utilização do dispositivo
intra-uterino.
A anticoncepção tem uma história milenar.
Hipócrates (460-377 a.C.) já sabia que a semente
da cenoura selvagem era capaz de prevenir a
gravidez. No mesmo período, Aristóteles
mencionou a utilização da Mentha Pulegium como
anticoncepcional, no ano (421 A.C). O uso de
anticoncepcionais feitos de plantas naturais
parece ter sido tão difundido na região do
Mediterrâneo, que no século II A.C., Políbio
escreveu que as "famílias gregas estavam
limitando-se a ter apenas um ou dois filhos." Os
antigos egípcios também utilizavam tampões
vaginais ou tampas feitas de excremento de
crocodilo, linho e folhas comprimidas.
A anticoncepção masculina também era praticada
na antiguidade. No século I A.C. Dioscórides
afirmou que tomar extractos de uma planta
considerada variação da madressilva (Lonicera
periclymenum) durante 36 dias, podia causar a
esterilidade masculina. Assim que foi
estabelecida a relação do sémen com a gravidez.
O método anticoncepcional masculino mais
conhecido era o coito interrompido, método
citado na Génesis relacionando Onan, que
provocou a ira de Deus ao derramar suas sementes
no chão.
Referências a respeito de tentativas para evitar
gravidez na mulher foram encontradas no Papiro
médico de Petrie, manuscrito egípcio de três
grandes páginas, de 96 cm x 30 cm, de 1950 a.C.
ou talvez até mais antigo. É conhecido, também,
como Papiro de Kahoun, local onde foi descoberto
em 1889. O Papiro de Ebers, de 1550 a.C., contém
uma receita de um supositório, para uso
intra-vaginal, composto de uma mistura de mel e
pedaços de acácia. Sabe-se hoje que a acácia
fermenta e produz o ácido láctico, que é um
espermicida, isto é, mata o espermatozóide e por
isso funcionava como anticoncepcional. Até hoje
existe medicamento com a mesma finalidade
contendo o ácido láctico. Há relatos de uso de
preçários vaginais de esterco de animais, como
de crocodilo (Papiro de Petrie), de elefante
(citado por Al-Razi, no ano 923 ou 924), de rato
(citado por Plínio, o Velho, em trabalhos
latinos dos anos de 23 a 79). O que evidencia ao
que o ser humano se sujeitava para usufruir dos
prazeres sexuais sem a indesejada gravidez.
Muitas sociedades descobriram que a retirada do
pénis da vagina antes da ejaculação poderia
evitar a gravidez. Textos judaicos, cristãos e
islâmicos fazem referência a essa prática. Em
Génesis 38:7 a 10, há referência ao coito
interrompido praticado por Onan (por isso a
prática é conhecida como onanismo), que injectou
o sémen por terra para evitar engravidar a
cunhada, cujo marido (irmão de Onan) havia
morrido e cabia a Onan engravidar a viúva. Ainda
hoje é usado em muitas sociedades, embora muitos
considerem ser a prática similar a “chupar um
rebuçado sem retirar o papel de embalagem” ou
“tomar banho de chuveiro usando guarda-chuva”.
Não se sabe se é verdade, mas dizem que
Casanova, preocupado também com o número de
descendentes que poderia ter com suas parceiras,
cortava limão ao meio, espremia o suco dentro da
vagina delas, o que tornava o pH mais ácido e
dificultava a penetração do espermatozóide. Não
contente com isso, colocava o bagaço do limão
espremido no colo do útero, que funcionava como
um diafragma rudimentar.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Provavelmente os métodos mais antigos de
contracepção (com excepção da abstinência
sexual) são o coito interrompido, alguns métodos
de barreira, a lavagem vaginal e métodos com o
uso de ervas.
O coito interrompido (a retirada do pénis da
vagina antes da ejaculação) provavelmente
antecedeu todos os outros métodos de controle de
natalidade. Uma vez que se tenha relacionado a
liberação do sémen no interior vagina com a
posterior gravidez, alguns homens começaram a
usar esta técnica. Este não é um método
particularmente confiável de evitar a gravidez,
já que poucos homens têm o auto-controle para
praticar correctamente este método em cada uma
das relações sexuais. Embora geralmente
acredita-se que o fluido pré-ejaculatório pode
causar a gravidez, diversas pesquisas mostraram
que este líquido não contém espermatozóides
viáveis na primeira ejaculação, entretanto pode
ser um meio de transporte para os
espermatozóides da ejaculação anterior. Existem
registos históricos de que as mulheres egípcias
usavam um pessário (um supositório vaginal)
feito de várias substâncias ácidas (vindas
supostamente do estrume do crocodilo) e
lubrificado com mel ou óleo, o que pode ter sido
um tanto eficaz como espermicida. Entretanto, é
importante frisar que os espermatozóides como
células germinativas não foram descobertos até
que Anton van Leeuwenhoek inventasse o
microscópio no século XVII, logo os métodos de
barreira empregados antes dessa época eram
usados sem o conhecimento dos detalhes do
concepção. As mulheres asiáticas podem ter usado
o papel banhado a óleo como um capuz cervical, e
as europeias a cera das abelhas para esta
finalidade. O preservativo, que surgiu por volta
do século XVII, era feito inicialmente de uma
tira do intestino de um animal. Ele não era
popular, nem tão eficaz quanto os preservativos
modernos de látex, mas foi empregado como meio
de contracepção e na esperança de evitar a
sífilis, que era extremamente temida e
devastadora antes da descoberta dos medicamentos
antibióticos. Várias drogas abortíferas foram
utilizadas durante toda a história humana,
embora muitos não associassem o aborto induzido
com o termo "controle de natalidade". Uma planta
abortífera que se relatava ter níveis baixos de
efeitos colaterais - Silphium - foi colhida até
sua extinção em torno do século I . Muitas
mulheres ingeriam determinados venenos para
causar distúrbios no sistema reprodutivo;
bebendo soluções que contêm o mercúrio, o
arsénico ou outras substâncias tóxicas para esta
finalidade. O ginecologista grego Soranus no
século II sugeria que as mulheres bebessem a
água da qual os ferreiros tinham usado para
resfriar o metal. As ervas atanásia (Tanacetum
vulgare) e o Poejo são bem conhecidas pelo
folclore como agentes abortíferos, mas estas
ervas na verdade funcionam pois envenenam a
mulher. Os níveis de compostos químicos nestas
ervas que induzem o aborto são bastante altos,
danificando o fígado, rins e outros órgãos,
tornando-as muito perigosas. No entanto,
naqueles tempos o risco de morte materna por
complicações no pós-parto era alto, o que
tornava o risco de efeitos colaterais dos
métodos anticoncepcionais e abortivos existentes
comparativamente menos significativos. O fato de
que vários métodos eficazes do controle de
natalidade eram conhecidos no mundo antigo
contrastava fortemente com uma ignorância
aparente destes métodos por diversos segmentos
da adiantada população da Europa cristã moderna.
Esta ignorância continuou em alto grau no século
XX, e foi acompanhada por taxas de nascimento
extremamente elevadas em países europeus durante
os séculos XVIII e XIX. Alguns historiadores
atribuíram isto a uma série das medidas
coercivas decretadas pelos estados modernos
emergentes, em um esforço de repovoar a Europa
após a catástrofe populacional causada pela
peste negra, começando em 1348. De acordo com
este ponto de vista, a caça às bruxas eram a
primeira medida que o estado moderno adoptou em
uma tentativa de eliminar o conhecimento sobre o
controle de natalidade da população, e manter
estas informações nas mãos de especialistas
médicos masculinos (ginecologistas) empregados
pelo estado. Antes da caça às bruxas, não se
ouvia falar em ginecologistas masculinos, porque
o controle de nascimento era naturalmente um
domínio feminino. Alguns apresentadores em
conferências de planeamento familiar narram um
conto sobre comerciantes árabes que introduziram
pequenas pedras nos úteros de seus camelos a fim
impedir a gravidez, um conceito muito similar ao
DIU moderno. Embora a história seja repetida
como uma verdade, não se tem nenhuma base
histórica e só tem como finalidade o
entretenimento da plateia. Os primeiros
dispositivos inter-uterinos (contidos na vagina
e no útero) foram introduzidos no mercado
inicialmente em torno de 1900. O primeiro
dispositivo intra-uterino moderno (contido
inteiramente no útero) foi descrito em uma
publicação alemã em 1909, embora o autor parece
nunca ter disponibilizado no mercado seu
produto. O método rítmico, mais conhecido como o
método da tabelinha, (com uma taxa de falha
particularmente elevada de 10% por o ano) foi
desenvolvido no início do século XX, quando os
pesquisadores descobriram que a ovulação de uma
mulher ocorre somente uma vez no ciclo
menstrual. Somente após a metade do século XX,
quando os cientistas compreenderam melhor o
funcionamento do ciclo menstrual e dos harmónios
que o controlavam, foram desenvolvidos os
contraceptivos orais e os métodos modernos de
monitorização da fertilidade.