*** CARLOS PESQUISAS *** A ROUPA  ***

 

 

"Trabalhos e Pesquisas de Carlos Leite Ribeiro

 

Click for Lisboa, Portugal Forecast

 

A ROUPA

A

Roupa

Através

dos

tempos
 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

A roupa é um conjunto de objectos de tecido para vestir, ou seja, tudo o que serve para cobrir o corpo humano para o proteger.
A moda do vestir como sistema teve seu início no final da Idade Média. Antes só se referia ao vestuário como indumentária, as variações eram lentas, não existia o efémero. Eram levadas em conta questões como protecção, adorno, hierarquia e pudor. A questão de status surgiu com o crescimento das cidades. A expansão comercial e a burguesia emergindo trouxeram um grupo que possuía condições de adquirir a roupa que antes era usada apenas pelos nobres. Diante dessa crescente igualdade entre classes sociais os nobres irritados começaram a produzir mudanças rápidas na vestimenta, pois a roupa era (e ainda é) como um espelho que reflecte seu status social. Assim surgiu o sistema da moda. Não se sabe ao certo quando que o uso de roupas por parte do ser humano começou. Mas acredita-se que o uso de roupas por parte do homem começou e se espalhou provavelmente para providenciar protecção contra factores naturais e por aparência. Um caçador pré-histórico poderia usar a pele de um urso para mantê-lo quente e/ou como um sinal de força, bravura e habilidade como caçador. Ralf Kittler, Manfred Kayser e Mark Stoneking, antropólogos do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, conduziram uma análise genética de espécies de piolhos que possuem preferência pela relativamente escassa pelagem do corpo humano (ao invés da pelagem do couro cabeludo. Tais espécies teriam se originado há cerca de 107 mil anos. Como a pelagem da maior parte dos humanos é relativamente escassa e que piolhos requerem pelagem para sobreviverem estima-se que o uso de roupas por parte dos humanos tenha se iniciado por volta do mesmo período - observando que as roupas deste período se resumem à peles de animais, que no geral possuem uma grossa pelagem. No entanto, um segundo grupo de pesquisadores utilizaram métodos genéticos similares e estimaram que tais espécies de piolhos surgiram há 540 mil anos atrás. Na Rússia, em 1988, Arqueólogos identificaram agulhas primitivas, feitas com ossos e marfim, que foram feitas há mais de 30 mil anos. Acredita-se que ao final da Idade da Pedra, há 25 mil anos, o uso de roupas já fosse corrente e que a técnica de fabricação de fios já tenha sido dominada, usando pêlos de animais como a ovelha ou fiapos de certas plantas como o algodão. Técnicas na produção de roupas melhoraram gradualmente com o passar do tempo, permitindo eventualmente a conectar pedaços de pele entre si e, assim, formar peças de roupas mais elaboradas. Muito do que sabemos sobre estilos de roupas desde o início da antiguidade, que começara há cinco mil anos atrás, e duraria até 400 a.C., vem de desenhos inscritos e pintura em vasos e em paredes, bem como de estátuas. Ao contrário de jóias, que tendem a durar por um bom tempo, visto que são feitas de materiais inorgânicos, poucas roupas da época resistiram aos rigores do tempo. Mesmo assim, algumas peças de roupas resistiram, sob condições especiais, como sob climas muito secos, por exemplo. Mesmo os desenhos foram lentamente desgastados com o tempo. As cores de tais desenhos e estátuas, ao longo do tempo, foram desgastando-se, dando uma aparência branca ou amarelada para tais itens. Se, por um lado alguns povos realmente usavam roupas brancas, como os egípcios, outros, muito provavelmente, usaram roupas de outras cores, o que exige de especialistas cuidados especiais. No Egipto antigo, poucas pessoas usavam roupas: apenas famílias de alta classe, e mesmo assim, apenas adultos. Roupas indicavam riqueza. Muitas crianças e escravos não usavam nenhuma roupa. Nos tempos primordiais do império, os homens vestiam um tipo de tecido que envolvia o quadril como se fosse uma fralda, ou uma curta saia, e as mulheres, um tipo de vestido, atado às costas e que deixava os seios à mostra. Lentamente, os homens passaram a vestir saias cada vez mais compridas, e os vestidos das mulheres passaram a cobrir os seios. Depois, ambos os homens e as mulheres passaram a usar um tipo de roupa parecido com um "hobby", peças rectangulares de tecido, com um buraco no meio para a cabeça. Alguns poucos egípcios calçavam sandálias, mas a maioria andava descalças. Os persas foram um dos primeiros povos a cortar e ajustar medidas das roupas, em vez de simplesmente vestir pedaços de tecidos. Historiadores acreditam que os persas vestiam roupas que tinham boas medidas (ao contrário dos egípcios) porque isto proporcionava conforto, bem como facilitavam a caça. Os homens persas vestiam calças que se ajustavam firmemente às pernas e túnicas e casacos. As mulheres vestiam-se de maneira similar aos homens. Calçados eram parte do vestuário normal. Este tipo de vestuário depois iria desenvolver-se na Europa ocidental, substituído as túnicas e casacos tradicionais dos gregos e romanos, na Idade Média. Os bizantinos da classe alta vestiam túnicas bem decoradas. Tais túnicas eram feitas de seda e fiapos de ouro, e usavam pérolas e pedras preciosas como decorações. Pessoas de classes mais baixas vestiam túnicas simples. Os imperadores e pessoas da corte usavam também um tipo de manta sobre suas túnicas. Posteriormente, o imperador e a imperatriz passaram a usar um longo tecido em volta dos seus pescoços, como um cachecol, e nobres passaram a usar longas e firmes meia-calças. Os estilos usados no Império Bizantino influenciavam pesadamente a moda na Europa Ocidental. Pessoas da nobreza europeia passaram a usar roupas cada vez mais complicadas e complexas do que as usuais roupas simples de algodão, pêlos e couro. Geralmente as pessoas faziam suas roupas em casa, como sempre fora feito. Mas à medida que as cidades cresciam, pequenas lojas especializadas na fabricação de roupas surgiam. Muito das roupas, então, passou a ser feitas por artesãos. À medida que os artesãos tornavam-se mais habilidosos, a qualidade da roupa crescia. Eles passaram a cortar, ajustar e decorar as roupas que fabricavam em jeitos cada vez mais elaborados. Posteriormente, tais roupas passaram a ser feitas de seda, importada do Extremo Oriente. O advento do Renascimento, no século XIV trouxe mudanças no cenário Europeu. As cidades cresciam, o número de comerciantes e artesãos especializados na produção de roupas aumentou, e, com a queda do Império Bizantino, a Europa Ocidental tomaria a liderança na produção de estilos e tendência aplicados à produção de roupas.
Homens passaram a usar roupas mais pesadas na parte superior do corpo. Uma vestimenta masculina típica da época, especialmente entre a nobreza, era um tipo de jaqueta pesada, com uma saia que ficava na região das pernas, até os joelhos. Homens também usavam sapatos cujas pontas ficavam para cima, e dispunham de uma grande variedade de chapéus. Já as mulheres da nobreza passaram a usar altos chapéus, e vestidos floridos e decorados. Os vestidos passaram a ser firmemente atados ao busto. Homens de classes inferiores usavam blusas e calças justas e simples, e as mulheres usavam vestidos simples. Uma das principais influências na moda europeia, no século XVI foi a corte espanhola. Uma das principais tendências por parte dos membros da corte era o uso de grandes colarinhos no pescoço, que ficou em uso por aproximadamente dois séculos. No século XVII, os franceses passaram a dominar a moda na Europa, e roupas usadas pelos nobres franceses eram rapidamente copiadas por outros países (com a excepção da Espanha). Por outro lado, os puritanos que viviam no Reino Unido, e que teriam vital importância na colonização dos Estados Unidos, não se importavam muito com estilos e tendências, tendo preferência por roupas simples. Os homens mantinham seus cabelos curtos - à época, homens com cabelos normais eram comuns e bem vistos - e usavam calças e roupas simples. As mulheres usavam vestidos longos e simples. Pessoas de classes inferiores vestiam túnicas simples e mantos rectangulares. Posterior e lentamente, tais foram substituídas por roupas feitas de acordo com as medidas de cada pessoa. A túnica das mulheres desenvolveu-se num vestido que era firmemente atado na parte superior do corpo. Os homens passaram a usar mangas por baixo de suas túnicas e meias. A Revolução Industrial, que começara no Reino Unido no século XIX, revolucionou totalmente os meios de fabricação de roupas. Até então, os tecidos e as roupas eram produzidos manualmente, e por meios artesanais. A criação da spinning jenny, em 1764, pelo britânico James Hargreaves, e, posteriormente, da spinning mule, uma derivada da spinning jenny, em 1798, pelo britânico Samuel Crampton, foram uma das bases da Revolução Industrial. A spinning mule era capaz de fabricar tanto tecido quanto 200 pessoas, usando algumas poucas pessoas como mão de obra. Em 1780, Edmund Cartwright criou uma derivada capaz de se alimentar de uma turbina a vapor. Com tais máquinas disponíveis, fabricantes de roupas industrializadas vendiam roupas a baixos preços. A produção de roupas, ao menos nas grandes cidades, tornara-se quase completamente industrializada. Antigos artesãos que antes lucravam, faliram, e muitas pessoas pararam de fabricar suas roupas em casa. A moda passou a mudar mais e mais frequentemente, mas apenas as pessoas ricas podiam se dar ao luxo de adquirir a última tendência da moda. Os franceses continuaram a ditar a moda na Europa até o início da Revolução Francesa, no final do século XVIII, quando a Inglaterra assumiu a dianteira, até o final da Revolução, quando a França retomou a liderança no cenário da moda europeia. Dado ao status de riqueza e poder de roupas complexas e elaboradas, ao longo da Revolução, muitos nobres passaram a usar roupas simples, com o medo de serem capturados pelos revolucionários, que os teriam guilhotinado. Ao longo do século XIX, a industrialização na produção de roupas e tecidos espalhou-se para outros cantos do mundo. A indústria têxtil ficou firmemente estabelecida nos Estados Unidos, França, e, posteriormente, na Alemanha e no Japão. No último, roupas ocidentais lentamente substituíam roupas tradicionais. Porém, muitas pessoas ainda preferiam usar roupas feitas por um artesão, quando podiam pagar por ela. Outras pessoas, especialmente aquelas em lugares isolados, continuaram a fabricar tecidos e roupas em casa. Gradualmente, ao longo do século XIX, as roupas passaram a ficar mais simples e leves. Camisas, saias (que eram para serem usadas juntas) e calcinhas foram criadas na década de 1870, e logo tornaram-se uma tendência entre mulheres da classe trabalhadora. Jeans passaram a ser usados por mineradores, fazendeiros e coybois nos Estados Unidos.


No século XX, métodos cada vez melhores na produção industrializada de roupas levaram ao surgimento de várias grandes companhias nos Estados Unidos. Tais roupas eram produzidas em massa, e já estavam prontas para serem usadas. Homens e mulheres tinham acesso a roupas baratas. Isto permitiu que a moda feminina variasse mais do que nunca. Mas roupas masculinas mudaram pouco até a década de 1950. As mulheres usavam saias longas até 1910. Elas eram firmes em baixo, permitindo pouca liberdade de movimento para a usuária. Com a Primeira Guerra Mundial, que fez com que todo material que pudesse ser economizado fosse economizado, as saias tornaram-se mais curtas e flexíveis. Na 1930, as saias tornaram-se mais largas para ficarem mais curtas novamente com o advento da Segunda Guerra Mundial, que além disso obrigou as pessoas a escolherem roupas melhores para andar de bicicleta, uma vez que o racionamento de gasolina diminuiu a quantidade de automóveis em circulação, e assim o short e a saia-calça ganharam espaço. Livres dos espartilhos que foram frequentemente usados até o final do século XIX, as mulheres ainda usavam grandes vestidos, muito foram populares na década de 1920. Nesta década também fora inventado o sutiã. Na década de 1940, calças ficaram populares entre as mulheres e a silhueta do final dos anos 30, em estilo militar, manteve-se até o final dos conflitos. Na década de 1950, por sua vez, os jeans passaram a ser cada vez mais usados por adolescentes, e a camisa, anteriormente considerada uma roupa interior, estava tornando-se cada vez mais popular entre os homens. Ambos, jeans e camisas, criadas nos Estados Unidos, popularizaram-se mundialmente desde então. A mídia passou a criar novas tendências a partir da década de 1950, com a popularização da televisão e do cinema. A camisola foi uma roupa criada pela mídia. A variedade de roupas aumentou desde então, tanto para homens quanto para mulheres. Exemplos desta variedade incluem roupas de todas as cores, com inscrições, palavras de protesto. A minissaia foi criada na década de 1960, e roupas desportivas tornaram-se populares na 1980. Ao longo da história, diferentes civilizações vestiram roupas mais por motivos culturais, como decoração ou ornamentos, do que por necessidade. Em sua viagem em torno do mundo, Charles Darwin, na Terra do Fogo, Argentina, notou que certos nativos da região cobriam sua pele apenas com uma fina camada de tinta, mais uma pequena pele de animal na parte superior do corpo. Isto contrastava com o clima da região, frio e instável. Tais pessoas usavam tais roupas por motivos culturais, e não por necessidade. Antigamente, o tipo de roupa usada era diferente em culturas diferentes, e era parte dessa cultura, passada de geração a geração. Mesmo actualmente, e na maioria das sociedades, incluindo a sociedade ocidental, roupas são usadas devido a alguma influência social e cultural. Apesar disso, com o advento da globalização, as roupas tradicionais ficaram cada vez mais esquecidas, sendo que cada vez mais pessoas usam roupas por questões de conforto ou necessidade. Por exemplo, muitas pessoas usam camisas porque elas são confortáveis, simples de usar e duradouras. Alguns exemplos conhecidos de roupas tradicionais que fazem parte da sociedade ocidental incluem o vestido de noiva branco, ou a cor preta em funerais.


A Fiação, a Tecelagem, a fabricação de vestuário e a tinturaria de tecidos desenvolveram-se por etapas sucessivas nas diversas partes do mundo. A produção têxtil começava na fiação e tecelagem caseira para consumo familiar, mas é antiquíssima a profissão artesanal autónoma constituída por tecelões e tecedeiras. A actividade no sector têxtil assentava numa produção individual, acompanhada do seu agregado familiar, que se desenvolvia com o emprego de meios de trabalho que ou eram pertença exclusiva dos próprios produtores ou estavam na posse das classes senhoriais.   Para fiar deve-se ter começado por torcer fios entre as mãos ou contra a perna sem o auxílio de qualquer instrumento. Com o aparecimento do fuso, a fibra era enrolada em volta dum pau o que permitia retorcê-la e prender as fibras enrolando-as sobre a coxa, método este que ainda é empregue. A fase seguinte foi conseguida quando se descobriu que o fuso podia rodar sobre si próprio, bastando para isso deixar cair o fio, mantê-lo em suspenso e continuando a fiar. Os fusos de roca eram aproveitados de fragmentos de objectos de cerâmica talhados em forma de disco com um orifício no meio para serem utilizados como contrapesos. A roda de fiar, que substituiu o fuso, foi uma inovação técnica com grande reflexo na produtividade, datada do século XIII. Permitia fazer girar com a mão esquerda uma roda que torcia as fibras enquanto a mão direita puxava o fio. No século XV, foi acrescentado um pedal à roda que deixou as mãos livres ao fiandeiro. Como consequência de outros aperfeiçoamentos entretanto conseguidos, no século XVIII, foi introduzida uma máquina de fiar algodão com o qual um só operador podia accionar um grande número de fusos. Esta invenção podia ser aplicada tanto no trabalho ao domicílio como, para grandes produções, nas grandes oficinas então nascentes.   A tecelagem de têxteis sucedeu aos processos de entrançamento empregues na cestaria, que é produzida à base de fibras mantidas no estado natural, não tendo que ser fiadas. As fibras de cactos e de caule de juncos eram utilizados na produção de cesto, esteiras, cordas, redes e outros artefactos. A técnica da tecelagem exigia uma vida sedentária pois os vários processos e e instrumentos de fabrico eram dificilmente transportáveis por comunidades em movimento.   Nos pequenos teares, que permitem tecer à mão, a tecedura é feita com os dedos; mais tarde foram utilizadas varas de cruzamento de fios para os separar. A principal inovação no ofício têxtil foi o tear de pedal vertical que permitia estender melhor a urdidura e facilitar a sua passagem. A adição de pedais ao tear veio substituir a simples estrutura de tecer, assegurando o progresso da tecelagem. Ao tear manual sucedeu o tear de pedais. O seu aparecimento e divulgação esteve relacionado com o desenvolvimento do artesanato urbano e de oficinas integradas em domínios senhoriais, embora a tecelagem manual tenha sobrevivido até aos nossos dias.


O aperfeiçoamento das máquinas de tecer esteve ligado ao das máquinas de fiar. O princípio básico da tecelagem consistia em entrelaçar uns fios com outros por meio duma lançadeira. No século XVI, na Europa ocidental, o tear era já uma máquina bastante complexa, mas sempre accionada ao pé e à mão. O problema só foi solucionado na época em que tudo passou a fazer-se mecanicamente com um tear movido pela força motriz. As invenções na técnica de tecelagem foram completadas com a mecanização do apisoar do tecido. O pisar com os pés foi substituído por maços de madeira e depois por um pisão de madeira, movido pela força humana ou pela força da água, com a introdução do moinho pisão.  A técnica tintureira estava intimamente relacionada com a manufactura têxtil. As matérias-primas usadas para tingir tecidos eram principalmente de origem orgânica; as cores utilizadas eram extraídas de plantas e, por vezes, de minerais. A arte de estampar difundiu-se rapidamente, tornando-se a chita estampada uma importante variedade entre os tecidos indianos. Com a divulgação dos corantes, os panos de cor expandiram-se por um maior número de compradores. A indústria têxtil passou a estar estreitamente ligada à indústria química. As técnicas usadas não eram adaptáveis à mecanização, exigiam uma grande habilidade e eram sempre efectuadas à mão. A ascensão da indústria do algodão encontra-se directamente ligada ao comércio do algodão indiano e otomano na Europa. A vantagem destes países estava não só na tecnologia, tecelagem, coloração e confecção, mas também no baixo preço das matérias-primas e na mão-de-obra menos dispendiosa. O tecido de algodão revelou-se benéfico para a gente comum ao melhorar a qualidade do vestuário. A manufactura do algodão marca o início de uma longa tradição. Chegou a desempenhar um papel, adicional e muito importante, na Coreia, como meio de troca. Com a invenção da máquina para desembaraçar o algodão dos seus grãos, o algodão foi largamente cultivado nas plantações americanas durante a época colonial. Os avanços na fiação do algodão permitiram ampliar a indústria algodoeira e assegurar o seu sucesso na competição com outros têxteis. A procura do algodão aumentou rapidamente. A aplicação da força motriz encorajou a unificação das diversas operações e a criação na Inglaterra de grandes fábricas têxteis.   A lã é uma fibra espessa e frisada, bastante longa e propícia à fiação, proveniente da tosquia dos carneiros e outros ruminantes. Pressupõe a existência de uma actividade de criadores de gado lanígero e de tosquiadores. O moinho pisoador a água representou um progresso importante em comparação com o sistema primitivo em que o trabalhador batia com um pau os fios de lã molhados. A lã era muito apreciada para o fabrico de inúmeros artigos manufacturados, tais como: mantas, cobertas, cortinas, almofadas, tapetes, sacos e vestuário. Os artífices nómadas utilizavam a lã para fazer feltro como ainda fazem nos nossos dias; teciam a lã das ovelhas para a construção das tradicionais grandes tendas redondas. A produção de mantas de lã permitiu a especialização de alguns tecelões  A fibra de linho é muito fina e muito robusta, obtendo-se um fio suave e resistente. Era tecida em rústicos teares para produzir o bragal, actividade que ocupava inicialmente apenas uma população rural dispersa assente sobretudo no trabalho feminino. A produção pouco excedia as necessidades de auto consumo familiar e a parte obrigatoriamente entregue às entidades senhoriais a título de renda. Posteriormente, a técnica de tecelagem do linho foi um pouco alterada de forma a apresentar um tecido com inúmeras texturas, podendo ser tão fino como a seda ou grosso para fazer as cordas e as velas das embarcações ou dos moinhos. As cordas feitas em geral com tranças de linho serviam para completar e reforçar os instrumentos agrícolas e as armas e para a construção naval. Com o cânhamo e o linho fazia-se o cordame ou as redes de pesca.  O pêlo de ovelha, como o de cabra, não era susceptível de ser fiado ou tecido quando estes animais foram domesticados, necessitando primeiro de sofrer mutações. As peles foram utilizadas como matéria-prima no fabrico de vestuário, embora perdendo gradualmente a sua importância com o aumento de produção da lã. Alguns artesãos dedicaram-se, no todo ou em parte, a este ramo de produção acumulando-o com a lã. O trabalho desdobrava-se em múltiplas operações desde a fiação até à confecção e acabamento de peças de vestuário. O aparecimento das primeiras oficinas têxteis indicia claramente que a tecelagem e o acabamento se destinavam já a uma comercialização.   As técnicas de fiação e tecelagem de tecidos de seda atingiram um nível bastante elevado e remontam aos alvores da civilização chinesa. A seda foi considerada um bem de luxo, o vestuário era usado pela elite aristocrática, pois o povo vestia geralmente roupa de linho. A seda servia também para ofertas diplomáticas, para pagamento parcial de salários e como valioso artigo de exportação. A seda pura era usada como suporte de escrita. A seda de melhor qualidade era, em geral, produzida em oficinas estatais. Os governos estimulavam o desenvolvimento tecnológico. Como meio de troca, a seda desempenhava um papel tão importante na economia que chegou a servir de moeda em importantes transacções.   Durante milénios o ser humano confeccionou as suas próprias vestes, antes de ter surgido o artesão especializado. Os tecidos manufacturados eram utilizados na confecção de vestuário que variava e se adaptava às condições climatéricas. Coser e bordar, antes considerados como ofícios caseiros, acabaram por dar lugar à profissão de alfaiate. Os profissionais que se dedicavam à confecção de trajes que implicava um labor mais cuidado, para servir a aristocracia, adquiriram uma certa especialização na arte de alfaiataria que se reflectiu na formação de organizações profissionais. O traje distinguia os estratos sociais, religiões e diferenciava-se também por regiões.   O processo produtivo estava cindido através de uma divisão de trabalho, cabendo a uns artesãos a fiação e a outros a tecelagem ou várias operações complexas a requerer muitas fases. Porém não parava aí, pois um papel muito importante cabia a todos quantos fabricavam os instrumentos de trabalho utilizados no artesanato têxtil e que constituíam os seus meios de produção. Entretanto, foram introduzidas algumas inovações, resultantes da execução à máquina de alguns trabalhos, embora estes progressos tenham avançado muito lentamente.   Muitos artesãos eram independentes e trabalhavam por conta própria. Havia artesãos que trabalhavam no domicílio, trazendo o fio do armazém do palácio ou do templo e entregando o tecido acabado. Alguns grupos de produtores dispersos ganhavam a vida tecendo panos grosseiros, utilizando principalmente a lã como matéria-prima. Os utensílios para fiar e tecer o linho e a lã, para cardar, para tingir os panos, eram pertença pessoal e directa dos obreiros. Um dos meios de produção, o pisão, dado o seu carácter fixo, propiciava à classe dominante a obtenção duma renda, o mesmo acontecendo com os teares.   Uma grande parte dos tecelões trabalhava nas manufacturas ou corporações e também em fábricas, autênticas empresas privadas reais, pertencentes a templos ou a ricos negociantes. Os tecelões empregados nas manufacturas pertenciam aos dois sexos; muitas vezes eram escravos. O seu trabalho era rigorosamente controlado através do registo da quantidade de fio recebido, da quantidade e qualidade do tecido feito por cada um. Igualmente eram registados os pagamentos em espécie que, no caso dos escravos, eram constituídos apenas por rações alimentares.   Na região dos Andes, a combinação do algodão com a lã obtida dos camelídeos possibilitou a obtenção duma grande variedade de fibras e as técnicas utilizadas permitiram a obtenção de diferentes tecidos com um acabamento excepcionalmente refinado. Os incas sabiam já tingir os tecidos e, embora os seus segredos não tenham sido descobertos, um certo número de novas matérias corantes chegaram à Europa, entre outros a cochonilha e o pau-brasil.   No Norte de África, a fiação de pêlo de camelo era uma das actividades artesanais de maior importância. Na África Subsariana, os tecelões eram mestres na arte de tecer, a partir do algodão, de simples folhas de ráfia ou de palmeira, panos bordados de um colorido notável, semelhantes a veludo ou cetim aveludado. A tinturaria fazia-se em buracos escavados no solo ou em grandes jarras. A indústria de tecelagem e tinturaria floresceu em várias regiões, com excepção das sociedades onde existia a nudez, onde o vestuário era muito escasso, usando-se apenas cascas de árvore no fabrico de tangas.   Na China, século XVI, o sector têxtil conheceu um desenvolvimento muito significativo. No mercado podiam encontrar-se toda a variedade de teares para a tecelagem de diferentes tipos de tecido, o que beneficiou os artesãos aumentando bastante a sua produção. Entretanto, o governo mandou construir fábricas têxteis que produziam apenas para o Palácio Imperial, reunindo os melhores tecelões para o fabrico de seda para a corte real. Existia uma gama completa de produtos de elevada qualidade sendo grande a sua procura. Nas zonas rurais, os camponeses não só trabalhavam a terra como também fabricavam têxteis. Nas áreas mais remotas, produziam apenas para seu uso exclusivo, mas nas zonas limítrofes das cidades eram também fabricados com objectivos comerciais.  A primeira indústria importante que se desenvolveu na Europa, no século XVI, foi a dos têxteis. A existência duma manufactura em grande escala obrigava a constituir um estoque importante de matérias-primas, a transformá-lo em produtos acabados, utilizando para isso um grande número de trabalhadores. Fora da jurisdição das guildas, fugindo às restrições por elas impostas, criaram-se empresas com grandes capitais. A especialização era desde há muito uma regra, trabalhando cada operário na sua especialidade. Uma importante inovação consistia em reunir no mesmo local certas operações sob a direcção e vigilância dum chefe da empresa. A divisão do trabalho permitiu o aumento da produção e unidade de direcção. Crescia a rapidez de execução mas, em contrapartida, a habilidade dos operários diminuía e as suas tarefas tornavam-se monótonas face à repetição sem cessar da mesma operação.
Fonte:

http://www.eumed.net/libros/2008a/372/FIACAO%20TECELAGEM%20VESTUARIO.htm


 
Roupa interior feminina
As mulheres do século XV e XVI continuaram a usar as peças interiores já observadas ao longo da Idade Média.
A camisa feminina, larga veste comprida de mangas largas confeccionada em tecidos leves, tornou-se exclusivamente uma peça interior, sobre a qual vestiam as cotas e as opas. Por vezes, eram visíveis devido ao encurtamento ou aberturas da veste principal e para o efeito, bordavam-se e adornavam-se. Enquanto no Enxoval da Infanta D. Beatriz se faz referência a camisas bordadas a ouro, ou ainda de tecido fino da Holanda, as mulheres do campo vestiam camisas mais simples, de pano de linho, que no tempo quente e com frequência, usavam como veste principal. As camisas mouriscas, mais largas e compridas, passam a ser bordadas no peito ou cosidas com botões. As antigas cuecas bragas dos séculos XIII e XIV vão passar a ser conhecidas por fraldinhas. Semelhantes a umas cuecas actuais, eram fabricadas em tecidos de lã muito fina.
Para protecção dos seios, generalizou-se o uso de espartilhos, designados frequentemente por corpinhos. Não existe referência específica a estas peças nos enxovais ou guarda-roupas das infantas, mas, na sua forma mais simples e curta, poderão ter dado origem ao "soutien" actual. Os corpinhos, muitas vezes usavam-se como peças exteriores que modelavam o peito e a cintura, com mangas aplicadas.
O uso de meias vulgarizou-se. De materiais aderentes, geralmente lã, não se tornavam invisíveis devido ao comprimento das saias. Prendiam-se na parte posterior da perna, através de umas ligas ou agulhetas.
Fonte:
http://trajes.no.sapo.pt/TextoRoupaInteriorFeminina.secXV.XVI.htm


O Sabão
Os vestígios mais antigos da produção de materiais semelhantes ao sabão datam de cerca de 2800 antes de Cristo, na antiga Babilónia. Conhece-se uma tábua de argila datada de 2200 a.C. na qual foi escrita uma fórmula de sabão contendo água, álcali e óleo de canela-da-china (Cinnamomum aromaticum). O Papiro de Ebers (Egipto, 1550 a.C.) indica que os antigos egípcios se banhavam regularmente e combinavam óleos animais e vegetais com sais alcalinos para criar uma substância semelhante ao sabão. Os documentos egípcios mencionam o uso de uma substância saponária na prepararão da lã para a tecelagem. Os antigos romanos em geral ignoravam as propriedades detergentes do sabão. Para limpar a pele, usavam o strigilis para raspar do corpo a sujeira e o suor. A palavra "sabão" (sapo, em latim) aparece pela primeira vez na Naturalis Historia, de Plínio, o Velho, ao discutir a produção de sabão a partir de sebo e cinzas, mas o único uso que regista para o produto é numa pomada para o cabelo; em tom de desaprovação, menciona que entre os gauleses e germanos os homens costumavam utilizá-lo mais do que as mulheres. O alegado achado de restos de uma fábrica de sabão nas ruínas de Pompeia é visto hoje como equivocado. O sabão vegetal (sem gordura animal) começou a ser produzido na Europa a partir do século XVI. Nos tempos modernos, o uso do sabão generalizou-se nos países industrializados, devido a uma compreensão maior da importância da higiene na redução dos agentes patogénicos. As primeiras barras manufacturadas de sabão surgiram no final do século XIX, quando campanhas publicitárias nos Estados Unidos da América e na Europa conscientizaram a população para a relação entre limpeza e saúde.


O Ferro de Engomar
A história do ferro de passar ou engomar começa há muito tempo. Desde o século IV já existiam formas de alisar roupas. Os chineses foram os primeiros a utilizar uma panela de latão com brasa e a manuseavam por um cabo comprido para obter o efeito desejado. Nos séculos seguintes, madeira, vidro ou mármore eram os materiais mais comuns dos alisadores criados no Ocidente. Eles eram utilizados a frio, uma vez que até o século XV as roupas eram engomadas, o que impossibilitava o trabalho a quente. No entanto, o ferro de passar propriamente dito tem suas primeiras referências a partir do século XVII, com o ferro a brasa. Somente no século XIX surgiram outras modalidades como o ferro de lavadeira, a água quente, a gás e a álcool. A evolução do produto culminou em 1882, com a patente do ferro de passar eléctrico, feita pelo americano Henry W. Seely e, somente em 1926, surgiria o primeiro ferro a vapor.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

Fundo Musical: Noturno nº 12 * Chopin

Webdesigner: Iara Melo

 

 

 

 

 

 

 

Copyright © 2006 - 2009 -  Portal CEN - Cá Estamos Nós Web Page

Todos os Direitos Reservados