Júlio Afrânio Peixoto,
escritor brasileiro, nasceu em
Lençóis (Bahia) a 18 de Dezembro
de 1876. Pertenceu ao Simbolismo
e chegando a fazer parte da
Academia Brasileira de Letras.
Filho do capitão Francisco
Afrânio Peixoto e Virgínia de
Morais Peixoto. O pai,
comerciante e homem de boa
cultura, transmitiu ao filho os
conhecimentos que auferiu ao
longo de sua vida de
autodidacta. Criado no interior
da Bahia, cujos cenários
constituem a situação de muitos
dos seus romances, sua formação
intelectual se fez em Salvador,
onde se diplomou em Medicina, em
1897, como aluno laureado. Sua
tese inaugural, Epilepsia e
crime, despertou grande
interesse nos meios científicos
do país e do exterior. A convite
de Juliano Moreira, fixou-se no
Rio de Janeiro em 1903, Tendo
sido professor na respectiva
Faculdade de Medicina, director
da Escola Normal e reitor da
Universidade do Brasil. As suas
obras versam medicina, educação,
história, folclore, direito,
literatura, etc., tendo
consagrado diversos volumes à
vida e à obra de Camões.
Escreveu poesia simbolista,
romances regionalistas e
ensaios.
A sua estreia na literatura
se deu dentro da atmosfera do
simbolismo, com a publicação, em
1900, de Rosa mística, curioso e
original drama em cinco actos,
luxuosamente impresso em
Leipzig, com uma cor para cada
ato. O próprio autor renegou
essa obra, anotando, no exemplar
existente na Biblioteca da
Academia, a observação:
"incorrigível. Só o fogo." Entre
1904 e 1906 viajou por vários
países da Europa, com o
propósito de ali aperfeiçoar
seus conhecimentos no campo de
sua especialidade, aliando
também a curiosidade de arte e
turismo ao interesse do estudo.
Nessa primeira viagem à Europa
travou conhecimento, a bordo,
com a família de Alberto de
Faria, da qual viria a fazer
parte, sete anos depois, ao
casar-se com Francisca de Faria
Peixoto. Em 1906, submeteu-se às
provas do concurso em que
ganharia as cadeiras de Medicina
Legal e Higiene. Quando da morte
de Euclides da Cunha em 1909,
foi Afrânio Peixoto quem
examinou o corpo do escritor
assassinado e assinou o óbito
respectivo.
O romance foi uma implicação
a que o autor foi levado em
decorrência de sua eleição para
a Academia Brasileira de Letras,
para a qual fora eleito à
revelia, quando se achava no
Egipto, em sua segunda viagem ao
exterior. Começou a escrever o
romance A Esfinge, o que fez em
três meses. O Egipto
inspirou-lhe o título e a trama
novelesca, o eterno conflito
entre o homem e a mulher que se
querem, transposto para o
ambiente requintado da sociedade
carioca, com o então tradicional
veraneio em Petrópolis, as
conversas do mundanismo,
versando sobre política,
negócios da Bolsa, assuntos
literários e artísticos, viagens
ao exterior. Em certo momento,
no capítulo "O Barro Branco",
conduz o personagem principal,
Paulo, a uma cidade do interior,
em visita a familiares ali
residentes. Demonstra-nos
Afrânio, nessas páginas, os
aspectos da força telúrica com
que impregnou a sua obra
novelesca. O romance, publicado
em 1911, obteve um sucesso
incomum e colocou seu autor em
posto de destaque na galeria dos
ficcionistas brasileiros. Na
trilogia de romances
regionalistas Maria Bonita
(1914) Fruta do mato (1920) e
Bugrinha (1922), que foi
violentamente criticada pelos
modernistas, é importante a
análise psicológica das
personagens femininas.
Era membro do Instituto
Histórico e Geográfico
Brasileiro, da Academia das
Ciências de Lisboa; da Academia
Nacional de Medicina Legal, do
Instituto de Medicina de Madrid
e de outras instituições.
Sua Obra:
Rosa mística - 1900 ; Lufada
sinistra - 1900 ; A esfinge -
1911 ; Maria Bonita - 1914
; Minha terra e minha gente -
1915 ; Poeira da estrada - 1918
; Trovas brasileiras - 1919
; Parábolas -1920 ; José
Bonifácio, o velho e o moço -
1920 ; Fruta do mato - 1920
; Castro Alves, o poeta e o
poema - 1922 ; Bugrinha - 1922
; Ensinar e ensinar - 1923
; Dicionário dos Lusíadas -
1924 ; Dinamene - 1925 ; Arte
poética - 1925 ; As razões do
coração -1925 ; Camões e o
Brasil - 1926 ; Uma mulher como
as outras - 1928 ; Sinhazinha -
1929 ; Miçangas - 1931; Viagem
Sentimental - 1931 ; História
da literatura brasileira - 1931
; Castro Alves - 1931
; Panorama da literatura
brasileira -1940 ; Pepitas -
1942 - Amor sagrado e amor
profano - 1942 ; Despedida -
1942 ; Obras completas -1942
; Indes -1944 ; É - 1944
; Breviário da Bahia - 1945
; Livro de horas - 1947.
Sinhazinha
Sinhazinha é uma bela jovem
que, morando numa fazenda com
seus pais, mostra-se arredia e
avessa ao amor. Ao largo do
romance, que na ficção procura
apaziguar as famílias inimigas,
o autor revela os hábitos rurais
do sertanejo, com especial
atenção para os festejos juninos
do final do século XIX.
Sinhazinha retrata os períodos
posteriores às lutas decorrentes
do drama vivido pela tia do
poeta Castro Alves, Pórcia de
Castro, filha do Major Silva
Castro, herói da Guerra de
Independência da Bahia, raptada
por Leolino - fazendo constante
menção a este episódio. Muito
bela e jovem, Pórcia
hospedara-se com a família em
casa da família de Leolino, no
povoado de Bom Jesus dos Meiras
(actual Brumado). Apesar de
casado, Leolino toma-se de
amores por ela e, a tudo
abandonando, realiza o rapto que
engendrou a luta familiar, e que
se arrastou por anos, e foi
contada em diversos outros
livros.
Em Sinhazinha Peixoto compara
este drama a uma versão
sertaneja da Guerra de Tróia.
E.book de Afrânio Peixoto
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/peixoto.pdf