antes de Cristo

Factos, Figuras e Civilizações

(simples apontamentos)

 

11º Bloco

Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação e Arte: Iara Melo

 

11º Bloco

 

(a abreviatura a.C. = a antes de Cristo)

 

 

1220 – 1210 a. C.

 

- Os “povos marítimos” assolam o Egeu e o Mediterrâneo Oriental

 

- Domesticação do camelo  no Próximo Oriente: A domesticação do camelo favoreceu o desenvolvimento do comércio com a Palestina e a Mesopotâmia; ao mesmo tempo, os mercadores do Sul da Arábia traficavam com a Índia e a África, de onde traziam as plantas aromáticas.

 

- Dórios  invadem Creta onde introduzem o ferro: No início do século XII a.C. os dórios, que habitam o Épiro, invadem a Tessália, a Beócia e o Peloponeso, destruindo a civilização micénica. Alguns dos povos que falam o jónico e o eólio migram para a Ásia Menor e para as ilhas próximas daquela região, o arquipélago das Cíclades. Depois os dórios também migram para as Cíclades do sul e ocupam igualmente Creta e Rodes.
A seguir à invasão da ilha por parte dos Achaens e dos Dórios, foram fundadas as novas cidades de Aptera e Lato, tendo esta ficado como a mais importante cidade da ilha no século VII a.C.

 

- Dórios destroem as primeira povoações gregas: Grécia Antiga  é o termo geralmente usado para descrever, em seu período clássico antigo, o mundo grego e áreas próximas (como Chipre , Turquia , Sicília , sul da Itália e costa do Mar Egeu , além de assentamentos gregos no litoral de outros países). Não existe uma data fixa ou sequer acordo quanto ao período em que iniciou-se e terminou a Grécia Antiga. O uso comum situa toda história grega anterior ao Império Romano como pertencente a esse período, mas os historiadores usam a expressão Grécia Antiga de modo mais preciso. Alguns escritores incluem o período minóico e o período micénico (entre 1600 a.C. e 1100 a.C. ) dentro da Grécia Antiga, enquanto que outros argumentam que essas civilizações eram tão diferentes das culturas gregas posteriores que, mesmo falando grego, devem ser classificadas à parte.

 

- Escrita linear  B em Pilo e Micenas  : O Período micénico é uma subdivisão regional e temporal da Idade do Bronze do Egeu, também conhecida por Heládico Recente. Refere-se à sofisticada cultura grega que se desenvolveu no continente grego entre 1550 a.C. e 1100 a.C., aproximadamente. O nome deriva de Micenas, nome de um dos mais importantes centros regionais micénicos. Activos comerciantes, os micénios submeteram a ilha de Creta por volta de 1450 a.C. e, entre 1400 e 1200 a.C., dominaram economicamente (e culturalmente) quase todos os povos do Mediterrâneo Oriental. Os micénios falavam uma forma bastante arcaica da língua grega, criaram os mais antigos documentos em grego, escritos em um silabário conhecido por Linear B e construíram imponentes cidadelas fortificadas em Micenas e Tirinto Argólida, Gla (Beócia) e Englianos (Messénia). Diversas características da cultura micénica sobreviveram nas tradições religiosas e na literatura grega dos períodos Arcaico e Clássico, notadamente na Ilíada e na Odisseia.

 

1100 a. C.

 

- Egipto  : início da decadência: Durante o Terceiro Período Intermediário o Egipto é dominado por algumas dinastias de origem estrangeira. A partir da cidade de Tánis a XXI dinastia governou apenas o Delta, enquanto que no sul existia uma dinastia paralela composta pelos sumo sacerdotes de Amon. Os membros da XXII e XXIII dinastias são de origem líbia, embora já tivessem adoptado a cultura egípcia. No século VIII a.C., a região da Alta Núbia, o Kush, conquista o Egipto, onde instala um dinastia, a XXV.
Os Assírios acabariam por derrotar a dinastia núbia, impondo como rei Psametek I (primeiro soberano da XXVI dinastia), um príncipe da cidade de Sais, no Delta. Contudo, Psametek acabará por se rebelar contra os Assírios, tendo reunificado o país. O último rei da XXVI dinastia, Psametek III, seria derrotado pelos Persas de Cambises II que ocupam o Egipto a partir de 525 a.C. e constituem a XXVII dinastia.

 

1050 a. C.

 

- China: dinastia Cheu  sucede à Shang  : O registo mais antigo do passado da China data da Dinastia Shang, possivelmente no século XIII a.C., na forma de inscrições divinatórias em ossos ou carapaças de animais.
Os historiadores chineses de períodos posteriores habituaram-se à noção de que uma dinastia sucedia a outra, mas sabe-se que a situação política na China primitiva era muito mais complexa. Alguns académicos sugerem que os xias e os shangs talvez fossem entidades políticas que co-existiram, da mesma maneira que os zhous foram contemporâneos dos shangs.

 A Dinastia Zhou, também chamada dinastia Chou, Chow, Jou ou mesmo Cheu, foi uma das primeiras dinastias chinesas. Calcula-se que o início desta dinastia se dê com a queda da Dinastia Shang, no final do século X a.C. ou século IX a.C., e seu término com a ascensão da Dinastia Qin, em 256 a.C.. e a data de seu fim ao redor de 221 a.C. A Dinastia Zhou foi a dinastia com maior duração em toda a história chinesa, e a tecnologia da Era do Ferro foi introduzida na China neste período.
Na tradição historiográfica chinesa, os líderes de Zhou dissiparam os Yin (Shang) e legitimaram seu domínio invocando o Mandato do Céu, a noção de que o líder (o "filho do céu") governava por direito divino mas que a perda de seu trono indicaria que ele perdera o mandato. O Mandato do Céu estabelecia que os Zhou assumiam ascendência divina (Tian-Huang-Shangdi), sobre a ascendência divina dos Shang (Shangdi). A doutrina explicava e justificava o fim da Dinastia Xia e Dinastia Shang, ao mesmo tempo que dava suporte à legitimidade dos governantes actuais e futuros. A Dinastia Zhou foi fundada pela família Ji e tinha sua capital na cidade de Hao (próxima a atual cidade de Xi'an). Possuindo o mesmo idioma e cultura dos Shang (Yin), os primeiros governantes Zhou, através da conquista e colonização, gradualmente estenderam a cultura Shang (Yin) por boa parte do norte do Rio Yangtze.

 

- Impérios neo-hitita  e aramaico  : Pelo ano 1.800 a.C. funda-se o primeiro estado indo-europeu. São os hititas que conseguem a partir de conquistas (chegando incluso a dominar Babilónia) ou através de interessantes contratos que concediam autonomia aos povos baixo seu domino sempre e quando não opusessem resistência. O império Hitita alcançou seu máximo esplendor no ano 1450 a.C. durante o reinado de Supiluliuma e se manteve até o ano 1.200 a.C., data na que as invasões dos tracios acabaram com o império deixando apenas pequenos assentamentos.

O termo Semita tem como principal designação o conjunto linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais. A origem da palavra semita vem de uma expressão no Génesis e referia-se a linhagem de descendentes de Sem, filho de Noé. Modernamente, as línguas semíticas estão incluídas na família camito-semítica. Historicamente, esses povos tiveram grande influência cultural, pois as três grandes religiões monoteístas do mundo -judaísmo, cristianismo e islamismo - possuem raízes semitas. Devido a diversas migrações, não podemos falar de um grupo étnico homogéneo. Portanto, muitas línguas compõem a família semítica, incluindo as seguintes: acadiano, ugarítico, fenício, hebraico, aramaico, árabe, etíope, egípcio, copta, bérbere, guanche, somali, gala, afar-saho e haúça.

 

- Síria do Norte  : A Síria possui uma história muito antiga, desde os arameos e assírios, marcada fortemente pela influência e rivalidade de Mesopotâmia e Egipto. Depois de ser ocupada pelos persas, a Síria foi conquistada por Alexandre III da Macedónia. Na época helenística passou a ser centro do reino dos selêucidas e se converteu em uma província romana no século I a.C.. Grandes cidades se desenvolveram nessa região como a mítica Palmira, uma das mais originais e descanso de caravanas.

 

1000 a. C

 

Idade do Ferro, no Próximo Oriente, Índia  : Durante a Idade do Ferro, que começou na Índia em torno de 1000 a.C., diversos pequenos reinos e cidades-Estado cobriram o sub-continente, muitos mencionados na literatura védica a partir de 1000 a.C. Em torno de 500 a.C., dezasseis monarquias e "repúblicas", conhecidas como Mahajanapadas, estendiam-se através das planícies indo-gangéticas, desde o que é hoje o Afeganistão até Bangladesh: Kasi, Kosala, Anga, Magadha, Vajji (ou Vriji), Malla, Chedi, Vatsa (ou Vamsa), Kuru, Panchala, Machcha (ou Matsya), Surasena, Assaka, Avanti, Gandhara e Kamboja. Os maiores dentre aqueles países eram Magadha, Kosala, Kuru e Gandhara. A língua culta daquele período era o sânscrito, enquanto que os dialectos da população em geral do norte da Índia eram conhecidos como prácritos.
Os rituais hindus da época eram complicados e conduzidos pela classe sacerdotal. Os Upanixades, textos védicos tardios que lidavam principalmente com filosofia, teriam sido compostos no início daquele período e seriam portanto contemporâneos ao desenvolvimento do budismo e do jainismo, o que indicaria uma idade do ouro filosófica naquele momento, semelhante ao que ocorreu na Grécia antiga. Em 537 a.C., Gautama Buda atingiu a iluminação e fundou o budismo, inicialmente visto como um complemento ao darma védico. No mesmo período, em meados do século VI a.C., Mahavira fundou o jainismo. Ambas as religiões tinham uma doutrina simples e eram pregadas em prácrito, o que ajudava a disseminá-las entre as massas. Embora o impacto geográfico do jainismo tenha sido limitado, freiras e monges budistas levaram os ensinamentos de Buda à Ásia Central e Oriental, Tibete, Sri Lanka e Sudeste asiático.
Os Mahajanapadas eram, grosso modo, o equivalente às cidades-Estado gregas do mesmo período no Mediterrâneo, e produziam uma filosofia que viria a formar a base de grande parte das crenças do mundo oriental, da mesma maneira que a Grécia antiga produziria uma filosofia que embaçaria grande parte das crenças do mundo ocidental. O período encerrou-se com as invasões persa e grega e a ascensão subsequente de um único império indiano a partir do reino de Magadha.

 

- Rigveda, sânscrito  , armas de bronze: O Rigveda é de longe mais arcaico que qualquer outro texto indo-ariano. Por essa razão, foi o centro de atenção da sabedoria ocidental dos tempos de Max Müller. O Rigveda regista um estágio prematuro da religião védica, ainda bem ligado à religião pré-zoroastriana persa. Acha-se que o Zoroastrianismo e o Hinduísmo védico evoluíram de uma cultura religiosa comum indo-iraniana mais antiga.
Aceita-se que o núcleo do Rigveda date da Idade do Bronze, fazendo dele o único exemplo de literatura da Idade do Bronze com uma tradição irrompida. Sua composição é geralmente datada entre 1700–1100 a. C. O texto nos séculos seguintes teve revisões de pronúncia e padronização (samhitapatha, padapatha). Essa redacção pode ter sido completada por volta do sétimo século AC. A escrita aparece na Índia no quinto século a. C. na forma da escrita Brahmi, mas textos do tamanho do Rigveda não foram escritos até a Baixa Idade Média, nas escritas Gupta ou Siddham, e, enquanto manuscritos eram usados para ensinar nos tempos medievais, tiveram um papel mínimo na preservação do conhecimento, por causa de sua natureza efémera (manuscritos indianos eram escritos em cascas ou folhas e decompunham rapidamente no clima tropical) até o advento da imprensa na Índia britânica. Os hinos foram então preservados pela tradição oral por até um milénio desde o tempo da sua composição até a redacção do Rigveda, e o Rigveda inteiro foi preservado em shakhas por mais 2500 anos, do tempo de sua redacção até o editio princeps por Müller, um feito colectivo de memorização inagualado em qualquer outra sociedade conhecida.
A literatura purânica nomeia Vidagdha como o autor do texto Pada. Outros estudantes argumentam que o Sthavira Sak do Aitareya Aranyaka é o padakara do RV. Após sua composição, os textos foram preservados e codificados por um vasto corpo de sacerdócio védico como a filosofia central da civilização védica da Idade do Ferro.
O Rigveda descreve uma cultura móvel, nomádica, com carroças movidas a cavalo e armas de metal (bronze). De acordo com alguns estudantes, a geografia descrita é consistente com aquela de Punjabe (Gandhara): Rios fluem de norte a sul, as montanhas são relativamente remotas mas ainda alcançáveis (Soma é uma planta encontrada nas montanhas, e tem de ser comprada, importada por mercantes). Contudo, os hinos foram certamente compostos em um longo período, com os mais antigos elementos possivelmente alcançando os tempos indo-iranianos, ou o segundo milénio a. C. Existe algum debate sobre se ostentações da destruição de fortes de pedra por arianos védicos e particularmente por Indra referem-se a cidades da civilização do Vale do Indo ou se eles se reportam a embates entre os primitivos Indo-Arianos e a cultura BMAC ("Bactria-Margiana Archaeological Complex" - Complexo Arqueológico Bactria-Margiana) ocorrida séculos mais tarde, no que é agora o norte do Afeganistão e o sul do Turcmenistão (separado do alto Indo pela cadeia montanhosa Hindu Kush, e uns 400 km de distância). De qualquer jeito, enquanto é muito provável que o corpo do Rigveda tenha sido composto em Punjabe, mesmo se baseado em tradições poéticas, não existe menção de tigres ou de arroz no Rigveda (em oposição aos Vedas posteriores), sugerindo que a cultura védica somente penetrou nos planos da Índia após ser completado. Similarmente, assume-se que não existe menção de ferro. A Idade do Ferro no norte da Índia começa no décimo segundo século a. C. com a cultura Black and Red Ware (BRW). Este é um prazo amplamente aceito para a codificação inicial do Rigveda (a arrumação dos hinos individuais em livros, e a correcção do samhitapatha (aplicando Sandhi) e o padapatha (dissolvendo o Sandhi) em textos métricos mais antigos), e a composição dos Vedas mais recentes. Esse tempo provavelmente coincide com o reino Kuru, mudando o centro da cultura védica de Punjabe para o que é agora Uttar Pradesh.
Alguns dos nomes de deuses e deusas encontrados no Rigveda também se acham em outros sistemas de crença baseados na Religião Proto-Indo-Européia como: Dyaus-Pita é aparentado com o Zeus grego, o Júpiter latino (de deus-pai), e o germânico Tyr; Mitra é aparentado com o Mitra persa; Ushas com a Eos grega e a Aurora latina; e, com menos certeza, Varuna com o Urano grego. Finalmente, Agni é associado com o ignis latino e com o ogon russo, ambos significando "fogo".
Alguns escritores encontraram referências astronómicas no Rigveda datando até a 4000 a.C, uma data bem no meio do Neolítico indiano. As reivindicações de tal evidência permanecem controversas.
Kazanas (2000) numa polémica contra a "Teoria da Invasão Ariana" sugere uma data tão cedo como 3100 a.C., baseado numa identificação do Rio Sarasvati dos primitivos Rigvedas como sendo o Ghaggar-Hakra e em argumentos glotocronológicos. Sendo uma polémica contra a corrente estudiosa predominante, ela está diametricamente em oposição aos pontos de vista da linguística histórica predominante, e dá suporte à controversa Teoria de Fora da Índia, que assume uma data tão antiga quanto 3000 a.C. a para era do próprio Proto-Indo-Europeu tardio.

 

- Comércio e prosperidade dos Fenícios  : Os fenícios foram influenciados pelas culturas do Egipto e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mar Mediterrâneo, desde o Oriente Médio até as costas orientais da Península Ibérica, onde exploraram o chumbo e a prata.
O legado mais importante que deixaram foi um alfabeto, o cursivo conhecido como púnica, que deu origem aos caracteres gregos e latinos. Mas antes dele existia outro que foi perdido quando da queda de Cartago em 146 a.C., que conduziu o cursivo a uma expansão e consequente perda do idioma original e complexo.
Propagaram o uso da matemática desenvolvida pelos caldeus e pelos egípcios que ainda trouxeram o conhecimento da astronomia, medicina e geografia. Aperfeiçoaram a matemática com a introdução do zero, posicionamento dos algarismos para a determinação dos valores, entre outros, que eram aplicados principalmente pela actividade comercial. Chamou-se Fenícia a antiga região que se estendia pelo território daquele que mais tarde seria conhecido como Líbano e toda parte da Síria e da Palestina, habitada por um povo de artesãos, navegadores e comerciantes. Biblo (futura Jubayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute), Árado, Ibiza no arquipélago dos Baleares, Cartagena na costa da Espanha, Cádice, Tangeri eram algumas das suas cidades, sendo Cartagine no Golfo da Tunísia, sua cidade principal. O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke (terra das palmeiras). Na Bíblia, parte da região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani, "mercador". Os fenícios chegaram às costas libanesas por volta de 4.000 a.C. A origem deste povo não é algo muito bem resolvida, sabe-se que eram semitas provenientes do golfo Pérsico, ou da Caldeia. No começo, estiveram divididos em pequenos estados locais, dominados às vezes pelos impérios da Mesopotâmia e do Egipto, dos quais adquiriram boa parte da sua cultura. Apesar de uma condição submissa, os fenícios conseguiram desenvolver uma florescente actividade económica que lhes permitiu, com o passar do tempo, transformar-se numa das potências comerciais hegemónicas do mundo banhado pelo Mar Mediterrâneo. A dependência dos primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio iniciou-se com a IV dinastia (por volta de 2613-2494 a.C.), e é notada pela grande quantidade de objectos de influência egípcia encontrados nas escavações arqueológicas. No século XIV a.C., a civilização grega de Micenas fez seu aparecimento na Fenícia, com o estabelecimento de comerciantes em Tiro, Sídon, Biblo e Árado. As invasões dos chamados povos do mar significaram uma grande mudança para o mundo mediterrâneo: os filisteus se instalaram na Fenícia, enquanto Egipto e Creta começavam a decair como potências. Dessa forma, a Fenícia estava preparada no século XIII a.C. para iniciar a sua expansão marítima. A cidade de Tiro assumiu o papel hegemónico na região. Em pouco tempo, seus habitantes controlaram todas as rotas comerciais do interior, comercializando principalmente madeira de cedro, azeite e perfumes, passando posteriormente a trazer ouro, prata e diversas pedras e metais preciosos. Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a expansão pelo Mar Mediterrâneo, onde fundaram muitas colónias e feitorias, que foram se estabelecendo tão somente pela actividade comercial, algo até então incomum, visto que todos os grandes domínios se estabeleciam pelo uso das armas e emprego da força. Os fenícios escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há muito mantinham contacto, e no século X a.C. se estabeleceram em Cício ou Kítion (Larnaca). A faixa costeira da Anatólia também conheceu a presença fenícia, embora lá não se tenham estabelecido colónias permanentes. No sul da Palestina, sob domínio judeu desde o fim do século XI a.C., assentaram-se colónias comerciais estáveis, assim como no Egipto, sobretudo no delta do Nilo. A região ao oeste do Mar Mediterrâneo atraiu os fenícios que mantiveram então, relações económicas com Creta, mas a presença dos gregos os induziu a dirigirem-se mais a oeste, chegando à Sicília, onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum) e Solos (Sóloi). No norte da África, os fenícios se estabeleceram em Útica no século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre os quais Cartago. Na Península Ibérica, Gades (Cádis), fundada no século XII a.C., foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produtos do interior. Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI a.C. As cidades eram fundadas com intuito de paradas portuárias das embarcações, eram como locais para reparos das embarcações e recuperação dos seus comandados, mas a actividade comercial acabou aflorando naturalmente, fazendo com que se tornassem centros de comércio com o restante da Europa.

 

Continua no próximo Bloco

 

FUNDO MUSICAL:

JOHANN SEBASTIAN BACH - CANTATA

FORMATAÇÃO E ARTE: IARA MELO