11º Bloco
(a abreviatura a.C. = a antes de Cristo)
1220 – 1210 a. C.
- Os “povos marítimos” assolam o Egeu e o
Mediterrâneo Oriental

- Domesticação do camelo
no Próximo Oriente: A domesticação do camelo
favoreceu o desenvolvimento do comércio com a
Palestina e a Mesopotâmia; ao mesmo tempo, os
mercadores do Sul da Arábia traficavam com a
Índia e a África, de onde traziam as plantas
aromáticas.
- Dórios
invadem Creta onde introduzem o ferro: No início
do século XII a.C. os dórios, que habitam o
Épiro, invadem a Tessália, a Beócia e o
Peloponeso, destruindo a civilização micénica.
Alguns dos povos que falam o jónico e o eólio
migram para a Ásia Menor e para as ilhas
próximas daquela região, o arquipélago das
Cíclades. Depois os dórios também migram para as
Cíclades do sul e ocupam igualmente Creta e
Rodes.
A seguir à invasão da ilha por parte dos Achaens
e dos Dórios, foram fundadas as novas cidades de
Aptera e Lato, tendo esta ficado como a mais
importante cidade da ilha no século VII a.C.
- Dórios destroem as primeira povoações gregas:
Grécia Antiga
é o termo geralmente usado para descrever, em
seu período clássico antigo, o mundo grego e
áreas próximas (como Chipre , Turquia , Sicília
, sul da Itália e costa do Mar Egeu , além de
assentamentos gregos no litoral de outros
países). Não existe uma data fixa ou sequer
acordo quanto ao período em que iniciou-se e
terminou a Grécia Antiga. O uso comum situa toda
história grega anterior ao Império Romano como
pertencente a esse período, mas os historiadores
usam a expressão Grécia Antiga de modo mais
preciso. Alguns escritores incluem o período
minóico e o período micénico (entre 1600 a.C. e
1100 a.C. ) dentro da Grécia Antiga, enquanto
que outros argumentam que essas civilizações
eram tão diferentes das culturas gregas
posteriores que, mesmo falando grego, devem ser
classificadas à parte.
- Escrita linear
B em Pilo e Micenas
:
O Período micénico é uma subdivisão regional e
temporal da Idade do Bronze do Egeu, também
conhecida por Heládico Recente. Refere-se à
sofisticada cultura grega que se desenvolveu no
continente grego entre 1550 a.C. e 1100 a.C.,
aproximadamente. O nome deriva de Micenas, nome
de um dos mais importantes centros regionais
micénicos. Activos comerciantes, os micénios
submeteram a ilha de Creta por volta de 1450
a.C. e, entre 1400 e 1200 a.C., dominaram
economicamente (e culturalmente) quase todos os
povos do Mediterrâneo Oriental. Os micénios
falavam uma forma bastante arcaica da língua
grega, criaram os mais antigos documentos em
grego, escritos em um silabário conhecido por
Linear B e construíram imponentes cidadelas
fortificadas em Micenas e Tirinto Argólida, Gla
(Beócia) e Englianos (Messénia). Diversas
características da cultura micénica sobreviveram
nas tradições religiosas e na literatura grega
dos períodos Arcaico e Clássico, notadamente na
Ilíada e na Odisseia.
1100 a. C.
- Egipto
:
início da decadência: Durante o Terceiro Período
Intermediário o Egipto é dominado por algumas
dinastias de origem estrangeira. A partir da
cidade de Tánis a XXI dinastia governou apenas o
Delta, enquanto que no sul existia uma dinastia
paralela composta pelos sumo sacerdotes de Amon.
Os membros da XXII e XXIII dinastias são de
origem líbia, embora já tivessem adoptado a
cultura egípcia. No século VIII a.C., a região
da Alta Núbia, o Kush, conquista o Egipto, onde
instala um dinastia, a XXV.
Os Assírios acabariam por derrotar a dinastia
núbia, impondo como rei Psametek I (primeiro
soberano da XXVI dinastia), um príncipe da
cidade de Sais, no Delta. Contudo, Psametek
acabará por se rebelar contra os Assírios, tendo
reunificado o país. O último rei da XXVI
dinastia, Psametek III, seria derrotado pelos
Persas de Cambises II que ocupam o Egipto a
partir de 525 a.C. e constituem a XXVII
dinastia.
1050 a. C.
- China: dinastia Cheu
sucede à Shang
:
O registo mais antigo do passado da China data
da Dinastia Shang, possivelmente no século XIII
a.C., na forma de inscrições divinatórias em
ossos ou carapaças de animais.
Os historiadores chineses de períodos
posteriores habituaram-se à noção de que uma
dinastia sucedia a outra, mas sabe-se que a
situação política na China primitiva era muito
mais complexa. Alguns académicos sugerem que os
xias e os shangs talvez fossem entidades
políticas que co-existiram, da mesma maneira que
os zhous foram contemporâneos dos shangs.
A Dinastia Zhou, também chamada dinastia Chou,
Chow, Jou ou mesmo Cheu, foi uma das primeiras
dinastias chinesas. Calcula-se que o início
desta dinastia se dê com a queda da Dinastia
Shang, no final do século X a.C. ou século IX
a.C., e seu término com a ascensão da Dinastia
Qin, em 256 a.C.. e a data de seu fim ao redor
de 221 a.C. A Dinastia Zhou foi a dinastia com
maior duração em toda a história chinesa, e a
tecnologia da Era do Ferro foi introduzida na
China neste período.
Na tradição historiográfica chinesa, os líderes
de Zhou dissiparam os Yin (Shang) e legitimaram
seu domínio invocando o Mandato do Céu, a noção
de que o líder (o "filho do céu") governava por
direito divino mas que a perda de seu trono
indicaria que ele perdera o mandato. O Mandato
do Céu estabelecia que os Zhou assumiam
ascendência divina (Tian-Huang-Shangdi), sobre a
ascendência divina dos Shang (Shangdi). A
doutrina explicava e justificava o fim da
Dinastia Xia e Dinastia Shang, ao mesmo tempo
que dava suporte à legitimidade dos governantes
actuais e futuros. A Dinastia Zhou foi fundada
pela família Ji e tinha sua capital na cidade de
Hao (próxima a atual cidade de Xi'an). Possuindo
o mesmo idioma e cultura dos Shang (Yin), os
primeiros governantes Zhou, através da conquista
e colonização, gradualmente estenderam a cultura
Shang (Yin) por boa parte do norte do Rio
Yangtze.
- Impérios neo-hitita
e aramaico
: Pelo ano 1.800 a.C. funda-se o primeiro estado
indo-europeu. São os hititas que conseguem a
partir de conquistas (chegando incluso a dominar
Babilónia) ou através de interessantes contratos
que concediam autonomia aos povos baixo seu
domino sempre e quando não opusessem
resistência. O império Hitita alcançou seu
máximo esplendor no ano 1450 a.C. durante o
reinado de Supiluliuma e se manteve até o ano
1.200 a.C., data na que as invasões dos tracios
acabaram com o império deixando apenas pequenos
assentamentos.
O termo Semita tem como principal designação o
conjunto linguístico composto por uma família de
vários povos, entre os quais se destacam os
árabes e hebreus, que compartilham as mesmas
origens culturais. A origem da palavra semita
vem de uma expressão no Génesis e referia-se a
linhagem de descendentes de Sem, filho de Noé.
Modernamente, as línguas semíticas estão
incluídas na família camito-semítica.
Historicamente, esses povos tiveram grande
influência cultural, pois as três grandes
religiões monoteístas do mundo -judaísmo,
cristianismo e islamismo - possuem raízes
semitas. Devido a diversas migrações, não
podemos falar de um grupo étnico homogéneo.
Portanto, muitas línguas compõem a família
semítica, incluindo as seguintes: acadiano,
ugarítico, fenício, hebraico, aramaico, árabe,
etíope, egípcio, copta, bérbere, guanche,
somali, gala, afar-saho e haúça.
- Síria do Norte
:
A Síria possui uma história muito antiga, desde
os arameos e assírios, marcada fortemente pela
influência e rivalidade de Mesopotâmia e Egipto.
Depois de ser ocupada pelos persas, a Síria foi
conquistada por Alexandre III da Macedónia. Na
época helenística passou a ser centro do reino
dos selêucidas e se converteu em uma província
romana no século I a.C.. Grandes cidades se
desenvolveram nessa região como a mítica
Palmira, uma das mais originais e descanso de
caravanas.
1000 a. C
Idade do Ferro, no Próximo Oriente, Índia
: Durante a Idade do Ferro, que começou na Índia
em torno de 1000 a.C., diversos pequenos reinos
e cidades-Estado cobriram o sub-continente,
muitos mencionados na literatura védica a partir
de 1000 a.C. Em torno de 500 a.C., dezasseis
monarquias e "repúblicas", conhecidas como
Mahajanapadas, estendiam-se através das
planícies indo-gangéticas, desde o que é hoje o
Afeganistão até Bangladesh: Kasi, Kosala, Anga,
Magadha, Vajji (ou Vriji), Malla, Chedi, Vatsa
(ou Vamsa), Kuru, Panchala, Machcha (ou Matsya),
Surasena, Assaka, Avanti, Gandhara e Kamboja. Os
maiores dentre aqueles países eram Magadha,
Kosala, Kuru e Gandhara. A língua culta daquele
período era o sânscrito, enquanto que os
dialectos da população em geral do norte da
Índia eram conhecidos como prácritos.
Os rituais hindus da época eram complicados e
conduzidos pela classe sacerdotal. Os Upanixades,
textos védicos tardios que lidavam
principalmente com filosofia, teriam sido
compostos no início daquele período e seriam
portanto contemporâneos ao desenvolvimento do
budismo e do jainismo, o que indicaria uma idade
do ouro filosófica naquele momento, semelhante
ao que ocorreu na Grécia antiga. Em 537 a.C.,
Gautama Buda atingiu a iluminação e fundou o
budismo, inicialmente visto como um complemento
ao darma védico. No mesmo período, em meados do
século VI a.C., Mahavira fundou o jainismo.
Ambas as religiões tinham uma doutrina simples e
eram pregadas em prácrito, o que ajudava a
disseminá-las entre as massas. Embora o impacto
geográfico do jainismo tenha sido limitado,
freiras e monges budistas levaram os
ensinamentos de Buda à Ásia Central e Oriental,
Tibete, Sri Lanka e Sudeste asiático.
Os Mahajanapadas eram, grosso modo, o
equivalente às cidades-Estado gregas do mesmo
período no Mediterrâneo, e produziam uma
filosofia que viria a formar a base de grande
parte das crenças do mundo oriental, da mesma
maneira que a Grécia antiga produziria uma
filosofia que embaçaria grande parte das crenças
do mundo ocidental. O período encerrou-se com as
invasões persa e grega e a ascensão subsequente
de um único império indiano a partir do reino de
Magadha.
- Rigveda, sânscrito
, armas de bronze: O Rigveda é de longe mais
arcaico que qualquer outro texto indo-ariano.
Por essa razão, foi o centro de atenção da
sabedoria ocidental dos tempos de Max Müller. O
Rigveda regista um estágio prematuro da religião
védica, ainda bem ligado à religião
pré-zoroastriana persa. Acha-se que o
Zoroastrianismo e o Hinduísmo védico evoluíram
de uma cultura religiosa comum indo-iraniana
mais antiga.
Aceita-se que o núcleo do Rigveda date da Idade
do Bronze, fazendo dele o único exemplo de
literatura da Idade do Bronze com uma tradição
irrompida. Sua composição é geralmente datada
entre 1700–1100 a. C. O texto nos séculos
seguintes teve revisões de pronúncia e
padronização (samhitapatha, padapatha). Essa
redacção pode ter sido completada por volta do
sétimo século AC. A escrita aparece na Índia no
quinto século a. C. na forma da escrita Brahmi,
mas textos do tamanho do Rigveda não foram
escritos até a Baixa Idade Média, nas escritas
Gupta ou Siddham, e, enquanto manuscritos eram
usados para ensinar nos tempos medievais,
tiveram um papel mínimo na preservação do
conhecimento, por causa de sua natureza efémera
(manuscritos indianos eram escritos em cascas ou
folhas e decompunham rapidamente no clima
tropical) até o advento da imprensa na Índia
britânica. Os hinos foram então preservados pela
tradição oral por até um milénio desde o tempo
da sua composição até a redacção do Rigveda, e o
Rigveda inteiro foi preservado em shakhas por
mais 2500 anos, do tempo de sua redacção até o
editio princeps por Müller, um feito colectivo
de memorização inagualado em qualquer outra
sociedade conhecida.
A literatura purânica nomeia Vidagdha como o
autor do texto Pada. Outros estudantes
argumentam que o Sthavira Sak do Aitareya
Aranyaka é o padakara do RV. Após sua
composição, os textos foram preservados e
codificados por um vasto corpo de sacerdócio
védico como a filosofia central da civilização
védica da Idade do Ferro.
O Rigveda descreve uma cultura móvel, nomádica,
com carroças movidas a cavalo e armas de metal
(bronze). De acordo com alguns estudantes, a
geografia descrita é consistente com aquela de
Punjabe (Gandhara): Rios fluem de norte a sul,
as montanhas são relativamente remotas mas ainda
alcançáveis (Soma é uma planta encontrada nas
montanhas, e tem de ser comprada, importada por
mercantes). Contudo, os hinos foram certamente
compostos em um longo período, com os mais
antigos elementos possivelmente alcançando os
tempos indo-iranianos, ou o segundo milénio a.
C. Existe algum debate sobre se ostentações da
destruição de fortes de pedra por arianos
védicos e particularmente por Indra referem-se a
cidades da civilização do Vale do Indo ou se
eles se reportam a embates entre os primitivos
Indo-Arianos e a cultura BMAC ("Bactria-Margiana
Archaeological Complex" - Complexo Arqueológico
Bactria-Margiana) ocorrida séculos mais tarde,
no que é agora o norte do Afeganistão e o sul do
Turcmenistão (separado do alto Indo pela cadeia
montanhosa Hindu Kush, e uns 400 km de
distância). De qualquer jeito, enquanto é muito
provável que o corpo do Rigveda tenha sido
composto em Punjabe, mesmo se baseado em
tradições poéticas, não existe menção de tigres
ou de arroz no Rigveda (em oposição aos Vedas
posteriores), sugerindo que a cultura védica
somente penetrou nos planos da Índia após ser
completado. Similarmente, assume-se que não
existe menção de ferro. A Idade do Ferro no
norte da Índia começa no décimo segundo século
a. C. com a cultura Black and Red Ware (BRW).
Este é um prazo amplamente aceito para a
codificação inicial do Rigveda (a arrumação dos
hinos individuais em livros, e a correcção do
samhitapatha (aplicando Sandhi) e o padapatha
(dissolvendo o Sandhi) em textos métricos mais
antigos), e a composição dos Vedas mais
recentes. Esse tempo provavelmente coincide com
o reino Kuru, mudando o centro da cultura védica
de Punjabe para o que é agora Uttar Pradesh.
Alguns dos nomes de deuses e deusas encontrados
no Rigveda também se acham em outros sistemas de
crença baseados na Religião Proto-Indo-Européia
como: Dyaus-Pita é aparentado com o Zeus grego,
o Júpiter latino (de deus-pai), e o germânico
Tyr; Mitra é aparentado com o Mitra persa; Ushas
com a Eos grega e a Aurora latina; e, com menos
certeza, Varuna com o Urano grego. Finalmente,
Agni é associado com o ignis latino e com o ogon
russo, ambos significando "fogo".
Alguns escritores encontraram referências
astronómicas no Rigveda datando até a 4000 a.C,
uma data bem no meio do Neolítico indiano. As
reivindicações de tal evidência permanecem
controversas.
Kazanas (2000) numa polémica contra a "Teoria da
Invasão Ariana" sugere uma data tão cedo como
3100 a.C., baseado numa identificação do Rio
Sarasvati dos primitivos Rigvedas como sendo o
Ghaggar-Hakra e em argumentos glotocronológicos.
Sendo uma polémica contra a corrente estudiosa
predominante, ela está diametricamente em
oposição aos pontos de vista da linguística
histórica predominante, e dá suporte à
controversa Teoria de Fora da Índia, que assume
uma data tão antiga quanto 3000 a.C. a para era
do próprio Proto-Indo-Europeu tardio.
- Comércio e prosperidade dos Fenícios
: Os fenícios foram influenciados pelas culturas
do Egipto e da Mesopotâmia e as estenderam por
todo o Mar Mediterrâneo, desde o Oriente Médio
até as costas orientais da Península Ibérica,
onde exploraram o chumbo e a prata.
O legado mais importante que deixaram foi um
alfabeto, o cursivo conhecido como púnica, que
deu origem aos caracteres gregos e latinos. Mas
antes dele existia outro que foi perdido quando
da queda de Cartago em 146 a.C., que conduziu o
cursivo a uma expansão e consequente perda do
idioma original e complexo.
Propagaram o uso da matemática desenvolvida
pelos caldeus e pelos egípcios que ainda
trouxeram o conhecimento da astronomia, medicina
e geografia. Aperfeiçoaram a matemática com a
introdução do zero, posicionamento dos
algarismos para a determinação dos valores,
entre outros, que eram aplicados principalmente
pela actividade comercial. Chamou-se Fenícia a
antiga região que se estendia pelo território
daquele que mais tarde seria conhecido como
Líbano e toda parte da Síria e da Palestina,
habitada por um povo de artesãos, navegadores e
comerciantes. Biblo (futura Jubayl), Sídon
(Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute), Árado,
Ibiza no arquipélago dos Baleares, Cartagena na
costa da Espanha, Cádice, Tangeri eram algumas
das suas cidades, sendo Cartagine no Golfo da
Tunísia, sua cidade principal. O nome Fenícia
deriva do grego Phoiníke (terra das palmeiras).
Na Bíblia, parte da região recebe o nome de
Canaã, derivado da palavra semita kena'ani,
"mercador". Os fenícios chegaram às costas
libanesas por volta de 4.000 a.C. A origem deste
povo não é algo muito bem resolvida, sabe-se que
eram semitas provenientes do golfo Pérsico, ou
da Caldeia. No começo, estiveram divididos em
pequenos estados locais, dominados às vezes
pelos impérios da Mesopotâmia e do Egipto, dos
quais adquiriram boa parte da sua cultura.
Apesar de uma condição submissa, os fenícios
conseguiram desenvolver uma florescente
actividade económica que lhes permitiu, com o
passar do tempo, transformar-se numa das
potências comerciais hegemónicas do mundo
banhado pelo Mar Mediterrâneo. A dependência dos
primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio
iniciou-se com a IV dinastia (por volta de
2613-2494 a.C.), e é notada pela grande
quantidade de objectos de influência egípcia
encontrados nas escavações arqueológicas. No
século XIV a.C., a civilização grega de Micenas
fez seu aparecimento na Fenícia, com o
estabelecimento de comerciantes em Tiro, Sídon,
Biblo e Árado. As invasões dos chamados povos do
mar significaram uma grande mudança para o mundo
mediterrâneo: os filisteus se instalaram na
Fenícia, enquanto Egipto e Creta começavam a
decair como potências. Dessa forma, a Fenícia
estava preparada no século XIII a.C. para
iniciar a sua expansão marítima. A cidade de
Tiro assumiu o papel hegemónico na região. Em
pouco tempo, seus habitantes controlaram todas
as rotas comerciais do interior, comercializando
principalmente madeira de cedro, azeite e
perfumes, passando posteriormente a trazer ouro,
prata e diversas pedras e metais preciosos.
Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a
expansão pelo Mar Mediterrâneo, onde fundaram
muitas colónias e feitorias, que foram se
estabelecendo tão somente pela actividade
comercial, algo até então incomum, visto que
todos os grandes domínios se estabeleciam pelo
uso das armas e emprego da força. Os fenícios
escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há
muito mantinham contacto, e no século X a.C. se
estabeleceram em Cício ou Kítion (Larnaca). A
faixa costeira da Anatólia também conheceu a
presença fenícia, embora lá não se tenham
estabelecido colónias permanentes. No sul da
Palestina, sob domínio judeu desde o fim do
século XI a.C., assentaram-se colónias
comerciais estáveis, assim como no Egipto,
sobretudo no delta do Nilo. A região ao oeste do
Mar Mediterrâneo atraiu os fenícios que
mantiveram então, relações económicas com Creta,
mas a presença dos gregos os induziu a
dirigirem-se mais a oeste, chegando à Sicília,
onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum)
e Solos (Sóloi). No norte da África, os fenícios
se estabeleceram em Útica no século XII a.C. e
fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre
os quais Cartago. Na Península Ibérica, Gades
(Cádis), fundada no século XII a.C., foi o porto
principal dos fenícios, que ali adquiriam
minerais e outros produtos do interior. Na ilha
de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século
VIII a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em
relação a Ibiza no século VI a.C. As cidades
eram fundadas com intuito de paradas portuárias
das embarcações, eram como locais para reparos
das embarcações e recuperação dos seus
comandados, mas a actividade comercial acabou
aflorando naturalmente, fazendo com que se
tornassem centros de comércio com o restante da
Europa.
Continua no próximo Bloco