(a
abreviatura a.C. = a antes de Cristo)
935 a. C.-
Canaã
Nome
bíblico do país que corresponde, quer ao conjunto Síria-Palestina, quer à faixa
do litoral mediterrâneo, e que representa a Terra outrora prometida por Deus aos
Hebreus, uma terra fértil onde, segundo o Livro dos Números, correm leite e mel.
- Divisão
de Canaã: O Livro dos Juízes foi assim chamado pelo grande relevo que nele têm
os chefes a quem se deu tal nome (chofetîm). Praticamente o livro é constituído
por doze histórias correspondentes aos doze juízes que nele desfilam aos olhos
do leitor.
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CONTEXTO HISTÓRICO
Depois da sua chegada a Canaã e do seu estabelecimento no território, como
está descrito em Josué, as doze tribos ficaram um pouco à mercê dos povos que
ainda ocupavam a terra. Cananeus e filisteus continuavam a sua luta para
expulsar as tribos israelitas que se tinham infiltrado em algumas parcelas do
seu território; e a conquista total da terra e o consequente predomínio dos
israelitas sobre os povos locais ficará para mais tarde, no tempo de David (séc.
X a.C.).
Depois da morte de Josué, por volta de 1200 a.C. (Js 24), as tribos ficaram sem
um chefe que aglutinasse todas as forças para se defenderem dos inimigos
estrangeiros. A única autoridade constituída era a dos anciãos de cada tribo.
Além disso, estas pequenas tribos eram muito independentes entre si, e não era
fácil congregá-las. Ficavam, assim, mais expostas aos ataques de filisteus,
cananeus, madianitas, amonitas, moabitas, todos inimigos históricos de Israel.
QUEM SÃO OS JUÍZES
É nestas circunstâncias que aparecem os Juízes. Não são chefes constituídos
oficialmente, mas homens e mulheres carismáticos, atentos ao Espírito do
Senhor, pessoas marcadas por uma forte personalidade, capazes de se imporem
moralmente perante as outras tribos. Deste modo, quando alguma tribo era
atacada, o Juiz congregava as outras para irem em socorro da tribo irmã. Uma
outra função que lhes poderia ser atribuída era a de julgar (da raiz chaphat,
que significa “administrar a justiça”, “proteger”), em casos especiais,
função que terá estado na origem do nome de “Juízes”.
O tempo dos Juízes é, pois, o tempo da consolidação das tribos no seu
território, perante os inimigos estrangeiros, e o tempo das primeiras
tentativas de federação entre as várias tribos com diferentes origens (ver Js
24).
DIVISÃO E CONTEÚDO
Na falta de escrita, as histórias e os feitos dos Juízes passaram pelas
tradições orais locais, sobretudo nos santuários, antes de fazerem parte da
memória colectiva de Israel.
Com o aparecimento da monarquia e a consequente organização política, social e
religiosa, todo este material de carácter histórico, mítico, poético e
etiológico entrou no espólio colectivo de Israel, sendo posteriormente
organizado por blocos literários mais amplos. É costume dividir o livro dos
Juízes em dois grandes blocos literários:
I. Tradições sobre a conquista de Canaã (1,1-3,6).
II. História dos Juízes (3,7-16,31). Nestes, é costume distinguir: Juízes
Maiores ou “salvadores”: Oteniel (3,7-11), Eúde (3,12-30), Débora e Barac
(4,1-5,32), Gedeão (6,11-8,35), Jefté (11,1-40) e Sansão (13,1-16,31); Juízes
Menores, que constituem um bloco literário acrescentado mais tarde: Chamegar
(3,31), Tola (10,1-2), Jair (10,3-5), Ibsan (12,8-10), Elon (12,11-12) e Abdon
(12,13-15). Deste modo se formou o “Livro dos doze Juízes de Israel”
(3,7-16,31).
III. Apêndices: 17-18, sobre a tribo de Dan, e 19-21, sobre a de Benjamim.
Posteriormente foram acrescentadas duas introduções: 1,1-2,5, que apresenta a
situação geral das tribos depois da morte de Josué; e 2,6-3,6, que apresenta a
História de Israel como uma “História Sagrada”: pecado do povo – castigo de Deus
– perdão de Deus. É a concepção deuteronomista da História de Israel, em cujo
contexto teológico deverá situar-se este livro.
O livro contém igualmente dois apêndices: os capítulos 17-18, que narram a
migração da tribo de Dan do Sul para a nascente do Jordão, no Norte; e os
capítulos 19-21, que narram o crime dos habitantes de Guibeá, da tribo de
Benjamim, tribo que será destruída.
Todas estas tradições, que andavam de boca em boca, juntamente com as de outros
heróis nacionais, entram numa colecção comum depois da queda da Samaria (722/721
a.C.). Mas só durante ou mesmo depois do exílio da Babilónia é que o livro foi
integrado na grande História de Israel, concluída pelos redactores
deuteronomistas e composta pelos seguintes livros: Dt, Js, Jz, 1 Sm, 2 Sm, 1 Rs
e 2 Rs.
A estes redactores se devem, certamente, as introduções gerais já mencionadas
(Jz 1,1-3,6), assim como a introdução a cada um dos Juízes. Esta redacção
deuteronomista conferiu uma unidade teológica a todo o livro, que passou de
amálgama de histórias locais a um livro de carácter nacional.
VALOR HISTÓRICO
O livro dos Juízes é um dos chamados “Livros Históricos” da Bíblia, mas é
histórico segundo o modo de escrever História no seu tempo. Nesse género
literário cabiam não apenas os factos e os documentos, como acontece na
historiografia moderna, mas também o mito, discursos (veja-se o belo apólogo de
Jotam: 9,7-20), etiologias, pequenos factos do dia-a-dia, etc. Este livro
fornece-nos um quadro geral único do modo de vida das tribos de Israel, depois
da instalação em Canaã, no que toca à vida política, social e religiosa. É
também interessante o facto de nos falar já do difícil relacionamento entre
algumas tribos, que irá ter o seu desenlace na separação entre o Norte e o Sul,
depois de Salomão.
O tempo dos Juízes corresponde a mais de dois séculos de História, o que lhe
confere um valor especial, embora a contagem dos anos fornecidos pelo texto nos
dê exactamente 410 anos. Este facto é certamente devido ao uso corrente do
número simbólico 40, que significa uma geração, isto é, a vida de uma pessoa.
Esta indicação diz-nos bem do carácter aproximativo dos dados cronológicos do
livro. A cronologia real da época dos Juízes nunca poderá afastar-se muito do
período entre 1200 e 1030.
TEOLOGIA
Como qualquer livro da Bíblia, também o dos Juízes não foi escrito para nos
fornecer simplesmente a História factual das tribos de Israel. Antes de mais,
foi escrito para manifestar como Deus acompanha o seu povo na sua História
concreta, mesmo no meio dos mais graves acontecimentos, como as guerras
contra os povos inimigos.
A sua teologia fundamental é proposta pelos redactores deuteronomistas nas
Introduções (1,1-3,6), em que aparecem fórmulas características como «os filhos
de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor» (2,11; 3,7.12; 4,1; 6,1;
10,6; 13,1). Desta infidelidade do povo ao Deus fiel da Aliança segue-se o
castigo, que aparece nas derrotas perante os povos estrangeiros; e depois, a
vitória, mediante os intermediários do Senhor, os Juízes “salvadores” (3,31;
6,15; 10,1). A ideia teológica que ressalta deste livro é, pois, a imagem que um
povo livre tem de Deus, que o acompanha para o libertar.
Não nos devem escandalizar os “pecados” destes Juízes, homens rudes que
precisamos de situar no seu tempo e que procedem segundo a moral de então. Caso
paradigmático é a história de Sansão (*). Teremos que tentar, antes, descobrir o
que há neles de positivo: a acção de Deus, que os anima com o seu espírito para
conduzir o povo de Deus (3,10; 6,34; 11,29; 13,25). Neste sentido, eles foram
uma antecipação dos reis de Israel.
(*)A
história de Sansão
Logo depois da conquista da terra prometida sob a liderança de Josué, o povo de
Israel abandonou o Senhor e começou a adorar os baalins e a Astarote. Por isso,
Deus entregou os israelitas nas mãos de Cusã-Risataim, o rei da Mesopotâmia, que
oprimiu a nação durante oito anos. Daí quando os israelitas clamaram ao Senhor,
ele levantou Otniel para libertá-los. Este ciclo (de infidelidade, opressão,
oração e salvação) se repetiu múltiplas vezes no livro de Juízes. Pelo final do
livro uns doze juízes tinham-se levantado para salvar o povo das mãos das nações
opressoras. Nestes ciclos o povo de Israel piorou cada vez mais (2:19, todas as
citações neste artigo que não mencionam o livro são de Juízes), e a qualidade
dos juízes reflectiu a postura do povo.
Assim, o último juiz do livro, Sansão, foi o pior de todos. Ele tinha tudo para
ter êxito. Antes do nascimento dele, o Anjo do Senhor apareceu aos pais para
exortar sua mãe a que se consagrasse ao Senhor e que o filho fosse dedicado ao
Senhor como nazireu pela vida inteira. Quando ele cresceu, o Espírito do Senhor
entrou nele e agiu nele. Sansão ganhou pela vontade do Senhor força sobrenatural
e conseguiu fazer coisas inconcebíveis. Não houve nenhum motivo para que ele
falhasse.
O problema chave na vida de Sansão se resume na primeira sentença que descreve a
vida dele: "Desceu Sansão a Timna; vendo em Timna uma das filhas dos
filisteus..." (14:1). Desta vez ele pediu que os pais conseguissem esta mulher
para ele mas eles responderam: "Não há, porventura, mulher entre as filhas de
teus irmãos ou entre todo o meu povo, para que vás tomar esposa dos filisteus,
daqueles incircuncisos? Disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque só desta me
agrado" (14:3). Deus já havia mandado que Sansão iniciasse a libertação dos
israelitas das mãos dos filisteus, porém ele estava apaixonando-se por mulher
filisteia (13:5)! Isso provocou terríveis complicações (veja capítulos 14 e 15).
"Sansão foi a Gaza, e viu ali uma prostituta, e coabitou com ela" (16:1).
"Depois disto, aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, a qual
se chamava Dalila" (16:4). Nestes dois casos, houve dificuldades. Por último,
ele revelou o segredo da sua força a Dalila e ela cortou seu cabelo, o que
permitiu aos filisteus prenderem-no e cegarem-no. Ele ficou escravo. Sansão se
parecia muito com os próprios israelitas. Os dois nasceram de forma milagrosa,
foram chamados a dedicação a Deus, receberam o Espírito de Deus, mas correram
atrás das coisas (mulheres/ídolos) dos estrangeiros. O Senhor abandonou tanto
Sansão como Israel sem nem eles terem percebido. Eles se tornaram escravos dos
filisteus. É triste que Sansão e Israel tivessem tanto potencial, mas perdessem
tudo por causa da sua infidelidade ao Senhor.
Reinos de
Israel e Judá
Reino de
Israel
Reino que
agrupou de 931 a 721 a. C. as tribos do Norte da Palestina após a cisão do reino
hebreu, na sequência da morte de Salomão (*). A capital era Samaria. Minado pela
instabilidade política e pelas rivalidades fratricidas com o reino de Judá,
sucumbiu aos ataques dos Assírios, que deportaram a sua população. A monarquia
de Israel teve como característica a instabilidade política. Em escassos dois
séculos, contaram-se uns 20 reis. Os mais importantes foram Jeroboão I (*)
(931-910), o primeiro deles, que estabeleceu a capital em Siquém; omri (885-874)
que fundou Samaria w aí instalou a sua residência; Acab (841-814); Jeroboão II
(783-743, o último grande rei de Israel. Carecendo de realismo em política
externa, o reino caiu sob os ataques dos assírios com a tomada de Samaria por
Sargão II, em 721 a.C. O escol da população foi então deportado, enquanto os
colonos mesopotâmicos se instalaram no país.
As tribos
de Israel, é um conjunto das unidades que formavam a divisão administrativa do
povo hebreu. Tinha como antepassados, segundo a tradição, os 12 filhos de Jacob
(também chamado Israel): Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zabulão, Dão,
Neftali, Gad, Aser, José e Benjamim. Quando se fixaram em Canaã, as tribos
ocuparam cada uma delas um determinado território, excepto a de Levi,
especialmente votada ao serviço de Javé. A de José, no entanto, mais numerosa,
cindiu-se em duas sob o patrocínio de Efraim e de Manasses, filho de José,
ficando a Palestina dividida em 12 entidades territoriais.
(*) Salomão: Origem:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Rei Salomão (segundo algumas cronologias, reinou de 1009 a.C. a 922 a.C), filho
do Rei David com Bate-Seba, tornou-se no terceiro rei de Israel (reino ainda
unificado) e reinou durante quarenta anos. O nome Salomão ou Shlomô ,deriva da
raiz Shalom, que significa "paz", tem o significado de "Pacifico". Foi
adicionalmente chamado de Jedidias, pelo profeta Natã, nome que em hebraico
significa "Amado de IHVH". (II Samuel 12:24, 25)
Foi quem ordenou a construção do Templo de Jerusalém, no seu 4.º ano, também
conhecido como o Templo de Salomão. Depois disso, mandou construir um novo
Palácio Real para o Papa, o Palácio da Filha de Faraó, a Casa de Cedro do Líbano
e o Pórtico das Colunas. A descrição do seu Trono era exemplar único em seus
dias. Mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como diversas
cidades fortificadas e torres de vigia.
Salomão se notabilizou pela sua grande sabedoria, prosperidade e riquezas
abundantes, bem como um longo reinado sem guerras. É uma personagem bíblica
envolta em muitos mitos e lendas extra-bíblicas. Foi após a sua morte, que
ocorre o previsto cisma nas Tribos de Israel, originando o Reino de Judá
(formado pelas 2 Tribos), ao Sul, e o Reino de Israel Setentrional (formado
pelas 10 Tribos), ao Norte.
Reinado de Salomão
Adonias, filho primogénito de David, proclamou-se pretendente ao Trono e
sucessor de seu pai. Segundo os profetas, era da vontade Divina que o sucessor
fosse Salomão, filho de David e Bate-Seba. Visto que Salomão não era o herdeiro
imediato ao Trono, isso levou a intrigas e conspirações pelos partidários de
Adonias. O direito de Salomão ao trono é assegurado mediante ação decidida de
sua mãe, do Sumo Sacerdote Zadoque e do profeta Natã, com aprovação do idoso Rei
David. Logo que se tornou rei, Salomão eliminou todos os conspiradores e
consolidou o seu reinado.
Diferente de seu pai, Salomão não se tornou num líder guerreiro, e isso, não foi
preciso. Soube manter a grande extensão territorial que herdada de seu pai.
Mostrou, de acordo com a tradição judaica cristã, ser um grande governante e um
juiz justo e imparcial. Soube habilmente desenvolver o comércio externo e da
indústria, as relações diplomáticas com países vizinhos, o que levou a um
progresso considerável das cidades israelitas.
Salomão casou com uma filha de Faraó (não identificado) e recebeu como dote de
casamento a cidade cananéia de Gezar. Renovou a aliança comercial com Hirão, Rei
de Tiro. Ficou conhecido por ter ordenado a construção do Templo de Jerusalém
(também conhecido como o Templo de Salomão), no Monte Moriá. Isto ocorreu no seu
4º ano de reinado, exactamente no 480.º ano (479 anos completos mais alguns dias
ou meses) após o Êxodo de Israel do Egipto. (Os historiadores e exegetas
bíblicos consideram esta data como artificial, embora haja alguns biblistas que
a consideram uma sincronização autentica.)
Após isso, mandou construir um novo Palácio Real, o Palácio da Filha de Faraó, a
Casa de Cedro do Líbano e o Pórtico das Colunas. Mandou construir fortes
muralhas na cidade de Jerusalém, bem como mandou reconstruir fortificar diversas
cidades fortificadas (como por exemplo, Megido, Bete-Seã, Hazor ...) e construir
cidades-armazens.
Salomão organizou uma nova estrutura administrativa, dividindo as terras em 12
distritos administrativos governados por funcionários nomeados directamente pela
administração central. No exército, deu especial importância a cavalaria e aos
carros de guerra. Dispunha no porto de Eziom-Geber, no Golfo de Aqaba de uma
frota de navios comerciais de longo curso, chamados de "navios de Társis".
Segundo I Reis 11:3, Salomão tinha setecentas mulheres e trezentas cocubinas, e
"suas mulheres lhe perverteram o coração" para praticar ecumenismo religioso.
Divisão do Reino
Com a sua morte, Roboão, seu filho, sucedeu-lhe no trono. Em vez de ouvir o
conselho sábio dos anciãos das tribos de Israel para aliviar a carga tributária
e os trabalhos compulsivos impostos por seu pai, ele mandou aumenta-los. Isso
levou à rebelião das tribos setentrionais e à divisão do Reino em dois novos
reinos: o Reino de Israel Setentrional (ou Reino das 10 Tribos, tendo como Rei
Jeroboão I), e o Reino de Judá (tendo por capital Jerusalém e como rei, Roboão).
Sábio e escritor
Salomão é considerado autor de diversos cânticos, de vários provérbios (alguns
deles catalogados posteriormente no livro de Provérbios), obras de poesia sobre
o amor romântico (como o Cântico dos Cânticos ou Cânticos de Salomão), e uma
obra de cunho filosófico, Eclesiastes). Jesus Cristo fez alusões à sabedoria de
Salomão e à magnificência com que vivia. (Mateus 6:29; 12:42; Lucas 11:31;
12;27) Por isto é considerado na tradição judaico-cristã, como o homem mais
sábio que já viveu até então. Diz a Bíblia que no seu reinado diversos reis e
governantes vinham a Israel fazer perguntas ou conselho ao Rei Salomão.
Tradição posterior
A tradição posterior imputaria a Salomão grande sabedoria e ao seu reinado o
status de época áurea. Ele é considerado dentro da tradição judaico-cristã, como
o homem mais sábio que já viveu até então. Afirma-se que no seu reinado diversos
reis e governantes vinham a Israel fazer perguntas ou conselho ao Rei Salomão,
incluindo a rainha de Sabá. Durante os séculos posteriores, diversas obras de
outros autores eram imputados a Salomão, para dar-lhes valor. Dentro da corrente
mística, Salomão é considerado um dos grandes iniciados.
(**) Jeroboão I
Origem: Wikipédia, a
enciclopédia livre.
Jeroboão I foi o primeiro rei de Israel após a divisão do anterior reino de
Israel em novos dois reinos. Pertencia à Tribo de Efraim, seu pai chamava-se
Nebate e sua mãe Zeruá. Ainda jovem, serviu ao rei Salomão como chefe dos
trabalhadores em algumas obras. (I Reis 11:26)
Ainda no reinado de Salomão, Jeroboão tinha provocado uma revolta contra ele,
mas foi derrotado e refugiou-se no Egipto. Nessa ocasião, já era Sheshonq I (na
Bíblia, ele é chamado Sisaque) o Faraó do Egipto. Após a morte de Salomão as 10
Tribos de Israel não aceitaram seu filho Roboão como novo rei, achavam-se
subjugados duramente por Salomão.
Então as dez tribos aclamaram Jeroboão, que havia voltado do Egipto após a morte
do Rei Salomão, como seu rei, num reino que continuaria com o nome de reino de
Israel (também chamado de Reino de Efraim [por ser a maior das dez tribos],
Reino das 10 Tribos, Reino de Israel Setentrional, mais tarde, Reino da
Samaria). (I Reis 12:20)
Roboão reinaria unicamente sobre as tribos de Judá e Benjamim, num reino que
passaria a chamar-se de Reino de Judá.
Depois de ser aclamado rei pelas 10 Tribos em Siquém, Jeroboão escolheu Siquém
como capital, na região montanhosa de Efraim, mas depois mudou a capital para
Penuel. (I Reis 12:25). No seu 5.º ano de reinado, o Faraó Sheshonq I realiza
uma expedição militar na Palestina.
Procurou impedir que os seus súbditos tivessem que se deslocar ao Templo de
Jerusalém, capital do Reino de Judá, para adoração. Temendo que isso pudesse
promover a reunificação dos reinos, Jeroboão mandou erigir dois santuários com
bezerros de ouro no seu reino, em Dã, no norte do país, e outro, em Betel, no
sul. (I Reis 12:29)
Reinou durante 22 anos, sucedendo-lhe no trono Nadabe, seu filho.
Reino de Israel: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Reino de Israel, de acordo com a Bíblia, foi a nação formada pelas 12 Tribos
de Israel, um povo descendente de Jacó, Isaac e Abraão.
O reino surge em meados do séc. XI a.c. na sequência da unificação das 12 tribos
sob a chefia de Saul, seu 1º rei.
Após o Êxodo do Egipto, sob a liderança de Moisés, os israelitas que eram
nómadas vaguearam pelo médio oriente durante décadas até que no final do sec.
XIII a.C. sob a liderança de Josué os israelitas conquistam a terra de Canaã,
abandonam o nomadismo e estabelecem-se nas terras conquistadas, dividindo o
território entre as 12 tribos.
Contudo não existia um verdadeiro poder central pois cada tribo governava a si
própria. Os lideres nacionais, que se designavam "Juízes" tinham um poder muito
frágil e só conseguiam unir as várias tribos em caso de guerra com os povos
inimigos. A união entre as tribos era tão frágil que por vezes se guerreavam
entre si.
Cansados destas situações as tribos israelitas resolveram unir-se e instaurar a
monarquia. O profeta Samuel, último dos Juízes, designou Saul, da Tribo de
Benjamim, como o primeiro Rei de Israel. O seu reino abrangia a região
montanhosa de Judá e de Efraim, e tinha a sua capital em Gibeal.
Uso do termo Israel
Israel, em hebraico Yisra El, significa "Contendor com Deus". (Génesis 32:22-28)
Jacó é frequentemente chamado de Israel, que segundo a Bíblia, deve o seu nome
por ter lutado com um anjo por uma benção. É sinónimo dos 12 filhos de Jacó e da
nação fundada nas 12 tribos. Após Salomão, com a divisão do Reino em 2 partes,
designa o Reino de Israel Setentrional (ou Reino das 10 Tribos).
Reino de Israel Setentrional
Roboão, filho de Rei Salomão, sucede-lhe como rei. Porém, o Reino de Israel fica
dividido em dois: a Norte, o Reino das 10 Tribos, também chamado de Reino de
Israel com capital em Siquém, e no Sul, o Reino das 2 Tribos, chamado Reino de
Judá, cuja capital ficou sendo Jerusalém.
Reino de
Judá
Entidade
nacionalista criada na Palestina, face ao reino rival de Israel, pelas tribos do
Sul, a seguir à morte de Salomão. Os soberanos mais marcantes deste reino
(931-587 a. C.), foram Roboão, Josafat, Atalia (cujo reinado foi marcado por uma
grave crise política e religiosa), Osias, Acab, Ezequias, Josias e Sedecias. O
reino de Judá foi muito afectado pela derrocada do reino de Israel, na altura da
queda de Mamaria, em 721. Ezequias (716-687) iniciou uma profunda reforma
religiosa e uma restauração nacional; porém, pondo-se ao lado do Egipto para
evitar a dominação da Assíria, teve de pagar a esta, vitoriosa, um pesado
tributo. Após a queda de Nivive no ano 612 a.C, a Babilónia tomou o lugar da
Assíria e atacou Jerusalém, que caiu no ano de 587 a. C. sob os golpes de
Nabucodonosor (*). O Templo foi destruído e a elite da população, deportada para
a Babilónia.
(*)Nabucodonosor
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nabucodonosor II, (c. 632 a.C.- 562 a. C.), é o filho e sucessor do Rei
Nabopolassar, e governou durante 43 anos o Império Neo-babilónico, entre 604
a.C. a 562 a.C.. Não deve ser confundido com Nabucodonosor I. É o mais conhecido
governante do Império Neo-babilónio. Casou-se em 612 a.C. com a filha de
Ciáxares, rei da Média. Foi sucedido pelo seu filho Evil-Merodaque. Ficou famoso
pela conquista do Reino de Judá e pela destruição de Jerusalém e seu Templo em
587 a.C., além de suas monumentais construções na cidade da Babilónia: entre
elas, os Jardins Suspensos da Babilónia, que ficaram conhecidos como uma das
sete maravilhas do mundo antigo.
Seu reinado
Após a morte do rei assírio Assurbanipal, em 631 a.C., o Império Assírio entrou
em declíno, devido às revoltas dos povos dominados. Nabopolassar conquista
Ninive em 612 a.C. com a ajuda dos Medos, seu vizinhos. O que resta do Império
Assirio sucumbe definitivamente em 605 a.C. Assim nasceu o Império
Neo-babilónio, muito mais grandioso que o de Hamurabi.
Nabucodonosor II expandiu seu império, conquistando boa parte da Cilícia, Síria,
Fenícia e Judeia. Tomou Jerusalém e levou em cativeiro um grande número de seus
habitantes, episódio conhecido como a primeira Diáspora Judaica ou o "cativeiro
babilónico". (vide II Reis cap. 25 e Daniel cap. 1.) Derrotou o exército egípcio
sob Faraó Neco II em Carquemish, 605 a.C., e em Hamat, anexando o território da
Síria. Cercou Tiro durante 13 anos, de 585 a.C. a 572 a.C..
Nabucodonosor II, restabeleceu o sistema de irrigação, restaurou os templos da
Babilónia, protegeu sua capital com linhas de muralhas dupla e um muro entre os
rios Tigre e Eufrates ao Norte de Babilônia. Entre as grandes obras que
embelezaram a Babilónia, ficaram particularmente famosos os Jardins Suspensos da
Babilónia (terraços jardinados construídos em pátios elevados sustentados sobre
colunas para agradar à sua mulher, uma princesa meda) e um zigurate
(Torre-templo em forma piramidal com mais de 90 metros de altura).
Jeoaquim, Rei de Judá, torna-se seu vassalo em 604 a.C., mas pouco depois se
rebela. Em 598 a.C., os exércitos babilónicos cercam a cidade. Jeoaquim morre,
sendo sucedido pelo seu filho, Joaquim, como Rei de Judá. Joaquim rende-se
voluntariamente e parte para o Exílio em Babilónia. Seu tio Zedequias, é nomeado
Rei de Judá. Mas Zedequias, com apoio de sua corte, preferiu rebelar-se contra
Nabucodonossor II e confiar na ajuda do Egipto. Onze anos depois, em 587 a.C., o
exército de Nabucodonossor II invade o Reino de Judá, tomando as cidades
fortificadas de Azecá e Laquis. Depois, inicia o cerco final de 18 meses a
Jerusalém. A cidade de Jerusalém e seu Templo são destruídos, restando apenas
ruínas fumegantes.
Personagem bíblico
Descrito na Bíblia como muito soberbo e orgulhoso nos seus feitos, é revelado
pelo gran profeta judeu Daniel que seria rebaixado por "um tempo" pelo Deus de
Israel, se não deixasse de se engrandecer e não se humilhar aos Seus desígnios.
Não dando atenção ao que lhe fora dito, Daniel escreve que o rei perdeu a razão
temporariamente, passando a viver como um animal entre os animais do campo,
alimentando-se de ervas durante 7 anos. Findo esse tempo, inesperadamente terá
recuperado a razão e restabelecido no trono. O relato termina dizendo que o rei
reconheceu o seu erro dizendo: "Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e
glorifico ao Rei do Céu, porque todas as suas obras são verdade, e os seus
caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba." (Daniel 4:37)b
Os israelitas descrevem o sofrimento causado por Nabucodonosor com esta frase: À
beira dos rios da Babilónia sentamos e choramos - "Super flumina Babiloniae ibi
sedimus et flevimus".
Reino de
Judá: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Reino de Judá limitava-se ao Norte com o Reino de Israel Setentrional, a Oeste
com a inquieta região costeira da Filístia, ao Sul com o Deserto do Negueve, e a
Leste com o Rio Jordão e o Mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região
montanhosa, fértil, relativamente protegida de invasões estrangeiras (o
território da Tribo de Judá manteve-se basicamente o mesmo durante os mais de
300 anos de sua existência). Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o
Templo do Deus de Israel mandado construir pelo Rei Salomão para abrigar a Arca
da Aliança (ou Arca do Pacto).
Após a Divisão do Reino, no 6.º ano do Rei Roboão, o Faraó Sheshonq I) invade a
Palestina e transforma o Reino de Judá num estado tributário. Esse fato é pouco
evidenciado no relato bíblico, mas comprovado por inscrições egípcias.
(Inscrição mural sobre Sheshonq I no Templo de Karnac e a Estela de Megido).
Devido à sua posição estratégica às portas da Península do Sinai e acesso ao
Baixo Egito, foi utilizada pelo Faraó como um Estado "tampão", o que lhe
pouparia de usar seus próprios exércitos para defender esta fronteira.
O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filísteus.
Entretanto, o principal adversário político e militar do Reino de Judá foi o
Reino de Israel Setentrional. Inúmeras vezes travaram-se batalhas entre as dois
reinos, com vitórias pouco significativas alternando-se em cada lado. Israel
Setentrional tornou-se fortemente influenciado pela cultura cananéia e pela
religião fenícia, enquanto Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à
sua fé em YHVH, o Deus de Israel (Jahvé ou Jeová). O culto a YHVH e preservação
da linhagem real dávidica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com
os profetas do Velho Testamento, a justificativa para a misericórdia de Deus
sobre o Reino de Judá, ao passo que o politeísmo de Israel Setentrional teria
sido responsável por sua ira sobre seus governantes (enquanto o Reino de Judá
permaneceu sob a dinastia dos descendentes do Rei David, o Reino de Israel
Setentrional passou por várias dinastias e golpes de Estado).
O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a
capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio Sargão, em 722 a.C.. Mais
tarde, o Rei Senaqueribe invade o Reino de Judá e sitia Jerusalém, mas sem a
conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi "subitamente destruído por obra
de Deus". Outros autores, de orientação científica, crêem ser provável que
rebeldes entre os próprios assírios tenham se levantado após uma campanha
militar tão longa na Palestina, até porque Senaqueribe não era muito querido nem
mesmo por seus súbditos. De qualquer forma, o Reino de Judá se viu pela primeira
vez ameaçado por forças estrangeiras.
Lista dos Reis
Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias estabelecidas
por William F. Albright ou Edwin R. Thiele, ou a nova cronologia de Gershon
Galil. Todas elas são indicadas no quadro. Todas as datas são A.C. (Antes de
Cristo).
A queda do Reino de Judá
Segundo o Velho Testamento, Manassés, Rei de Judá, teria feito o que é mau aos
olhos de Deus, e por causa de suas obras, todo Judá estava condenado ao exílio e
à escravidão. Em verdade, ocorreu após o reinado de Ezequias um declínio na
força política, económica e militar de Judá, talvez acelerada pelo vácuo deixado
pela queda de Israel (apesar das desavenças, ainda um importante parceiro
comercial) ao norte e sua ocupação pelos assírios. O declínio do Egipto, da
Fenícia e das nações vizinhas também contribuiu para o isolamento de Judá.
Durante o reinado de Josias, Rei de Judá, o Faraó Neco II, aliado do já
decadente Império Assírio, empreendendo uma guerra contra os exércitos de
Babilónia. Em 609 a.C., trava-se a Batalha de Megido. O Rei de Judá entra em
batalha para deter o exército egípcio do Faraó Neco II, mas acaba por ser morto.
Seu filho Joacaz é levado prisioneiro após 3 meses de reinado, e o Reino de Judá
se torna tributário do Egito. Neco II impôs a coroação do irmão de Joacaz,
Eliaquim, e mudou-lhe o nome para Jeoaquim. Em 605 a.C., trava-se a Batalha de
Carquemish com a derrota definitiva de Neco II.
A leste, a Assíria sofreu um rápido declínio, e em poucos anos seu território
foi absorvido pela Babilónia. Nabucodonosor II, rei da Babilónia, empreendeu uma
campanha militar contra Judá. Enfrentando pouca resistência, conseguiu entrar em
Jerusalém, em 597 a.C., e levou consigo utensílios do Templo e o próprio rei
Jeoaquim como prisioneiro. Em seu lugar, estabeleceu o filho de Jeoaquim,
Joaquim, como Rei de Judá. Joaquim, com 8 anos de idade, teve o mesmo destino de
seu pai 3 meses e 10 dias depois de sua coroação. Nabucodonosor então colocou
sobre o trono o irmão de Joaquim, Zedequias.
Governando como vassalo da Babilónia, o Rei Zedequias manteve-se no poder por 11
anos, quando então rebelou-se contra Nabucodonosor, provavelmente ao recusar-se
pagar tributo. Foi o suficiente para que invadisse Jerusalém, matasse seus
habitantes, despojasse o Templo de todos os seus bens de valor e ateasse fogo a
ele. O Reino de Judá deixou assim de existir.
O destino de Judá
No território de Judá permaneceram apenas os mais pobres. Todo o restante do
povo que sobreviveu ao ataque de Nabucodonosor II foi levado às cidades do reino
da Babilónia. O período de cativeiro na Babilónia fez crescer entre o povo de
Judá um sentimento de identidade racial e religiosa indissolúvel. O relato
bíblico deste período entre a conquista de Jerusalém e a conquista da Babilónia
por Ciro II da Pérsia é onde primeiramente se utiliza de forma consistente o
termo "judeu" para identificar o povo de Judá, ou aqueles da mesma raça e
seguidores da mesma religião daquele povo. A nação judaica sobreviveu para
retornar à Palestina e repovoar a província persa de Judá (Yehud), mais tarde
denominada Judeia pelos romanos.
A história de Judá após Exílio na Babilónia passou a ser a mesma do próprio povo
Judeu, até os dias de hoje.
REINO DE
JUDÁ
jesusvoltara.com.br/dicionariobiblico/juda_reino.htm
A união entre as tribos do sul e do norte era apenas artificial, e foi mantida
apenas enquanto governantes com personalidade forte como David e Salomão
estiveram no trono. Quando um rei mais fraco tomou o trono após a morte de
Salomão, as tribos do norte separaram-se definitivamente de Judá. Com a excepção
de tribo sacerdotal de Levi, que aparentemente na sua maioria se mudou para o
território de Judá (2Cr 11:5-14), apenas a tribo de Benjamim ficou no reino do
sul. A partir dessa altura e durante cerca de 345 anos (c. 931 a 586 B.C.), a
história da tribo de Judá é, na sua maior parte, a história do reino de Judá.
Durante esse período 19 reis, todos descendentes de David, e uma rainha, a cruel
Atália, reinaram sobre o reino do sul, que consistia nos territórios de Judá e
Benjamim, e, por algum tempo, o de Edom. Era frequente haver guerra com o reino
do norte (1Rs 14:30; 1Rs 15:7, 16; 2Rs 14:11, 12; 2Rs 16:5). Ocasionalmente
invasões de outras nações tinham de ser combatidas. O primeiro invasor foi o rei
Sisac do Egipto no tempo de Roboão (1Rs 14:25-28; 2Cr 12:1-12). Mais tarde, no
tempo de Asa, Zera o Etíope veio contra Judá (2Cr 14:9-15), e finalmente a nação
foi atacada pela Assíria e pela Babilónia (2Rs 18:14; 2Rs 24:10; etc.). No
reinado do rei Jorão, Edom foi perdida permanentemente (2Cr 21:8-10), o que
tornou Judá num estado relativamente insignificante. Devido a esta situação Judá
devia a sua sobrevivência à fraqueza do Egipto, e à existência do reino de
Israel como um estado tampão contra os inimigos do norte, os Sírios e os
Assírios. Durante os últimos anos do reino de Israel, Judá reinado por Acaz
tornou-se num estado vassalo dos Assírios (2Rs 16:7-10), e depois da queda da
cidade de Samaria em 723/22 B.C., a sua fronteira norte estava adjacente a uma
província assíria. Durante os 100 anos seguintes Judá ou tinha de pagar um
tributo pesado à Assíria ou era invadido, como no tempo do rei Ezequias (2Rs
18:13-16). Um dos seus reis, Manassés, foi mesmo levado para a Mesopotâmia como
refém e passou algum tempo na prisão (2Cr 33:11-13). Durante o declínio da
Assíria depois da morte de Asurbanipal e até a sua destruição completa depois da
captura de Niníve pelos medos e babilónios, Judá teve um período onde pode
respirar de alívio e no reinado do rei Josias estendeu a sua autoridade sobre
algumas partes do antigo reino de Israel (2Cr 34:6, 7). No entanto, Josias
encontrou-se entre o Egipto, que, no reinado do rei Neco, aspirava a retomar o
domínio sobre a Palestina, e Babilónia, que se considerava a herdeira do império
assírio. Josias aparentemente escolheu aliar-se à Babilónia, pois perdeu a sua
vida numa batalha contra Neco (2Rs 23:29, 30; 2Cr 35:20-24). Durante as 2
décadas da sua existência depois da morte de Josias, Judá alternou as suas
alianças entre o Egipto e a Babilónia, viu o seu território repetidamente
invadido por exércitos estrangeiros, viveu 3 capturas de Jerusalém, a sua
capital, e finalmente sofreu a destruição da sua soberania e de suas cidades, e
testemunhou a deportação da maior parte da sua população para a Babilónia (2Rs
23:31 a 2Rs 25:21; 2Cr 36:1-20). Alguns dos judeus que ficaram no país pelos
babilónios migraram para o Egipto para escapar à ira de Nabucodonozor depois de
alguns judeus fanáticos mataram Gedalias e a guarnição caldeia (2Rs 25:22-26).
Aparentemente apenas um pequeno e insignificante grupo permaneceu no território.
Durante os 4 séculos da história de Judá, a adoração a Deus era frequentemente
acompanhada pela adoração de deuses pagãos a quem santuários e lugares de culto
foram erigidos desde o tempo de Salomão até o fim do reino (1Rs 11:4-8; 1Rs
14:22-24; 2Rs 21:1-7; etc.). Embora o país não tenha demonstrado a profundidade
da idolatria encontrada do reino do norte, Judá era praticamente uma nação
semi-pagã durante o período dos reis. Alguns reis, como Asa (1Rs 15:12-14),
Josafat (1Rs 22:43-46), Ezequias (2Rs 18:1-4), Josias (2Rs 22:1-20), fizeram
sérias tentativas para eliminar a idolatria e cultos pagãos. Estas reformas, no
entanto, foram temporárias, e o povo mergulhou uma vez mais no paganismo. Esta
foi a principal razão para a queda da nação (2Cr 36:14-16; Jr 22:6-9; etc.).
ENCONTRADAS
AS DEZ TRIBOS PERDIDAS
Por Asher Intrater -
www.tikkunministries.org
O reino de Israel atingiu seu auge na época de David e Salomão, aproximadamente
1000 anos antes do tempo de Yeshua. Durante o reino do filho de Salomão, Roboão,
as dez tribos do norte de Israel se separaram de Judá e Benjamim. Desse modo, o
reino foi dividido em tribos do norte em Israel e tribos do sul em Judá.
Esta divisão tornou-se o objecto da esperança messiânica de serem reunificadas
pelo futuro Messias (Ezequiel 37:12). Há também um sentido simbólico de que as
tribos do norte representem a igreja internacional, enquanto as tribos de Judá
representem o povo judeu e a nação de Israel. Todavia, esses dois pontos de
vista são proféticos e simbólicos, não históricos ou genealógicos.
As tribos de Israel ao norte foram levadas ao exílio pelos assírios no século
oitavo AC, e as tribos de Judá ao sul foram levados ao exílio durante o século
sexto. A Bíblia regista que, após o exílio, Judá voltou para a terra de Israel
durante o século quinto AC.
Uma vez que não há uma descrição maior da restauração das tribos do norte, muita
especulação e curiosidade têm surgido no decorrer dos anos com relação à
pergunta: “Onde estão as dez tribos perdidas?”
Uma tendência interessante, contudo perigosa, é que muitos grupos de seitas
cristãs alegam ser descendentes das dez tribos do norte. Isso abrange desde
grupos do Japão aos nativos americanos. Existem alguns elementos no Mormonismo e
nas Testemunhas de Jeová que fazem reivindicação semelhante. Isso já chegou a
afectar até mesmo partes do movimento Sionista Cristão.
A verdade é que não existem dez tribos perdidas. Na ocasião da divisão do reino
e dos exílios, uma determinada percentagem de cada uma das tribos do norte
desceu e fixou residência na área de Judá. Depois desse tempo, o nome Judá ou
Judeus referia-se não apenas à tribo específica de Judá, mas também à tribo de
Benjamim, os Levitas e o remanescente de todas as tribos do norte.
Não existem dez tribos perdidas. Todas as tribos de Israel estão incluídas no
que hoje chamamos o povo judeu. Existem sete evidências bíblicas básicas que
provam essa posição.
O RESTO DE ISRAEL EM JUDÁ (II CRÔNICAS)
O livro de II Crónicas regista diversas vezes que os membros das tribos do norte
imigraram para Judá depois da divisão do reino. Isso ocorreu logo depois do
momento da divisão.
II Crónicas 10:16-17 diz: “Então, Israel se foi às suas tendas. QUANTO AOS
FILHOS DE ISRAEL, PORÉM, QUE HABITAVAM NAS CIDADES DE JUDÁ, sobre eles reinou
Roboão.”
Não poderia ser explicado mais claramente que existiam membros das tribos
israelitas vivendo no território de Judá. II Crónicas 11:3 declara que Roboão
era o rei não apenas de Judá, mas de TODO o Israel em Judá e Benjamim. II
Crónicas 11:16-17 afirma que os membros de TODAS as tribos de Israel que eram
leais a D-us desceram a Jerusalém e fortaleceram o reino de Judá.
II Crónicas 15:9 nos conta que durante o reavivamento do Rei Asa existiam
“muitos de Israel” que vieram para Judá. II Crónicas 24:5 fala dos membros
reunidos de todas as tribos de Israel. II Crónicas 30:21 e 25 fala dos filhos
das tribos israelitas que vieram para Judá durante o tempo do Rei Ezequias. II
Crónicas 31:6 fala novamente dos filhos de Israel que habitavam nas cidades de
Judá.
II Crónicas 30:10 faia dos membros das tribos de Efraim, Manassés, Zehulom e
Aser vindo para Jerusalém. II Crónicas 30:18 também menciona a tribo de Isacar.
II Crónicas 34:6 acrescenta a isso membros de uma lista dc tribos de Simeão e
Naftali. II Crónicas 34:9 afirma claramente que existiam membros de ‘TODO O
RESTO DE ISRAEL”, que estavam vivendo em Jerusalém depois do período de exílio
assírio. II Crónicas 35:3 menciona novamente que existiam membros de “todo o
Israel” que faziam parte de Judá.
EXÍLIO RESTAURADO (ESDRAS E NEEMIAS)
Depois do exílio babilónico, a nação de Israel foi restaurada sob a liderança de
Esdras e Neemias. Nesses livros encontram-se vastos registos. O fato de que
existiam cuidadosos registos genealógicos prova que não apenas eram os
israelitas do norte parte da restauração, mas também que mantinham registos de
suas famílias e sabiam a que tribo pertenciam.
Esdras 2:2 começa com os registos do “numero dos homens do povo de ISRAEL”. Esse
mesmo capítulo 2 de Esdras declara que o povo tinha registos genealógicos
específicos não apenas com relação à qual das tribos do norte eles pertenciam,
mas também a que família pertenciam: “provar que as suas famílias e a sua
linhagem eram de Israel.”
Aqueles que possuíam registos, mas não estavam perfeitamente documentados, eram
desqualificados e tinham de esperar por uma verificação sobrenatural por Urim e
Tumim (se eles aparecessem). Isso prova o quanto meticulosos e bem documentados
eram os registros de famílias em sua maioria (Esdras 2:62-63). Esdras 2:70 fala
novamente de “todo” Israel que habitava em Judá depois da restauração de Esdras
e Neemias.
Esdras 6:16 e 21 fala especificamente dos “filhos de Israel que tinham voltado
do exílio”. Esdras 7:7, 9:1, 10:1 e 10:25 fala do problema que os israelitas
tiveram com os casamentos com povos de outras terras.
Neemias 7:7-73 repete a genealogia das tribos israelitas que foi registada em
Esdras 2. Neemias 9:2, 11:3 e 11:20 fala do “restante de Israel em todas as
cidades de Judá”. Neemias 13:3 fala de separação dos gentios, de forma a não
haver confusão nos registos genealógicos de Israel.
O TESTEMUNHO DE ANA (LUCAS 2)
Em Lucas 2:36 a profetisa Ana é relacionada como proveniente da tribo de Aser,
uma das tribos mais ao norte e menos povoada de Israel. Em outras palavras,
temos uma declaração clara no Novo Testamento de que as pessoas que eram
consideradas judias no tempo de Yeshua incluíam pessoas das dez tribos do norte
de Israel, e que elas possuíam documentação genealógica com respeito a quais
tribos pertenciam.
Como poderia a tribo de Aser, por exemplo, estar perdida” 700 anos antes de
Yeshua, se Ana conhecia sua descendência de Aser durante a época do Novo
Testamento?
YESHUA E OS APÓSTOLOS
(EVANGELHOS E ATOS)
Yeshua ministrou por toda a terra de Israel. Levou em conta o povo judeu desse
lugar. Em todos os seus discursos, pressupõe-se que Ele estava falando a todos
os descendentes de Israel. Yeshua nunca mencionou a possibilidade de haver algum
outro grupo ou alguma tribo perdida de Israel circulando em alguma parte.
Na pregação aos judeus do primeiro século, Yeshua disse que Ele foi chamado para
“procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 10:6).
Da mesma forma, os apóstolos se dirigiram às multidões de judeus no primeiro
século, presumindo que eram todos descendentes de Israel. Em Actos 2:22 Pedro se
volta para os “judeus” que viviam em Jerusalém e se refere a eles como “varões
israelitas”. Pedro conclui seu sermão dirigindo-se à multidão como “toda a casa
de Israel” (Actos 2:36). Em outras palavras, aos olhos de Pedro, o povo judeu no
primeiro século incluía todas as tribos de Israel. Pedro manteve essa forma de
abordar as pessoas, como “toda a casa de Israel”, em seus outros discursos
(Actos 3:12, 4:8,4:10,4:27,5:21,5:31,5:35, 10:36).
Paulo também se dirigiu aos judeus do primeiro século como “varões israelitas”.
Continuou a se referir aos judeus como israelitas em todas suas mensagens (Actos
13:23-24, Actos 21:28, Actos 28:20).
Os doze discípulos eram vistos como futuros líderes para “se assentarem nas doze
tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mateus 19:28).
AS DOZE TRIBOS DE TIAGO
A carta de Tiago é endereçada às “doze tribos que se encontram na Dispersão”
Tiago 1:1.
Ele não está se referindo a algumas tribos perdidas, mas ao público de judeus
dispersos que acreditavam em Yeshua no primeiro século. O mesmo argumento é
verdadeiro, conforme observamos a carta aos Hebreus. o grupo aqui chamado
“Hebreus” não era alguma tribo de japoneses ou nativos americanos, pelo
contrário, tratava-se do povo judeu do primeiro século.
O REMANESCENTE DE ISRAEL (ROMANOS 9-11)
Este argumento possui importância específica quando observamos as promessas de
restauração do remanescente de Israel, referido no livro de Romanos, Capítulo 9
a 11. Aqui Paulo expressa sua oração para que os filhos de Israel sejam salvos
(Romanos 9:14, 10:1-4). Esse remanescente a ser restaurado é o remanescente
bíblico de Israel que cumpre as profecias. Eles são as mesmas pessoas que
rejeitaram Yeshua no primeiro século. Não foi alguma tribo perdida que O
rejeitou, porém os judeus que viviam em Israel naquela ocasião. Paulo declara
que D-us não rejeitou o povo de Israel (Romanos 11:1). Há um remanescente de
Israel pela graça (Romanos 11:5). “O que Israel não conseguiu, a eleição o
alcançou.” (Romanos 11:7). A transgressão de Israel significou a salvação das
nações dos gentios (Romanos 11:11). Seu restabelecimento será a ressurreição
dentre os mortos (Romanos 11:12, 15).
O texto inteiro de Romanos 9-11 apenas faz sentido se estiver falando a respeito
do povo que conhecemos hoje como o povo judeu. Se alguém pensar que está se
referindo aos Mórmon, ou Testemunhas de Jeová, ou aos Sionistas Cristãos, ou a
algum outro grupo de povo nativo, o significado todo da passagem estará perdido.
Esse ponto de vista irá destruir as promessas de D-us(*) para Israel, o
propósito do evangelismo em Israel, e o significado da reconciliação entre
Israel e a igreja no final dos tempos.
VISÃO DOS CULTOS
Não é uma coincidência que tantos cultos chegaram à conclusão de que eles sejam
de uma das dez tribos “perdidas” de Israel. Esse ponto de vista está confundindo
seus membros e está incorrecto de acordo com as Escrituras. Essa teologia é
perigosa e enganosa à medida que tentamos compreender as profecias da
restauração de Israel, que levam à segunda vinda do Messias Yeshua.
(*)D-us
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
D-us (D'us) é uma das formas utilizadas por alguns judeus de língua portuguesa
para se referirem ao criador do mundo sem citar seu nome completo, em respeito
ao terceiro mandamento recebido por Moisés.
Outra forma de os judeus chamarem D-us é Adonai ou haShem.
Além da forma D-us, utiliza-se também D'us com o mesmo objectivo. Em outros
idiomas, elimina-se também uma ou mais letras da palavra correspondente, como no
hebraico transliterado El'him ou no inglês G-d / G'd.
Continua no
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