antes de Cristo

Factos, Figuras e Civilizações

(simples apontamentos)

 

13º Bloco

Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação e Arte: Iara Melo

 

(a abreviatura a.C. = a antes de Cristo)

  

 

935 a. C.- Canaã

 

Nome bíblico do país que corresponde, quer ao conjunto Síria-Palestina, quer à faixa do litoral mediterrâneo, e que representa a Terra outrora prometida por Deus aos Hebreus, uma terra fértil onde, segundo o Livro dos Números, correm leite e mel.

 

- Divisão de Canaã: O Livro dos Juízes foi assim chamado pelo grande relevo que nele têm os chefes a quem se deu tal nome (chofetîm). Praticamente o livro é constituído por doze histórias correspondentes aos doze juízes que nele desfilam aos olhos do leitor.
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CONTEXTO HISTÓRICO
Depois da sua chegada a Canaã e do seu esta­be­le­cimento no território, como está descrito em Josué, as doze tribos fica­ram um pouco à mercê dos povos que ainda ocupavam a terra. Cananeus e filisteus continuavam a sua luta para expulsar as tribos israelitas que se tinham infiltrado em algumas parcelas do seu território; e a conquista total da terra e o consequente predomínio dos israelitas sobre os povos locais ficará para mais tarde, no tempo de David (séc. X a.C.).
Depois da morte de Josué, por volta de 1200 a.C. (Js 24), as tribos fica­ram sem um chefe que aglutinasse todas as forças para se defenderem dos inimigos es­trangeiros. A única autoridade constituída era a dos anciãos de cada tribo. Além disso, estas pequenas tribos eram muito independentes entre si, e não era fácil congregá-las. Ficavam, assim, mais expos­tas aos ataques de filis­teus, cananeus, madianitas, amonitas, moabi­tas, todos inimigos históricos de Israel.
QUEM SÃO OS JUÍZES
É nestas circunstâncias que aparecem os Juízes. Não são chefes constituídos oficialmente, mas homens e mulheres carismá­ti­­cos, atentos ao Espírito do Senhor, pessoas marcadas por uma forte perso­na­lidade, capazes de se imporem moralmente perante as outras tribos. Deste modo, quando alguma tribo era atacada, o Juiz congregava as outras para irem em socorro da tribo irmã. Uma outra função que lhes poderia ser atri­buí­da era a de julgar (da raiz chaphat, que significa “admi­nis­trar a justiça”, “pro­teger”), em casos especiais, função que terá estado na ori­gem do nome de “Juízes”.
O tempo dos Juízes é, pois, o tempo da consolidação das tribos no seu ter­ri­tório, perante os inimigos estrangeiros, e o tempo das primeiras tenta­tivas de federação entre as várias tribos com diferentes origens (ver Js 24).
DIVISÃO E CONTEÚDO
Na falta de escrita, as histórias e os feitos dos Juízes passaram pelas tradições orais locais, sobretudo nos santuários, antes de fazerem parte da memória colectiva de Israel.
Com o aparecimento da monarquia e a consequente organização política, social e religiosa, todo este material de carácter histórico, mítico, poético e etio­lógico entrou no espólio colectivo de Israel, sendo posteriormente orga­nizado por blocos lite­rá­rios mais amplos. É costume dividir o livro dos Juízes em dois grandes blocos literários:
I. Tradições sobre a conquista de Canaã (1,1-3,6).
II. História dos Juízes (3,7-16,31). Nestes, é costume distinguir: Juízes Maiores ou “salvadores”: Oteniel (3,7-11), Eúde (3,12-30), Dé­bora e Barac (4,1-5,32), Gedeão (6,11-8,35), Jefté (11,1-40) e Sansão (13,1-16,31); Juízes Menores, que constituem um bloco literário acrescentado mais tarde: Cha­megar (3,31), Tola (10,1-2), Jair (10,3-5), Ibsan (12,8-10), Elon (12,11-12) e Abdon (12,13-15). Deste modo se formou o “Livro dos doze Juízes de Israel” (3,7-16,31).
III. Apêndices: 17-18, sobre a tribo de Dan, e 19-21, sobre a de Benjamim.
Posteriormente foram acrescentadas duas introduções: 1,1-2,5, que apre­senta a situação geral das tribos depois da morte de Josué; e 2,6-3,6, que apre­senta a História de Israel como uma “História Sagrada”: pecado do povo – castigo de Deus – perdão de Deus. É a concepção deuteronomista da História de Israel, em cujo contexto teológico deverá situar-se este livro.
O livro contém igualmente dois apêndices: os capítulos 17-18, que nar­ram a migração da tribo de Dan do Sul para a nascente do Jordão, no Norte; e os capítulos 19-21, que narram o crime dos habitantes de Guibeá, da tribo de Benjamim, tribo que será destruída.
Todas estas tradições, que andavam de boca em boca, juntamente com as de outros heróis nacionais, entram numa colecção comum depois da queda da Samaria (722/721 a.C.). Mas só durante ou mesmo depois do exílio da Babilónia é que o livro foi integrado na grande História de Israel, concluída pelos redactores deuteronomistas e composta pelos seguintes livros: Dt, Js, Jz, 1 Sm, 2 Sm, 1 Rs e 2 Rs.
A estes redactores se devem, certamente, as intro­duções gerais já men­cionadas (Jz 1,1-3,6), assim como a introdução a cada um dos Juízes. Esta redacção deuteronomista conferiu uma unidade teoló­gica a todo o livro, que passou de amálgama de histórias locais a um livro de carácter nacional.
VALOR HISTÓRICO
O livro dos Juízes é um dos chamados “Livros His­tóricos” da Bíblia, mas é histórico segundo o modo de escrever História no seu tempo. Nesse género literário cabiam não apenas os factos e os documen­tos, como acontece na historiografia moderna, mas também o mito, discur­sos (veja-se o belo apólogo de Jotam: 9,7-20), etiologias, peque­nos factos do dia-a-dia, etc. Este livro fornece-nos um quadro geral único do modo de vida das tribos de Israel, depois da instalação em Canaã, no que toca à vida política, social e religiosa. É também interessante o facto de nos falar já do difícil relacionamento entre algumas tribos, que irá ter o seu desenlace na separação entre o Norte e o Sul, depois de Salomão.
O tempo dos Juízes corresponde a mais de dois séculos de História, o que lhe confere um valor especial, embora a contagem dos anos fornecidos pelo texto nos dê exactamente 410 anos. Este facto é certamente devido ao uso corrente do número simbólico 40, que significa uma geração, isto é, a vida de uma pessoa. Esta indicação diz-nos bem do carácter aproximativo dos dados cronológicos do livro. A cronologia real da época dos Juízes nunca poderá afastar-se muito do período entre 1200 e 1030.
TEOLOGIA
Como qualquer livro da Bíblia, também o dos Juízes não foi escrito para nos fornecer simplesmente a História factual das tribos de Is­rael. Antes de mais, foi escrito para manifestar como Deus acompanha o seu povo na sua História concreta, mesmo no meio dos mais graves aconte­cimen­t­os, como as guerras contra os povos inimigos.
A sua teologia funda­mental é proposta pelos redactores deuteronomistas nas Introduções (1,1-3,6), em que aparecem fórmulas características como «os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor» (2,11; 3,7.12; 4,1; 6,1; 10,6; 13,1). Desta infidelidade do povo ao Deus fiel da Aliança segue-se o castigo, que aparece nas derrotas perante os povos estrangeiros; e depois, a vitória, mediante os intermediários do Senhor, os Juízes “salva­dores” (3,31; 6,15; 10,1). A ideia teológica que ressalta deste livro é, pois, a imagem que um povo livre tem de Deus, que o acompanha para o libertar.
Não nos devem escandalizar os “pecados” destes Juízes, homens rudes que precisamos de situar no seu tempo e que procedem segundo a moral de então. Caso paradigmático é a história de Sansão (*). Teremos que tentar, antes, descobrir o que há neles de positivo: a acção de Deus, que os anima com o seu espírito para conduzir o povo de Deus (3,10; 6,34; 11,29; 13,25). Neste sentido, eles foram uma antecipação dos reis de Israel.

(*)A história de Sansão
Logo depois da conquista da terra prometida sob a liderança de Josué, o povo de Israel abandonou o Senhor e começou a adorar os baalins e a Astarote. Por isso, Deus entregou os israelitas nas mãos de Cusã-Risataim, o rei da Mesopotâmia, que oprimiu a nação durante oito anos. Daí quando os israelitas clamaram ao Senhor, ele levantou Otniel para libertá-los. Este ciclo (de infidelidade, opressão, oração e salvação) se repetiu múltiplas vezes no livro de Juízes. Pelo final do livro uns doze juízes tinham-se levantado para salvar o povo das mãos das nações opressoras. Nestes ciclos o povo de Israel piorou cada vez mais (2:19, todas as citações neste artigo que não mencionam o livro são de Juízes), e a qualidade dos juízes reflectiu a postura do povo.
Assim, o último juiz do livro, Sansão, foi o pior de todos. Ele tinha tudo para ter êxito. Antes do nascimento dele, o Anjo do Senhor apareceu aos pais para exortar sua mãe a que se consagrasse ao Senhor e que o filho fosse dedicado ao Senhor como nazireu pela vida inteira. Quando ele cresceu, o Espírito do Senhor entrou nele e agiu nele. Sansão ganhou pela vontade do Senhor força sobrenatural e conseguiu fazer coisas inconcebíveis. Não houve nenhum motivo para que ele falhasse.
O problema chave na vida de Sansão se resume na primeira sentença que descreve a vida dele: "Desceu Sansão a Timna; vendo em Timna uma das filhas dos filisteus..." (14:1). Desta vez ele pediu que os pais conseguissem esta mulher para ele mas eles responderam: "Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos ou entre todo o meu povo, para que vás tomar esposa dos filisteus, daqueles incircuncisos? Disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque só desta me agrado" (14:3). Deus já havia mandado que Sansão iniciasse a libertação dos israelitas das mãos dos filisteus, porém ele estava apaixonando-se por mulher filisteia (13:5)! Isso provocou terríveis complicações (veja capítulos 14 e 15). "Sansão foi a Gaza, e viu ali uma prostituta, e coabitou com ela" (16:1). "Depois disto, aconteceu que se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, a qual se chamava Dalila" (16:4). Nestes dois casos, houve dificuldades. Por último, ele revelou o segredo da sua força a Dalila e ela cortou seu cabelo, o que permitiu aos filisteus prenderem-no e cegarem-no. Ele ficou escravo. Sansão se parecia muito com os próprios israelitas. Os dois nasceram de forma milagrosa, foram chamados a dedicação a Deus, receberam o Espírito de Deus, mas correram atrás das coisas (mulheres/ídolos) dos estrangeiros. O Senhor abandonou tanto Sansão como Israel sem nem eles terem percebido. Eles se tornaram escravos dos filisteus. É triste que Sansão e Israel tivessem tanto potencial, mas perdessem tudo por causa da sua infidelidade ao Senhor.

 

 

Reinos de Israel e Judá

 

 

Reino de Israel

Reino que agrupou de 931 a 721 a. C. as tribos do Norte da Palestina após a cisão do reino hebreu, na sequência da morte de Salomão (*). A capital era Samaria. Minado pela instabilidade política e pelas rivalidades fratricidas com o reino de Judá, sucumbiu aos ataques dos Assírios, que deportaram a sua população. A monarquia de Israel teve como característica a instabilidade política. Em escassos dois séculos, contaram-se uns 20 reis. Os mais importantes foram Jeroboão I (*) (931-910), o primeiro deles, que estabeleceu a capital em Siquém; omri (885-874) que fundou Samaria w aí instalou a sua residência; Acab (841-814); Jeroboão II (783-743, o último grande rei de Israel. Carecendo de realismo em política externa, o reino caiu sob os ataques dos assírios com a tomada de Samaria por Sargão II, em 721 a.C. O escol da população foi então deportado, enquanto os colonos mesopotâmicos se instalaram no país.

As tribos de Israel, é um conjunto das unidades que formavam a divisão administrativa do povo hebreu. Tinha como antepassados, segundo a tradição, os 12 filhos de Jacob (também chamado Israel): Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zabulão, Dão, Neftali, Gad, Aser, José e Benjamim. Quando se fixaram em Canaã, as tribos ocuparam cada uma delas um determinado território, excepto a de Levi, especialmente votada ao serviço de Javé. A de José, no entanto, mais numerosa, cindiu-se em duas sob o patrocínio de Efraim e de Manasses, filho de José, ficando a Palestina dividida em 12 entidades territoriais.

(*) Salomão: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Rei Salomão (segundo algumas cronologias, reinou de 1009 a.C. a 922 a.C), filho do Rei David com Bate-Seba, tornou-se no terceiro rei de Israel (reino ainda unificado) e reinou durante quarenta anos. O nome Salomão ou Shlomô ,deriva da raiz Shalom, que significa "paz", tem o significado de "Pacifico". Foi adicionalmente chamado de Jedidias,  pelo profeta Natã, nome que em hebraico significa "Amado de IHVH". (II Samuel 12:24, 25)
Foi quem ordenou a construção do Templo de Jerusalém, no seu 4.º ano, também conhecido como o Templo de Salomão. Depois disso, mandou construir um novo Palácio Real para o Papa, o Palácio da Filha de Faraó, a Casa de Cedro do Líbano e o Pórtico das Colunas. A descrição do seu Trono era exemplar único em seus dias. Mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como diversas cidades fortificadas e torres de vigia.
Salomão se notabilizou pela sua grande sabedoria, prosperidade e riquezas abundantes, bem como um longo reinado sem guerras. É uma personagem bíblica envolta em muitos mitos e lendas extra-bíblicas. Foi após a sua morte, que ocorre o previsto cisma nas Tribos de Israel, originando o Reino de Judá (formado pelas 2 Tribos), ao Sul, e o Reino de Israel Setentrional (formado pelas 10 Tribos), ao Norte.
Reinado de Salomão
Adonias, filho primogénito de David, proclamou-se pretendente ao Trono e sucessor de seu pai. Segundo os profetas, era da vontade Divina que o sucessor fosse Salomão, filho de David e Bate-Seba. Visto que Salomão não era o herdeiro imediato ao Trono, isso levou a intrigas e conspirações pelos partidários de Adonias. O direito de Salomão ao trono é assegurado mediante ação decidida de sua mãe, do Sumo Sacerdote Zadoque e do profeta Natã, com aprovação do idoso Rei David. Logo que se tornou rei, Salomão eliminou todos os conspiradores e consolidou o seu reinado.
Diferente de seu pai, Salomão não se tornou num líder guerreiro, e isso, não foi preciso. Soube manter a grande extensão territorial que herdada de seu pai. Mostrou, de acordo com a tradição judaica cristã, ser um grande governante e um juiz justo e imparcial. Soube habilmente desenvolver o comércio externo e da indústria, as relações diplomáticas com países vizinhos, o que levou a um progresso considerável das cidades israelitas.
Salomão casou com uma filha de Faraó (não identificado) e recebeu como dote de casamento a cidade cananéia de Gezar. Renovou a aliança comercial com Hirão, Rei de Tiro. Ficou conhecido por ter ordenado a construção do Templo de Jerusalém (também conhecido como o Templo de Salomão), no Monte Moriá. Isto ocorreu no seu 4º ano de reinado, exactamente no 480.º ano (479 anos completos mais alguns dias ou meses) após o Êxodo de Israel do Egipto. (Os historiadores e exegetas bíblicos consideram esta data como artificial, embora haja alguns biblistas que a consideram uma sincronização autentica.)
Após isso, mandou construir um novo Palácio Real, o Palácio da Filha de Faraó, a Casa de Cedro do Líbano e o Pórtico das Colunas. Mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como mandou reconstruir fortificar diversas cidades fortificadas (como por exemplo, Megido, Bete-Seã, Hazor ...) e construir cidades-armazens.
Salomão organizou uma nova estrutura administrativa, dividindo as terras em 12 distritos administrativos governados por funcionários nomeados directamente pela administração central. No exército, deu especial importância a cavalaria e aos carros de guerra. Dispunha no porto de Eziom-Geber, no Golfo de Aqaba de uma frota de navios comerciais de longo curso, chamados de "navios de Társis".
Segundo I Reis 11:3, Salomão tinha setecentas mulheres e trezentas cocubinas, e "suas mulheres lhe perverteram o coração" para praticar ecumenismo religioso.
Divisão do Reino
Com a sua morte, Roboão, seu filho, sucedeu-lhe no trono. Em vez de ouvir o conselho sábio dos anciãos das tribos de Israel para aliviar a carga tributária e os trabalhos compulsivos impostos por seu pai, ele mandou aumenta-los. Isso levou à rebelião das tribos setentrionais e à divisão do Reino em dois novos reinos: o Reino de Israel Setentrional (ou Reino das 10 Tribos, tendo como Rei Jeroboão I), e o Reino de Judá (tendo por capital Jerusalém e como rei, Roboão).
Sábio e escritor
Salomão é considerado autor de diversos cânticos, de vários provérbios (alguns deles catalogados posteriormente no livro de Provérbios), obras de poesia sobre o amor romântico (como o Cântico dos Cânticos ou Cânticos de Salomão), e uma obra de cunho filosófico, Eclesiastes). Jesus Cristo fez alusões à sabedoria de Salomão e à magnificência com que vivia. (Mateus 6:29; 12:42; Lucas 11:31; 12;27) Por isto é considerado na tradição judaico-cristã, como o homem mais sábio que já viveu até então. Diz a Bíblia que no seu reinado diversos reis e governantes vinham a Israel fazer perguntas ou conselho ao Rei Salomão.
Tradição posterior
A tradição posterior imputaria a Salomão grande sabedoria e ao seu reinado o status de época áurea. Ele é considerado dentro da tradição judaico-cristã, como o homem mais sábio que já viveu até então. Afirma-se que no seu reinado diversos reis e governantes vinham a Israel fazer perguntas ou conselho ao Rei Salomão, incluindo a rainha de Sabá. Durante os séculos posteriores, diversas obras de outros autores eram imputados a Salomão, para dar-lhes valor. Dentro da corrente mística, Salomão é considerado um dos grandes iniciados.

(**) Jeroboão I
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jeroboão I foi o primeiro rei de Israel após a divisão do anterior reino de Israel em novos dois reinos. Pertencia à Tribo de Efraim, seu pai chamava-se Nebate e sua mãe Zeruá. Ainda jovem, serviu ao rei Salomão como chefe dos trabalhadores em algumas obras. (I Reis 11:26)
Ainda no reinado de Salomão, Jeroboão tinha provocado uma revolta contra ele, mas foi derrotado e refugiou-se no Egipto. Nessa ocasião, já era Sheshonq I (na Bíblia, ele é chamado Sisaque) o Faraó do Egipto. Após a morte de Salomão as 10 Tribos de Israel não aceitaram seu filho Roboão como novo rei, achavam-se subjugados duramente por Salomão.
Então as dez tribos aclamaram Jeroboão, que havia voltado do Egipto após a morte do Rei Salomão, como seu rei, num reino que continuaria com o nome de reino de Israel (também chamado de Reino de Efraim [por ser a maior das dez tribos], Reino das 10 Tribos, Reino de Israel Setentrional, mais tarde, Reino da Samaria). (I Reis 12:20)
Roboão reinaria unicamente sobre as tribos de Judá e Benjamim, num reino que passaria a chamar-se de Reino de Judá.
Depois de ser aclamado rei pelas 10 Tribos em Siquém, Jeroboão escolheu Siquém como capital, na região montanhosa de Efraim, mas depois mudou a capital para Penuel. (I Reis 12:25). No seu 5.º ano de reinado, o Faraó Sheshonq I realiza uma expedição militar na Palestina.
Procurou impedir que os seus súbditos tivessem que se deslocar ao Templo de Jerusalém, capital do Reino de Judá, para adoração. Temendo que isso pudesse promover a reunificação dos reinos, Jeroboão mandou erigir dois santuários com bezerros de ouro no seu reino, em Dã, no norte do país, e outro, em Betel, no sul. (I Reis 12:29)
Reinou durante 22 anos, sucedendo-lhe no trono Nadabe, seu filho.


Reino de Israel: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Reino de Israel, de acordo com a Bíblia, foi a nação formada pelas 12 Tribos de Israel, um povo descendente de Jacó, Isaac e Abraão.
O reino surge em meados do séc. XI a.c. na sequência da unificação das 12 tribos sob a chefia de Saul, seu 1º rei.
Após o Êxodo do Egipto, sob a liderança de Moisés, os israelitas que eram nómadas vaguearam pelo médio oriente durante décadas até que no final do sec. XIII a.C. sob a liderança de Josué os israelitas conquistam a terra de Canaã, abandonam o nomadismo e estabelecem-se nas terras conquistadas, dividindo o território entre as 12 tribos.
Contudo não existia um verdadeiro poder central pois cada tribo governava a si própria. Os lideres nacionais, que se designavam "Juízes" tinham um poder muito frágil e só conseguiam unir as várias tribos em caso de guerra com os povos inimigos. A união entre as tribos era tão frágil que por vezes se guerreavam entre si.
Cansados destas situações as tribos israelitas resolveram unir-se e instaurar a monarquia. O profeta Samuel, último dos Juízes, designou Saul, da Tribo de Benjamim, como o primeiro Rei de Israel. O seu reino abrangia a região montanhosa de Judá e de Efraim, e tinha a sua capital em Gibeal.
Uso do termo Israel
Israel, em hebraico Yisra El, significa "Contendor com Deus". (Génesis 32:22-28) Jacó é frequentemente chamado de Israel, que segundo a Bíblia, deve o seu nome por ter lutado com um anjo por uma benção. É sinónimo dos 12 filhos de Jacó e da nação fundada nas 12 tribos. Após Salomão, com a divisão do Reino em 2 partes, designa o Reino de Israel Setentrional (ou Reino das 10 Tribos).
Reino de Israel Setentrional
Roboão, filho de Rei Salomão, sucede-lhe como rei. Porém, o Reino de Israel fica dividido em dois: a Norte, o Reino das 10 Tribos, também chamado de Reino de Israel com capital em Siquém, e no Sul, o Reino das 2 Tribos, chamado Reino de Judá, cuja capital ficou sendo Jerusalém.

 

Reino de Judá

Entidade nacionalista criada na Palestina, face ao reino rival de Israel, pelas tribos do Sul, a seguir à morte de Salomão. Os soberanos mais marcantes deste reino (931-587 a. C.), foram Roboão, Josafat, Atalia (cujo reinado foi marcado por uma grave crise política e religiosa), Osias, Acab, Ezequias, Josias e Sedecias. O reino de Judá foi muito afectado pela derrocada do reino de Israel, na altura da queda de Mamaria, em 721. Ezequias (716-687) iniciou uma profunda reforma religiosa e uma restauração nacional; porém, pondo-se ao lado do Egipto para evitar a dominação da Assíria, teve de pagar a esta, vitoriosa, um pesado tributo. Após a queda de Nivive no ano 612 a.C, a Babilónia tomou o lugar da Assíria e atacou Jerusalém, que caiu no ano de 587 a. C. sob os golpes de Nabucodonosor (*). O Templo foi destruído e a elite da população, deportada para a Babilónia.

(*)Nabucodonosor
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nabucodonosor II, (c. 632 a.C.- 562 a. C.), é o filho e sucessor do Rei Nabopolassar, e governou durante 43 anos o Império Neo-babilónico, entre 604 a.C. a 562 a.C.. Não deve ser confundido com Nabucodonosor I. É o mais conhecido governante do Império Neo-babilónio. Casou-se em 612 a.C. com a filha de Ciáxares, rei da Média. Foi sucedido pelo seu filho Evil-Merodaque. Ficou famoso pela conquista do Reino de Judá e pela destruição de Jerusalém e seu Templo em 587 a.C., além de suas monumentais construções na cidade da Babilónia: entre elas, os Jardins Suspensos da Babilónia, que ficaram conhecidos como uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Seu reinado
Após a morte do rei assírio Assurbanipal, em 631 a.C., o Império Assírio entrou em declíno, devido às revoltas dos povos dominados. Nabopolassar conquista Ninive em 612 a.C. com a ajuda dos Medos, seu vizinhos. O que resta do Império Assirio sucumbe definitivamente em 605 a.C. Assim nasceu o Império Neo-babilónio, muito mais grandioso que o de Hamurabi.
Nabucodonosor II expandiu seu império, conquistando boa parte da Cilícia, Síria, Fenícia e Judeia. Tomou Jerusalém e levou em cativeiro um grande número de seus habitantes, episódio conhecido como a primeira Diáspora Judaica ou o "cativeiro babilónico". (vide II Reis cap. 25 e Daniel cap. 1.) Derrotou o exército egípcio sob Faraó Neco II em Carquemish, 605 a.C., e em Hamat, anexando o território da Síria. Cercou Tiro durante 13 anos, de 585 a.C. a 572 a.C..
Nabucodonosor II, restabeleceu o sistema de irrigação, restaurou os templos da Babilónia, protegeu sua capital com linhas de muralhas dupla e um muro entre os rios Tigre e Eufrates ao Norte de Babilônia. Entre as grandes obras que embelezaram a Babilónia, ficaram particularmente famosos os Jardins Suspensos da Babilónia (terraços jardinados construídos em pátios elevados sustentados sobre colunas para agradar à sua mulher, uma princesa meda) e um zigurate (Torre-templo em forma piramidal com mais de 90 metros de altura).
Jeoaquim, Rei de Judá, torna-se seu vassalo em 604 a.C., mas pouco depois se rebela. Em 598 a.C., os exércitos babilónicos cercam a cidade. Jeoaquim morre, sendo sucedido pelo seu filho, Joaquim, como Rei de Judá. Joaquim rende-se voluntariamente e parte para o Exílio em Babilónia. Seu tio Zedequias, é nomeado Rei de Judá. Mas Zedequias, com apoio de sua corte, preferiu rebelar-se contra Nabucodonossor II e confiar na ajuda do Egipto. Onze anos depois, em 587 a.C., o exército de Nabucodonossor II invade o Reino de Judá, tomando as cidades fortificadas de Azecá e Laquis. Depois, inicia o cerco final de 18 meses a Jerusalém. A cidade de Jerusalém e seu Templo são destruídos, restando apenas ruínas fumegantes.
Personagem bíblico
Descrito na Bíblia como muito soberbo e orgulhoso nos seus feitos, é revelado pelo gran profeta judeu Daniel que seria rebaixado por "um tempo" pelo Deus de Israel, se não deixasse de se engrandecer e não se humilhar aos Seus desígnios. Não dando atenção ao que lhe fora dito, Daniel escreve que o rei perdeu a razão temporariamente, passando a viver como um animal entre os animais do campo, alimentando-se de ervas durante 7 anos. Findo esse tempo, inesperadamente terá recuperado a razão e restabelecido no trono. O relato termina dizendo que o rei reconheceu o seu erro dizendo: "Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico ao Rei do Céu, porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba." (Daniel 4:37)b
Os israelitas descrevem o sofrimento causado por Nabucodonosor com esta frase: À beira dos rios da Babilónia sentamos e choramos - "Super flumina Babiloniae ibi sedimus et flevimus".

 

Reino de Judá: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Reino de Judá limitava-se ao Norte com o Reino de Israel Setentrional, a Oeste com a inquieta região costeira da Filístia, ao Sul com o Deserto do Negueve, e a Leste com o Rio Jordão e o Mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região montanhosa, fértil, relativamente protegida de invasões estrangeiras (o território da Tribo de Judá manteve-se basicamente o mesmo durante os mais de 300 anos de sua existência). Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o Templo do Deus de Israel mandado construir pelo Rei Salomão para abrigar a Arca da Aliança (ou Arca do Pacto).
Após a Divisão do Reino, no 6.º ano do Rei Roboão, o Faraó Sheshonq I) invade a Palestina e transforma o Reino de Judá num estado tributário. Esse fato é pouco evidenciado no relato bíblico, mas comprovado por inscrições egípcias. (Inscrição mural sobre Sheshonq I no Templo de Karnac e a Estela de Megido). Devido à sua posição estratégica às portas da Península do Sinai e acesso ao Baixo Egito, foi utilizada pelo Faraó como um Estado "tampão", o que lhe pouparia de usar seus próprios exércitos para defender esta fronteira.
O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filísteus. Entretanto, o principal adversário político e militar do Reino de Judá foi o Reino de Israel Setentrional. Inúmeras vezes travaram-se batalhas entre as dois reinos, com vitórias pouco significativas alternando-se em cada lado. Israel Setentrional tornou-se fortemente influenciado pela cultura cananéia e pela religião fenícia, enquanto Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé em YHVH, o Deus de Israel (Jahvé ou Jeová). O culto a YHVH e preservação da linhagem real dávidica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com os profetas do Velho Testamento, a justificativa para a misericórdia de Deus sobre o Reino de Judá, ao passo que o politeísmo de Israel Setentrional teria sido responsável por sua ira sobre seus governantes (enquanto o Reino de Judá permaneceu sob a dinastia dos descendentes do Rei David, o Reino de Israel Setentrional passou por várias dinastias e golpes de Estado).
O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio Sargão, em 722 a.C.. Mais tarde, o Rei Senaqueribe invade o Reino de Judá e sitia Jerusalém, mas sem a conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi "subitamente destruído por obra de Deus". Outros autores, de orientação científica, crêem ser provável que rebeldes entre os próprios assírios tenham se levantado após uma campanha militar tão longa na Palestina, até porque Senaqueribe não era muito querido nem mesmo por seus súbditos. De qualquer forma, o Reino de Judá se viu pela primeira vez ameaçado por forças estrangeiras.
Lista dos Reis
Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias estabelecidas por William F. Albright ou Edwin R. Thiele, ou a nova cronologia de Gershon Galil. Todas elas são indicadas no quadro. Todas as datas são A.C. (Antes de Cristo).
A queda do Reino de Judá
Segundo o Velho Testamento, Manassés, Rei de Judá, teria feito o que é mau aos olhos de Deus, e por causa de suas obras, todo Judá estava condenado ao exílio e à escravidão. Em verdade, ocorreu após o reinado de Ezequias um declínio na força política, económica e militar de Judá, talvez acelerada pelo vácuo deixado pela queda de Israel (apesar das desavenças, ainda um importante parceiro comercial) ao norte e sua ocupação pelos assírios. O declínio do Egipto, da Fenícia e das nações vizinhas também contribuiu para o isolamento de Judá.
Durante o reinado de Josias, Rei de Judá, o Faraó Neco II, aliado do já decadente Império Assírio, empreendendo uma guerra contra os exércitos de Babilónia. Em 609 a.C., trava-se a Batalha de Megido. O Rei de Judá entra em batalha para deter o exército egípcio do Faraó Neco II, mas acaba por ser morto. Seu filho Joacaz é levado prisioneiro após 3 meses de reinado, e o Reino de Judá se torna tributário do Egito. Neco II impôs a coroação do irmão de Joacaz, Eliaquim, e mudou-lhe o nome para Jeoaquim. Em 605 a.C., trava-se a Batalha de Carquemish com a derrota definitiva de Neco II.
A leste, a Assíria sofreu um rápido declínio, e em poucos anos seu território foi absorvido pela Babilónia. Nabucodonosor II, rei da Babilónia, empreendeu uma campanha militar contra Judá. Enfrentando pouca resistência, conseguiu entrar em Jerusalém, em 597 a.C., e levou consigo utensílios do Templo e o próprio rei Jeoaquim como prisioneiro. Em seu lugar, estabeleceu o filho de Jeoaquim, Joaquim, como Rei de Judá. Joaquim, com 8 anos de idade, teve o mesmo destino de seu pai 3 meses e 10 dias depois de sua coroação. Nabucodonosor então colocou sobre o trono o irmão de Joaquim, Zedequias.
Governando como vassalo da Babilónia, o Rei Zedequias manteve-se no poder por 11 anos, quando então rebelou-se contra Nabucodonosor, provavelmente ao recusar-se pagar tributo. Foi o suficiente para que invadisse Jerusalém, matasse seus habitantes, despojasse o Templo de todos os seus bens de valor e ateasse fogo a ele. O Reino de Judá deixou assim de existir.
O destino de Judá
No território de Judá permaneceram apenas os mais pobres. Todo o restante do povo que sobreviveu ao ataque de Nabucodonosor II foi levado às cidades do reino da Babilónia. O período de cativeiro na Babilónia fez crescer entre o povo de Judá um sentimento de identidade racial e religiosa indissolúvel. O relato bíblico deste período entre a conquista de Jerusalém e a conquista da Babilónia por Ciro II da Pérsia é onde primeiramente se utiliza de forma consistente o termo "judeu" para identificar o povo de Judá, ou aqueles da mesma raça e seguidores da mesma religião daquele povo. A nação judaica sobreviveu para retornar à Palestina e repovoar a província persa de Judá (Yehud), mais tarde denominada Judeia pelos romanos.
A história de Judá após Exílio na Babilónia passou a ser a mesma do próprio povo Judeu, até os dias de hoje.

 

REINO DE JUDÁ
jesusvoltara.com.br/dicionariobiblico/juda_reino.htm
A união entre as tribos do sul e do norte era apenas artificial, e foi mantida apenas enquanto governantes com personalidade forte como David e Salomão estiveram no trono. Quando um rei mais fraco tomou o trono após a morte de Salomão, as tribos do norte separaram-se definitivamente de Judá. Com a excepção de tribo sacerdotal de Levi, que aparentemente na sua maioria se mudou para o território de Judá (2Cr 11:5-14), apenas a tribo de Benjamim ficou no reino do sul. A partir dessa altura e durante cerca de 345 anos (c. 931 a 586 B.C.), a história da tribo de Judá é, na sua maior parte, a história do reino de Judá. Durante esse período 19 reis, todos descendentes de David, e uma rainha, a cruel Atália, reinaram sobre o reino do sul, que consistia nos territórios de Judá e Benjamim, e, por algum tempo, o de Edom. Era frequente haver guerra com o reino do norte (1Rs 14:30; 1Rs 15:7, 16; 2Rs 14:11, 12; 2Rs 16:5). Ocasionalmente invasões de outras nações tinham de ser combatidas. O primeiro invasor foi o rei Sisac do Egipto no tempo de Roboão (1Rs 14:25-28; 2Cr 12:1-12). Mais tarde, no tempo de Asa, Zera o Etíope veio contra Judá (2Cr 14:9-15), e finalmente a nação foi atacada pela Assíria e pela Babilónia (2Rs 18:14; 2Rs 24:10; etc.). No reinado do rei Jorão, Edom foi perdida permanentemente (2Cr 21:8-10), o que tornou Judá num estado relativamente insignificante. Devido a esta situação Judá devia a sua sobrevivência à fraqueza do Egipto, e à existência do reino de Israel como um estado tampão contra os inimigos do norte, os Sírios e os Assírios. Durante os últimos anos do reino de Israel, Judá reinado por Acaz tornou-se num estado vassalo dos Assírios (2Rs 16:7-10), e depois da queda da cidade de Samaria em 723/22 B.C., a sua fronteira norte estava adjacente a uma província assíria. Durante os 100 anos seguintes Judá ou tinha de pagar um tributo pesado à Assíria ou era invadido, como no tempo do rei Ezequias (2Rs 18:13-16). Um dos seus reis, Manassés, foi mesmo levado para a Mesopotâmia como refém e passou algum tempo na prisão (2Cr 33:11-13). Durante o declínio da Assíria depois da morte de Asurbanipal e até a sua destruição completa depois da captura de Niníve pelos medos e babilónios, Judá teve um período onde pode respirar de alívio e no reinado do rei Josias estendeu a sua autoridade sobre algumas partes do antigo reino de Israel (2Cr 34:6, 7). No entanto, Josias encontrou-se entre o Egipto, que, no reinado do rei Neco, aspirava a retomar o domínio sobre a Palestina, e Babilónia, que se considerava a herdeira do império assírio. Josias aparentemente escolheu aliar-se à Babilónia, pois perdeu a sua vida numa batalha contra Neco (2Rs 23:29, 30; 2Cr 35:20-24). Durante as 2 décadas da sua existência depois da morte de Josias, Judá alternou as suas alianças entre o Egipto e a Babilónia, viu o seu território repetidamente invadido por exércitos estrangeiros, viveu 3 capturas de Jerusalém, a sua capital, e finalmente sofreu a destruição da sua soberania e de suas cidades, e testemunhou a deportação da maior parte da sua população para a Babilónia (2Rs 23:31 a 2Rs 25:21; 2Cr 36:1-20). Alguns dos judeus que ficaram no país pelos babilónios migraram para o Egipto para escapar à ira de Nabucodonozor depois de alguns judeus fanáticos mataram Gedalias e a guarnição caldeia (2Rs 25:22-26). Aparentemente apenas um pequeno e insignificante grupo permaneceu no território.
Durante os 4 séculos da história de Judá, a adoração a Deus era frequentemente acompanhada pela adoração de deuses pagãos a quem santuários e lugares de culto foram erigidos desde o tempo de Salomão até o fim do reino (1Rs 11:4-8; 1Rs 14:22-24; 2Rs 21:1-7; etc.). Embora o país não tenha demonstrado a profundidade da idolatria encontrada do reino do norte, Judá era praticamente uma nação semi-pagã durante o período dos reis. Alguns reis, como Asa (1Rs 15:12-14), Josafat (1Rs 22:43-46), Ezequias (2Rs 18:1-4), Josias (2Rs 22:1-20), fizeram sérias tentativas para eliminar a idolatria e cultos pagãos. Estas reformas, no entanto, foram temporárias, e o povo mergulhou uma vez mais no paganismo. Esta foi a principal razão para a queda da nação (2Cr 36:14-16; Jr 22:6-9; etc.).

 

ENCONTRADAS AS DEZ TRIBOS PERDIDAS
Por Asher Intrater - www.tikkunministries.org
O reino de Israel atingiu seu auge na época de David e Salomão, aproximadamente 1000 anos antes do tempo de Yeshua. Durante o reino do filho de Salomão, Roboão, as dez tribos do norte de Israel se separaram de Judá e Benjamim. Desse modo, o reino foi dividido em tribos do norte em Israel e tribos do sul em Judá.
Esta divisão tornou-se o objecto da esperança messiânica de serem reunificadas pelo futuro Messias (Ezequiel 37:12). Há também um sentido simbólico de que as tribos do norte representem a igreja internacional, enquanto as tribos de Judá representem o povo judeu e a nação de Israel. Todavia, esses dois pontos de vista são proféticos e simbólicos, não históricos ou genealógicos.
As tribos de Israel ao norte foram levadas ao exílio pelos assírios no século oitavo AC, e as tribos de Judá ao sul foram levados ao exílio durante o século sexto. A Bíblia regista que, após o exílio, Judá voltou para a terra de Israel durante o século quinto AC.
Uma vez que não há uma descrição maior da restauração das tribos do norte, muita especulação e curiosidade têm surgido no decorrer dos anos com relação à pergunta: “Onde estão as dez tribos perdidas?”
Uma tendência interessante, contudo perigosa, é que muitos grupos de seitas cristãs alegam ser descendentes das dez tribos do norte. Isso abrange desde grupos do Japão aos nativos americanos. Existem alguns elementos no Mormonismo e nas Testemunhas de Jeová que fazem reivindicação semelhante. Isso já chegou a afectar até mesmo partes do movimento Sionista Cristão.
A verdade é que não existem dez tribos perdidas. Na ocasião da divisão do reino e dos exílios, uma determinada percentagem de cada uma das tribos do norte desceu e fixou residência na área de Judá. Depois desse tempo, o nome Judá ou Judeus referia-se não apenas à tribo específica de Judá, mas também à tribo de Benjamim, os Levitas e o remanescente de todas as tribos do norte.
Não existem dez tribos perdidas. Todas as tribos de Israel estão incluídas no que hoje chamamos o povo judeu. Existem sete evidências bíblicas básicas que provam essa posição.
O RESTO DE ISRAEL EM JUDÁ (II CRÔNICAS)
O livro de II Crónicas regista diversas vezes que os membros das tribos do norte imigraram para Judá depois da divisão do reino. Isso ocorreu logo depois do momento da divisão.
II Crónicas 10:16-17 diz: “Então, Israel se foi às suas tendas. QUANTO AOS FILHOS DE ISRAEL, PORÉM, QUE HABITAVAM NAS CIDADES DE JUDÁ, sobre eles reinou Roboão.”
Não poderia ser explicado mais claramente que existiam membros das tribos israelitas vivendo no território de Judá. II Crónicas 11:3 declara que Roboão era o rei não apenas de Judá, mas de TODO o Israel em Judá e Benjamim. II Crónicas 11:16-17 afirma que os membros de TODAS as tribos de Israel que eram leais a D-us desceram a Jerusalém e fortaleceram o reino de Judá.
II Crónicas 15:9 nos conta que durante o reavivamento do Rei Asa existiam “muitos de Israel” que vieram para Judá. II Crónicas 24:5 fala dos membros reunidos de todas as tribos de Israel. II Crónicas 30:21 e 25 fala dos filhos das tribos israelitas que vieram para Judá durante o tempo do Rei Ezequias. II Crónicas 31:6 fala novamente dos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá.
II Crónicas 30:10 faia dos membros das tribos de Efraim, Manassés, Zehulom e Aser vindo para Jerusalém. II Crónicas 30:18 também menciona a tribo de Isacar. II Crónicas 34:6 acrescenta a isso membros de uma lista dc tribos de Simeão e Naftali. II Crónicas 34:9 afirma claramente que existiam membros de ‘TODO O RESTO DE ISRAEL”, que estavam vivendo em Jerusalém depois do período de exílio assírio. II Crónicas 35:3 menciona novamente que existiam membros de “todo o Israel” que faziam parte de Judá.
EXÍLIO RESTAURADO (ESDRAS E NEEMIAS)
Depois do exílio babilónico, a nação de Israel foi restaurada sob a liderança de Esdras e Neemias. Nesses livros encontram-se vastos registos. O fato de que existiam cuidadosos registos genealógicos prova que não apenas eram os israelitas do norte parte da restauração, mas também que mantinham registos de suas famílias e sabiam a que tribo pertenciam.
Esdras 2:2 começa com os registos do “numero dos homens do povo de ISRAEL”. Esse mesmo capítulo 2 de Esdras declara que o povo tinha registos genealógicos específicos não apenas com relação à qual das tribos do norte eles pertenciam, mas também a que família pertenciam: “provar que as suas famílias e a sua linhagem eram de Israel.”
Aqueles que possuíam registos, mas não estavam perfeitamente documentados, eram desqualificados e tinham de esperar por uma verificação sobrenatural por Urim e Tumim (se eles aparecessem). Isso prova o quanto meticulosos e bem documentados eram os registros de famílias em sua maioria (Esdras 2:62-63). Esdras 2:70 fala novamente de “todo” Israel que habitava em Judá depois da restauração de Esdras e Neemias.
Esdras 6:16 e 21 fala especificamente dos “filhos de Israel que tinham voltado do exílio”. Esdras 7:7, 9:1, 10:1 e 10:25 fala do problema que os israelitas tiveram com os casamentos com povos de outras terras.
Neemias 7:7-73 repete a genealogia das tribos israelitas que foi registada em Esdras 2. Neemias 9:2, 11:3 e 11:20 fala do “restante de Israel em todas as cidades de Judá”. Neemias 13:3 fala de separação dos gentios, de forma a não haver confusão nos registos genealógicos de Israel.
O TESTEMUNHO DE ANA (LUCAS 2)
Em Lucas 2:36 a profetisa Ana é relacionada como proveniente da tribo de Aser, uma das tribos mais ao norte e menos povoada de Israel. Em outras palavras, temos uma declaração clara no Novo Testamento de que as pessoas que eram consideradas judias no tempo de Yeshua incluíam pessoas das dez tribos do norte de Israel, e que elas possuíam documentação genealógica com respeito a quais tribos pertenciam.
Como poderia a tribo de Aser, por exemplo, estar perdida” 700 anos antes de Yeshua, se Ana conhecia sua descendência de Aser durante a época do Novo Testamento?
YESHUA E OS APÓSTOLOS
(EVANGELHOS E ATOS)
Yeshua ministrou por toda a terra de Israel. Levou em conta o povo judeu desse lugar. Em todos os seus discursos, pressupõe-se que Ele estava falando a todos os descendentes de Israel. Yeshua nunca mencionou a possibilidade de haver algum outro grupo ou alguma tribo perdida de Israel circulando em alguma parte.
Na pregação aos judeus do primeiro século, Yeshua disse que Ele foi chamado para “procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 10:6).
Da mesma forma, os apóstolos se dirigiram às multidões de judeus no primeiro século, presumindo que eram todos descendentes de Israel. Em Actos 2:22 Pedro se volta para os “judeus” que viviam em Jerusalém e se refere a eles como “varões israelitas”. Pedro conclui seu sermão dirigindo-se à multidão como “toda a casa de Israel” (Actos 2:36). Em outras palavras, aos olhos de Pedro, o povo judeu no primeiro século incluía todas as tribos de Israel. Pedro manteve essa forma de abordar as pessoas, como “toda a casa de Israel”, em seus outros discursos (Actos 3:12, 4:8,4:10,4:27,5:21,5:31,5:35, 10:36).
Paulo também se dirigiu aos judeus do primeiro século como “varões israelitas”. Continuou a se referir aos judeus como israelitas em todas suas mensagens (Actos 13:23-24, Actos 21:28, Actos 28:20).
Os doze discípulos eram vistos como futuros líderes para “se assentarem nas doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Mateus 19:28).
AS DOZE TRIBOS DE TIAGO
A carta de Tiago é endereçada às “doze tribos que se encontram na Dispersão” Tiago 1:1.
Ele não está se referindo a algumas tribos perdidas, mas ao público de judeus dispersos que acreditavam em Yeshua no primeiro século. O mesmo argumento é verdadeiro, conforme observamos a carta aos Hebreus. o grupo aqui chamado “Hebreus” não era alguma tribo de japoneses ou nativos americanos, pelo contrário, tratava-se do povo judeu do primeiro século.
O REMANESCENTE DE ISRAEL (ROMANOS 9-11)
Este argumento possui importância específica quando observamos as promessas de restauração do remanescente de Israel, referido no livro de Romanos, Capítulo 9 a 11. Aqui Paulo expressa sua oração para que os filhos de Israel sejam salvos (Romanos 9:14, 10:1-4). Esse remanescente a ser restaurado é o remanescente bíblico de Israel que cumpre as profecias. Eles são as mesmas pessoas que rejeitaram Yeshua no primeiro século. Não foi alguma tribo perdida que O rejeitou, porém os judeus que viviam em Israel naquela ocasião. Paulo declara que D-us não rejeitou o povo de Israel (Romanos 11:1). Há um remanescente de Israel pela graça (Romanos 11:5). “O que Israel não conseguiu, a eleição o alcançou.” (Romanos 11:7). A transgressão de Israel significou a salvação das nações dos gentios (Romanos 11:11). Seu restabelecimento será a ressurreição dentre os mortos (Romanos 11:12, 15).
O texto inteiro de Romanos 9-11 apenas faz sentido se estiver falando a respeito do povo que conhecemos hoje como o povo judeu. Se alguém pensar que está se referindo aos Mórmon, ou Testemunhas de Jeová, ou aos Sionistas Cristãos, ou a algum outro grupo de povo nativo, o significado todo da passagem estará perdido. Esse ponto de vista irá destruir as promessas de D-us(*) para Israel, o propósito do evangelismo em Israel, e o significado da reconciliação entre Israel e a igreja no final dos tempos.
VISÃO DOS CULTOS
Não é uma coincidência que tantos cultos chegaram à conclusão de que eles sejam de uma das dez tribos “perdidas” de Israel. Esse ponto de vista está confundindo seus membros e está incorrecto de acordo com as Escrituras. Essa teologia é perigosa e enganosa à medida que tentamos compreender as profecias da restauração de Israel, que levam à segunda vinda do Messias Yeshua.

 

(*)D-us
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
D-us (D'us) é uma das formas utilizadas por alguns judeus de língua portuguesa para se referirem ao criador do mundo sem citar seu nome completo, em respeito ao terceiro mandamento recebido por Moisés.
Outra forma de os judeus chamarem D-us é Adonai ou haShem.
Além da forma D-us, utiliza-se também D'us com o mesmo objectivo. Em outros idiomas, elimina-se também uma ou mais letras da palavra correspondente, como no hebraico transliterado El'him ou no inglês G-d / G'd.

 

Continua no próximo Bloco.

 

FUNDO MUSICAL:

JOHANN SEBASTIAN BACH - CANTATA

FORMATAÇÃO E ARTE: IARA MELO