antes de Cristo

Factos, Figuras e Civilizações

(simples apontamentos)

2º Bloco

Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação e Arte: Iara Melo

 

 

 
(a abreviatura a.C. = a antes de Cristo)

 

3.500 a.C.

 

- Europa: construções megalíticas:  - As primeiras construções megalíticas, da Europa Ocidental, localizam-se em Portugal, e datam de finais do VI milénio antes da nossa era. Espalharam-se desde a Península Ibérica até aos países nórdicos e norte de África. Na África Central, também se encontram testemunhos destas construções.

 

- Expansão das culturas agrícolas neolíticas para ocidente.

 

- Povoações lacustres na Suiça.

- Desde 4500 que se extrai e se trabalha o cobre na Sudeste europeu (cultura Vinca/Gumelnitsa.

 

- Agricultura no rio Amarelo: arroz, milho miúdo e domesticação do porco.

 

- Agricultura no Nilo: - No Egipto, tal como seu equivalente mesopotâmico, o rico solo de aluvião deixado pelas cheias do Nilo constituía um terreno fértil. Por volta de 3500 a. C., os excedentes agrícolas da região já alimentavam uma civilização dispersa com cerca de 870 mil habitantes, que desenvolvera ofícios especializados, um panteão de deuses e a arte de escrever com hieróglifos. Porém, ao contrário da Mesopotâmia, o Egipto era um país fechado. Ocupando o baixo vale do Nilo e confinado por desertos, tinha uma sociedade altamente estratificada segundo uma hierarquia onde figuravam, em ordem decrescente, os deuses, o rei ou faraó, os mortos e, por último, os vivos.

   

- Barcos mercantes egípcios no Mediterrâneo .

 

- A roda é inventada na Suméria:  - Estamos em algum ano por volta de 3 500 a.C., quando se acredita ter surgido a roda, talvez na Mesopotâmia – uma placa de argila, encontrada na Suméria (Mesopotâmia) e cuja origem remonta a essa época traz o desenho de uma carroça. Segundo alguns, o grande invento usado na locomoção até então era a alavanca. Os antigos rolavam troncos de árvores sob cargas pesadas, para deslocá-las. A tão decantada roda nasceu, provavelmente, num torno de oleiro. Da nossa nave, podemos ver alguns trabalhando seus artefactos de barro nesses tornos rústicos. Em 2 000 a.C, os sumérios colocaram raios no lugar da estrutura maciça da roda. Eram inicialmente quatro, com o passar do tempo foram aumentando. A parte externa da roda, nessa mesma época, passou a ser protegida por pregos de cobre, colocados muito próximos uns dos outros, para evitar que o atrito com o solo as danificasse muito rapidamente. Esse tipo de engenho foi utilizado em carros de guerra, puxados a cavalo. Em 1 500 a.C., surgem no Egipto as primeiras bigas, com quatro rodas. Seguimos adiante, e vamos fazer uma breve parada por volta de mil anos antes de Cristo. A roda estava, finalmente, ligada a um eixo. Contava-se à boca pequena que a ideia de assim usá-la foi percebida quando um menino, filho de tecelã, recorrera ao fuso como brinquedo. Encaixando a roda numa vara, leva a humanidade a dar um salto!

- Primeira escrita (pictográfica):  - As primeiras escritas de que se tem conhecimento eram pictográficas, o que comprova o valor primordial da imagem na percepção e comunicação humana. A escrita pictográfica não representava a linguagem verbal. Representava antes objectos, figuras e ideias, independentemente da lógica temporal do discurso. Esta linguagem era formulada de acordo com as relações lógicas que os elementos estabeleciam entre si. Os sistemas não-fonológicos seriam aqueles que não fariam referência à linguagem verbal, ou seja, seriam formas de expressão independentes da expressão oral. Os pictogramas não tinham uma relação motivada com a linguagem fonética. Eles eram esboços da realidade, permitindo reconhecer o que está representado.

 

3.300 a.C.

Início da era das primeiras civilizações.

 

- Suméria : - Berço de algumas das mais ricas civilizações humanas, a Mesopotâmia viu surgir os primeiros impérios, as primeiras cidades da antiguidade e algumas importantes invenções do homem, como a escrita e a legislação. A Mesopotâmia (em grego, região entre rios) está situada na região delimitada pelos rios Tigre e Eufrates, no sudoeste da Ásia. Embora seus limites variassem em diferentes períodos de sua história, de modo geral a Mesopotâmia abrangia, na antiguidade, o território do actual Iraque, ficando ao norte a cordilheira dos Taurus, que a separa da Arménia, ao sul o golfo Pérsico, a oeste a Assíria (a) e a leste a Síria.


- (a) Assíria - :

Do 3º milénio à segunda metade do 2º, a cidade-estado de Assur fundou um império exposto à rivalidade dos Acádios, da Babilónia e de Mitam. Do século XIV a. C. ao século XI a.C., com o primeiro Império Assírio, a Assíria converteu-se num poderoso estado da Ásia Ocidental nomeadamente sob o reinado de Salmanasar I (1275-1245 a. C.). Este império, porém, foi subjugado pelas invasões arameias. Do século IX ao século VII, com o 2º Império Assírio, a Assíria readquiriu o seu poderio e atingiu o apogeu sob o reinado de Assurbanipal – 669-627 a. C. Aproximadamente. Em 612 a. C. , a queda de Nínive que sucumbiu aos ataques dos Medos contra os Babilónios, pôs definitivamente termo ao poderio assírio.

Apesar de, em finais de 3º milénio, os Assírios serem activos comerciantes, como o testam as tabuinhas de Klepe, na Anatólia, só entre os séculos XII e VII a. C., a sua arte conhece um período de franca expansão.

Na arquitectura, os Assírios, adoptam os meios técnicos da Suméria e das outras civilizações anteriores Mesopotâmia, mas impressiona o gigantismo arquitectural de Assur, de Nínive – sendo de assinalar de Assur, de Nínive – sendo de assinalar o traçado das fundações – e de Corsabade (Dour-Sharrou-kên). As limitações de um material frágil, o tijolo cru, marcam os zigurates (torres com andares), os santuários e os palácios, cujo traçado não passa de um simples paralelepípedo a que se justapõem as diferentes partes (santuários, salas sumptuosas, apartamentos reais e comuns).

Na escultura, para ornamentar, utilizam os tijolos e a alternância de reentrâncias e saliências, mas no interior, os revestimentos a ouro – enormes figuras, frequentemente de alabastro e esculpidas em baixo-relevo - , constituem a sua grande inovação que se desenvolve entre os séculos IX e VII . A narrativa mitológica e, sobretudo, a grandiosidade e as façanhas do soberano constituem a principal fonte de inspiração dos escultores. Apesar da rigidez das convenções, nota-se uma certa evolução entre os relevos do século IX e as do século VII, em que as personagens se multiplicam, evoluem por vezes no meio de paisagens, deixando transparecer uma certa sensibilidade.

As artes aplicadas, glíptica, relevos de bronze, como por exemplo as portas de Balawat, conservadas no Museu Britânico, são marcadas pela originalidade; os marfins, descobertos em quantidade (Nimrud, Arslan Tash-Hadatu), dividem-se em dois grupos: criações autóctones e importações da Síria ou da Fenícia. Uma grande quantidade de tabuinhas constituía a biblioteca, que está conservada no Museu Britânico, do rei Assurbanipal, descoberta em Nínive. O único objectivo desta arte da corte era de impor a supremacia de uma civilização essencialmente militar, facto que, muito naturalmente, desapareceu com ela .   

Famosos desde os tempos antigos pela crueldade e pelo talento guerreiro, os assírios também se destacaram pela habilidade na construção de grandes cidades e edifícios monumentais, como atestam as ruínas encontradas em Nínive, Assur e Nimrud. Estabelecido no norte da Mesopotâmia, o império assírio foi uma das civilizações mais importantes do Oriente Médio. Os primeiros povoadores conhecidos da região eram nómadas semitas que começaram a levar vida sedentária ao longo do IV milénio a.C. Alguns dados atestam a formação, a partir do século XIX a.C., de um pequeno estado assírio, que mantinha relações comerciais com o império Hitita. No século XV a.C., depois de longo período de submissão ao império da Suméria, o estado assírio, com capital em Assur, começou a tornar-se independente e a se estender. Puzur-Assur III foi o primeiro monarca que, livre da opressão suméria, empreendeu a expansão do reino. Graças ao apogeu comercial, os assírios puderam lançar-se, sob o reinado de Shamshi-Adad I (1813-1781 a.C., aproximadamente), às conquistas que tanta glória lhes trouxeram. O soberano concentrou esforços na construção de um estado centralizado, segundo o modelo da poderosa Babilónia. Suas conquistas se estenderam aos vales médios do Tigre e do Eufrates e ao norte da Mesopotâmia, mas foram barradas em Alepo, na Síria. Morto o rei, seus filhos não puderam manter o império em virtude dos constantes ataques de outros povos e dos desejos de independência dos súbditos. A Assíria caiu sob o domínio do reino de Mitani, do qual se libertou em meados do século XIV a.C. O rei Assur-Ubalit I (1365-1330) foi considerado pelos sucessores o fundador do império assírio, também conhecido como império médio. Para consolidar seu poder, estabeleceu relações com o Egipto e interveio nos assuntos internos da Babilónia (b), casando sua filha com o rei desse estado.


- (b) Babilónia  (em babilónio: Bab-ilu, “porta de Deus” persa antigo, abirush), antigo reino da Mesopotâmia, conhecido originalmente como Sumer e depois como Sumer e Acad, entre os rios Tigre e Eufrates, ao sul da actual Bagdad, Iraque. A civilização babilónica, que existiu do século XVIII ao VI a.C., era, como a Suméria (c) que a precedeu, de carácter urbano, embora baseada mais na agricultura do que na indústria.

Babilónia, nome dado à Baixa Mesopotâmia, já muito tardiamente designada por Caldeia, cujas ruínas imponentes, à beira do Eufrates, se situam a 160 Km a SE de Bagdad. A sua fundação é atribuída aos Acádios, entre 2325-2160 a.C. A primeira dinastia amorrita estabeleceu-se ali entre 1894 e 1881 a.C. Hamurábi, sexto rei desta dinastia, fez dela a sua capital. Várias vezes conquistada pela Assíria, a Babilónia permaneceu como a capital intelectual e religiosa da Mesopotâmia. No final do século VII, uma dinastia independente, chamada “caldaica”, estabeleceu-se na Babilónia. O seu fundador, Nabopolassar, toma parte, juntamente com os Medos, na destruição da Assíria. O filho, Nabucodonosor II, conquista Jerusalém em 587 a.C e, deporta muitos dos seus habitantes. É no seu reinado que datam as principais modificações da Babilónia. A cidade é tomada por Ciro II  em 539, que faz dela uma província do Império Persa. Xerxes arrasou a Babilónia, depois da cidade se ter revoltado. Alexandre o Grande escolheu-a como capital da Ásia e lá morreu em 323 a. C. A Babilónia entrou em declínio após a fundação, pelos Selêucidas, da cidade de Selêucia.

As primeiras escavações sistemáticas foram levadas a cabo por uma missão alemã entre 1889 e 1917 da nossa era. O departamento de antiguidades do Iraque prosseguiu o trabalho.

A cidade posta a descoberto é sobretudo neobabilónica. De planta rectangular a cidade do Iº milénio estava rodeada de fortificações colossais. Abrindo para a via principal, a porta de Istar (que foi reconstituída em Berlim), a mais importante, era decorada com um revestimento de tijolos coloridos. Outros monumentos eram também célebres na Antiguidade: o zigurata (torre de degraus) e, o palácio e jardins de Semíramis.


- (c) Suméria: Antes da chegada dos sumérios, a baixa Mesopotâmia  fora ocupada por um povo não pertencente ao grupo semita, modernamente conhecido como ubaida, termo derivado da cidade de al-Ubaid, onde foram encontrados seus primeiros vestígios. Primeira força civilizatória presente na área, os ubaidas estabeleceram-se no território entre 4500 e 4000 a.C. Drenaram os pântanos para a agricultura, desenvolveram o comércio e estabeleceram indústrias, entre as quais manufacturas de couro, metal, cerâmica, alvenaria e tecelagem. Mais tarde, vários povos semitas infiltraram-se no território dos ubaidas e formaram uma grande civilização pré-suméria. O povo conhecido como sumério, cuja língua predominou no território, veio provavelmente da Anatólia e chegou à Mesopotâmia por volta de 3300 a.C. No terceiro milênio, haviam criado pelo menos 12 cidades-estados: Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Akshak, Nipur, Larsa e Bad-tibira. Cada uma compreendia uma cidade murada, além das terras e povoados que a circundavam, e tinha divindade própria, cujo templo era a estrutura central da urbe. Com a crescente rivalidade entre as cidades, cada uma instituiu também um rei. O primeiro rei a unir as diferentes cidades, por volta de 2800 a.C., foi o rei de Kish, Etana. Por muitos séculos, a liderança foi disputada por Lagash, Ur, Eridu e a própria Kish, o que enfraqueceu os sumérios e os tornou extremamente vulneráveis a invasores. Entre 2530 e 2450 a.C., a região foi dominada pelos elamitas procedentes do leste. Teve maiores consequências a invasão, pelo norte, dos acadianos, cujo rei Sargão de Acad integrou a Suméria a seu império. Sargão  conseguiu ainda submeter os elamitas, antes de lançar-se à conquista das terras ocidentais, até a costa síria do Mediterrâneo. Criou assim um modelo unificado de governo que influenciou todas as civilizações posteriores do Oriente Médio. Sua dinastia governou aproximadamente entre 2350 e 2250 a.C. Após o declínio da dinastia acadiana, por volta do ano 2150 a.C. o território foi invadido e devastado pelos gútios, povo semi-bárbaro originário dos montes Zagros, a leste da Mesopotâmia. Graças à reacção do rei de Uruk, que expulsou os invasores, as cidades ficaram novamente independentes. O ponto alto dessa era final da civilização suméria foi o reinado da terceira dinastia de Ur, cujo primeiro rei, Ur-Nammu, publicou o mais antigo código legal encontrado na Mesopotâmia. Depois de 1900 a.C., quando os amorritas conquistaram todo o território mesopotâmico, os sumérios perderam sua identidade como povo, mas a cultura suméria foi assimilada pelos sucessores semitas. A escrita cuneiforme surgiu na Mesopotâmia, no terceiro milénio anterior à era cristã. Escrevia-se sobre tábuas de argila, com estiletes de bambu. Depois, a tábua era endurecida ao sol ou em fornos. Graças a essa escrita, decifrada por linguistas e arqueólogos, foi possível conhecer inúmeros aspectos da vida, religião e instituições da Suméria. Os sumérios possuíam uma rica literatura, que incluía poemas, epopeias, hinos, lamentações, provérbios etc. A criação poética mais notável foi o Gilgamesh, ao qual se somam os mitos de Tamuz e da deusa Nanai Ishtar de Uruk, do pastor Etana, do herói Adapa etc. Os templos e edifícios, em geral feitos de tijolos crus e cozidos, não se conservaram, pois os materiais empregados não resistiram ao passar dos séculos. Em compensação, além das tábuas, conservaram-se estelas e cilindros gravados, que eram utilizados como selos, além de esculturas em pedra. Os sumérios trabalhavam o bronze, o cobre, o ouro e a prata.
O país compunha-se de 12 cidades, rodeadas de povoados e aldeias. No alto da estrutura política estava o rei, monarca absoluto que exercia o poder Legislativo, Judicial e Executivo. Abaixo dele havia um grupo de governadores e administradores seleccionados. Os perfeitos e conselhos de anciãos da cidade eram encarregados da administração local. Os babilónios modificaram e transformaram sua herança suméria para adequá-la a sua própria cultura e maneira de ser e influenciaram os países vizinhos, especialmente o reino da Assíria, que adoptou praticamente por completo a cultura babilónica. Mais de 1.200 anos se passaram desde o glorioso reinado de Hamurabi até a conquista da Babilónia pelos Persas. Durante esse longo período, a Estrutura Social e a Organização Económica, a Arte e a Arquitectura, a Ciência e a Literatura, o Sistema Judicial e as Crenças Religiosas babilónicas, sofreram considerável mudança. Baseados na cultura do Sumer, os feitos culturais da Babilónia deixaram uma profunda impressão no mundo antigo e particularmente nos Hebreus e Gregos. A influência babilónica é evidente nas obras de poetas gregos como Homero e Hesíodo, na Geometria do matemático grego Euclides, na Astronomia, Astrologia, Heráldica e na Bíblia. Babilónia se rendeu a Alexandre o Grande (d) ( em 331 a.C., que depois de reconstruir alguns de seus monumentos, morreu no palácio de Nabucodonosor, quando voltava da Índia em 323 a.C.


- (d) Alexandre o Grande :  - A poderosa figura de Alexandre III pertence ao reduzido grupo de homens que definiram o curso da história humana. Seu gênio militar se impôs sobre o império persa e assentou as bases da frutífera Civilização Helenística. Alexandre III nasceu em 356 a.C. no palácio de Pella, Macedónia. Filho do rei Felipe II, cedo se destacou como um rapaz inteligente e intrépido. Quando o príncipe tinha 13 anos, seu pai incumbiu um dos homens mais sábios de sua época, Aristóteles, de educá-lo. Alexandre aprendeu as mais variadas disciplinas: retórica, política, ciências físicas e naturais, medicina e geografia, ao mesmo tempo em que se interessava pela história grega e pela obra de autores como Eurípides e Píndaro. Também se distinguiu nas artes marciais e na doma de cavalos, de tal forma que em poucas horas dominou o Bucéfalo, que viria a ser sua inseparável montaria. Alexandre percebeu que o animal temia a própria sombra e voltou-o contra o sol, conseguindo desta maneira doma-lo. Na arte da guerra recebeu lições do pai, militar experiente e corajoso, que lhe transmitiu conhecimentos de estratégia e lhe inculcou dotes de comando. O enérgico e bravo jovem teve oportunidade de demonstrar seu valor aos 18 anos, quando, no comando de um esquadrão de cavalaria, venceu o batalhão sagrado de Tebas na Batalha de Queronéia em 338 a.C. Depois do assassinato de seu pai em 336 a.C., Alexandre subiu ao trono da Macedónia e se dispôs a iniciar a expansão territorial do reino. Para tão árdua empreitada contou com poderoso e organizado exército, dividido em infantaria, cuja principal arma era a zarissa (lança de grande comprimento) e cavalaria, que constituía a base do ataque.
Imediatamente depois de subir ao trono, Alexandre enfrentou uma sublevação de várias cidades gregas e as incursões realizadas no norte de seu reino pelos Trácios e Ilírios, aos quais logo dominou. Em contrapartida, na Grécia, a cidade de Tebas opôs grande resistência, o que o obrigou a um violento ataque no qual morreram milhares de tebanos. Pacificada a Grécia, o jovem rei elaborou seu mais ambicioso projecto: a conquista do Império Persa, a mais assombrosa campanha da antiguidade. Em 334 a.C. cruzou o Helesponto, e já na Ásia avançou até o Rio Granico, onde enfrentou os persas pela primeira vez e alcançou importante vitória. Em Sardes, na Lídia, de posse de seu tesouro, Alexandre construiu um templo a Zeus, no local do antigo palácio real do rei Croesus. Zeus, o Deus padroeiro da Macedónia, encontra-se no reverso de quase toda cunhagem de prata de Alexandre, sentado no trono e segurando uma águia, segundo a famosa Estátua de Fídias em Olímpia. O verso traz Hércules com seu capuz de máscara de leão morto em Neméia. À medida que as fontes de cunhagem marchavam para leste, o Zeus, esculpido por operários não gregos, torna-se crescentemente vago e o Hércules cada vez mais parecido com Alexandre.
Alexandre prosseguiu triunfante em sua jornada, arrebatando cidades aos persas, até chegar a Górdia, onde cortou com a espada o "Nó Górdio", o que, segundo a lenda, lhe assegurava o domínio da Ásia. Ante o irresistível avanço de Alexandre, o rei dos persas, Dario III, foi a seu encontro. Na Batalha de Isso em 333 a.C. consumou-se a derrota dos persas e começou o ocaso do grande império. Em seguida, o rei macedónio empreendeu a conquista da Síria em 332 a.C. e entrou no Egipto. O sonho de Alexandre, de unir a cultura oriental à ocidental, começou a concretizar-se. O rei da Macedónia iniciou um processo pessoal de orientalização ao tomar contacto com a civilização egípcia. Respeitou os antigos cultos aos deuses egípcios e até se apresentou no santuário do Oásis de Siwa, onde foi reconhecido como filho de Amon e sucessor dos faraós. Em 332 a.C. fundou Alexandria, cidade que viria a converter-se num dos grandes focos culturais da antiguidade. Depois de submeter a Mesopotâmia, Alexandre enfrentou novamente Dário na Batalha de Gaugamela em 331a.C., cujo resultado determinou a queda definitiva da Pérsia em poder dos macedónios. Morto Dario em 330a.C., Alexandre foi proclamado rei da Ásia e sucessor da dinastia persa. Seu processo de orientalização se acentuou com o uso do selo de Dário, da tiara persa e do cerimonial teocrático da corte oriental. Além disso, no ano 328 contraiu matrimónio com Roxana, filha do sátrapa da Bactriana, com quem teve um filho de nome Alexandre IV.
A tendência à fusão das duas culturas gerou desconfianças entre seus oficiais macedónios e gregos, que temiam um excessivo afastamento dos ideais helénicos por parte de seu monarca. Nada impediu Alexandre de continuar seu projecto imperialista em direcção ao Oriente. Em 327 a.C. dirigiu suas tropas para a longínqua Índia, país mítico para os gregos, no qual fundou colónias militares e cidades, entre as quais Nicéia e Bucéfala, esta erigida em memória de seu cavalo, às margens do Rio Hidaspe. Ao chegar ao Rio Bias, suas tropas, cansadas de tão dura viagem, se negaram a continuar. Alexandre decidiu regressar à Pérsia, viagem penosa no qual foi ferido mortalmente e acometido de febres desconhecidas, que nenhum de seus médicos soube curar. Alexandre morreu na Babilónia, a 13 de Junho de 323 a.C., com a idade de 33 anos. O império que com tanto esforço edificou, e que produziu a harmoniosa união do Oriente e do Ocidente, começou a desmoronar, já que só um homem com suas qualidades poderia governar território tão amplo e complexo, mescla de povos e culturas muito diferentes. Seu império foi dividido por seus generais: Seleucos I fundou a Dinastia Seleucida na região da Síria; Ptolomeu I fundou a Dinastia Ptolomaica no Egipto; Lisimacos se apoderou da região da Trácia e Felipe III da Macedónia e Grécia. Depois de sua morte prematura, a influência da civilização grega no Oriente e a orientalização do mundo grego alcançaram sua mais alta expressão no que se conhece sob o nome de helenismo, fenómeno cultural, político e religioso que se prolongou até os tempos de Roma.
O Sátrapa persa Mazaios foi designado o governador da Babilónia pelo conquistador macedónio e foi inaugurada uma distinta série de moedas, os Tetradrachmas de Attica que continuou sendo emitidos até a metade do próximo século. Uma série contemporânea, baseada nas "Corujas" atenienses e nos velhos tipos de "Aquemênida", dinastia persa, também foram produzidos. Babilónia foi eclipsada em última instância por Selêucia no Tigre, fundada em 312 a.C. pelo primeiro dos monarcas dos Selêucidas, e durante o período Helenístico declinou gradualmente.
Depois de seu reinado, a Assíria atravessou uma fase de conflitos bélicos com hititas e babilónios, que se prolongou até o fim do século XIII a.C. Quem afinal conseguiu impor-se foi Salmanasar I (1274-1245), que devolveu ao estado assírio o poder perdido. Esse monarca estendeu sua influência até Urartu (Arménia), apoiado num exército eficaz que conseguiu arrebatar da Babilónia suas rotas e pontos comerciais. Sob o reinado de Tukulti-Ninurta I (1245-1208), o império médio alcançou seu máximo poderio. A mais importante façanha do período foi a incorporação da Babilónia, que ficou sob a administração de governadores dependentes do rei assírio. Com as conquistas, o império se estendeu da Síria ao golfo Pérsico. Depois da morte desse rei, o poder assírio decaiu em benefício da Babilónia. Passado um período de lutas contra os invasores hurritas e mitânios, a Assíria ressurgiu, no fim do século XII a.C., com Tiglate-Pileser I (1115-1077), que venceu a Babilónia numa campanha terrivelmente dura. Após sua morte, a Assíria sofreu o domínio dos arameus, do qual não conseguiu libertar-se até que Adad-Ninari II (911-891) subiu ao trono. Tukulti-Ninurta II (890-884) devolveu à Assíria a antiga grandeza e submeteu a zona de influência dos arameus, no Eufrates médio. Sucedeu-lhe Assur-Nasirpal II (883-859), o mais desumano dos reis assírios, que pretendeu reconstruir o império de Tiglate-Pileser I e impôs sua autoridade com inusitada violência. Foi o primeiro rei assírio a utilizar carros de guerra e unidades de cavalaria combinadas com a infantaria. Seu filho Salmanasar III (858-824), conquistador da Síria e do Urartu, foi igualmente cruel. O último grande império assírio iniciou-se com Tiglate-Pileser III (746-727), que dominou definitivamente a Mesopotâmia. Sua ambição sem limites o levou a estender o império até o reino da Judeia, a Síria e o Urartu. Salmanasar IV e Salmanasar V mantiveram o poderio da Assíria, que anexou a região da Palestina durante o reinado de Sargão II (721-705). O filho deste, Senaqueribe (704-681), teve que enfrentar revoltas internas, principalmente na Babilónia, centro religioso do império que foi arrasado por suas tropas. Asaradão (680-669) reconstruiu a Babilónia e atacou o Egipto, afinal conquistado por seu filho Assurbanipal (668-627). No ano 656, porém, o faraó Psamético I expulsou os assírios do Egipto e Assurbanipal não quis reconquistar o país. Com esse soberano, a Assíria tornou-se o centro militar e cultural do mundo. Depois de sua morte, o império decaiu e nunca mais recuperou o esplendor. Fruto das múltiplas relações com outros povos, a civilização assíria alcançou elevado grau de desenvolvimento. Entre as preocupações científicas dos assírios destacou-se a astronomia: estabeleceram a posição dos planetas e das estrelas e estudaram a Lua e seus movimentos. Na matemática alcançaram alto nível de conhecimentos, comparável ao que posteriormente se verificaria na Grécia clássica. O espírito militar e guerreiro dos assírios se reflecte em suas manifestações artísticas, principalmente nos relevos que decoram as monumentais construções arquitectónicas. Representam sobretudo cenas bélicas e de caça, em que as figuras de animais ocupam lugar de destaque, como no relevo "A leoa ferida". Também cultivaram a escultura em marfim, na qual foram grandes mestres, como se constata nos painéis de Nimrud, que sobreviveram à madeira dos móveis em que eram originariamente incrustados. A religião assíria manteve as ancestrais tradições mesopotâmicas, embora tenha sofrido a introdução de novos deuses e mitos. A eterna rivalidade entre assírios e babilónios chegou à religião com a disputa pela preponderância de seus grandes deuses, o assírio Assur e o babilónio Marduk. O império assírio sucumbiu ao ataque combinado de medas e babilónios. Sob as ruínas de uma esplêndida civilização, ficou a trágica lembrança de suas impiedosas conquistas e da ilimitada ambição de seus reis.
O limite entre as regiões norte, montanhosa, e a sul, plana, era a zona de Bagdad, onde mais se aproximam os rios Tigre e Eufrates. Os romanos as denominaram, respectivamente, Mesopotâmia e Babilónia. Muitos grupos étnicos tentaram fixar-se na região, e esses movimentos migratórios acabaram por fazer surgir importantes civilizações, como a dos assírios, que ocuparam a área montanhosa, e a dos sumérios e babilónios, instalados nas planícies do sul. A essência da cultura Suméria se manteve mesmo após a desintegração do estado sumério e por isso pode-se, apesar da grande diversidade dos grupos étnicos, falar de uma civilização mesopotâmica. Os primeiros imigrantes chegaram à Mesopotâmia no quarto milénio a.C. Fixaram-se no sul e ali criaram o que teria sido, segundo a tradição suméria, seu primeiro núcleo urbano, Eridu. O povoamento tornou-se mais intenso no milénio seguinte, com um novo movimento migratório, procedente do leste. Ao mesmo tempo, no norte, grupos de origem semítica formavam uma nova cultura, que assumiria gradativamente papel preponderante na região. A Mesopotâmia era, de todo modo, povoada por dois povos de origens distintas, o que explica as denominações de terra de Sumer (sul) e Acad (norte). Do ponto de vista cultural, os grupos que habitavam a área no chamado período Obeid I eram atrasados em relação aos povos do sul, mas alguns centros, como Nínive, já se assemelhavam mais a cidades do que a aldeias. Os habitantes do norte expandiram-se para o sul, no século XXIV a.C., e fundaram um reino unificado sob o governo de Sargão, criador de uma dinastia semítica, cuja capital era a cidade de Acad. Os invasores não possuíam cultura própria, motivo pelo qual absorveram a cultura e as técnicas de guerra do sul. Assim, a transferência do centro do poder político, de início instalado na cidade de Acad, para Nínive ou Babilónia, não teve influência na evolução cultural da região. Com a terceira dinastia de Ur, cujos domínios incluíam a Assíria, praticamente completou-se a unificação da Mesopotâmia. O norte preservava apenas seu idioma semita, escrito, porém, em caracteres cuneiformes sumérios. Por volta de 2000 a.C., invasores elamitas e amorritas derrubaram essa terceira dinastia de Ur. Após um período de destruições, o sul voltou a prosperar, enquanto, no norte, Assur tornou-se independente e na Babilónia surgiu uma dinastia local, amorrita, apoiada pelos semitas acadianos. O mais poderoso soberano da Babilónia foi Hamurabi, responsável por uma nova unificação da Mesopotâmia. Seu império se estendeu do golfo Pérsico até o norte de Nínive, e das montanhas elamitas até a Síria. A região logo voltaria a ser dividida, entretanto, entre o sul e o norte, depois que os reis cassitas derrubaram a dinastia de Hamurabi. Os cassitas mantiveram a cultura e as tradições babilónicas, mas transformaram o reino com uma ampla reestruturação administrativa e a adopção do sistema feudal. A dinastia cassita governou até cerca de 1430 a.C., e seu domínio foi marcado por uma significativa produção literária. Algumas das obras do período configuraram um padrão para épocas posteriores, até mesmo para a redacção da epopeia de Gilgamesh. Após o período da dinastia cassita, a Babilónia perdeu sua influência política, ao mesmo tempo em que o poderio dos assírios cresceu consideravelmente. Nesse período, invasores indo-europeus criaram diversos estados na região, entre os quais o reino de Mitani. No século XII a.C., o poderio assírio chegou ao apogeu sob o reinado de Tukulti-Ninurta I. A Assíria dominava então toda a região localizada a leste do Eufrates. Os sucessores do soberano não conseguiram manter o território, cuja desintegração política foi motivada também pela chegada à região de diversas tribos de arameus, que aí fundaram vários reinos independentes. Nos séculos seguintes, os reinos arameus começaram a ser incorporados ao império da Assíria, a que a Mesopotâmia voltou a ficar subordinada. Nesse período, a ascensão de uma das tribos dos arameus, os caldeus, contribuiu de maneira significativa para a queda do poderio da Assíria e para o estabelecimento, no sul da região, do reino neobabilônico de Nabopolassar. Esse soberano firmou com Ciaxares, da Média, uma aliança que dividiu a Mesopotâmia entre medos e babilónicos, situação que se manteve até 539 a.C., quando a região foi transformada numa satrapia do império persa durante o reinado de Ciro. No período, registrou-se um florescimento cultural, em que a literatura, a religião e as tradições sumérias e babilónicas eram preservadas nas escolas dos templos. Em 331 a.C., a vitória de Alexandre o Grande sobre Dario III marcou o início da colonização macedónica. A Babilónia tornou-se então importante centro cultural, verdadeiro ponto de encontro entre as culturas grega e oriental. Com a morte de Alexandre, instalou-se uma Dinastia Selêucida (e) que governou por pouco mais de um século. Por volta de 140 a.C., a Mesopotâmia foi incorporada ao império parta.

 

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FORMATAÇÃO E ARTE: IARA MELO