(a abreviatura a.C. = a antes de
Cristo)
3.500 a.C.
- Europa: construções megalíticas:
- As primeiras construções megalíticas, da
Europa Ocidental, localizam-se em Portugal, e
datam de finais do VI milénio antes da nossa
era. Espalharam-se desde a Península Ibérica até
aos países nórdicos e norte de África. Na África
Central, também se encontram testemunhos destas
construções.
- Expansão das culturas agrícolas
neolíticas para ocidente.
- Povoações lacustres na Suiça.
- Desde 4500 que se extrai e se trabalha
o cobre na Sudeste europeu (cultura
Vinca/Gumelnitsa.
- Agricultura no rio Amarelo: arroz,
milho miúdo e domesticação do porco.
- Agricultura no Nilo: - No Egipto, tal
como seu equivalente mesopotâmico, o rico solo
de aluvião deixado pelas cheias do Nilo
constituía um terreno fértil. Por volta de 3500
a. C., os excedentes agrícolas da região já
alimentavam uma civilização dispersa com cerca
de 870 mil habitantes, que desenvolvera ofícios
especializados, um panteão de deuses e a arte de
escrever com hieróglifos. Porém, ao contrário da
Mesopotâmia, o Egipto era um país fechado.
Ocupando o baixo vale do Nilo e confinado por
desertos, tinha uma sociedade altamente
estratificada segundo uma hierarquia onde
figuravam, em ordem decrescente, os deuses, o
rei ou faraó, os mortos e, por último, os vivos.
- Barcos mercantes egípcios no
Mediterrâneo
.
- A roda é inventada na Suméria:
- Estamos em algum ano por volta de 3 500 a.C.,
quando se acredita ter surgido a roda, talvez na
Mesopotâmia – uma placa de argila, encontrada na
Suméria (Mesopotâmia) e cuja origem remonta a
essa época traz o desenho de uma carroça.
Segundo alguns, o grande invento usado na
locomoção até então era a alavanca. Os antigos
rolavam troncos de árvores sob cargas pesadas,
para deslocá-las. A tão decantada roda nasceu,
provavelmente, num torno de oleiro. Da nossa
nave, podemos ver alguns trabalhando seus
artefactos de barro nesses tornos rústicos. Em 2
000 a.C, os sumérios colocaram raios no lugar da
estrutura maciça da roda. Eram inicialmente
quatro, com o passar do tempo foram aumentando.
A parte externa da roda, nessa mesma época,
passou a ser protegida por pregos de cobre,
colocados muito próximos uns dos outros, para
evitar que o atrito com o solo as danificasse
muito rapidamente. Esse tipo de engenho foi
utilizado em carros de guerra, puxados a cavalo.
Em 1 500 a.C., surgem no Egipto as primeiras
bigas, com quatro rodas. Seguimos adiante, e
vamos fazer uma breve parada por volta de mil
anos antes de Cristo. A roda estava, finalmente,
ligada a um eixo. Contava-se à boca pequena que
a ideia de assim usá-la foi percebida quando um
menino, filho de tecelã, recorrera ao fuso como
brinquedo. Encaixando a roda numa vara, leva a
humanidade a dar um salto!
- Primeira escrita (pictográfica):
- As primeiras escritas de que se tem
conhecimento eram pictográficas, o que comprova
o valor primordial da imagem na percepção e
comunicação humana. A escrita pictográfica não
representava a linguagem verbal. Representava
antes objectos, figuras e ideias,
independentemente da lógica temporal do
discurso. Esta linguagem era formulada de acordo
com as relações lógicas que os elementos
estabeleciam entre si. Os sistemas
não-fonológicos seriam aqueles que não fariam
referência à linguagem verbal, ou seja, seriam
formas de expressão independentes da expressão
oral. Os pictogramas não tinham uma relação
motivada com a linguagem fonética. Eles eram
esboços da realidade, permitindo reconhecer o
que está representado.
3.300 a.C.
Início da era das primeiras
civilizações.
- Suméria : - Berço de algumas das mais
ricas civilizações humanas, a Mesopotâmia viu
surgir os primeiros impérios, as primeiras
cidades da antiguidade e algumas importantes
invenções do homem, como a escrita e a
legislação. A Mesopotâmia (em grego, região
entre rios) está situada na região delimitada
pelos rios Tigre e Eufrates, no sudoeste da
Ásia. Embora seus limites variassem em
diferentes períodos de sua história, de modo
geral a Mesopotâmia abrangia, na antiguidade, o
território do actual Iraque, ficando ao norte a
cordilheira dos Taurus, que a separa da Arménia,
ao sul o golfo Pérsico, a oeste a Assíria (a) e
a leste a Síria.
- (a)
Assíria -
:
Do 3º milénio à segunda metade do 2º, a
cidade-estado de Assur fundou um império exposto
à rivalidade dos Acádios, da Babilónia e de
Mitam. Do século XIV a. C. ao século XI a.C.,
com o primeiro Império Assírio, a Assíria
converteu-se num poderoso estado da Ásia
Ocidental nomeadamente sob o reinado de
Salmanasar I (1275-1245 a. C.). Este império,
porém, foi subjugado pelas invasões arameias. Do
século IX ao século VII, com o 2º Império
Assírio, a Assíria readquiriu o seu poderio e
atingiu o apogeu sob o reinado de Assurbanipal –
669-627 a. C. Aproximadamente. Em 612 a. C. , a
queda de Nínive que sucumbiu aos ataques dos
Medos contra os Babilónios, pôs definitivamente
termo ao poderio assírio.
Apesar de, em finais de 3º milénio, os
Assírios serem activos comerciantes, como o
testam as tabuinhas de Klepe, na Anatólia, só
entre os séculos XII e VII a. C., a sua arte
conhece um período de franca expansão.
Na arquitectura, os Assírios, adoptam os
meios técnicos da Suméria e das outras
civilizações anteriores Mesopotâmia, mas
impressiona o gigantismo arquitectural de Assur,
de Nínive – sendo de assinalar de Assur, de
Nínive – sendo de assinalar o traçado das
fundações – e de Corsabade (Dour-Sharrou-kên).
As limitações de um material frágil, o tijolo
cru, marcam os zigurates (torres com andares),
os santuários e os palácios, cujo traçado não
passa de um simples paralelepípedo a que se
justapõem as diferentes partes (santuários,
salas sumptuosas, apartamentos reais e comuns).
Na escultura, para ornamentar, utilizam
os tijolos e a alternância de reentrâncias e
saliências, mas no interior, os revestimentos a
ouro – enormes figuras, frequentemente de
alabastro e esculpidas em baixo-relevo - ,
constituem a sua grande inovação que se
desenvolve entre os séculos IX e VII
.
A narrativa mitológica e, sobretudo, a
grandiosidade e as façanhas do soberano
constituem a principal fonte de inspiração dos
escultores. Apesar da rigidez das convenções,
nota-se uma certa evolução entre os relevos do
século IX e as do século VII, em que as
personagens se multiplicam, evoluem por vezes no
meio de paisagens, deixando transparecer uma
certa sensibilidade.
As artes
aplicadas, glíptica, relevos de bronze, como por
exemplo as portas de Balawat, conservadas no
Museu Britânico, são marcadas pela
originalidade; os marfins, descobertos em
quantidade (Nimrud, Arslan Tash-Hadatu),
dividem-se em dois grupos: criações autóctones e
importações da Síria ou da Fenícia. Uma grande
quantidade de tabuinhas constituía a biblioteca,
que está conservada no Museu Britânico, do rei
Assurbanipal, descoberta em Nínive. O único
objectivo desta arte da corte era de impor a
supremacia de uma civilização essencialmente
militar, facto que, muito naturalmente,
desapareceu com ela
.
Famosos desde os tempos antigos pela
crueldade e pelo talento guerreiro, os assírios
também se destacaram pela habilidade na
construção de grandes cidades e edifícios
monumentais, como atestam as ruínas encontradas
em Nínive, Assur e Nimrud. Estabelecido no norte
da Mesopotâmia, o império assírio foi uma das
civilizações mais importantes do Oriente Médio.
Os primeiros povoadores conhecidos da região
eram nómadas semitas que começaram a levar vida
sedentária ao longo do IV milénio a.C. Alguns
dados atestam a formação, a partir do século XIX
a.C., de um pequeno estado assírio, que mantinha
relações comerciais com o império Hitita. No
século XV a.C., depois de longo período de
submissão ao império da Suméria, o estado
assírio, com capital em Assur, começou a
tornar-se independente e a se estender.
Puzur-Assur III foi o primeiro monarca que,
livre da opressão suméria, empreendeu a expansão
do reino. Graças ao apogeu comercial, os
assírios puderam lançar-se, sob o reinado de
Shamshi-Adad I (1813-1781 a.C.,
aproximadamente), às conquistas que tanta glória
lhes trouxeram. O soberano concentrou esforços
na construção de um estado centralizado, segundo
o modelo da poderosa Babilónia. Suas conquistas
se estenderam aos vales médios do Tigre e do
Eufrates e ao norte da Mesopotâmia, mas foram
barradas em Alepo, na Síria. Morto o rei, seus
filhos não puderam manter o império em virtude
dos constantes ataques de outros povos e dos
desejos de independência dos súbditos. A Assíria
caiu sob o domínio do reino de Mitani, do qual
se libertou em meados do século XIV a.C. O rei
Assur-Ubalit I (1365-1330) foi considerado pelos
sucessores o fundador do império assírio, também
conhecido como império médio. Para consolidar
seu poder, estabeleceu relações com o Egipto e
interveio nos assuntos internos da Babilónia
(b), casando sua filha com o rei desse estado.
- (b)
Babilónia
(em babilónio: Bab-ilu, “porta de Deus” persa
antigo, abirush), antigo reino da Mesopotâmia,
conhecido originalmente como Sumer e depois como
Sumer e Acad, entre os rios Tigre e Eufrates, ao
sul da actual Bagdad, Iraque. A civilização
babilónica, que existiu do século XVIII ao VI
a.C., era, como a Suméria (c) que a precedeu, de
carácter urbano, embora baseada mais na
agricultura do que na indústria.
Babilónia, nome dado à Baixa
Mesopotâmia, já muito tardiamente designada por
Caldeia, cujas ruínas imponentes, à beira do
Eufrates, se situam a 160 Km a SE de Bagdad. A
sua fundação é atribuída aos Acádios, entre
2325-2160 a.C. A primeira dinastia amorrita
estabeleceu-se ali entre 1894 e 1881 a.C.
Hamurábi, sexto rei desta dinastia, fez dela a
sua capital. Várias vezes conquistada pela
Assíria, a Babilónia permaneceu como a capital
intelectual e religiosa da Mesopotâmia. No final
do século VII, uma dinastia independente,
chamada “caldaica”, estabeleceu-se na Babilónia.
O seu fundador, Nabopolassar, toma parte,
juntamente com os Medos, na destruição da
Assíria. O filho, Nabucodonosor II, conquista
Jerusalém em 587 a.C e, deporta muitos dos seus
habitantes. É no seu reinado que datam as
principais modificações da Babilónia. A cidade é
tomada por Ciro II
em 539, que faz dela uma província do Império
Persa. Xerxes arrasou a Babilónia, depois da
cidade se ter revoltado. Alexandre o Grande
escolheu-a como capital da Ásia e lá morreu em
323 a. C. A Babilónia entrou em declínio após a
fundação, pelos Selêucidas, da cidade de
Selêucia.
As primeiras escavações sistemáticas
foram levadas a cabo por uma missão alemã entre
1889 e 1917 da nossa era. O departamento de
antiguidades do Iraque prosseguiu o trabalho.
A cidade posta a descoberto é sobretudo
neobabilónica. De planta rectangular a cidade do
Iº milénio estava rodeada de fortificações
colossais. Abrindo para a via principal, a porta
de Istar (que foi reconstituída em Berlim), a
mais importante, era decorada com um
revestimento de tijolos coloridos. Outros
monumentos eram também célebres na Antiguidade:
o zigurata (torre de degraus) e, o palácio e
jardins de Semíramis.
- (c)
Suméria: Antes da chegada dos sumérios, a baixa
Mesopotâmia
fora ocupada por um povo não pertencente ao
grupo semita, modernamente conhecido como ubaida,
termo derivado da cidade de al-Ubaid, onde foram
encontrados seus primeiros vestígios. Primeira
força civilizatória presente na área, os ubaidas
estabeleceram-se no território entre 4500 e 4000
a.C. Drenaram os pântanos para a agricultura,
desenvolveram o comércio e estabeleceram
indústrias, entre as quais manufacturas de
couro, metal, cerâmica, alvenaria e tecelagem.
Mais tarde, vários povos semitas infiltraram-se
no território dos ubaidas e formaram uma grande
civilização pré-suméria. O povo conhecido como
sumério, cuja língua predominou no território,
veio provavelmente da Anatólia e chegou à
Mesopotâmia por volta de 3300 a.C. No terceiro
milênio, haviam criado pelo menos 12
cidades-estados: Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab,
Kish, Sipar, Larak, Akshak, Nipur, Larsa e
Bad-tibira. Cada uma compreendia uma cidade
murada, além das terras e povoados que a
circundavam, e tinha divindade própria, cujo
templo era a estrutura central da urbe. Com a
crescente rivalidade entre as cidades, cada uma
instituiu também um rei. O primeiro rei a unir
as diferentes cidades, por volta de 2800 a.C.,
foi o rei de Kish, Etana. Por muitos séculos, a
liderança foi disputada por Lagash, Ur, Eridu e
a própria Kish, o que enfraqueceu os sumérios e
os tornou extremamente vulneráveis a invasores.
Entre 2530 e 2450 a.C., a região foi dominada
pelos elamitas procedentes do leste. Teve
maiores consequências a invasão, pelo norte, dos
acadianos, cujo rei Sargão de Acad integrou a
Suméria a seu império. Sargão
conseguiu ainda submeter os elamitas, antes de
lançar-se à conquista das terras ocidentais, até
a costa síria do Mediterrâneo. Criou assim um
modelo unificado de governo que influenciou
todas as civilizações posteriores do Oriente
Médio. Sua dinastia governou aproximadamente
entre 2350 e 2250 a.C. Após o declínio da
dinastia acadiana, por volta do ano 2150 a.C. o
território foi invadido e devastado pelos gútios,
povo semi-bárbaro originário dos montes Zagros,
a leste da Mesopotâmia. Graças à reacção do rei
de Uruk, que expulsou os invasores, as cidades
ficaram novamente independentes. O ponto alto
dessa era final da civilização suméria foi o
reinado da terceira dinastia de Ur, cujo
primeiro rei, Ur-Nammu, publicou o mais antigo
código legal encontrado na Mesopotâmia. Depois
de 1900 a.C., quando os amorritas conquistaram
todo o território mesopotâmico, os sumérios
perderam sua identidade como povo, mas a cultura
suméria foi assimilada pelos sucessores semitas.
A escrita cuneiforme surgiu na Mesopotâmia, no
terceiro milénio anterior à era cristã.
Escrevia-se sobre tábuas de argila, com
estiletes de bambu. Depois, a tábua era
endurecida ao sol ou em fornos. Graças a essa
escrita, decifrada por linguistas e arqueólogos,
foi possível conhecer inúmeros aspectos da vida,
religião e instituições da Suméria. Os sumérios
possuíam uma rica literatura, que incluía
poemas, epopeias, hinos, lamentações, provérbios
etc. A criação poética mais notável foi o
Gilgamesh, ao qual se somam os mitos de Tamuz e
da deusa Nanai Ishtar de Uruk, do pastor Etana,
do herói Adapa etc. Os templos e edifícios, em
geral feitos de tijolos crus e cozidos, não se
conservaram, pois os materiais empregados não
resistiram ao passar dos séculos. Em
compensação, além das tábuas, conservaram-se
estelas e cilindros gravados, que eram
utilizados como selos, além de esculturas em
pedra. Os sumérios trabalhavam o bronze, o
cobre, o ouro e a prata.
O país compunha-se de 12 cidades, rodeadas de
povoados e aldeias. No alto da estrutura
política estava o rei, monarca absoluto que
exercia o poder Legislativo, Judicial e
Executivo. Abaixo dele havia um grupo de
governadores e administradores seleccionados. Os
perfeitos e conselhos de anciãos da cidade eram
encarregados da administração local. Os
babilónios modificaram e transformaram sua
herança suméria para adequá-la a sua própria
cultura e maneira de ser e influenciaram os
países vizinhos, especialmente o reino da
Assíria, que adoptou praticamente por completo a
cultura babilónica. Mais de 1.200 anos se
passaram desde o glorioso reinado de Hamurabi
até a conquista da Babilónia pelos Persas.
Durante esse longo período, a Estrutura Social e
a Organização Económica, a Arte e a
Arquitectura, a Ciência e a Literatura, o
Sistema Judicial e as Crenças Religiosas
babilónicas, sofreram considerável mudança.
Baseados na cultura do Sumer, os feitos
culturais da Babilónia deixaram uma profunda
impressão no mundo antigo e particularmente nos
Hebreus e Gregos. A influência babilónica é
evidente nas obras de poetas gregos como Homero
e Hesíodo, na Geometria do matemático grego
Euclides, na Astronomia, Astrologia, Heráldica e
na Bíblia. Babilónia se rendeu a Alexandre o
Grande (d) ( em 331 a.C., que depois de
reconstruir alguns de seus monumentos, morreu no
palácio de Nabucodonosor, quando voltava da
Índia em 323 a.C.
- (d)
Alexandre o Grande :
- A poderosa figura de Alexandre III pertence ao
reduzido grupo de homens que definiram o curso
da história humana. Seu gênio militar se impôs
sobre o império persa e assentou as bases da
frutífera Civilização Helenística. Alexandre III
nasceu em 356 a.C. no palácio de Pella,
Macedónia. Filho do rei Felipe II, cedo se
destacou como um rapaz inteligente e intrépido.
Quando o príncipe tinha 13 anos, seu pai
incumbiu um dos homens mais sábios de sua época,
Aristóteles, de educá-lo. Alexandre aprendeu as
mais variadas disciplinas: retórica, política,
ciências físicas e naturais, medicina e
geografia, ao mesmo tempo em que se interessava
pela história grega e pela obra de autores como
Eurípides e Píndaro. Também se distinguiu nas
artes marciais e na doma de cavalos, de tal
forma que em poucas horas dominou o Bucéfalo,
que viria a ser sua inseparável montaria.
Alexandre percebeu que o animal temia a própria
sombra e voltou-o contra o sol, conseguindo
desta maneira doma-lo. Na arte da guerra recebeu
lições do pai, militar experiente e corajoso,
que lhe transmitiu conhecimentos de estratégia e
lhe inculcou dotes de comando. O enérgico e
bravo jovem teve oportunidade de demonstrar seu
valor aos 18 anos, quando, no comando de um
esquadrão de cavalaria, venceu o batalhão
sagrado de Tebas na Batalha de Queronéia em 338
a.C. Depois do assassinato de seu pai em 336
a.C., Alexandre subiu ao trono da Macedónia e se
dispôs a iniciar a expansão territorial do
reino. Para tão árdua empreitada contou com
poderoso e organizado exército, dividido em
infantaria, cuja principal arma era a zarissa
(lança de grande comprimento) e cavalaria, que
constituía a base do ataque.
Imediatamente depois de subir ao trono,
Alexandre enfrentou uma sublevação de várias
cidades gregas e as incursões realizadas no
norte de seu reino pelos Trácios e Ilírios, aos
quais logo dominou. Em contrapartida, na Grécia,
a cidade de Tebas opôs grande resistência, o que
o obrigou a um violento ataque no qual morreram
milhares de tebanos. Pacificada a Grécia, o
jovem rei elaborou seu mais ambicioso projecto:
a conquista do Império Persa, a mais assombrosa
campanha da antiguidade. Em 334 a.C. cruzou o
Helesponto, e já na Ásia avançou até o Rio
Granico, onde enfrentou os persas pela primeira
vez e alcançou importante vitória. Em Sardes, na
Lídia, de posse de seu tesouro, Alexandre
construiu um templo a Zeus, no local do antigo
palácio real do rei Croesus. Zeus, o Deus
padroeiro da Macedónia, encontra-se no reverso
de quase toda cunhagem de prata de Alexandre,
sentado no trono e segurando uma águia, segundo
a famosa Estátua de Fídias em Olímpia. O verso
traz Hércules com seu capuz de máscara de leão
morto em Neméia. À medida que as fontes de
cunhagem marchavam para leste, o Zeus, esculpido
por operários não gregos, torna-se
crescentemente vago e o Hércules cada vez mais
parecido com Alexandre.
Alexandre prosseguiu triunfante em sua jornada,
arrebatando cidades aos persas, até chegar a
Górdia, onde cortou com a espada o "Nó Górdio",
o que, segundo a lenda, lhe assegurava o domínio
da Ásia. Ante o irresistível avanço de
Alexandre, o rei dos persas, Dario III, foi a
seu encontro. Na Batalha de Isso em 333 a.C.
consumou-se a derrota dos persas e começou o
ocaso do grande império. Em seguida, o rei
macedónio empreendeu a conquista da Síria em 332
a.C. e entrou no Egipto. O sonho de Alexandre,
de unir a cultura oriental à ocidental, começou
a concretizar-se. O rei da Macedónia iniciou um
processo pessoal de orientalização ao tomar
contacto com a civilização egípcia. Respeitou os
antigos cultos aos deuses egípcios e até se
apresentou no santuário do Oásis de Siwa, onde
foi reconhecido como filho de Amon e sucessor
dos faraós. Em 332 a.C. fundou Alexandria,
cidade que viria a converter-se num dos grandes
focos culturais da antiguidade. Depois de
submeter a Mesopotâmia, Alexandre enfrentou
novamente Dário na Batalha de Gaugamela em
331a.C., cujo resultado determinou a queda
definitiva da Pérsia em poder dos macedónios.
Morto Dario em 330a.C., Alexandre foi proclamado
rei da Ásia e sucessor da dinastia persa. Seu
processo de orientalização se acentuou com o uso
do selo de Dário, da tiara persa e do cerimonial
teocrático da corte oriental. Além disso, no ano
328 contraiu matrimónio com Roxana, filha do
sátrapa da Bactriana, com quem teve um filho de
nome Alexandre IV.
A tendência à fusão das duas culturas gerou
desconfianças entre seus oficiais macedónios e
gregos, que temiam um excessivo afastamento dos
ideais helénicos por parte de seu monarca. Nada
impediu Alexandre de continuar seu projecto
imperialista em direcção ao Oriente. Em 327 a.C.
dirigiu suas tropas para a longínqua Índia, país
mítico para os gregos, no qual fundou colónias
militares e cidades, entre as quais Nicéia e
Bucéfala, esta erigida em memória de seu cavalo,
às margens do Rio Hidaspe. Ao chegar ao Rio Bias,
suas tropas, cansadas de tão dura viagem, se
negaram a continuar. Alexandre decidiu regressar
à Pérsia, viagem penosa no qual foi ferido
mortalmente e acometido de febres desconhecidas,
que nenhum de seus médicos soube curar.
Alexandre morreu na Babilónia, a 13 de Junho de
323 a.C., com a idade de 33 anos. O império que
com tanto esforço edificou, e que produziu a
harmoniosa união do Oriente e do Ocidente,
começou a desmoronar, já que só um homem com
suas qualidades poderia governar território tão
amplo e complexo, mescla de povos e culturas
muito diferentes. Seu império foi dividido por
seus generais: Seleucos I fundou a Dinastia
Seleucida na região da Síria; Ptolomeu I fundou
a Dinastia Ptolomaica no Egipto; Lisimacos se
apoderou da região da Trácia e Felipe III da
Macedónia e Grécia. Depois de sua morte
prematura, a influência da civilização grega no
Oriente e a orientalização do mundo grego
alcançaram sua mais alta expressão no que se
conhece sob o nome de helenismo, fenómeno
cultural, político e religioso que se prolongou
até os tempos de Roma.
O Sátrapa persa Mazaios foi designado o
governador da Babilónia pelo conquistador
macedónio e foi inaugurada uma distinta série de
moedas, os Tetradrachmas de Attica que continuou
sendo emitidos até a metade do próximo século.
Uma série contemporânea, baseada nas "Corujas"
atenienses e nos velhos tipos de "Aquemênida",
dinastia persa, também foram produzidos.
Babilónia foi eclipsada em última instância por
Selêucia no Tigre, fundada em 312 a.C. pelo
primeiro dos monarcas dos Selêucidas, e durante
o período Helenístico declinou gradualmente.
Depois de seu reinado, a Assíria atravessou uma
fase de conflitos bélicos com hititas e
babilónios, que se prolongou até o fim do século
XIII a.C. Quem afinal conseguiu impor-se foi
Salmanasar I (1274-1245), que devolveu ao estado
assírio o poder perdido. Esse monarca estendeu
sua influência até Urartu (Arménia), apoiado num
exército eficaz que conseguiu arrebatar da
Babilónia suas rotas e pontos comerciais. Sob o
reinado de Tukulti-Ninurta I (1245-1208), o
império médio alcançou seu máximo poderio. A
mais importante façanha do período foi a
incorporação da Babilónia, que ficou sob a
administração de governadores dependentes do rei
assírio. Com as conquistas, o império se
estendeu da Síria ao golfo Pérsico. Depois da
morte desse rei, o poder assírio decaiu em
benefício da Babilónia. Passado um período de
lutas contra os invasores hurritas e mitânios, a
Assíria ressurgiu, no fim do século XII a.C.,
com Tiglate-Pileser I (1115-1077), que venceu a
Babilónia numa campanha terrivelmente dura. Após
sua morte, a Assíria sofreu o domínio dos
arameus, do qual não conseguiu libertar-se até
que Adad-Ninari II (911-891) subiu ao trono.
Tukulti-Ninurta II (890-884) devolveu à Assíria
a antiga grandeza e submeteu a zona de
influência dos arameus, no Eufrates médio.
Sucedeu-lhe Assur-Nasirpal II (883-859), o mais
desumano dos reis assírios, que pretendeu
reconstruir o império de Tiglate-Pileser I e
impôs sua autoridade com inusitada violência.
Foi o primeiro rei assírio a utilizar carros de
guerra e unidades de cavalaria combinadas com a
infantaria. Seu filho Salmanasar III (858-824),
conquistador da Síria e do Urartu, foi
igualmente cruel. O último grande império
assírio iniciou-se com Tiglate-Pileser III
(746-727), que dominou definitivamente a
Mesopotâmia. Sua ambição sem limites o levou a
estender o império até o reino da Judeia, a
Síria e o Urartu. Salmanasar IV e Salmanasar V
mantiveram o poderio da Assíria, que anexou a
região da Palestina durante o reinado de Sargão
II (721-705). O filho deste, Senaqueribe
(704-681), teve que enfrentar revoltas internas,
principalmente na Babilónia, centro religioso do
império que foi arrasado por suas tropas.
Asaradão (680-669) reconstruiu a Babilónia e
atacou o Egipto, afinal conquistado por seu
filho Assurbanipal (668-627). No ano 656, porém,
o faraó Psamético I expulsou os assírios do
Egipto e Assurbanipal não quis reconquistar o
país. Com esse soberano, a Assíria tornou-se o
centro militar e cultural do mundo. Depois de
sua morte, o império decaiu e nunca mais
recuperou o esplendor. Fruto das múltiplas
relações com outros povos, a civilização assíria
alcançou elevado grau de desenvolvimento. Entre
as preocupações científicas dos assírios
destacou-se a astronomia: estabeleceram a
posição dos planetas e das estrelas e estudaram
a Lua e seus movimentos. Na matemática
alcançaram alto nível de conhecimentos,
comparável ao que posteriormente se verificaria
na Grécia clássica. O espírito militar e
guerreiro dos assírios se reflecte em suas
manifestações artísticas, principalmente nos
relevos que decoram as monumentais construções
arquitectónicas. Representam sobretudo cenas
bélicas e de caça, em que as figuras de animais
ocupam lugar de destaque, como no relevo "A leoa
ferida". Também cultivaram a escultura em
marfim, na qual foram grandes mestres, como se
constata nos painéis de Nimrud, que sobreviveram
à madeira dos móveis em que eram originariamente
incrustados. A religião assíria manteve as
ancestrais tradições mesopotâmicas, embora tenha
sofrido a introdução de novos deuses e mitos. A
eterna rivalidade entre assírios e babilónios
chegou à religião com a disputa pela
preponderância de seus grandes deuses, o assírio
Assur e o babilónio Marduk. O império assírio
sucumbiu ao ataque combinado de medas e
babilónios. Sob as ruínas de uma esplêndida
civilização, ficou a trágica lembrança de suas
impiedosas conquistas e da ilimitada ambição de
seus reis.
O limite entre as regiões norte, montanhosa, e a
sul, plana, era a zona de Bagdad, onde mais se
aproximam os rios Tigre e Eufrates. Os romanos
as denominaram, respectivamente, Mesopotâmia e
Babilónia. Muitos grupos étnicos tentaram
fixar-se na região, e esses movimentos
migratórios acabaram por fazer surgir
importantes civilizações, como a dos assírios,
que ocuparam a área montanhosa, e a dos sumérios
e babilónios, instalados nas planícies do sul. A
essência da cultura Suméria se manteve mesmo
após a desintegração do estado sumério e por
isso pode-se, apesar da grande diversidade dos
grupos étnicos, falar de uma civilização
mesopotâmica. Os primeiros imigrantes chegaram à
Mesopotâmia no quarto milénio a.C. Fixaram-se no
sul e ali criaram o que teria sido, segundo a
tradição suméria, seu primeiro núcleo urbano,
Eridu. O povoamento tornou-se mais intenso no
milénio seguinte, com um novo movimento
migratório, procedente do leste. Ao mesmo tempo,
no norte, grupos de origem semítica formavam uma
nova cultura, que assumiria gradativamente papel
preponderante na região. A Mesopotâmia era, de
todo modo, povoada por dois povos de origens
distintas, o que explica as denominações de
terra de Sumer (sul) e Acad (norte). Do ponto de
vista cultural, os grupos que habitavam a área
no chamado período Obeid I eram atrasados em
relação aos povos do sul, mas alguns centros,
como Nínive, já se assemelhavam mais a cidades
do que a aldeias. Os habitantes do norte
expandiram-se para o sul, no século XXIV a.C., e
fundaram um reino unificado sob o governo de
Sargão, criador de uma dinastia semítica, cuja
capital era a cidade de Acad. Os invasores não
possuíam cultura própria, motivo pelo qual
absorveram a cultura e as técnicas de guerra do
sul. Assim, a transferência do centro do poder
político, de início instalado na cidade de Acad,
para Nínive ou Babilónia, não teve influência na
evolução cultural da região. Com a terceira
dinastia de Ur, cujos domínios incluíam a
Assíria, praticamente completou-se a unificação
da Mesopotâmia. O norte preservava apenas seu
idioma semita, escrito, porém, em caracteres
cuneiformes sumérios. Por volta de 2000 a.C.,
invasores elamitas e amorritas derrubaram essa
terceira dinastia de Ur. Após um período de
destruições, o sul voltou a prosperar, enquanto,
no norte, Assur tornou-se independente e na
Babilónia surgiu uma dinastia local, amorrita,
apoiada pelos semitas acadianos. O mais poderoso
soberano da Babilónia foi Hamurabi, responsável
por uma nova unificação da Mesopotâmia. Seu
império se estendeu do golfo Pérsico até o norte
de Nínive, e das montanhas elamitas até a Síria.
A região logo voltaria a ser dividida,
entretanto, entre o sul e o norte, depois que os
reis cassitas derrubaram a dinastia de Hamurabi.
Os cassitas mantiveram a cultura e as tradições
babilónicas, mas transformaram o reino com uma
ampla reestruturação administrativa e a adopção
do sistema feudal. A dinastia cassita governou
até cerca de 1430 a.C., e seu domínio foi
marcado por uma significativa produção
literária. Algumas das obras do período
configuraram um padrão para épocas posteriores,
até mesmo para a redacção da epopeia de
Gilgamesh. Após o período da dinastia cassita, a
Babilónia perdeu sua influência política, ao
mesmo tempo em que o poderio dos assírios
cresceu consideravelmente. Nesse período,
invasores indo-europeus criaram diversos estados
na região, entre os quais o reino de Mitani. No
século XII a.C., o poderio assírio chegou ao
apogeu sob o reinado de Tukulti-Ninurta I. A
Assíria dominava então toda a região localizada
a leste do Eufrates. Os sucessores do soberano
não conseguiram manter o território, cuja
desintegração política foi motivada também pela
chegada à região de diversas tribos de arameus,
que aí fundaram vários reinos independentes. Nos
séculos seguintes, os reinos arameus começaram a
ser incorporados ao império da Assíria, a que a
Mesopotâmia voltou a ficar subordinada. Nesse
período, a ascensão de uma das tribos dos
arameus, os caldeus, contribuiu de maneira
significativa para a queda do poderio da Assíria
e para o estabelecimento, no sul da região, do
reino neobabilônico de Nabopolassar. Esse
soberano firmou com Ciaxares, da Média, uma
aliança que dividiu a Mesopotâmia entre medos e
babilónicos, situação que se manteve até 539
a.C., quando a região foi transformada numa
satrapia do império persa durante o reinado de
Ciro. No período, registrou-se um florescimento
cultural, em que a literatura, a religião e as
tradições sumérias e babilónicas eram
preservadas nas escolas dos templos. Em 331
a.C., a vitória de Alexandre o Grande sobre
Dario III marcou o início da colonização
macedónica. A Babilónia tornou-se então
importante centro cultural, verdadeiro ponto de
encontro entre as culturas grega e oriental. Com
a morte de Alexandre, instalou-se uma Dinastia
Selêucida (e) que governou por pouco mais de um
século. Por volta de 140 a.C., a Mesopotâmia foi
incorporada ao império parta.
CONTINUA