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As Sete Maravilhas de Portugal
 

 


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

Formatação: Iara Melo
 

As Sete Maravilhas de Portugal
 

 
No dia 7 de Julho de 2007, foi feita a divulgação da Declaração Universal das novas sete maravilhas do mundo, tendo como palco o estádio do Sport Lisboa e Benfica, em Lisboa, onde foram apresentadas também as Sete Maravilhas de Portugal.

Monumentos Vencedores (por ordem alfabética):

Castelo de Guimarães (*)
Castelo de Óbidos (*)
(*) Castelos: O enfraquecimento do poder central iria, no fim do Império Romano, contribuir para aumentar a importância latifundiária e, graças à sua autarcia económica e jurídica, a “villa” tornava-se um local de refúgio, fortificado como fora, outrora, o “oppidum”. As cidades tinham perdido a sua importância e isolavam-se dentro de uma muralha, reforçada por um reduto, o “castellum” ou castelo, último recurso para a população ou, em caso de necessidade, dirigido contra ela.
Em Portugal consideram-se três tipos de fortificação: medieval, de transição e abaulada ou moderna. Pode dividir-se a evolução da fortificação medieval. Típica da Península ibérica, em quatro período: o da Reconquista – séculos XII e seguinte; período de fortificação orientada contra os árabes, principalmente de Norte para Sul, mantendo fortificação a Este; o período de D. Dinis – final do século XIII e início do século XIV – de fortificação orientada contra Castela, e Este; o final do século XIV, de características semelhantes ao período anterior; e o período de D. Manuel I – início do século XVI – que termina em 1516. E a construção da Torre de Belém, iniciada nesse ano, que marca o começo da fortificação de transição e que se prolonga até meados do século XVI, dando lugar à fortificação abaluarda ou moderna.

Mosteiro de Alcobaça (**)
Mosteiro da Batalha (**)
Mosteiro dos Jerónimos ou Santa Maria de Belém (**)
(**) Os mosteiros: tiveram grande desenvolvimento, no século VI, com os Beneditinos e, no século XIII, com as ordens mendicantes. Os mosteiros da Europa Ocidental foram os grandes centros de cultura, frequentemente as únicas instituições em que se refugiou e salvou o legado cultural da Antiguidade – formaram valiosíssimas bibliotecas e copiaram e traduziram milhares de obras literárias e científicas, agindo, portanto, como autênticos editores. Os mosteiros também costumavam ser centros de exploração agrícola e de criação de gado, onde se continuavam as tradições agrícolas dos romanos e gregos e se experimentavam e divulgavam novas culturas e novas formas de exploração da terra. A fundação dos mosteiros não é exclusiva da religião cristã. Existem mosteiros nas outras religiões, como na muçulmana, no hinduísmo, budismo, lamaísmo e tauismo.

Palácio Nacional da Pena (***)
(***) Palácio: residência grande e sumptuosa de um rei, chefe de estado, de uma personalidade importante ou de um particular abastado.

Torre de Belém (****)
(****) Torre: edifício ou corpo de edifício de planta condensada e claramente mais alto que largo.

 

 

 Castelo de Guimarães

 

Foi em torno do mosteiro fundado pela Condessa Mumadona Dias (01) parente do rei Ramiro de Leão que se construiu, a partir do século X o povoado de “Vimaranes”, como era conhecido naquela época. Os ataques sucessivos dos mouros e dos povos vindos do Norte da Europa, levaram à construção de uma torre de uma muralha para protecção do mosteiro e da condessa que nele vivia. Mais tarde, e já com a formação do Condado Portucalense, nele viveram o Conde D. Henrique e sua esposa D. Teresa. Preocuparam-se em melhorar e ampliar o castelo sendo nessa altura edificada a alta Torre de Menagem, que conta nada mais, nada menos, do que 28 metros de altura. No entanto, as modificações foram-se sucedendo e o seu actual aspecto é o que ficou impresso pelo reinado de D. Dinis. Por sua vez, as torres que flanqueiam as duas portas já são do reinado de D. João I. Ao longo da muralha imponente correm adarves e seguros, unindo ainda mais três torres quadradas, onde os prisioneiros viram mais frios os seus dias. Mas é depois de transpor as portas que é possível entrar no terreiro e encontrar vestígios de uma casa de habitação, provavelmente alcáçova dos condes e berço do Conquistador D. Afonso Henriques. A porta da traição também lá continua, aos olhos dos curiosos que gostam de saber o que diz a lenda – que foi por ali que saíram os espanhóis na manhã de São Mamede. A este castelo não são alheias as peripécias entre D. Afonso Henriques e sua mãe, D. Teresa. Após a morte do Conde D. Henrique, pai de Afonso Henriques, a esposa e o filho não baixaram os braços e decidiram prosseguir a luta pela independência. Mas nem tudo correu às mil maravilhas, pois, D. Teresa tinha-se rodeado de alguns nobres galegos, cuja influência não era nada bem vista. Face à situação, D. Afonso Henriques assumiu o comando da nobreza portuguesa a que o rei de Leão respondeu com o cerco. Egas Moniz interveio pelo jovem e prometeu ao rei de Leão que lhe prestaria obediência. De facto, resultou, porque o rei galego levantou o cerco, só que D. Afonso Henriques não se rendeu e continuou com a sua guerra que terminou entre ele e sua mãe nos campos de São Mamede em Junho de 1128, naquela que ficou conhecida como a Batalha que deu origem ao reino português. Estava cortada a união com a Galiza e abria-se um longo caminho de história para o Condado Portucalense. O povoado de “Vimaranes” foi crescendo e mais tarde, foi o rei D. Dinis quem ordenou a construção de uma muralha que dividia o povoado em dois bairros: o de Santa Maria, junto ao Mosteiro e o bairro militar, que envolvia a Igreja de São Miguel e o Castelo. Eram dois quilómetros de muralha que arrancava do castelo por oito torres e rasgada por oito portas. Não contente com o muro. D. João I mandou-o derrubar. No século XIX, a Câmara Municipal usou os restos da muralha, bem como muito do granito do castelo para calcetar as ruas da cidade e em 1836 houve mesmo um vereador que chegou a propor o total arrasamento do castelo. Felizmente, não passou de uma proposta. Nem sempre foi fácil a vida deste castelo que apesar de tudo conseguiu manter uma unidade estética e que é considerado o ex-libris dos monumentos nacionais.
(01) Mumadona Dias: fundadora de Guimarães no século X. Parente de Ramito II, era filha dos condes Diogo Fernandes e Onega. Em 926, já estava casada com o conde Hermenegildo (ou Mendo) Gonçalves, de quem teve seis filhos: o primogénito, Gonçalo Mendes, foi o tronco dos condes portucalenses. Em 950 era já viúva e fundou o Mosteiro de São Mamede, ao qual se viria a acolher, e o Castelo de São Mamede, à sombra dos quais se formou o burgo depois chamado Guimarães. Os seus domínios estendiam-se desde Coimbra e Aveiro até à Galiza e desde o litoral até ao Soajo além do Tâmaga, sendo a personagem mais poderosa no Nordeste peninsular na segunda metade do século X. Ainda vivia em 992.
 
Encontra a monografia da cidade de  Guimarães neste link em baixo:
http://www.carlosleiteribeiro.caestamosnos.org/Distritos_Portugueses/Braga.html 

 
Castelo de Óbidos
 


 Na época da Conquista, o castelo não existiria tal como se encontra. De origem romana, segundo se recorda, passou a fortificação árabe. O castelo é um recinto amuralhado, com as suas ameias e barbacans, guarnecido de defensivas torres e torreões que ladeiam vasto recinto ou pátio interior, outrora apalaçado. Óbidos, a princesa do Oeste, com o seu castelo e extensa muralha a coroar a pequena colina. Para entrar nela e participar no branco cal das casas típicas, existem quatro portal e dois postigos – as Portal de Óbidos, em forma de cotovelo e enriquecidas com um nicho de azulejos do século XVII, as Portas da Senhora da Graça ou do Vale, a Porta Talhada e a Porta da Cerca e ainda os Postigos do Jogo da Bola e do Poço. As Portas da Senhora da Graça (antiga padroeira de Óbidos) e as Portas da Vila, foram dotadas de Capelinhas no século XVIII. Pelas ruas de calçada irregular já vaguearam bandeiras romanas, celtas, visigodas, alanas e árabes, estas últimas até ao momento em que D. Afonso Henriques as destronou definitivamente usando para isso de um estratagema, tal como fizera na conquista de outros castelos. Na madrugada do dia 10 de Janeiro de 1148, um grupo de guerreiros, chefiados pelo português Gonçalo Mendes da Maia (o Lidador), escondendo-se nos arbustos, no lado oposto ao das tropas de D. Afonso Henriques. Disfarçados com ramagens, avançaram lentamente os guerreiros, sem despertarem qualquer tipo de desconfiança nos mouros. Entretanto, do outro lado, o rei português era visto pelo inimigo, dado que a sua missão era precisamente desviar a atenção dos mouros para aquele lugar. As tropas de Gonçalo Mendes da Maia atingiram facilmente uma porta esquecida pelos almorávidas, que passou a ser conhecida como a Porta da Cerca ou da Traição, e tomaram o castelo de Óbidos nessa manhã. D. Afonso Henriques passou a ser conhecido pelos muçulmanos como “o maldito de Deus”.
D. Sancho I mandou reconstruir a muralha ocidental e construir a torre do Facho, onde ainda existem alvenarias romanas. No conflito existente entre o rei D. Sancho II e o irmão, o futuro rei D. Afonso, o castelo de Óbidos, apoiou sempre o monarca. Defendendo-se das ameaças de D. Afonso, nomeado, entretanto, “procurador e regedor do Reino”, o castelo de Óbidos manteve a sua fidelidade a D. Sancho I.  D. Dinis, durante o seu reinado, mandou fazer obras na muralha e no castelejo.
Durante a crise de 1383-85, era governador do castelo de Óbidos João Gonçalves, que tomou o partido de D. Beatriz. Convicto até ao fim, acabou por morrer na Batalha de Aljubarrota, lutando contra D. João I (o Mestre de Avis). O castelo de Óbidos foi uma das fortificações contempladas na reconstrução efectuada por D. Manuel I, mas no século XVII, as muralhas já estavam em muito mau estado e as portas encontravam-se danificadas, situação que se veio a agravar com o terramoto de 1755, que destruiu a alcáçova e a cerca do castelo. A alcáçova do castelo foi reconstruída pela Direcção Geral dos Monumentos Nacionais e hoje é uma pousada. Enriquecida pela arte manuelina das portas e janelas do andar superior, oferece-nos uma belíssima fachada branca que dá para a praça de armas. Onde outrora foi o Paço dos governadores, restam agora umas portas do estilo gótico e, no primeiro existem pequenas janelas com cantarias. No andar nobre, observamos duas janelas geminadas de estilo também manuelino. No portal decorado e em arco, o brasão das armas reais encontra-se por cima do dos Noronhas e Sousas. Lá fora, a cerca quase rectilínea do castelo de Óbidos desce, a ocidente, e quebra-se em vários ângulos na face oriental. O entardecer faz com que as muralhas pareça uma “cinta de ouro”, como um dia lhe chamou D. Urraca, e a sua beleza fez com que desde cedo, várias rainhas se apaixonassem por este castelo. Com D. Urraca, mulher de D. Afonso II, Óbidos passou a ser considerada vila das rainhas portuguesas e, quando D. Dinis se casou com a rainha Isabel (conhecida por rainha Santa Isabel), deu-lhe de presente o senhorio de Óbidos, ficando a vila vinculada à Casa das Rainhas até ao ano da sua extinção, em 1834. Mais tarde, foi a mulher de D. João II, D. Leonor de Lencastre, fundadora das Misericórdias, que escolheu Óbidos para retiro temporário, depois de lhe ter morrido o único filho que possuía.
 
Neste link pode conhecer a monografia de Óbidos
http://www.carlosleiteribeiro.caestamosnos.org/Distritos_Portugueses/Leiria.html 


 
Mosteiro de Alcobaça
 

 

 D. Afonso Henriques doou, em 1153 as terras de Alcobaça à Ordem de Cister e ela ria manter-se na região durante quase 700 anos. Servindo o mosteiro pela navegação que entrava terra adentro, quer pelo porto de Salir, quer pelo de Pederneira, com acesso a duas lagoas distintas, percorridas pelas embarcações que transportavam as mercadorias importadas ou exportadas, vieram mais tarde os monges, à medida que se foram entulhando, a transformá-las em terrenos de cultura, aumentando assim a área valorizada pela agricultura, em relação à qual revelaram invulgar saber, a ponto de Vieira Natividade se lhes ter referido como “monges - agrónomos”. Foi de facto a Ordem que sistematizou o povoamento da bacia hidrográfica dos rios Alcoa e Baça, que industriou os colonos nas inovações agrícolas vindas de além-Pirenéus, que estudou a melhor cultura para o melhor terreno, que organizou quintas, que criou vilas, que construiu a magnífico Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, em suma, foi a Ordem de Cister que, à sombra de um velho castelo árabe, criou, quase a partir do nada, uma região que é hoje das mais ricas de Portugal. Durante o século XIV, o mosteiro distribuiu numerosas castas de povoações, que originaram, ao tempo de D. Manuel I, catorze vilas de foral real. O mosteiro administrava um imenso território, de São Pedro de Moel a São Martinho do Porto, de Aljubarrota a Alvorninha. Conheceu o seu melhor período até ao reinado de D. João I. Só voltou a experimentar um pálido paralelo desse período no século XVIII, no tempo do Marquês de Pombal. Durante as centúrias de Quinhentos e Seiscentos, a administração real fez-se sentir em Alcobaça com a presença dos abades comendatários. No final do 1º quartel do século XVI foram instituídos os abades trienais, decisão que contrariava os preceitos da Regra de São Bento. Em 1567, Alcobaça separou-se da sua casa-mãe, em França, para se tornar cabeça da Congregação Independente Portuguesa, por bula de Paio V.
Em meados do século XVII, a maioria das terras dos coutos de Alcobaça pertencia já às velas e aos seus habitantes; é dessa época o plano de expansão do mosteiro, que entretanto havia crescido quase junto à confluência dos rios Alcoa e Baça.
A grande igreja abacial, cuja planta é de cruz latina, tem a orientação nascente-poente e desenvolve-se paralelamente à galeria sul do clautro. Insere-se numa estética sóbria e austera, característica da Ordem, e apresenta três grandes naves sensivelmente da mesma altura – uma central e duas colaterais -, um transepto desenvolvido, no qual se abrem várias capelas, e uma cabeceira bastante complexa, formada pela capela-mor, pelo deambulatório e pelas capelas radiantes. A altura das naves é de 19,20 metros e a largura da igreja de 17,22 metros. A magnitude da nave central contrapõe-se à das naves colaterais, muito mais estreitas, resultando um contraste entre o vasto espaço e uma concentração em altura. A iluminação faz-se através da rosácea aberta na fachada principal e das frestas das naves colaterais. No braço sul, junto ao altar do Trânsito de São Bernardo, figuram as pedras lapidares dos túmulos de D. Afonso II e de D. Afonso III. Nesta zona faz-se a circulação para a Sala dos Túmulos, destinada a panteão real pelos reis da 1ª dinastia. Aqui se encontram os túmulos de D. Urraca, de D. Brites e dos filhos de D. Afonso II. Figuram ainda conjuntamente mais três túmulos sem inscrições, que parecem ser de D. Constança, filha de D. Afonso III e de D. Dinis, filho de Afonso IV. No transepto, e de cada lado, estão hoje colocados os túmulos de D. Inês de Castro e de D. Pedro I, os quais foram transferidos da Sala dos Túmulos. Junto ao arco cruzeiro do lado Norte está o túmulo de D. Pedro Afonso, irmão de D. Afonso Henriques.
O claustro só foi edificado no tempo do rei D. Dinis, tendo as respectivas obras sido iniciadas em 1308 e dirigidas pelos arquitectos Domingo Domingues e mestre Diogo, que o terminou em 1311. É uma construção de planta quadrada com largas galerias. A sua cobertura é feita pela articulação de arcos quebrados e de volta perfeita e assenta directamente nos muros. As galerias apresentam 51 metros de comprimento, 6 metros de vão e 4 metros de altura e abrem-se para o pátio interior através de arcadas de cantaria composta por arcos quebrados assentes sobre duas colunas duplas. Ainda nesta galeria fica a fonte de abluções, uma construção octogonal, amplamente decorada por elementos vegetalistas. Em várias zonas do claustro existem inscrições tumulares simples, acompanhadas de elementos figurativos ou de composições heráldicas. No interior da igreja e através de uma porta aberta na nave colateral Norte faz-se o acesso à Sala dos Reis, assim designada por nela terem sido colocadas, ao longo das paredes, sobre mísulas, as estátuas dos reis portugueses, desde D. Afonso Henriques até D. José. A este conjunto pertence também o grupo da coroação de D. Afonso Henriques pelo Papa. Estes núcleos escultóricos são obra dos frades barristas do mosteiro. Painéis de azulejos do século XVIII, representando temas alusivos à fundação lendária do mosteiro, decoram a sala. Além do claustro principal, foram construídos mais dois: o do Cardeal, contíguo à ala nascente do de D. Dinis, e o Rachadouro, junto da livraria, actualmente compreendido nas dependências do asilo. A actual fachada – séculos XVII e seguinte – é bastante tardia em relação ao espírito arquitectónico do interior do templo: o espírito barroco que a enforma está totalmente afastado da orgânica primitiva, que terá correspondido a uma unidade estética com o interior. O acesso faz-se por três lanços de escadas que desembocam num amplo patim. O frontispício ergue-se sobre esta estrutura, em dimensões colossais de 24 metros de largura e 42 metros de altura. O portal, único dispositivo que subsiste da primitiva fachada, tem uma só porta, enquadrada por arcos ogivais assentes sobre colunas, cujos capitéis apresentam uma decoração em relevo muito variada. Ladeando este conjunto, abrem-se nichos que abrigam as estátuas de São Bento e São Bernardo. As peanhas e os baldaquinos dos nichos apresentam uma rica decoração de pormenor e variedade de elementos. Sobre os dois nichos, enquadrados por pilastras, corre uma varanda a toda a largura da fachada, decorada com a representação das Quatro Virtudes Cardeais. Por cima desta varanda e em posição recolhida ergue-se a fachada propriamente dita, composta por dois corpos. No primeiro abrem-se três janelas e no segundo desenvolvem-se duas torres; ao centro, um nichos contendo a imagem da Virgem, decorado com duas pilastras e um entablamento coroado por duas figuras de anjos. Todo este vasto conjunto é, na sua maior parte, obra de autores anónimos. É, no entanto, conhecida a actividade do arquitecto Domingo Domingues e de mestre Diogo nas obras do claustro (século XIV), a intervenção de Chanterene e dos Castilhos também neste núcleo e, muito provavelmente na fonte de Abluções (século XVI, e a participação de João Castilho, nos trabalhos da livraria e da sacristia. É também de artistas não identificados grande parte da vasta escultura do mosteiro, sector importante quer pela variedade de materiais e experiências técnicas, quer pela originalidade de algumas soluções. Neste sector destacam-se três núcleos importantes, considerando a natureza dos materiais empregados, a pedra, a madeira e o barro.
 
Monografia da cidade de Alcobaça, neste link:
 
http://www.carlosleiteribeiro.caestamosnos.org/Distritos_Portugueses/Leiria.html 

 
Mosteiro da Batalha
 
 


 
 
Não tinham passado três anos sobre a derrota dos castelhanos na Batalha de Aljubarrota quando o Mosteiro de Santa Maria da Vitória começou a ser construído, tendo D. João I ainda a ver pelo menos a cabeceira e talvez parte das dependências do claustro. O Panteão Real onde repousam os iniciadores da 2ª dinastia, é já obra de D. Dinis. A construção prolongou-se até ao reinado de D. João III, e está à vista de todos o que vem do tempo de D. Manuel I e o que lhe é posterior, o que reflecte o Renascimento Português e o que traduz a epopeia dos Descobrimentos. Deixaram a sua marca neste grandioso mosteiro, Afonso Domingues, Huguet, Martim Vasques, Botaca, Mateus Fernandes e tantos outros, que contribuíram com o seu talento para a feitura de tão bela obra. Vale a pena parar diante do portal principal para apreciar o trabalho de Huguet, e, no interior convém recordar que se está sob uma cobertura gótica que deve alguma da sua técnica à igreja do Mosteiro de Alcobaça. Depois da Iª Grande Guerra Mundial, que abalou a Europa entre 1914 e 1918, e na qual Portugal tomou parte activa, passaram a repousar na Sala do Capítulo, os restos mortais de um soldado desconhecido.
Este mosteiro é um importante marco da arquitectura gótica em Portugal, e é composto por um núcleo central – O Claustro Real -, à volta do qual estão articulados a igreja e os outros sectores conventuais. A igreja desenvolve-se ao longo da fachada Sul do transepto, orientada no sentido nascente – poente. A vista global do exterior do edifício dá-nos uma perspectiva de horizontalidade, em virtude da implantação, do desenvolvimento de outras construções para além do simples corpo da igreja e de certos elementos estruturais e decorativos, como as molduras horizontais que correm ao longo de silharia da fachada. Esta horizontalidade de massas é, de certo modo, quebrada na fachada principal pela disposição de certos núcleos e principalmente no interior da igreja, onde a verticalidade é bastante acentuada. A fachada principal, virada a poente, revela uma particular composição de elementos pela combinação de certos pormenores arquitectónicos e decorativos. A disposição interna revela-se no exterior. Um corpo central mais elevado e mais marcado pela decoração assinala a nave central, enquanto a divisão das naves é denunciada por dois botaréus que se erguem em toda a fachada. É entre dois elementos que se abre no plano inferior o portal, sobrepujado pelo amplo janelão recuado, que assenta num varandim. De cada um dos lados do corpo central, e a meia altura da fachada, abrem-se dois frestões para iluminação das naves laterais. Ao nível do piso superior fixam-se os arcobotantes. O remate da fachada faz-se por uma grelhagem que corre entre os botaréus. O enquadramento desta fachada apresenta-se de maneira assimétrica, erguendo-se de um lado o paredão que define o claustro, marcando uma determinante horizontal, e do outro a Capela do Fundador, que, pela sua elegância e sentido arquitectónico, desloca para esta fachada as linhas da composição, criando um certo equilíbrio. A Capela do Fundador, apresenta planta quadrada, de 19,8º metros de lado, e contém um corpo octogonal. Ocupa três tramos da nave colateral sul. Ale da cúpula, que cobre o octógono central, irradiam oito abóbadas de aresta, trapezoidais, assentando o lado maior sobre os muros. Internamente, o octógono é sustentado por arcos peraltados. Os suportes estão adossados às paredes, constituindo feixes de varas. A Capela do Fundador reproduz, em estilo mais simplificado, a abóbada da sala do capítulo e aplica certas soluções já postas em outros núcleos do edifício. Nesta capela encontram-se extraordinários exemplos de tumularia. Ao centro está o túmulo conjugal de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. A arca é muito simples e ostenta na cabeceira uma inscrição gótica e os brasões dos soberanos. Na parte inferior surgem cabeças de leões com função essencialmente decorativa, uma vez que a arca se apoia no solo. Na tampa do sarcófago figuram as estátuas dos jacentes, revestidas com a indumentária da época – o rei com armadura e a cota de armas, com as quinas e o brasão de Avis, e a rainha com túnica e manto solto. Os pés apoiam-se em mísulas de decoração vegetalista, e as cabeças coroadas, descansam sob ricos baldaquinos. Dos outros túmulos salientam-se, na parede sul, o de D. Pedro, no qual se vêem os seus símbolos – a balança e o escudo -, e o do infante D. Henrique, com estátua jacente. Existem ainda os túmulos dos infantes D. João e D. Fernando, de Afonso V, de D. João II e do príncipe D. João. Este salão também é conhecido por “o da Ínclita  Geração”.  
As chamadas “Capelas Imperfeitas”, assim designadas por não terem sido concluídas, são sete capelas radiais inscritas num octógono, sendo o oitavo lado ocupado pela porta de entrada, e destinava-se, no início da sua construção, a panteão real. Este núcleo impõe-se pela sua grandiosidade, por sentido de agitação, até pelo seu inacabado, que, observado de certos ângulos, cresce numa relação de valor com o edifício. Revelando ainda uma solução de natureza gótica no que diz respeito ao desenvolvimento espacial, é, por outro lado, uma abertura às formas decorativas do Renascimento. Aspectos importantes da fase quinhentista são o portal das capelas, do arquitecto Mateus Fernandes, e a janela renascença, atribuída a João Castilho. A minúcia, o rendilhado, a riqueza de elementos, criam um verdadeiro núcleo de sugestões e de dimensões nova.
A Sala do Capítulo (onde se encontra o soldado desconhecido) abre-se no lanço oriental dos claustros. Apresenta planta quadrada, com 19 metros de lado. A sua importância reside no arrojo da cobertura feita por uma grande abóbada de pedra. A chave central ostenta as armas de D. João I e outras oito menores, nos vértices da estrela de oito pontas, formam uma auréola. Dezasseis nervuras radiantes partem da chave central, caindo oito delas sobre as oito colunas embebidas nas quatro paredes, e as outras oito ligam-se também aí, mas estas por meio de dezasseis terceletes.
O Mosteiro da Batalha (ou de Santa Maria da Vitória, é um exemplar significativo da história e da arte portuguesa.. Se, por uma lado, ele traduz em si mesmo um testemunho histórico, por outro, representa um sector onde a continuidade, influência e projecção artística são notórias. Durante o século XV foram as obras deste mosteiro uma fonte de inspiração para alguns núcleos da arquitectura portuguesa. Este mosteiro representa uma síntese de experiências nacionais e uma projecção a nível de influência desses mesmos esquemas. Pela tradição, pela originalidade, pela experiência de determinadas soluções, pela riqueza de monumentalidade e decoração, é, sem dúvida, um marco importante da arquitectura gótica em Portugal.
 
Neste link pode encontrar a monografia da cidade Da Batalha
 
http://www.carlosleiteribeiro.caestamosnos.org/Distritos_Portugueses/Leiria.html 



Mosteiro dos Jerónimos

(ou de Santa Maria de Belém)
 
 


 Na época dos Descobrimentos marítimos, cresceu uma povoação de pescadores e marinheiros na praia do Restelo (hoje Belém), localizada entre a cidade de Lisboa e a barra do rio Tejo. O Infante D. Henrique “O Navegador”, fundou aí um ermitério de freires da Ordem de Cristo, o qual em 1459 se tornou paróquia com a invocação De Santa Maria de Belém, para lembrar o local do nascimento de Cristo. D. Manuel I, quis criar um novo panteão, para si e seus descendentes, num mosteiro de frades da Ordem de São Jerónimo – os Jerónimos – escolhendo para o efeito o local da referida ermida, junto à praia do Restelo. Desta praia, em 1497, partiria Vasco da Gama para a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia, e também Pedro Álvares Cabral para, em 1500, descobrir o Brasil. O Real Mosteiro de Santa Maria de Belém, cujo orago D. Manuel I mudou para Nossa Senhora dos Reis, ficou mais conhecida por Mosteiro dos Jerónimos. Este nasceu, portanto, demarcando o ramo da dinastia de Avis. D. Manuel I era apenas primo do seu antecessor (D. João II) e o Mosteiro da Batalha era o antigo panteão real.
O monumento destaca-se pela extensa fachada sul voltada para o rio, a qual tem mais de 300 metros de comprimento, pela brancura da pedra calcária liós de Lisboa e pelos profusos lavores pétreos, em zonas exteriores e interiores. Exteriormente predomina a horizontalidade, a alternância de paredes nuas com zonas muito decoradas, prolongando-se o conjunto pela imensa alpendrada de vinte e oito arcos. Esta parte, que se insere no zona onde actualmente se instalam o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu da Marinha, tinha finalidades muito diferentes: em cima era dormitório dos frades e, talvez D. Manuel I tenha querido fazer uma residência real comunicando com o coro alto da igreja; em baixo era armazém de abastecimento de água doce para as longas viagens marítimas. O mosteiro, cuja primeira pedra datará de 1501, tem como estilo mais destacado o manuelino, versão portuguesa do gótico final e que aqui apresenta um dos exemplares mais notáveis, devendo-se salientar também importantes elementos renascentistas e maneiristas.
São quatro as principais fases construtivas do edifício, indicadas pelo nome dos respectivos arquitectos, tão importantes são as suas marcas e estilos artísticos: Diogo Boitaca, cujo estilo foi o manuelino; João Castilho, que, substituiu Boitaca em 1517, interessou-se já profundamente pelo Renascimento e até cerca de 1530 deu alguns dos melhores elementos do mosteiro, como os aspectos actuais do claustro e da igreja, com as abóbadas e pilares desta; Diogo de Torralva, utilizou exclusivamente motivos renascentistas; finalmente, a Jerónimo de Ruão, que aqui trabalhou desde cerca de 1563 até ao início da centúria seguinte, deve-se a conclusão do monumento, com a qual capela-mor, a atractiva varanda com fonte, etc. Na fachada lateral sul o centro visual é o portal, de aparato, embora o portal principal seja o seu poente. O portal sul, obra de Boitaca, é enriquecido por numerosas esculturas ainda do reinado de D. Manuel I, alusivas sobretudo à exaltação da Virgem, mas com referência à monarquia, com o discutido retrato alegórico do Infante D. Henrique e, no topo, o Anjo Custódio de Portugal, cujo culto D. Manuel I instituiu o que representa a protecção divina dando legitimidade ao poder deste rei. A entrada principal, a ponte, no eixo da igreja, ficou acanhada devido a obras na época barroca. O portal que tem “das melhores obras da estatuária da Renascença na Península Ibérica, foi executada por Nicolau Chantenne, e nele se destacam as estátuas orantes de D. Manuel I e da sua esposa D. Maria; estas, segundo o cronista Damião de Góis, apresentam “os rostos assaz bem ao natural e são das primeiras manifestações do Renascimento em Portugal. A igreja tornou-se com João de Castilho “uma das obras-primas da arquitectura ocidental”. E Pais da Silva afirma: “das mais perfeitas igrejas-salões da Europa”.
A nave tem 92 metros de comprimento e 25 metros de largura, com notável continuidade espacial graças à arrojada abóbada única e aos quatro pilares, quais estalacites. No subcoro foram colocadas, em 1940, as arcas tumulares neomanuelinas do navegador Vasco da Gama e do poeta Luís Vaz de Camões. O cruzeiro, centro do monumento, tem a célebre abóbada com 29 metros de largura, a qual se eleva a 25 metros de altura, maravilha arquitectónica pela sua ousada construção, obra de Castilho de mais ou menos do ano 1522. Os púlpitos, os altares, os pilares, são também ocasião para rendilhados de pedra: as cruzes de Cristo e esferas armilares, que aliás enxameiam o monumento e são insígnias de D. Manuel I como governador da Ordem de Cristo e emblema pessoal alusivo ao domínio do mundo; vários outros elementos da emblemática da monarquia; uma profusão de nichos – só os de menores dimensões são centena e meia -, etc., os nichos mais ricos encontram-se nos dois pilares que separam a nave do cruzeiro. A rainha D. Catarina, esposa de D. João III, mandou em 1553 demolir a primeira capela-mor e substituí-la por uma outra monumental, a qual foi inaugurada em 1572 como zona principal do panteão régio. Aqui estão os restos mortais de D. Manuel I. A actual capela-mor, no dizer de Rafael Moreira, é “obra-prima do classicismo maneirista peninsular”, contrasta vivamente com o corpo manuelino do edifício e exteriormente exibe a austeridade do designado “Estilo Chão”. As capelas do transepto são panteão, por exemplo, de D. João III e dos pressupostos restos mortais do rei D. Sebastião, trazidos em 1578 do campo de batalha de Alcácer Quibir. A sacristia, obra de João de Castilho, tem original abóbada irradiando de coluna central e é também dos elementos mais interessantes do mosteiro. O claustro ergue-se em dois andares, cada um com cerca de 7 metros de altura, tendo sido começado por Boitaca e terminado por Castilho em 1517, forma um quadrado com 55 metros de lado, evoca mais um pátio de palácio do que de um convento e é uma obra só por si unanimemente considerada de valia universal. O sentimento da exuberante decoração deste espaço tem dado origem a interpretações desencontradas e demasiadamente apaixonadas, de simbolismo marítimo ou esotérico. A Sala do Capítulo, em cujo portal é exclusiva a arte renascentista, contém o túmulo de Alexandre Herculano, o iniciador da historiografia portuguesa moderna. Em 1985, o poeta Fernando Pessoa, teve também a distinção de ser sepultado neste mosteiro. Nos anexos do mosteiro destaca-se o refeitório, com abóbada abatida, considerado das mais perfeitas construções manuelinas pelas proporções e sobriedade; o refeitório abre para o lado poente do claustro, em frente do belo lavabo.
D. Manuel I proporcionou uma riquíssima decoração interior ao Mosteiro dos Jerónimos e, simbolicamente, o ouro pago a Vasco da Gama por um rei oriental como primeiro tributo foi aplicado na obra-prima da ourivesaria portuguesa que é a Custódia de Belém, executada por Gil Vicente, entre 1504 e 1506. Muitas peças deste riquíssimo acervo dispersaram-se e outras perderam-se. Nos séculos XVII e seguinte, esta decoração interior enriquece-se com azulejo e talha dourada, pinturas a fresco, telas, novas peças de ourivesaria, como o sacrário protobarroco encomendado por D. Afonso VI depois da batalha do Ameixial, em 1663 e colocado por D. Pedro II, em 1675, e muitos outros objectos oferecidos por D. João V. No mosteiro subsistiram algumas peças para aí executadas, de que se destacam, além das referidas, o retábulo do altar-mor, de Cristóvão Lopes, as imagens em cerâmica da oficina Della Robbia representando São Jerónimo e Santa António e outros. O coro alto conserva duas peças mais importantes do recheio do mosteiro, como: o Cristo na Cruz, obra do entalhador flamengo Phelippe de Vris, em 1551 e o cadeiral, verdadeira obra-prima, cujo desenho é da autoria do arquitecto Diogo de Torralva, em 1550, considerado o melhor exemplar em Portugal da escultura renascentista em madeira.
O Mosteiro dos Jerónimos foi extinto a 22 de Março de 1834. Se o reinado de D. João V representou uma época de derradeiro fulgor, ela marcou também o início da decadência do mosteiro. Por um lado, ainda em meados de Setecentos se considerava a casa de Belém “a mais magnífica de toda a Europa”, por um lado, ela recorria a diferentes maneiras de obter rendimento, como a venda de bolos e doces. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, os seus bens foram incorporados na Coroa.

 

Palácio Nacional da Pena
 


 

Em plena Serra de Sintra, formando com a Natureza um conjunto espectacular, ergue-se o Palácio da Pena.
Construído no século XlX sobre as ruínas de um antigo convento, este núcleo de arquitectura civil revela uma concepção romântica, pelas características estilísticas e cuidado de integração no ambiente, com bom sentido de cenografia paisagística. O primitivo Mosteiro de Frades Jerónimos fora mandado construir por D. Manuel I, em 1511. No século XV111 estava semi arruinado, devido ao terramoto de 1755. Em 1838, D. Fernando I, soberano profundamente culto e sensível às correntes estéticas do romantismo, adquiriu as ruínas, envolvidas por uma ambiência poética tão ao gosto da época, com a finalidade de as transformar em residência de Verão, obrigando-se, simultaneamente, a manter a traça primitiva. Este príncipe, grande conhecedor das artes, interessado no património nacional, fomentou igualmente os restauros do Mosteiro da Batalha, do Convento de Cristo em Tomar, e da Torre de Belém, tendo concedido bolsas a alguns artistas e organizado criteriosamente a sua colecção. Pretendendo, de início, restaurar o velho mosteiro, adaptando-o, apenas no essencial, a residência de veraneio, foi dissuadido da intenção pelo artista a quem entregara a chefia das obras, um engenheiro militar alemão - barão Von Eschweg - secundado nesta tarefa pelo arquitecto português, Possidónio da Silva. Nos meados do século XlX predominava uma tendência eclética, cuja inspiração se alimentava de criações de vários períodos históricos-artísticos, desde a Antiguidade até à Idade Média. Nesta perspectiva, Eschweg propusera a organização de um ambiente neogótico, que o monarca recusou, preferindo uma articulação com as tradições artísticas locais e com determinadas soluções regionais preferidas nos séculos XV e XVl. Por esse motivo, empreendeu o barão uma viagem pela Europa, percorrendo a Inglaterra, a Alemanha (Berlim), França, Espanha (Córdova, Sevilha, Granada), pelo Norte de África (Argélia).
É neste contexto que o Palácio surge como pioneiro das concepções arquitecturais românticas em Portugal. A sua planta é de forma irregular, condicionada pelo núcleo anterior e pela topografia que resulta uma íntima ligação entre a paisagem e o edifício. A primeira grande campanha de obras decorreu até 1849. A edificação originária foi integrada, conservando a antiga capela e retábulo renascença, notável trabalho de alabastro e mármore negro com cenas da vida de Nossa Senhora e da Paixão de Cristo, atribuídas a Nicolau Chantenenne. Os outros sectores sofreram nítida influência do gosto manuelino do Palácio Nacional. O aspecto exterior do edifício apresenta um equilíbrio marcado, verificando-se um ritmo harmonioso na articulação dos espaços, massas e volumes, criando entre si núcleos dinamizadores do conjunto arquitectónico. A construção, com as suas torres, o minarete, o remate das muralhas e os contrafortes, elementos estruturais provenientes de gramáticas arquitectónicas do passado, revela extraordinária riqueza quanto à diversidade e um carácter verdadeiramente assimilidor, condicionado por um critério romântico, com preferência pelo mudéjar, nomeadamente em elementos decorativos. Alguns núcleos do palácio definem opções estéticas em revivalismos evidentes. A fachada sul apresenta duas torres oitavadas, envolvidas de azulejos e encimadas por uma cúpula. Destaca-se ainda uma construção rectangular na qual sobressai a varanda, apoiada em colunas torsas. A fachada norte está organizada em corpos sólidos e equilibrados. O Pórtico de Trião, pelas suas características monumentais e decorativas, assim como a janela manuelina, aberta numa parede de azulejos, imitando a original do Convento de Cristo, em Tomar, talvez concebida por Diogo de Castilho, são elementos que bem reflectem o interesse revivalista. No interior, a decoração tem vistas panorâmicas ímpares em Portugal.
 

Torre de Belém

 


A torre foi dedicada a São Vicente, padroeiro de Lisboa, mas já no século XVI, além de ser conhecida como Torre de Belém, era chamada baluarte do Restelo. Com esta última designação surge, por exemplo, no recibo original que identifica o seu arquitecto como Francisco de Arruda, que aqui realizou a sua maior obra. Esta fortaleza, construída entre 1515 e 1519, era um complemento do Mosteiro dos Jerónimos. No entanto, insere-se na série de fortificações que, desde a costa marítima em Cascais, povoam o Tejo e apresenta interessantes afinidades com a “cidadela” de Cascais. Além do aspecto defensivo, esta torre é sem dúvida muito cenográfica, o que leva a pensar ter sido também local ideal para cerimónias de aparato relacionadas com a partida e a chegada das armadas. Não podemos contudo esquecer que o monumento foi alvo de algumas obras próprias do gosto revivalista do século XIX: Figurações anteriores, como a pouco conhecida dos azulejos setentistas do Palácio do Correio-Mor em Loures, ajudam a visualizar o figurino anterior da torre. Ainda no reinado de D. Manuel I, a defesa marítima da entrada de Lisboa, apesar de melhorada pela “evolução da pólvora”, era essencialmente feita por canhões instalados nos navios. Começaram a aparecer os baluartes, termo que na época significava muros baixos escondendo peças de fogo colocadas lateralmente. A Torre de Belém terá ou não a prioridade de “verdadeiro começo da fortificação abaluartada”. Todo o monumento surge como muito especial na brandura e decorativismo da sua pedra, nas aberturas para o exterior, fazendo pensar mais num palácio do que numa fortaleza, que foi até por vezes utilizada como prisão política. A Torre de Belém tem dois elementos básicos: uma torre quadrangular isolada, e bem destacada, aqui uma torre de menagem caracteristicamente portuguesa, e um baluarte poligonal que quase envolve esta. A torre quadrangular servia de vigia e habitação do capitão-mor, destacando-se no segundo piso o varandim com as suas colunas e, dentro, a chamada Sala Régia; no último piso, atente-se na abóbada de cruzaria com os emblemas reais. O baluarte tinha o antigo paiol da pólvora na plataforma ao rés-d’água, antigamente com a bateria. A riqueza decorativa do conjunto encontra-se sobretudo no exterior: o calabre que abraça a muralha e a torre ata-se em laço; a zona das ameias aparece escudada com numerosas e grandes cruzes de Cristo, motivo este que surge noutros locais, como as esferas armilares, em cada ângulo ergue-se uma guarita que nasce em forma tronco cónica a partir de uma espécie de dragão (excepto a do ângulo noroeste, onde se representa um rinoceronte, com certeza o que em 1515, o rei D. Manuel I enviou ao papa simbolizando a África, e o qual Albrecht Durer desenharia.; a decoração superior das guaritas em gomos, o rico lavor das varandas, janelas, pináculos, etc., ajudam a fazer da Torre de Belém uma das maiores jóias do estilo manuelino e da arte mundial.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

Fundo Musical: O Amor a Portugal

Dulce Pontes

O dia há de nascer
Rasgar a escuridao
Fazer o sonho amanhecer
Ao som da canção
E então:
O amor há de vencer
A alma libertar
Mil fogos ardem sem se ver
Na luz do nosso olhar
Na luz do nosso olhar
Um dia há de se ouvir
O cântico final
Porque afinal falta cumprir
O amor a Portugal
O amor a Portugal!

 

 

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