Augusto Gil

 

 


Morreu a 26 de Novembro de 1929

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

Augusto César Ferreira Gil, nasceu em Lordelo do Ouro a 31 de Julho de 1873 e morreu na Guarda, a 26 de Novembro de 1929, advogado e poeta português, foi director geral das Belas-Artes. Formou-se na universidade de Coimbra em Direito.

Poeta pós-simbolista, a sua poesia de um lirismo sempre preso ao significativo e ao concreto, está profundamente marcada pelo influência de João de Deus, de que aliás foi um dos continuadores. “Poeta menor”, como a si mesmo chamou, soube aliar a plasticidade da imaginação simbolista a um lirismo e sátira popularizáveis. Advogado e alto funcionário da República, deixou-nos em Luar de Janeiro o melhor do seu génio simples e na célebre “Balada da Neve”, a sua obra-prima, um dos mais puros rasgos do lirismo.

Sua Obra:
Poesias:
Musa Cérula (1894); Versos (1898); Luar de Janeiro (1909); O Canto da Cigarra (1910); Sombra de Fumo (1915); Alba Plena (1916); O Craveiro da Janela (1920); Avena Rústica (1927); Rosas desta Manhã (1930)
Crónicas:
Gente de Palmo e Meio (1913)


BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.

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A um aniversário - soneto de Augusto Gil

Se eu fosse rei, Senhora, neste dia
o pajem mais gentil da minha corte,
como tributo d'amizade, iria
a esses pés miniaturais depor-te

um brinde sem rival, d'alta valia;
Mas sabes bem que não sou rei. De sorte
que não pode ir, como eu desejaria,
o pajem mais gentil da minha corte

oferendar-te jóias de valia.
Em vez de brinde, mando todavia,
um ramo de lilases e cecéns

E pelo pajem loiro, alvinitente,
mando, senhora minha, unicamente,
este soneto a dar-te os parabéns.


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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