Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, nasceu em Passo de
Camaragibe (AL), a 3 de Maio de 1910 e morreu no Rio de Janeiro - RJ a 28 de
Fevereiro de 1989. Foi um crítico literário, lexicógrafo, filólogo, professor,
tradutor e ensaísta brasileiro.
Foi eleito como imortal da Academia Brasileira de Letras no dia 4 de Maio de
1961, ocupando a cadeira de número 30, na sucessão de António Austregésilo, foi
recebido em 18 de Dezembro de 1961 pelo académico Rodrigo Octávio Filho.
Filho de Manuel Hermelindo Ferreira, comerciante, e de Maria Buarque Cavalcanti
Ferreira. Passou parte da infância em Porto das Pedras, (AL), e estudou as
primeiras letras em Maceió. Fez os preparatórios no Liceu Alagoano. Aos 15 anos
ingressou no magistério e passou a se interessar pela língua e literatura
portuguesas. Diplomou-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1936. Em 1930
fez parte de um grupo de intelectuais que exerceria forte influência literária
no Nordeste, entre outros, Valdemar Cavalcanti, José Lins do Rego, Graciliano
Ramos, Raul Lima, Rachel de Queiroz. Em 1936 e 1937, foi professor de Português,
Literatura e Francês no Colégio Estadual de Alagoas, e em 1937 e 1938, director
da Biblioteca Municipal de Maceió. Passou a residir no Rio de Janeiro a partir
de 1938. Continuou no magistério, como professor de Português e Literatura
Brasileira no Colégio Anglo-Americano em 1939 e 1940; professor de Português no
Colégio Pedro II, de 1940 a 1969, e professor de Ensino Médio do Estado do Rio
de Janeiro, de 1949 a 1980. Contratado pelo Ministério das Relações Exteriores,
exerceu a cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade Autónoma do México, de
Junho de 1954 a Dezembro de 1955. Colaborou na imprensa carioca, escrevendo
contos e artigos. Foi secretário da Revista do Brasil (3a fase), quando era seu
director Octávio Tarquínio de Sousa, de 1939 a 1943. Nessa época, evidenciava-se
o escritor, nos contos de Dois mundos, livro publicado em 1942 e premiado em
1944 pela Academia Brasileira de Letras, e no ensaio "Linguagem e estilo de Eça
de Queirós", publicado em 1945. Em 1941 começou Aurélio Buarque a actividade que
o iria absorver a vida inteira e que, de certa forma, iria suplantar o Aurélio
escritor: o Aurélio dicionarista. Foi quando o convidaram a executar, pela
primeira vez, um trabalho lexicográfico, como colaborador do Pequeno dicionário
da língua portuguesa. Em Janeiro de 1945, tomou parte no I Congresso Brasileiro
de Escritores, realizado em São Paulo. As múltiplas actividades de professor,
lexicógrafo e de verdadeiro colaborador nas obras de seus amigos escritores
valeram-lhe, desde aquela época, o título de "Mestre". Em 1947, iniciou no
Suplemento Literário do Diário de Notícias a secção "O Conto da Semana", que
durará até 1960 e, a partir de 1954, terá a colaboração de Paulo Rónai. Essa
colaboração entre os dois amigos vinha desde 1941, quando se conheceram na
redacção da Revista do Brasil, e se concretizou no trabalho conjunto dos cinco
volumes da colecção Mar de histórias, antologia do conto mundial, o primeiro
deles publicado em 1945.
A partir de 1950 Aurélio Buarque manteve, na revista Selecções do Reader’s
Digest, a secção "Enriqueça o seu vocabulário", que em 1958 ele irá reunir e
publicar no volume de igual título. Em 1963, tomou parte, em Bucareste,
representando a Academia, no Simpósio de Língua, História, Folclore e Arte do
Povo Romeno, visitando na mesma ocasião a Bulgária, Jugoslávia, Checoslováquia e
Grécia. Foi membro da Comissão Nacional do Folclore e da Comissão Machado de
Assis.
A preocupação pela língua portuguesa, a paixão pelas palavras levou-o à imensa
tarefa de elaborar o seu próprio dicionário, e esse trabalho lexicográfico
ocupou-o durante muitos anos. Finalmente, em 1975, saiu o Novo dicionário da
língua portuguesa, conhecido por todos como o dicionário Aurélio. Desde a sua
publicação, Mestre Aurélio atendeu a muitos convites, no Brasil inteiro, para
falar do Dicionário e dos mistérios e subtilezas da língua portuguesa, que ele
enriqueceu de tantos brasileirismos, fazendo do brasileiro comum um consulente
de dicionário e um usuário consciente do seu idioma. Pronunciou numerosas
conferências, sobre assuntos literários e linguísticos, no México, Estados
Unidos, Cuba, Guatemala e Venezuela. Pertenceu à Associação Brasileira de
Escritores, secção do Rio de Janeiro (1944-49). Era membro da Academia
Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil, do Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras e da Hispanic Society of
America.
Suas Obras:
Dois mundos, contos (1942); "Linguagem e estilo de Eça de Queirós", in Livro do
centenário de Eça de Queirós (1945); Mar de histórias (Antologia do conto
mundial), em colaboração com Paulo Rónai, I vol. (1945); II vol. (1951); III vol.
(1958); IV vol. (1963); V vol. (1981); Contos gauchescos e lendas do sul, de
Simões Lopes Neto. Edição crítica, com amplo estudo sobre a linguagem e o estilo
do autor (1949); O romance brasileiro (de 1752 a 1930), história literária
(1952); Roteiro literário do Brasil e de Portugal (Antologia da língua
portuguesa), em colaboração com Álvaro Lins (1956); Território lírico, ensaios
(1958); Enriqueça o seu vocabulário, filologia (1958); Vocabulário ortográfico
brasileiro (1969); O chapéu de meu pai, edição revista e reduzida de Dois mundos
(1974); Novo dicionário da língua portuguesa (1975); Minidicionário da língua
portuguesa (1977). Além dos contos que traduziu para a colecção Mar de
Histórias, Aurélio Buarque de Holanda traduziu romances de vários autores, os
Poemas de amor, de Amaru, e os Pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal