Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo

Inventor do aeróstato por
ar aquecido
Padre
Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nasceu
em Santos (Brasil) em 1685 e faleceu em
Toledo (Espanha) em 1724. Ordenado
sacerdote, surge em 1708, matriculado na
Faculdade de Cânones de Coimbra
(Portugal), onde veio a doutorar-se em
1720. Interrompeu os estudos devido
certamente à sua invenção da célebre “Passarola”.
As suas experiências oficiais com a
“máquina de andar pelo ar”
verificaram-se em Lisboa, na Casa da
Índia, a 7 ou a 8 de Agosto de 1709 e em
Outubro seguinte. Introduzido na Corte e
nomeado académico da Academia Real da
História, em 1720 e, capelão real a
partir de 1722, viu-se envolvido numa
complicada história de bruxaria, tendo
fugido apressadamente a 26 de Setembro
de 1724 e falecido a caminho de Paris.
Deixou breves memórias científicas
relativas aos aparelhos que inventou.
Um dos primeiros homens a realizar
experiências com um balão para que este
se tornasse um meio de transporte foi o
padre jesuíta brasileiro Bartolomeu de
Gusmão, também conhecido como "Padre
voador". Iniciou seus estudos para este
aparelho em 1708, tendo realizado
demonstrações de sua invenção à família
real portuguesa. Diz a lenda que ele
conseguiu voar num balão, mas não há
provas documentais. Apenas em 1783 foi
documentado que um aparelho mais pesado
que o ar conseguiu transportar pessoas,
numa experiência realizada pelos irmãos
franceses Jacques e Joseph Montgolfier
em 1783.
Bartolomeu de Gusmão
http://www.emfa.pt/www
O
padre, jesuíta, Bartolomeu de Gusmão
foi, provavelmente, o maior precursor
mundial da história da aerostação,
ficando célebre, através dos tempos,
pela "Passarola". Bartolomeu Lourenço de
Gusmão, nasceu em 1685 em Santos, perto
de S. Paulo, no Brasil, que era então
parte integrante da coroa portuguesa.
Desde muito novo, a carreira
eclesiástica ficou traçada como o
destino da sua vida. Bartolomeu de
Gusmão fez os primeiros estudos na sua
terra natal, tendo seguido
posteriormente para o seminário jesuíta
da Baía. Aí, mostrou desde logo a sua
aptidão e interesse pelo estudo da
Física, bem como a sua clarividente
inteligência nessa matéria. Mas não se
ficou pelo interesse teórico. Deu provas
de um enorme espírito inventivo quando
resolveu o problema de elevação de água
a 100 m de altura, no convento onde se
encontrava, tendo concebido uma máquina
para o efeito, de que posteriormente
teve alvará. Concluídos os estudos
secundários, embarcou para a metrópole,
em 1705, e vindo a matricular-se na
Faculdade de Cânones da Universidade de
Coimbra em 1708. Aí, desenvolveu
notavelmente os seus estudos de Física e
Matemática que desde a adolescência
tanto o tinham interessado. Consta que
ao observar uma pequena bola de sabão
pairando no ar, se inspirou para a
concepção de um balão. De qualquer
forma, logo em 1708 trabalha
afincadamente no projecto de um engenho
"mais-leve-que-o-ar", em detrimento de
tudo o resto. Entrega então a D. João V
a petição de privilégio sobre o seu
"instrumento de andar pelo ar", que lhe
é concedida por alvará, em 19 de Abril
de 1709. Conjuntamente com o alvará, D.
João V decidiu concorrer para os gastos
da construção do aparelho, bem como lhe
deu a mercê de Lente de Prima de
Matemática na Universidade de Coimbra,
com um rendimento vitalício substancial.
Era o que Bartolomeu de Gusmão precisava
para se dedicar inteiramente ao seu
projecto, como na realidade o fez, na
quinta do duque de Aveiro, em S.
Sebastião da Pedreira. As fontes da
época revelam a utilização de muito
arame na construção (o balão de Gusmão
não era um simples balão de papel de
feira) bem como a realização de várias
experiências com balões de papel até se
chegar à experiência definitiva que a
história registou.
No dia 8 de Agosto de 1709, na sala dos
embaixadores da Casa da Índia, diante de
D. João V, da Rainha, do Núncio
Apostólico, Cardeal Conti (depois papa
Inocêncio XIII), do Corpo Diplomático e
demais membros da corte, Gusmão fez
elevar a uns 4 metros de altura um
pequeno balão de papel pardo grosso,
cheio de ar quente, produzido pelo "
fogo material contido numa tigela de
barro incrustada na base de um tabuleiro
de madeira encerada". Com receio que
pegasse fogo aos cortinados, dois
criados destruíram o balão, mas a
experiência tinha sido coroada de êxito
e impressionado vivamente a Coroa.
As experiências sucederam-se com balões
de muito maior envergadura e,
finalmente, embora não haja provas
irrefutáveis sobre o facto, consta que
um balão, enorme, provavelmente voado
pelo próprio Gusmão, foi lançado na
praça de armas do castelo de S. Jorge e
depois de percorrer 1 km veio a cair no
Terreiro do Paço.
Após esta experiência, por razões
inexplicadas, começa uma outra vida de
Bartolomeu de Gusmão. Excepcionalmente
douto, versado em filologia e falando
fluentemente outras línguas, vão abundar
os seus trabalhos literários (sem
esquecer os trabalhos de cariz
científico), bem como se tornaram
notados os seus sermões. É feito
Fidalgo-Capelão da Casa Real, em 1722.
Contudo, as intrigas da corte fá-lo-iam
cair em desgraça, tendo-lhe valido os
jesuítas quando a Inquisição já o
perseguia. Levam-no para Espanha, em
1724, onde morre indigente e com nome
falso, no hospital da Misericórdia de
Toledo, a 19 de Novembro.