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Batalha de Alcácer-Quibir


04 de Agosto de 1578

 

 

Batalha de Alcácer-Quibir

D. Sebastião - Rei de Portugal

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

 


BATALHA DE ALCÁCER-QUIBIR D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

O rei de Marrocos derrota o exército português e o rei D. Sebastião de Portugal desaparece para nunca mais ser visto. A coroa é herdada pelo seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, abrindo caminho a uma crise dinástica.
O século XVI foi o período mais adverso enfrentado pela monarquia portuguesa. Com a expectativa de manter seu crescimento em conquistas territoriais, o império luso se deparou com infortúnios e decepções já com início dos 500. No ano de 1580, Portugal perdeu a sua independência para os castelhanos (espanhóis), condição que só teria fim em 1640. Durante 60 anos, Portugal foi província espanhola.

A marcha em Agosto era pesadíssima para os nossos soldados, que ao chegarem a Alcácer Quibir iam já mortos de fadigas. 
Seguiu-se a batalha desastrosa de 4 de Agosto, que já está descrita minuciosamente nesta obra, vol. I, pág. 149; acrescentaremos que D. Sebastião, apenas sentiu o cheiro da pólvora, esqueceu tudo, os seus deveres de comandante, as ordens que dera, e arrojou se ao inimigo do espada em punho, praticando verdadeiros prodígios de valor. Quando a derrota começou, D. Sebastião nem deu por ela, mas do repente, quando percebeu que as hostes portuguesas estavam em completa debandada, compreendendo então a enormidade dos seus erros, soube expiá-los os heroicamente. Era um novo erro, porque a sua morte ia deixar o trono vago, sem sucessão. Soube morrer com brio, com uma intrepidez verdadeiramente extraordinária. Acompanhado apenas por uma porção de fidalgos, arrojou-se loucamente ao inimigo, procurando salvar a artilharia que os marroquinos levavam. Não o conseguiu, e os fidalgos que o rodeavam, esquecendo também a sua própria salvação, resgatando lambem heroicamente as culpas da sua temeridade, não pensavam senão em dar a vida para o salvar. 0 prior do Crato, a pé, com a espada embotada dos golpes que vibrara, todo coberto de sangue, indicava-lhe um claro nas fileiras muçulmanas por onde podia ainda salvar-se, mas D. Sebastião não o atendia. Já não tinha a exaltação febril da coragem, mas a resolução fria de lavar com todo o seu sangue a sua culpa enorme. Já não podia fugir, mas podia comprar a vida com a perda da liberdade. Rendei-vos, senhor, dizia-lhe D. Francisco de Mascarenhas, e ele, meneava trinta e negativamente a cabeça. Só nos reata morrer, acudiu D. João de Portugal. Morrer, sim, respondeu o monarca com voz abafada, morrer, sim, mas devagar. Cristóvão de Távora, querendo salvá-lo à viva força, acenou a um mouro que viu próximo, para que viesse tomar-lhe a espada, mas D. Sebastião percebendo, disse bruscamente: Não, não a liberdade real só se há de perder com a vida. E metendo esporas ao cavalo com verdadeira fúria, sumiu-se nas fileiras muçulmanas vibrando para um e outro lado as mais formidáveis cutiladas. Debalde, os fidalgos tentaram segui-lo, mas D. Sebastião tomara-lhes tão grande avanço, que foi impossível alcançá-lo. Desapareceu, e da sua sorte nunca mais se soube. O povo não quis acreditar na sua morte, e formou se em torno do seu nome, não só uma lenda, mas uma seita, que ficou conhecida por Sebastianistas. Mas a morte do infeliz monarca foi oficialmente reconhecida, e a coroa caiu por infelicidade em seu tio, o cardeal D. Henrique. Em 1582 o cadáver suposto ou verdadeiro, veio para Portugal, e foi enterrado num túmulo da igreja de Belém, onde se escreveu um pequeno epitáfio em latim, que deixa transparecer a dúvida, porque diz: Aqui jaz, si vera est fama ...
(Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume VI, págs. 778-782)

A batalha de Alcácer-Quibir
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Em 1576, o sultão de Marrocos, Mulei Maamede é deposto pelo seu tio, Mulei Moluco. Entusiasmado com uma vitória alcançada em Tânger, Sebastião decide apoiar Maamede, que em troca lhe ofereceria Arzila.
D. Filipe II, de Espanha, considera a ideia da cruzada uma loucura e não apoia o sobrinho, tentando demovê-lo da ideia. O sultão Moluco faz uma proposta de paz e compromete-se mesmo a oferecer a D. Sebastião uma parte da costa de Marrocos. Em vão.
A 25 de Junho de 1578, parte de Lisboa uma imensa frota de 500 navios e 23 000 soldados, incluindo mercenários oriundos de toda a Europa e grande parte da nobreza portuguesa.
Chegando a Arzila, juntam-se ao exército, os homens de Mulei Maamede e juntos partem para o interior, ao encontro dos seus destinos.
A 4 de Agosto de 1578, chega o momento da verdade. Mulei Moluco está gravemente doente, e apesar do seu exército de 100 000 homens ter uma vantagem numérica imensa, tenta ainda chegar a um acordo, mais uma vez sem qualquer sucesso.
Portugal, com um exército esgotado pelo cansaço, pela fome e pelo calor, enfrenta então os Mouros, comandados por Moluco. Depressa Sebastião vê os seus homens rodeados pelo imenso poderio do inimigo, e a batalha caminha para o seu inevitável desfecho. 8000 mortos, 15 000 prisioneiros, 100 sobreviventes que conseguiram a fuga até à costa.
D. Sebastião desapareceu. Moluco acabou por morrer também nesta batalha, não por ferimentos, mas pelo seu estado débil agravado pelo esforço de cavalgar. Maamede sobreviveu à batalha, mas acabaria por morrer afogado num rio enquanto tentava a fuga. Em Marrocos, a batalha de Alcácer Quibir é conhecida como a batalha dos três reis.
As consequências
Com o desaparecimento de Sebastião, é o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique que sobe ao trono. O seu curto reinado de dois anos, é dedicado a tentar minimizar o desaire da derrota sofrida no Norte África. A maioria dos nobres portugueses morreram ou foram feitos prisioneiros, e o país precisa endividar-se para pagar os resgates exigidos pelos Mouros.
Finalmente, com a morte do Cardeal, Portugal fica sem um sucessor directo ao trono. Os pretendentes sucedem-se, mas acaba por ser Filipe II de Espanha, tio de Sebastião a conquistar o trono. Pela primeira vez desde a sua fundação, e por um período de 60 anos, Portugal deixa de existir como nação independente.

Lenda de D. Sebastião
Décimo-sexto rei de Portugal, filho de Dom João de Portugal e de Dona Joana rainha de Áustria, filha de Carlos V. Em 1578, com 24 anos, partiu para Marrocos com um grande exército, dos quais cerca de um terço eram mercenários estrangeiros. Embora os militares mais experimentados na guerra o aconselhassem a não se afastar da costa (de onde lhe poderia vir auxílio dos navios portugueses), o rei preferiu avançar para o interior com as suas tropas. Encontrou o exército muçulmano em Alcácer Quibir e aí se travou a célebre e infeliz batalha em que foram mortos ou feitos prisioneiros praticamente todos os portugueses que nela participaram. O rei também morreu na batalha solteiro e sem deixar descendentes, mas nenhum dos portugueses que regressaram disse ter visto seu corpo. Dois anos depois, Portugal perdeu a sua independência política, quando Filipe II, rei de Espanha e neto do rei Dom Manuel I, subiu ao trono de Portugal. Durante os anos que se seguiram, o povo acreditava que Dom Sebastião não tinha morrido na batalha e iria regressar a Portugal, numa noite de nevoeiro. Então, reclamaria para si o trono e o reino ganharia de novo a sua independência. Esta crença popular ficou conhecida na história com o nome de "Sebastianismo". Como tema popular, o sebastianismo assumiu enorme importância, dando expressão a um desejo persistente de libertação da miséria e opressão quotidianas. Para o povo, D. Sebastião não morreu, apenas desapareceu. Este vazio provocado pelo seu desaparecimento determina a esperança no seu regresso. D. Sebastião torna-se, assim, o desejo encoberto da alma do povo português.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 

 

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FOTO FUNDO DE PÁGINA:
D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL
(pintura a óleo atribuída a Cristóvão de Morais,
patente no Museu Nacional de Arte Antiga).

 

 

 

 

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