Portal CEN *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

 

Bento Gonçalves da Silva

 

Nasceu a 23 de Setembro de 1788

 

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro



 

A Revolta (ou Revolução) Farroupilha: No ano de 1835 os ânimos políticos estavam exaltados. O descontentamento de estancieiros, liberais, industriais do charque, e militares locais promoviam reuniões em casas de particulares, destacando-se a figura de Bento Gonçalves.
Militar brasileiro e chefe da Revolução Farroupilha (*) do Rio Grande do Sul. Participou da campanha de que resultou a anexação da Banda Oriental. De 1825 a 1828, na guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata, atingiu o posto de coronel de guerrilhas, tendo combatido na batalha de Ituzaingó. Em 1835, chefiou a Revolução Farroupilha no Estado do Rio Grande do Sul, apoderando-se de Porto Alegre e da cidade do Rio Grande. Feito prisioneiro pelas forças legalistas no combate de Faufa, foi enviado para a Bahia. Em 1837 conseguiu fugir do Forte do Mar, onde se encontrava preso, e reassumiu a direcção da Guerra dos Farrapos. Já então tinha sido proclamada a independência do Rio Grande do Sul e a sua transformação numa república. Bento Gonçalves foi aclamado presidente e nesse posto se manteve até à derrota final dos revoltosos, em 1845.
Na segunda metade do século XVIII (l752) recebiam um lote de terras mais ou menos na metade do caminho entre o arroio da Ponte e o rio Taquari, no local que ficou batizado por Piedade, "em o distrito da Freguesia do Triunfo" o poveiro Manoel Gonçalves Meirelles e sua mulher dona Antônia da Costa Barbosa, filha do povoador Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcellos, nascida, ainda, em Guaratinguetá, São Paulo, enquanto êle era português, natural de Mondim de Bastos. Havia já, na época, um pequeno povoado mais abaixo, no lugar reservado para "rocio" na margem do rio Taquari e sua foz com o Jacuí. Para êle se mudara Jerônimo de Ornellas ao ter desapropriadas as terras de sua "estança" do Pôrto de Viamão, também conhecido por Pôrto do Dornelles, contribuindo com muito de suas posses para a construção da Igreja do Senhor Bom Jesus. O casal Manoel Gonçalves Meirelles-Antônia da Costa Barbosa teve diversos filhos e entre êstes dona Perpétua da Costa Meirelles, nascida no Triunfo, e que casaria com o Alferes Joaquim Gonçalves da Silva, português de Santa Marinha de Real, bispado de Lamego. Foi dêsse casal que nasceu dona Perpétua da Costa Meirelles, que foi a mãe de Bento Gonçalves da Silva, conforme a certidão a seguir:
          - "Aos dezenove dias do mês de outubro de mil setecentos e oitenta e oito, nesta Matriz do Senhor Bom Jesus do Triunfo, batizei e pus os Santos Óleos a - BENTO - filho legítimo do Alferes Joaquim Gonçalves da Silva, natural da freguesia de Santa Marinha de Real, bispado de Lamego, e de sua mulher Perpétua da Costa Meirelles, natural desta freguesia do Triunfo; neto, pela parte paterna, de Manoel Goncalves da Silva e de sua mulher Josefa Maria de Jjesus, ambos naturais da freguesia de Santa Marinha de Real, do mesmo bispado acima dito; e pela materna, de Manoel Gonçalves Meirelles, natural de Mondin de Bastos, arcebispado de Braga, e de sua mulher Antônia da Costa Barbosa, natural da vila de Guaratinguetá bispado de São Paulo; foram padrinhos o Tenente Manoel Carvalho de Souza, e Ana da Costa Meirelles, solteira. De que para constar, fiz êste assento que assinei. O Vigário Eusébio de Magalhães Rangel e Sã".
          Bento Gonçalves da Silva, entretanto, nascera dias antes, o que o registro de batismo não menciona: 23 de setembro de 1788.
          Segundo algumas tradições, seu destino era ser sacerdote. Contudo, foi ser militar, tendo sido sacerdote seu irmão Roberto que tomou parte ativa na Revolução Farroupilha. Aos treze anos de idade já era Bento autêntico espadachim. Dizem que, agredido por um negro, ferrabrás temido na região, Bento Gonçalves com êle se bateu, matando-o num verdadeiro duelo a espada. Iniciou sua carreira militar em 1811, na denominada Campanha de D. Diogo. Embora sem grande destaque, o furriel Bento Gonçalves, que sofreu diversas acusações, a pouco e pouco foi avante. Terminada a campanha de 1811/1812, seguiu para Jaguarão, e no Departamento de Cêrro Largo, Estado Oriental, casou em 1814 com dona Caetana Garcia, filha de Narciso Garcia, natural de Espanha e de dona Maria Gonzales, natural de Povo Novo, adjaeências da cidade do Rio Grande. Soldado por vocação, o Furriel de Dom Diogo, apesar dos boatos que espalharam de que desertara após o casamento, sempre estêve ativo e vigilante e tantos serviços prestou na fronteira de Jaguarão para onde se mudara, que em 1817 o Capitão General Marquês de Alegrete nomeou-o "Capitão de Guerrilhas", isto é: capitão de milícias. Tomou parte efetiva e sempre eficiente nas campanhas platinas, destroçando o inimigo em Curales e Las Canas (l8l8), Cordovez e Carumbé (l8l9), Arroio Olimar (l820). Em 1824 era promovido a tenente coronel e nomeado Comandante do 39 Regimento de Milícias, que organizou. Com êste Regimento, a 12 de outubro de 1825, tomava parte no combate de Sarandi. Nesse mesmo dia fôra promovido a coronel. Salientou-se sobremodo no combate do Passo do Rosário, a 20 de fevereiro de 1827. A "Musa Popular" consagrou-o nessa luta, dizendo: -'O herói Bento Gonçalves foi a nossa salvação"...
          Em 1829 era promovido a coronel do Estado Maior e nomeado comandante do 4.1 Regimento de Cavalaria de l.a Linha, aquartelado em Jaguarão. A seguir foi comandante da Fronteira de Jaguarão, e da Guarda Nacional. Liberal, prestigioso e prestigiado, - como todo homem de valor - era invejado e odiado pelos profissionais da calúnia. Entretanto, jamais procurou outra defesa que seus direitos e a verdade de sua vida pública, leal e sem segredos. Acusado de andar em conluios contra a unidade nacional, defendeu-o, sem que êle o pedisse, o velho amigo e companheiro Major João Manoel de Lima e Silva, irmão do Regente Francisco de Lima e Silva, e tio do futuro Duque de Caxias. Mas a mágoa imensa dos acontecimentos que o envolveram injustamente e, sobretudo, a pressão política que a administração exercia sôbre o Rio Grande do Sul e seus habitantes liberais, levaram-no ao extremo. Eleito deputado à primeira legislatura da Assembléia Provincial criada pelo Ato Adicional de agôsto de 1834, aí desfeiteado pelo próprio presidente da Província que o acusou de querer separar o Rio Grande do Brasil e formar, mancomunado com Rivera e Lavalleja, um nôvo Estado, Bento Gonçalves, que já sabia da disposição dos próceres de seu Partido Liberal de se libertarem e libertarem o Rio Grande do Sul das garras da opressão que o dirigia, afastou-se e combinou a "arrancada" que a 20 de setembro de 1835 destruiria por completo as artimanhas políticas de Fernandes Braga e sua gente. Nasceu, assim, a Revolução Reivindicadora de 20 de setembro que expulsou no Rio Grande do Sul o mandonismo e o autoritarismo que o infelicitavam. O levante que se verificou ao mesmo tempo em todo o território gaúcho, liquidado o iníquo regime, resolveu solicitar ao Govêrno um novo presidente, capaz e digno. Parecia que a paz voltara. O govêrno nomeara um sul-rio-grandense e sábio que já se exercitara na diplomacia - Dr. José de Araújo Ribeiro. Entretanto, as coisas de tal forma se prepararam que o novo presidente nomeado não chegou a tomar posse como pretendia. Por isso, abespinhado, resolveu abandonar a Capital e, na cidade do Rio Grande, contrariando a lei, tomou posse clandestinamente perante a Câmara Municipal daquela cidade, sem dar maior importância à Assembléia Provincial. Entretanto, apesar disso, tanto a Assembléia, como Bento Gonçalves em pessoa, dirigiram-se ao Presidente Araújo Ribeiro, convidando-o a legalizar sua posse em Pôrto Alegre. Negou-se e, em resposta, mandou fôrças, que organizara, atacar Pôrto Alegre. Com êsse gesto, a luta se reiniciou, obrigando os liberais, (farroupilhas como os cognominavam), que haviam dispersado as tropas, a refazerem suas hostes e enfrentar a luta que o presidente nomeado lhes propunha. E a Revolução Farroupilha começou verdadeiramente. Os liberais do Rio Grande do Sul, em grande parte, tinham tendências republicanas. Entretanto, não eram republicanos seus chefes ostensivos, mas apenas "liberais-extremados". A luta assim iniciada, e em virtude da necessidade absoluta de defesa, levou-os ao gesto extremo: proclamar a República. Bento Gonçalves, não consultado - e que seria aprisionado logo após no famoso combate da ilha do Fanfa, a 4 de outubro, concordou, porém, plenamente, com a proclamação feita pelo General Antônio de Souza Neto nos Campos de Seival a 11 de setembro daquele ano de 1836: a República Federativa. Proclamada a República, empossado o govêrno que escolhera para Capital a vila de Piratini, foi Bento Gonçalves eleito presidente da República Rio-Grandense. Mas, prêso, enviado logo depois para o Rio de Janeiro, nada podia fazer. Por isso, para substituí-lo fôra eleito José Gomes de Vasconcellos Jardim. Do Rio de Janeiro foi Bento Gonçalves enviado para o presídio da ilha de Fernando de Noronha. Felizmente, um desarranjo no barco que o conduzia obrigou o comandante a ficar por alguns dias na cidade do Salvador, Bahia. E, enquanto o navio estava no estaleiro, Bento Gonçalves fôra trancafiado no forte de São Marcelo e Nossa Senhora do Pópulo, em plena baía de Todos os Santos. Com incrível rapidez espalhou-se a notícia e a Maçonaria e amigos de Bento Gonçalves resolveram agir e acertar a fuga. E Bento Gonçalves fugiu, regressando, afinal, ao Rio Grande do Sul, assumindo, em 1837, o cargo para que fôra eleito. Mas a campanha de desprestígio contra o grande chefe e condutor Bento Gonçalves, também se fêz sentir no seio dos próprios farroupilhas. Disso resultou seu pedido de demissão do cargo de presidente e de comandante em chefe das fôrças da República Rio-Grandense em luta contra o Império e, por fim, o famoso duelo com Onofre Pires da Silveira Canto, seu velho amigo e companheiro de lutas liberais. Com a morte de Onofre, em conseqüência do ferimento sofrido no duelo, o general farroupilha apresentou-se à prisão ao seu substituto no comando em chefe das fôrças - o General David Canabarro, - também seu velho amigo. Êste, ao ouvir de Bento o relato do acontecido (que, aliás, já sabia), apenas disse: - O caso é grave. - E quando o general lhe quis entregar a espada, Canabarro recusou-se a recebê-la, declarando:
 - Conserve-a, general. Para manter a espada de Bento Gonçalves somente conheço um homem: Bento Gonçalves da Silva.
 Mas a revolução estava no fim. As densas nuvens que vinham do Prata com as provocações do ditador D. Juan Manoel de Rosas, obrigaram David Canabarro a sérias medidas. Dela., logo depois se aproveitou o nôvo comandante em chefe das fôrças imperiais e presidente da Província, General Conde de Caxias, e, graças à sua dinâmica e diplomática maneira de agir, farroupilhas e imperiais entraram em entendimento, fazendo-se a pacificação da Província com o Tratado de Poncho Verde, de 25 de fevereiro de 1845. A 28 .daquele mês e ano David Canabarro proclamava a pacificação, naqueles mesmos campos, enquanto Caxias, já marques, proclamava, pouco mais adiante, nas margens do rio Santa Maria, a volta do Rio Grande do Sul ao mundo brasileiro. Bento Gonçalves, entretanto, estava doente. Não estêve presente aos solenes atos, onde seus inimigos figuravam continuando a caluniá-lo. Pobre, sem dinheiro algum, apenas com as terras que conservara em Camaquã, para lá voltou, contemplando a casa abandonada e os campos despovoados. Com empréstimos de amigos recomeçou a vida. Mas pouco duraria. Gravemente enfermo foi a Pedras Brancas (hoje município de Guaíba) em busca de seu velho amigo e companheiro José Gomes de Vasconcellos Jardim, que ali, além de médico-prático de grande fama e renome, possuía um hospital. Mas, nem sequer chegou a ser tratado devidamente, pois a pleurisia que se manifestara violenta, levou-o em seguida. Era o dia 18 de julho de 1847. Seu corpo foi trasladado para Camaquã, em cujo cemitério ficou até o ano de 1909, quando o então Intendente do Rio Grande, Dr. Juvenal Miller, mandando erguer um monumento de granito e bronze, solicitou aos herdeiros autorização para transladar para o alicerce daquele monumento notável os restos mortais do glorioso gaúcho General Bento Gonçalves da Silva. E ali repousam, desde então, as cinzas do imortal farroupilha.
          (Origem: Material recolhido do livro Construtores do Rio Grande, autoria de Walter Spalding. Livraria Sulina Editora, 1969).
          
Pequena Cronologia da vida de Bento Gonçalves.
Em 1811, as forças brasileiras comandadas por Diogo de Souza, capitão general do Rio Grande, marcham rumo a Montevideu, e alistado como oficial de interiores está Bento Gonçalves. A coluna de Bento, a princípio, fica sedeada em Jaguarão desligando-se mais tarde e indo residir, em Cerro Largo, do outro lado da fronteira.
Em 1814, casa-se com Caetana Garcia, uma Uruguaiana, e tem oito filhos. Em 1816, Bento é nomeado Capitão de Guerrilhas, combatendo em Montevideu. Passados três anos de lutas, Bento exerce o governo da vila de Mello no Uruguai. No ano de 1818, já era Capitão e em 824 passava a tenente-coronel e comandante do 39º Regimento de Malícias, o qual organizou e esteve à frente na batalha de Sarandi. Mais adiante sobe ao posto de Coronel.
Na madrugada do dia 20 de Setembro de 1835, sobre a ponte da Azenha, nas proximidades de Porto Alegre, sob o comando de Bento Gonçalves, as escaramuças da grande batalha tiveram início, para mais tarde, durante dez anos, ensopar de sangue as verdes coxilhas do Rio Grande e atestar às gerações futuras, o valor de uma raça forte que será sempre, orgulho de nacionalidade. Foram diversas as causas que levaram os farroupilhas a atacarem Porto Alegre, no dia 20 de Setembro de 1835, dando início a Revolução Farroupilha, que estendeu-se, até o dia 11 de Setembro de 1836, quando António de Souza Neto, proclamou a República Riograndense. Após esta data, iniciou-se uma guerra que durou até 28 de Fevereiro de 1845.
Apesar do apelo do Presidente Braga para que a população se levantasse em defesa da cidade, os liberais são recebidos com festa. Após entrar triunfante na cidade, Bento Gonçalves informa o regente Feijó acerca do ocorrido, pedindo que renomeie outro presidente. Em seguida Bento Gonçalves e Onofre Pires marcham sobre São José do Norte, Pelotas e Rio Grande e travando violentos combates contra forças imperiais chefiadas por Silva Tavares, obrigando o Presidente Braga a fugir para o Rio de Janeiro (23/10/1835). Foi nomeado Presidente o Dr. José de Araújo Ribeiro, filho da terra, parente de Bento Gonçalves , homem inteligente e culto, mas pouco político. Bem recebido pelos revolucionários, Araújo Ribeiro teve, entretanto, sua posse suspensa, em virtude de um incidente ocorrido em torno dos colonos alemães, que deviam permanecer alheios a Revolução. Araújo Ribeiro retira-se para Rio Grande, juntando-se a Bento Manuel Ribeiro, famoso guerreiro e figura de destaque da deposição do Presidente Fernandes Braga, e assume a presidência da Província diante da Câmara Municipal de Rio Grande. Atitude sumamente deplorável, pois a Revolução já havia sido dada por encerrada por Bento Gonçalves, os soldados despedidos, e Araújo Ribeiro convidado a assumir a presidência em Porto Alegre. A resposta a este gesto de pacificação do chefe farroupilha foi a contra-revolução, fruto da lamentável traição de Bento Manuel Ribeiro.
Em 28 de Fevereiro de 1845, Ponche Verde, lugar onde se registrara uma grande batalha, ficava encerrado um dos mais belos episódios da história do Brasil.
Em 18 de Julho de l847, portanto, dois anos depois da Grande Epopeia Farroupilha, falecia em Pedras Brancas (hoje Guaíba), em casa de José Gomes Jardim, o General Bento Gonçalves da Silva sendo, sepultado no cemitério da povoação assistência dos Filhos, pessoas da família e amigos.
 
(*): - A Guerra dos Farrapos, irrompeu no Sul do Brasil em 1835, portanto, no período da Regência. O particularismo da formação económica e social da Província do Rio Grande do Sul constituía um incentivo ao espírito federalista. A rebelião eclodiu em Porto Alegre, liderada pelo deputado provincial e coronel de milícias Bento Gonçalves da Silva. A acção dos farrapos desenvolveu-se, visando o estabelecimento de uma república, confederada a outras que seriam instauradas no Brasil. Mas a perda de Porto Alegre em 15 de Junho de 1836 comprometeu o sucesso dos rebeldes. O novo presidente da Província consegue que Bento Ribeiro (**) passe provisoriamente para o lado do Governo, além disso, a população do Este, de origem agrária, permanece arredia do Movimento Revolucionário, passando a fornecer as bases para a reacção Imperial. A 6 de Novembro de 1836, foi proclamada a república em Piratini, sendo Bento Gonçalves eleito presidente. A consequência da república seria o separatismo, aceite pelos revolucionários como transitório e inevitável meio para sustentar a causa rebelde. Os farroupilhas conseguem levar a guerra ao planalto catarinense e à Laguna, onde o general David Canabarro, de cuja expedição participou José Garibaldi (marido da Anita), funda em 1839, e efémera República Juliana. Mas a reacção Imperial torna-se mais vigorosa a partir de 1840. Os rebeldes não conseguem conquistar Porto Alegre, cercada durante 3 anos pelas tropas de Bento Gonçalves. Sem controle da bacia hidrográfica, esgotam-se as reservas de munições e víveres dos revolucionários, que sofrem sucessivos reveses. A partir de Setembro de 1842, Luís Alves de Lima e Silva, então Barão de Caxias, assume a presidência e o comando das armas da Província, desencadeando forte campanha contra os rebeldes, obtendo, finalmente, a assinatura da paz, no dia 1º de Março, já quando D. Pedro 2º governava o Brasil.
(**) – Bento Manuel Ribeiro, militar brasileiro, nasceu em Sorocaba SP em 1783 e morreu em Porto Alegre RS em 1855. Combateu na campanha de anexação da Banda Oriental. Aderiu ao Movimento dos Farrapos. Em 1836, depois da posse do novo presidente nomeado pelo Governo Imperial, passou-se para a Forças Legalistas, tendo então travado vários combates com os revoltosos, entre os quais o de Fanfa, no qual aprisionou Bento Gonçalves, chefe da revolução rio-grandense. Por divergências com o governo de Porto Alegre, voltou a aderir aos revolucionários, tendo assediado Porto Alegre, em 1838. Em 1839, retornou às tropas legalistas. Lutou sob o comando do Barão, Marquês e Duque de Caxias, até à derrota final da insurreição, em 1845.
"Analisando-se o desempenho de imperiais e farrapos durante a Revolução Farroupilha, é possível dizer que a grande vantagem das forças legalistas estava na sua Marinha - que garantiu, durante todo o período, o livre trânsito pelo Guaíba e Lagoa dos Patos, até a barra de Rio Grande. Os farrapos, por sua vez, tinham a vantagem de contar com combatentes ágeis e capazes de realizar ataques de surpresa em terra, graças ao fato de serem bons cavaleiros e de terem à sua disposição uma grande quantidade de cavalos. Seria, aliás, a partir da percepção da importância do uso dos cavalos na guerra travada nos pampas que Caxias iria garantir a vitória imperial: sua primeira providência ao chegar na província, foi reunir grande quantidade de cavalos e destruir, sempre que possível, as cavalhadas inimigas. A importância da Marinha Imperial revelou-se desde o início dos combates. As forças legais só conseguiram manter Porto Alegre livre dos farrapos porque podiam utilizar as vias navegáveis para trazer tropas, mantimentos e equipamentos. Foi também graças à Marinha que Bento Manoel conseguiu aprisionar Bento Gonçalves na ilha do Fanfa, em 4 de outubro de 1836. A marinha farroupilha, por sua vez, foi organizada no final de 1835. Dispunha inicialmente de apenas quatro navios: o brigue Bento Gonçalves, o palhabote Vinte e Quatro de Outubro, a escuna Farroupilha e o patacho Vinte de Setembro. Mais tarde juntaram-se a esses a canhoneira Dois de Julho, que havia sido tomada dos imperiais, a escuna Rio-Grandense, o cúter Minuano e dois lanchões que foram montados por Garibaldi com auxílio de John Griggs. Esses dois lanchões tinham o objetivo de realizar o corso: ataques rápidos às propriedades imperiais para se apropriarem de gado, cavalos, mantimentos e equipamentos. Como eram pequenos, podiam ser facilmente transportados pelos bancos de areia existentes na Lagoa dos Patos e no Guaíba, fugindo assim dos navios legalistas. Nos combates por terra, as forças envolvidas variaram. No início de 1838, calcula-se que os farrapos contavam com pouco mais de seis mil homens, distribuídos da seguinte forma: em Viamão, comandados por Bento Gonçalves, estavam de 1.500 a 1.600 homens, que assediavam Porto Alegre. Em Bagé estavam mais 400, comandados por Antonio Neto. Perto de Piratini, Domingos Crescêncio comandava outros 600. Mais 500 eram chefiados por Bento Manoel e David Canabarro na região da Campanha. Além disto, existiam vários grupos dispersos. As forças legais, por sua vez, tinham também cerca de seis mil homens (contando os da Marinha), concentrados em Porto Alegre, Rio Grande, São José do Norte e com alguns grupos esparsos na região da Serra. No final de 1842, os imperiais já somavam oito mil homens. As forças imperiais, aliás, foram crescendo progressivamente, com contingentes sendo enviados do centro do país. Quando Caxias iniciou sua campanha, em 1842, dispunha de 12 mil soldados, bem municiados e bem equipados. Isto significava mais de metade da força militar total do Brasil, calculada em 21.968 soldados. Esse número espantoso mostra a superioridade tática dos farroupilhas, cujas forças, estima-se, eram, na época em que Caxias chegou ao Rio Grande, de cerca de 3.500 homens. Caxias tomou posse como presidente e comandante em chefe da província no final de 1842. Nessa época os legalistas controlavam toda a orla marítima e toda a linha de navegação fluvial, desde a Lagoa Mirim até as imediações da vila de Cachoeira, no rio Jacuí, e também os pontos acessíveis aos navios de guerra nos rios Taquari, Caí e dos Sinos. Na Campanha, contavam com alguns pontos de apoio, e controlavam as Missões. Os farrapos, por sua vez, tinham o controle da Campanha".
(Profª. Drª. Lígia Gomes Carneiro)

 

 

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