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CONHEÇA-NOS:

Camilo Castelo Branco

 

Nasceu a

16

de

Março

de 1825

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 

Seguindo o modelo do romance folhetinesco, publicado em jornais, a obra de Camilo tem uma primeira fase marcada pelo tom dramático de intrigas em que a violência e a vingança servem de pano de fundo à acção. Este tipo de narrativa terá seu expoente em “Amor de Perdição” (*) que tem todos os ingredientes da tragédia misturados com o clima romântico, desembocando na impossibilidade final do amor. No entanto, além dessas obras que satisfazem o desejo de sonho e de evasão da burguesia, encontra-se em outro veio na prosa camiliana, influenciado pela “Comédie Humaine de Balzac”: o retrato sistemático da sociedade da época, que vai já em certos momentos na linha de uma preocupação realista, e que dá um quadro completo da evolução dessa sociedade desde o século XVII até ao século XIX. Assiste-se mesmo a uma crítica de costumes, em romances como Aventura de Basílio Fernandes Enxertado, em 1863 ou a Queda Dum Anjos, de 1866. Dois aspectos caracterizam a obra de Camilo: a idealização da mulher, que vai até à sua caracterização angélica, e o sacrifício total que o amor exige ao homem, levando-o a combater tos os preconceitos e poderes para conquistar o seu objectivo. O desfecho corresponde sempre a um extremo: ou o casamento feliz, que corresponde a uma recompensa no plano moral, que reconcilia o leitor com o mundo romancesco agitado e conflitual, ou a catástrofe, que traduz o espírito ultra-romântico, que se compraz no sofrimento e no negrume das emoções. A linguagem concilia e retórica excessiva com uma mestria da língua que impediu o seu envelhecimento, apesar de necessárias concessões ao gosto da época. Por outro lado, há uma concisão em Camilo que impede as digressões penosas e adjectivação desnecessária que toma, hoje, quase insuportável muita literatura ultra-romântica. Mas essa economia da linguagem contribui para dar vida às suas figuras.

Camilo Castelo Branco, nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825 e pôs fim à vida em São Miguel de Ceide, em 1 de Junho de 1890, com um tiro de pistola, amargurado pela cegueira inevitável que o impedia de continuar a escrever. Educado junto de parentes devido à morte dos pais, vive em Trás-os-Montes a sua infância e adolescência, principiando aí a sua existência aventurosa, que passa por um breve casamento, em 1841, com Joaquina Pereira, antes da sua ida para o Porto e, depois, Coimbra, na sua tentativa de tirar o curso de Medicina. De regresso ao Norte, rapta, em Vila Real, uma jovem, Patrícia Emília, que leva para o Porto, e, com quem vive por pouco tempo. Terá participado nas lutas da Patuleira até que, em 1848, se fixa no Porto, onde inicia a actividade de escritor e colaborador de jornais. Depois de ligações efémeras, apaixona-se por Ana Augusta Plácido, noiva do abastardo Pinheiro Alves, e com quem virá a casar, provocando em Camilo uma crise espiritual, que o leva a alinhar com sectores clericais e políticos mais conservadores. Começa então a ser reconhecido como romancista, sendo já um autor consagrado quando, em 1859, consuma o adultério com Ana Plácido, que abandona o marido para se lhe juntar. Depois da fuga para Lisboa e das dificuldades económicas em que vivem, são ambos presos na Cadeia da Relação do Porto, onde o próprio, D. Pedro V, visita Camilo, sendo absolvidos em 1861. A partir de 1864 instalam-se em São Miguel de Ceide, onde vive instantes de grandeza e de tragédia. O sucesso faz dessa casa um lugar de peregrinação para escritores e intelectuais, porém, a loucura do filho Jorge e a estroinice do filho mais novo amarguram-lhe a existência. Escrevendo como um forçado, para vencer as dificuldades materiais, é feito visconde e, pouco antes de morrer, casa com Ana Plácido.

Entre 1851 e 1890, e durante quase 40 anos, escreveu mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano, redigidas à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica. Prolífico e fecundo escritor deixa obras de referência na literatura lusitana. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa. De entre os vários romances, deixou um legado enorme de textos inéditos, comédias, folhetins, poesias, ensaios, prefácios, traduções e cartas – tudo com assinatura própria ou os menos conhecidos pseudónimos.

Sua Obra:
Anátema (1851) ; Mistérios de Lisboa (1854) ; A Filha do Arcediago (1854); Livro Negro de Padre Dinis (1855) ; A Neta do Arcediago (1856) ; Onde Está a Felicidade? (1856) ; Um Homem de Brios (1856) ; Lágrimas Abençoadas (1857) ; Cenas da Foz (1857) ; Carlota Ângela (1858) ; Vingança (1858) ; O Que Fazem Mulheres (1858) ; O Morgado de Fafe em Lisboa (Teatro, 1861) ; Doze Casamentos Felizes (1861) ; O Romance de um Homem Rico (1861) ; As Três Irmãs (1862) ; Amor de Perdição (1862) ; Mamórias do Carcere (1862) ; Coisas Espantosas (1862) ; Coração, Cabeça e Estômago (1862) ; Estrelas Funestas (1862) ; Anos de Prosa (1863) ; Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado (1863) ; O Bem e o Mal (1863) ; Estrelas Propícias (1863) ; Memórias de Guilherme do Amaral (1863) ; Agulha em Palheiro (1863) ; Amor de Salvação (1864) ; A Filha do Doutor Negro (1864) ; Vinte Horas de Liteira (1864) ; O Esqueleto (1865) ; A Sereia (1865) ; A Enjeitada (1866) ; O Judeu (1866) ; O Olho de Vidro (1866) ; A Queda dum Anjo (1866) ; O Santo da Montanha (1866) ; A Bruxa do Monte Córdova (1867) ; A doida do Candal (1867) ; Os Mistérios de Fafe (1868) ; O Retrato de Ricardina (1868) ; Os Brilhantes do Brasileiro (1869) ; A Mulher Fatal (1870) ; O Regicida (1874) ;  A Filha do Regicida (1875) ; A Caveira da Mártir (1876) ; Novelas do Minho (1875-1877) ; Eusébio Macário (1879) ; A Corja (1880) ; A Brasileira de Prazins (1882) ; A Infanta Capelista (1872) (conhecem-se apenas 3 exemplares deste romance porque D.Pedro II (do Brasil) pediu a Camilo para não o publicar, uma vez que versava sobre um familiar da Família Real Portuguesa e da Família Imperial Brasileira).

(*)Sinopse de "Amor de Perdição: - Simão Botelho e Teresa de Albuquerque pertencem a famílias distintas, que se odeiam. Moradores de casas vizinhas, em Viseu, acabam por se apaixonar e manter um namoro silencioso através das janelas próximas. Ambas as famílias, desconfiadas, fazem de tudo para combater a união amorosa. Tadeu de Albuquerque (o pai de Teresa), após recorrentes tentativas de casar sua filha a um primo acaba por interná-la num convento. Após luta travada com os criados do primo de Teresa, Simão Botelho permanece na casa de um ferreiro devedor de favores ao seu pai. A filha do ferreiro, Mariana, acaba também por se apaixonar por Simão, constituindo um triângulo amoroso. Teresa e Simão mantêm contacto por cartas. Este, numa tentativa de resgatar Teresa do convento, acaba por balear o primo de Teresa, Baltasar, e é condenado à forca. Mais tarde, as influências de seu pai, antigo corregedor, irão mudar a pena para dez anos de degredo na Índia. Ao embarcar, vê Teresa, que morre de desgosto. Nove dias depois, doente, Simão acaba por morrer também, e no momento em que vão lançar o corpo ao mar, Mariana, filha do ferreiro, lança-se ao mar.

Link de Amor de Perdição:

http://www.biblio.com.br/conteudo/camilocastelobranco/mamorperdicaox.htm

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 

 

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