Nasceu em 21 de Novembro de 1857
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Filho do
pintor, escultor e gravador Manuel Maria Bordalo Pinheiro, estudou na Academia
de Belas-Artes de Lisboa, onde cursou desde os 14 anos de idade desenho e
pintura histórica. Na Academia foi discípulo do escultor Simões de Almeida e do
mestre Ângelo Lupi, tendo feito o curso em quatro anos em vez dos curriculares
sete.
Em 1881 partiu para Paris, beneficiando de uma bolsa de estudo, custeada
secretamente por D. Fernando de Saxe-Coburgo, viúvo de D. Maria II, amigo do
pai. Foi para França, acompanhado da irmã mais velha, tendo aprendido com Manet,
Degas, Deschamps entre outros. Em 1882 apresentou no «Salon de Paris» o quadro «Soirée
chez Lui» que foi bem recebido pela crítica, e que está actualmente exposto no
Museu de Arte Contemporânea de Lisboa com o título «Concerto de Amadores».
Este quadro foi exposto em Lisboa, na Promotora, em 1883, após o seu regresso a
Portugal, não tendo sido muito bem recebido pela crítica. Junta-se aos artistas
do «Grupo do Leão», nome de uma cervejaria de Lisboa, que retratou num quadro
que será um dos seus mais conhecidos. O grupo era formado por jovens artistas
empenhados numa reforma estética
Foi no domínio da pintura de decoração e nos retratos que se celebrizou, sendo
dele as pinturas da sala de recepção do Palácio de Belém, os painéis dos «Passos
Perdidos» da Assembleia da República e do tecto do Teatro Nacional. Os
retratados, intelectuais sobretudo, incluem Oliveira Martins, Ramalho Ortigão,
Eça de Queirós, Teófilo Braga, mas um sobressai: o de Antero de Quental, pintado
em 1889.
Em 1901 tornou-se professor de pintura histórica da Academia de Belas-Artes de
Lisboa, depois de ter sido preterido no concurso de 1897. Em 1911, foi nomeado
pelo novo regime republicano para primeiro director do recém-criado Museu de
Arte Contemporânea onde se manteve até à reforma.
Era, segundo Diogo de Macedo: «misantropo, fechado em si, dado a análises
exaustivas, a dissecações cruéis, teve apenas um grande amor - a pintura».
Fonte: Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura.
Um dos mais
brilhantes pintores realistas e naturalistas portugueses, Columbano Bordalo
Pinheiro é celebrado pelos seus retratos e pela pintura decorativa. Tem obras
expostas tanto no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa e no Museu de Luxemburgo
de Paris como na Galeria Pitti, em Florença. Entre os seus quadros mais
conhecidos contam-se as representações dos seus amigos - Ramalho Ortigão, Eça de
Queirós, Teófilo Braga e Antero de Quental -, as pinturas da sala de recepção do
Palácio de Belém, os painéis dos “Passos Perdidos” da Assembleia da República e
o tecto do Teatro Nacional.
Nascido em
1857, em Lisboa, dentro de uma família de artistas, Columbano Bordalo Pinheiro
viveu, desde os primeiros anos, na convivência com pincéis e tintas, telas e
paletas, os quais faziam parte natural de sua vida, e assim aprendeu as
primeiras noções de pintura da mesma maneira que alguém aprende a falar ou a
manejar os talheres.
Seu pai era o pintor, escultor e gravador Manuel Maria Bordalo Pinheiro
(1815-1880) e, em todos os ramos da família, houve talentos precoces que, em
maior ou menor escala, se desenvolveram no cenário artístico de Portugal.
Assim, quando, aos catorze anos, Columbano se matriculou na Academia Real de
Belas-Artes, já trazia consigo uma bagagem de conhecimentos apreciável, para
desespero de seus professores, que não conseguiam fixar-lhe uma direcção, tendo,
muitas vezes, que deixá-lo escolher os próprios rumos.
Essa característica, que acompanhou o artista por toda sua vida, de um lado, o
ajudou a desenvolver-lhe mais rapidamente e ganhar personalidade própria, mas,
de outro, o fez coleccionar uma boa quantidade de desafectos. Dentre os
professores, somente Miguel Ângelo Lupi (1827-1883) conseguiu compreendê-lo por
inteiro, ajudando-o a prosseguir nos estudos, que foram completados em quatro
anos, num currículo que previa sete anos de escola. E saiu conquistando seu
primeiro prémio, uma medalha de prata.
Mas daí por diante, as coisas não lhe correram tão bem. Concorreu por duas vezes
seguidas a um prémio de viagem à França e, nas duas vezes, foi preterido a favor
de outros candidatos. Somente em 1881 conseguiu levar adiante seu projecto e,
assim mesmo, as despesas foram custeadas pessoalmente pelo rei D. Fernando (o
artista), filho de D. Maria II de Portugal e neto de D. Pedro I do Brasil.
Apesar de contar já com 24 anos, preferiu viajar em companhia de sua irmã mais
velha, Maria Augusta, sua segunda mãe, da qual, naquele mesmo ano, ele viria a
pintar um retrato com o nome de A mulher de luva.
Em Paris, o mesmo desastre: não era um pintor, era um repórter que a tudo
investigava e tudo questionava, inclusive a autoridade dos mestres. Por conta
própria, visitou ateliês de artistas em evidência, foi a exposições, frequentou
museus, fez muitas perguntas, questionou as respostas, criou, muitas vezes, um
ambiente hostil contra si mesmo, mas voltou a Portugal um homem consciente do
ofício, mestre da pintura, senhor de suas convicções e seus conhecimentos.
Em Lisboa, juntou-se aos artistas do Grupo do Leão, formado por artistas
promissores, que, mais tarde, viriam a figurar entre os grandes nomes da pintura
portuguesa, os quais se reuniam na Cervejaria do Leão.
A despeito de seu temperamento irascível, que o colocava em oposição aos que
poderiam ajudá-lo, Columbano foi abrindo uma estrada sólida à sua frente, por
força de seu talento imbatível, de sua vontade de vencer e de sua indiscutível
superioridade técnica.
Chegou mesmo a ser nomeado professor de pintura da Escola de Belas-Artes de
Lisboa, em 1900, mas, anos depois, deixava o posto, por incompatibilidade com os
alunos, que não se sujeitavam ao seu processo de ensino.
Segundo Fernando de Pamplona, a fama não eliminou «o carácter de misantropia, de
desconfiança, de egoísmo e de secura da personalidade de Columbano. A sua
genialidade não rimava com a sua simpatia humana. O mestre criara um mundo
estreito e fechado, de que era o único e terrível senhor».
Ou, como define Diogo de Macedo: «misantropo, fechado em si, dado a análises
exaustivas, a dissecações cruéis, ele teve apenas um grande amor – a pintura.»
Estes traços de pura esquizofrenia não anularam e, pelo contrário, acentuaram
seu valor artístico, mas, pela falta de sociabilidade, não conseguiu transmitir
a outros um pouco do muito que sabia. Deixou uma obra para a posteridade, mas
não deixou discípulos que pudessem continuar-lhe o trabalho.
Foi assim, nessa busca ao isolamento, fechando-se em seu próprio mundo, que
Columbano Bordalo Pinheiro veio a falecer, na mesma cidade de Lisboa, em 1929.
Trabalho e
pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal