Dia Internacional dos Soldados da Paz das
Nações Unidas 29 de Maio
(Medalha
Dag Hammarskjöld)

Trabalho e Pesquisas de Carlos
Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
A
Assembleia Geral da ONU
designou 29 de Maio Dia
Internacional dos Soldados
da Paz das Nações Unidas, a
fim de prestar homenagem a
todos os homens e mulheres
que serviram e servem ainda
nas operações de manutenção
da paz, pelo seu elevado
grau de profissionalismo, de
dedicação e de coragem, e de
honrar a memória daqueles
que perderam a vida ao
serviço da paz (resolução
57/129 de 11 de Dezembro de
2002).
A Assembleia convidou todos
os Estados Membros, os
organismos das Nações
Unidas, as organizações não
governamentais e os
indivíduos a celebrarem o
dia de forma condigna.
Fonte: Centro Regional de
Informação da ONU em
Bruxelas - RUNIC
O Dia Internacional dos
Soldados da Paz das Nações
Unidas foi lançado, no ano
passado, para prestar
homenagem à dedicação e
espírito de sacrifício
demonstrado durante mais de
meio século pelos Soldados
da Paz, que prestam serviço
no mundo inteiro sob a
bandeira azul da ONU, a fim
de consolidar a confiança,
reconciliar as partes em
conflito e atenuar o
sofrimento. Infelizmente,
nos últimos doze meses houve
muitas mais perdas a
deplorar.
Todos esses sacrifícios
despertam em nós um profundo
respeito e deveriam também
ser para nós uma fonte de
inspiração. Tal como esses
corajosos soldados da paz,
devemos continuar a
esforçar-nos por conseguir
que a comunidade das nações
viva em paz.
Actualmente, mais de 53 000
militares e pelo menos 11
000 civis de 94 países
servem em 14 missões no
mundo inteiro. É provável
que estes números venham a
aumentar, uma vez que o
Conselho de Segurança acaba
de aprovar uma operação no
Burundi e está prevista uma
outra no Sudão.
O aumento das missões é um
sinal positivo, na medida em
que revela que muitos países
optam por uma via mais
racional, quando saem de
conflitos violentos. Mas
representa uma enorme
sobrecarga, tendo em conta
os recursos disponíveis.
Assim, exorto os Estados
Membros a disponibilizarem
os soldados da paz
suplementares que serão
necessários, bem como os
recursos correspondentes.
Há muito que a manutenção da
paz não se limita ao
tradicional controle da
aplicação dos acordos de
cessar-fogo. Presentemente,
as missões da ONU levam a
cabo tarefas como ajudar a
gerir a transição política,
criar e reforçar
instituições, promover a
implantação do estado de
direito, apoiar a
reconstrução económica,
supervisionar as eleições,
desarmar os membros das
milícias e os
ex-combatentes, participar
nos programas de ajuda
humanitária e organizar o
regresso de refugiados e
pessoas deslocadas.
Na Libéria e na Serra Leoa,
os soldados da paz estão
encarregados de desarmar,
desmobilizar e reintegrar os
ex-combatentes que estiveram
envolvidos em duas guerras
civis brutais. Em
Timor-Leste, ajudam uma
jovem nação a dar os seus
primeiros passos e a
estabelecer as instituições
nacionais. No Saara
Ocidental, têm ajudado a
organizar os primeiros
contactos de alguns
refugiados com as
respectivas famílias, após
quase 30 anos de separação.
As missões de manutenção da
paz nunca podem, por si sós,
acabar com guerras. Mas
constituem o melhor meio de
garantir uma paz
sustentável. No Dia
Internacional dos Soldados
da Paz da ONU, recordemos
que a operação de paz mais
dispendiosa tem sempre
custos muito mais reduzidos
do que uma guerra. São
sempre um investimento que
vale a pena fazer.
Gentileza do Centro de
Informação da ONU em
Portugal
Jamais contra a soberania de
um Estado
Gentileza do Centro de
Informação da ONU em
Portugal
As peacekeeping
operations (“operações para
a manutenção da paz”), hoje
são a maior riqueza da ONU.
No dia 29 de maio foi
celebrado pela segunda vez
na sede geral de Nova York o
dia internacional das forças
peacekeeping da ONU, que
representam, como disse na
ocasião Kofi Annan, “o
melhor meio para garantir
uma paz sustentável”. No dia
17 de Maio, falando também
das peacekeeping, diante do
Conselho de Segurança, Kofi
Annan recordou a uma plateia
imersa no caso Iraque que
nos esforços para construir
a paz, “jamais podemos
ignorar o fato de que
estamos ali para ajudar, e
que é a população local que
deve assumir a
responsabilidade nas
decisões que dizem respeito
a suas vidas”.
Entre as modalidades
para manter a paz, os
redactores da Declaração da
ONU, em 1945, mencionaram a
mediação, a investigação, a
negociação, mas não as
“operações de manutenção da
paz”. Estas surgiram mais
tarde como “forças de
emergência”, com os famosos
“Capacetes azuis” que
debutaram no Egipto em 1956
depois da crise do Canal de
Suez. Mesmo não constando
da Declaração da ONU, foram
a resposta à necessidade de
tornar eficaz o espírito
daquela Declaração nas
circunstâncias novas e
variáveis das relações
internacionais. Elas foram
incluídas no capítulo VI,
onde se fala da solução das
disputas internacionais com
métodos pacíficos, e não no
VII, relativo aos casos nos
quais é legítimo recorrer à
força. Essa colocação
constitui a sua grandeza
ideal, mas também o seu lado
fraco, de exposição e
algumas vezes de “entrega” à
má vontade dos que, com uma
violência não contrastada,
determinam o abandono do
campo ou de algum modo
danificam a sua
eficácia.
Nos 50 anos de história
da peacekeeping releva-se a
confluência de muitas
circunstâncias novas que
causaram uma notável
evolução da sua natureza,
missão e organização. O
evento decisivo foi a queda
do Muro de Berlim em 1989.
Até então, resolviam-se
principalmente conflitos
entre Estados e, portanto,
as peacekeeping operations
tinham a tarefa de monitorar
o cessar-fogo entre as
partes em guerra e o
respeito aos compromissos
assumidos para chegar à paz
em tempos estabelecidos.
Depois de 1989, começou a
aparecer cada vez com maior
frequência a tipologia do
conflito internacional,
entre facções diversas e
oposições armadas. Mas a
Declaração da ONU não prevê
a possibilidade de intervir
contra a soberania de um
Estado membro sem o expresso
consenso de seu governo.
Além disso, nos conflitos
internos, os peacekeeping
tiveram sempre como
prioridade a protecção dos
refugiados e a garantia para
a distribuição humanitária
dos bens fundamentais: e
para fazer isso muitas vezes
é necessário o uso da força,
enquanto os soldados
destinados à manutenção da
paz não contavam com um
específico mandato neste
sentido. O peacekeeping logo
assumiu um carácter
multidimensional, englobando
o peacemaking: monitoramento
e implementação de acordos
de paz, assistência na
transição política, na
reconstrução democrática e
económica, organização da
ajuda humanitária e da volta
dos refugiados, supervisão
ou até mesmo organização das
eleições, monitoramento do
respeito aos direitos do
homem, retirada de minas
antipessoais, desarmamento
das milícias e colecta de
armas.
A complexidade e a
multidimensionalidade dos
peacekeeping continuam a
aumentar diante dos novos
desafios apresentados pelo
cenário internacional. Mas
também parece aumentar com o
tempo a confiança na
positividade deste
instrumento de paz e a
determinação em dar uma
resposta adequada aos novos
desafios em termos de
direito internacional de
disponibilidade de
contingentes e de fundos.
Actualmente 53 mil soldados
servem em 16 missões de paz
(Afeganistão,
Bósnia-Herzegóvina, Burundi,
Costa do Marfim, República
Democrática do Congo,
Eritréia e Etiópia, Geórgia,
Haiti, Iraque, Libéria,
Líbia, Oriente Médio, Serra
Leoa, Somália, Timor Leste,
Saara Ocidental). O Conselho
de Segurança está para
enviar outra ao Sudão.
Aumentam também os
custos. Hoje são necessários
cerca de 3 biliões de
dólares por ano. Porém, 3
biliões de dólares para
manter a paz representam
apenas 0,5% dos gastos
militares em nível mundial
(os quais em grande parte
não são destinados para
manter a paz!), e revelam-se
extremamente bem gastos ao
pensarmos que, segundo
cálculos confiáveis, as
guerras civis comportam
perdas económicas do valor
de 128 biliões de
dólares!
Uma das mais recentes
missões de paz é a de
Burundi, enviada em 1º de
Junho de 2004. E neste caso
deve-se assinalar uma
iniciativa da Igreja local.
Os bispos do país quiseram
sabiamente preceder a missão
da ONU, para depois
acompanhá-la com uma ação na
parte cultural, social e
espiritual visando à
reconciliação nacional. Para
este objectivo, em Fevereiro
passado instituíram a
Comissão para a Paz e a
Reconciliação da Igreja
Católica em Burundi. Com o
apoio de fundações, amigos
da paz e da Conferência
Episcopal dos EUA, uma
delegação de burundineses
participou recentemente em
Washington a um mês de
formação e informação
específica sobre o tema. No
final, os bispos e leigos,
membros da Comissão,
encontraram várias
personalidades e entraram em
contacto com vários
departamentos da ONU em Nova
York, instaurando uma
profícua relação com os
responsáveis da missão de
paz e mostrando, com clareza
e determinação, os próprios
propósitos de paz para o
país. Graças também a este
bom exemplo, o secretário
Annan pôde concluir deste
modo o seu discurso oficial
de 29 de Maio: “A mais
dispendiosa operação de
peacekeeping custa muito
menos do que a mais
económica das guerras”.
Jorge Sampaio, ex-
Presidente da República
Portuguesa, escolhido para
liderar Aliança Civilizações
Jorge Sampaio vai ser o
primeiro alto representante
da ONU para o Diálogo das
Civilizações, a convite do
secretário-geral das Nações
Unidas, Ban Ki-Moon.
O convite ao ex-chefe de
Estado foi feito
directamente por Ban Ki-Moon,
ficando Jorge Sampaio com um
cargo equiparável, no
sistema das Nações Unidas, a
sub-secretário-geral.
José Sócrates, reagiu "com
satisfação" à designação do
ex-líder do PS e
ex-Presidente da República
Jorge Sampaio para o cargo
de alto representante da ONU
para o Diálogo das
Civilizações, dizendo que
"honra" Portugal.
"O primeiro-ministro reage
com satisfação à nomeação de
mais um português para uma
alta função internacional,
que em muito contribui para
o prestígio de Portugal",
referiu à agência Lusa fonte
oficial do gabinete do chefe
do Governo português.
José Sócrates destacou ainda
que "as qualidades pessoais
e políticas do Dr. Jorge
Sampaio são garantia de um
exercício do cargo à altura
das responsabilidades e
desafios que hoje se colocam
à comunidade internacional".
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
|
|