Portal CEN  *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

CONHEÇA-NOS:

 

D. Afonso V - (o africano)

 

 

 

Reinou de 1438 a 1481

Morreu a 28 de Agosto de 1481

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo

 


D. Afonso V tinha pouco mais de seis anos, quando faleceu D. Duarte. Por isso, ficou a governar como regente sua mãe, D. Leonor. Como  a grande maioria dos portugueses não simpatizava com D. Leonor, resolveram as cortes entregar a regência do Reino ao Infante D. Pedro, duque de Coimbra e tio de D. Afonso V. A regência de D. Pedro foi proveitosa para Portugal, e nem outra coisa era de esperar, atendendo ao seu carácter, sua prudência e sua cultura.
Logo que D. Afonso V chegou à maioridade, em 1448, D. Pedro entregou-lhe o comando do governo, retirando-se em seguida para Coimbra, onde tinha o seu castelo e as suas terras.
Governava D. Afonso V há pouco mais de um ano, quando por intrigas do Paço, em que se distinguiu seu irmão bastardo D. Afonso, conde de Barcelos e depois duque de Bragança, se convenceu que seu tio e sogro, ambicionava apoderar-se do trono. Sabedor do facto, resolveu D. Pedro partir de Coimbra em direcção à Corte para esclarecer a verdade, e pedir ao mesmo tempo justiça contra os seus caluniadores. Como se fazia acompanhar de alguma gente armada, o rei, tomando este gesto por provocação e rebeldia, mandou tropas ao seu encontro. O embate das duas hostes deu-se em Alfarrobeira (próximo de Alverca), onde, a pelejar, perderam a vida o Infante D. Pedro e o seu íntimo amigo D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches, em 1449.
Os Descobrimentos Marítimos continuavam metodicamente, ainda sob a orientação do Infante D. Henrique.
Em 1441, Nuno Tristão chegou ao Cabo Branco;
Em 1445, o mesmo e Álvaro Fernandes descobriram a foz do Senegal;
No mesmo ano, Dinis Dias atingiu toda a costa da Guiné até ao Cabo Verde;
Em 1460, Diogo Gomes e António de Nola descobriram o Arquipélago de Cabo Verde.
Por esta época (1460) falecia em Sagres o Infante D. Henrique, legando a Portugal a empresa imorredoura dos Descobrimentos dos Portugueses, que tanto contribuiu para o bom nome de Portugal e progresso da civilização. Mas a sua formidável obra estava lançada e, por isso, os descobrimentos prosseguiram:
Em 1469, Fernão Gomes aportou à Costa da Mina;
E, 1470, João de Santarém e Pedro Escobar descobriram as Ilhas de São Tomé e Príncipe;
Fernando Pó encontra a ilha do mesmo nome e a de Ano Novo;
Em 1472, Álvares Esteves passava o Equador.
Também, D. Afonso V, possuidor de um temperamento guerreiro, resolveu continuar em África as conquistas de terras aos muçulmanos, iniciadas por D. João l, seu avô.
Em 1458, tomou-lhes Alcácer-Ceguer. Em 1471, caíram em seu poder Arzila e Tânger, pelo que recebeu o título de Africano.
A partir desta época, e devido a tais conquistas, começaram os soberanos portugueses a denominar-se : “Reis de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém mar em África”.
D. Afonso V, por ter ajustado esponsais com D. Joana, única filha do rei de Castela, quis fazer valer os seus direitos ao trono de Castela.
Invadiu então, o reino de Castela, tendo-se travado a Batalha de Toro, em 1476, que foi de resultados negativos para a causa do rei português, muito embora as nossas tropas tivessem dado mostras de muita intrepidez e de grande valor combativo. Nesta batalha tornou-se célebre o alferes Duarte de Almeida “o Decepado”, a quem fora confiada a gloriosa Bandeira de Portugal. Os castelhanos, para a poderem roubar, cortaram-lhe ambas as mãos. Por último, segurou-a ainda entre os dentes, só a largando quando, exausto de forças, cheio de golpes e cutiladas, caiu do cavalo. Duarte de Almeida ficou prisioneiro dos castelhanos, mas o estandarte nacional foi recuperado pelo escudeiro português Gonçalo Pires, que o arrancara das mãos do inimigo.
Neste reinado foi introduzida a Imprensa, aperfeiçoada por Gutemberg, célebre inventor alemão.
Ordenações Afonsinas: Com este nome foi publicada, durante a regência de D. Pedro, a primeira colecção de leis portuguesas, principiadas a compilar desde o tempo de D. João l.
Os restos mortais de D. Afonso V, encontram-se no mosteiro da Batalha.
 
Batalha de Alfarrobeira
http://pt.wikipedia.org/wiki/


Foi o recontro travado entre D. Afonso V e o Infante D. Pedro seu tio, em 1449, junto do ribeiro de Alfarrobeira, perto de Alverca. No princípio do ano de 1448, aconselhado por Afonso, Duque de Bragança, pelo conde de Ourém e pelo arcebispo de Lisboa, decidiu D. Afonso V afastar do governo do reino, seu tio, que abandonou a corte, a pretexto da administração das suas terras e se instalou na casa ducal de Coimbra. A intriga surtiu efeito no espírito do monarca que não atendeu às tentativas de conciliação do próprio D. Pedro que lhe escreveu renovando a sua obediência e defendendo-se das calúnias, quer do Infante D. Henrique e do conde de Avranches, que pretenderam evitar o drama.
O rei escreve no final deste ano ao duque de Bragança requisitando-o à corte mas acompanhado de escolta uma vez que teria de atravessar terras de Coimbra. D. Pedro, sabedor da vinda do seu inimigo, proíbe-lhe a passagem por suas terras e é considerado súbdito desleal ao rei. Logo se publicam éditos contra o Infante e seus aliados e o rei investe, com as suas tropas, na tentativa de submetê-los, instalando-se em Santarém; por sua vez D. Pedro desce de Coimbra em direcção a Lisboa e encontra as tropas reais em Alfarrobeira.
Travada a batalha, as tropas do monarca saem vitoriosas e o Infante morre no combate. Foi geral a reprovação europeia, perante a conduta de D. Afonso V e D. Isabel de Portugal, recolhe na corte da Borgonha os sobrinhos órfãos D. Jaime, mais tarde arcebispo de Lisboa e cardeal; D. Pedro mais tarde conde Barcelona; D. João futuro príncipe de Antioquia e D. Isabel. Em resumo, Alfarrobeira representa o triunfo da corrente senhorial sobre os princípios de centralização régia que já anunciam a Idade Moderna.
 
Duarte de Almeida - o Decepado
alferes-mor de D. Afonso V, conhecido na história pela alcunha do Decepado. Era filho de Pedro Lourenço de Almeida. Na batalha de Toro, em 1 de Março de 1476, entre tropas portuguesas e castelhanas, em que tanto se distinguiu o príncipe D. João, depois o rei D. João II, praticaram-se actos de valentia e heroísmo; entre os guerreiros que se tornaram notáveis, conta-se Gonçalo Pires e Duarte de Almeida, o alferes-mor do rei, a quem estava confiado o estandarte real português. A luta foi enorme; as quatro grandes divisões castelhanas, vendo os seus em perigo, acudiram a auxiliá-los, ao mesmo tempo que o arcebispo de Toledo, o conde de Monsanto, o duque de Guimarães e o conde de Vila Real avançavam em socorro dos portugueses. Subjugados pela superioridade do número, os portugueses caíram em desordem, abandonando o pavilhão real. Imediatamente, inúmeras lanças e espadas o cobrem, e todos à porfia pretendem apoderar-se de semelhante troféu. Duarte de Almeida, num supremo esforço, envolto num turbilhão de lanças, empunha de novo a bandeira, e defende-a com heróica bravura. Uma cutilada corta-lhe a mão direita; indiferente à dor, empunha com a esquerda o estandarte confiado à sua Honra e lealdade; decepam-lhe também a mão esquerda; Duarte de Almeida, desesperado, toma o estandarte nos dentes, e rasgado, despedaçado, os olhos em fogo, resiste ainda, resiste sempre. Então os castelhanos o rodearam, e caiem às lançadas sobre o heróico alferes‑mor, que afinal, cai moribundo. Os castelhanos apoderaram-se então da bandeira, mas Gonçalo Pires (V. este nome), conseguiu arrancá-la. Este acto de heroicidade foi admirado até pelos próprios inimigos.
Duarte de Almeida foi conduzido semimorto para o acampamento castelhano, onde recebeu o primeiro curativo, sendo depois mandado para um Hospital de Castela. No fim de muitos meses, voltou à, pátria, e foi viver para o castelo de Vilarigas, que herdara de seu pai. Havia casado com D. Maria de Azevedo, filha do senhor da Lousã, Rodrigo Afonso Valente e de D. Leonor de Azevedo. Diz-se que Duarte de Almeida morreu na miséria e quase esquecido, apesar da sua valentia e bravura com que se houve na batalha de Toro, que lhe custou ficar inutilizado pela falta das suas mãos. Camilo Castelo Branco, porém, nas Noites de insónia, diz que o Decepado não acabara tão pobre como se dizia, porque além do castelo de Vilarigas, seu pai possuía outro na quinta da Cavalaria, e em quanto ele esteve na guerra, sua mulher havia herdado boa fortuna duma sua tia, chamada D. Inês Gomes de Avelar. D. Afonso V, um ano antes da batalha, estando em Samora, lhe fizera mercê, pelos seus grandes serviços, para ele e seus filhos, de um reguengo no concelho de Lafões.
Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, pág. 245.

 

54 -  Afonso V – (Canto lV de Os Lusíadas)
     "Mas Afonso, do Reino único herdeiro,
     Nome em armas ditoso em nossa Hespéria,
     Que a soberba do bárbaro fronteira
     Tornou em baixa e humílima miséria,
     Fora por certo invicto cavaleiro,
     Se não quisera ir ver a terra Ibéria.
     Mas África dirá ser impossível
     Poder ninguém vencer o Rei terrível.

    55 -  Conquistas em África: Alcácer, Tânger e Arzila
     "Este pôde colher as maçãs de ouro,
     Que somente o Tiríntio colher pôde:
     Do jugo que lhe pôs, o bravo Mouro
     A cerviz inda agora não sacode.
     Na fronte a palma leva e o verde louro
     Das vitórias do Bárbaro, que acode
     A defender Alcácer, forte vila,
     Tângere populoso e a dura Arzila.

    56
     "Porém elas enfim por força entradas,
     Os muros abaixaram de diamante
     As Portuguesas forças, costumadas
     A derribarem quanto acham diante.
     Maravilhas em armas estremadas,
     E de escritura dinas elegante,
     Fizeram cavaleiros nesta empresa,
     Mais afinando a fama Portuguesa.

    57 -  Guerra contra Fernando de Aragão
     "Porém depois, tocado de ambição
     E glória de mandar, amara e bela,
     Vai cometer Fernando de Aragão,
     Sobre o potente Reino de Castela.
     Ajunta-se a inimiga multidão
     Das soberbas e várias gentes dela,
     Desde Cádis ao alto Pireneu,
     Que tudo ao Rei Fernando obedeceu.

    58 -  Batalha de Toro
     "Não quis ficar nos Reinos ocioso
     O mancebo Joane, e logo ordena
     De ir ajudar o pai ambicioso,
     Que então lhe foi ajuda não pequena.
     Saiu-se enfim do trance perigoso
     Com fronte não torvada, mas serena,
     Desbaratado o pai sanguinolento
     Mas ficou duvidoso o vencimento.

    59
     "Porque o filho sublime e soberano,
     Gentil, forte, animoso cavaleiro,
     Nos contrários fazendo imenso dano,
     Todo um dia ficou no campo inteiro.
     Desta arte foi vencido Octaviano,
     E António vencedor, sem companheiro,
     Quando daqueles que César mataram
     Nos Filípicos campos se vingaram.
 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

Envie esta Página aos Amigos:

 

 

 

 

 

Por favor, assine o Livro de Visitas:

 

 

 

Todos os direitos reservados ao Portal CEN
Página criada por Iara Melo
http://www.iaramelo.com