Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
D. Afonso V tinha pouco mais de seis anos, quando faleceu D. Duarte. Por
isso, ficou a governar como regente sua mãe, D. Leonor. Como a grande maioria
dos portugueses não simpatizava com D. Leonor, resolveram as cortes entregar a
regência do Reino ao Infante D. Pedro, duque de Coimbra e tio de D. Afonso V. A
regência de D. Pedro foi proveitosa para Portugal, e nem outra coisa era de
esperar, atendendo ao seu carácter, sua prudência e sua cultura.
Logo que D. Afonso V chegou à maioridade, em 1448, D. Pedro entregou-lhe o
comando do governo, retirando-se em seguida para Coimbra, onde tinha o seu
castelo e as suas terras.
Governava D. Afonso V há pouco mais de um ano, quando por intrigas do Paço, em
que se distinguiu seu irmão bastardo D. Afonso, conde de Barcelos e depois duque
de Bragança, se convenceu que seu tio e sogro, ambicionava apoderar-se do trono.
Sabedor do facto, resolveu D. Pedro partir de Coimbra em direcção à Corte para
esclarecer a verdade, e pedir ao mesmo tempo justiça contra os seus
caluniadores. Como se fazia acompanhar de alguma gente armada, o rei, tomando
este gesto por provocação e rebeldia, mandou tropas ao seu encontro. O embate
das duas hostes deu-se em Alfarrobeira (próximo de Alverca), onde, a pelejar,
perderam a vida o Infante D. Pedro e o seu íntimo amigo D. Álvaro Vaz de Almada,
conde de Avranches, em 1449.
Os Descobrimentos Marítimos continuavam metodicamente, ainda sob a orientação do
Infante D. Henrique.
Em 1441, Nuno Tristão chegou ao Cabo Branco;
Em 1445, o mesmo e Álvaro Fernandes descobriram a foz do Senegal;
No mesmo ano, Dinis Dias atingiu toda a costa da Guiné até ao Cabo Verde;
Em 1460, Diogo Gomes e António de Nola descobriram o Arquipélago de Cabo Verde.
Por esta época (1460) falecia em Sagres o Infante D. Henrique, legando a
Portugal a empresa imorredoura dos Descobrimentos dos Portugueses, que tanto
contribuiu para o bom nome de Portugal e progresso da civilização. Mas a sua
formidável obra estava lançada e, por isso, os descobrimentos prosseguiram:
Em 1469, Fernão Gomes aportou à Costa da Mina;
E, 1470, João de Santarém e Pedro Escobar descobriram as Ilhas de São Tomé e
Príncipe;
Fernando Pó encontra a ilha do mesmo nome e a de Ano Novo;
Em 1472, Álvares Esteves passava o Equador.
Também, D. Afonso V, possuidor de um temperamento guerreiro, resolveu continuar
em África as conquistas de terras aos muçulmanos, iniciadas por D. João l, seu
avô.
Em 1458, tomou-lhes Alcácer-Ceguer. Em 1471, caíram em seu poder Arzila e Tânger,
pelo que recebeu o título de Africano.
A partir desta época, e devido a tais conquistas, começaram os soberanos
portugueses a denominar-se : “Reis de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém
mar em África”.
D. Afonso V, por ter ajustado esponsais com D. Joana, única filha do rei de
Castela, quis fazer valer os seus direitos ao trono de Castela.
Invadiu então, o reino de Castela, tendo-se travado a Batalha de Toro, em 1476,
que foi de resultados negativos para a causa do rei português, muito embora as
nossas tropas tivessem dado mostras de muita intrepidez e de grande valor
combativo. Nesta batalha tornou-se célebre o alferes Duarte de Almeida “o
Decepado”, a quem fora confiada a gloriosa Bandeira de Portugal. Os castelhanos,
para a poderem roubar, cortaram-lhe ambas as mãos. Por último, segurou-a ainda
entre os dentes, só a largando quando, exausto de forças, cheio de golpes e
cutiladas, caiu do cavalo. Duarte de Almeida ficou prisioneiro dos castelhanos,
mas o estandarte nacional foi recuperado pelo escudeiro português Gonçalo Pires,
que o arrancara das mãos do inimigo.
Neste reinado foi introduzida a Imprensa, aperfeiçoada por Gutemberg, célebre
inventor alemão.
Ordenações Afonsinas: Com este nome foi publicada, durante a regência de D.
Pedro, a primeira colecção de leis portuguesas, principiadas a compilar desde o
tempo de D. João l.
Os restos mortais de D. Afonso V, encontram-se no mosteiro da Batalha.
Batalha de Alfarrobeira
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Foi o recontro travado entre D. Afonso V e o Infante D. Pedro seu tio, em 1449,
junto do ribeiro de Alfarrobeira, perto de Alverca. No princípio do ano de 1448,
aconselhado por Afonso, Duque de Bragança, pelo conde de Ourém e pelo arcebispo
de Lisboa, decidiu D. Afonso V afastar do governo do reino, seu tio, que
abandonou a corte, a pretexto da administração das suas terras e se instalou na
casa ducal de Coimbra. A intriga surtiu efeito no espírito do monarca que não
atendeu às tentativas de conciliação do próprio D. Pedro que lhe escreveu
renovando a sua obediência e defendendo-se das calúnias, quer do Infante D.
Henrique e do conde de Avranches, que pretenderam evitar o drama.
O rei escreve no final deste ano ao duque de Bragança requisitando-o à corte mas
acompanhado de escolta uma vez que teria de atravessar terras de Coimbra. D.
Pedro, sabedor da vinda do seu inimigo, proíbe-lhe a passagem por suas terras e
é considerado súbdito desleal ao rei. Logo se publicam éditos contra o Infante e
seus aliados e o rei investe, com as suas tropas, na tentativa de submetê-los,
instalando-se em Santarém; por sua vez D. Pedro desce de Coimbra em direcção a
Lisboa e encontra as tropas reais em Alfarrobeira.
Travada a batalha, as tropas do monarca saem vitoriosas e o Infante morre no
combate. Foi geral a reprovação europeia, perante a conduta de D. Afonso V e D.
Isabel de Portugal, recolhe na corte da Borgonha os sobrinhos órfãos D. Jaime,
mais tarde arcebispo de Lisboa e cardeal; D. Pedro mais tarde conde Barcelona;
D. João futuro príncipe de Antioquia e D. Isabel. Em resumo, Alfarrobeira
representa o triunfo da corrente senhorial sobre os princípios de centralização
régia que já anunciam a Idade Moderna.
Duarte de Almeida - o Decepado
alferes-mor de D. Afonso V, conhecido na história pela alcunha do Decepado. Era
filho de Pedro Lourenço de Almeida. Na batalha de Toro, em 1 de Março de 1476,
entre tropas portuguesas e castelhanas, em que tanto se distinguiu o príncipe D.
João, depois o rei D. João II, praticaram-se actos de valentia e heroísmo; entre
os guerreiros que se tornaram notáveis, conta-se Gonçalo Pires e Duarte de
Almeida, o alferes-mor do rei, a quem estava confiado o estandarte real
português. A luta foi enorme; as quatro grandes divisões castelhanas, vendo os
seus em perigo, acudiram a auxiliá-los, ao mesmo tempo que o arcebispo de
Toledo, o conde de Monsanto, o duque de Guimarães e o conde de Vila Real
avançavam em socorro dos portugueses. Subjugados pela superioridade do número,
os portugueses caíram em desordem, abandonando o pavilhão real. Imediatamente,
inúmeras lanças e espadas o cobrem, e todos à porfia pretendem apoderar-se de
semelhante troféu. Duarte de Almeida, num supremo esforço, envolto num turbilhão
de lanças, empunha de novo a bandeira, e defende-a com heróica bravura. Uma
cutilada corta-lhe a mão direita; indiferente à dor, empunha com a esquerda o
estandarte confiado à sua Honra e lealdade; decepam-lhe também a mão esquerda;
Duarte de Almeida, desesperado, toma o estandarte nos dentes, e rasgado,
despedaçado, os olhos em fogo, resiste ainda, resiste sempre. Então os
castelhanos o rodearam, e caiem às lançadas sobre o heróico alferes‑mor, que
afinal, cai moribundo. Os castelhanos apoderaram-se então da bandeira, mas
Gonçalo Pires (V. este nome), conseguiu arrancá-la. Este acto de heroicidade foi
admirado até pelos próprios inimigos.
Duarte de Almeida foi conduzido semimorto para o acampamento castelhano, onde
recebeu o primeiro curativo, sendo depois mandado para um Hospital de Castela.
No fim de muitos meses, voltou à, pátria, e foi viver para o castelo de
Vilarigas, que herdara de seu pai. Havia casado com D. Maria de Azevedo, filha
do senhor da Lousã, Rodrigo Afonso Valente e de D. Leonor de Azevedo. Diz-se que
Duarte de Almeida morreu na miséria e quase esquecido, apesar da sua valentia e
bravura com que se houve na batalha de Toro, que lhe custou ficar inutilizado
pela falta das suas mãos. Camilo Castelo Branco, porém, nas Noites de insónia,
diz que o Decepado não acabara tão pobre como se dizia, porque além do castelo
de Vilarigas, seu pai possuía outro na quinta da Cavalaria, e em quanto ele
esteve na guerra, sua mulher havia herdado boa fortuna duma sua tia, chamada D.
Inês Gomes de Avelar. D. Afonso V, um ano antes da batalha, estando em Samora,
lhe fizera mercê, pelos seus grandes serviços, para ele e seus filhos, de um
reguengo no concelho de Lafões.
Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico,
Numismático e Artístico, Volume I, pág. 245.
54 - Afonso V – (Canto
lV de Os Lusíadas)
"Mas Afonso, do Reino único
herdeiro,
Nome em armas ditoso em
nossa Hespéria,
Que a soberba do bárbaro
fronteira
Tornou em baixa e humílima
miséria,
Fora por certo invicto
cavaleiro,
Se não quisera ir ver a
terra Ibéria.
Mas África dirá ser
impossível
Poder ninguém vencer o Rei
terrível.
55 - Conquistas em África:
Alcácer, Tânger e Arzila
"Este pôde colher as maçãs
de ouro,
Que somente o Tiríntio
colher pôde:
Do jugo que lhe pôs, o
bravo Mouro
A cerviz inda agora não
sacode.
Na fronte a palma leva e o
verde louro
Das vitórias do Bárbaro,
que acode
A defender Alcácer, forte
vila,
Tângere populoso e a dura
Arzila.
56
"Porém elas enfim por força
entradas,
Os muros abaixaram de
diamante
As Portuguesas forças,
costumadas
A derribarem quanto acham
diante.
Maravilhas em armas
estremadas,
E de escritura dinas
elegante,
Fizeram cavaleiros nesta
empresa,
Mais afinando a fama
Portuguesa.
57 - Guerra contra Fernando
de Aragão
"Porém depois, tocado de
ambição
E glória de mandar, amara e
bela,
Vai cometer Fernando de
Aragão,
Sobre o potente Reino de
Castela.
Ajunta-se a inimiga
multidão
Das soberbas e várias
gentes dela,
Desde Cádis ao alto
Pireneu,
Que tudo ao Rei Fernando
obedeceu.
58 - Batalha de Toro
"Não quis ficar nos Reinos
ocioso
O mancebo Joane, e logo
ordena
De ir ajudar o pai
ambicioso,
Que então lhe foi ajuda não
pequena.
Saiu-se enfim do trance
perigoso
Com fronte não torvada, mas
serena,
Desbaratado o pai
sanguinolento
Mas ficou duvidoso o
vencimento.
59
"Porque o filho sublime e
soberano,
Gentil, forte, animoso
cavaleiro,
Nos contrários fazendo
imenso dano,
Todo um dia ficou no campo
inteiro.
Desta arte foi vencido
Octaviano,
E António vencedor, sem
companheiro,
Quando daqueles que César
mataram
Nos Filípicos campos se
vingaram.
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Trabalho e pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal
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