D. DUARTE

Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo

 

 

 

Nasceu a 31 de Outubro de 1391 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

 

 

 


 


Não foi do Rei Duarte tão ditoso
O tempo que ficou na suma alteza,
Que assim vai alternando o tempo iroso
O bem co'o mal, o gosto coa tristeza.
Quem viu sempre um estado deleitoso?
Ou quem viu em fortuna haver firmeza?
Pois inda neste Reino e neste Rei
Não ousou ela tanto desta lei.

(Canto lV de Os Lusíadas - 51)

 


 
Neste reinado e ainda sob a direcção do Infante D. Henrique, continuaram os Descobrimentos.
Em 1434, Gil Eanes passou o Cabo Bojador e, em 1436, Afonso Gonçalves Baldaia, descobriu o Rio do Ouro.
Algumas terras que faziam parte dos bens da Coroa, tinham sido doadas, o que fez empobrecer o tesouro que, em dado momentos, se encontrou sem os rendimentos necessários para fazer face às despesas públicas. Para remediar este mal, foi por D. Duarte promulgada uma disposição que veio regulamentar as heranças doados pelo rei. Chama-se-lhe Lei Mental, porque D. João l já a trazia na mente e a aplicava, mesmo sem a ter publicado.
A conquista de todas as praças do norte de África continuava a ser a maior aspiração do Infante D. Henrique. Em 1437, por sua insistência e de seu irmão D. Fernando, concordou o rei D. Duarte em que se organizasse uma armada com o fim de conquistar Tânger. A expedição partiu, mas os portugueses foram mal sucedidos. Para lá não terem de ficar todos mortos ou prisioneiros, fizeram uma proposta ao inimigo, segundo a qual entregariam Ceuta, se lhes fosse facilitado o reembarque para Portugal. Os mouros aceitaram, mas exigiram como refém o Infante D. Fernando.
Logo que os expedicionários regressaram ao Reino, foram convocadas Corte em Leiria para tratar da libertação de D. Fernando. Como tais cortes deliberassem rejeitar a entrega de Ceuta, os mouros fizeram então transportar o dito infante para Fez, onde morreu em 1443, com o epíteto de Infante Santo, pelos martírios o vexames sofridos durante o cativeiro.
O reinado de D. Duarte foi muito curto, pois, durou apenas 5 anos e alguns dias. Este rei faleceu em Tomar em 1438, vitimado por uma peste terrível que, no seu reinado flagelou o País. Era muito ilustrado e bondoso. Entre outras obras de merecimento, escreveu três livros notáveis: Leal Conselheiro, Arte de Bem cavalgar todo a sela e Livro de Misericórdia. Seus restos mortais encontram-se no mosteiro da Batalha.
 
D. DUARTE - O ELOQUENTE - (reinou de 1433 a 1438)
http://www.cunhasimoes.net/cp/
As navegações continuaram sob o impulso do Infante. Gil Eanes, em 1434, ultrapassa o Cabo Bojador (Sara Ocidental). O mesmo Gil Eanes e Afonso Baldaia atingem o Rio do Ouro e a Pedra da Gata (mais a sul do Cabo).
Foi breve e pouco feliz o reinado deste homem culto. Preocupado com o estudo e o ensino do bem, escreveu o "Leal Conselheiro" e a "Ensinança de Cavalgar Toda a Sela" (foi o primeiro, que no mundo, escreveu sobre equitação). Teve o azar de, no seu reinado, a peste, de que havia de morrer, se espalhar por quase todo o território, daí resultou fome e miséria.
D. Duarte quis obviar esta situação fazendo publicar "A Lei Mental". Deu-lhe este nome porque o pai já a trazia em mente e algumas vezes a aplicou. Destinava-se a corrigir a generosidade com que D. João I recompensara os serviços dos fidalgos, que auxiliaram a sua causa na guerra contra Castela. D. Duarte mandou regressar à coroa todos os bens doados na falta de herdeiro varão.
D. João I tinha sido um mãos largas para aqueles que o ajudaram a conquistar o trono. A D. Nuno Álvares Pereira deu quase metade de Portugal. Quando viu que a sua liberalidade tinha sido um exagero e que assim não conseguiria governar o país, pensou como devia corrigir a situação. É daqui que vem o nome ao diploma.
Com Nuno Álvares Pereira, o rei usou de um estratagema para fazer regressar as terras à coroa, sem melindrar o Condestável; fez casar o seu filho bastardo D. Afonso, 3º conde de Barcelos, com D. Beatriz, filha única de Nuno Álvares. Ficou criada a poderosa Casa de Bragança, mas com fortes ligações à coroa.
D. Duarte, rei previdente e culto, teve a sensibilidade de convidar Fernão Lopes (1380-1459) para guarda das escrituras régias e cronista-mor do Reino. Fernão Lopes escreveu as crónicas (narrações históricas) de D. Pedro I, D. Fernando I e D. João I, que são verdadeiros monumentos históricos de verdade, objectividade e isenção.
O final do curto e triste reinado de D. Duarte termina pouco tempo depois do desastre de Tânger. Os portugueses, além da Expansão marítima, começaram a pensar em se estender pelo Norte de África a fim de evitar os constantes ataques dos mouros daquelas paragens. Uma das praças que pensaram conquistar foi Tânger. A expedição não teve sucesso. Foram derrotados e a maioria feita prisioneira. Aqui ficou cativo D. Fernando, irmão do rei, que os mouros pretenderam trocar pela praça de Ceuta. As Cortes não o permitiram e D. Fernando morreu no cativeiro com o epíteto de santo, pelos martírios que aí passou. D. Duarte não resistiu à dor e a peste tomou conta dele.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

FORMATAÇÃO: IARA MELO