
D. Luís
Luís Filipe Maria Fernando Pedro de
Alcântara António Miguel Rafael
Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de
Assis João Augusto Júlio Valfando
No reinado de D. Luís, realizaram-se
grandes melhoramentos e reformas,
que muito contribuíram, para o
progresso do País:
- Foi alargada a rede de estradas,
de caminhos de ferro e de telegrafia
eléctrica;
- Construíram-se as pontes de ferro
sobre o rio Douro;
- O Palácio de Cristal, no Porto;
- Aumentou-se a Marinha de Guerra;
- Criaram-se escolas primárias,
agrícolas e industriais e bancos de
crédito;
- Aboliu-se a pena de morte para os
crimes civis, o que motivou uma
carta de Victor Hugo, grande
escritor francês, a felicitar o
Governo;
- Revogou-se as leis de trabalhos
públicos na metrópole e a de
escravidão em todos os domínios do
Reino;
- Aumentou-se a nossa legislação com
a publicação do Código Civil, etc.,
etc.
O governo de D. Luís distinguiu-se
ainda pelas grandes explorações
científicas que se efectuaram
através do continente africano.
O major de infantaria, Alexandre de
Serpa Pinto, realizou a viagem de
Luanda ao Natal, em 1879; e os
oficiais de marinha Hermenegildo
Capelo e Roberto Ivens, em 1885
exploraram todo o sertão de
Moçâmedes a Quelimane, num percurso
de 4.500 milhas. Estas viagens
causaram a admiração na Europa e
glorificaram o nome de Portugal.
Em Maio de 1886, a França assinou
com Portugal um tratado, pelo qual
era assegurado o exercício da nossa
influência e soberania no território
descoberto por aqueles notáveis
exploradores (Serpa Pinto, Capelo e
Ivens) e que estabeleceu a ligação,
por terra, entre as duas zonas de
Angola e Moçambique. Esse território
é conhecido pela designação de
Mapa-cor-de-Rosa por ser essa a cor
que o evidenciava num mapa que
apareceu apenso àquele tratado. Em
Dezembro do mesmo ano, assinava-se
um novo tratado com a Alemanha em
que esta potência também reconhecia
os direitos que a França já nos
tinha assegurado.
Durante este reinado efectuaram-se
na África Portuguesa diversas
campanhas contra os indígenas
rebeldes:
- Em 1872, são os Dembos derrotados
pelo tenente-coronel Gomes de
Almeida e capitão Nunes da Mata;
- Em 1874, foram submetidos os
indígenas de Malange e Ambaca pelos
majores Teixeira Beltrão e Nunes da
Mata;
No mesmo anos são subjugados os
povos do Humbe pelo capitão Pedro
Chaves;
Em 1889 é aprisionado o régulo do
Cubango pelo tenente Artur de Paiva;
Em 1888 (em Moçambique) Augusto de
Cstilho promove a campanha da
Zambézia;
Em 1889, João de Azevedo Coutinho
submete os Macololos, em Moçambique.
D. Luís faleceu no dia 19 de Outubro
de 1889, tendo-lhe sucedido o filho
D. Carlos, que era um príncipe muito
culto e ilustrado.
D. Luís
Filho segundo de D. Maria II
(1819-1853) e de D. Fernando III
(1816-1885). Assumiu o governo a 14
de Outubro de 1861, tendo casado com
D. Maria de Sabóia. Era
primorosamente educado, com
temperamento de literato e artista.
Embora tivesse dominado a paz no
reinado, houve um levantamento de
tropas, em 1862 e em finais de 1867
o movimento da Janeirinha e em 19 de
Maio de 1870, o duque de Saldanha
impôs a demissão do governo, e
passou a assumir a presidência do
novo ministério. Em 1865-1866 a vida
mental foi sacudida pela Questão
Coimbrã e em 1871 surgiu a
iniciativa das Conferências
Democráticas do Casino. Realizam-se
as viagens ao interior da África, o
major Serpa Pinto de Benguela ao Bié,
Zambeze e chegou às cataratas de
Vitória. Hermenegildo Capelo e
Roberto Ivens exploraram o sertão de
Benguela e atravessaram a África de
Luanda a Tete.
A partir de 1876 o Partido
Progressista aspira a articular o
Estado segundo a teoria liberal,
propondo a reforma da Carta, a
descentralização administrativa, a
fidedignidade e ampliação do
sufrágio eleitoral, a reorganização
do poder judicial e da contabilidade
pública. Em 1877 demitiu-se o
ministério regenerador de Fontes
Pereira de Melo e voltou a ser
reintegrado. Posteriormente os
progressistas atacaram o rei,
acusando-o de patrocinar os
regeneradores (Emídio Navarro, no
Progresso, Joaquim Martins de
Carvalho, no Conimbricense). O
ministério regenerador caiu, em
1879, e D. Luís chamou os
progressistas a formar governo. O
republicanismo evoluíra também e em
1878 toma lugar na Câmara o primeiro
deputado republicano, Rodrigues de
Freitas, eleito pelo Porto. Em 1880
o Partido Republicano era uma
realidade e uma força.
O reinado de D. Luís assinalou-se
materialmente pelo progresso,
socialmente pela paz e pelos
sentimentos de convivência e
politicamente pelo respeito pelas
liberdades públicas,
intelectualmente por uma geração
notável (Eça de Queiroz, Antero de
Quental, etc.).
D. Luís I nasceu no Palácio das
Necessidades, a 31 de Outubro de
1838, tendo recebido o nome de Luís
Filipe Maria Fernando Pedro de
Alcântara António Miguel Rafael
Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de
Assis João Augusto Júlio Valfando, e
morreu na Cidadela de Cascais, a 19
de Outubro de 1889, tendo sido
sepultado no Panteão Real de S.
Vicente de Fora). Casou em Lisboa a
6 de Outubro de 1862 com a princesa
Maria Pia de Sabóia (n. em Turim, a
16 de Outubro de 1847; f. no Castelo
de Stupinigi, no Piemonte, a 5 de
Julho de 1911; sepultada na Basílica
de Superga, na Itália), filha do rei
Vítor Manuel II da Sardenha e de sua
mulher a arquiduquesa Maria
Adelaide. Do consórcio nasceram:
1. D. Carlos, que sucedeu no trono.
2. O infante D. Afonso Henriques (n.
no Paço da Ajuda, a 31 de Julho de
1865; f. em Nápoles a 21 de
Fevereiro de 1920). Casou
morganaticamente em Roma, a 26 de
Setembro de 1917, com Nevada Stoody
Hayes, que passou a chamar-se Nevada
de Bragança (n. em Ohio a 21 de
Outubro de 1885; f. em Tampa, na
Florida, a 11 de Janeiro de 1941).
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de
História de Portugal, Lisboa,
Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão História de
Portugal, Volume IX: O Terceiro
Liberalismo (1851-1890) Lisboa,
Verbo, 1986.
Serpa Pinto
Fonte: www.wikipedia.org
Alexandre Alberto da Rocha de Serpa
Pinto
Alexandre Alberto da Rocha de Serpa
Pinto (20 de Abril de 1846 - 28 de
Dezembro de 1900) foi um explorador
e administrador colonial português
que percorreu África central e
meridional para fazer o
reconhecimento do território e
efectuar o mapeamento do interior do
continente.
Ingressou no Colégio Militar com 10
anos e aos 17 tornou-se no seu
primeiro Comandante de Batalhão
aluno.
Serpa Pinto viajou até à África
Oriental em 1869 numa expedição ao
rio Zambeze. Oito anos depois
liderou uma expedição que partiu de
Benguela, em Angola, e percorreu as
bacias do rio Congo e do Zambeze.
Roberto Ivens
Fonte: www.wikipedia.org
As explorações africanas
Ao regressar a Lisboa, soube do
plano governamental de exploração
científica no interior africano,
destinado a explorar os territórios
entre as províncias de Angola e
Moçambique e, especialmente, a
efectuar um reconhecimento
geográfico das bacias hidrográficas
do Zaire e do Zambeze. Foi, de
imediato, oferecer-se para nela
tomar parte. Como, porém, a decisão
demorasse, pediu para ir servir na
estação naval de Angola. Aproveitou
esta estadia para fazer vários
reconhecimentos, principalmente no
rio Zaire, levantando uma planta do
rio entre Borud e Nóqui.
Por Decreto de 11 de Maio de 1877
foi nomeado para dirigir a expedição
aos territórios compreendidos entre
as províncias de Angola e Moçambique
e estudar as relações entre as
bacias hidrográficas do Zaire e do
Zambeze. Na mesma data foi promovido
a primeiro tenente.
De 1877 a 1880, ocupou-se com
Hermenegildo Capelo e, em parte, com
Serpa Pinto, na exploração
científica de Benguela às Terras de
Iaca. No regresso, recebe a Comenda
da Ordem Militar de Santiago e é
nomeado a 19 de Agosto de 1880 vogal
da Comissão Central de Geografia.
Por Decreto de 19 de Janeiro de
1882, foram-lhe concedidas honras de
oficial às ordens e a 28 de Julho
foi nomeado para proceder à
organização da carta geográfica de
Angola.
Em 19 de Abril de 1883, é nomeado
vogal da comissão encarregada de
elaborar e publicar uma colecção de
cartas das possessões ultramarinas
portuguesas. Por portaria de 28 de
Novembro do mesmo ano foi
encarregado de proceder a
reconhecimentos e explorações
necessários para se reunirem os
elementos e informações
indispensáveis afim de se
reconstruir a carta geográfica de
Angola.
Face às mais que previsíveis
decisões da Conferência de Berlim
era preciso demonstrar a presença
portuguesa no interior da África
austral, como forma de sustentar as
reivindicações constantes do mapa
cor-de-rosa entretanto produzido.
Para realizar tão grande façanha,
são nomeados Hermenegildo Capelo e
Roberto Ivens.
Feitos os preparativos, a grande
viagem inicia-se em Porto Pinda, no
sul de Angola, em Março de 1884.
Após uma incursão de Roberto Ivens
pelo rio Curoca, a comitiva
reúne-se, de novo, desta vez em
Moçamedes para a partida definitiva
a 29 de Abril daquele ano.
Foram 14 meses de inferno no
interior africano, durante os quais,
a fome, o frio, a natureza agreste,
os animais selvagens, a mosca
tsé-tsé, puseram em permanente risco
a vida dos exploradores e comitiva.
As constantes deserções e a doença e
morte de carregadores aumentavam o
perigo e a incerteza. Só de uma vez,
andaram perdidos 42 dias, por
terrenos pantanosos, sob cndições
meteorológicas difíceis, sem
caminhos e sem gente por perto.
Foram dados como mortos ou perdidos,
pois durante quase um ano não houve
notícias deles.
Ao longo de toda a viagem, Roberto
Ivens escreve, desenha, faz croquis,
levanta cartas; Hermenegildo Capelo
recolhe espécimes de plantas, rochas
e animais.
A 21 de Junho 1885, chega a
finalmente expedição a Quelimane, em
Moçambique, cumpridos todos os
objectivos definidos pelo governo.
Na viagem foram percorridas 4500
milhas geográficas (mais de 8300
km), 1.500 das quais por regiões
ignotas, tendo-se feito numerosas
determinações geográficas e
observações magnéticas e
meteorológicas.
Estas expedições, para além de terem
permitido fazer várias determinações
geográficas, colheitas de fósseis,
minerais e de várias colecções de
história natural, tinham como
objectivo essencial afirmar a
presença portuguesa nos territórios
explorados e reivindicar os
respectivos direitos de soberania,
já que os mesmos se incluíam no
famoso mapa cor-de-rosa que
delimitava as pretensões portuguesas
na África meridional.
Honra e glória
Finda a viagem de exploração,
Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo
foram recebidos como heróis em
Lisboa, a 16 de Setembro de 1885. O
próprio rei D. Luís dirigiu-se ao
cais para os receber em pessoa e os
condecorar à chegada. O rio Tejo
regurgitava de embarcações. Nunca se
havia visto tamanho cortejo fluvial.
Acompanhados pelo rei foram
conduzidos ao Arsenal da Marinha
para as boas vindas, com Lisboa
vestir-se das suas melhores galas
para os receber. Foram oito dias de
festas constantes, com colchas nas
varandas, iluminação, fogos de
artifício, recepções, almoços,
jantares e discursos sobre a heróica
viagem.
Mais tarde, o Porto não quis ficar
atrás, excedendo-se em manifestações
de regozijo e recepções. E no
estrangeiro, Madrid esmerou-se em
festas, conferências, recepções e
condecorações; em Paris é-lhes
conferida a Grande Medalha de Honra.
Em Ponta Delgada, por iniciativa de
Ernesto do Canto sucederam-se as
manifestações em honra do herói. O
dia 6 de Dezembro de 1885 foi o
escolhido para as solenidades. As
ruas da cidade encheram-se de gente
de todas as condições sociais. Cada
profissão, cada instituição se
incorporou no cortejo cívico com os
seus pendões. Não faltaram as bandas
de música e os discursos.
Expressamente para esse dia foi
composto o número único do jornal
Ivens e Capelo e foi executado um
Hino a Roberto Ivens, com letra de
Manuel José Duarte e músico de
Quintiliano Furtado.
Roberto Ivens faleceu no Dafundo,
Oeiras, em 28 de Janeiro de 1898,
deixando viúva e três filhos que,
por decreto de D. Carlos,
continuariam a receber o subsídio
que havia sido atribuído ao pai. O
enterro, a 29 de Janeiro, foi uma
grande manifestação de pesar
nacional. A urna de mogno estava
coberta com a bandeira nacional. O
segundo tenente Ivens Ferraz
conduzia o bicórnio e a espada do
falecido, envolta em crepe. Sobre a
urna, três coroas de flores. No
largo do Cemitério de Carnaxide
prestou as honras fúnebres uma força
de 160 praças do corpo de
marinheiros, com a respectiva
charanga, e junto do jazigo, o
Ministro da Marinha proferiu o
elogio fúnebre.
Por todo Portugal existem dezenas de
ruas com o nome de Roberto Ivens.
Ponta Delgada prestou-lhe também a
devida homenagem, erguendo um busto
inicialmente colocado no Relvão e
transferido, por decisão camarária
de 1950, para a "Avenida Roberto
Ivens", que começou a ser aberta com
a demolição do muro da cerca do
Convento da Esperança em 7 de Abril
de 1886. Em Ponta Delgada, bem
próximo do lugar do seu nascimento,
funciona a Escola Básica Integrada
Roberto Ivens.
Hermenegildo Capelo
Fonte: www.wikipedia.org
A 1ª Viagem - De Benguela às Terras
de Iaca
O Objectivo
Brito Capello, quando da sua
permanência em Angola fez o
reconhecimento científico daquela
zona, facto que o fez ser escolhido,
por Decreto de 11 de Maio de 1877,
para dirigir uma expedição
científica à África Central da qual
também faziam parte o oficial da
marinha Roberto Ivens e o major do
exército Serpa Pinto . Sob os
auspícios da Sociedade de Geografia,
esta expedição tinha por fim «...o
estudo do rio Cuango nas suas
relações com o Zaire e com os
territóros portugueses da costa
ocidental, assim como toda a região
que compreende ao Sul e a sueste as
origens dos rios Zambeze e Cunene e
se prolonga ao Norte, até entrar
pelas bacias hidrográficas do Cuanza
e do Cuango...».
A Viagem
A 7 de Julho de 1877 Brito Capello,
Roberto Ivens e Serpa Pinto iniciam
a expedição. Feito o trajecto
Benguela-Bié, divergências entre
Serpa Pinto e Brito Capello levam a
expedição a dividir-se, com Serpa
Pinto, por sua iniciativa a tentar a
travessia até Moçambique. Não o
conseguiu como pretendia, mas chegou
a Pretória, e posteriormente a
Durban. Brito Capello e Roberto
Ivens mantiveram-se fiéis ao
projecto inicial concentrando as
atenção na missão para que haviam
sido nomeados, ou seja nas relações
entre as bacias hidrográficas do
Zaire e do Zambeze. Percorreram as
regiões de Benguela até às terras de
Iaca, tendo delimitado os cursos dos
rios Cubango, Luando e Tohicapa. A 1
de Março de 1880 Lisboa recebe
triunfalmente Brito Capello e
Roberto Ivens, tendo o êxito da
expedição ficado perpetuado no livro
De Benguela às Terras de Iaca.
A 2ª Viagem - De Angola à
Contra-Costa
Depois de concretizado o importante
percurso entre o Bié e o Zambeze, e
atingidas as cataratas Vitória,
Capello e Ivens são estimulados a
prosseguir com as suas expedições.
O Objectivo
Dada a necessidade de ser criado um
atlas geral das colónias
portuguesas, Manuel Joaquim Pinheiro
Chagas, ao tempo Ministro da Marinha
e do Ultramar, criou por decreto de
19 de Abril de 1883 a Comissão de
Cartografia, para a qual nomeou como
vogais os dois exploradores. Por
outro lado, pretendendo a criação de
um caminho comercial que ligasse
Angola e Moçambique nomeou-os a 5 de
Novembro do mesmo ano para
procederem aos necessários
reconhecimentos e explorações. A
escolha de dois oficiais de Marinha
para a concretização desta
importante missão, prende-se com o
facto de se tratarem de territórios
desconhecidos, não cartografados,
nos quais era necessário avançar,
recorrendo aos princípios da
navegação marítima, tão familiares a
estes exploradores.
A Viagem
Entre 1884 e 1885, Capello e Ivens
realizaram nova exploração em
África, primeiro entre a costa e o
planalto de Huila e depois através
do interior até Quelimane, em
Moçambique. Continuaram, então, os
seus estudos hidrográficos,
efectuando registos
geográfico-naturais mas, também, de
carácter etnográfico e linguístico.
Estabelecem assim a tão desejada
ligação por terra entre as costas de
Angola e de Moçambique, explorando
as vastas regiões do interior
situadas entre estes dois
territórios e descrevem-na no livro
em dois volumes: de Angola à
Contra-Costa. Tendo partido para
essa missão a 6 de Janeiro de 1884
haveriam de regressar a 20 de
Setembro de 1885 sendo recebidos
triunfalmente pelo rei D. Luís.
Mapa Cor-de-Rosa
Fonte: www.wikipedia.org
O chamado Mapa cor-de-rosa seria o
documento representativo da
pretensão de Portugal de soberania
sobre os territórios sitos entre
Angola e Moçambique, nos quais hoje
se situam a Zâmbia, o Zimbabwe e o
Malawi.
A disputa com a Grã-Bretanha sobre
estes territórios levou ao ultimato
britânico de 1890, a que Portugal
cedeu, causando sérios danos à
imagem do governo monárquico
português.
Predominando em Portugal a visão
colonial que assentava ainda nos
direitos históricos, o governo
português começou por reclamar áreas
cada vez maiores do continente
africano, entrando em colisão com as
restantes potências europeias, o que
levou a um agudizar de tensões,
enquanto eram desenvolvidos esforços
para uma ocupação efectiva do
território.
Nesse contexto, a Sociedade de
Geografia de Lisboa, defendendo a
necessidade de formar uma barreira
às intenções expansionistas
britânicas que pretendiam a
soberania sobre um território que,
do Sudão, se prolongasse até ao Cabo
pelo interior da África, organizou
uma subscrição permanente para
manter estações civilizadoras na
zona de influência portuguesa do
interior do continente, definida num
mapa como uma ampla faixa da costa à
contra-costa, ligando Angola a
Moçambique. Nascia assim, ainda sem
sanção oficial, o chamado "Mapa
Cor-de-Rosa".
Em 1884 a aceitação unilateral pela
Grã-Bretanha das reivindicações
portuguesas ao controlo da foz do
rio Congo levou ao agudizar dos
conflitos com as potências europeias
rivais. Convocada uma conferência
internacional, a Conferência de
Berlim (1884–1885), para dirimir os
múltiplos conflitos existentes e
fixar as zonas de influência de cada
potência em África, assistiu-se a um
entendimento entre a França e
Alemanha, face a uma atitude
conciliatória da Grã-Bretanha, que
abandonou totalmente o seu anterior
entendimento com Portugal. O
resultado foi a partilha do
continente entre as potências
europeias e o estabelecimento de
novas regras para a corrida à
África.
Portugal foi o grande derrotado da
Conferência de Berlim pois, para
além de assistir à recusa do direito
histórico como critério de ocupação
de território, foi ainda obrigado a
aceitar o princípio da livre
navegação dos rios internacionais
(aplicando-se ao Congo, ao Zambeze e
ao Rovuma em território
tradicionalmente português), e
perdeu o controlo da foz do Congo,
ficando só com o pequeno enclave de
Cabinda.
Após o choque da Conferência de
Berlim, em Portugal percebeu-se a
urgência de delimitar as possessões
em África. Logo em 1885, começaram
negociações com a França e a
Alemanha para delimitar as
fronteiras dos territórios
portugueses.
O tratado com a França foi assinado
em 1886. Nele foi incluído, como
anexo, a primeira versão oficial do
"mapa cor-de-rosa", apesar da França
não ter interesses naquele
território. No tratado com a
Alemanha, concluído em 1887, o mapa
"mapa cor-de-rosa" foi novamente
apenso, sendo apresentado às Cortes
como a versão oficial das pretensões
territoriais portuguesas. Contudo,
no tratado assinado, a Alemanha
apenas garantiu que não tinha
pretensões directas na zona.
Informada desta pretensão
portuguesa, a Grã-Bretanha reagiu de
imediato informando a Portugal ser
nulo o pretenso reconhecimento
francês e alemão do "mapa
cor-de-rosa", pois aquelas potências
nunca tiveram interesses na zona.
O governo português, que necessitava
do acordo britânico (a Grã-Bretanha
era a super-potência do tempo) para
a delimitação de fronteiras,
resolveu atrasar a negociação,
fazendo saber que as suas pretensões
eram efectivamente as do "mapa
cor-de-rosa", que entretanto se
tinha transformado num documento com
ampla divulgação pública e objecto
de arraigadas paixões patrióticas (a
designação de "mapa cor-de-rosa"
nasceu nesta altura dado o mapa
enviado ao parlamento apresentar os
territórios em disputa aguados com
esta cor).
Barros Gomes, o responsável pela
política colonial da época,
aparentemente apostou no atraso
inglês no controlo efectivo das
áreas disputadas e organizou
expedições portuguesas que
percorreram as zonas em disputa e
assinaram dezenas de tratados de
vassalagem com os povos autóctones.
O plano era secreto mas a espionagem
britânica estava a par dele desde o
primeiro momento, graças a um
informador que tinha no próprio
gabinete de Barros Gomes.
Após o desfecho do ultimato
britânico de 1890 foi afirmado que o
governo português em 1888 não
assumia por completo as pretensões
do "mapa cor-de-rosa", tendo-o
utilizado apenas como base para
negociações com Londres. Estaria
então disposto a ceder à
Grã-Bretanha o norte do Transvaal (o
país dos Matabeles), retendo apenas
o sul do lago Niassa e o planalto de
Manica, por temer que a cedência
daqueles territórios, para além de
impedir a ligação costa a costa,
conduzisse à livre navegação no rio
Zambeze, podendo retalhar
Moçambique.
Procurando o apoio do Transvaal e da
Alemanha, o governo português
procurou convencer o chanceler
Bismarck que era do interesse bóer e
alemão entregar a zona central de
África a um terceiro poder de modo
criar uma comunidade de interesses
que obrigasse a Inglaterra a
cedências.
Prosseguindo uma política de
aproximação aos interesses bóer, o
governo português retirou à
Inglaterra o controlo do
caminho-de-ferro de Lourenço Marques
expropriando em meados de 1889 a
companhia inglesa que o controlava.
O Transvaal, em contrapartida,
assinou pouco depois um acordo de
tarifas aduaneiras e acedeu na
fixação do traçado definitivo da
fronteira com Moçambique.
Considerando injusta e
injustificável a expropriação do
caminho-de-ferro, a Grã-Bretanha
reclamou de imediato, com o apoio
dos Estados Unidos da América,
pedindo uma arbitragem
internacional, que Portugal recusou.
Iniciou-se uma grande campanha de
imprensa contra Portugal, que criou
as condições políticas para a
ruptura.
O resultado foi o ultimato britânico
de 11 de Janeiro de 1890 sendo
exigido a Portugal a retirada de
toda a zona disputada sob pena de
serem cortadas as relações
diplomáticas. Isolado, Portugal
protestou mas seguiu-se a inevitável
cedência e recuo. E assim acabou o
"mapa cor-de-rosa", mas não sem que
antes tivesse deixado um legado de
humilhação nacional e frustração
(bem patente no Finis Patriae de
Guerra Junqueiro) que haveria de
marcar Portugal durante muitas
décadas. Na sequência deste
episódio, Alfredo Keil compôs a
portuguesa (Hino Nacional
Português).
Ponte Maria Pia:
A primeira grande obra de Gustavo
Eiffel é um arco biarticulado que
suporta o tabuleiro ferroviário de
via simples através de pilares em
treliça. Iniciaram-se os trabalhos
em 5 de Janeiro de 1876 e foram
concluídos a 31 de Outubro do ano
seguinte. A inauguração solene
deu-se a 4 de Novembro de 1877 pelos
Reis D. Luís e D. Maria Pia de quem
tomou o nome. A ponte esteve em
serviço durante 114 anos até à
entrada em serviço da Ponte de S.
João em 1991.
Por proposta de Lei de 11/02/1879 o
governo determina a abertura de
concurso para a “construção de uma
ponte metálica sobre o rio Douro, no
local que se julgar mais conveniente
em frente da cidade do Porto, para a
substituição da actual ponte
"pênsil”. Foi vencedora a proposta
da empresa belga Société de
Willebroeck, com projecto do
Engenheiro Teófilo Seyrig.
Teófilo Seyrig que, já fora o autor
da concepção e chefe da equipa de
projecto da Ponte Maria Pia,
enquanto sócio de Eiffel, assina
como único responsável a nova e
grandiosa Ponte Luís I. A construção
iniciou-se em 1881 e foi inaugurada
em 31 de Outubro de 1886. O arco
mede 172 m de corda e tem 44,6 m de
flecha.