*** CARLOS PESQUISAS *** D. SEBASTIÃO  ***

 

 

"Trabalhos e Pesquisas de Carlos Leite Ribeiro

 

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D. Sebastião

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

D. Sebastião

Rei de Portugal e dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, Senhor da Guiné e do Comércio, da Conquista e da Navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia

 

Nasceu a 20 de Janeiro de 1554

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

D. Sebastião, nasceu em Lisboa a 20 de Janeiro de 1554. Filho do último dos nove filhos de d. João III, nasceu poucos dias depois da morte de seu pai, o príncipe D. João, que faleceu com 16 anos e sete meses incompletos. Sua mãe, a princesa D. Joana, filha de Carlos V de Espanha, deixou Lisboa quatro meses depois, nunca mais regressando a Portugal, embora continuasse a defender os direitos de seu filho na corte espanhola.

 

Teve como aio, desde os cinco anos, D. Aleixo de Meneses (*) , um veterano das campanhas de África e da Índia, e como mestre o padre Luís Gonçalves da Câmara, que havia sido confidente de Santo Inácio de Loiola. Na Matemática, foi seu Prof. O célebre Pedro Nunes (**).

 

Coroado rei em 1568, impulsivo r defrontando uma difícil situação internacional, tomava as posições governativas sem ter frequentemente em conta a cobertura política conveniente. No seu reinado verificou-se grande labor legislativo, quase sempre acertado e até eficaz, embora, os problemas resultantes das crises da agricultura e os da Índia e de Marrocos fossem já extremamente delicados. Em 1574, permaneceu um mês nas praças marroquinas de Tânger e Ceuta, onde tomou contacto com a realidade do poder português na região e, concebeu a possibilidade de o ampliar, no que viria a ter vigorosas resistências. Mas não deixava de ser premente a necessidade de aumentar a segurança das praças portuguesas em Marrocos e libertar o Algarve das investidas dos piratas berberes. A sua intervenção nesse sentido pareceu-lhe indispensável quando, em face das discussões internas do Magrebe, esteve iminente a intervenção turca. Só que a empresa ia muito além das disponibilidades de Portugal e foi deficientemente preparada e conduzida, tendo o rei sido vencido e morto na Batalha de Alcácer Quibir (***). Para o facto de não ter casado contribuiu sobretudo a actuação de Filipe II de Espanha. Que se opunha ao casamento do sobrinho fora do quadro ibérico. Esperado com ansiedade e júbilo pois a Coroa corria o perigo de ser herdada por um príncipe espanhol, recebeu ao nascer o cognome de “O Desejado”, que continuou a manter depois de morto, uma vez que muitos eram os portugueses que esperavam o seu regresso, restabelecendo a Coroa portuguesa legítima, e expulsando os Filipes de Espanha do trono português.

 

(*) D. Aleixo de Menezes : A carreira militar deste brioso guerreiro devia concorrer para ascender, ainda que involuntariamente, o fatal entusiasmo de D. Sebastião. D. Aleixo era muito sensato e tinha muito bons desejos, mas não podia de certo renegar todas as tradições da sua vida anterior; e o exemplo das acções do aio era mais próprio a excitar do que a moderar os ímpetos do génio cavalheiresco e arrojado do seu jovem pupilo. Procurou opor-se aos excessos da índole guerreira e das inclinações ascéticas do príncipe, e num documento que os cronistas lhe atribuem, diligenciou chamar a atenção do seu educando para os mais graves perigos. Aconselhava o Rei a desconfiar dos aduladores que procurassem desviá-lo da intimidade de sua avó e do cardeal, precavia contra a exaltação dos seus brios belicosos, rogando-lhe que não arriscasse as forças do reino em impossíveis e temerárias empresas, pedia-lhe que não desse valimento sucessivo aos fidalgos moços, arredando de si os homens experientes e encanecidos na prática dos negócios, continuava manifestando o desejo de que os religiosos não fossem tão amiúde distraídos dos seus deveres próprios para se ocuparem nos negócios profanos da governação do estado, e por fim, como quem conhecia a índole severa e puritana de D. Sebastião, lembrava ao rei que para extirpar abusos inveterados era necessário proceder com grande tacto, e por isso lhe aconselhava, que não ordenasse de leve mudanças nos trajos e nos costumes, que ponderasse muito qualquer alteração na moeda ou nas medidas e pesos estabelecidos, porque tais providencias haviam de levantar sempre descontentamento dos interesses lesados no primeiro golpe e introduzir grande perturbação nas transacções comerciais.

 

(**)Pedro Nunes viveu num período de transição, onde a ciência mudou de uma índole teórica (e onde o principal papel dos cientistas era comentar os trabalhos dos autores precedentes), para a provisão de dados experimentais, ambos como forma de informação e como método de confirmar as teorias existentes. Nunes era acima de tudo um dos últimos grandes comentadores, como mostra o seu primeiro trabalho publicado, mas também reconhecia a importância da experimentação.


Nunes cria que o conhecimento científico devia ser partilhado. Assim, o seu trabalho original era impresso em três línguas diferentes: Português, Latim, tentando atingir uma maior audiência na comunidade escolar Europeia, e ainda um (Livro de algebra en arithmetica y geometria) em Espanhol, o que foi considerado surpreendente por alguns historiadores, dado que Espanha era então o principal adversário de Portugal no domínio dos mares. Muito do Trabalho de Nunes está relacionado com a navegação. Ele foi o primeiro a perceber porque é que um navio que mantivesse uma rota fixa não conseguiria navegar através de uma circunferência, o caminho mais curto entre dois pontos na terra, mas deveria antes seguir uma rota em espiral chamada loxodrome. A posterior invenção dos logaritmos permitiram a Leibniz estabelecer a equação algébrica para o loxodrome. No seu Tratado em defensa da carta de marear, Nunes argumenta que uma carta náutica deveria ter circunferências paralelas e meridianos desenhados como linhas rectas. Ele também mostrava-se capaz de resolver todos os problemas que isto causava, uma situação que durou até Mercator desenvolver a projecção de Mercator, o sistema que é usado até hoje. Nunes trabalhou em vários problemas práticos de navegação respeitantes à correcção da rota ao mesmo tempo que tentava desenvolver métodos mais precisos para determinar a posição de um navio. Ele criou o nónio para melhorar a precisão do astrolábio. O nónio foi usado durante uns tempos por Tycho Brahe que, contudo, o considerava demasiado complexo. Mais tarde foi aperfeiçoado por Pierre Vernier para a sua forma actual. Pedro Nunes também trabalhou em diversos problemas mecânicos, de um ponto de vista matemático. Ele foi provavelmente o último grande matemático a fazer aperfeiçoamentos significativos ao sistema de Ptolomeu (um modelo geocêntrico), contudo isso perdeu importância devido ao modelo Copérnico modelo heliocêntrico, substituindo-o. Nunes conheceu o trabalho de Copérnico, mas só lhe fez uma pequena referência nos seus trabalhos publicados, afirmando que era um modelo matematicamente correcto. Ao fazer isto, aparentemente estaria a evitar opinar sobre a questão se seria a terra ou o sol o centro do sistema. Alguns historiadores argumentam que ele provavelmente fê-lo com medo da inquisição, visto que era um "cristão-novo".


Ele também resolveu o problema de encontrar o dia com o menor crepúsculo, para qualquer posição, bem como a sua duração. Este problema por se não teria grande importância, mas serve para demonstrar o génio de Nunes, usado mais de um século depois por Johann e Jakob Bernoulli com menos sucesso. Eles conseguiram encontrar a solução para o menor dia, mas não conseguiram determinar a sua duração, possivelmente porque perderam-se em detalhes de Cálculo Diferencial, que era um campo recente da matemática naquele tempo. Isto também mostra que Pedro Nunes era um pioneiro na resolução de problemas de máximos e mínimos, que só se popularizaram no século seguinte, com o uso do cálculo diferencial.

(***)Batalha de Alcácer Quibir: Em Marrocos eram constantes as lutas entre as várias facções. O pretexto para a intervenção de D. Sebastião surge com a deposição, em 1576, do sultão Mulay Mohammed pelo sultão Mulei Moluco, este auxiliado pelos Otomanos. Ora, o auxílio dos Otomanos era uma ameaça para a segurança das costas portuguesas e para o comércio com a Guiné, Brasil e as Ilhas atlânticas. Por isso, D. Sebastião decidiu apoiar Mulay Mohammed, que como compensação ofereceu Arzila, e procurou apoio de outros reis. Filipe II retirou-se. Da Alemanha, Flandres e Itália vieram soldados mercenários e auxílio em armas e munições. Fez-se o recrutamento do exército português, mas verificou-se muita corrupção, o que fez com que o exército expedicionário, de cerca de 15 000 homens, fosse pouco disciplinado, mal preparado, inexperiente e com pouca coesão.
Sebastião partiu de Lisboa a 25 de Junho de 1578, passou por Tânger, onde estava o Mulei Maamede, seguiu para Arzila e daqui para Larache, por terra, havendo quem preferisse que se fosse por mar, para permitir maior descanso às tropas e o necessário reabastecimento em víveres e água. Seguiram depois a caminho de Alcácer Quibir, onde encontraram o exército de Mulei Moluco, muito superior em número. A 4 de Agosto de 1578, com o exército esgotado pela fome, pelo cansaço e pelo calor, deu-se a batalha. Nestas condições, o exército português, pesem alguns actos de grande bravura, foi completamente dizimado, sendo muitos mortos. Apesar de se duvidar da morte do rei português, é provável que ele nesta batalha tenha perecido. Os sobreviventes foram feitos prisioneiros. Em Alcácer-Quibir, em que as tropas portuguesas, a despeito dos seus lances de heroísmo, ficaram vencidas. Milhares dos nossos perderam a vida, e uns 50 conseguiram alcançar Arzila e Tânger) caíram prisioneiros. O próprio rei, empunhando a espada (montante) que dantes servira a D. Afonso Henriques, arremeteu às cutiladas pelo arraial inimigo e ali desapareceu para sempre. Apesar da infortunada empresa de D. Sebastião ter coberto de luto Portugal, foi somente um herói vencido que soube … morrer mas devagar, a combater pelo seu Reino e pelo seu povo.


Só no reinado seguinte foram resgatados muito cavaleiros e fidalgos, que se encontravam prisioneiros em Alcácer-Quibir.
Seus restos mortais, que dizem ser de D. Sebastião, foram em 1582 trazidos para Lisboa e encontram-se, a ser verdadeiro o que consta, no Mosteiro da Batalha. O resultado e as consequências desta batalha foram catastróficos para Portugal. D. Sebastião desaparecera, deixando como sucessor o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que veio a falecer dois anos depois. Assim levanta-se uma crise dinástica ameaçando a independência de Portugal face a Espanha, pois um dos candidatos à sucessão era Filipe II de Espanha. A disputa do trono português teve vários pretendentes: D. Catarina de Médicis, rainha da França, que se dizia descendente de D. Afonso III; D. Catarina, duquesa de Bragança e sobrinha do Cardeal D. Henrique; Manuel Felisberto, duque de Sabóia e D. António, Prior do Crato, ambos, sobrinhos do rei; Alberto de Parma e Filipe II.


Filipe efectivamente ascendeu ao trono em 1580. A maioria da nobreza portuguesa que participara na batalha ou morreu ou foi feita prisioneira. Para pagar os elevados resgates exigidos pelos marroquinos, o país ficou enormemente endividado e depauperado nas suas finanças.


Luís Vaz de Camões numa carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada: "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

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