O dendezeiro (Elaeis
guineensis),
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também é conhecido como
palmeira-de-óleo-africana, aavora, palma-de-guiné, palma, dendém (em Angola),
palmeira-dendém, coqueiro-de-dendê. O fruto é conhecido como dendê.
O dendezeiro é originário da Costa Ocidental da África (Golfo da Guiné), sendo
encontrado em povoamentos sub-espontâneos desde o Senegal até Angola; foi
trazido, no século XVII, ao Brasil e adaptou-se bem ao clima tropical úmido do
litoral baiano.
A importância do azeite retirado do dendezeiro, chamado óleo de dendém ou azeite
de palma, pode ser vista com o Alvará Régio, de 1813, do Príncipe Regente D.
João, ao isentar de taxas de alfândega o sabão e o azeite de palma ou como é
mais conhecido óleo de palma ou ainda óleo de dendê vindos da Ilha de São Tomé,
na África.
Segundo Edison Carneiro, em Ladinos e Criolos, "(...) O dendê constitui um dos
poucos resultados benéficos do comércio negreiro com a África, pois fornece um
óleo ou azeite de grande riqueza em provitaminas A. não o trouxeram os escravos,
mas os traficantes. Parece viável a suposição de que os primeiros indivíduos
dessa espécie vegetal tenham vindo da Costa da Mina: era "dos melhores" o óleo
que se adquiria no porto de Lagos, escoadouro da maior produção mundial – a da
actual Nigéria.
(...)Os traficantes de escravos acrescentaram o dendezeiro à paisagem natural do
Brasil sem maiores dificuldades. Era natural que o plantassem primeiro na Bahia,
então o grande centro do comércio de negros. Na sua Notícia da Bahia (1759),
José Antonio Caldas informava que os navios negreiros, na ocasião, frequentavam
a Costa da Mina para negociar "azeite de palmas" além de escravos. Se isto não
prova a inexistência da palmeira no país pelo menos indica que a produção de
azeite, ou não fazia ainda ou era ínfima em relação às necessidades brasileiras.
Vilhena conseguiu encontrar estatísticas de 1798 que mostram que, naquele ano,
entraram na Bahia mil canadas de azeite de palmas, da Costa da Mina e 500
canadas da ilha de São Tomé, no valor total de 1.500$, ou seja a mil réis a
canada – cerca de 4.000 litros. No momento, porém, em que escrevia suas Cartas
Soteropolitanas (1802), já estava aclimado o dendezeiro, tanto que o professor
régio propunha que fossem plantados nas terras dos engenhos a fim de se extrair
do coco "azeite, tempero essencial da maior parte das viandas dos pretos e ainda
dos brancos, criados com eles".
O azeite conquistou facilmente a preferência da população que se vale do dendê
de vários modos e maneiras, seja como tempero, seja como alimento, seja para
outros fins. A polpa do coco pode ser comida crua, mais, sempre que possível, os
cocos eram fervidos em água e sal, ingerindo depois a polpa, mais tenra e macia.
Uma verdadeira guloseima eram cafuné, o coco novo, do olho do cacho que
praticamente é apenas polpa, sem amêndoa. O sedimento acumulado no fundo do
tacho depois da primeira fervura, o bambá, de coloração turva, era vendido pelas
ruas da cidade da Bahia em medidas de folhas-de-flandres e comido com farinha e
sal. E, quando o azeite está chegando ao ponto, os últimos restos de borra se
aglutinam em forma de torresmos, catetê, de sabor muito apreciado pelos baianos.
Manuel Querino conta que os negros faziam vinho de dendê na Bahia – uma
beberagem muito estimada na África.(...)".
A palmeira chega a 15 m de altura. Seus frutos são de cor alaranjada, e a
semente ocupa totalmente o fruto. Seu rendimento é muito grande, produz 10 vezes
mais óleo que a soja, 4 vezes mais que o amendoim e 2 vezes mais que o coco.
Da amêndoa do fruto se extrai também um óleo usado em cosmética e na fabricação
de chocolate.
O dendê é muito usado na culinária baiana, que se baseia em sabedoria ancestral
trazida da África. Dá à comida sabor, cor e aroma peculiares, de que é exemplo o
vatapá.
O óleo de dendê é avermelhado devido a grande quantidade de vitamina A, 14 vezes
maior que na cenoura. No entanto, o aquecimento do óleo para frituras acaba
destruindo a vitamina A e deixando o óleo branco.
Dendezeiro
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O dendezeiro (Elais guineesis Jaquim), é uma palmeira originária da costa
ocidental da África (Golfo da Guiné), sendo encontrada em povoamentos
subespontâneos desde o Senegal até Angola.
O óleo originário desta palmeira, o azeite de dendê, consumido há mais de 5000
anos, foi introduzido no continente americano a partir do século XVI,
coincidindo com o início dos tráficos de escravos entre a África e o Brasil.
O azeite-de-dendê, azeite-de-dendém ou óleo de palma é um azeite popular nas
culinárias brasileira e angolana e, também, no candomblé. É produzido a partir
do fruto da palmeira conhecida como Dendezeiro (Elaeis guineensis).
Indispensável na cozinha afro-brasileira, é utilizado em pratos como caruru,
vatapá, acarajé, bobó-de-camarão, abará, entre outros. Além do uso culinário, o
azeite-de-dendê pode também substituir o óleo diesel, embora seja muito mais
caro, sendo ainda rico em vitamina A.
É empregado na fabricação de sabão e vela, para protecção de folhas-de-flandres
e chapas de aço, fabricação de graxas e lubrificantes e artigos vulcanizados.
O processo de extracção do azeite pode ser artesanal ou não e pode levar horas,
já que o fruto de cor marrom ou castanha escura é firme.
O azeite de dendê contém
proporções iguais de ácidos graxos saturados (palmítico 44% e esteárico 4%) e
não saturados (oléico 40% linolécio 10%).
É uma fonte natural de vitamina E, tocofeiros e tocotrienois que actuam como
antioxidantes. É rico também em betacaroteno, fonte importante de vitamina A.
É o óleo mais apropriado para fabricação de margarina, pela sua consistência e
por não rancificar, excelente como óleo de cozinha e frituras, sendo também
utilizados na produção de manteiga vegetal, apropriada para fabricação de pães,
bolos, tortas, biscoitos finos, cremes, etc. O maior uso de óleo de dendê é como
matéria-prima na fabricação de sabões, sabonete, sabão em pó, detergentes e
amaciantes de roupa biodegradáveis, podendo ainda ser utilizado como combustível
em motores a diesel.
Carlos Leite Ribeiro –
Marinha Grande – Portugal