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DIA D - O Dia Mais Longo da
II Guerra Mundial

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

06 de Junho

O dia 06 de Junho de 1944, ou seja, o assalto dos Aliados às costas da Normandia
Marca para a Europa o prelúdio da Libertação – "Operação Overlord"
          Caía a noite, de 05 para 06, e as forças de invasão continuavam à espera. O general Eisenhower, tomou e anunciou a sua decisão: "Estou absolutamente certo de que é preciso dar a ordem para a invasão. Não é que isso me agrade; mas tem que ser mesmo... Não vejo que outra coisa poderíamos fazer".
          Terça-feira, 06 de Junho de 1944, seria o dia D.
          A expressão "Dia D" não era nenhuma novidade no mundo militar — já havia sido usada durante a Primeira Guerra Mundial pelo exército britânico e servia para designar o dia exacto em que uma operação militar deveria ser iniciada.
          Em 6 de junho de 1944, ela ganhou um novo e marcante significado, pois denominou uma das mais ambiciosas e perigosas operações da Segunda Guerra Mundial: o desembarque na Normandia.

          TEMPO: O PIOR INIMIGO DOS ALIADOS
          Se, na guerra, o tempo cronológico era um terrível inimigo; para a operação Overlord, o tempo meteorológico era ainda pior. A operação já estava muito bem planejada por Eisenhower e sua equipe, mas eles precisavam esperar o melhor dia para o ataque. A invasão deveria acontecer em junho, mas as condições meteorológicas na zona do Canal da Mancha eram péssimas. No ano de 1944, os ventos e as ressacas foram os mais fortes daqueles últimos vinte anos. A data que havia sido escolhida para o Dia D foi 5 de junho, mas estava sujeita a uma mudança de última hora se o tempo estivesse duvidoso, e foi isso que aconteceu. A partir de 1.º de junho de 1944, Eisenhower participou de reuniões diárias com sua equipe para estudar boletins meteorológicos. Os dados para os dias 3 e 4 não eram muito encorajadores, por isso, decidiu-se que a operação começaria no dia 5. Mas ela foi atrasada por mais 24 horas. Você sabe por quê? A razão disso foi que, para o dia 6, estava prevista uma melhora nas condições climáticas, o que ocorreria nas últimas horas do dia 5, mantendo-se na manhã seguinte. O tempo bom, para eles, significava ventos leves e nuvens inferiores a mil metros de altitude. Para a noite do dia 6, porém, estava previsto o retorno dos ventos fortes e da agitação marítima.
          O dia mais importante de todos os 36.525 dias do século XX. O chamado dia D, marcou o início da derrota alemã na Segunda Guerra Mundial com a abertura do front ocidental indispensável para vitória aliada. Até, então, os nazistas estavam sendo detidos apenas pelo esforço soviético, na frente oriental. Cerca de 150 mil soldados foram mobilizados na ocupação de 80 quilómetros da costa ao norte da França, em cinco pontos diferentes: Gold, Juno, Omaha, Sword e Utah. O desembarque aliado na praia denominada Omaha, na Normandia, foi o mais difícil. Ao todo, aconteceram 10 mil baixas do lado aliado neste primeiro lance da Operação Overlord, que é considerada maior ofensiva anfíbia de guerra já ocorrida.
          O dia 6 de junho de 1944 é uma das datas mais importantes da Segunda Guerra Mundial. Naquela ocasião, uma vanguarda de 175 mil soldados anglo-saxãos (americanos, ingleses e canadenses) desembarcaram corajosamente nas praias da Normandia para libertar a França da ocupação nazistas. Devido ao volume impressionante de navios de guerra, embarcações de transporte de tropas e aviões dos mais variados tipos e modelos, seguramente o Dia-D, o começo da Segunda Frente, deve ser considerado como a maior invasão aero-naval que a história até então conheceu.
          "OK, nós vamos." - General D. Eisenhower, na véspera do Dia-D (5 de junho de 1944).
          A palavra final foi dada pelo oficial meteorologista James Stagg. Apesar do mau tempo predominante naqueles começos de junho de 1944, carregado de nuvens e chuvas intermitentes, haveria uma pausa no dia 6, assegurou ele ao general Eisenhower. Sofrendo os dissabores dos enjoos do mar, as tropas já estavam nos porões das 3.000 embarcações que balouçavam aos sabor das ondas nas costas da Inglaterra. A invasão do continente europeu, a maior da história, baptizada como Operação Overlord, tinha sido minuciosamente preparada pelo alto comando aliado. Era parte de um poderoso torno de aço composto pelos exércitos anglo-americanos e soviéticos (que deslocavam-se do leste), que se fechava sobre a Europa ocupada pelos nazistas. O supremo comandante aliado, o general Eisenhower, e o comandante das operações, marechal Montgomery, dispunham de 2 milhões de soldados prontos para tudo tendo à disposição o que havia de melhor no material de guerra . O objectivo do assalto, segundo o general Eisenhower, "era a ambição de que forças terrestres e aerotransportadas ocupassem a costa entre Le Havre até a península de Cotentin (ambos na Normandia francesa), e, a partir do sucesso em formar cabeças-de-praia com portos adequados, dirigir-se ao longo das linha do rio Loire e do Sena directamente para o coração da França para destruir o poder alemão e libertar a França." Naquela madrugada do dia 6, a vanguarda composta por 175 mil soldados, organizados em dois grandes exércitos (o US 1st Army sob comando do general Omar Bradley, e o GB 2st Army liderado pelo general Miles Demsey), levados por navios transportes, atravessaram o Canal Inglês ( Canal da Mancha) para desembarcarem de surpresa no litoral francês. transportes, atravessaram o Canal Inglês ( Canal da Mancha) para desembarcarem de surpresa no litoral francês.
          Dia D – Em 6 de junho de 1944, chamado de "Dia D" pelos Aliados, sob o comando do general Eisenhower, é feito o ataque estratégico que daria o golpe mortal nas forças nazistas que ainda resistem na Europa. Cinquenta e cinco mil soldados norte-americanos, britânicos e canadenses desembarcam nas praias da Normandia, noroeste da França, na maior operação aeronaval da História, envolvendo mais de 5 mil navios e mil aviões. Os combates são pesados, com numerosas baixas, até 27 de junho, quando o I Exército norte-americano toma o porto de Cherbourg. Em 9 de julho forças britânicas e canadenses entram em Caen, abrindo caminho para a passagem de tanques pelas defesas alemãs. Paris é libertada em 25 de agosto, Bruxelas em 2 de setembro. A fronteira alemã anterior ao início da guerra é cruzada pelos Aliados em Aachen em 12 de setembro. Ao mesmo tempo, os Aliados lançam bombardeios aéreos pesados contra cidades industriais alemãs. No início de 1945 os soviéticos (pelo leste) e os norte-americanos e britânicos (pelo oeste) fazem uma verdadeira corrida para ver quem chega primeiro a Berlim.

          A ESCOLHA DO DIA D : - No sul da Inglaterra, milhares de soldados esperavam a ordem para marchar rumo ao combate, a qual veio do general Eisenhower nas primeiras horas da madrugada do dia 5 de junho, colocando em acção a vasta operação.
          Horas depois, o general escreveu uma nota a ser divulgada caso a operação falhasse. Nela, ele elogiava os homens que comandou e aceitava a total responsabilidade pelos prejuízos que os dias seguintes pudessem trazer. Uma pista que pode demonstrar o nervosismo de Eisenhower pode ser vista no erro da data do bilhete: 5 de julho, em vez de 5 de junho.
          A meteorologia não falhou! O dia 6 amanheceu com ventos mais brandos e massas de nuvens a grandes altitudes, o que forneceu condições favoráveis para operações aéreas como o transporte de tropas e o bombardeio prévio ao desembarque. A ideia de iniciar um ataque com o tempo instável acabou gerando um efeito surpresa nos alemães, o que auxiliou a operação. Estes achavam que seria impossível qualquer expedição através do canal enquanto as ondas estivessem altas. Também acreditavam que o desembarque seria feito com lua nova e maré alta e que o local escolhido para o assalto seria próximo aos portos para se evitarem rochas e águas de pouca profundidade, que são muito perigosas. No Dia D, os aliados quebraram diversas crenças dos alemães, pois: Atacaram um pouco antes da maré baixa e com lua cheia;
          Desembarcaram longe dos portos principais e, em alguns locais, sob encostas íngremes;
          As águas por onde eles se aproximaram eram cheias de rochas e apresentavam correntes tão fortes que os técnicos alemães haviam catalogado-as anteriormente como impraticáveis para unidades de desembarque.
          No dia 5 de junho, véspera do Dia D, as forças de assalto para a invasão zarparam dos portos do sul da Inglaterra, onde haviam previamente se concentrado. Cinco forças de assalto saíram da Inglaterra e concentraram-se no ponto Z, de onde partiram para o sul, rumo à Normandia. As forças de assalto concentradas no ponto Z ficaram escondidas pelas nuvens baixas, fazendo com que os alemães não desconfiassem de tão grande mobilização de barcos. As tropas britânicas e canadenses desembarcariam pelo lado esquerdo; e as norte-americanas, à direita. A frota de invasão compreendia cerca de 4.200 barcos, além dos navios de guerra e unidades auxiliares. A frota de apoio era composta de encouraçados, cruzadores, destróieres, barcos lança-foguetes e canhoneiras de apoio. Até as praias estarem garantidas, a zona de transporte constituiu o coração da invasão. No Dia D, apesar dos concentrados bombardeios aéreos e navais que precederam o ataque, as defesas costeiras, em geral, não foram destruídas antes do momento do desembarque dos soldados aliados. Os canhoneiros navais neutralizaram as baterias mais pesadas, mas não as colocaram definitivamente fora de combate, graças à enorme espessura das casamatas de concreto. O bombardeio aéreo resultou igualmente ineficaz para traspassar o concreto. As defesas das próprias praias não foram suficientemente destruídas antes da hora H, como se pretendia. A forte ressaca aumentou as dificuldades dos aliados para chegar à praia, mas, mesmo assim, foi feito o desembarque. Na noite do primeiro dia da invasão, todos os sectores previstos para o desembarque foram alcançados. A penetração no território desenvolveu-se em diferentes níveis.
          1944 antes do Dia D. A campanha aérea que amaciou os alemães antes da invasão do Dia D (de 6 de abril até 5 de junho de 1944). O objectivo aliado nesta campanha era duplo. Primeiro, os aliados queriam aleijar a rede de transportes na França. Isto significava destruir a maior parte das pontes e metralhar todas as locomotivas e caminhões que podiam achar. Os alemães fizeram um grande esforço para impedir isso, mas falharam. As perdas alemães foram altas; as perdas aliadas eram substituíveis. O segundo objectivo era destruir o poderia aéreo alemão na França.
          1944 depois do Dia D. O apoio aéreo para a invasão (de 6 de junho até 5 de setembro de 1944). A campanha aérea iniciada em abril pegou força depois do desembarque na Normandia. Os alemães tinham que raspar o fundo do barril para poderem igualar o seu esforço na campanha anterior. Não foi bom o suficiente. Os aliados tinham mais do que dobrado o número de surtidas que voaram. Os alemães perderam muitos de seus pilotos experientes na primeira campanha e os substitutos eram menos bem treinados (e muitos vezes eram apressados pelo treinamento, de forma a manejar o número maior de aviões que os alemães estavam produzindo).
          Na madrugada do dia 6, mais de 800 aviões conduzindo a bordo três divisões aerotransportadas anglo-americanas, lançaram tropas pára-quedistas atrás das defesas alemãs, exactamente para desbaratar a estratégia de Rommel, fazendo a maior confusão possível. Ao amanhecer, exactamente às 6.30 h. deu-se a vez dos lanchões de desembarque. Milhares deles apareceram na frente das cinco praias previamente acertadas (seus codigo-nomes eram Omaha,Utah, para os americanos; Juno, Gold, Sword para os anglo-canadenses). Os sentinelas alemães ficaram atónitos ao se depararem em meio a névoa matinal que se dissipava com um horizonte tomado por embarcações. Em seguida, um calor dos infernos abateu-se sobre eles. Do mar, 500 navios de guerra abriram as baterias contra as linhas de defesa. Do alto, despencavam toneladas de bombas dos 10 mil aviões que participavam da operação. Um dilúvio de explosões praticamente paralisou-lhes a resistência. Nos dias seguintes, o trabalho da força aérea aliada, da USAF e da RAF, foi seccionar a Normandia do restante da França por meio de bombardeios selectivos que destruíram todas as pontes sobre o rio Loire e o rio Sena. Isoladas, as guarnições alemãs que resistiam à invasão ficaram impedidas de receber reforços das Divisões Panzer que estavam aquarteladas em outros lugares. Mesmo assim, com poderosa cobertura aérea e naval, avançar pelas praias naquele dia do desembarque estava longe de ser um sossego. Nas falésias da Normandia, emboscadas, as metralhas alemãs sobreviventes varriam tudo o que se mexesse. Que bravura tiveram que mostrar os soldados aliados. Quando abria-se a frente do Higgins boat, o lanchão de desembarque, eles eram recebidos à rajadas e a balaços precisos disparados das casamatas, enquanto explosões de morteiros levantavam água e espuma ao redor deles. Se bem que a maioria dos soldados estivesse na faixa dos 22-23 anos e serviam no exército já há dois ou três anos, milhares deles nunca haviam disparado um tiro sequer a valer. E assim, tensos, foram jogando-se na areia abrindo caminho com muita coragem para por um fim naquele açougue em que a Europa se transformara. Setenta dias depois, no dia 25 de agosto de 1944, em meio à multidão doida de felicidade, eles entravam em Paris.
          Bibliografia:
          Ambrose, Stephan - The Longest Day: June 6, 1944. New York, Simon and Schuster, 1959.
          Parkinson, Roger - Encyclopedia of modern war, Londres, Paladin Books, 1977.
          Ryan, Cornelius - The Longest Day: June 6, 1944. New York, Simon and Schuster, 1959.

          O Dia D foi a data que mudou o curso da guerra, e também de todo um século. Meticulosos no planejamento, brilhantes na execução, os desembarques aliados de 6 de junho de 1944 no litoral norte da França foram o maior ataque por mar jamais tentado. Neste relato brilhante, o aclamado historiador britânico David Stafford revela pela primeira vez a complexa teia de destinos, erros humanos, disputas políticas e traições nos dias que antecederam a operação. Dez Dias para o Dia D descreve a contagem regressiva dos dez dias cruciais que precederam o desembarque na Normandia, numa narrativa emocionante pontuada por dez histórias de pessoas espalhadas pela Europa cuja vida ele afectou de forma visceral. São líderes políticos, soldados, civis e agentes secretos de ambos os lados do conflito, cuja trajectória revela a ténue fronteira entre a vitória e a derrota e a mistura de esperança, expectativa e medo antes da acção. A oficial da Marinha britânica trabalhando com seus sinais codificados; o militante da Resistência francesa e sua rede clandestina; o jornalista norueguês preso numa cela da Gestapo; o pára-quedista americano à espera da acção, o judeu romeno escondido num sótão em Paris; o soldado alemão no litoral da França, convencido de que a invasão está muito distante; o fuzileiro canadense que iria desembarcar na primeira leva do ataque. Narrado em retrospecto, o destino de cada um desses personagens ajuda a entender as circunstâncias que levaram ao desfecho da Segunda Guerra e constitui uma história singular de coragem e força de vontade. O autor revela também às acções de Churchill, Hitler, Rommel, Eisenhower e De Gaulle nesses dias decisivos, e mostra o trabalho vital dos agentes que forneciam informações falsas à hierarquia nazista. Pesquisado em documentos originais e registros oficiais da época, Dez Dias para o Dia D é o retrato de um momento crucial da história, da perspectiva dos homens e mulheres que ajudaram a escrevê-la. O livro foi adaptado para a televisão pelo canal britânico Channel Four em comemoração ao aniversário de 60 anos do desembarque aliado. Ex-diplomata, David Stafford é autor de várias obras sobre Churchill, a Segunda Guerra Mundial e a história dos serviços de espionagem. Formado pela Universidade de Cambridge e doutor pela Universidade de Londres, é director de projectos do Centro de Estudos sobre a Segunda Guerra Mundial da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

          DO LADO ALEMÃO:
          Na véspera do DIA "D", o Feldmarechal von Rundstedt era o Comandante-Chefe do Oeste, com dois Grupo de Exército o "B" e o "G", que totalizavam 60 divisões, uma delas, a 19ª Divisão Panzer (Blindada), reequipando-se depois do sério castigo sofrido na Frente Oriental, e outra nas ilhas do Canal, reduziam o efectivo total a 58 divisões. O Feldmarechal Rommel que depois do colapso de Afrika Korps foi encarregado em 1943 de fortalecer a "Muralha do Atlântico" da Dinamarca até a fronteira da Espanha. Pouco depois Rommel assume o comando do Grupo de Exército "B". De todas as divisões de Rundstedt , 31 estavam presas a "papéis estáticos" e 27, incluindo 10 divisões blindadas, eram tão móveis quanto o permitiam as suspeitas de Führer e os recursos disponíveis. Elas estavam situadas desde a Holanda até as costas do Atlântico e do Mediterrâneo: 5 divisões na Holanda, no 88.° Corpo, incluindo a 19ª Panzer, que estava incapacitada; 19 no Passo de Calais, entre o Escalda e o Sena; 18 entre o Sena e o Loire. O restante estava ao sul do Loire. No seu Grupo de Exércitos "B", Rommel tinha 43 Divisões, do total geral das 60; o 88.° Corpo estava na Holanda, o poderoso 15.° Exército estava no Passo de Calais e o 7.° Exército estava na Normandia. O 15.° Exército, comandado por Von Saimuth, estava virtualmente retido nas suas posições, sobretudo pela incapacidade do espírito militar alemão de se livrar de uma ideia preconcebida. Os aliados fizeram o máximo para alimentar a ilusão. Na véspera do DIA "D", Rommel conseguira melhorar e fortalecer as disposições do 7.° Exército, comandado por Dollman e que, segundo acreditava, teria de travar a batalha decisiva nas praias e que englobava o LXXXIV Corpo. O QG do LXXXIV Corpo alemão estava sediado próximo de Saint Ló. Era comandado pelo General Erich Marcks, um homem alto e de aparência sábia que perdera uma perna na Rússia. Pode-se levantar a dúvida se as forças alemãs na área escolhida para o desembarque aliado eram suficientes para repelir os invasores para o mar. As 352ª e 716ª Divisões de Infantaria estavam nas suas trincheiras e "ninhos" de resistência ao longo da costa de Calvados, desde o rio Vire até o Orne. No flanco alemão esquerdo, a 91ª Divisão, com o 6.° Regimento de Pára-quedistas sob seu comando, protegia o flanco esquerdo da 352ª Divisão na área do Carentan. A 709ª Divisão protegia a linha costeira oriental da Península de Cherburgo. Atrás das suas posições do flanco direito, que os aliados conheciam pelo nome-código de praia "Utah". Os extensos pântanos e áreas alagadiças que acompanhavam os cursos dos rios Dives e Merderet desde Carentan até lê Port-Brehay, eram considerados como protectores da retaguarda e obstáculos às saídas da praia. A 243ª Divisão, na península, estava de frente para oeste. Do flanco direito alemão, a 711ª Divisão, comandando um regimento da 346ª Divisão, protegia a costa desde o rio Orne até o Estuário do Sena, do lado oposto a Lê Havre. Portanto, as 709ª, 352ª e 716ª Divisões de Infantaria enfrentariam os assaltos aliados nas praias de nome-código "Utah", "Omaha", "Gold", "Juno" e "Sword". Contra a vontade de Von Rundstedt, Rommel conseguira trazer a 21ª Divisão Panzer para a área de Caen, pronta para atacar o flanco esquerdo aliado. As três divisões blindadas, 12ª, 116ª e Panzer Lehr, a reserva do Grupo de Exércitos "C", capaz de desfechar pesado golpe, estavam no rectângulo Mantes-Gassi Court, Chartres, Bernay, Gacé, com a 116ª avançada. Mas os temores de von Rundstedt, Guderian e von Geyr haviam colocado a força sob o comando do OKW, sujeito à vontade de Hitler. Assim, o resultado do dia da decisão estava nas mãos das baterias costeiras e das três divisões entrincheiradas ao longo da costa normanda, com a 91ª Divisão e seu regimento de pára-quedistas à esquerda e a 21ª Panzer à direita. Enquanto Rommel, no desejo natural de controlar inteiramente a batalha que seus exércitos deviam travar, estava numa posição comparável à de Montgomery, a posição de von Rundstedt não era, de modo algum, comparável à de Eisenhower. Von Rundstedt não só estava privado do controle total das suas forças de terra, como também era obrigado a "solicitar" apoio aéreo e naval quando viesse a precisar dele. Não existia dispositivo para o planejamento vasos em condições de operar. Quanto ao resto, ele pôde reunir 2 torpedeiros, 31 vedetas-torpedeiras e um punhado de barcos de patrulha e caça-minas. Além disso, 15 dos menores submarinos em portos atlânticos seriam postos à sua disposição, mas não estavam sob seu comando. Em conclusão, mesmo essa pequena "frota" era virtualmente incapaz de fazer-se ao mar. A 3a Força Aérea alemã, comandada pelo General Hugo Sperrie, estava igualmente destroçada. Obrigado a usar pilotos pouco treinados, sua eficiência, mesmo considerando seus pequenos efectivos, era medíocre e ela estava constantemente assediada em terra e no ar. No começo de junho de 1944, a 3ª Força Aérea reunia cerca de 400 aviões "teoricamente" em condições de operar. Também teoricamente, esses aviões foram divididos entre as 4ª e 5.ª
Divisões de Caça, sob o comando do 2.° Corpo de Caça. Os que estavam sob o comando da 4ª Divisão tinham a tarefa prioritária de interceptar os bombardeiros aliados que rumavam para o Reich, mas poderiam ser desviados em caso de desembarques de tropa de assalto aliados. Concluindo, nem o 2.° Corpo Aéreo nem suas Divisões dispunham de aviões para se fazerem presentes no DIA "D". A maior parte das prometidas "Brigadas Aéreas" de Caças que viriam da Alemanha não foi recebida. Poucos pilotos conheciam a França e poucos sabiam ler mapas. O Chefe do Estado-Maior do 2.° Corpo calculou que não tinha mais de 50 aviões sob seu comando. Assim, os aliados ocidentais não podiam ser desafiados no mar ou no ar, e Rommel tinha poucas ilusões quanto à sua tarefa. Num sentido, ela era simples: os exércitos alemães no Oeste, incessantemente atacados pelo ar, carecendo de treinamento e transportes essenciais, sendo de má qualidade e privados dos seus "olhos" e "ouvidos" pela destruição das suas instalações de radar, estavam sozinhos, à espera. Durante quase dois meses, o Feldmarechal Rommel dedicou suas enormes energias à tarefa de reforçar as defesas costeiras desde Cherburgo até o Somme, dando tanta atenção quanto possível aos problemas da Normandia. Influenciado por um profundo pessimismo, livre das limitações do pensamento militar ortodoxo que moldara a mente de von Rundstedt e da escola mais antiga, talvez mesmo sabendo subconscientemente que não poderia haver nenhuma transigência para com a Alemanha enquanto esta fosse de Hitler, ele sabia que o inimigo devia ser derrotado nas praias. Talvez Rommel tivesse preferido uma batalha de manobra. Mas sabia que era tarde demais e que tudo estava perdido. Portanto, não havia lugar para a crença de von Rundstedt de que os aliados pretendiam primeiro fortalecer sua posição depois é que a batalha da Normandia seria travada. Em maio, o reconhecimento aéreo alemão atingiu diversas vezes a costa sul da Inglaterra. Não obstante, a 4 de junho o Almirante Krancke duvidava "que o inimigo já tivesse reunido a frota necessária para a invasão". No dia seguinte, o Grupo B do Exército, sem nenhuma informação nova, mas notando a concentração de bombardeiros aliados entre Dieppe e Dunquerque, considerava que tudo apontava para "o ponto focal previamente presumido do desembarque principal" (Pás de Calais). "Por hora", escreveu von Rundstedt no mesmo dia, "não existe perspectiva imediata de invasão". Rommel deixou seu quartel-general para passar uma noite com a família, a caminho de uma visita a Hitler. Assim, na véspera do Dia D, os alemães tinham a guarda abaixada, o tempo sobre o Canal da Mancha era péssimo e as oito divisões aliadas ansiavam por entrar em acção. Se as unidades alemãs destacadas para guardar a Normandia não conseguissem deter e destruir os aliados nos baixios e nas praias, o destino da Alemanha nazista estaria selado e os dias subsequentes moldariam o futuro da Europa.


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 
 
 
 
 
 

 

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