Trabalho e Pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

O dia 06
de Junho de 1944, ou seja, o assalto dos Aliados às costas da Normandia
Marca para a Europa o prelúdio da Libertação – "Operação Overlord"
Caía a noite, de 05 para 06, e as forças de invasão continuavam à
espera. O general Eisenhower, tomou e anunciou a sua decisão: "Estou
absolutamente certo de que é preciso dar a ordem para a invasão. Não é que isso
me agrade; mas tem que ser mesmo... Não vejo que outra coisa poderíamos fazer".
Terça-feira, 06 de Junho de 1944, seria o dia D.
A expressão "Dia D" não era nenhuma novidade no mundo militar — já
havia sido usada durante a Primeira Guerra Mundial pelo exército britânico e
servia para designar o dia exacto em que uma operação militar deveria ser
iniciada.
Em 6 de junho de 1944, ela ganhou um novo e marcante significado, pois
denominou uma das mais ambiciosas e perigosas operações da Segunda Guerra
Mundial: o desembarque na Normandia.
TEMPO: O PIOR INIMIGO DOS ALIADOS
Se, na guerra, o tempo cronológico era um terrível inimigo; para a
operação Overlord, o tempo meteorológico era ainda pior. A operação já estava
muito bem planejada por Eisenhower e sua equipe, mas eles precisavam esperar o
melhor dia para o ataque. A invasão deveria acontecer em junho, mas as condições
meteorológicas na zona do Canal da Mancha eram péssimas. No ano de 1944, os
ventos e as ressacas foram os mais fortes daqueles últimos vinte anos. A data
que havia sido escolhida para o Dia D foi 5 de junho, mas estava sujeita a uma
mudança de última hora se o tempo estivesse duvidoso, e foi isso que aconteceu.
A partir de 1.º de junho de 1944, Eisenhower participou de reuniões diárias com
sua equipe para estudar boletins meteorológicos. Os dados para os dias 3 e 4 não
eram muito encorajadores, por isso, decidiu-se que a operação começaria no dia
5. Mas ela foi atrasada por mais 24 horas. Você sabe por quê? A razão disso foi
que, para o dia 6, estava prevista uma melhora nas condições climáticas, o que
ocorreria nas últimas horas do dia 5, mantendo-se na manhã seguinte. O tempo
bom, para eles, significava ventos leves e nuvens inferiores a mil metros de
altitude. Para a noite do dia 6, porém, estava previsto o retorno dos ventos
fortes e da agitação marítima.
O dia mais importante de todos os 36.525 dias do século XX. O chamado
dia D, marcou o início da derrota alemã na Segunda Guerra Mundial com a abertura
do front ocidental indispensável para vitória aliada. Até, então, os nazistas
estavam sendo detidos apenas pelo esforço soviético, na frente oriental. Cerca
de 150 mil soldados foram mobilizados na ocupação de 80 quilómetros da costa ao
norte da França, em cinco pontos diferentes: Gold, Juno, Omaha, Sword e Utah. O
desembarque aliado na praia denominada Omaha, na Normandia, foi o mais difícil.
Ao todo, aconteceram 10 mil baixas do lado aliado neste primeiro lance da
Operação Overlord, que é considerada maior ofensiva anfíbia de guerra já
ocorrida.
O dia 6 de junho de 1944 é uma das datas mais importantes da Segunda
Guerra Mundial. Naquela ocasião, uma vanguarda de 175 mil soldados anglo-saxãos
(americanos, ingleses e canadenses) desembarcaram corajosamente nas praias da
Normandia para libertar a França da ocupação nazistas. Devido ao volume
impressionante de navios de guerra, embarcações de transporte de tropas e aviões
dos mais variados tipos e modelos, seguramente o Dia-D, o começo da Segunda
Frente, deve ser considerado como a maior invasão aero-naval que a história até
então conheceu.
"OK, nós vamos." - General D. Eisenhower, na véspera do Dia-D (5 de
junho de 1944).
A palavra final foi dada pelo oficial meteorologista James Stagg.
Apesar do mau tempo predominante naqueles começos de junho de 1944, carregado de
nuvens e chuvas intermitentes, haveria uma pausa no dia 6, assegurou ele ao
general Eisenhower. Sofrendo os dissabores dos enjoos do mar, as tropas já
estavam nos porões das 3.000 embarcações que balouçavam aos sabor das ondas nas
costas da Inglaterra. A invasão do continente europeu, a maior da história,
baptizada como Operação Overlord, tinha sido minuciosamente preparada pelo alto
comando aliado. Era parte de um poderoso torno de aço composto pelos exércitos
anglo-americanos e soviéticos (que deslocavam-se do leste), que se fechava sobre
a Europa ocupada pelos nazistas. O supremo comandante aliado, o general
Eisenhower, e o comandante das operações, marechal Montgomery, dispunham de 2
milhões de soldados prontos para tudo tendo à disposição o que havia de melhor
no material de guerra . O objectivo do assalto, segundo o general Eisenhower,
"era a ambição de que forças terrestres e aerotransportadas ocupassem a costa
entre Le Havre até a península de Cotentin (ambos na Normandia francesa), e, a
partir do sucesso em formar cabeças-de-praia com portos adequados, dirigir-se ao
longo das linha do rio Loire e do Sena directamente para o coração da França
para destruir o poder alemão e libertar a França." Naquela madrugada do dia 6, a
vanguarda composta por 175 mil soldados, organizados em dois grandes exércitos
(o US 1st Army sob comando do general Omar Bradley, e o GB 2st Army liderado
pelo general Miles Demsey), levados por navios transportes, atravessaram o Canal
Inglês ( Canal da Mancha) para desembarcarem de surpresa no litoral francês.
transportes, atravessaram o Canal Inglês ( Canal da Mancha) para desembarcarem
de surpresa no litoral francês.
Dia D – Em 6 de junho de 1944, chamado de "Dia D" pelos Aliados, sob o
comando do general Eisenhower, é feito o ataque estratégico que daria o golpe
mortal nas forças nazistas que ainda resistem na Europa. Cinquenta e cinco mil
soldados norte-americanos, britânicos e canadenses desembarcam nas praias da
Normandia, noroeste da França, na maior operação aeronaval da História,
envolvendo mais de 5 mil navios e mil aviões. Os combates são pesados, com
numerosas baixas, até 27 de junho, quando o I Exército norte-americano toma o
porto de Cherbourg. Em 9 de julho forças britânicas e canadenses entram em Caen,
abrindo caminho para a passagem de tanques pelas defesas alemãs. Paris é
libertada em 25 de agosto, Bruxelas em 2 de setembro. A fronteira alemã anterior
ao início da guerra é cruzada pelos Aliados em Aachen em 12 de setembro. Ao
mesmo tempo, os Aliados lançam bombardeios aéreos pesados contra cidades
industriais alemãs. No início de 1945 os soviéticos (pelo leste) e os
norte-americanos e britânicos (pelo oeste) fazem uma verdadeira corrida para ver
quem chega primeiro a Berlim.
A ESCOLHA DO DIA D : - No sul da Inglaterra, milhares de soldados
esperavam a ordem para marchar rumo ao combate, a qual veio do general
Eisenhower nas primeiras horas da madrugada do dia 5 de junho, colocando em
acção a vasta operação.
Horas depois, o general escreveu uma nota a ser divulgada caso a
operação falhasse. Nela, ele elogiava os homens que comandou e aceitava a total
responsabilidade pelos prejuízos que os dias seguintes pudessem trazer. Uma
pista que pode demonstrar o nervosismo de Eisenhower pode ser vista no erro da
data do bilhete: 5 de julho, em vez de 5 de junho.
A meteorologia não falhou! O dia 6 amanheceu com ventos mais brandos e
massas de nuvens a grandes altitudes, o que forneceu condições favoráveis para
operações aéreas como o transporte de tropas e o bombardeio prévio ao
desembarque. A ideia de iniciar um ataque com o tempo instável acabou gerando um
efeito surpresa nos alemães, o que auxiliou a operação. Estes achavam que seria
impossível qualquer expedição através do canal enquanto as ondas estivessem
altas. Também acreditavam que o desembarque seria feito com lua nova e maré alta
e que o local escolhido para o assalto seria próximo aos portos para se evitarem
rochas e águas de pouca profundidade, que são muito perigosas. No Dia D, os
aliados quebraram diversas crenças dos alemães, pois: Atacaram um pouco antes da
maré baixa e com lua cheia;
Desembarcaram longe dos portos principais e, em alguns locais, sob
encostas íngremes;
As águas por onde eles se aproximaram eram cheias de rochas e
apresentavam correntes tão fortes que os técnicos alemães haviam catalogado-as
anteriormente como impraticáveis para unidades de desembarque.
No dia 5 de junho, véspera do Dia D, as forças de assalto para a
invasão zarparam dos portos do sul da Inglaterra, onde haviam previamente se
concentrado. Cinco forças de assalto saíram da Inglaterra e concentraram-se no
ponto Z, de onde partiram para o sul, rumo à Normandia. As forças de assalto
concentradas no ponto Z ficaram escondidas pelas nuvens baixas, fazendo com que
os alemães não desconfiassem de tão grande mobilização de barcos. As tropas
britânicas e canadenses desembarcariam pelo lado esquerdo; e as
norte-americanas, à direita. A frota de invasão compreendia cerca de 4.200
barcos, além dos navios de guerra e unidades auxiliares. A frota de apoio era
composta de encouraçados, cruzadores, destróieres, barcos lança-foguetes e
canhoneiras de apoio. Até as praias estarem garantidas, a zona de transporte
constituiu o coração da invasão. No Dia D, apesar dos concentrados bombardeios
aéreos e navais que precederam o ataque, as defesas costeiras, em geral, não
foram destruídas antes do momento do desembarque dos soldados aliados. Os
canhoneiros navais neutralizaram as baterias mais pesadas, mas não as colocaram
definitivamente fora de combate, graças à enorme espessura das casamatas de
concreto. O bombardeio aéreo resultou igualmente ineficaz para traspassar o
concreto. As defesas das próprias praias não foram suficientemente destruídas
antes da hora H, como se pretendia. A forte ressaca aumentou as dificuldades dos
aliados para chegar à praia, mas, mesmo assim, foi feito o desembarque. Na noite
do primeiro dia da invasão, todos os sectores previstos para o desembarque foram
alcançados. A penetração no território desenvolveu-se em diferentes níveis.
1944 antes do Dia D. A campanha aérea que amaciou os alemães antes da
invasão do Dia D (de 6 de abril até 5 de junho de 1944). O objectivo aliado
nesta campanha era duplo. Primeiro, os aliados queriam aleijar a rede de
transportes na França. Isto significava destruir a maior parte das pontes e
metralhar todas as locomotivas e caminhões que podiam achar. Os alemães fizeram
um grande esforço para impedir isso, mas falharam. As perdas alemães foram
altas; as perdas aliadas eram substituíveis. O segundo objectivo era destruir o
poderia aéreo alemão na França.
1944 depois do Dia D. O apoio aéreo para a invasão (de 6 de junho até
5 de setembro de 1944). A campanha aérea iniciada em abril pegou força depois do
desembarque na Normandia. Os alemães tinham que raspar o fundo do barril para
poderem igualar o seu esforço na campanha anterior. Não foi bom o suficiente. Os
aliados tinham mais do que dobrado o número de surtidas que voaram. Os alemães
perderam muitos de seus pilotos experientes na primeira campanha e os
substitutos eram menos bem treinados (e muitos vezes eram apressados pelo
treinamento, de forma a manejar o número maior de aviões que os alemães estavam
produzindo).
Na madrugada do dia 6, mais de 800 aviões conduzindo a bordo três
divisões aerotransportadas anglo-americanas, lançaram tropas pára-quedistas
atrás das defesas alemãs, exactamente para desbaratar a estratégia de Rommel,
fazendo a maior confusão possível. Ao amanhecer, exactamente às 6.30 h. deu-se a
vez dos lanchões de desembarque. Milhares deles apareceram na frente das cinco
praias previamente acertadas (seus codigo-nomes eram Omaha,Utah, para os
americanos; Juno, Gold, Sword para os anglo-canadenses). Os sentinelas alemães
ficaram atónitos ao se depararem em meio a névoa matinal que se dissipava com um
horizonte tomado por embarcações. Em seguida, um calor dos infernos abateu-se
sobre eles. Do mar, 500 navios de guerra abriram as baterias contra as linhas de
defesa. Do alto, despencavam toneladas de bombas dos 10 mil aviões que
participavam da operação. Um dilúvio de explosões praticamente paralisou-lhes a
resistência. Nos dias seguintes, o trabalho da força aérea aliada, da USAF e da
RAF, foi seccionar a Normandia do restante da França por meio de bombardeios
selectivos que destruíram todas as pontes sobre o rio Loire e o rio Sena.
Isoladas, as guarnições alemãs que resistiam à invasão ficaram impedidas de
receber reforços das Divisões Panzer que estavam aquarteladas em outros lugares.
Mesmo assim, com poderosa cobertura aérea e naval, avançar pelas praias naquele
dia do desembarque estava longe de ser um sossego. Nas falésias da Normandia,
emboscadas, as metralhas alemãs sobreviventes varriam tudo o que se mexesse. Que
bravura tiveram que mostrar os soldados aliados. Quando abria-se a frente do
Higgins boat, o lanchão de desembarque, eles eram recebidos à rajadas e a
balaços precisos disparados das casamatas, enquanto explosões de morteiros
levantavam água e espuma ao redor deles. Se bem que a maioria dos soldados
estivesse na faixa dos 22-23 anos e serviam no exército já há dois ou três anos,
milhares deles nunca haviam disparado um tiro sequer a valer. E assim, tensos,
foram jogando-se na areia abrindo caminho com muita coragem para por um fim
naquele açougue em que a Europa se transformara. Setenta dias depois, no dia 25
de agosto de 1944, em meio à multidão doida de felicidade, eles entravam em
Paris.
Bibliografia:
Ambrose, Stephan - The Longest Day: June 6, 1944. New York, Simon and
Schuster, 1959.
Parkinson, Roger - Encyclopedia of modern war, Londres, Paladin Books,
1977.
Ryan, Cornelius - The Longest Day: June 6, 1944. New York, Simon and
Schuster, 1959.
O Dia D foi a data que mudou o curso da guerra, e também de todo um
século. Meticulosos no planejamento, brilhantes na execução, os desembarques
aliados de 6 de junho de 1944 no litoral norte da França foram o maior ataque
por mar jamais tentado. Neste relato brilhante, o aclamado historiador britânico
David Stafford revela pela primeira vez a complexa teia de destinos, erros
humanos, disputas políticas e traições nos dias que antecederam a operação. Dez
Dias para o Dia D descreve a contagem regressiva dos dez dias cruciais que
precederam o desembarque na Normandia, numa narrativa emocionante pontuada por
dez histórias de pessoas espalhadas pela Europa cuja vida ele afectou de forma
visceral. São líderes políticos, soldados, civis e agentes secretos de ambos os
lados do conflito, cuja trajectória revela a ténue fronteira entre a vitória e a
derrota e a mistura de esperança, expectativa e medo antes da acção. A oficial
da Marinha britânica trabalhando com seus sinais codificados; o militante da
Resistência francesa e sua rede clandestina; o jornalista norueguês preso numa
cela da Gestapo; o pára-quedista americano à espera da acção, o judeu romeno
escondido num sótão em Paris; o soldado alemão no litoral da França, convencido
de que a invasão está muito distante; o fuzileiro canadense que iria desembarcar
na primeira leva do ataque. Narrado em retrospecto, o destino de cada um desses
personagens ajuda a entender as circunstâncias que levaram ao desfecho da
Segunda Guerra e constitui uma história singular de coragem e força de vontade.
O autor revela também às acções de Churchill, Hitler, Rommel, Eisenhower e De
Gaulle nesses dias decisivos, e mostra o trabalho vital dos agentes que
forneciam informações falsas à hierarquia nazista. Pesquisado em documentos
originais e registros oficiais da época, Dez Dias para o Dia D é o retrato de um
momento crucial da história, da perspectiva dos homens e mulheres que ajudaram a
escrevê-la. O livro foi adaptado para a televisão pelo canal britânico Channel
Four em comemoração ao aniversário de 60 anos do desembarque aliado.
Ex-diplomata, David Stafford é autor de várias obras sobre Churchill, a Segunda
Guerra Mundial e a história dos serviços de espionagem. Formado pela
Universidade de Cambridge e doutor pela Universidade de Londres, é director de
projectos do Centro de Estudos sobre a Segunda Guerra Mundial da Universidade de
Edimburgo, na Escócia.
DO LADO ALEMÃO:
Na véspera do DIA "D", o Feldmarechal von Rundstedt era o
Comandante-Chefe do Oeste, com dois Grupo de Exército o "B" e o "G", que
totalizavam 60 divisões, uma delas, a 19ª Divisão Panzer (Blindada),
reequipando-se depois do sério castigo sofrido na Frente Oriental, e outra nas
ilhas do Canal, reduziam o efectivo total a 58 divisões. O Feldmarechal Rommel
que depois do colapso de Afrika Korps foi encarregado em 1943 de fortalecer a
"Muralha do Atlântico" da Dinamarca até a fronteira da Espanha. Pouco depois
Rommel assume o comando do Grupo de Exército "B". De todas as divisões de
Rundstedt , 31 estavam presas a "papéis estáticos" e 27, incluindo 10 divisões
blindadas, eram tão móveis quanto o permitiam as suspeitas de Führer e os
recursos disponíveis. Elas estavam situadas desde a Holanda até as costas do
Atlântico e do Mediterrâneo: 5 divisões na Holanda, no 88.° Corpo, incluindo a
19ª Panzer, que estava incapacitada; 19 no Passo de Calais, entre o Escalda e o
Sena; 18 entre o Sena e o Loire. O restante estava ao sul do Loire. No seu Grupo
de Exércitos "B", Rommel tinha 43 Divisões, do total geral das 60; o 88.° Corpo
estava na Holanda, o poderoso 15.° Exército estava no Passo de Calais e o 7.°
Exército estava na Normandia. O 15.° Exército, comandado por Von Saimuth, estava
virtualmente retido nas suas posições, sobretudo pela incapacidade do espírito
militar alemão de se livrar de uma ideia preconcebida. Os aliados fizeram o
máximo para alimentar a ilusão. Na véspera do DIA "D", Rommel conseguira
melhorar e fortalecer as disposições do 7.° Exército, comandado por Dollman e
que, segundo acreditava, teria de travar a batalha decisiva nas praias e que
englobava o LXXXIV Corpo. O QG do LXXXIV Corpo alemão estava sediado próximo de
Saint Ló. Era comandado pelo General Erich Marcks, um homem alto e de aparência
sábia que perdera uma perna na Rússia. Pode-se levantar a dúvida se as forças
alemãs na área escolhida para o desembarque aliado eram suficientes para repelir
os invasores para o mar. As 352ª e 716ª Divisões de Infantaria estavam nas suas
trincheiras e "ninhos" de resistência ao longo da costa de Calvados, desde o rio
Vire até o Orne. No flanco alemão esquerdo, a 91ª Divisão, com o 6.° Regimento
de Pára-quedistas sob seu comando, protegia o flanco esquerdo da 352ª Divisão na
área do Carentan. A 709ª Divisão protegia a linha costeira oriental da Península
de Cherburgo. Atrás das suas posições do flanco direito, que os aliados
conheciam pelo nome-código de praia "Utah". Os extensos pântanos e áreas
alagadiças que acompanhavam os cursos dos rios Dives e Merderet desde Carentan
até lê Port-Brehay, eram considerados como protectores da retaguarda e
obstáculos às saídas da praia. A 243ª Divisão, na península, estava de frente
para oeste. Do flanco direito alemão, a 711ª Divisão, comandando um regimento da
346ª Divisão, protegia a costa desde o rio Orne até o Estuário do Sena, do lado
oposto a Lê Havre. Portanto, as 709ª, 352ª e 716ª Divisões de Infantaria
enfrentariam os assaltos aliados nas praias de nome-código "Utah", "Omaha", "Gold",
"Juno" e "Sword". Contra a vontade de Von Rundstedt, Rommel conseguira trazer a
21ª Divisão Panzer para a área de Caen, pronta para atacar o flanco esquerdo
aliado. As três divisões blindadas, 12ª, 116ª e Panzer Lehr, a reserva do Grupo
de Exércitos "C", capaz de desfechar pesado golpe, estavam no rectângulo
Mantes-Gassi Court, Chartres, Bernay, Gacé, com a 116ª avançada. Mas os temores
de von Rundstedt, Guderian e von Geyr haviam colocado a força sob o comando do
OKW, sujeito à vontade de Hitler. Assim, o resultado do dia da decisão estava
nas mãos das baterias costeiras e das três divisões entrincheiradas ao longo da
costa normanda, com a 91ª Divisão e seu regimento de pára-quedistas à esquerda e
a 21ª Panzer à direita. Enquanto Rommel, no desejo natural de controlar
inteiramente a batalha que seus exércitos deviam travar, estava numa posição
comparável à de Montgomery, a posição de von Rundstedt não era, de modo algum,
comparável à de Eisenhower. Von Rundstedt não só estava privado do controle
total das suas forças de terra, como também era obrigado a "solicitar" apoio
aéreo e naval quando viesse a precisar dele. Não existia dispositivo para o
planejamento vasos em condições de operar. Quanto ao resto, ele pôde reunir 2
torpedeiros, 31 vedetas-torpedeiras e um punhado de barcos de patrulha e
caça-minas. Além disso, 15 dos menores submarinos em portos atlânticos seriam
postos à sua disposição, mas não estavam sob seu comando. Em conclusão, mesmo
essa pequena "frota" era virtualmente incapaz de fazer-se ao mar. A 3a Força
Aérea alemã, comandada pelo General Hugo Sperrie, estava igualmente destroçada.
Obrigado a usar pilotos pouco treinados, sua eficiência, mesmo considerando seus
pequenos efectivos, era medíocre e ela estava constantemente assediada em terra
e no ar. No começo de junho de 1944, a 3ª Força Aérea reunia cerca de 400 aviões
"teoricamente" em condições de operar. Também teoricamente, esses aviões foram
divididos entre as 4ª e 5.ª Divisões de Caça, sob o comando do 2.° Corpo de
Caça. Os que estavam sob o comando da 4ª Divisão tinham a tarefa prioritária de
interceptar os bombardeiros aliados que rumavam para o Reich, mas poderiam ser
desviados em caso de desembarques de tropa de assalto aliados. Concluindo, nem o
2.° Corpo Aéreo nem suas Divisões dispunham de aviões para se fazerem presentes
no DIA "D". A maior parte das prometidas "Brigadas Aéreas" de Caças que viriam
da Alemanha não foi recebida. Poucos pilotos conheciam a França e poucos sabiam
ler mapas. O Chefe do Estado-Maior do 2.° Corpo calculou que não tinha mais de
50 aviões sob seu comando. Assim, os aliados ocidentais não podiam ser
desafiados no mar ou no ar, e Rommel tinha poucas ilusões quanto à sua tarefa.
Num sentido, ela era simples: os exércitos alemães no Oeste, incessantemente
atacados pelo ar, carecendo de treinamento e transportes essenciais, sendo de má
qualidade e privados dos seus "olhos" e "ouvidos" pela destruição das suas
instalações de radar, estavam sozinhos, à espera. Durante quase dois meses, o
Feldmarechal Rommel dedicou suas enormes energias à tarefa de reforçar as
defesas costeiras desde Cherburgo até o Somme, dando tanta atenção quanto
possível aos problemas da Normandia. Influenciado por um profundo pessimismo,
livre das limitações do pensamento militar ortodoxo que moldara a mente de von
Rundstedt e da escola mais antiga, talvez mesmo sabendo subconscientemente que
não poderia haver nenhuma transigência para com a Alemanha enquanto esta fosse
de Hitler, ele sabia que o inimigo devia ser derrotado nas praias. Talvez Rommel
tivesse preferido uma batalha de manobra. Mas sabia que era tarde demais e que
tudo estava perdido. Portanto, não havia lugar para a crença de von Rundstedt de
que os aliados pretendiam primeiro fortalecer sua posição depois é que a batalha
da Normandia seria travada. Em maio, o reconhecimento aéreo alemão atingiu
diversas vezes a costa sul da Inglaterra. Não obstante, a 4 de junho o Almirante
Krancke duvidava "que o inimigo já tivesse reunido a frota necessária para a
invasão". No dia seguinte, o Grupo B do Exército, sem nenhuma informação nova,
mas notando a concentração de bombardeiros aliados entre Dieppe e Dunquerque,
considerava que tudo apontava para "o ponto focal previamente presumido do
desembarque principal" (Pás de Calais). "Por hora", escreveu von Rundstedt no
mesmo dia, "não existe perspectiva imediata de invasão". Rommel deixou seu
quartel-general para passar uma noite com a família, a caminho de uma visita a
Hitler. Assim, na véspera do Dia D, os alemães tinham a guarda abaixada, o tempo
sobre o Canal da Mancha era péssimo e as oito divisões aliadas ansiavam por
entrar em acção. Se as unidades alemãs destacadas para guardar a Normandia não
conseguissem deter e destruir os aliados nos baixios e nas praias, o destino da
Alemanha nazista estaria selado e os dias subsequentes moldariam o futuro da
Europa.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal