O dia 2 de abril foi escolhido para ser o
Dia Internacional do Livro Infantil por ser a data de nascimento do escritor
dinamarquês Hans Christian Andersen (*), que foi um grande poeta e escritor de
histórias infantis.
* Hans Christian Andersen nasceu no seio de uma
família dinamarquesa muito pobre. O seu pai era um sapateiro de vinte e dois
anos, instruído mas de saúde fraca, e de uma lavadeira vários anos mais velha.
Toda a família vivia e dormia num único quarto. O pai adorava o seu filho a quem
fomentou a imaginação e a criatividade, deixando-o aprender a ler, contando-lhe
histórias e, mesmo, fabricando-lhe um teatrinho de marionetas. Hans apresentava
no seu teatro peças clássicas, tendo chegado a memorizar muitas peças de
Shakespeare, que encenava com seus brinquedos.
Em 1816, seu pai morreu e ele, com apenas onze
anos de idade, foi obrigado a abandonar a escola.
Andersen nasceu e viveu numa época em que a
Dinamarca regressava ao nacionalismo ancorado em valores ancestrais. De certa
forma graças à sua infância pobre, Andersen teve a chance de conhecer os
contrastes da sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e
adultas que viria a escrever quando mais velho.
Aos catorze anos, em 1819, Andersen saiu de casa
e foi para Copenhaga, uma grande cidade e capital da Dinamarca, com o objectivo
de se tornar um cantor de ópera. Em Copenhaga as suas atitudes diferentes,
depressa o isolaram como um lunático. Apesar da sua voz lhe ter falhado, foi
admitido no Teatro Real pelo seu director, Jonas Collin, de quem se tinha
aproximado e que seria seu amigo para o resto da vida. Andersen trabalhou no
teatro como actor e bailarino, para além de escrever algumas peças.
O rei Frederico IV interessou-se por tão
estranho rapaz e enviou-o para a escola de Slagelse. Apesar da sua aversão aos
estudos, Andersen permaneceu em Slagelse e Elsinor até 1827, embora tenha
confessado mais tarde que estes foram os anos mais escuros e amargos da sua
vida. Durante esse período, Collin financiou os seus estudos.
Em 1828, foi admitido na Universidade de
Copenhaga. Em 1829, quando os seus amigos já consideravam que nada de bom
resultaria da sua excentricidade, obteve considerável sucesso com Um passeio
desde o canal de Holmen até à ponta leste da ilha de Amager, e acabou por
alcançar reconhecimento internacional em 1835, quando lançou o romance O
Improvisador, na sequência de viagens que o tinham levado a Roma, depois de
passar por vários países da Europa.
Contudo, apesar de ter escrito diversos romances
adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos de fadas que
tornaram Hans Christian Andersen famoso. Especialmente pelo fato de que, até
então, eram muito raros livros voltados especificamente para crianças.
Ele foi, segundo estudiosos, a "primeira voz
autenticamente romântica a contar histórias para as crianças" e buscava sempre
passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela nova sociedade
que se organizava, inclusive apontando os confrontos entre "poderosos" e
"desprotegidos", "fortes" e "fracos", "exploradores" e "explorados". Ele também
pretendia demonstrar a ideia de que todos os homens deveriam ter direitos
iguais.
Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes
de Contos, livros com histórias infantis traduzidos para diversos idiomas. Ele
continuou escrevendo seus contos infantis até 1872, chegando à marca de 156
histórias. No começo, escrevia contos baseados na tradição popular,
especialmente no que ele ouvia durante a infância, mas depois desenvolveu
histórias no mundo das fadas ou que traziam elementos da natureza.
No final de 1872, Andersen ficou gravemente
ferido ao cair da sua própria cama, e permaneceu com a saúde abalada até 4 de
Agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhaga, onde foi enterrado.