Dia Mundial da Água
22 de Março

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

A água é um líquido incolor transparente, inodoro, insípido, corpo composto cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio (H2O). A água ferve a 100º C à pressão normal. A água é, desde tempos imemoráveis, de importância vital para o Homem, quer a nível das culturas quer a nível da biologia. Por ela se fizeram e continuam a fazer guerras. A água é o constituinte mais característico da Terra e é o ingrediente essencial da vida. A água possui muitas propriedades incomuns que são críticas para a vida: é um bom solvente e possui alta tensão superficial (0,07198 N m-1 a 25 °C). A água pura tem sua maior densidade a 3,984 °C: 999,972 kg/m3, e tem valores de densidade menor ao arrefecer que ao aquecer. Por ser uma substância estável na atmosfera, desempenha um papel importante como absorvente da radiação infravermelha, crucial no efeito estufa da atmosfera. A água também possui um calor específico peculiarmente alto (75,327 J mol-1 K-1 a 25 °C), que desempenha um grande papel na regulação do clima global. A água dissolve vários tipos de substâncias polares e iónicas, como vários sais e açúcares, facilitando na interacção química entre as diferentes substâncias fora e dentro dos organismos vivos (metabolismos complexos). Apesar disso, algumas substâncias não se misturam bem com a água, incluindo óleos e outras, podendo ser classificadas como insolúveis e, em alguns casos, hidrofóbicas. As membranas celulares, compostas por lipídios e proteínas, levam vantagem das propriedades hidrofóbicas para controlar as interacções entre os seus conteúdos e o meio externo. A água encontra-se em diversos estados físicos. Na atmosfera ela está em estado gasoso, proveniente da evaporação de todas as superfícies húmidas – mares, rios e lagos; em estado líquido é a mais usual forma da água, encontrada nos grandes depósitos do planeta, nos oceanos e mares (água salgada), nos rios e lagos (água doce) e também no subsolo, constituindo os chamados lençóis freáticos. Para finalizar, também encontramos a água no estado sólido, nas regiões frias do planeta, os pólos e nas grandes altitudes. Do estado gasoso, presente na atmosfera, a água pode se precipitar em estado líquido, como chuva, orvalho ou nevoeiro, ou em estado sólido, como neve ou granizo.
O corpo humano é composto por cerca de 60 a 70% de água. Nos recém nascidos, esta percentagem pode chegar a 75%.
Cerca de dois terços da água do nosso organismo está nas células que compõem os nossos órgãos e tecidos. A restante parte reparte-se pelos diferentes líquidos do corpo (sangue, linfa, etc.). A água desempenha um papel muito importante no transporte dos nutrientes, na eliminação das toxinas orgânicas e na regulação térmica do organismo. Por estes motivos é muito importante assegurar o equilíbrio dos níveis de água no nosso corpo para que este funcione bem. Esta água que ingerimos deverá ser da maior qualidade. Deverá conter minerais importantes ao nosso bem estar, tais como cálcio, magnésio, sódio, flúor, entre outros. Não deverá conter substâncias como chumbo, mercúrio, rádon, entre outros. Algumas destas substâncias maléficas podem por vezes contaminar as águas de consumo público, embora os serviços municipalizados façam o maior esforço para que isso não ocorra. A verdade é que, por vezes, as pessoas acabam por sentir que a água da torneira tem mau sabor ou mau cheiro. Muitas das vezes em que existe mau sabor, isso deve-se às excessivas quantidades de cloro que são adicionadas à água. Apesar de um bem renovável, a água pode ser infinita, ao contrário do que durante muito se acreditou. Vivemos em um planeta onde o número de habitantes cresce assustadoramente. Em 1800, éramos 1 bilhão de pessoas e, já no ano 2000, atingíamos o sexto bilhão de habitantes. Ao chegarmos a oito bilhões de habitantes, em 2030, segundo estimativas, será necessário aumentar a produção de alimentos em mais de 50%. Isso representa um impacto imensurável, uma vez que 70% de toda água consumida no mundo vai para a agricultura. Acredita-se, por exemplo, que para a produção dos alimentos que consumimos diariamente são necessários 400 litros de água/pessoa. É difícil, portanto, acreditar que ainda não visualizemos a importância da água, que de tão presente em nosso dia-a-dia não imaginamos viver sem ela. Assim como uma locomotiva, a água, se bem utilizada, é responsável pelo transporte do desenvolvimento. Porém, se mal usada, pode levar a estados de calamidade, principalmente para a população.
O Dia Mundial da Água
É celebrado a 22 de Março de cada ano, tem por tema em 2007 « Fazer face à escassez de água ». O tema deste ano assinala a importância crescente da escassez de água no mundo e a necessidade de reforçar a integração e a cooperação por forma a assegurar uma gestão sustentável, eficaz e equitativa de recursos hídricos raros, seja localmente ou à escala internacional. Quando lidamos com recursos hídricos limitados, é indispensável de ter em consideração a equidade e os direitos e ter em conta os elementos de ordem cultural e ética. Quer se trate dos desequilíbrios entre as disponibilidades e a procura, da degradação da qualidade das águas subterrâneas e das águas de superfície, da concorrência intersectorial, das diferenças inter-regionais e internacionais, a questão central é de saber como fazer face à escassez de água. O tema deste ano foi escolhido por todos os membros da ONU-água na semana mundial da água, celebrada em Estocolmo em Agosto de 2006. A FAO assegura, para a celebração do dia mundial da água de 2007, a coordenação para o conjunto das instituições e programas das Nações Unidas que são membros da ONU-água.
De acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.
Nesse período vários Estados foram convidados, como fosse mais apropriado no contexto nacional, a realizar no Dia, actividades concretas que promovam a conscialização pública através de publicações e difusão de documentários e a organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das recomendações proposta pela Agenda 21.
A cada ano, uma agência diferente das Nações Unidas produz um kit para imprensa sobre o DMA que é distribuído nas redes de agências contactadas. Este kit tem como objectivos, além de focar a atenção nas necessidades, entre outras, de:
Tocar assuntos relacionados a problemas de abastecimento de água potável;
Aumentar a consciência pública sobre a importância de conservação, preservação e protecção da água, fontes e suprimentos de água potável;
Aumentar a consciência dos governos, de agências internacionais, organizações não-governamentais e sector privado;
Participação e cooperação na organização nas celebrações do DMA.
Os temas dos DMA anteriores foram:
2009: Água e saúde ; 2008: Saneamento ; 2007: Lidando com a escassez de água ; 2006: Água e cultura ; 2005: Água para a vida ; 2004: Água e desastres ; 2003: Água para o futuro ; 2002: Água para o desenvolvimento ; 2001: Água e saúde ; 2000: Água para o século XXI ; 1999: Todos vivem rio abaixo ; 1998: Água subterrânea: o recurso invisível ; 1997: Águas do Mundo: há suficiente? ; 1996: Água para cidades sedentas ; 1995: Mulheres e Água ; 1994: Cuidar de nossos recursos hídricos é função de cada um.
A partir de 2001 ficou restrito a cada país a adopção da Agenda 21.
Na UE têm assento permanente em órgãos consultivos as maiores transnacionais da água, creditadas entre os cerca de cinco mil "lobbies" oficialmente aceites como interlocutores nas decisões comunitárias. É patente a sua influência nas políticas europeias da água. Particularmente atentatória de uma larga gama de direitos dos cidadãos, a "Directiva dos serviços", mais conhecida como "Directiva Bolkestein", que está actualmente em processo de aprovação, inclui clausulado propiciando a instituição de monopólios privados de captação de água e de controlo dos serviços de abastecimento nos Estados Membros. Os mesmos interesses financeiros de domínio sobre a água tem tido influência incontestável na política do nosso País, cujos Governos e maiorias parlamentares se têm antecipado a eventuais imposições externas na aprovação de legislação e adopção de medidas de favorecimento desses interesses. A política da água portuguesa há mais de uma década tem tido um único sentido: a espoliação dos direitos à água dos portugueses e o estabelecimento de negócios a entregar, mais tarde ou mais cedo, aos poderosos interesses que dominam o "Conselho Mundial da Água". De 1988 a 1995 sucederam-se as alterações legislativas que deram azo ao início da privatização dos serviços de abastecimento de água, recolha e tratamento de águas residuais.
As Nações Unidas, através da resolução A/RES/47/193, de 22 de Dezembro de 1992, declararam o dia 22 de Março de cada ano como o Dia Mundial da Água. Este dia tem sido marcado, desde 1993, com iniciativas várias nacionais e internacionais com o intuito de sensibilizar o público em geral para a necessidade de conservar os recursos hídricos e para algumas questões em particular, também relacionadas com a água. A comemoração do Dia Mundial da Água de 2004 foi coordenado pela Estratégia Internacional da ONU para a Redução de Desastres e pela Organização Meteorológica Mundial, sobre o tema: “Água e Desastres”. No nosso planeta há locais mais vulneráveis que outros a desastres naturais associados ao elemento água, como inundações e secas, deslizamentos de terra, avalanches e tempestades. Os efeitos destes desastres resultam não só das condições geológicas e meteorológicas locais (há solos menos produtivos, mais susceptíveis à erosão e degradação do que outros) como também do nível de desenvolvimento humano local (nomeadamente em termos de actividades económicas), sendo mais severos nos países em desenvolvimento. Tome-se o exemplo do ineficiente ordenamento do território, que permite o crescimento imobiliário irracional e a destruição de florestas e vegetação ripícola em zonas inundáveis, tendo conduzido ao aumento do número de pessoas afectadas pelas inundações.
A ONU defende que os efeitos deste tipo de acontecimentos poderá ser minimizado envolvendo cidadãos, principalmente os de zonas sensíveis, em colaboração com a protecção civil e o instituto de meteorologia, entre outras instituições relacionadas, na elaboração de estratégias de gestão de desastres, incluindo os planos de evacuação. Estas estratégias deverão incorporar não só conhecimentos técnicos como também conhecimentos do fórum social e cultural. É esta visão de prevenção envolvendo cidadãos e técnicos especializados, enfatizada na comemoração do Dia Mundial da Água de 2004, pela ONU, que se julga necessária e urgente estabelecer de forma a reduzir a vulnerabilidade das populações e a melhoria da sua participação activa nas medidas de redução dos efeitos de desastres naturais, através da sua adequada informação e preparação. A ONU ainda vai mais longe, apontando como uma das principais causas do fracasso dos programas para abastecimento e saneamento de água potável em países como a Índia, o Quénia ou o Nepal é a falta de participação das populações. "Não é apenas uma questão de meios", admite Jan Pronk, presidente da Wash (agência especializada da ONU para a água) e ex-ministro holandês do Ambiente. É necessário envolver os cidadãos, informá-los de forma a que se deixe ter como resultado a "incompreensão absoluta entre o prestador [do trabalho] e o beneficiário e, finalmente, a recusa por parte da população de utilizar e pagar o serviço".


Fonte: Departamento Técnico da CONFAGRI
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

 

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