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DIA MUNDIAL DAS BIBLIOTECAS

1º de Julho
 


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
 

Alexandria, além de mercadores e comerciantes, atraiu também artistas, poetas e eruditos. Foi em Alexandria que se constituiu a primeira biblioteca, que reunia uma vasta colecção de obras de escritores gregos clássicos, de 90 mil obras em 400 mil volumes. Durante uns sete séculos, entre os anos de 280 a.C. a 416, a biblioteca de Alexandria reuniu o maior acervo de cultura e ciência que existiu na antiguidade. Ela não contentou-se em ser apenas um enorme depósito de rolos de papiro e de livros, mas por igual tornou-se uma fonte de instigação a que os homens de ciência e de letras desbravassem o mundo do conhecimento e das emoções, deixando assim um notável legado para o desenvolvimento geral da humanidade.
Fascinada por leituras, a jovem princesa Cleópatra visitava quase que diariamente a grande biblioteca da cidade de Alexandria. Mesmo quando César ocupou a maior parte da cidade, no ano de 48 a.C., ela, sua amante e protegida, o fazia acompanhá-la na busca de novas narrativas. O conquistador romano, também um homem de letras, um historiador, ficara impressionado com a desenvoltura cultural dela. Acoplada ao Museu, mandando construir pelo seu ilustre antepassado e fundador da dinastia, o rei do Egipto Ptolomeu I Sóter (o Salvador), que reinou de 305 a 283 a.C. , a biblioteca tornara-se, até aquela época, o maior referencial cientifico e cultural do Mundo Antigo (*). Tudo indica que a construção daquele magnífico edifício no bairro do Bruquéion, nas proximidades do palácio real, deveu-se a insistência de Demétrio de Falério, um talentoso filósofo exilado que encheu os ouvidos de Ptolomeu para que ele tornasse Alexandria uma rival cultural de Atenas. Foi seu sucessor, Ptolomeu Filadelfo (o amado da irmã) que, além de ter erguido o famoso farol na ilha de Faro e aberto um canal que ligava o rio Nilo ao Delta, , logo percebeu as implicações políticas de fazer do Museu e da Biblioteca um poderoso enclave da cultura grega naquela parte do mundo. A nova dinastia de origem grega, chamada dos Lágidas (*), que passara a governar o país dos faraós, ao tempo em que se afirmava no poder, desejou também transformá-lo. Desencravando o trono real da cidade de Mênfis, situada nas margens do rio Nilo, no interior, transferindo-o para Alexandria, nas beiras do mar Mediterrâneo, a nova capital tinha a função de arrancar o milenaríssimo reino do sarcófago em que o enterraram por séculos, abrindo-lhe a cripta para que novos ares adentrassem. Fazer com que o povo, ou pelo menos sua elite, se livrasse de ser tiranizados por sacerdotes e mágicos de ocasião que infestavam o pais. Gente que só pensava em viver num outro mundo, o do Além, e como seriam sepultados. Era o momento deles darem um basta ao Vale dos Mortos e celebrar os hinos à vida, exaltada pela cultura helenística. Mesmo os horrores de uma tragédia de Ésquilo ou Sófocles tinham mais emoção e paixão do que o soturno Livro dos Mortos. Era a hora das múmias e dos embalsamadores cederem o seu lugar aos sátiros e aos cientistas, de pararem de adorar o Boi Apis e se convertessem ao culto dos deuses antropomórficos. Filadelfo, porém, que era um entusiasta da ciência, num ato sincrético, fundindo costumes gregos com egípcios, resolveu reintroduzir o antigo cerimonial existente entre as dinastias do país do faraó esposar a própria irmã, tornando a princesa Arsinoe II a sua mulher. Dizem que um outro Ptolomeu, dito Evergetes (o Benfeitor), morto em 221 a.C., ficou tão obsecado em aumentar o acervo da biblioteca que teria ordenado a apreensão de qualquer livro trazido por um estrangeiro, o qual era imediatamente levado aos escribas que então tiravam uma cópia, devolvendo depois o original ao dono, premiado com 15 talentos. Por essa altura, entre os séculos II e I a.C., Alexandria , que fora fundada por Alexandre o Grande em 332 a.C., assumira, com todos os méritos, ser a capital do mundo helenístico. Centro cosmopolita, por suas ruas, praças e mercados, circulavam gregos, judeus, assírios, sírios, persas, árabes, babilónios, romanos, cartagineses, gauleses, iberos, e de tantas outras nações. A efervescência dai resultante, é que fez com que ela se tornasse um espécie de Paris ou de Nova Iorque daquela época, cuja ênfase maior foi porém a ciência e a filosofia.
(*) Os Lágidas ou Ptolomeus, governaram o Egipto a partir da partilha feita entre os Diadochoi, os diáconos, os generais de Alexandre o Grande, quando da morte deste em 323 a.C. Coube ao primeiro Ptolomeu, auto designado Sóter (o Salvador), tornar-se rei do Egipto no ano de 305 a.C., iniciando uma dinastia que teve 14 Ptolomeus e 7 Cleópatras. A última rainha do Egipto foi Cleópatra VII, que suicidou-se em 30 a.C. , ocasião em que o país caiu sobre a dominação romana de Octávio Augusto.
No princípio, as bibliotecas guardavam pergaminhos, plaquinhas de argila etc., e conseguiam abranger quase toda produção de todas as áreas do conhecimento. Hoje, isso não é mais possível devido ao grande aumento do conhecimento acumulado pela humanidade. Assim, as bibliotecas foram se especializando em determinadas áreas do conhecimento, contudo nem essas bibliotecas conseguem armazenar todos os documentos que são produzidos. Hoje em dia, além de livros, as bibliotecas possuem em seus acervos revistas (periódicos), teses, fitas de vídeo, slides, mapas e CD-ROM. É impossível a qualquer pessoa possuir toda a documentação e informação necessária para desenvolver um trabalho intelectual ou para aprofundar os seus conhecimentos sobre qualquer assunto. Cada vez é maior o número de livros, revistas e outros documentos que se publicam em todo o mundo sobre os mais diversos assuntos. É pois, necessário que existam bibliotecas que reúnam, organizem e difundam grandes volumes de documentação e informação, facilitando assim a vida de todos nós. As bibliotecas são importantes porque existem em toda a parte, dispondo de informação vasta e permitindo que qualquer pessoa possa utilizá-las. O aparecimento do alfabeto veio possibilitar uma nova maneira de escrever que substituiu as chamadas escritas ideográficas. A escrita é uma forma mais prática de conservação e divulgação do conhecimento humano. A escrita permitiu o aparecimento de um número cada vez maior de documentos. O aparecimento de bibliotecas veio permitir guardar, organizar e utilizar melhor estes documentos. As bibliotecas da Antiguidade eram bibliotecas fechadas, espaços reservados que muito poucas pessoas frequentavam. Elas eram principalmente grandes armazéns de documentos escritos em tabuinhas de cerâmica ou rolos de papiro. Na Idade Média os livros eram raros e preciosos. As bibliotecas maiores pertenciam às Igrejas, mosteiros e universidades, mas não possuíam muitos livros, apenas algumas centenas. Com a invenção da imprensa os livros tornaram-se mais acessíveis e aumentou também o número de pessoas que sabia ler. Mas, mesmo assim, o acesso às bibliotecas continuava a ser limitado e passaram ainda muitos anos até qualquer pessoa poder entrar numa biblioteca. Só no século XX é que surgem na maioria dos países bibliotecas públicas, abertas a todas as pessoas e gratuitas. Hoje as bibliotecas são espaços onde podes encontrar resposta para muitas das tuas dúvidas, obter novos conhecimentos, estudar ou simplesmente  ocupares os teus tempos livres. Existem vários tipos de bibliotecas, de acordo com os diversos tipos de utilizadores e necessidades de informação. Podes encontrar bibliotecas em vários lugares e muitas vezes elas estão onde tu nem imaginas.
Há bibliotecas em fábricas e empresas, nas escolas, nos hospitais, em lojas, no município ou em tua própria casa. Muitas bibliotecas, como a tua, são privadas, isto quer dizer que qualquer pessoa não pode ir lá para utilizá-la ou levar livros emprestados. Mas às vezes tu emprestas livros aos teus amigos, sob condições especiais. Ora estas bibliotecas são também especiais porque existem para serem utilizadas só por determinado tipo de pessoas e de acordo com regras também especiais. É o caso das bibliotecas escolares e universitárias, que existem para servir professores e alunos de uma determinada escola ou universidade. Outras bibliotecas são públicas. Estas estão abertas a toda a gente e possuem documentos de todos os tipos (livros, CD audio, revistas, vídeos, CD-ROM) e sobre todos os assuntos. Qualquer pessoa pode entrar numa biblioteca pública e ali permanecer, ou, ainda, levar emprestado para casa quase tudo que quiser.

A Biblioteca do Vaticano:
Com 65.000 manuscritos, que começaram a ser reunidos no século 15, a colecção do Vaticano é uma das melhores do mundo. Mas é também um imenso problema para seus administradores. Como lidar com micróbios que carcomem as folhas e capas dos livros antigos, livrá-los dos danos do tempo e evitar um ou outro roubo esporádico são algumas das tarefas do serviço de manutenção da Biblioteca Apostólica do Vaticano, que enfrenta, agora, um novo desafio: empregar tecnologia do século 21 para manter no melhor estado possível a inestimável colecção. A tecnologia já tem alguns anos na Santa Sé: o Vaticano acredita que seu sistema Pergamon - alusão à cidade antiga da Turquia que sediou uma das maiores bibliotecas do mundo - marca a primeira vez em que um procedimento de informática se aplicou em grande escala a um catálogo bibliotecário. Além disso, a biblioteca começou a colocar chips nos 1,6 milhões de livros que possui. Os pequenos transmissores, que emitem ondas de rádio a centros de monitorizando, permitirá que os bibliotecários saibam se falta algum livro. E, mesmo assim, não acredita que suas dores de cabeça tenham acabado. "Isso é uma miragem, já que um livro que não esteja colocado em seu lugar é como se estivesse perdido", diz Ambrogio Piazzoni, o vice-administrador da biblioteca.
A Biblioteca do Vaticano foi inicia pelo papa Nicolau V, em 1450, com 350 manuscritos em latim. Na época da morte do pontífice, a biblioteca já tinha crescido para 1.500 códigos e era a maior da Europa. Actualmente, é conhecida por sua colecção de manuscritos raros, muitos deles ilustrados com belíssimas iluminuras. A colecção é uma das melhores do mundo, na opinião de John Lowden, director do Centro de Pesquisa de Manuscritos do Instituto Courtauld, da Universidade de Londres.
 "Acho que há três bibliotecas supremas no mundo: a do Vaticano, a Biblioteca Nacional da França e a Biblioteca Britânica", diz Lowden, especializado em manuscritos bizantinos e medievais.
Uma das peças mais importantes da Biblioteca do Vaticano é o Codex B - a Bíblia completa - isto é, com os dois testamentos - mais antiga da história que se tem conhecimento, datada de 325 D.C. Acredita-se que seja uma das 50 bíblias que o imperador Constantino mandou compilar. Além disso, a biblioteca possui 300.000 medalhas e moedas da era romana, embora a maioria das peças mais valiosas tenha-se perdido quando Napoleão invadiu a Itália e as levou para a França. Apesar das medidas de segurança, o Vaticano não conseguiu evitar que sua biblioteca tenha sido vítima de roubos. Em 1996, o professor de história da Universidade de Ohio, Anthony Melnikas, foi condenado a 14 meses de prisão depois de admitir que roubara uma das páginas que arrancou de um manuscrito do século 14, que pertenceu a Petrarca. Melnikas a levou embora durante uma visita de pesquisa, em 1987. A biblioteca ocupa uma série de salões dentro da Cidade do Vaticano, ao lado dos museus. Os estudiosos podem ingressar neles com uma permissão prévia. Nenhuma das peças pode sair do recinto e as regras de uso dos livros e manuscritos são estritas: não se permitem polígrafos, comidas nem bebidas no salão de leitura. Acima do tudo, quem quiser pesquisar suas obras deve saber com exactidão o que procura, já que a colecção de manuscritos, como em outras grandes bibliotecas, não está catalogada.

 

O começo das bibliotecas em Portugal:

As primeiras que se tem conhecimento, estavam ligadas a conventos como Alcobaça, Santa Cruz de Coimbra e Lorvão e remontam ao nascimento da Nacionalidade portuguesa. Os primórdios das primeiras bibliotecas de corte datam apenas do século XV - livros de D. João I, inventário das bibliotecas de D. Duarte e do infante D. Fernando - e foi com D. Afonso V que se organizou, no Paço da Alcáçova (Lisboa) o núcleo da futura Livraria Real. O trabalho de cronista zeloso e conservador das espécies oficiais e privadas exercido por Gomes Eanes de Zurara foi decerto determinante para a conservação dos manuscritos. Até fins do século XVI, altura em que a repressão inquisitorial começou a censurar e confiscar numerosas publicações, foi nesta "livraria" e em bibliotecas privadas, conventuais e universitárias que se guardaram os livros. Em 1796, o rico espólio da Real Mesa Censória (cerca de 60 mil volumes) foi aproveitado para constituir uma biblioteca pública - a Real Biblioteca Pública da Corte - que D. José mandara instalar nas arcadas do Terreiro do Paço (Praça do Comércio - Lisboa). O plano dessa transformação ficara a cargo de Frei Manuel do Cenáculo, então presidente da Real Mesa Censória. Mas a Mesa Censória fora desmembrada em 1793, pelo regresso ao sistema de censura tríplice, após ter sido transformada, em 1787, em Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros - reunindo as censuras do Paço, do ordinário e da Inquisição. A reanimação da biblioteca deixara então de interessar aos tribunais de censura. Mas surgira quem, mais culto, visse aí a oportunidade para tornar realidade a biblioteca pública: António Ribeiro dos Santos fora nomeado zelador da livraria da Mesa e D. Maria Iª mandara remeter os livros proibidos à "Real Biblioteca Pública, que ora sou servida mandar erigir na Corte". Foi assim que a 29 de Fevereiro de 1796 o regente D. João legalizou a Real Biblioteca Pública da Corte, que passaria a Biblioteca Nacional de Lisboa em 1836, sendo transferida para o Convento de São Francisco. O fundo inicial da Biblioteca foi, entretanto, acrescido pela biblioteca da extinta Academia Real da História Portuguesa e por doações particulares - além da colecção inicial de Frei Manuel do Cenáculo, as de D. Tomás Caetano do Bem, António Ribeiro dos Santos, Tomás Norton, D. Francisco Manuel de Melo, etc. - mais tarde, as incorporações resultantes das extinções das ordens religiosas, em 1834 - biblioteca do Mosteiro de Alcobaça - e em 1910, Convento do Varatojo, dos Frades Menores, e dos Colégios de Campolide e do Bairro dos Jesuítas. 
Com o decorrer dos anos, a inadequação das instalações de São Francisco, tornou-se cada vez mais insustentável, chegando-se, finalmente à solução de raiz com o «edifício próprio» -previsto já na lei fundacional, que foi inaugurado em 1969. Na última década, a instituição protagonizou dos mais arrojados esforços da sua história, no campo da informatização que a colocou ao melhor nível do que têm feito as Bibliotecas Nacionais suas congéneres, com a constituição do catálogo colectivo em linha - a Base Nacional de Dados Bibliográficos – , permitindo o rápido acesso a essa informação, ultimamente também através da Internet.
No âmbito aparentemente longínquo, mas estreitamente interrelacionado da preservação e conservação das espécies à sua guarda, começou-se a trabalhar de modo mais coerente nesse mar sem margens, que constitui o campo de acção mais urgente e incontornável de qualquer Biblioteca, para prevenir e atacar a destruição silenciosa do património. Problema estrutural que, na perspectiva do seu tempo, o primeiro Bibliotecário-Mor diagnosticara já, com agudeza e urgência, mas problema adiado que o tempo foi solucionando, das piores maneiras, quando mais não houve a fazer que vender a peso «papel impresso». Desafio do passado, que se configura com maior acuidade nas vésperas do séc. XXI, quando existem soluções concretas e diversificadas se, adequadamente e com urgência, se dispuser dos elevados meios financeiros, técnicos e humanos necessários. Não falta hoje a consciência crítica da responsabilidade que tem uma instituição de memória de conservar e transmitir integralmente uma herança cultural única, riquíssima e ampla, mas extremamente frágil.
Reatando uma tradição fundacional, a Biblioteca tem vindo a acolher com entusiasmo as doações de colecções particulares que, além de perpetuarem a generosidade dos actos respectivos, permitirão reconstituir a memória coleccionista dos seus patrocinadores, ou o traço indelével dos Espólios manuscritos de figuras cimeiras da nossa cultura, tais como Eça de Queiroz, Vitorino Nemésio, Vergílio Ferreira, entre outros; políticos e literatos ligados à geração de 70, etc. Após a necessária inventariação e catalogação, são disponibilizados aos utentes e a equipas universitárias de investigação, que preparam estudos e edições críticas de autores e obras.
E, pode dizer-se, que têm sido as compras de ocasião, em leilões nacionais e internacionais, as mais beneficamente satisfeitas, mercê do recurso ao Mecenato Cultural -de tradição multissecular, mas há poucos anos reinstituído por legislação específica. De facto, por essa via, foi possível trazer à Biblioteca Nacional alguns dos maiores tesouros nacionais em língua portuguesa., quer manuscritos quer impressos. Sirvam, como exemplos paradigmáticos, a compra do único exemplar conhecido do primeiro incunábulo em português - o Tratado de Confissom - ou o da mais recente aquisição dos originais de Mensagem e «O guardador de rebanhos», de Fernando Pessoa. Noutros aspectos, a vida da BN tem sido particularmente marcante. A sua maior abertura ao exterior, ao encontro de público mais vasto que habitualmente não a frequenta, tem-se incrementado através de exposições e mostras biblio-iconográficas, que têm pontuado a animação cultural da Instituição, evocando personalidades ou acontecimentos, estudando tematicamente aspectos da História social e cultural do país, incluindo a própria história do escrito e do impresso. Também no campo editorial, foram alicerçados planos de divulgação selectiva dos fundos, através de bibliografias, estudos, edições fac-similadas e co-edições de maior vulto, em colaboração com diversas entidades públicas e privadas.
Ao cabo de um pouco mais de 200 anos de existência, a Biblioteca Nacional que, à partida, apenas dispunha dos fundos da Biblioteca da Real Mesa Censória, veio a conseguir -por todas as vias e modos que as vicissitudes da história bem testemunham refazer a memória bibliográfica da Nação, que o Terramoto arrasara na Biblioteca Real. 

A Biblioteca da Universidade de Coimbra: Criada em data desconhecida, existia já uma "Livraria do Estudo" quando a Universidade se transferiu definitivamente para Coimbra, em 1537. Em 1705, a "Livraria" passou a viver em diversas instalações precárias até reabrir, em 1777, em edifício próprio, hoje conhecido como Biblioteca Joanina.
A actual designação de Biblioteca Geral data de 1924 e as suas actuais instalações foram inauguradas em 1962. Presentemente, divide-se por dois edifícios, a Biblioteca Joanina (onde se guardam os acervos bibliográficos anteriores a 1800) e o edifício novo, onde se concentram os serviços e a maior parte dos seus fundos, cerca de um milhão de documentos. Ao longo da sua história, foi proporcionando à Universidade e à população sempre mais e melhores serviços, como a extensão do horário diurno para o período nocturno (1934), a orientação dos Estágios do antigo Curso de Bibliotecário-arquivista (1935) e o apoio ao actual Curso de Especialização em Ciências Documentais (1983), a criação do Catálogo Colectivo (1967), o acolhimento da BAD/Centro (1979) e do Centro Interdisciplinar de Estudos Camonianos, a cooperação na PORBASE, etc.
Construído de raiz para albergar a biblioteca universitária, durou a sua construção de 1717 a 1725. Apresenta grande unidade de estilo (edifício, decoração e mobiliário), ao gosto barroco. O risco presume-se ser português, mas ignora-se o nome do arquitecto. Foi Mestre de obras João Carvalho Ferreira. A decoração pintada só foi realizada alguns anos mais tarde, já nas vésperas da Reforma Pombalina: os frescos dos tectos e cimalhas foram executados por António Simões Ribeiro, pintor, e Vicente Nunes, dourador. O grande retrato do Rei é atribuído ao italiano Domenico Duprà e a pintura e douradura das estantes foi realizada por Manuel da Silva. O mobiliário, em madeiras exóticas, brasileiras e orientais, foi executado pelo entalhador Francesco Gualdini. 
Monumento Nacional, as salas joaninas fazem parte do roteiro habitual de visitantes e turistas. Aí se conservam os principais fundos de Livro Antigo (documentos até 1800). Os seus cerca de 1250m2 úteis actuais foram obtidos com o arranjo de dois níveis de caves, para depósito e salas de trabalho, albergando um total de cerca de 200.000 volumes. Nas estantes das três salas visitáveis, estão cerca de 30 mil volumes encadernados, e que podem ser consultados no edifício novo da Biblioteca. O espaço é utilizado com frequência para concertos, exposições e outras manifestações culturais.
Biblioteca Nacional do Brasil: Um dos roteiros possíveis para se escrever a história da Biblioteca Nacional pode ter como ponto de partida o dia 1º de Novembro de 1755, data em que Lisboa foi sacudida por um violento terramoto que marcou de maneira indelével a sua história e a do reino. Vária e vasta é a bibliografia que focaliza tal abalo sísmico, e, ainda, o incêndio avassalador que o sucedeu, provocando perdas materiais incontáveis à cidade, principalmente à parte velha, e consumindo, dentre outros bens, a Real Biblioteca, também conhecida como Real Livraria, considerada uma das mais importantes bibliotecas da Europa, que expressava o interesse dos soberanos portugueses pelos livros.
A destruição da Real Livraria representou perda irreparável para os lusitanos, e sua recomposição foi imediatamente prevista "entre as tarefas emergenciais que visavam reconstruir Lisboa após o acidente de 1755" (Schwarcz, 2002: 34).
Para essa recomposição, D. José I, "amparado por seu ministro Pombal, empenhou-se em juntar o pouco que sobrara" (Idem, p. 139) da Real Livraria e começou a organizar, no Palácio da Ajuda, uma nova biblioteca, que se tornou também preciosa pela composição de seu acervo. O precioso acervo da Real Biblioteca da Ajuda, que em 1807 reunia cerca de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, incunábulos, gravuras, mapas, moedas e medalhas, seria trazido para o Brasil em três etapas (a primeira em1810 e as outras duas em 1811), pouco depois da transferência da Família Real – D. Maria I, o príncipe regente D. João, sua esposa e seus oito filhos - e de parte da Corte para o Brasil, ou seja, após a instalação da sede da monarquia portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, em consequência da invasão de Portugal pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte.
A Biblioteca foi acomodada, inicialmente, nas salas do andar superior do Hospital da Ordem Terceira do Carmo (Alvará de 27 de Julho de 1810), cujo prédio se localizava na Rua Detrás do Carmo, actual Rua do Carmo, nas proximidades do Paço. Essas acomodações, no entanto, foram consideradas inadequadas a tão valioso acervo e, no dia 29 de Outubro de 1810, data atribuída à fundação oficial da Biblioteca Nacional, um decreto do príncipe regente determinou que, no lugar que havia servido de catacumbas aos religiosos do Carmo, se erigisse e acomodasse a "minha Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática, fazendo-se à custa da Real Fazenda toda a despesa conducente ao arranjamento e manutenção do referido estabelecimento". Mas as obras para a acomodação da Biblioteca e, consequentemente, a transferência do acervo somente se concretizariam em 1813. Ainda durante o processo de instalação dos livros, a partir de 1810, a consulta ao acervo da Biblioteca passou a ser facultada a estudiosos, mediante consentimento régio. E, em 1814, já organizado o acervo, a consulta foi, finalmente, franqueada ao público.
Oficialmente estabelecida, a Biblioteca continuou a ter seu acervo ampliado de maneira significativa, através de compras, doações, principalmente, e de "propinas", ou seja, pela entrega obrigatória de um exemplar de todo material impresso nas oficinas tipográficas de Portugal (Alvará de 12 de Setembro de 1805) e na Impressão Régia, instalada no Rio de Janeiro. Essa legislação relativa às propinas foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos e culminou no Decreto nº 1.825, de 20 de Dezembro de 1907, chamado comummente Decreto de Depósito Legal, ainda em vigor.
A partir de Março de 1816, com a morte de D. Maria I, teve início o reinado de d. João, que, no entanto, permaneceu no Brasil até 1821, quando circunstâncias políticas o fizeram retornar a Lisboa com a Família Real, à excepção de seu filho primogénito, "D. Pedro I, que ficava como um braço da monarquia no Brasil" (Idem, p. 354). Ficava também em nosso país a Real Biblioteca, que, nesse momento, já crescera, e muito, e, após a Independência, em 1822, se tornaria propriedade do Império do Brasil, através de compra, conforme consta da Convenção Adicional ao Tratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal, em 29 de Agosto de 1825. A Família Real recebeu uma indemnização de 2 milhões de libras esterlinas pelos bens deixados no Brasil; desse valor, 800 contos de réis destinavam-se ao pagamento da Real Biblioteca, que passou a se chamar, então, Biblioteca Imperial e Pública da Corte.
Na tentativa de se obter acomodações apropriadas ao seu acervo, em 1858, a Biblioteca foi transferida para a Rua do Passeio, número 60, no Largo da Lapa, e instalada no prédio que, actualmente, com algumas modificações, abriga a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seu acervo continuava a ampliar-se com as doações, aquisições e através de contribuição legal; ampliava-se, também, com a compra de colecções de obras raras em leilões e em centros livreiros de todo o mundo. O crescimento permanente do acervo da Biblioteca exigiu, e tornou inadiável, um projecto de construção de um prédio que pudesse melhor acomodar as suas colecções. Assim, foi projectado seu actual prédio, cuja pedra fundamental foi lançada em 15 de Agosto de 1905, no governo republicano de Rodrigues Alves, e cuja inauguração se realizou em 29 de Outubro de 1910, durante o governo Nilo Peçanha.
O edifício da Biblioteca Nacional, cujo projecto é assinado pelo engenheiro Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, caracteriza-se por um estilo eclético, no qual se misturam elementos neoclássicos e art nouveau, e contém ornamentos de artistas como Visconti, Henrique e Rodolfo Bernardelli, Modesto Brocos e Rodolfo Amoedo. Situa-se na Avenida Rio Branco, número 219, Praça da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, e compõe com o Museu Nacional de Belas Artes e o Teatro Municipal um conjunto arquitectónico e cultural de inestimável valor.
Ao longo do século XX, a Biblioteca Nacional diversificou e aperfeiçoou suas actividades, e passou por sucessivas reformas. Em resposta às exigências impostas pela demanda dos pesquisadores, e diante da importância do conjunto bibliográfico e documental sob sua guarda, buscou acompanhar a evolução tecnológica mundial e investiu no aprimoramento dos mecanismos de segurança e preservação do património sob sua custódia; criou e desenvolveu metodologias modernas de catalogação e classificação para seu acervo e adoptou novas tecnologias da informação, para garantir o direito de acesso do cidadão e contribuir para a sua qualificação.
Em 1990 foi transformada em fundação de direito público, vinculada ao Ministério da Cultura, e absorveu parte das funções do Instituto Nacional do Livro, extinto naquele ano. Assim, teve incluídos em sua estrutura organizacional o Escritório de Direitos Autorais- EDA, que responde pelo registro de obras intelectuais, de acordo com a Lei nº 9.610/98, a Agência Brasileira do International Standard Book Number- ISBN e a do International Standard Music Number- ISMN. Passou a coordenar, em nível nacional, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, o Programa Nacional de Incentivo à Leitura- PROLER, o Plano Nacional de Obras Raras -  PLANOR, que visa a inventariar e preservar os livros raros existentes no país, o Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros - PLANO, cujo objectivo é a preservação da informação veiculada pelos periódicos brasileiros. E mais: tornou-se responsável pela promoção e divulgação do autor e do livro brasileiros no exterior, através da participação em feiras internacionais de livros e da concessão a editoras estrangeiras de bolsas de apoio à tradução de escritores brasileiros.
Como uma instituição de excelência, a BN estabelece estreita relação com organismos internacionais, actuando no desempenho de funções referentes à biblioteca, ao livro e à leitura, em seus diversos segmentos. Como centro nacional de informações bibliográficas e documentais, actua como uma biblioteca sem fronteiras, tornando seu acervo disponível a pesquisadores, presenciais e à distância, do Brasil e do exterior, e dando atendimento em seu prédio-sede a cerca de 15 mil usuários/mês.
Dispõe de duas bibliotecas públicas: a Biblioteca Demonstrativa de Brasília - BDB, voltada para o atendimento ao público do Distrito Federal e das Cidades Satélites, que registra uma média de 25 mil usuários/mês; e a Biblioteca Euclides da Cunha - BEC, dedicada ao público infanto-juvenil da Biblioteca Nacional, com a média de 2.500 usuários/mês.
A Biblioteca Nacional está aberta ao público das 9h às 20h, de segunda a sexta-feira, e de 9h às 15h, aos sábados, podendo estar acessível em tempo real através do Portal FBN: www.bn.br.
Considerada a maior biblioteca da América Latina, a BN ocupa o oitavo lugar entre as maiores bibliotecas nacionais do mundo e representa um património que merece ser conhecido por todos os brasileiros.
Primeiramente chamou-se Real Biblioteca, depois Biblioteca Imperial e Pública da Corte e, desde 1876, chama-se Biblioteca Nacional. Sua interessante história vincula-se a uma série de eventos que constituem a História do Brasil e, também, a de Portugal, e pode ser conhecida, com riqueza de detalhes, através, principalmente, dos livros A longa viagem da biblioteca dos reis: do terramoto de Lisboa à Independência do Brasil, de Lilian Moritz Schwarcz; O livro dos livros da Real Biblioteca, também escrito por Lilian Schwarcz, com a colaboração de Paulo Cesar de Azevedo; e, ainda, Biblioteca Nacional: a história de uma coleção, de autoria de Paulo Herkenhoff, que serviram de base para a elaboração deste texto.

Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro - Alma-Mater
O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro possui a maior e mais valiosa biblioteca de obras portuguesas fora de Portugal, com cerca de 350.000 volumes. É uma instituição oferecida pela comunidade portuguesa ao Brasil, como prova de reconhecimento. A biblioteca é pública e funciona de 2.ª a 6.ª das 9 às 18 horas.
O Real Gabinete edita a revista Convergência Lusíada, publicação semestral e promove cursos sobre Literatura, Língua, História, Antropologia e Artes, destinados principalmente a estudantes universitários.
O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro é considerado o primeiro núcleo associativo da colónia portuguesa no Brasil. Foi criado por iniciativa de refugiados políticos, reunidos como sócios instituidores, em número de 43. 
A 14 de Maio de 1837, data oficial de fundação da entidade, foram aprovados os seus estatutos, tendo sido o seu primeiro presidente José Marcelino da Rocha Cabral.
Em 1880, por ocasião do tricentenário da morte de Camões, ocorreu a cerimónia do lançamento da primeira pedra da sua sede (D. Pedro II lançou a pedra fundamental), em estilo neo-manuelino, projectado pelo arquitecto português Raphael da Silva e Castro. 
O edifício foi inaugurado em 10 de Setembro de 1887 pela Princesa Isabel e o Conde D’Eu. Na ocasião, o escritor Ramalho Ortigão afirmou: "se um dia o nome de Portugal houver de desaparecer da carta política da Europa, esta Casa será ainda como a expressão monumental do cumprimento da profecia: ... não se acabe a Língua, nem o nome português na terra".
A 22 de Dezembro de 1888, a Directoria promoveu a solenidade de "instalação da biblioteca", para que a ela assistisse o Imperador. É quando Joaquim Nabuco pronuncia uma frase magistral: "as pedras deste edifício parecem estrofes de Os Lusíadas". As primeiras sessões da Academia Brasileira de Letras, sob a presidência de Machado de Assis, foram realizadas no Real Gabinete. Em 1906, o rei D. Carlos concedeu ao Gabinete o título de Real e, desde 1935, a biblioteca tornou-se beneficiária do Depósito Legal.
Obras Raras e Valiosas: Entre as obras mais raras da biblioteca podemos citar a edição princeps de Os Lusíadas, de 1572, que pertenceu à Companhia de Jesus; as "Ordenações de D. Manuel", por Jacob Cromberger, editadas em 1521; os "Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeran", editados em 1539; "Verdadeira Informaçam das Terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo o Padre Francisco Alvarez", de 1540, etc. Possui ainda os manuscritos autógrafos do "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, e o "Dicionário da Língua Tupy", de Gonçalves Dias.
Além do serviço de biblioteca, com consulta informatizada, o Real Gabinete oferece acesso às mais importantes bibliotecas de Portugal pelo sistema "VIP - Real Gabinete". O Real Gabinete está, actualmente instalando um laboratório próprio de restauração de obras e um espaço multimédia.
Além do acervo bibliográfico, com obras raras, manuscritos, cartas e primeiras edições, o Real Gabinete Português de Leitura possui uma importante colecção de numismática e pinturas de Malhoa, Carlos Reis, Oswaldo Teixeira, Eduardo Malta e Henrique Medina.
Altar da Pátria: Também merece registro o "Relicário da Saudade", em homenagem a Sacadura Cabral e que contém um pergaminho com assinaturas de Pio XII, D. Manuel II de Portugal, D. Afonso XIII da Espanha e Alberto I da Bélgica; o "Altar da Pátria", peça em prata cinzelada e marfim, com 1,70 m de altura, evocativa dos feitos dos navegadores portugueses, que fez parte da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil; e ainda uma placa oval de prata e marfim, repuxada e cinzelada, em homenagem a Camões, com cenas mitológicas representando o Olimpo e que esteve também naquela Exposição.
O Real Gabinete, no seu Centro de Estudos, instalou um centro de áudio, vídeo, multimédia e produtos culturais no edifício anexo (Rua Luís de Camões, 34 – oferecido pela Fundação Calouste Gulbenkian).

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

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