

Dia do Escritor
25 de Julho
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Uma saudação amiga aos colegas
da Escrita - Carlos Leite
Ribeiro
A ESCRITA
http://br.geocities.com
Os primeiros e mais universais
processos de comunicação são o
gesto e a fala. Mas a
necessidade de uma forma
transportável e conservável da
comunicação deu origem ao uso de
objectos (pedras, cordas, etc.)
ou de traços (desenhados,
gravados, riscados, etc.).
O uso dos traços gráficos pode
desenvolver-se em dois sentidos:
a pictografia, isto é, a
representação de objectos e
acontecimentos, e a escrita na
qual os sinais representam
elementos linguísticos.
O emprego desenvolvido da
pictografia encontra-se,
sobretudo, entre as populações
de caçadores e de
pescadores-navegadores com
grupos homogéneos relativamente
densos ou que praticam, em
domínios bastantes largos,
relações regulares de grupo para
grupo. Pensa-se que esta fase
existiu entre as populações que
a história encontra em estágios
mais avançados Classificam-se os
diversos sistemas de escrita das
numerosas línguas, de acordo com
a natureza preponderante dos
respectivos sinais gráficos,
sendo a divisão mais simples
entre escritas ideográficas e
fonográficas.
A escrita foi inventada diversas
vezes, em regiões diferentes: em
toda a parte, e quando existem
informações seguras sobre as
suas origens, vemo-la
desenvolver-se a partir da
pictografia; em parte alguma se
pode seguir um desenvolvimento
completo partindo da pictografia
para a ideografia e desta para o
sistema alfabético. Este parece
ter sido criado uma única vez.
Os sistemas do Egipto e da
Mesopotâmia, com predominância
da ideografia desapareceram,
assim como o sistema Egeu, que
parece Ter sido cultivado
durante bastante tempo num
estado silábico, modalidade de
fonografismo. O sistema chinês,
que é simultaneamente
ideográfico e silabofonográfico,
subsistiu apenas no seu domínio,
enquanto o sistema fonográfico
alfabético, sob as formas
semíticas, indianas, e sobretudo
europeias, se espalhavam cada
vez mais.
Será na Fenícia que surge o
primeiro alfabeto. Os fenícios,
navegadores e comerciantes de
cidades com uma administração
municipal desenvolvida, que
comerciavam com todos os povos
do Mediterrâneo, deviam Ter
feito um uso intenso da escrita
por necessidades práticas. Em
Lataquié, na Síria, foram
encontrados tijolos gravados
contendo sinais que se repetiam
em números de 22. Era o primeiro
alfabeto.
Esta forma de escrita foi
adoptada pelos povos vizinhos,
nomeadamente pelos gregos e
depois pelos latinos. O
estabelecimento de um alfabeto
representa a última fase na
organização da grafia, de acordo
com a análise das palavras em
entidades fónicas sucessivas,
sendo estas - em qualquer língua
- menos numerosas do que as
combinações em sílabas de
estruturas diversas.
Resta acrescentar que a maneira
como cada povo codificou os sons
da sua língua para os
reproduzir, foi muito variado,
como ainda hoje se pode
constatar.
No conjunto, com bastantes
acidentes, nomeadamente o
desaparecimento de sistemas que
não puderam aperfeiçoar-se, a
escrita, que apenas apareceu em
estádios relativamente avançados
da civilização, seguiu os
progressos das civilizações,
quer no sistema, quer no
emprego.
O papel social da escrita variou
igualmente no decurso da
evolução de uma civilização
sempre mais complexa. Os
primeiros empregos da escrita
foram pobres, imediatos e
práticos; é preciso naturalmente
compreender, na prática, os
empregos mágicos cuja
necessidade já não sentimos.
Assim, o amuleto ao lado da
mensagem, as contas comerciais,
o contrato, a inscrição tumular.
O emprego estava também limitado
pelo fato de poucos povos terem
escrita e de nesses povos poucas
pessoas se servirem dela. Eram
geralmente trabalhadores
intelectuais ao serviço de
personagens poderosas, algumas
vezes essas mesmas personagens.
Com o tempo, o
instrumento-escrita substituiu
cada vez mais o
instrumento-memória, e as
genealogias, os textos
religiosos foram passados a
escrito. O copista, um novo
artesão, foi um instrumento
importante do progresso.
Então a massa dos documentos
constituiu uma materialização da
memória colectiva nas mãos de um
maior número de pessoas que
sentiam mais fortes necessidades
de estudo e de instrução.
Os documentos escritos foram
matéria de estudo, facilitaram e
provocaram a reflexão e a
instrução. Podem contar-se entre
eles as placas de argila cozida,
cobertas com caracteres
cuneiformes de povos assírios,
persas e medos, datando de
quatro a três mil anos antes de
Cristo. Estes podiam, ainda,
apresentar-se sob a forma de
leques confeccionados em folhas
de palmeira - método praticado
na Índia e no Ceilão.
No entanto, o momento essencial
na história de todos os povos
civilizados foi aquele em que se
criou o livro. O primeiro
exemplar impresso apareceu na
China a 11 de Maio do ano de
868. Tratar-se da tradução para
chinês da obra indiana de Sutra
do Diamante e o seu impressor
foi o mestre Van Chi. O livro
apresenta-se sob a forma de um
rolo de papel e tem gravada a
imagem do Buda. O primeiro texto
ocidental teria de esperar
alguns anos mais. Assim só em
1455 sai da prensa de Johann
Gutenberg a <> de Mazarino.
O texto só adquiri todo o seu
poder quando se pode multiplicar
e já não é o exemplar único
fechado nos arquivos e no
santuário.
A imprensa nasceu na Holanda com
caracteres móveis, devido a
Coster mas foi Gutenberg quem
generalizou o seu uso. A
imprensa desempenhou um notável
papel na difusão das ideias e na
cultura, que com ela ganhou
progressivamente um carácter
universal. Depois do seu
nascimento, não houve mais
necessidade dos <> (a raridade e
carestia dos livros obrigava a
prendê-los com cadeados às
bancas de estudo). A imprensa
facilitou o trabalho
intelectual, difundiu o gosto
pela leitura e permitiu a
multiplicação rápida dos
originais. Com a imprensa
generalizou-se o <> que havia
tido, como antecessor, na
Antiguidade Clássica, o papiro.
O jornal, o último dos empregos
da escrita, trouxe a todos uma
massa de informações, as quais,
sendo outrora orais, deviam ser
trazidas às assembleias e apenas
circulavam ao acaso dos
encontros.
Chegamos ao ponto de, na
civilização sempre cada vez mais
mecanizada e complicada, ser
normal todo o rapaz e rapariga,
depois de aprender a andar e a
falar, aprender a ler e a
escrever.
Mas as invenções modernas, que o
uso da escrita pelos sábios
tanto contribuiu para criar e
desenvolver, vem fazer
concorrência à velha invenção da
escrita. Fazem-no nos seus
empregos mais frequentes. Entre
eles, as necessidades de
comunicação momentâneas
(mensagens e actos de
publicidade) satisfazem-se cada
vez mais, por um lado, pelo
telefone, por outro lado, pela
rádio e televisão. Igualmente a
rádio, como o cinema, satisfaz
as necessidades que ultimamente
se manifestaram no emprego da
escrita: as da informação,
compreendendo nelas uma parte do
ensino e da distracção. Os
empregos relativamente mais
restritos não estão ainda
ameaçados. A enumeração
mostra-os variados: o livro, sob
todas as formas, desde o livro
de missa ao romance, do manual
escolar ao tratado científico; o
documento único, mas destinado à
conservação, desde agendas de
bolso ou das contas ao contrato
ou ao diploma, e, além disso,
tudo o que a reflexão
materializa, desde o trabalho
escolar ao manuscrito do
escritor ou do sábio.
A escrita, pouco a pouco,
tornou-se prática; lentamente
foi posta à disposição de uma
parte maior da humanidade.
Função do progresso geral, é
para ela um instrumento
essencial.
Classificação da escrita:
A escrita pode ser directa ou
indirecta, conforme o seu tipo
de formação.As escritas
directas ou grafismos são
aquelas que provêm directamente
do homem, através dos gestos.
As escritas indirectas ou
impressões são aquelas
produzidas através de processos
artificiais.
Para melhor entendimento da
classificação da escrita,
reproduzimos o quadro
esquemático a seguir.
ESCRITA - DIRETA - HOMEM -
GRAFISMO ESCRITA - INDIRETA -
MÁQUINA - IMPRESSÃO
ESCRITA DIRETA
HISTÓRICO:
Os desenhos pré-históricos
constituíram os primeiros
registros deixados pelo homem.
A escrita através de letras foi
criada pelos egípcios por volta
de 5000 a C., com os
hieróglifos, termo que significa
"escrita sagrada".
Os primeiros hieróglifos
possuíam escritas pictóricas,
que eram desenhos de imagens, e
com a sua simplificação surgiu a
escrita hierática,
posteriormente a demótica,
contudo sem considerar o
elemento fonético.
O primeiro alfabeto foi criado
pelos fenícios, originando a
escrita fonética, que foi
aperfeiçoada pelos gregos e
romanos, dando origem ao
alfabeto que utilizamos
actualmente.
TIPOS DE GRAFISMOS:
Quanto à forma, os grafismos
podem apresentar-se nas
seguintes configurações:
- assinaturas; - rubricas; -
escritas em cursivo; - escritas
em letras de forma; -
pictografias; - criptografias.
ELEMENTOS TÉCNICOS DO GRAFISMO:
Os elementos técnicos do
grafismo classificam-se em dois
grupos, um derivado das
características da forma do
registro gráfico e outro
decorrente do gesto de escrever.
Os elementos derivados do estudo
da forma do registro gráfico são
os genéricos e representam a
morfologia do grafismo. São
eles:
- inclinação axial; -
espaçamentos; - calibre; -
comportamentos em relação às
linhas de base e de pauta; -
relação de proporcionalidade
gráfica; - valores angulares e
curvilíneos.
Os elementos derivados do estudo
do gesto são decorrentes do
efeito dinâmico das interacções
das forças aplicadas no ato de
escrever (progressão + pressão),
e são denominados genéticos.
Antes de apresentarmos o rol
desses elementos devemos nos
direccionar ao estudo da Física,
no capítulo da Dinâmica, para
melhor compreensão do processo
de formação do grafismo.
Sendo a escrita um movimento
uniformemente variado, gerando
pela aplicação de forças, com
intensidades variadas a até
mesmo nulas, é fundamental o
conhecimento das Leis de Newton
para o bom entendimento do seu
desenvolvimento. Nesse sentido
cabe destacar o seguinte:
Força - é um agente físico de
grandeza vectorial (intensidade,
direcção e sentido) e capaz de
iniciar movimentos, alterar a
velocidade dos corpos e produzir
deformações.
Princípio da inércia ou Lei de
Newton - quando a resultante das
forças agentes num corpo é nula,
sua velocidade vectorial
permanece constante.
Princípio fundamental ou 2ª Lei
de Newton - a resultante das
forças que agem num ponto
material comunica-lhe uma
aceleração na mesma direcção e
sentido. A intensidade dessa
aceleração é directamente
proporcional à intensidade da
resultante que a provoca.
Princípio da ação e reacção ou
3ª Lei de Newton - toda vez que
um corpo "A" aplica uma força a
um corpo "B", recebe deste uma
força de mesma intensidade,
mesma direcção e sentido
contrário.
Através desses postulados temos
a confirmação da importância do
estudo da Dinâmica para a
Grafologia, pois todos os
fundamentos desses princípios
estão presentes nos grafismos,
tais como os inícios dos
movimentos, as alterações de
velocidades, o atrito e as
deformações.
As forças e os movimentos
produzidos pelo gesto gráfico
podem ser avaliados através de
particularidades do traçado,
tais como mudanças de direcções,
inversões dos sentidos, tipos de
sulcagens, níveis de
entintamento e paradas de pena.
Essas particularidades são
devidamente estudadas através
dos seguintes elementos
genéticos:
- Dinâmica (pressão; progressão)
- Trajectória (ataque;
desenvolvimento; remate; mínimos
gráficos; momentos gráficos)
Esses elementos estão
relacionados às forças que
produzem o grafismo, permitindo
ao perito estudar os movimentos
do gesto gráfico para
identificar a sua origem
(escritor).
Essa classificação diverge
daquela estabelecida no passado
pelos tradicionalistas, apesar
de envolver praticamente os
mesmos elementos.
Os tratadistas do passado não
analisaram a formação do
grafismo pela Física, o que
determinou uma classificação de
elementos sem respaldo
científico, com evidentes
equívocos.
Confundiram progressão com
velocidade e tentaram avaliar o
movimento de forma subjectiva,
através de elementos
inexistentes, tais como o ritmo
e a qualidade do traçado.
Consideraram as forças como
elementos subjectivos, talvez
porque não tenham conseguido
medi-las, desconhecendo que elas
são grandezas vectoriais com
intensidades, direcções e
sentidos.
A classificação ora proposta
visa corrigir essas distorções,
sistematizando de forma lógica e
científica os elementos técnicos
do grafismo.
PRINCÍPIOS E LEIS DO GRAFISMO
Princípio fundamental
A estrutura básica em que se
assenta o exercício da perícia
grafoscópica decorre do
princípio fundamental do
individualismo gráfico.
A evidencia física desse fato,
de incontestável veracidade
teórica e prática, permitiu à
perícia de documentos a sua
aceitação em todos os tribunais
do mundo, como prova científica
da mais alta relevância.
A gesticulação que produz a
escrita origina-se do cérebro e
se manifesta através dos órgãos
musculares, redundando em sinais
sensivelmente individualizadores,
personalíssimos e
inconfundíveis.
A prática tem demonstrado,
incansavelmente, a circunstância
eventual de dois punhos
diferentes produzirem escritas
semelhantes, ou até mesmo muito
parecidas, sem, entretanto, se
confundirem. A análise pericial,
levada a efeito com justeza e
competência, encarrega-se de
distinguir; com absoluta
segurança, as origens desta e
daquela escrita. Se assim não
fosse, a Grafoscopia estaria
desacreditada.
No campo das falsificações é
onde o perito exerce a sua mais
alta capacidade profissional,
cabendo-lhe a difícil tarefa de
fornecer subsídios
técnico-científicos com absoluta
precisão, apontando a existência
da fraude.
Sendo a escrita constituída de
alentado número de elementos
genéricos, aliado a
particularidades grafocinéticas,
a que se deve acrescentar a
possibilidade da existência de
"mínimos" gráficos
inconfundíveis, torna-se fácil
compreender o elevado grau de
característicos unipessoais
competentes de uma escrita,
permitindo sua identificação
firme e segura.
Solange Pellat, no seu livro Les
lois de l´écriture, formulou
quatro leis essenciais, de
natureza prática, que deram à
Grafoscopia um respaldo
científico de incontestável
valor, pela sua extraordinária
objectividade.
Por isso mesmo essas leis se
aplicam indistintamente a
qualquer alfabeto, constituindo
um verdadeiro "princípio
inicial", assim enunciado:
"As leis da escrita são
independentes dos alfabetos
empregados".
Tal circunstância decorre,
evidentemente, do princípio
fundamental do individualismo
gráfico, implícito em todas as
manifestações do insigne mestre
Solange Pellat, no seu valioso
livro.
LEIS DE SOLANGE PELLAT
São as seguintes:
1a. Lei da escrita
"O gesto gráfico está sob a
influência imediata do cérebro.
Sua forma não é modificada pelo
órgão escritor se este funciona
normalmente e se encontra
suficientemente adaptado à sua
função."
O enunciado desta lei deixa
claro que sendo o cérebro o
gerador do gesto gráfico, desde
que o mecanismo muscular esteja
convenientemente adaptado à sua
função, ele produzirá escrita
sempre com as mesmíssimas
peculiaridades.
Assim sendo, aquele que escreve,
por exemplo, com a mão direita,
se passar a fazê-lo com a
esquerda, após sucessivos
treinamentos apresentará escrita
com idênticas características
grafocinéticas.
O mesmo ocorrerá com escritas
produzidas com a boca, ou com os
pés, conforme é farta a
literatura a respeito, provada
pela casuística pericial. A
circunstância de os loucos não
escreverem, voltando a fazê-lo
nos eventuais momentos de
lucidez, é a maior evidência da
premissa da 1a. lei de Solange
Pellat.
2a Lei da escrita
"Quando se escreve, o 'eu' está
em ação, mas o sentimento quase
inconsciente de que o 'eu' age
passa por alternativas contínuas
de intensidade e de
enfraquecimento. Ele está no seu
máximo de intensidade onde
existe um esforço a fazer, isto
é, nos inícios, e no seu mínimo
de intensidade onde o movimento
escritural é secundado pelo
impulso adquirido, isto é, nas
extremidades."
Esta lei se aplica precisamente
aos casos de anonimografia, onde
o esforço inicial dos disfarces
é muito mais acentuado, perdendo
sua intensidade à medida que a
escrita vai progredindo.
Incidindo no automatismo
gráfico, o escritor aproxima-se
de sua escrita habitual,
deixando elementos que poderão
incriminá-lo. O mesmo pode
ocorrer nos casos de
falsificação, demonstrando a
conveniência de um exame mais
atento nos finais dos
lançamentos, onde os maneirismos
gráficos ocorrerão com mais
frequência.
3a Lei da escrita
"Não se pode modificar
voluntariamente em um dado
momento sua escrita natural
senão introduzindo no seu
traçado a própria marca do
esforço que foi feito para obter
a modificação."
Na prática essa lei tem
aplicação nos casos de
autofalsificação, podendo
ocorrer em outras simulações,
obviamente. Em qualquer deles o
simulador se trairá, através de
paradas súbitas, desvios, quebra
de direcção ou interrupções,
cabendo ao técnico interpretar
convenientemente essas
particularidades.
4a Lei da escrita
"O escritor que age em
circunstâncias em que o ato de
escrever é particularmente
difícil, traça instintivamente
ou as formas de letras que lhe
são mais costumeiras, ou as
formas de letras mais simples,
de um esquema fácil de ser
construído."
Sempre que se torna penoso
escrever, em circunstâncias
desfavoráveis, prevalecerá a
"lei do mínimo esforço",
resultando em simplificações,
abreviaturas, letras de forma ou
esquemas pouco usuais, buscando
abreviar os lançamentos.
Na prática são comuns casos
dessa natureza em escritas
produzidas em veículos em
movimento, em suportes
inadequados, em posições
desfavoráveis, por pessoas
enfermas ou em situações que
demandem extrema urgência, de
tudo resultando excelente
cabedal gráfico para precisas
conclusões periciais.
VARIAÇÕES DA ESCRITA:
As demências, dependendo do seu
tipo e intensidade, provocam
alterações formais intensas, não
raro permanentes.
Pellat asseverou que, quando um
demente manifesta alegria ou
sentimento de grandeza. A
escrita, no tocante à sua forma,
pode sofrer modificações por
três espécies de causas:
involuntárias; voluntárias e
patológicas.
As causas involuntárias se
distribuem por dois grupos: os
normais e os acidentais. As
modificações formais decorrentes
das causas involuntárias normais
são as que dizem respeito à
própria evolução e posterior
evolução do gesto gráfico.
A escrita, do inicio do
aprendizado, até sua plena
efectivação, formalmente, passa
por vários patamares, como o da
escrita canhestra, que constitui
mais uma cópia de modelos do que
propriamente escrita; o da
escrita escolar, quando o
escritor já abandona os modelos
e escreve, ainda com relativa
morosidade, caligrafando as
formas e, finalmente, o da
automatização, quando o escritor
redige com grande dinamismo,
emprestando ao gesto gráfico sua
própria individualidade.
A partir desta fase, que
constitui o apogeu da escrita,
com a idade avançada, perde-se a
tonicidade somática do órgão
escritor e com a maior lentidão
dos reflexos, a escrita involuí,
aproximando-se, às vezes, da
primária. É a escrita senil.
A escrita pode ser alterada em
função de causas que independem
da vontade do escritor. Essas
causas são de duas naturezas: as
intrínsecas e as extrínsecas.
Entre as causas intrínsecas, as
emoções, alterando o
comportamento psicossomático,
motivam modificações mais ou
menos profundas no grafismo.
A euforia, com a aceleração da
circulação e consequente maior
irrigação no cérebro, aumenta,
via de regra, a velocidade do
lançamento.
Em contraposição, a depressão,
relaxando o sistema muscular e
cerebral, às vezes, dependendo
da pessoa, determina redução no
dinamismo gráfico.
O pavor, aumentando a tensão
nervosa, resulta numa escrita
pesada, de grande extensão,
podendo ser desprezadas as
ligações entre os caracteres.
A atenção no ato de escrever
pode ter maior ou menor
intensidade e influi no gesto
gráfico. Quando se presta muita
atenção no ato de escrever, a
escrita tem velocidade menor do
que a habitual, as formas são
bem feitas e lançadas com
firmeza. Diminuindo a atenção, a
escrita já se torna mais rápida,
como se o escritor tivesse
pressa em terminar o texto e,
com isso, as formas ficam
seriamente prejudicadas,
chegando a ponto do lançamento
se tornar ilegível.
A ira, com forte derramamento de
adrenalina na corrente
sanguínea, altera as condições
dos sistemas somáticos e
cerebrais. Em razão disso, a
escrita é feita com traços
fortes, com grande pressão do
punho, são amplos e as ligações
podem desaparecer.
O estado de embriaguez,
modificando o comportamento
físico e mental do escritor,
provoca alterações mais ou menos
graves na forma gráfica. Nos
casos mais agudos, o escritor
sequer tem possibilidade de
escrever.
As causas extrínsecas são as
alheias ao sistema produtor da
escrita cerebral e muscular.
São inúmeras as causas desse
tipo, razão pela qual serão
citadas as mais frequentes:
Mau estado do instrumento
escrevente, obrigando o escritor
a fazer grande esforço para
escrever; · Posição incómoda no
ato de escrever. Há pessoas que
não sabem escrever em pé; ·
Suporte inadequado, escritas
feitas em superfícies ásperas ou
irregulares, como paredes, ou em
suporte de tamanho reduzido, que
obriga a aglutinação dos
lançamentos; · Iluminação
inadequada, obrigando o escritor
a um esforço visual muito
grande; · O calor, que gera um
relaxamento da musculatura; · O
frio, que provoca a perda da
elasticidade do sistema
somático.
As causas voluntárias são as
modificações que
propositadamente o autor
introduz na sua escrita
habitual, seja quando disfarça,
seja quando imita a escrita de
terceiros.
As causas patológicas acarretam
deformações na estrutura da
escrita e podem ser passageiras
ou irreversíveis, dependendo da
natureza e da intensidade do
morbo.
Roger de Fursac , distingue dois
tipos de alterações nas escritas
em consequência de moléstias
nervosas: as da função motriz,
isto é, da mecânica muscular e
as da função psíquica, ou seja,
do cérebro.
No primeiro caso se encontram as
modificações provocadas pela
Coreia, cujos movimentos
deformam a grafia, e dependendo
do grau de intensidade, pode até
ocorrer a impossibilidade de
escrever, a agrafia.
A ataxia altera a função
coordenadora e afecta o domínio
do movimento. A escrita perde o
ritmo, apresenta caracteres de
proporções desmedidas. Surgem
tremores horizontais e
verticais.
O tremor vertical é próprio do
alcoolismo crónico. O tremor
horizontal é típico das escritas
envelhecidas e da doença
conhecida como Mal de Parkinson,
que causa a diminuição do
calibre das letras, na tentativa
do paciente evitar os tremores.
As alterações de ordem psíquica
são o esquecimento das imagens
gráficas, a regressão da
qualidade do grafismo e a
morfologia extravagante.
O esquecimento dos moldes
gráficos ocorre nos casos de
demência e de epilepsia.
Na regressão a escrita se
desproporciona, se
despersonaliza e volta aos
moldes primários colegiais.
Sob a influência da excitação
cerebral, a escrita, em certas
doenças mentais, pode ser rápida
e dinâmica. Na depressão, ao
contrario, lenta e arrastada.
Segundo os grafopatologistas as
doenças que afectam o estômago,
o fígado, o sistema
gastrointestinal, o coração e o
útero têm reflexos na forma da
escrita.
Essas alterações, todavia, na
maioria dos casos, são
passageiras, perduram apenas
durante a enfermidade.
Desaparecidas as causas, cessam
os efeitos. Estas manifestações
têm uma característica especial,
inerente à enfermidade, que não
provocam nos seus grafismos as
mesmas circunstancias que podem
ocorrer nas das pessoas normais.
ESCRITA INDIRETA:
Em virtude de serem produtos de
processos artificiais, as
escritas indirectas não podem
ter uma classificação
definitiva, pois são constantes
os desenvolvimentos de novas
tecnologias, muitas com
processos inéditos, como por
exemplo as recentes técnicas que
utilizam o magnetismo, a
electricidade e a química, cujos
exemplos de maior destaque são
as impressões matriciais e a
laser, as cópias electrostáticas
(xerox e fax) e as escritas em
vídeos.
Utilizando-se das mais avançadas
tecnologias da Química e da
Física, o homem vem criando
técnicas revolucionárias nas
Artes gráficas, e, com o avanço
da Informática, temos
acompanhado o precoce
envelhecimento das máquinas de
dactilografia.
Apesar da dificuldade em se
classificar as escritas
indirectas, pelos motivos já
expostos, podemos destacar os
três grupos principais, baseados
nos processos mais utilizados
actualmente na elaboração de
documentos, ou seja:
- Mecanografias (processo
mecânico); - Reprografias
(processo electrostático);; -
Fotografias (processo químico).
As principais características
dos processos e impressões
resultantes das escritas
indirectas são as seguintes:
MECANOGRAFIAS
a) Datilografia - processo
mecânico realizado através de
máquinas de escrever, que
possuem leques de hastes
metálicas ou margaridas
plásticas com os tipos em
relevo.
A impressão é realizada mediante
a pressão dos tipos sobre uma
fita entintada (nylon ou
polietileno) e o suporte.
As máquinas são operadas
manualmente, podendo ser
accionadas através do esforço do
próprio dactilógrafo (máquinas
manuais) ou de motor eléctrico
(máquinas eléctricas).
As impressões resultantes do
processo dactilográfico
apresentam as seguintes
características:
- tipos entintados e/ ou
sulcados; - espaçamentos
próprios entre os tipos ee
linhas; - estilo, volume e
proporção das letras;; - peso da
impressão nas extremidades doss
tipos; - relação de alinhamento
entre as letrass no sentido
horizontal e também no vertical;
- defeitos constituídos por
mutilações oou arranhaduras do
tipo em decorrência dos
acidentes naturais e uso da
máquina.
As máquinas de escrever são
fabricados desde 1873, quando
surgiu no mercado o primeiro
modelo da Remington, e ainda
continuam a ser produzidas por
vários fabricantes, em diversas
partes do mundo.
Tratando-se de um processo
simples e barato, a
dactilografia é um dos meios de
escrita indirecta mais
difundidos no mundo, e o seu
estudo é fundamental para os
especialistas da Grafoscopia.
Através dos exames das
características das impressões,
e até mesmo de particularidades
do texto, pode-se determinar com
precisão a máquina ou mesmo o
dactilógrafo de um documento,
bem como outros dados de sua
origem.
b) Impressão matricial - é o
processo através do qual os
caracteres são produzidos por
sequências ordenadas (vertical e
horizontal) de pontos impressos
por impactos de agulhas sobre
uma fita entintada e o suporte.
Esse processo foi introduzindo
no mercado em 1968 pela Seiko
Epson com a fabricação da
primeira impressora matricial.
O modo de impressão consiste na
movimentação bidirecional da
cabeça-suporte das agulhas
impressoras (9 ou 24), mediante
o comando de computador.
As impressoras possuem fontes
residentes com diversas
configurações e podem imprimir
em formulários contínuos ou
folhas soltas. As impressões
podem ocorrer por jato de tinta
ou através de fita entintada, em
variadas velocidades e
resoluções gráficas.
A circunstância de existirem
fontes personalizadas produzidas
através de software exclusivos
pode gerar dificuldades nos
exames grafoscópicos, pois tal
ocorrência é um grande obstáculo
na identificação da origem da
impressão.
c) Tipografia - é o processo que
utiliza como matriz fios de
latão e clichés resultantes da
união de vários tipos (monotype)
ou fundidos numa só linha
metálica (linotype).
O processo utiliza tinta pastosa
de alta viscosidade para
imprimir, sendo cada caracteres
representado por um tipo
metálico, geralmente constituído
por liga de chumbo, antimónio e
estanho.
Tal como no processo
dactilográfico, as impressões
apresentam características
próprias, passíveis de ser
examinadas para a determinação
da origem.
A tipografia é um processo muito
utilizado nos impressos de baixa
tiragem, como os cartões, notas
fiscais etc.
d) Flexografia - é muito
utilizado em impressões de
embalagens e de borracha e a
tinta utilizada é de baixa
viscosidade e rápida secagem.
Esse processo é muito utilizado
em impressões de embalagens e de
carimbos que são costumeiramente
examinados pelos especialistas
da Grafoscopia.
e) Letter-set - é a impressão
tipográfica indirecta, rotativa.
Também é conhecida como off-set
seco, pois a impressão da chapa
é transferida para o cauchu, que
imprime sobre o papel, sendo,
pois, indirecta.
A tinta é pura, não se usando
água no processo off-set
convencional.
É um sistema que apresenta
tintagem intensa e uniforme de
impressão, nem sempre obtidas no
off-set.
f) Litografia - é o processo da
planografia que emprega como
forma de impressão uma pedra à
base de carbonato de cálcio, e é
baseado na repulsão entre a água
e os corpos gordurosos.
Esse sistema, artesanal, não é
utilizado na indústria papeleira,
pois a produção é pequena e
incomparavelmente inferior ao
processo off-set que utiliza o
mesmo princípio, porém com
chapas metálicas em vez de
pedras.
g) Off-set - processo resultante
da evolução da litografia,
também baseado no princípio da
repulsão entre as tintas graxas
e a água, porém com três
cilindros, o da chapa, o do
cauchu e o de impressões.
O off-set é o processo
comummente utilizado na
impressão de grandes tiragens,
como os livros, revistas,
impressos de propaganda e
cartazes.
Trabalho e pesquisa de Carlos
Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal
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