Elis Regina, foi uma
das mais famosas
cantoras brasileiras,
nasceu em Porto Alegre
RS a 17 de Março de 1945
e morreu em São Paulo a
19 de Janeiro de 1982.
Em 1965, venceu a Iº
Festival de Música
Popular Brasileira, da
TV Excelsior de São
Paulo, com a canção
“Arrastão” de Edu Lobo e
Vinicius de Moraes,
assim iniciando uma
carreira fulgurante
começada efectivamente
em 1956. Em 1968
participou no festival
MIDEM, de Cannes
(França) onde
interpretou “Upa
Nequinho”, actuando
nesse mesmo ano, e com
grande sucesso, no
Olympia de Paris. A
"pimentinha", como era
chamada, tinha a
perfeição como meta.
Exigia muito de seus
músicos e compositores,
exigia de sua gravadora,
exigia de sua voz.
Ganhávamos nós, o
público. Foi a primeira
pessoa que inscreveu sua
voz como instrumento, na
Ordem dos Músicos do
Brasil. E era. A voz de
Elis soava como
instrumento afinado, não
perdendo, nem por um
minuto, o carisma e a
emoção em cada canção.
Envolveu-se com tudo de
forma radical - com a
música, com a política,
com a vida. Maldita para
muitos, Elis tinha
sempre a frase certeira,
a mente afiada,
propósitos firmes: "Cara
feia pra mim é bode...
Sou mais ardida que
pimenta!".
Desde os 11 anos se
apresentava na Rádio
Farroupilha, cantando.
Fez parte do elenco fixo
da emissora, onde
trabalhou por algum
tempo. Em 1959 assinou o
primeiro contrato
profissional, na Rádio
Gaúcha, e no ano
seguinte foi para o Rio
de Janeiro, onde gravou
o primeiro compacto,
pela Continental. A
mesma gravadora em 1961
lançou seu primeiro LP,
"Viva a Brotolândia",
com calipsos e rocks. Em
seguida voltou para
Porto Alegre, onde ficou
até 1964, quando
regressou
definitivamente para o
Rio. Cantou no Beco das
Garrafas, reduto da
bossa nova, onde teria
aprendido com o
bailarino americano
Lennie Dale a célebre
coreografia que lhe
valeu o apelido de
"Hélice Regina".
Contratada pela TV Rio,
passa a trabalhar ao
lado de Jorge Ben,
Wilson Simonal e outros.
Tornou-se conhecida
nacionalmente em 1965,
ao sagrar-se vencedora
do I Festival de Música
Popular Brasileira da TV
Excelsior, defendendo a
música "Arrastão", de
Edu Lobo e Vinicius de
Moraes. Em seguida
gravou "Dois na Bossa"
ao lado de Jair
Rodrigues, com tal êxito
que nos anos seguintes
foram lançados os
volumes 2 e 3. Foi ao
lado de Jair que
apresentou um dos
programas musicais mais
importantes da música
brasileira, O Fino da
Bossa, estreado em 1965
na TV Record. O programa
foi o responsável pelo
lançamento de diversos
artistas e sucessos,
como "Canto de Ossanha"
(Baden Powell/ Vinicius
de Moraes), "Louvação"
(Gilberto Gil/ Torquato
Neto) e "Lunik 9"
(Gilberto Gil). A partir
daí a carreira solo de
Elis descola. Seu disco
"Elis", de 1966, traz
"Canção do Sal", de
Milton Nascimento,
gravado aí pela primeira
vez. Elis foi a primeira
intérprete a gravar
músicas de alguns
compositores que se
tornariam consagrados,
como Milton, Ivan Lins
("Madalena"), Tavito/ Zé
Rodrix ("Casa no Campo")
e Belchior ("Como Nossos
Pais"). Participou de
festivais e de
movimentos
político-musicais, como
a "passeata contra as
guitarras", que visava à
preservação das "raízes"
da MPB contra a invasão
estrangeira.
Intensificou sua
carreira no exterior em
1969, ano em que fez
show nas principais
capitais europeias e
latino-americanas. Um de
seus discos mais
marcantes, "Elis e Tom"
(com Tom Jobim), foi
gravado em 1974 nos
Estados Unidos, onde
também tornou-se
popular. No ano de 1979
participou do Festival
de Jazz de Montreux, na
Suíça, e gravou um de
seus maiores sucessos,
"O Bêbado e a
Equilibrista", de Aldir
Blanc e João Bosco,
dupla que lhe forneceria
inúmeros sucessos, como
"Caçador de Esmeraldas",
"Mestre-sala dos Mares",
"Dois pra Lá, Dois pra
Cá". Outras
interpretações que
entraram para a história
foram "Upa, Neguinho" (Edu
Lobo/ G. Guarnieri),
"Águas de Março" (Tom
Jobim), "Ponta de Areia"
(Milton Nascimento/
Fernando Brant), "Folhas
Secas" (Nelson
Cavaquinho/ Guilherme de
Brito) e "Romaria"
(Renato Teixeira).
Depois de sua morte, em
1982, decorrente de
overdose de drogas,
foram lançados discos
com gravações inéditas e
colectâneas. Foi
homenageada em 1995 no
prémio Sharp de música.
Foi Elis quem também
lançou boa parte dos
compositores até então
desconhecidos, como
Milton Nascimento,
Renato Teixeira, Tim
Maia, Gilberto Gil, João
Bosco e Aldir Blanc,
Sueli Costa, entre
outros. Um dos grandes
admiradores, Milton
Nascimento, a elegeu
musa inspiradora e a ela
dedicou inúmeras
composições.
Elis Regina criticou
muitas vezes a ditadura
brasileira, nos difíceis
Anos de chumbo, quando
muitos músicos foram
perseguidos e exilados.
A crítica tornava-se
pública em meio às
declarações ou nas
canções que
interpretava. Em
entrevista, no ano de
1969, teria afirmado que
o Brasil era governado
por gorila (há ainda
controvérsias em relação
a essa declaração.
Existem arquivos dos
próprios militares onde
ela se justifica dizendo
que isso foi criado por
jornalistas
sensacionalistas). A
popularidade a manteve
fora da prisão, mas foi
obrigada pelas
autoridades a cantar o
Hino Nacional Brasileiro
durante um espectáculo
em um estádio, fato que
despertou a ira da
esquerda brasileira.
Sempre engajada
politicamente, Elis
participou de uma série
de movimentos de
renovação política e
cultural brasileira, com
voz activa da campanha
pela Amnistia de
exilados brasileiros. O
despertar de uma postura
artística engajada e com
excelente repercussão
acompanharia toda a
carreira, sendo
enfatizada por
interpretações
consagradas de O bêbado
e a equilibrista (João
Bosco e Aldir Blanc), a
qual vibrava como o hino
da amnistia. A canção
coroou a volta de
personalidades
brasileiras do exílio, a
partir de 1979. Um
deles, citado na canção,
era o irmão do Henfil, o
Betinho, importante
sociólogo brasileiro.
Outra questão importante
se refere ao direito dos
músicos brasileiros,
polémica que Elis
encabeçou, participando
de muitas reuniões em
Brasília. Além disso,
foi presidente da Assim,
Associação de
Intérpretes e de
Músicos.
Entre os sucessos
mais consagrados, estão:
Arrastão; Canção do sal;
Redescobrir; Aprendendo
a jogar; Casa no campo;
Fascinação (*); Maria
Maria; Romaria;
Cartomante; Corcovado;
Upa, neguinho!; O Bêbado
e a Equilibrista;
Aquarela do Brasil;
Águas de Março; Retrato
em preto e branco; Alô,
Alô Marciano; Chega de
Saudade; Carolina;
Dinorah Dinorah; Canção
da América; Travessia;
Saudosa maloca; Me
Deixas Louca; Aviso aos
Navegantes; Folhas
Secas; Tiro ao Álvaro;
Iracema; Aquele Abraço;
Como Nossos Pais; Doente
Morena; Ensaio Geral;
Fechado pra Balanço;
Ladeira da Preguiça;
Louvação; No Dia em que
Eu Vim Embora; Meio de
Campo; O Compositor Me
Disse; Gracias a la
vida; Oriente; Rebento;
Roda; Se Eu Quiser Falar
com Deus; Viramundo; e
muitos outros êxitos.