Emissora Nacional Portuguesa
(percursora da actual RDP – Rádio Difusão
Portuguesa)
“Cantando, Espalharei por Todo a Parte”
01 de Agosto de 1940
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro
ASSIM NASCEU A RÁDIO...
A Rádio foi o primeiro meio de comunicação
ao dispor do homem moderno, que assumiu este
aspecto fascinante: falar, ao mesmo tempo, a
um indivíduo e a uma massa colectiva.
Salienta-se, no entanto, mais uma vez, o
facto essencial de que a Rádio se dirigir
especialmente a um só ouvinte isolado,
embora atingindo simultaneamente uma soma
considerável de outros ouvintes também
isolados.
No entanto, este isolamento pode não ser
físico, e muitas vezes não o é - mas sim um
isolamento interior..
A Rádio de degrau em degrau
Séc.XIX
Michael Faraday Demonstrou que a corrente
eléctrica produz um campo magnético local e
que a energia retorna ao circuito quando a
corrente é interrompida ou alterada.
James Maxwell
Provou matematicamente, em 1864, que a
energia electromagnética se propaga por
ondas à velocidade da luz
Thomas Edison
Descobriu a emissão de electrões por um
filamento aquecido no vazio. O Efeito de
Edison será a base da descoberta dos tubos
de vácuo
Heinrich Hertz
Em 1888, testou a tese de Maxwell,
demonstrando a sua veracidade
Edouard Branly
Inventou, em 1890, o detector de ondas
electromagnéticas a que chamou coesor
Guglielmo Marconi
Em 1894, com 20 anos, Marconi desenvolveu
as primeiras experiências hertzianas usando
um gerador de faísca como emissor ligando
uma extremidade à antena e outra à terra.
Como receptor utilizou o mesmo processo,
enviando um sinal rádio a uma distância de 9
m, no jardim
Em1899, após aumentos progressivos de
distâncias, o sinal de rádio atravessa o
Canal da Mancha. Em 12 de Dezembro de 1901,
a TSF era possível sobre o Atlântico, desta
vez utilizando o coesor de Branly como
receptor
Séc. XX
John Ambrose Fleming Descobre, em 1904, o
efeito unidireccional da corrente num tubo
de vácuo contendendo um filamento (cátodo) e
um eléctrodo (ânodo). Estava descoberto o
díodo, ou válvula de Fleming
Lee de Forest Resolve o problema crucial da
detecção das ondas hertzianas ao introduzir
uma grelha entra a placa e o filamento.
Estava criado o tríodo, ou audion. O salto
para a radiodifusão sonora tinha sido dado
em 1906
Lee de ForestReginald A. Fesseden
Na noite de Natal de 1906, leu a História de
Natal do Evangelho de S. Lucas, tocou
violino e passou uma gravação do Largo de
Handel desejando a todos um feliz Natal. Era
o primeiro programa radiofónico, transmitido
a partir do seu laboratório em Brant Rock,
Massachussets
1914 - Início da radiodifusão sonora em
Portugal
Pela mão de Fernando Gardelho Medeiros
surgiu, em Lisboa, a Rádio Hertz
Edwin Armstrong
Inventou, em 1918, o super-heteródino que
permitiu a melhoria decisiva das condições
de recepção e, consequentemente, uma
sintonia mais eficazWilliam Shokley, Walter
Brattain e John Bardeen
Descobrem em 1948 o transístor que pôs fim
ao reinado da válvula
Mas efectivamente, tudo começou com uma
campainha ...
A primeira ocorrência que impulsionou
efectivamente a telegrafia sem fios (TSF),
que viria a transformar o Mundo, foi o
retinir de uma campainha no rés-do-chão de
uma vivenda perto de Bolonha, quando, num
laboratório electrotécnico existente no
sótão, alguém premiu um botão.
O botão e a campainha não estavam, porém,
ligados entre si: havia no laboratório um
pequeno emissor, estando a campainha ligada
a um receptor. O jovem que premiu o botão e
que imaginaria todo o dispositivo chamava-se
Guglielmo Marconi.
Sempre que a campainha tocava, Marconi
verificava que estava no bom caminho.
A inspiração para a sua experiência
viera-lhe de um artigo de uma revista, no
qual o físico alemão Heinrich Hertz
demonstrava a propagação de ondas
electromagnéticas no espaço.
Não poderiam essas ondas transportar sons
?...
Poucos meses após o exito da experiência com
a campainha, Marconi conseguiu transmitir,
do seu laboratório, um sinal em morse que
foi recebido atrás de uma colina próxima.
Havia nascido a telegrafia sem fios.
Marconi lancou-se então no seu
aperfeiçoamento, tornando-se de utilidade
prática, no que foi bem sucedido.
Tendo o ministro das Comunicações italiano
considerado pouco importante a sua
descoberta, Marconi partiu para Inglaterra,
onde em 1887, demonstrou perante o ministro
da Comunicações inglês, o funcionamento da
telegrafia sem fios.
Em 1899, Marconi enviou mensagens
telegráficas através do canal da Mancha.
Em 1901, conseguiu efectuar uma transmissão
através do oceano, da Inglaterra à Terra
Nova, distanciadas entre si 3400 Km.
A Rádio Portuguesa nos anos quarenta
Instalou-se nos lares dos portugueses em
lugares de honra, como as salas de estar.
Era uma companhia e uma fonte de
entretenimento. Durante décadas os serões
das cidades passavam-se à sua volta. Foi uma
necessidade do tempo da segunda guerra
mundial tornada hábito nos anos posteriores
ao conflito mundial. A informação, os
noticiários e os programas políticos
diminuíram na década de cinquenta para dar
lugar ao espectáculo radiofónico realizado
por gente do teatro e do cinema, nele
colaborando pessoas das artes em geral, com
especial predominância de jornalistas
habituados a escrever rábulas para o teatro
de revista, argumentos de cinema e folhetos
de publicidade.
Pedro Moutinho é um herói desse tempo, entre
muitos outros, onde se evocam Olavo d’ Eça
Leal, Jorge alvez, Francisco Mata, Fernando
Pessa, Artur Agostinho, Rui Ferrão, Nuno
Fradique, Fernando Corado Ribeiro e muitos
outros, tantos que não caberiam nestas
linhas.
Pedro Moutinho calcorreou todos os géneros
da produção de rádio, nunca se distinguiu
sem que alguém o tivesse distinguido –a
ficção científica e radiofónica. Recorda-se
um seu programa que seria uma muito boa
réplica portuguesa da "Guerra dos Mundos" de
Orson Wells em 1938.
O ano de 1940 marca a transformação da
Emissora Nacional num organismo autónomo, o
que se verifica com a publicação da primeira
Lei Orgânica - Decreto-Lei nº30752 - que
apresenta a primeira fase dos Planos de
Radiodifusão Nacional. Aqui se prevê a
montagem, em Lisboa, de um emissor de O.M.
de 50 Kw, um de O.C. de 40 Kw e a criação de
emissores regionais no Porto, Coimbra e
Faro. No mesmo ano, começa a funcionar o
Emissor Regional do Norte, instalado
provisoriamente no jardim do Palácio de
Cristal.
A década de 40 foi cenário de um
extraordinário esforço da EN. De salientar
as reportagens das celebrações dos Oito
Séculos da Nacionalidade, do grande ciclone
que assolou o país e da campanha de auxilio
aos sinistrados; o programa, realizado com a
colaboração do "Diário de Notícias",
intitulado "Salvemos as crianças vitimas da
guerra"; a cobertura atenta das várias fases
do conflito mundial, através de um serviço
noticioso constituido por profissionais da
Imprensa; a criação de rubricas que ganharam
grande impacto popular, como o "Folhetim
Radiofónico", o "Rádio-Teatro" e o "Domingo
Sonoro", este último com os ínesquecíveis
diálogos de Aníbal Nazaré e Nelson de Barros
"Zéquinha e Lélé", interpretados por Vasco
Santana e Irene Velez.
Surgem importantes iniciativas como o
"Centro de Preparação de Artistas da Rádio"
e o «Gabinete de Estudos Musicais», de onde
saíram numerosas composições de rui Coelho,
Joly Braga santos, Armando José Fernandes e
outros. Algumas destas obras serão
apresentadas por estações de Rádio de vários
países.
A Rádio populariza nomes de realizadores de
programas, como Adolfo Simões Muller, Olavo
d’Eça Leal, Francisco Mata, Aníbal Nazaré e
Nelson de Barros e de locutores como
Fernando Pessa, Jorge Alves, João da Câmara,
Pedro Moutinho, Artur Agostinho e Maria
Leonor.
ANOS 50 E 60
Com a entrada em funcionamento de dois
potentes emissores de Onda Média, de 135 Kw,
no Centro Emissor de Castanheira do Ribatejo.
Com a criação do Centro Emissor Ultramarino,
em Pesões, com dois emissores de Onda Curta
de 100 Kw, incrementam-se as transmissões
para o Ultramar, iniciando-se, em 1954, o
serviço em inglês para o Sudoeste da Ásia.
Na rádio privada, "Os Companheiros da
Alegria" de Igrejas Caeiro, marcam uma
época.
No velho edifício da Rua do Quelhas,
reequipam-se os serviços e -reestruturam-se
os quadros de programação e dos noticiários.
A Rádio prepara-se para fazer face à
concorrência da televisão que em Portugal
tentava as primeiras emissões.
Os anos sessenta solicitam a intervenção da
Rádio em diversos -acontecimentos de relevo,
nomeadamente a Guerra em África que abala
profundamente o país e as estruturas
políticas.
A Rádio aposta na informação explorando as
suas potencialidades face à concorrência da
televisão.
A Revolução de Abril trouxe à Rádio
profundas transformações. Está feita a
história da Revolução de Abril de 1974.
É conhecida a importância da Rádio no
desencadear do Movimento, no agrupamento das
forças militares, e mais tarde, numa certa
apologia revolucionária junto das
populações. O 25 de Abril traria à Rádio
naturais e profundas transformações,
decorrentes logo da ocupação militar das
principais estações emissoras.
O Decreto-Lei 674-C/75 de 2 de Dezembro
nacionaliza as estações de Rádio privadas,
com excepção da Rádio Renascença, extingue a
Emissora Nacional e cria a empresa pública
que é hoje a Radiodifusão Portuguesa. Os
anos seguintes assistiram a uma série de
experiências e tentativas de alteração
estrutural da empresa, agora com uma
dimensão mais vasta resultante da junção das
estruturas da Emissora Nacional, do Rádio
Clube Português, dos Emissores Associados de
Lisboa e de outros postos particulares.
Diálogo com a África:
Através de um Serviço de intercâmbio a RDP
atende os pedidos vindos das estações
emissoras que, do estrangeiro, se dirigem,
principalmente, aos residentes portugueses e
dedica particular atenção ao intercâmbio com
estações emissoras filiadas na União
Europeia de Radiodifusão (UER) e União das
Rádios e Televisões dos Países Africanos (URTNA).
Vem sendo importante a presença da RDP nas
Assembleias da UER como da URTNA porque se
estabelece um salutar e indispensável
diálogo no domínio radiofónico.
Protocolos de intercâmbio têm sido
celebrados com as estações de rádio dos
países africanos de língua oficial
portuguesa e a RDP assegura, com
regularidade, acções de formação de
profissionais daquelas estações nas áreas de
produção, técnica e informação.
Representantes das estações dos países
africanos de língua oficial portuguesa
assistiram, em 1985, em Lisboa, às
comemorações dos «60 Anos da Rádio».
Desde há longos anos que a Rádio Estatal
seguiu uma politica de descentralização
através da criação de delegações e emissores
regionais os quais dão a sua contribuição
para a programação nacional, e mantêm também
horas de emissão própria, numa mais intima
ligação com a região onde se encontram
inseridos. Actualmente, a panorâmica dos
emissores é a seguinte: Regionais RDP Norte,
no Porto; RDP Centro, em Coimbra; RDP Sul,
em Faro; RDP Madeira, no Funchal e RDP
Açores, em Ponta Delgada.
As Rádios Locais estão situadas no Porto,
Bragança, Pêso da Régua, Viseu, Guarda,
Coimbra, Santarém, Elvas e Faro
O estatuto da RDP:
Restituída à administração civil em 1978, a
RDP/EP vê aprovado, em 22 de Maio de 1984, o
Estatuto actualmente em vigor, o qual
clarifica os objectivos que lhe incumbem. A
RDP tem por missão fundamental a prestação
do serviço público de radiodifusão e fica
obrigada a emitir, pelo menos, três
programas de âmbito nacional, em Ondas
Médias e Modulação de Frequência, de
carácter recreativo, cultural e informativo;
e ainda programas em Ondas Curtas dirigidos
aos núcleos portugueses fixados no
estrangeiro e aos países de língua oficial
portuguesa. Lançada numa difícil missão,
pesada de encargos, a Empresa tem como
receitas, as taxas, a publicidade e
indemnizações compensatórias por parte do
Estado.
A RDP hoje:
Os últimos anos assistiram aos esforços da
RDP para se reestruturar e reequipar,
actualizando os seus meios e alargando o seu
campo de acção. Cobrindo com as suas
emissões todo o território nacional e
diversos espaços exteriores, com 315 horas
diárias de emissão e uma potência total de
1900 Kw, com um volume anual de receitas de
cerca de cinco milhões de contos, a
Radiodifusão Portuguesa figura hoje entre as
vinte maiores empresas portuguesas do ramo
dos serviços.
A RDP enfrenta hoje vários desafios mas
mantém um público fiel principalmente entre
a juventude.