Érico Veríssimo
Morreu a 28 de Novembro
de 1975

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Escritor brasileiro, nasceu em
Cruz Alta, no Estado do Rio Grande
do Sul, mudando-se ainda jovem para
a capital Porto Alegre, onde se
fixou definitivamente. As suas
viagens, nomeadamente as realizadas
aos Estados Unidos e ao México
inspiraram-lhe alguns livros, como
Gato Preto em Campo de Neve; A volta
do Gato Preto; no México, História
de Uma Viagem, etc., que primam pela
vivacidade e pelo colorido da
narrativa, mas é sobretudoa sua obra
de ficcionista que ficou a dever o
prestígio de que goza. Formado na
leitura das modernas literaturas
inglesa e norte-americana, de que
foi excelente tradutor, sofreu,
sobretudo na primeira fase da sua
obra, pronunciada influência
daqueles autores. Érico Veríssimo
deu expressão ao romance modernista
brasileiro, enriquecendo-o com a sua
visão cósmica e universalizante e
com a sua preocupação do social.
Deixou também obras de biografia
histórica e de literatura infantil e
dois volumes de memórias.
Suas Obras:
Obras de Erico Veríssimo – 1956 (17
volumes)
Obras completas – 1961 (10 volumes)
Ficção completa – 1966 (5 volumes)
Os livros de Erico Veríssimo foram
traduzidos para o alemão, espanhol,
finlandês, francês, holandês,
húngaro, indonésio, inglês,
italiano, japonês, norueguês,
polonês, romeno, russo, sueco e
checo.
Contos:
Fantoches; As mãos de meu filho; O
ataque; Os devaneios do general.
Romances:
Clarissa – 1933; Caminhos cruzados –
1935; Música ao longe – 1936; Um
lugar ao sol – 1936; Olhai os lírios
do campo – 1938; Saga – 1940; O
resto é silêncio – 1943; O tempo e o
vento (1ª parte) — O continente –
1949; O tempo e o vento (2ª parte) —
O retrato – 1951; O tempo e o vento
(3ª parte) — O arquipélago – 1961; O
senhor embaixador – 1965; O
prisioneiro – 1967; Incidente em
Antares – 1971
CCCEV – Centro Cultural CEEE Erico
Verissimo
O escritor brasileiro Erico
Verissimo nasce em Cruz Alta,
interior do Rio Grande do Sul, em 17
de dezembro de 1905, filho do
farmacêutico Sebastião Verissimo e
da dona-de-casa Abegahy Lopes
Verissimo, ambos de tradicionais
famílias gaúchas.
Os planos do pai para o filho Erico
eram para que fosse estudar na
Universidade de Edimburgo, na
Escócia. Mas quando chega aos 18
anos, a situação financeira da
família é grave.
Dona Abegahy começa a trabalhar,
costurando para fora, e o jovem
Erico vai para Porto Alegre estudar
no Colégio Cruzeiro do Sul. Quando
retorna a Cruz Alta, começa a
trabalhar num armazém. Depois em um
banco, onde consegue guardar uma
quantia razoável para tornar-se
sócio de uma farmácia.
O empreendimento fracassa, mas Erico
conhece Mafalda Halfen Volpi, a moça
que morava em frente à farmácia.
Como a farmácia não ia bem, monta
nos fundos uma escola de inglês, que
se torna ponto de encontro de
estudantes e pensadores da época.
Assim, Erico pôde ter mais contato
com as coisas que lhe davam prazer:
a literatura e a arte. Em Porto
Alegre, procura sempre um grupo de
amigos da revista Madrugada. São
eles que conseguem a publicação de
seus contos e desenhos nas páginas
dos jornais Correio do Povo e Diário
de Notícias. Em 1930, muda-se para
Porto Alegre e passa a conviver com
escritores renomados. No final do
ano, é contratado para ocupar o
cargo de secretário de redação da
Revista do Globo e, no dia 15 de
julho de 1931, casa-se com Mafalda.
Em 1932, reúne seus contos e publica
sua primeira obra: "Fantoches". Um
ano depois, é a vez do romance
"Clarissa", muito bem recebido pela
crítica. Em 1935, ano do nascimento
de sua primeira filha, Clarissa,
lança "Caminhos Cruzados". A
consagração da obra vem com o Prêmio
Graça Aranha, da Academia Brasileira
de Letras. No mesmo ano, tira
primeiro lugar no Grande Prêmio de
Romance Machado de Assis, da
Companhia Editora Nacional para
obras inéditas, com o título "Música
ao Longe" e publica a biografia "A
Vida de Joana D'Arc". Em 1936, o
nascimento de seu filho Luis
Fernando coincide com o lançamento
de seu primeiro livro infantil, "As
Aventuras do Avião Vermelho", e de
"Um Lugar ao Sol", um retrato dos
duros tempos de Cruz Alta. Cria
também um programa de auditório para
crianças na Rádio Farroupilha,
"Clube dos Três Porquinhos".
"Aventuras de Tibicuera", livro
infantil que lhe garante o prêmio do
Ministério da Educação, sai em 1937.
"Olhai os Lírios do Campo", um de
seus maiores sucessos, é publicado
em 1938 e atinge a tiragem de 62 mil
exemplares. O próximo livro é
"Saga", que proporciona ao escritor
sua primeira noite de autógrafos.
Em 1941, Erico passa três meses nos
Estados Unidos, a convite do
Departamento de Estado, e profere
conferências em várias cidades
americanas. Suas impressões sobre o
país estão em "Gato Preto em Campo
de Neve". No ano seguinte, a obra "O
Resto é Silêncio" sofre duras
críticas do clero. A discordância
com a ditadura Vargas faz o escritor
aceitar o convite para lecionar
Literatura Brasileira na
Universidade da Califórnia, nos
Estados Unidos, e muda-se com toda a
família para Berkeley.
Logo recebe o título de Doutor
Honoris Causa do Mills College, de
Oakland e seus romances "Caminhos
Cruzados", "O Resto é Silêncio" e
"Olhai os Lírios do Campo" são
editados nos Estados Unidos. Mais
tarde suas obras são traduzidas para
francês, alemão, espanhol,
finlandês, holandês, húngaro,
indonésio, italiano, japonês,
norueguês, polonês, romeno, russo,
sueco e tcheco, o que fez de Erico
Verissimo um dos escritores
brasileiros mais lidos no mundo. No
retorno ao Brasil, lança "A Volta do
Gato Preto", um livro de observações
sobre a vida americana.
"O Tempo e o Vento", a obra que
tanto sonhara, começa a ser escrita
em 1947 e se transforma na trilogia
apontada pela crítica como seu maior
sucesso. Erico escreveu durante 15
anos a saga das famílias Terra e
Cambará entre os anos de 1745 e 1945
sob três títulos: "O Continente", "O
Retrato" - escrito em 1950 - e "O
Arquipélago".
Em 1953, a família Verissimo retorna
aos Estados Unidos e Erico assume,
em Washington, a direção do
Departamento de Assuntos Culturais
da União Panamericana, na Secretaria
da Organização dos Estados
Americanos. Quando sua filha
Clarissa casa-se, em 1956, com o
americano David Jaffe, a família
retorna ao Brasil. Mas em seguida
parte para conhecer o México, o que
resulta em uma obra de impressões
sobre o país.
Com a mulher Mafalda e o filho Luis
Fernando, Erico viaja, em 1959, para
a Europa, onde faz palestras em
Portugal nas quais defende a
democracia, o que provoca choque com
a ditadura salazarista. Este momento
resulta em outro livro, "O Ataque".
Nele estão reunidos três contos -
"Sonata", "Esquilos de Outono" e "A
Ponte" - e um trecho inédito de "O
Arquipélago". Ele faz parte da
coleção Catavento, da Editora Globo.
No retorno ao Brasil, passam uma
temporada com a filha em Washington,
onde nascem seus três primeiros
netos - Michael, Paul e Edward -
entre 1958 e 1962.
Em 1961, quando escrevia a última
parte da trilogia "O Tempo e o
Vento", Erico sofre o primeiro
infarto. Durante o período de
recuperação, de quase um ano, faz as
correções finais de "O Arquipélago".
Em 1963 morre sua mãe, Abegahy. O
golpe militar de 1964 inspira "O
Senhor Embaixador", lançado em 1965
no Rio de Janeiro, onde Luis
Fernando e Lúcia Helena Massa haviam
se casado, um ano antes. Dessa união
nascem Fernanda, Mariana e Pedro.
O escritor ganha o Prêmio Jabuti, na
categoria romance, da Câmara
Brasileira do Livro por "Senhor
Embaixador" e visita Israel, que
rende mais um diário de viagem. "O
Prisioneiro" é lançado em 1967 e a
Editora José Aguilar, do Rio de
Janeiro, publica sua obra em cinco
volumes, dos quais faz parte uma
autobiografia com o título "O
Escritor Diante do Espelho". Em
1968, é agraciado com o título de
Intelectual do Ano, que lhe dá o
troféu Juca Pato, em concurso
promovido pela União Brasileira de
Escritores. Em 1971, publica
"Incidente em Antares".
Os dois anos seguintes trouxeram
mais condecorações: o Prêmio do Pen
Club (Personalidade Literária do
Ano) e o Prêmio Literário da
Fundação Moinhos Santista, para o
conjunto da obra. Em 1973, são
editados o primeiro volume de suas
memórias sob o título "Solo de
Clarineta", e "O Contador de
Histórias", uma homenagem aos 40
anos de atividade do escritor,
reunindo depoimentos dos principais
críticos brasileiros sobre Erico. Em
28 de novembro de 1975, não
sobrevive a mais um infarto e deixa
inacabado "Solo de Clarineta", que
faria parte de mais uma trilogia.
Várias de suas obras são adaptadas
para a televisão e o cinema, com
maior destaque para "O Tempo e o
Vento".
Sinopse do romance "O Tempo e o
Vento"
“A primeira parte de O Tempo e o
Vento foi publicada em Porto Alegre
no ano de 1949 e narra a formação do
Estado do Rio Grande do Sul através
das famílias Terra, Cambará, Caré e
Amaral. O ponto de partida é a
chegada de uma mulher grávida na
colónia dos jesuítas e índios nas
Missões. Esta mulher dará à luz o
índio Pedro Missioneiro, que depois
de presenciar as lutas de Sepé
Tiaraju através de visões e ver os
portugueses e espanhóis dizimarem as
Missões Jesuíticas, conhecerá Ana
Terra, filha dos paulistas de
Sorocaba Henriqueta e Maneco Terra,
este filho de um tropeiro que ficou
encantado com o Rio Grande de São
Pedro ao atravessá-lo para comerciar
mulas na Colónia do Sacramento e
obtêm uma sesmaria na região do Rio
Pardo.
Ana Terra terá um filho com o índio,
chamado Pedro Terra. Logo que seu
pai descobre sobre a gravidez, ele
manda os irmãos de Ana matarem Pedro
Missioneiro. Quando castelhanos
invadem a fazenda da família Terra,
matam pai e irmãos da moça e a
violentam, mas ela conseguira
esconder o filho. Partem para Santa
Fé, onde se passará o resto da acção
de O Tempo e o Vento. Lá Pedro Terra
cresce e tem uma filha, Bibiana
Terra, que se apaixonará por um
forasteiro, o capitão Rodrigo
Cambará. Ana Terra e o capitão
Rodrigo são até hoje considerados
dois arquétipos da literatura
brasileira.
Os sete capítulos de O continente
podem ser lidos de diversas formas.
Uma delas é a história da formação
da elite riograndense, que culminará
na Revolução Federalista de 1893/95.
As lutas pela terra, as guerras
internas (Farroupilha, Federalista)
e externas (Guerra do Paraguai,
Guerra contra Rosas) marcam
definitivamente a vida e a
personalidade daqueles gaúchos e
ecoam de forma muito forte ainda
hoje na identidade do Rio Grande do
Sul.
Do ponto de vista
histórico-literário, O continente
está inserido no chamado Romance de
30, obras de cunha neo-realista que
aliam a descrição denunciante do
Realismo às investigações
psicológicas das personagens e
liberdades linguísticas do narrador,
frutos do Modernismo. Assim como O
continente, muitas dessas obras são
de cunho regionalista”.
Sinopse do romance "Olhai os Lírios
do Campo":
"Narra a história de Eugénio Fontes,
que, com muito sacrifício, se forma
em medicina. Na faculdade
apaixona-se por Olívia, mas casa-se
com Eunice, mais rica, por
interesse.
Com essa história ao fundo, o autor
compõe um painel de tipos humanos
sempre às voltas com o conflito
segurança versus felicidade.
Primeira parte
A primeira parte do romance começa
com Eugénio viajando de sua
propriedade rural em Santa
Margarida, rumo à cidade que dista
três horas de automóvel. O chamado
veio de um hospital onde outra
médica, Olívia, está morrendo.
Enquanto aguarda a chegada à cidade,
Eugénio, em sucessivos flashbacks,
retoma seu passado. Evoca a infância
infeliz, dada à pobreza do pai
alfaiate, e o desejo que o acometera
de tornar-se um homem rico e livrar
a família de todas as vergonhas
geradas pela miséria. Graças ao
sacrifício dos pais, pudera estudar
em óptimos colégios, inclusive um
internato de alto nível chamado
Columbia College. Nesse meio tempo,
um amigo da família, Florismal,
anuncia o início da Primeira Guerra
Mundial.
Em sua adolescência, ainda no
colégio, Eugénio passa uma noite de
tempestade aflito e presencia a
morte de um professor, Mr. Tearle.
Eugénio termina os estudos e inicia
o curso de Medicina, sempre odiando
a humildade da família e aspirando a
uma posição de riqueza. Tinha um
amigo da faculdade chamado
Alcibíades, com que andava e tinha
uma pontinha de inveja de seus
automóveis, cavalos de corrida e
quarenta gravatas.
Um ano antes de sua formatura, o pai
morrera. E, na noite em que se
formava, conheceu Olívia, colega de
turma, tão pobre como ele. Eugénio e
Olívia começam a trabalhar juntos no
Hospital do Sagrado Coração. Nessa
época inicia-se a Revolução de 30.
Em uma dessas noites, Eugénio faz
uma operação e perde o paciente.
O relacionamento amoroso entre os
dois, Olívia e Eugénio, tornou-se
inevitável. Mas, em nenhum momento,
Eugénio assumira qualquer
compromisso com Olívia. Esta, no
entanto, ao receber um convite para
clinicar por alguns meses numa
pequena cidade do interior
rio-grandense, resolvera partir.
Eugénio permanecera em Porto Alegre
e conhecera Eunice, filha de um
grande empresário, com quem noiva.
Escrevera uma carta a Olívia para
comunicar-lhe o fato. A jovem médica
vem a capital e aceita
resignadamente o casamento do seu
amado. Mais tarde, quando ela
retornar definitivamente para Porto
Alegre, revela a Eugénio que ele é
pai de uma menina, Anamaria.
O casamento de Eugénio como Eunice
logo entrara em corrosão. O rapaz
pensava em assumir Olívia e a filha,
mas o fantasma da pobreza mais uma
vez o afastaria da mulher que amava.
Quando chega ao hospital, recebe a
notícia da morte de Olívia.
Segunda parte
Na segunda parte, Eugénio rompe o
casamento com Eunice, sendo
encorajado por causa da filha, e
passa a ser um médico de pobres,
iniciando uma amizade maior com Dr.
Seixas. Encontra, então, a harmonia
interior.
Sua visão de mundo resume-se na
solidariedade e na tentativa de
criação de um mundo melhor. Muda-se
para a casa dos Falk, onde Olívia
morava. Publica, num jornal, uma
nota à procura do irmão, Ernesto.
Certa vez, atendendo em seu
consultório, entraram Simão e Dora.
Eugénio surpreendeu-se ao saber que
Dora estava grávida de três meses.
Desesperado, Simão pede a Eugénio
que faça um aborto, mas ele nega. Os
dois saem dali e somem pelo resto do
dia. No fim da noite, Dr. Seixas
informa à Eugénio que uma enfermeira
fez o aborto em Dora, e ela tivera
uma hemorragia, vindo a falecer".
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal |
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