Florbela Espanca

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Arte Final: Iara Melo

 

 

 

 

Nasceu a 8 de Dezembro de 1894

 

Morreu a 8 De Dezembro de 1930

 

 

 

 

 

Florbela de Alma da Conceição Espanca, filha de Antónia da Conceição Lobo, empregada de João Maria Espanca, que não a reconheceu como filha. Porém com a morte de Antónia em 1908, João e sua mulher Maria Espanca criaram a menina. O pai só reconheceria a paternidade muitos anos após a morte de Florbela.

Foi precursora, com Irene Lisboa do movimento de emancipação literária da mulher, Florbela, personalidade de uma riqueza interior excepcional, afirma em versos conturbados e ardentes, que ressumam um transcendido erotismo feminino, a livre intimidade de mulher, abrindo o caminho à nova consciência literária nascida de vivências femininas. Alentejana, mulher do Sul, a imensa vastidão da charneca é uma presença obsessiva nos seus poemas. Os olhos e as mãos, o cipreste, o sol, os poentes de agonia, o Mar de Mágoa são alguns dos tótemes vocabulantes  da sua poesia sensual e pagã, panteísta e mística. Antero de Quental e António Nobre estão presentes na obra desta admirável sonetista, sobretudo nos seus primeiros livros: Livro de Mágoas e Livro de Soror Saudade. Mário Sá-Carneiro também, no exagero da afirmação pessoal e na consciência de uma pluralidade conducente ao fracasso “De ter vivido e não ter sido Eu” e até no seu suicídio, consumado na noite de 7 para 8 de Dezembro de 1930, em Matosinhos.

 Florbela Espanca causou grande impressão entre seus pares e entre literatos e público de seu tempo e de tempos posteriores. Além da influência que seus versos tiveram nos versos de tantos outros poetas, são aferidas também algumas homenagens prestadas por outros eminentes poetas à pessoa humana e lírica da poetisa. Manuel da Fonseca, em seu "Para um poema a Florbela" de 1941, cantava "(...)E Florbela, de negro,/ esguia como quem era,/ seus longos braços abria/ esbanjando braçados cheios/ da grande vida que tinha!". Também Fernando Pessoa, em um poema dactilografado e não datado de nome "À memória de Florbela Espanca", descreve-a como "alma sonhadora/ Irmã gémea da minha!".

A sua vida convulsa foi marcada por dois casamentos malogrados; no primeiro, sofreu um aborto involuntário em 1919. É nessa época que Florbela começa a apresentar sintomas mais sérios de desequilíbrio mental. Em 1921 separou-se de Alberto Moutinho, passando a encarar o preconceito social decorrente disso. No ano seguinte casou-se pela segunda vez, com António Guimarães.. Florbela sofreu novo aborto, e seu marido pediu o divórcio. Em 1925 casou-se pela terceira vez, com Mário Laje.

Viveu em Évora, onde completou o liceu (Letras), mas após o primeiro divórcio transferiu-se para Lisboa, matriculando-se na Faculdade de Direito, em 1919. Sendo a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa. É nessa data que sai o seu primeiro livro. Colaborou esporadicamente na Seara Nova e também no Notícias, de Évora; D. Nuno, de Vila Viçosa; Civilização, do Porto; Portugal Feminino, de Lisboa, e Revista Portuguesa, de Vila Viçosa. Guido Battelli, professor e escritor italiano, traduziu quase toda a sua obra para o italiano.

Posteriormente à sua morte, vieram a lume poemas, contos (As Máscara do Destino, em 1931) e cartas, onde esclarece o porquês das suas mágoas, causadas pelo doença, pela morte do irmão num acidente de aviação e por dois casamentos frustrados. A sua obra inspira-se nessas mágoas, nas desilusões, na morte desejada e no sonho de uma felicidade incorruptível, evidenciando formalmente a perfeição do soneto.

Sua Obra:

Livro de Mágoas 1919 ;  Livro de Mágoas Sóror Saudade 1923;  Charneca em Flor 1931;  Charneca em Flor (com 28 sonetos inéditos) 1931;  Cartas de Florbela Espanca, (a Dona Júlia Alves e a Guido Battelli) 1931;  As Máscaras do Destino 1931; Sonetos Completos, (Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade, Charneca em Flor, Reliquiae) 1934 ;  Cartas de Florbela Espanca 1949;  Diário do último ano 1981; O Dominó Preto 1982; Obras Completas de Florbela Espanca 1985-1986, 08 vols.;  Trocando Olhares 1994.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

 
 
 

Fundo Musical: Ser Poeta * Florbela Espanca

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

Intérprete: Luís Represas

 

 

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