Formiga do latim “formica”:
insecto himenóptero polimorfo.
Na diversidade das acções
simples que as formigas executam, consta
a procura incessante e aleatória de
comida com o intuito de ser transportada
para o ninho. Ao fazê-lo cheiram também
a possível presença de feromonas,
substância que elas próprias libertam ao
longo do trajecto que efectuam ao
transportar a comida para o ninho. Com
efeito, uma vez encontrada comida, quer
por acaso quer guiadas pelo olfacto, as
formigas apanham um pedaço de comida que
transportam de imediato para o ninho,
ele próprio localizado por olfacto.
A humilde formiga. Tão
insignificante, diríamos nós. Mas as
formigas são construtoras de impérios e
as suas colónias crescem,
independentemente da nossa vontade.
Os investigadores observaram
como algumas formigas, depois de terem
descoberto comida, voltavam ao
formigueiro e ensinavam pacientemente a
outras formigas o caminho para a comida.
Estas outras formigas, por sua vez,
ensinavam outras formigas ainda.
Você sabe qual é a menor espécie
de formiga do mundo? Acredita-se que ela
seja a brasileira Carebara mayri. As
operárias dessa espécie podem ter menos
de um milímetro e dificilmente são
vistas a olho nu. As maiores operárias
também vivem no Brasil, são da espécie
Dinoponera gigantea e chegam a medir
quase quatro centímetros
As formigas agricultoras - Maria
Carlos Reis:
Se pensa que o Homem descobriu a
agricultura, está enganado! Há mais de
50 milhões de anos que pequenas formigas
desenvolvem culturas de fungos, como
forma de garantir alimento, numa relação
de contornos verdadeiramente
impressionantes.
http://www.naturlink.pt/canais/
A descoberta da agricultura pelo homem
terá acontecido há mais de 10 000 anos.
Ao permitir o controlo das fontes de
alimento, a agricultura lançou as bases
para o desenvolvimento das civilizações.
Mas apesar desta descoberta ter sido um
triunfo incontestável, na realidade o
homem não foi o primeiro ser a pôr em
prática técnicas agrícolas.
Há cerca de 50 milhões de anos atrás,
não muito depois do desaparecimento dos
dinossauros, e muito antes do homem se
ter diferenciado dos chimpanzés, algures
na bacia do Amazonas, um grupo de
humildes formigas descobriu uma forma de
assegurar alimento – tornaram-se
agricultoras, cultivando fungos no
interior dos formigueiros para a sua
alimentação. Esta alteração do modo de
vida terá ocorrido apenas num grupo
restrito de formigas, já que a maioria
das actuais 10 000 espécies mantém os
seus hábitos de predador. Contudo, a
razão porque tal terá acontecido
permanece indeterminada. É provável que
a competição ou alguma alteração no
ambiente tenha “empurrado” este grupo de
formigas para uma modificação drástica
dos seus hábitos, alteração essa que
terá sido vantajosa, pois só assim se
explica que actualmente existam cerca de
200 espécies agricultoras. Todas estas
espécies pertencem à tribo Attini, e
distribuem-se fundamentalmente pelas
florestas tropicais da América Central e
do Sul. Nesta categoria encontram-se
géneros considerados “inferiores” ou
mais primitivos e géneros “superiores”,
dos quais fazem parte os géneros Atta e
Acromyrmex, que correspondem às
conhecidas “formigas cortadoras”,
extremamente especializadas.
Mas esta relação está longe de ser uma
exploração; pelo contrário, ambos os
intervenientes souberam tirar dela o
melhor proveito. Na ausência de enzimas
que possibilitam a degradação da matéria
vegetal e de insectos mortos, estas
formigas obtêm os nutrientes de que
necessitam através dos fungos. Em
contrapartida, eles ganham um local no
solo onde se podem desenvolver,
protegidos pelas formigas de predadores
e parasitas, e conseguem obter mais
material da área circundante do que se
estivessem por sua conta, material esse
que já vem preparado pelas enzimas
produzidas pelos insectos. Os fungos
utilizam esta biomassa preparada para
crescerem e acumulam tantos nutrientes
que as extremidades das suas hifas
incham com açúcares e proteínas, que
depois os insectos podem “morder”. Para
além disso, na preparação do substrato
para as suas culturas, as formigas
conseguem atenuar os efeitos dos
fungicidas presentes nas plantas e
desenvolveram a capacidade de escolher
as folhas com menor conteúdo destes
compostos. Esta aptidão é retribuída
pelos fungos, já que eles conseguem
degradar as substâncias insecticidas
presentes no alimento trazido pelas
formigas. A horta de fungos é, assim,
uma forma eficiente de transformar
material indigestível em alimento
utilizável pela colónia de formigas.
Contudo, esta relação simbiótica assume
contornos distintos, dependendo do tipo
de “agricultores” envolvidos,
nomeadamente do tipo de material que
recolhem como substrato para o
crescimento dos seus fungos. Assim, as
formigas consideradas “inferiores”
constituem colónias relativamente
pequenas e colhem uma grande variedade
de alimentos que colocam à disposição
dos seus fungos, esperando que estes os
degradem, desde ervas, folhas caídas,
excrementos de insectos e mesmo os seus
cadáveres. Contrariamente, as formigas
“superiores” tendem a usar apenas
material vegetal e as “cortadoras”
utilizam apenas material retirado de
plantas vivas.
Estas últimas possuem uma complexidade
social espantosa. Os seus formigueiros
são enormes estruturas elaboradas, com
centenas de câmaras de diferentes
tamanhos, por vezes a mais de três
metros de profundidade, onde chegam a
existir mais de 8 milhões de
trabalhadoras, frequentemente
pertencentes a diferentes castas,
especializadas em tarefas distintas. À
superfície, a área envolvente do
formigueiro é mantida escrupulosamente
limpa pelas trabalhadoras. As colectoras
de material vegetal, detentoras de uma
força surpreendente, cortam as folhas e
carregam-nas até ao formigueiro.
Enquanto cortam, elas bebem a seiva que
se liberta das margens cortadas, o que
constitui uma importante fonte de
energia para estes indivíduos. Já no
formigueiro, pela acção de diferentes
tipos formigas, as folhas são cortadas
em fracções cada vez mais pequenas,
mastigadas e encharcadas com enzimas,
transformando-se numa pasta mole, que é
posteriormente espalhada sobre o
substrato dos fungos. Existem, ainda, as
formigas colectoras de detritos, que os
recolhem e transportam até câmaras
específicas, situadas a grandes
profundidades.
Os efeitos das “formigas cortadoras”
são, por vezes, devastadores. Uma manada
de elefantes dificilmente pode causar
tanto distúrbio como a passagem das
trabalhadoras formigas, que procuram
matéria verde para alimentarem as suas
hortas, desfolhando em pouco tempo
qualquer planta que apareça no seu
caminho. Por isso são responsáveis por
enormes prejuízos na agricultura, nos
países em que atingem grandes
densidades. Contudo, para responder a
estes ataques das formigas, as plantas
desenvolveram um arsenal de substâncias
que incorporaram nas suas folhas,
incluindo insecticidas e fungicidas que,
ao aniquilarem os fungos, afectam
indirectamente os insectos. Como
resposta, as formigas adquiriram, ao
longo da evolução, a capacidade de
detectar muitos destes compostos,
evitando utilizar folhas de plantas que
os produzam. É por este motivo que as
plantas nativas não são tão molestadas
quanto as introduzidas, que não tiveram
tempo de desenvolver defesas. Por isso
estas formigas tendem a evitar as
florestas húmidas virgens e a preferir
zonas já perturbadas.
Apesar do seu impacto devastador,
verificou-se que as formigas, ao
tratarem cuidadosamente das suas
culturas de fungos, desempenham funções
ecológicas muito importantes. Elas
estimulam o crescimento de novas
plantas, promovem a degradação do
material vegetal e o enriquecimento e
arejamento do solo. Embora possam
espalhar a devastação à superfície, elas
criam um verdadeiro Éden para os fungos,
em autênticos jardins subterrâneos.
Mas a complexidade da simbiose entre as
formigas agricultoras e os seus fungos,
adquirida durante uma extensa história
evolutiva, é bem maior do que
inicialmente se pensou. Muito antes dos
humanos, as formigas começaram a tomar
medidas para optimizarem as condições de
crescimento das suas culturas. Por
exemplo, os investigadores descobriram
que certas áreas da cutícula das
formigas se encontram revestidas por uma
substância de aspecto poeirento, que
estudos micromorfológicos e bioquímicos
revelaram ser massas filamentosas de
bactérias do grupo dos Actinomicetes,
especialmente do género Streptomyces,
produtoras de metabolitos secundários,
muitos dos quais com propriedades
antibacterianas e antifúngicas
específicas. À luz das propriedades
bioquímicas únicas deste grupo, foi
proposto que as bactérias associadas às
formigas seriam responsáveis pela
supressão do desenvolvimento de agentes
patogénicos potencialmente devastadores,
nomeadamente outras espécies de fungos,
parasitas, que invadem as plantações das
formigas. Assim, a utilização de
antibióticos tem sido uma constante
desde que as formigas iniciaram as suas
“actividades agrícolas”
Porém, as descobertas não se ficam por
aqui. Também elas foram pioneiras na
utilização de técnicas de fertilização,
já que realizam adubações à base de
folhas misturadas com excrementos, de
forma a maximizar o crescimento das
culturas. Para além disso, as formigas
realizam autênticas mondas quando fungos
indesejáveis aparecem, eliminando-os com
as suas mandíbulas.
Os cientistas conhecem há mais de um
século estas formigas que cultivam
massas de fungos para alimento, mas
enquanto as formigas foram estudadas, o
mesmo não aconteceu com os fungos. Por
não desenvolverem corpos frutíferos
(estruturas da reprodução sexuada) nos
formigueiros, foi difícil fazer a
classificação taxionómica dos fungos e
determinar se poderiam viver no
exterior, na ausência da relação
simbiótica. No entanto, uma equipa de
cientistas conseguiu analisar o ADN de
mais de 500 tipos de fungos encontrados
em formigueiros, tornando possível
relacionar os fungos cultivados pelas
formigas e alguns dos cogumelos que
apareciam nas redondezas. Os cientistas
descobriram que a maioria dos fungos
pertence à família Lepiotaceae, escolha
que não terá sido arbitrária, já que
estes são especializados na decomposição
de detritos vegetais.
A partir do momento em que os fungos
iniciaram a relação simbiótica deixaram
de se reproduzir sexualmente e acabaram
por depender das formigas para a sua
dispersão. Reproduzem-se de forma
vegetativa, através de rebentos, que não
são mais do que “clones” do fungo
original. Pelo facto de se ter observado
que as novas rainhas destes
formigueiros, ao saírem para acasalar e
formar novas colónias, transportam
fungos nas suas peças bucais, durante
muito tempo pensou-se que esta seria a
forma de todas as hortas começarem, o
que significaria a existência de
linhagens de fungos com milhares de
anos. No entanto, investigações
genéticas demonstraram que, apesar das
formigas de uma mesma colónia só
cultivarem um tipo de fungo, outras
colónias da mesma espécie utilizam
outros tipos de fungos, o que implica
que, de vez em quando, as formigas saiam
dos formigueiros para obter fungos
livres na natureza, de forma a
refrescarem os seus stocks e,
provavelmente, obterem uma maior
variedade alimentar. Por outro lado,
algumas colónias de diferentes espécies
cultivam exactamente os mesmos tipos de
fungos. Por tudo isto considera-se,
actualmente, que as formigas
agricultoras “domesticaram” fungos
várias vezes ao longo da sua evolução.
Em situações de desespero, resultantes
de factores ambientais (como uma
inundação) ou do ataque de doenças ou
parasitas que “limpam” estas hortas, as
formigas podem tornar-se mais
beligerantes, pois estes
condicionalismos têm efeitos
devastadores, podendo condenar à
indigência toda a colónia. Nas situações
de crise as formigas ou morrem ou têm de
procurar novos fungos para cultivarem.
Esta procura pode ser feita na natureza
ou mesmo no formigueiro das suas
vizinhas. Já foram observadas operações
organizadas de “furto”, em que as
formigas de uma colónia tomam de assalto
outro formigueiro para obterem fungos,
forçando-o a sair, e chegando mesmo a
fazer “prisioneiros”, que põem a
trabalhar.
Os cientistas sempre se impressionaram
com a harmonia da relação existente
entre as formigas e os seus parceiros,
mas apenas agora estão a desvendar as
nuances que esta história evolutiva e de
simbiose tem por trás. Eles estão a
aplicar ferramentas moleculares para
reconstruir a história genealógica da
simbiose, determinando a sua origem e
como terá progredido ao longo dos
milhões de anos da sua existência. Esta
interdependência assume um carácter tão
forte que virtualmente controla o
ecossistema de muitas regiões
neotropicais. Existem cientistas que
consideram esta relação como um dos
maiores passos da evolução animal,
colocando-a a par da conquista do meio
terrestre. Mas estas descobertas são
importantes ainda noutro sentido. O
facto desta simbiose ter despertado
tanto interesse constitui um motivo para
que os fungos sejam estudados. Este tem
sido um grupo bastante desprezado,
apesar do seu papel crucial no
funcionamento de todos os ecossistemas.
O mais antigo agricultor da Terra tem
seis patas e pode ser capaz de nos dar
algumas ideias de como praticar
agricultura sem causar danos ambientais,
pois é isto que tem feito durante muitos
milhões de anos. As formigas poderão
fornecer-nos algumas pistas sobre a
forma de manter as mesmas técnicas
agrícolas por tão longo tempo. Por
exemplo, uma das lições que podemos
reter prende-se com a necessidade de
manutenção das diferentes variedades de
plantas de cultivo em meio natural. Da
mesma forma que as formigas saem para
trazer novos fungos se uma doença
devastar as suas culturas, os
agricultores também deveriam poder ir
buscar à natureza as plantas originais
após o ataque de doenças.
O espantoso mundo das formigas
As formigas parecem insectos banais a
quem pouco ligamos, no entanto, depois
de ler este artigo vai ver que da
próxima vez que olhar para uma formiga
já não lhe será indiferente.
Sara Otero:
http://www.naturlink.pt/canais/
As formigas, tal como os tubarões, não
sofreram grandes modificações na sua
forma e tamanho ao longo dos últimos 60
milhões de anos. O mesmo tipo de
formigas que existe actualmente no nosso
planeta, habitava o mundo dos famosos
dinossáurios. Os paleontólogos têm
descoberto mais fósseis de formigas que
fósseis de qualquer outro insecto,
parecendo indicar que as formigas têm
sido uns colonizadores cheios de sucesso
ao longo dos tempos.
As formigas são realmente animais
extraordinários, algumas delas conseguem
carregar objectos que têm um peso dez
vezes superior ao seu próprio peso,
enquanto outras chegam a carregar com
objectos cinquenta vezes mais pesados.
Muitas conseguem arrastar esses objectos
por longas distâncias, subindo mesmo a
árvores com eles. Se os seres humanos
possuíssem tanta força, uma pessoa com
45 kg conseguiria carregar um pequeno
automóvel durante aproximadamente 13 km,
e depois subir a maior montanha do mundo
ainda com o carro às costas. É obra!
As formigas têm vários tamanhos,
possuindo as maiores mais do que 2,5 cm,
e podendo as mais pequenas não ser
maiores do que este ponto final. Nem
todas as formigas são pretas ou
vermelhas, podendo ser também castanhas,
e algumas amarelas, azuis, ou púrpura.
Embora a maioria das formigas obreiras
viva entre alguns meses a poucos anos, a
rainha poderá sobreviver mais de 20
anos.
A maioria das formigas são obreiras e
todas do sexo feminino, fazendo todo o
trabalho necessário no ninho,
reconstruindo-o e mantendo-o limpo,
procurando alimento, cuidando das
larvas, tratando da rainha, alimentando
as outras formigas da colónia, e
combatendo com outras formigas. A rainha
só se encarrega de pôr ovos. Só são
produzidos machos quando existe a
necessidade das rainhas acasalarem, e
após o acasalamento os machos morrem
rapidamente.
Todas as colónias de formigas têm pelo
menos uma rainha. O número de ovos
postos pela rainha depende do tipo de
formiga, podendo variar entre umas
centenas a vários milhões. Na verdade, a
rainha de um tipo de formigas africanas
pode pôr aproximadamente entre 3 a 4
milhões de ovos por mês.
Algumas formigas são ferozes caçadoras,
sendo algumas espécies de formigas
conhecidas por matar tarântulas,
lagartos, aves, cobras, porcos, entre
outros animais bastante grandes.
Normalmente, os animais acabam por fugir
destes verdadeiros exércitos famintos,
mas se por acaso se encontrarem a
descansar e não derem conta da sua
presença, poderão passar por sérias
dificuldades.
As formigas são insectos sociais,
querendo isto dizer que todos os
indivíduos da colónia trabalham em
conjunto. Cada membro da colónia
encarrega-se de diferentes tarefas. As
colónias encontram-se instaladas em
ninhos, e diferentes tipos de formigas
constroem diferentes tipos de ninhos.
Algumas constroem ninhos super
elaborados com vários túneis ligando
diversas câmaras, outras, sendo nómadas,
formam um grupo imenso de um milhão de
formigas ou mais, movendo-se deste modo
através da floresta.
Os ninhos subterrâneos de algumas
formigas tropicais podem ter uma
profundidade de 12 m, albergando uma
população de mais de 10 milhões de
formigas. Algumas constroem ninhos
constituídos por uma dúzia ou mais de
montes de terra que poderão alcançar uma
altura de 9 m, e que se encontram
interligados, podendo um ninho deste
tipo ocupar uma superfície equivalente a
um campo de futebol.
Formigas:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Formiga
As
formigas, o grupo mais popular dentre os
insectos, são interessantes porque
formam níveis avançados de sociedade, ou
seja, a eusocialidade. Todas as
formigas, algumas vespas e abelhas, são
considerados como insectos eusociais,
fazendo parte da ordem Hymenoptera. As
formigas estão incluídas em uma única
família (Formicidae), sendo que existem
aproximadamente 11.000 espécies
descritas, distribuídas por todas as
regiões do planeta, excepto nas regiões
polares.
Acredita-se que a primeira aparição das
formigas na Terra foi durante o período
Cretáceo (há mais de 100 milhões de
anos) e pensa-se que elas evoluíram a
partir de vespas que tinham aparecido
durante o período Jurássico.
Por vezes, confundem-se as térmitas (cupins)
com as formigas, mas pertencem a grupos
distintos.
As formigas distinguem-se dos outros
insectos – mas algumas destas
características são comuns a alguns
tipos de vespas - por apresentarem:
Uma casta de obreiras sem asas;
As fêmeas são prognatas (peças bucais no
acron);
Presença de um ‘’saco infrabucal’’ entre
o lábio e a hipofaringe;
Antenas articuladas, com o artículo
distal alongado (excepto nas subfamílias
“primitivas” Armaniinae and
Sphecomyrminae);
Glândula metapleural nas fêmeas, abrindo
na base das patas posteriores;
Segundo segmento abdominal formando um
“pecíolo” (pouco diferenciado nas
Armaniinae);
As asas anteriores não apresentam
nervuras ramificadas;
A rainha perde as asas depois da cópula,
que é realizada em voos de milhares de
indivíduos.
O estudo das formigas denomina-se
mirmecologia.
Organização social das formigas
Embora nem todas as espécies de formigas
construam formigueiros, muitas fazem
autênticas obras de engenharia,
normalmente subterrâneas, com um
complexo sistema de túneis e câmaras com
funções especiais – para o armazenamento
de alimentos, para a rainha, o
“berçário”, onde são tratadas as larvas,
etc.
As sociedades das formigas são
organizadas por divisão de tarefas e a
cada tipo de tarefa corresponde um tipo
de indivíduos diferente, muitas vezes
chamados castas.
A função da reprodução é realizada pela
rainha e pelos machos. A rainha vive
dentro do formigueiro, é maior que as
restantes formigas, perde as asas depois
de fecundada e durante toda a sua vida
põe ovos. Os machos aparecem apenas
quando é necessário fecundar uma nova
rainha, o que acontece durante um voo em
que participam milhares de fêmeas e
machos alados; depois da fecundação, os
machos não são autorizados a entrar no
formigueiro e geralmente morrem
rapidamente.
As restantes funções – procura de
alimentos, construção e manutenção do
formigueiro e sua defesa – são
realizadas por fêmeas estéreis, as
obreiras. Em certas espécies, as
obreiras que realizam as diferentes
funções estão também divididas em
castas. Normalmente, as que se ocupam da
defesa – ou para o ataque, uma vez que
algumas espécies são predadoras de
animais que podem ser maiores que elas -
têm as peças bucais extremamente grandes
e fortes
Desenvolvimento
As pequenas formigas desenvolvem-se por
metamorfoses completas, passando por um
estado larvar equivalente à lagarta dos
outros insectos e pelo estado de pupa. A
lagarta não tem pernas e é alimentada
pelas obreiras por um processo chamado
trofalaxia, no qual a obreira regurgita
alimentos por ela ingeridos e já
parcialmente digeridos. Os adultos
também distribuem alimento entre si por
este processo. As larvas e pupas
precisam de temperatura constante para
se desenvolverem e, por isso, são
transferidas para câmaras diferentes, de
acordo com o seu estágio de
desenvolvimento.
A diferenciação em castas é determinada
pelo tipo de alimento que recebem nos
diferentes estados larvares e as
mudanças morfológicas que caracterizam
cada casta aparecem abruptamente.
Comportamento das formigas
As formigas comunicam entre si através
de compostos químicos chamados feromonas
e, como estes insectos passam muito
tempo no solo, as mensagens químicas
estão mais desenvolvidas que noutros
himenópteros. Por exemplo, quando uma
obreira encontra comida no caminho para
o formigueiro – que ela reconhece
através de pontos de referência e da
posição do sol -, ela deixa marcas
químicas que outras formigas irão
seguir. Por outro lado, uma formiga
esmagada deixa uma feromona de alarme
que, se for numa grande concentração,
faz com que as formigas que estiverem
próximas entrem em ataque.
Como os restantes insectos, as formigas
cheiram com as antenas. Quando duas
formigas se encontram, tocam as antenas
e as feromonas que estiverem presentes
fornecem informação sobre o estado de
alimentação de cada uma, o que pode
levar à trofalaxia, ou seja, uma delas
regurgita a comida para a outra. A
rainha produz uma feromona especial que
indica às obreiras quando devem começar
a criar novas rainhas.
As formigas atacam e defendem-se
mordendo ou picando, por vezes
injectando compostos químicos no animal
atacado, em especial, o ácido fórmico.
Tipos de formigas
Há uma grande diversidade de formigas e
dos seus comportamentos:
As formigas-correição, da América do Sul
e de África, não constroem formigueiros
permanentes e alternam entre uma vida
nómada e a organização de abrigos
temporários formados pelos corpos das
obreiras. As sociedades reproduzem-se,
quer por voos nupciais, quer por divisão
do grupo, em que um grupo de obreiras se
separa e cava um ninho para criar novas
rainhas. Os membros de cada grupo
distinguem-se pelo olfacto e normalmente
atacam outros intrusos.
Algumas formigas atacam outros
formigueiros, roubam as pupas e
criam-nas como obreiras – como escravos!
Algumas espécies, como a formiga da
Amazónia (por exemplo, Polyergus
rufescens), tornaram-se totalmente
dependentes destes escravos, ao ponto
de, sem eles, serem incapazes de se
alimentar.
As “formigas-pote-de-mel” criam obreiras
especiais, cuja única função é armazenar
comida nos seus próprios corpos para o
resto do grupo, ficando geralmente
imóveis, com grandes abdomens cheios de
comida. Em locais secos, mesmo desertos,
em África, América do Norte e Austrália,
estas formigas são consideradas um
“petisco” delicioso.
As “formigas-tecelãs" (Oecophylla)
constroem ninhos em árvores cosendo
folhas, que juntam formando pontes de
obreiras e depois cosendo-as com seda
que obtêm de larvas criadas para esse
efeito.
As “formigas-cortadoras” (Atta e
Acromyrmex) alimentam-se exclusivamente
de um fungo que elas criam dentro do
formigueiro. O trabalho delas é colher
folhas que elas cortam em pedacinhos
para alimentar o fungo e têm mesmo
castas de obreiras de diferentes
tamanhos para cortarem as folhas em
pedaços do tamanho adequado para o
fungo.
Relações das formigas com outros
organismos
Algumas espécies de afídeos segregam um
líquido doce que normalmente é
desperdiçado, mas as formigas
recolhem-no e, ao mesmo tempo, protegem
os afídeos de predadores e chegam a
transportá-los para locais com melhor
comida.
Uma relação parecida existe com as
lagartas mirmecófilas (“amigas das
formigas”) que são criadas por algumas
formigas. Estas levam-nas a “pastar”
durante o dia e recolhem-nas ao
formigueiro à noite. As lagartas têm uma
glândula que segrega igualmente um
líquido doce que as formigas “mungem”,
massageando o local onde está a saída da
glândula.
Ao contrário, existem lagartas
mirmecófagas (que comem formigas): estas
lagartas segregam uma feromona que faz
as formigas pensarem que a lagarta é uma
das suas larvas, levam-nas para o
formigueiro, onde as lagartas se
alimentam das larvas das formigas.
Humanos e formigas
As formigas são úteis porque podem
ajudar a exterminar outros insectos
daninhos e a aerificar o solo. Por outro
lado, podem tornar-se uma praga quando
invadem as casas, jardins e campos de
cultivo. As “formigas-carpinteiras”
destroem a madeira furando-a para fazer
os seus ninhos.
Algumas espécies, chamadas “formigas-assassinas”,
têm a tendência de atacar animais muito
maiores que elas, quer para se
alimentarem, quer para se defenderem. É
raro atacarem o homem, mas podem dar
picadas muito dolorosas e, se forem em
grandes números, podem causar dano
permanente ou matar por alergia grave.
As formigas encontram-se em muitas
fábulas e histórias infantis da cultura
ocidental, representando o trabalho e
esforço cooperativo, assim como
agressividade e espírito de vingança. Em
partes de África, as formigas são
consideradas mensageiras dos deuses.
Algumas religiões dos índios
norte-americanos, como os Hopi,
consideram as formigas como os primeiros
habitantes do mundo. Outras usam picadas
de formigas em cerimónias de iniciação,
como teste de resistência.
Tempo de Vida
Desde a etapa em que são ovos, até se
tornarem adultas, as formigas demoram
entre 6 a 10 semanas. Algumas
trabalhadoras podem viver até 7 anos,
enquanto que as rainhas conseguem viver
mais de 15 anos.