Dia da
Imaculada Conceição
08 de Dezembro
Padroeira de Portugal
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro
Arte Final: Iara Melo

El-Rei D. João IV declarou, nas
Cortes de Lisboa, em 1646, que a Virgem
Nossa Senhora da Conceição passasse a
ser padroeira de Portugal,
prometendo-lhe em seu nome e no dos seus
sucessores o tributo anual de 50
cruzados de ouro. O soberano ordenou
ainda que os estudantes da Universidade
de Coimbra, antes de tomarem algum grau,
jurassem defender a Imaculada Conceição
da Mãe de Deus.
A 25 de Março de 1656, D. João IV,
corou Nossa Senhora da Conceição de Vila
Viçosa, Rainha e Padroeira de Portugal.
A partir desse momento, mais nenhum Rei
de Portugal usou a coroa na cabeça.
Imaculada Conceição
Foi Nuno Álvares Pereira (Condestável
do Reino) quem mandou edificar em Vila
Viçosa a primeira ermida, em toda a
Península Ibérica, dedicada à Imaculada
Conceição. Este culto desenvolveu-se
extraordinariamente em Portugal ao ponto
de D. João IV proclamar Nossa Senhora da
Conceição de Vila Viçosa como Padroeira
de Portugal muito antes da própria
Igreja definir este Dogma de fé.
Nas cortes celebradas em Lisboa no ano
de 1646 declarou el-rei D. João IV que
tomava a Virgem Nossa Senhora da
Conceição por padroeira do Reino de
Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e
dos seus sucessores, o tributo anual de
50 cruzados de ouro. Ordenou o mesmo
soberano que os estudantes na
Universidade de Coimbra, antes de
tomarem algum grau, jurassem defender a
Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não
foi D. João IV o primeiro monarca
português que colocou o reino sob a
protecção. da Virgem, apenas tornou
permanente uma devoção, a que os nossos
reis se acolheram algumas vezes em
momentos críticos para a pátria. D. João
I punha nas portas da capital a
inscrição louvando a Virgem, e erigia o
convento da Batalha a Nossa Senhora,
como o seu esforçado companheiro D. Nuno
Alvares Pereira levantava a Santa Maria
o convento do Carmo. Foi por provisão de
25 de Março do referido ano de 1646 que
se mandou tomar por padroeira do reino
Nossa Senhora da Conceição. Comemorando
este facto cunharam-se umas medalhas de
ouro de 22 quilates, com o peso de 12
oitavas, e outras semelhantes mas de
prata, com o peso de uma onça, as quais
foram depois admitidas por lei como
moedas correntes, as de ouro por 12$000
réis e as de prata por 600 réis. Segundo
diz Lopes Fernandes, na sua Memoria das
medalhas, etc., consta do registo da
Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag.
256, v. que António Routier foi mandado
vir de França, trazendo um engenho para
lavrar as ditas medalhas, as quais se
tornaram excessivamente raras, e as que
aquele autor numismata viu cunhadas
foram as reproduzidas na mesma Casa da
Moeda no tempo de D. Pedro II. Acham-se
também estampadas na Historia
Genealógica, tomo IV, tábua EE. A
descrição é a seguinte: JOANNES IIII, D.
G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz
da ordem de Cristo, e no centro as armas
portuguesas. Reverso: TUTELARIS REGNI –
Imagem de Nossa Senhora da Conceição
sobre o globo e a meia lua, com a data
de 1648, e; nos lados o sol, o espelho,
o horto, a casa de ouro, a fonte selada
e arca do santuário. O dogma da
Imaculada Conceição foi definido pelo
papa Pio IX em 8 de Dezembro de 1854,
pela bula Ineffabilis. A instituição da
ordem militar de Nossa Senhora da
Conceição por D. João VI (V. o artigo
seguinte) sintetiza o culto que em
Portugal sempre teve essa crença antes
de ser dogma. Em 8 de Dezembro de 1904
lançou-se em Lisboa solenemente a
primeira pedra para um monumento
comemorativo do cinquentenário da
definição do dogma. Ao acto, a que
assistiram as pessoas reais, patriarca e
autoridades, estiveram também
representadas muitas irmandades de Nossa
Senhora da Conceição, de Lisboa e do
País, sendo a mais antiga a da actual
freguesia dos Anjos, que foi instituída
em 1589.
(Dicionário Histórico, Corográfico,
Heráldico, Biográfico, Numismático e
Artístico de Portugal)
Nota: O primeiro padroeiro de
Portugal e protector do D. Afonso
Henriques foi o Arcanjo Miguel. Parece
que o primeiro monarca português, ao
defrontar-se com os sarracenos em terras
de Santarém, rogou auxílio do Alto, o
qual lhe foi concedido na forma de uma
nuvem da qual descendeu o punho alado do
Arcanjo São Miguel que derrotou o
inimigo. Como acção de graças o Rei
fundou a ordem de S. Miguel da Ala e
consagrou o país ao Anjo Guerreiro.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
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