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Jaime Cortesão

 

 

Nasceu a 29 de Abril de 1884

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo



Polígrafo eminente, Jaime Zuzarte Cortesão legou à cultura portuguesa uma vasta obra, repartida entre a literatura (poesia, conto, drama) e a história (portuguesa e brasileira), passando pela arte e a intervenção cívica de que se tornou uma das mais representativas figuras nos anos 20-30 ao lado de António Sérgio e Raul Proença (Grupo da Seara Nova (*). Banido de Portugal em 1940, dedicou-se ao estudo da história da colonização portuguesa do Brasil, de que se tornou um dos principais especialistas até ao regresso definitivo a Portugal em 1957.
Jaime Cortesão, em Coimbra estudou Grego e Direito e, mais tarde, no Porto e em Lisboa, Medicina, formando-se em 1909. Como tese de formatura publicou "Arte e Medicina" e um livro de Poesia: "A Morte da Águia". Anos depois, publicou um belo volume de líricas, sob o título de "Glória Humilde". Professor, de 1911 a 1915, deputado, de 1915 a 1917, serviu como voluntário na 1.ª Guerra Europeia, na campanha de Flandres, em 1918, na qualidade de capitão-médico-miliciano, tendo sido gravemente ferido em combate e condecorado com a Cruz de Guerra. Sobre a guerra escreveu um livro, hoje raro: "Memórias da Grande Guerra". Director da Biblioteca Nacional de Lisboa, de 1919 a 1927, fez parte da missão literária que foi ao Brasil, em 1922, acompanhando o presidente António José de Almeida. Data dessa época, ao colaborar na "História da Colonização Portuguesa do Brasil", o seu renome de historiador, especialmente da parte relativa aos descobrimentos portugueses. Mas, ao lado dessa glória de historiador erudito, ressalta mais a sua vida de democrata austero e fiel praticante das virtudes antigas. Exilando-se no estrangeiro, desde 1927, por não compactuar com a ordem imposta pela ditadura salazarista, Jaime Cortesão viveu sucessivamente na Espanha, França, Bélgica e Inglaterra. De 1940 em diante coube ao Brasil recebê-lo, “não como hóspede ilustre, mas como fraterno trabalhador”. Voltando depois a Portugal, teve o historiador de pagar com inúmeros dissabores e prisão o seu fervor e dedicação à causa da liberdade.
E, no dia l4 de Agosto de 1960, morria o notável historiador. A imprensa, quer lusitana, quer brasileira, ficou de luto:
«Prestamos, neste primeiro número de “O Marialva”, homenagem muito sentida à memória do Dr. Jaime Cortesão, recentemente falecido. Alto espírito de poeta, de historiador, dramaturgo; alcandorado carácter que foi, no conceito da redacção do “Estado de S. Paulo um dos maiores portugueses” ; e, em nossa opinião, não só isso, mas o mais ilustre e elevado carácter, entre os nossos conterrâneos de todos os tempos. Jaime Cortesão, como homem de letras, como lídimo patriota e como carácter de elevada pureza, merece o preito da nossa gratidão e saudades eternas (...).
Com grande acompanhamento, os restos mortais de Jaime Cortesão foram inumados no Cemitério dos Prazeres. O féretro, coberto com as bandeiras portuguesa e brasileira, esta última cedida pelo embaixador do Brasil (o falecido era cidadão benemérito de São Paulo), saiu da sede da Sociedade Portuguesa de Escritores, da qual Jaime Cortesão era presidente. No cemitério foi depositado provisoriamente em jazigo, para mais tarde baixar à sepultura conforme foi sempre o desejo de Jaime Cortesão, como desejo seu foi o de ser amortalhado no burel dos franciscanos com que foi enterrado, sendo, porém, o enterro não religioso, mas civil, pois era um espírito laico de convicção.
In «Sabores de terra e mar»
A Morte da Águia (Lisboa, 1910); A Arte e a Medicina: Antero de Quental e Sousa Martins (Coimbra, 1910); "O Poeta Teixeira de Pascoaes" in: A Águia, 1ª série, Porto, nº 8, 01/Abr/1911; nº 9, 1/Mai/1911 - "A Renascença Portuguesa e o ensino da História Pátria" in: A Águia, 1ª série, nº 9, Porto, Set. 1912; "Da 'Renascença Portuguesa' e seus intuitos" in: A Águia, 2ª série, nº 10, Porto, Out. 1912; "As Universidades Populares", série de artigos in: A Vida Portuguesa, Porto, 1912-1914; ...Daquém e Dalém Morte, contos, (Porto, 1913); Glória Humilde, poesia, (Porto, 1914); Cancioneiro Popular. Antologia (Porto, 1914); Cantigas do Povo para as Escolas (Porto, 1914); "O parasitismo e o anti-historismo. Carta a António Sérgio" in: A Vida Portuguesa, nº 18, Porto, 2/Out/1914;  "Teatro de Guerra", série de artigos in: O Norte, Porto, 1914; O Infante de Sagres, drama, (Porto, 1916); "Cartilha do Povo. 1º Encontro" in: Portugal e a Guerra, Porto, 1916; "As afirmações da consciência nacional", série de artigos in; Atlântida, Lisboa, 1916; Egas Moniz, drama, (Porto, 1918); Memórias da Grande Guerra (1916-1919) (Porto, 1919)
"A Crise Nacional" in: Seara Nova, nº 2, Lisboa, 5/Nov/1921; Adão e Eva, drama, (Lisboa, 1921); A Expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil (Lisboa, 1922); Itália Azul (Rio de Janeiro; Porto, 1922); O Teatro e a Educação Popular (Lisboa, 1922); Divina Voluptuosidade, poesia, (Lisboa, 1923); Intuitos da União Cívica, União Cívica. Conferências de Propaganda (Porto, 1923); "A Reforma da Educação" in: Seara Nova, nº 25, Lisboa, Jul. 1923; Do sigilo nacional sobre os Descobrimentos (Lisboa, 1924); A Tomada e Ocupação de Ceuta (Lisboa, 1925); Le Traité de Tordesillas et la Découvert de L'Amérique (Lisboa, 1926); A Expansão dos Portugueses na História da Civilização (Lisboa, 1983 (1ª ed., 1930)); Os Factores Democráticos na Formação de Portugal (Lisboa, 1964 (1ª ed., 1930); História da expansão portuguesa (Lisboa, 1993), colaboração na História de Portugal dirigida por Damião Peres, 1931-1934; Influência dos Descobrimentos Portugueses na História da Civilização (Lisboa, 1993), colaboração no vol. IV da História de Portugal dirigida por Damião Peres, 1932.; "Cartas à Mocidade" in: Seara Nova, Lisboa, 1940; Missa da Meia-noite e Outros Poemas, sob o pseudónimo de António Froes (Lisboa, 1940); 13 Cartas do cativeiro e do exílio (1940) (Lisboa, 1987); "Relações entre a Geografia e a História do Brasil" e "Expansão territorial e povoamento do Brasil" in: História da Expansão Portuguesa no Mundo, dirigida por António Baião, Hernâni Cidade e Manuel Múrias, vol. III, Lisboa, 1940.; O carácter lusitano do descobrimento do Brasil (Lisboa, 1941); Teoria Geral dos Descobrimentos Portugueses – A Geografia e a Economia da Restauração (Lisboa, 1940); O que o povo canta em Portugal. Trovas, Romances, Orações e Selecção Musical (Rio de Janeiro, 1942); Cabral e as Origens do Brasil (Rio de Janeiro, 1944); Os Descobrimentos pré-colombinos dos Portugueses (Lisboa, 1997 (1ª ed., 1947);  Eça de Queiroz e a Questão Social (Lisboa, 1949);  Os Portugueses no Descobrimento dos Estados Unidos (Lisboa, 1949);  Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid (Lisboa, 1950);  Parábola Franciscana, poesia, (Lisboa, 1953);  O Sentido da Cultura em Portugal no século XIV (Lisboa, 1956);  Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil (Rio de Janeiro, 1958);  A Política de Sigilo nos Descobrimentos nos Tempos do Infante D. Henrique e de D. João II (Lisboa, 1960); "Prefácio a modo de memórias" in: O Infante de Sagres, 4ª ed., (Porto, 1960);  Os Descobrimentos Portugueses, 2 vols., (Lisboa, 1960-1962); Introdução à História das Bandeiras, 2 vols., (Lisboa, 1964); O Humanismo Universalista dos Portugueses (Lisboa, 1965); História do Brasil nos Velhos Mapas (Rio de Janeiro, 1965-1971);  Portugal – A Terra e o Homem (Lisboa, 1966)
No Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, dedicando-se ao ensino universitário, especializando-se na História dos Descobrimentos Portugueses (de que resultou a publicação da obra homónima) e na Formação Territorial do Brasil. Em 1952, organizou a Exposição Histórica de São Paulo, para comemorar o 4.º centenário da fundação da cidade.

Brasil – por Jaime Cortesão   
O descobrimento do Brasil é um dos momentos marcantes do processo de expansão marítima e comercial portuguesa nos séculos XV e XVI. A fim de aumentar sua actuação política e comercial, Portugal volta-se para o oceano Atlântico, explorando primeiramente as ilhas próximas do país e a costa africana. Com o apoio da burguesia mercantil e da nobreza, o Estado desenvolve uma poderosa estrutura de navegação e comércio, dirigida inicialmente pelo infante dom Henrique. No começo, obtém da África ouro, marfim e escravos. Mais tarde, traz da Índia as lucrativas especiarias. Depois de 1492, a crescente disputa dos reinos europeus pelas terras do continente americano impulsiona os descobrimentos e a colonização do Novo Mundo.
As circunstâncias que antecederam o descobrimento do Brasil não são inteiramente conhecidas, apesar dos avanços da pesquisa histórica. Há duas hipóteses principais: uma defende que o descobrimento teria sido casual e a outra afirma que foi intencional.
Os que acreditam na tese do descobrimento acidental se baseiam no fato de não haver prova documental que confirme o envio oficial da esquadra ao litoral brasileiro no meio da viagem para a Índia. Porém, não se crê mais na possibilidade de a frota ter encontrado a costa brasileira por erro de navegação. Desde as primeiras décadas do século XV, Portugal envia expedições ao Atlântico Sul, e seus navegadores conheciam bem as direcções dos ventos e das correntes marítimas entre os continentes africano e americano.
Sabiam da existência da corrente descendente (Canárias), que permite a navegação costeira ao redor da África até o golfo da Guiné, e da corrente ascendente (Benguela), que inverte o sentido das embarcações. Para atingir o extremo sul do Atlântico, os navegadores portugueses afastavam-se da costa africana, evitando ventos e correntes ascendentes, e corrigiam a rota empurrados pela corrente descendente chamada corrente do Brasil, que passa pelo Nordeste brasileiro e atinge o sul do continente africano.
O descobrimento oficial do país está registado com minúcia. Poucas são as nações que possuem uma "certidão de nascimento" tão precisa e fluente quanto a carta que Pêro Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando o "achamento" da nova terra. Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o necessário para chegar à Índia. Teria sido o descobrimento do Brasil realmente um mero acaso?
Por muito tempo, o descobrimento do Brasil, ou "achamento", como registar o escrivão Pêro Vaz de Caminha, é considerado simples acaso. A partir de 1940 vários historiadores brasileiros e portugueses passam a defender a tese da intencionalidade da descoberta, hoje amplamente aceita.
A favor da hipótese da descoberta intencional há o fato de que Portugal, como os demais reinos europeus, sabia da existência de terras no Ocidente desde 1492, quando Cristóvão Colombo chega à América. Tanto que busca garantir logo a posse de parte dessas terras pelo Tratado de Tordesilhas. Os portugueses também tinham informações sobre viagens espanholas como as de Vicente Yañes Pinzón e de Diego Lepe, que teriam costeado o actual Nordeste brasileiro pouco antes de Cabral.
Além disso, imediatamente após o retorno de Vasco da Gama da Índia, em 1499, Portugal teria mandado o cosmógrafo e navegante Duarte Pacheco Pereira refazer sua rota e explorar a "quarta parte", o quadrante oeste do Atlântico Sul. Apesar de não existir uma completa comprovação da realização dessa missão – a Coroa portuguesa tinha uma política de sigilo nos empreendimentos marítimos –, Duarte Pacheco Pereira participa da viagem de Cabral em 1500. Isso pode indicar que a expedição teria dois objectivos: um público e outro secreto. O primeiro seria desenvolver as operações comerciais na Índia e o segundo, confirmar as explorações realizadas anteriormente no Atlântico Sul, com a tomada de posse oficial das novas terras.
A esquadra de Cabral
Pedro Álvares Cabral (1467-1517) estuda literatura, história e ciências, cosmografia, marinharia e as artes militares. Aos 16 anos é nomeado fidalgo da corte de dom João II. No reinado de dom Manuel, passa a integrar o Conselho do Rei, é admitido na Ordem de Cristo – uma distinção entre os nobres – e recebe uma pensão anual. Aos 33 anos é escolhido para comandar a segunda expedição às Índias.
Cabral comanda a maior e mais bem equipada frota a zarpar dos portos ibéricos até então. Com dez naus e três caravelas, leva 1.500 homens, quase 3% da população de Lisboa, na época com cerca de 50 mil habitantes. São representantes da nobreza, comerciantes, artesãos, religiosos, alguns degredados e soldados. Participa da expedição um banqueiro florentino, Bartholomeu Marquione, elo de ligação entre a Coroa portuguesa e Lourenço de Medici, o senhor de Florença. É essa expedição que descobre o Brasil, dia 22 de abril de 1500.
A esquadra inclui alguns dos mais experientes navegadores da época. Um deles é Bartolomeu Dias, o primeiro a contornar o cabo da Boa Esperança e a descobrir a passagem marítima para a Ásia, em 1485. Outro é Duarte Pacheco Pereira, apontado pelos historiadores como um dos mais completos cartógrafos e pilotos da Marinha portuguesa do período.
Ao longo dos dez dias que passou no Brasil, a armada de Cabral tomou contacto com cerca de 500 nativos. Eram, se saberia depois, tupiniquins - uma das tribos do grupo tupi-guarani que, no início do século XVI, ocupava quase todo o litoral do Brasil. Os tupi-guaranis tinham chegado à região numa série de migrações de fundo religioso (em busca da "Terra Sem Males"), no começo da Era Cristã. Os tupiniquins viviam no sul da Bahia e nas cercanias de Santos e Betioga, em São Paulo. Eram uns 85 mil. Por volta de 1530, uniram-se aos portugueses na guerra contra os tupinambás-tamoios, aliados dos franceses. Foi uma aliança inútil: em 1570, já estavam praticamente extintos, massacrados por Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil.
Depois de alcançar as terras brasileiras, Cabral retoma a rota de Vasco da Gama. Aporta em várias reinos africanos, estabelece relações com os poderosos locais e chega a Calicute em 13 de Setembro de 1500. Ao voltar a Lisboa, dia 6 de Junho de 1501, é aclamado herói. Sua glória dura pouco. Desentende-se com o rei sobre o comando da próxima expedição às Índias, programada para 1502. Vasco da Gama é escolhido para comandar a esquadra, e Cabral desaparece do cenário político.

Canção Violeta - Jaime Cortesão

Amo o roxo. E vai que fazes?
A luz tamisas de malva
E roxa desponta a alva
Sobre a colcha de lilases.
Roxos alastram os razes.
E tu das-te nua e alva
Lírio roxo numa salva
Sobre a colcha de lilases.
Com suas pestanas pretas
As tuas pálpebras roxas
São duas grandes violetas.
E, por mais gosto da vida,
Depois que a lâmpada afrouxa,
Fez-se a alcova de ametista.

(*)A Seara Nova iniciou a sua publicação no mês de Outubro de 1921, ostentando o seu primeiro número a data de 15 de Outubro de 1921. O n.º 2 saiu logo a 5 de Novembro, incluindo um artigo de Raul Proença sobre a noite sangrenta e outros comentários à profunda crise política e social que então se vivia.
O lançamento da revista foi precedido por um conjunto de reuniões, uma das quais, decisiva para o arranque do projecto, foi realizada em Abril daquele ano na localidade de Coimbrão, distrito de Leiria, nela tendo nela participado Teixeira de Vasconcelos, Raul Proença, Câmara Reis, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e Raul Brandão.
Foram muitos os intelectuais que colaboraram na Seara Nova ao longo dos seus mais de 50 anos de publicação relativamente regular, contando-se entre muitos outros, os seguintes: António Sérgio (que integrou a direcção a partir de 1923 e nela se consagrou como pensador e crítico notável), Augusto Casimiro, Rogério Fernandes, Augusto Abelaira, Teixeira Gomes, Afonso Duarte, Hernâni Cidade, Joaquim de Carvalho, João de Barros, Irene Lisboa, Manuel Mendes, José Rodrigues Miguéis, José Bacelar, Álvaro Salema, Lobo Vilela, Santana Dionísio, José Gomes Ferreira, Adolfo Casais Monteiro, Mário Dionísio, Avelino da Costa Cunhal, Fernando Lopes Graça e Jorge de Sena.
Quase desde o início do projecto, foi Raul Proença quem se destacou pela forte e ousada intervenção no campo político, educativo, e literário. Deve-se também a Raul Proença ter recrutado alguns dos mais importantes colaboradores do projecto, com destaque para António Sérgio.
António Sérgio, apesar de ter depois abandonado o projecto numa cisão em que foi acompanhado por Jaime Cortesão, desenvolveu na Seara Nova uma notável acção pedagógica e cultural, tendo um papel fundamental no combate à tendência literária para o vago, nebuloso, torre de marfim que então dominava, através da introdução de formas de crítica literária mais racional. Nessa linha de intervenção foi continuado por Castelo Branco Chaves e por Agostinho da Silva.
 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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