Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Esta adorável tradição portuguesa vem
do tempo dos romanos, que festejavam o
deus Janos,o porteiro do Olimpo, o
senhor das Entradas, que podia nos
proporcionar um ano venturoso,
exorcizando as energias impuras.
Passaram os romanos, o deus Janos ficou
relegado ao esquecimento, mas, ainda
hoje é costume se desejar as “Boas
entradas”entre amigos e conhecidos.
Os
dicionários definem normalmente as
Janeiras como “Cantigas de boas-festas
por ocasião do Ano Novo”. Assim sendo,
não podemos deixar de relacioná-las, com
Janeiro, o primeiro mês do ano, assim
chamado em honra do deus Jano (de janua
= porta, entrada). Este deus ocupava um
lugar muito importante na mitologia
romana, sendo o seu nome invocado antes
de Júpiter. Jano era o porteiro
celestial, e, consequentemente, o deus
das portas, que as abria e fechava,
esperando-se a sua protecção na partida
e no regresso. Considerado um deus dos
começos, Jano era invocado para afastar
das casas os espíritos funestos e não
podia deixar de ser invocado no mês de
Janeiro, começo do novo ano. Em sua
honra aproveitariam os romanos para se
saudarem uns aos outros. Parece,
portanto, que as Janeiras, transmitidas
de geração em geração, têm origem nesses
cultos pagãos, que mais uma vez o
cristianismo não conseguiu apagar, mas
sim, assimilou nos seus ritos.
Esta
tradição é antiquíssima e bem
portuguesa. Ocorre em Janeiro, o
primeiro mês do ano, daí o seu nome.
Este mês era o mês do deus Jano, o deus
das portas e da entrada e porteiro dos
céus. Os Romanos ambicionavam que ele os
protegesse e repelisse os maus espíritos
e invocavam-no especialmente nas alturas
de Janeiro. Então, o Imperador Caio
Júlio César estabeleceu as datas
limites deste mês e que o ano deveria
começar nesta época. A partir desta
altura tornou-se tradição os Romanos
saudarem o início de um novo ano e
aclamarem Jano com festejos,
aproveitando também para se
cumprimentarem uns aos outros, daí
surgiu a tradição das "Janeiras". Foi
esta tradição que o Cristianismo, não a
conseguindo eliminar, adaptou-a
acrescentando-lhe os autos pastoris que
evocam a cena do nascimento de Jesus e
episódios a ele ligados: Nossa Senhora
e S. José; os anjos anunciadores da "Boa
Nova"; a vaca e o burrinho; os pastores.
A tradição
é que vizinhos, amigos, familiares, ...,
normalmente jovens e daí alguns não tão
jovens se agrupem e, na noite de Reis (6
de Janeiro), por vezes alastrando-se a
outros dias do início do ano, andem
pelas ruas da terra, cantando de «porta
em porta» e desejem às pessoas um
próspero ano novo. Habitualmente, alguns
elementos tocam instrumentos normalmente
tradicionais e folclóricos, como a
pandeireta, os ferrinhos (triângulo), o
tambor, a zabumba, o bombo, a flauta, a
viola, o cavaquinho, o acordeão, mais
raramente a gaita-de-foles, etc. As
músicas utilizadas são tradicionais,
embora a letra possa variar de terra
para terra e também conforme o grupo.
Previamente, a música e a letra são
estudados, mas o grupo pode levar papéis
para auxílio, nomeadamente o solista que
cantará as quadras para além do refrão,
enquanto que o coro o cantará. Terminada
a canção numa casa, espera-se que os
donos ofereçam as chamadas janeiras:
castanhas, nozes, alguns frutos,
enchidos, vinho, doces da época
natalícia, etc. Por comodidade,
actualmente é costume dar-se chocolates
e dinheiro, embora isto seja considerado
uma destradicionalização. No final do
percurso, o grupo reúne-se e faz um
convívio onde todos juntos comem aquilo
que conseguiram, ou então, divide-se por
todos e cada um segue o seu caminho. Nas
aldeias mais pequenas era, e nalgumas
ainda é, costume a divisão do grupo em
grupos mais pequenos e como toda a gente
se conhecia, em função dos moradores de
determinada casa, eram escolhidas as
quadras a cantar nesta.
Fonte: José Eduardo Rebelo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
As Janeiras ou cantar as Janeiras é uma
tradição em Portugal que consiste na
reunião de grupos que se passeiam pelas
ruas no início do ano, cantando de porta
em porta e desejando às pessoas um feliz
ano novo.
Ocorrem em
Janeiro, o primeiro mês do ano. Este mês
era o mês do deus Jano, o deus das
portas e da entrada. Era o porteiro dos
Céus e por isso muito importante para os
romanos que esperavam a sua protecção.
Era-lhe pedido que afastasse das casas
os espíritos maus, sendo especialmente
invocado no mês de Janeiro.
Era
tradição que os romanos se saudassem em
sua honra no começar de um novo ano e
daí derivam as Janeiras. A tradição
geral e mais acentuada, é que grupos de
amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem
instrumentos (no caso de os haver são
mais comuns os folclóricos: pandeireta,
bombo, flauta, viola, etc.). Depois do
grupo feito, e de distribuídas as letras
e os instrumentos, vão cantar de porta
em porta pela vizinhança.
Terminada
a canção numa casa, espera-se que os
donos tragam as janeiras (castanhas,
nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc.
Por comodidade, é hoje costume dar-se
chocolates e dinheiro, embora não seja
essa a tradição).
No fim da
caminhada, o grupo reúne-se e divide o
resultado, ou então, comem todos juntos
aquilo que receberam.
As músicas
utilizadas, são por norma já conhecidas,
embora a letra seja diferente em cada
terra.
Vamos
cantar as janeiras
Vamos
cantar as janeiras
Por esses
quintais adentro vamos
Às
raparigas solteiras
Vamos
cantar orvalhadas
Vamos
cantar orvalhadas
Por esses
quintais adentro vamos
Às
raparigas casadas
Vira o
vento e muda a sorte
Vira o
vento e muda a sorte
Por
aqueles olivais perdidos
Foi-se
embora o vento norte
Muita neve
cai na serra
Muita neve
cai na serra
Só se
lembra dos caminhos velhos
Quem tem
saudades da terra
Quem tem a
candeia acesa
Quem tem a
candeia acesa
Rabanadas
pão e vinho novo
Matava a
fome à pobreza
Já nos
cansa esta lonjura
Já nos
cansa esta lonjura
Só se
lembra dos caminhos velhos
Quem anda
à noite à ventura
Vamos
cantar as janeiras
Vamos
cantar as janeiras
Por esses
quintais adentro vamos
Às
raparigas solteiras
Vamos
cantar orvalhadas
Vamos
cantar orvalhadas
Por esses
quintais adentro vamos
Às
raparigas casadas
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
– Marinha Grande – Portugal |
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