José Martiniano de Alencar, jornalista, político, jurista,
professor, crítico, teatrólogo, poeta, é no romance que este
brasileiro do Ceará deve a sua popularidade de que ainda hoje
desfruta. Escritor do período romântico, influenciado por
Chateaubriand, aproveitou a temática índia do Brasil, sendo um
dos iniciadores do chamado indianismo, movimento destinado a
afirmar a nacionalidade de um povo que se desejava independente
e categorizado em face do europeu. Conhecedor da língua tupi,
utilizou nos seus romances de carácter histórico elementos
míticos e simbólicos daquele povo. Numa outra fase, virou-se
para o romance do tipo urbano, onde analisa os hábitos da
sociedade brasileira do seu tempo, especialmente no amor e
casamento, focando o problema feminino e o direito da mulher à
escolha do seu companheiro, até então feita por conveniências
paternais. Neste campo fez um levantamento precioso da vida
burguesa no Brasil, como na fase seguinte iria fazê-lo no
respeitante às relações de produção na sociedade rural,
informando com autenticidade sobre os mais variados aspectos de
problemática regional.
Defensor da tese de que o português utilizado no Brasil tinha
diferenças da língua-mãe que era necessário adaptar e enriquecer
o vocabulário e o estilo da narrativa às necessidades
sintácticas do falar brasileiro, fugindo do trivial e inovando
sem receio.
Nascido em Messejana, na época um município vizinho a
Fortaleza, a família transfere-se para a capital do Brasil
Império e Alencar, então com onze anos, foi matriculado no
Colégio de Instrução Elementar. Em 1844, matriculou-se nos
cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo,
começando o curso em 1846. Fundou, na época, a revista Ensaios
Literários, onde publicou o artigo Questões de estilo. Formou-se
em Direito, em 1850, e, em 1854, estreou como folhetinista no
Correio Mercantil. Em 1856 publica o primeiro romance, Cinco
Minutos, seguido de A Viuvinha, em 1857. Mas é com O Guarani
(1857) que alcançará notoriedade.
José de Alencar foi mais longe nos romances que completam a
trilogia indigenista: Iracema (1865) e Ubirajara (1874). O
primeiro, epopeia sobre a origem do Ceará, tem como personagem
principal a índia Iracema, a "virgem dos lábios de mel" e
"cabelos tão escuros como a asa da graúna". O segundo tem por
personagem Ubirajara, valente guerreiro indígena que durante a
história cresce em direcção à maturidade. Em 1859, tornou-se
Chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, sendo depois
consultor do mesmo. Em 1860 José de Alencar havia ingressado na
política, como deputado. Em 1868, tornou-se Ministro da Justiça
e, em 1869, candidatou-se ao Senado. Em 1877 viria a ocupar um
ministério no governo do Imperado. Em 1872 se tornou pai de
Mário de Alencar, o qual, segundo uma história nunca totalmente
confirmada, seria na verdade filho de Machado de Assis, dando
respaldo para o romance Dom Casmurro. Viajou para a Europa em
1877 para tentar um tratamento, porém não teve sucesso. Faleceu
no Rio de Janeiro no mesmo ano de tuberculose. Produziu também
romances urbanos (Senhora, 1875; Encarnação, escrito em 1877,
ano de sua morte e divulgado em 1893), regionalistas (O Gaúcho,
1870; O Sertanejo, 1875) e históricos (A Guerra dos Mascates,
1873), além de peças para o teatro. Característica de sua obra é
o nacionalismo, tanto nos temas quanto nas inovações no uso da
língua. Em um momento de consolidação da Independência, Alencar
representou um dos mais sinceros esforços patrióticos em povoar
o Brasil com conhecimento e cultura próprios, em construir novos
caminhos para a literatura no país. Em sua homenagem foi erigida
uma estátua no Rio de Janeiro.
Sua Obra:
Romances urbanos:
"Cinco Minutos" (1857); "A Viuvinha" (1860); "Lucíola"
(1862); "Diva" (1864); "A Pata da Gazela" (1870); "Sonhos d’Ouro"
(1872); "Senhora" (1875); "Encarnação" (1893, póstumo).
Romances históricos: "O Guarani" (1857); "Iracema" (1865);
"As Minas de Prata" (1865); "Alfarrábios" (1873); "Ubirajara"
(1874); "Guerra dos Mascates" (1873).
Romances regionalistas: "O Gaúcho" (1870); "O Tronco do Ipê"
(1871); "Til" (1872); "O Sertanejo" (1875).
Obras do domínio público: