Portal CEN *** Pesquisas Carlos Leite Ribeiro ***

 

 

José do Patrocínio

 

Nasceu a 09 de Outubro de 1853

 

 

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Formatação: Iara Melo


 

José Carlos do Patrocínio, mulato, filho de um padre e de uma escrava que vendia fruta, foi farmacêutico, jornalista e escritor brasileiro. Nasceu em Campos Goytacazes RJ, a 9 de Novembro de 1853.

Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, com a cadeira Nº 21 cujo patrono é Joaquim serra, e um dos mais notáveis propagandistas da Abolição. De cor mulata, filho de escrava alforriada e do cónego João Monteiro, foi para o Rio de Janeiro aos 13 anos de idade, concluindo o curso de Farmácia na Faculdade de Medicina, em 1874.

Logo ingressou na imprensa tornando-se redactor da “Gazeta de Notícias”. Em 1881, com dinheiro emprestado pelo sogro, adquiriu a “Gazeta da Tarde”, à frente da qual permaneceu por seis anos e onde deu início à campanha abolicionista (01).

Em 1887 fundou a “Cidade do Rio”, intensificando os ataques à política da escravatura. Com o advento da República, o jornal foi interditado e, em 1892, seu director era desterrado para Cucuí, no Amazonas, em virtude da sedição de 10 de Abril daquele ano, mas foi libertado pouco depois. Orador de alta estirpe, de verbo inflamado e vivo poder de improvisação, foi um dos maiores jornalistas brasileiros. Sua acção como líder da causa abolicionista não ficou apenas na palavra; foi muito além, dando fuga a muitos escravos e organizando núcleos abolicionistas.

Começou a vida como servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia do Rio. Pagando o próprio estudo, formou-se em farmácia. Em 1875, porém, descobriu a verdadeira vocação ao um jornal satírico chamado "Os Ferrões” Começava ali a carreira de um dos mais brilhantes Jornalistas brasileiros de todos os tempos. Dono de um texto requintado e viril, José do Patrocínio - que de início assinava Proudhon -- se tornou um articulista famoso em todo o país. Conheceu a princesa Isabel, fundou seu diário, a "Gazeta da Tarde" virou o "Tigre do Abolicionismo". Em Maio de 1883, criou, junto com André Rebouças, uma confederação unindo todos os clubes abolicionistas do país. A revolução se iniciara. "E a revolução se chama Patrocínio», diria Joaquim Nabuco. Pouco depois de a princesa Isa­bel assinar a Lei Áurea, sob uma chuva de rosas no paço da cidade, a campanha que, por dez anos, Patrocínio liderara enfim parecia encerrada. “Minha alma sobe de joelhos nestes paços", diria ele, curvando-se para beijar as mãos da "loira mãe dos brasileiros”. Aos 35 anos in­completos, era difícil difícil supor que, a partir dali, Patrocínio veria sua carreira ir ladeira abaixo. Mas foi o que aconteceu: seu novo jornal, “A Cidade do Rio”, fundando em 1887), virou porta-voz da monarquia – em tempos republicanos. Patrocínio foi acusado de estimular a formação da "Guarda Negra", um bando de escravos libertos que agiam com violência nos comícios republicanos. Era um "isabelista".

Consagrou seus derradeiros anos de existência a uma curiosa e malograda empresa: a construção de aeróstato Santa Cruz.

José do Patrocínio realizou algumas incursões na ficção, tendo escrito três romances: “Mota Coqueiro ou A Pena de Morte – em 1877”; “Os Retirantes – em 1879” – “ Pedro Espanhol – em 1884”.

No dia 29 de Janeiro de 1905, José do Patrocínio sentou-se em frente da sua pequena escrivaninha no modesto barracão em que vivia no bairro de Inhaúma, no Rio de Janeiro. Começou a redigir: “Fala-se na organização de uma sociedade protectora dos animais. Tenho pelos animais um respeito egípcio. Penso que eles têm alma, ainda que rudimentar, e que têm conscientemente revoltas contra a injustiça humana. Já vi um burro suspirar depois de brutalmente espancado por um carroceiro que atulhava a carroça com carga para uma quadriga, e que queria que o mísero animal a arrancasse do atoleiro...” Não terminou a palavra nem a frase – Um jacto de sangue jorrou-lhe da boca. O “Tigre do Abolicionismo” – pobre e desamparado – morria, imerso em dívidas e mergulhado no esquecimento.

Sua obra literária:

1875: Os Ferrões, quinzenário satírico, 10 números, em colaboração com Dermeval Fonseca ; 1877: "Mota Coqueiro ou A Pena de Morte", romance ; 1879 "Os Retirantes", romance ; 1883 "Manifesto da Confederação Abolicionista" ; 1884 "Pedro Espanhol", romance ; 1885, 17 de Maio: Conferência pública, no Teatro Politeama, em sessão da Confederação Abolicionista ; Associação Central Emancipadora, 8 boletins.

 

(01): A campanha abolicionista termina com a promulgação da Lei Áurea, que extingue o regime da escravidão originário da colonização do Brasil. A escravidão havia começado a declinar com o fim do tráfico de escravos em 1850. Progressivamente, imigrantes europeus assalariados substituem os escravos no mercado de trabalho. Mas é só a partir da Guerra do Paraguai de 1865 a 1870, que o movimento abolicionista ganha impulso. Milhares de ex-escravos que retornam da guerra vitoriosos, muitos até condecorados, se recusam a voltar à condição anterior e sofrem a pressão dos antigos donos. O problema social torna-se uma questão política para a elite dirigente do Segundo Reinado.  O Partido Liberal, de oposição, compromete-se publicamente com a causa, mas é o gabinete do visconde do Rio Branco, do Partido Conservador, que promulga a primeira lei abolicionista, a Lei do Ventre Livre, em 28 de Setembro de 1871. De poucos efeitos práticos, ela dá liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir dessa data, mas os mantém sob a tutela de seus senhores até atingirem a idade de 21 anos. Em defesa da lei, o visconde do Rio Branco apresenta a escravidão como uma "instituição injuriosa", que prejudica, sobretudo, a imagem externa do Brasil. 
Em 1880, políticos e intelectuais importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, criam, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, que estimula a formação de dezenas de agremiações semelhantes pelo país. Da mesma forma, o jornal O Abolicionista e o manifesto O Abolicionismo, de Nabuco, e a Revista Ilustrada, de Ângelo Agostini, servem de modelo a outras publicações antiescravidão. Advogados, artistas, intelectuais, jornalistas e parlamentares engajam-se no movimento e arrecadam fundos para pagamento de cartas de alforria, documento que concedia liberdade ao escravo. O Brasil é tomado pela causa abolicionista. Em 1884, o Ceará antecipa-se e decreta o fim da escravidão no seu território. A decisão cearense aumenta a pressão da opinião pública sobre as autoridades federais. Em 1885, o governo cede mais um pouco e promulga a Lei Saraiva-Cotegipe. Conhecida como Lei dos Sexagenários, ela liberta os escravos com mais de 60 anos, mediante compensações a seus proprietários. A lei não apresenta resultados significativos, já que poucos cativos atingem essa idade e os que sobrevivem não têm de onde tirar o sustento sozinhos. Os escravizados, que sempre resistiram ao cativeiro, passam a participar activamente do movimento, fugindo das fazendas e buscando a liberdade nas cidades. No interior de São Paulo, liderados pelo mulato António Bento e seus acólitos, milhares deles escapam das fazendas e instalam-se no Quilombo do Jabaquara, em Santos. A esta altura, a campanha abolicionista mistura-se à republicana e ganha um reforço importante: o Exército. Descontentes com o Império, os militares pedem publicamente para não mais ser utilizados na captura dos fugitivos. Do exterior, sobretudo da Europa, chegam apelos e manifestos favoráveis ao fim da escravidão. Em 13 de Maio de 1888, o governo imperial rende-se às pressões, e a princesa Isabel assina a Lei Áurea, que extingue a escravidão no Brasil. A Lei Áurea não indemnizava os cafeicultores cariocas com a perda dos escravos; eles, então, transformaram-se em republicanos de última hora. Republicanos de 14 de Maio. Assim, o Império perde o apoio dos senhores do café com trabalho escravo, ou seja, perde o apoio dos barões da escravidão cariocas. Perde, assim, o alicerce social que o apoiava, o último sustentáculo de apoio da Monarquia, e consequentemente a Monarquia cai. O fim da escravatura, porém, não melhora a condição social e económica dos ex-escravos. Sem formação escolar nem profissão definida, para a maioria deles a simples emancipação jurídica não muda sua condição subalterna, muito menos ajuda a promover sua cidadania ou ascensão social.

 

E.book "A Campanha Abolicionista" de José do Patrocínio
(Ministério da Cultura do Brasil)

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000110.pdf

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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