Morte de Dom Pedro

 

24 de Setembro de 1834

 

 

 

D. Pedro IV de Portugal e

1º Imperador do Brasil

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro


 

D. Pedro IV - (1798/1834) Vigésimo oitavo Rei de Portugal.

Cognome histórico: "O Liberal"/"O Soldado".
Reinou de 24 de Abril a 2 de Maio de 1826

 

 

D. Pedro IV de Portugal, o Pedro I do Brasil com nome de baptismo:
Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon

Faleceu no mesmo Palácio onde nasceu, em Queluz (salão D. Quixote ) , a 24 de Setembro de 1834. Foi sepultado na Igreja-Panteão de S. Vicente de Fora, em Lisboa.  Mais tarde, em 1972, no sesquicentenário da independência, seus despojos foram trasladados do panteão de São Vicente de Fora para a cripta do monumento do Ipiranga, em São Paulo, ao lado da primeira esposa a Imperatriz Leopoldina e da segunda esposa a Imperatriz Amélia. O coração por sua vontade foi dado à cidade do Porto, onde se encontra num cofre na Igreja da Lapa.

 

D. Pedro IV

Primeiro imperador brasileiro nascido na sala D. Quixote do palácio de Queluz , próximo a Lisboa, herdeiro da coroa portuguesa que desafiou a corte de Lisboa ao proclamar a independência do Brasil e tornar-se seu primeiro monarca. Era o quarto filho de dom João VI, então príncipe regente, e da infanta Carlota Joaquina, filha de Carlos IV da Espanha. Segundo na linha sucessória, tornou-se herdeiro do trono e o título de príncipe da Beira (1801), com a morte do irmão mais velho. Educado por preceptores religiosos (seus primeiros mestres foram o Dr. José Monteiro da Rocha, ex-jesuíta, e frei António de Nossa Senhora da Salete), dedicava-se mais à equitação e actividades físicas do que aos estudos. Depois da mudança da família real para o Brasil (1807), frei António de Arrábida tornou-se seu principal preceptor, porém o príncipe, continuou avesso aos estudos e preferia a vida solta no paço de São Cristóvão e na fazenda de Santa Cruz. Em Março (1816), com a elevação de seu pai a rei de Portugal, recebeu o título de príncipe real e herdeiro do trono em virtude da morte do irmão mais velho, António (1801). No mesmo ano casou-se com Carolina Josefa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria. Com fama de aventureiro e boémio, teve 13 filhos reconhecidos e mais cinco naturais: sete com a primeira esposa, a arquiduquesa Leopoldina, da qual enviuvou (1826); uma filha com a segunda esposa, a duquesa alemã Amélia Augusta; cinco com a amante brasileira Domitila de Castro, a marquesa de Santos; e mais cinco com diferentes mulheres, inclusive com uma irmã de Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba (1), com uma uruguaia María del Carmen García , com duas francesas Noémi Thierry (1) e Clémence Saisset (1) e com uma monja portuguesa Ana Augusta (1). Príncipe do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, após a volta do rei a Portugal (1821), foi nomeado príncipe-regente do Reino do Brasil. Ao irromper a revolução constitucionalista (1820), no Porto, identificou-se abertamente com a causa liberal. No ano seguinte, foi pressionado pelas cortes de Lisboa a também regressar, mas resistiu, criando o famoso Dia do Fico (09/01/1822). Com a popularidade cada vez mais em alta, quando ia de Santos para a capital paulista, recebeu uma correspondência de Portugal, comunicando que fora rebaixado da condição de regente a mero delegado das cortes de Lisboa. Revoltado, ali mesmo, junto ao riacho do Ipiranga, o herdeiro de D. João VI, resolveu romper definitivamente contra a autoridade paterna e declarou a independência do Império do Brasil, proferindo o grito de independência ou morte, rompendo os últimos vínculos entre Brasil e Portugal. De volta ao Rio de Janeiro, foi proclamado, sagrado e coroado imperador e defensor perpétuo do Brasil. Impulsivo e contraditório, logo abandonou as próprias ideias liberais, dissolveu da Assembleia Constituinte, demitiu José Bonifácio e criou o Conselho de Estado que elaborou a constituição (1824). Em meio a dificuldades financeiras e várias e desgastantes rebeliões localizadas, instalou a Câmara e o Senado vitalício (1826), porém um fato provocou desconforto geral e o seu declínio político no Brasil. Com a morte de D. João VI, decidiu contrariar as restrições da constituição brasileira, que ele próprio aprovara, e assumir, como herdeiro do trono português, o poder em Lisboa como Pedro IV, 27º rei de Portugal. Foi a Portugal e, constitucionalmente não podendo ficar coma as duas coroas, instalou no trono a filha primogénita, Maria da Glória, como Maria II, de sete anos, considerando que ela era portuguesa por ter nascido antes da independência brasileira.  Determinou que seu irmão mais novo, Dom Miguel, ficasse a governar na qualidade de regente do reino. Logo a seguir encarregou uma comissão de juristas, orientada por um inglês, de elaborar uma nova Carta Constitucional destinada a Portugal, tendo executado a tarefa em curtas semanas, que, apesar da sua origem espúria, foi considerada a mais perfeita constituição portuguesa e vigorou por mais de oitenta anos. Porém sua indecisão entre o Brasil e Portugal contribuiu para minar a popularidade e, somando-se a isto o fracasso militar na guerra cisplatina (1825-1827), os constantes atritos com a assembleia, o seu relacionamento extraconjugal (1822-1829) com Domitila de Castro Canto e Melo, a quem fez viscondessa e depois marquesa de Santos, o constante declínio de seu prestígio e a crise provocada pela dissolução do gabinete, após quase nove anos como Imperador do Brasil, abdicou do trono em favor de seu filho Pedro (1830) então com cinco anos de idade. Voltando a Portugal, com o título de duque de Bragança, assumiu a liderança da luta para restituir à filha Maria da Glória o trono português, que havia sido usurpado pelo irmão, Dom Miguel, travando uma guerra civil que durou mais de dois anos (1832-1834). Inicialmente preparou um exército na Inglaterra, concentrou-o nos Açores, desembarcou ao norte do Porto (1832) e deu início a uma guerra civil que só terminou com a derrota do irmão usurpador D. Miguel, e restaurando o absolutismo. Logo que findou a guerra, tomou uma importante e injusta decisão política: a expulsão das ordens religiosas, em boa parte favoráveis a seu irmão. Porém voltara tuberculoso da campanha e morreu no mesmo ano, no Palácio Real de Queluz, na mesma sala onde nascera, com apenas 36 anos de idade, e foi sepultado no panteão de São Vicente de Fora como simples general, e não como rei. Cognominado por alguns de o Liberalista, para Portugal foi apenas um rei especulativo, pois não chegou a governar, embora tenha tido uma enorme influência na história daquele país. No sesquicentenário da independência do Brasil (1972), seus restos mortais foram trazidos para a cripta do monumento do Ipiranga, em São Paulo. Sabe-se, ainda, que o Imperador teve formação musical bastante esmerada, tendo sido aluno de mestres como o Padre José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e Sigismund Neukomm. Tocava clarineta, fagote e violoncelo. Dele se conhece uma Abertura, executada no Teatro Italiano de Paris (1832), um Credo, um Te Deum, o Hino da Carta, adoptado posteriormente como Hino Nacional Português (até 1910), e o Hino da Independência do Brasil. É possível que sua produção tenha sido mais vasta. É o Patrono da Cadeira n. 8 da Academia Brasileira de Música.

 

"Os Grandes Portugueses"
http://www.rtp.pt/gdesport


É o grande obreiro da revolução liberal. D. Pedro IV, “o Rei-Soldado”, assinala o início do Portugal contemporâneo. Desafia os políticos de Lisboa ao proclamar a independência do Brasil, outorga a Carta Constitucional aos Portugueses e acaba com o absolutismo após o célebre cerco do Porto. Morre quatro dias depois de restituir o trono à filha, D. Maria II, em 1834. Uma figura incontornável da experiência liberal portuguesa, que impressiona pela obstinada convicção dos seus ideais. “É o último rei do Antigo Regime”, assinala José Miguel Sardica, professor universitário.


Herdeiro da coroa portuguesa, D. Pedro IV nasceu em ambiente de grande agitação política. As ideias liberais da Revolução Francesa proliferavam pela Europa. Portugal foi invadido pelas tropas napoleónicas, e a corte viu-se obrigada a fugir para o Brasil, em 1807. D. Pedro tinha 9 anos. Filho de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, nunca se prendeu muito aos estudos. O espírito apaixonado e corajoso levou-o, no entanto, a assumir funções de destaque ao longo do seu percurso. “O Rei-Soldado” outorgou a Carta Constitucional e comandou as lutas entre liberais e absolutistas. “Foi um herói simultaneamente romântico e aventureiro”, aponta José Miguel Sardica, professor universitário. “Funda o estado liberal.”
Com o título de príncipe real desde Março de 1816, D. Pedro IV foi nomeado regente do Brasil aquando do regresso do pai a Portugal, em 1821.


A agitação de inspiração liberal começou a ganhar grandes proporções entre os naturais do Brasil. D. Pedro, que já se identificava com o liberalismo, recusou regressar quando foi pressionado pelas Cortes de Lisboa e proclamou a independência brasileira. “Em Janeiro de 1822 declarou o célebre ‘Eu fico!’. Para ele era a independência ou a morte”, diz José Miguel Sardica. “Quebrou o laço atlântico que, desde o século XVI, era o principal eixo económico do império.” Pouco depois, foi nomeado imperador do Brasil, ficando conhecido como D. Pedro I. “Um soldado imperador que sempre teve vontade de servir a pátria”, acrescenta Hélio Loureiro, chefe de cozinha do Porto Palácio Hotel e um apaixonado pela história de Portugal.
Com a morte de D. João VI, em 1826, D. Pedro tornou-se rei de Portugal. Na impossibilidade prática de reunir as duas coroas, decidiu apoiar a independência do Brasil. Outorgou a Carta Constitucional aos Portugueses e abdicou do trono a favor da sua filha mais velha, D. Maria da Glória (futura D. Maria II). Isto com a condição de esta se casar com o seu tio D. Miguel - líder da facção absolutista -, que devia jurar a Carta. D. Miguel acabou por defender os seus direitos ao trono e começou a governar como rei absolutista, iniciando a guerra civil que durou de 1828 a 1834. “Foi o conflito mais sangrento no País nos últimos 200 anos. Nem o Estado Novo criou tantos exilados e repressão política”, lembra José Miguel Sardica.


No governo do Brasil, a atitude autoritária de D. Pedro em relação às forças políticas mais liberais levou-o ao afastamento do poder. Viu-se obrigado a abdicar a favor do filho, futuro D. Pedro II, em 1831. Reduzido ao título de duque de Bragança, voltou para a Europa para defender os direitos da filha e ajudar a vingar a causa liberal. “D. Pedro foi um homem de sonhos, que quis avançar para o futuro”, afirma Hélio Loureiro. “Sabia perfeitamente que eram os ideais liberais que se propagariam e influenciariam o resto da Europa.”


Chegado aos Açores, o duque de Bragança formou governo, do qual faziam parte o jurista Mouzinho da Silveira e o diplomata marquês de Palmela. Tornou-se herói das lutas liberais, a personificação da viragem política, quando rechaçou, no cerco do Porto, os ataques das tropas miguelistas. Com a conquista de Lisboa, em 24 de Julho de 1833, pelas forças liberais e a assinatura da Convenção de Évora-Monte, em 26 de Maio de 1834, terminou, finalmente, com a guerra civil e exilou o rei absoluto. O trono foi restituído a D. Maria e deu-se início aos seus 19 anos de reinado. D. Pedro IV morreu quatro dias depois, no mesmo quarto do Palácio de Queluz - o de D. Quixote - onde tinha nascido. “Implantou e consolidou o Estado constitucional em Portugal. Deixou uma marca indelével”, conclui José Miguel Sardica.

 

 

Palácio de Queluz

Queluz é uma localidade muito próxima de Lisboa e conta com um dos palácios mais bonitos na zona: o Palácio Nacional de Queluz!


Em 1747, o Infante D. Pedro (futuro D. Pedro III - Rei de Portugal), contratou o arquitecto Mateus Vicente de Oliveira para transformar esta casa de caça do séc. XVII num palácio de Verão em estilo Rococó. O corpo principal do Palácio, construído até 1758, concluiu-se depois do casamento de D. Pedro com D. Maria Francisca, futura Rainha D. Maria I (1760). Por esta altura, enobreceram-se os ricos salões, bem como os encantadores jardins, com os mais variados tipos de fontes barrocas, azulejos e estátuas. Jean Baptiste Robillion foi o mestre francês responsável pelo magnífico Pavilhão Robillion, pelos jardins e pela renovação da Sala de Música.


Frequentemente comparado ao Palácio de Versailles, este monumento - para além do Pavilhão construído por Robillion que detém claras influências europeias - é muito português, tanto em escala como no próprio espírito artístico.


Actualmente, este palácio é usado pelo Estado Português como residência do Governo e de Chefes de Estado em visita a Portugal, bem como para reuniões especiais. Encontra-se também aberto a todos que o queiram visitar, por isso faça questão de provar um dos muitos deliciosos pratos servidos no restaurante Cozinha Velha, situado numa das alas do palácio, e de não perder a incrível exposição de artes decorativas proveniente de colecções reais.


Sala de D. Quixote
Inicialmente Sala de Café, foi Quarto de Dormir de D. Pedro III, D.Carlota Joaquina, D.João VI, D. Pedro IV, primeiro Imperador do Brasil, que aqui nasceu e morreu, e D. Miguel.
Sala de planta quadrada onde se tem a ilusão de um espaço circular, cuja decoração pictórica da cimalha e das sobreportas, com molduras de talha dourada "rocaile", ilustra episódios da vida de D. Quixote. O teto, já neo-clássico, é rematado por um tela central, Alegoria à Música.

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

 

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