Cognome histórico: "O
Liberal"/"O Soldado".
Reinou de 24 de Abril a 2 de Maio de 1826
D. Pedro IV de Portugal, o Pedro I
do Brasil com nome de baptismo:
Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael
Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon
Faleceu no mesmo Palácio onde
nasceu, em Queluz (salão D. Quixote
)
, a 24 de Setembro de 1834. Foi sepultado na Igreja-Panteão de S. Vicente de
Fora, em Lisboa. Mais tarde, em 1972, no sesquicentenário da independência, seus
despojos foram trasladados do panteão de São Vicente de Fora para a cripta do
monumento do Ipiranga, em São Paulo, ao lado da primeira esposa a Imperatriz
Leopoldina e da segunda esposa a Imperatriz Amélia. O coração por sua vontade
foi dado à cidade do Porto, onde se encontra num cofre na Igreja da Lapa.
D. Pedro IV
Primeiro imperador brasileiro
nascido na sala D. Quixote do palácio de Queluz
,
próximo a Lisboa, herdeiro da coroa portuguesa que desafiou a corte de Lisboa ao
proclamar a independência do Brasil e tornar-se seu primeiro monarca. Era o
quarto filho de dom João VI, então príncipe regente, e da infanta Carlota
Joaquina, filha de Carlos IV da Espanha. Segundo na linha sucessória, tornou-se
herdeiro do trono e o título de príncipe da Beira (1801), com a morte do irmão
mais velho. Educado por preceptores religiosos (seus primeiros mestres foram o
Dr. José Monteiro da Rocha, ex-jesuíta, e frei António de Nossa Senhora da
Salete), dedicava-se mais à equitação e actividades físicas do que aos estudos.
Depois da mudança da família real para o Brasil (1807), frei António de Arrábida
tornou-se seu principal preceptor, porém o príncipe, continuou avesso aos
estudos e preferia a vida solta no paço de São Cristóvão e na fazenda de Santa
Cruz. Em Março (1816), com a elevação de seu pai a rei de Portugal, recebeu o
título de príncipe real e herdeiro do trono em virtude da morte do irmão mais
velho, António (1801). No mesmo ano casou-se com Carolina Josefa Leopoldina,
arquiduquesa da Áustria. Com fama de aventureiro e boémio, teve 13 filhos
reconhecidos e mais cinco naturais: sete com a primeira esposa, a arquiduquesa
Leopoldina, da qual enviuvou (1826); uma filha com a segunda esposa, a duquesa
alemã Amélia Augusta; cinco com a amante brasileira Domitila de Castro, a
marquesa de Santos; e mais cinco com diferentes mulheres, inclusive com uma irmã
de Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba (1), com uma uruguaia
María del Carmen García , com duas francesas Noémi Thierry (1) e Clémence
Saisset (1) e com uma monja portuguesa Ana Augusta (1). Príncipe do Reino Unido
de Portugal, Brasil e Algarves, após a volta do rei a Portugal (1821), foi
nomeado príncipe-regente do Reino do Brasil. Ao irromper a revolução
constitucionalista (1820), no Porto, identificou-se abertamente com a causa
liberal. No ano seguinte, foi pressionado pelas cortes de Lisboa a também
regressar, mas resistiu, criando o famoso Dia do Fico (09/01/1822). Com a
popularidade cada vez mais em alta, quando ia de Santos para a capital paulista,
recebeu uma correspondência de Portugal, comunicando que fora rebaixado da
condição de regente a mero delegado das cortes de Lisboa. Revoltado, ali mesmo,
junto ao riacho do Ipiranga, o herdeiro de D. João VI, resolveu romper
definitivamente contra a autoridade paterna e declarou a independência do
Império do Brasil, proferindo o grito de independência ou morte, rompendo os
últimos vínculos entre Brasil e Portugal. De volta ao Rio de Janeiro, foi
proclamado, sagrado e coroado imperador e defensor perpétuo do Brasil. Impulsivo
e contraditório, logo abandonou as próprias ideias liberais, dissolveu da
Assembleia Constituinte, demitiu José Bonifácio e criou o Conselho de Estado que
elaborou a constituição (1824). Em meio a dificuldades financeiras e várias e
desgastantes rebeliões localizadas, instalou a Câmara e o Senado vitalício
(1826), porém um fato provocou desconforto geral e o seu declínio político no
Brasil. Com a morte de D. João VI, decidiu contrariar as restrições da
constituição brasileira, que ele próprio aprovara, e assumir, como herdeiro do
trono português, o poder em Lisboa como Pedro IV, 27º rei de Portugal. Foi a
Portugal e, constitucionalmente não podendo ficar coma as duas coroas, instalou
no trono a filha primogénita, Maria da Glória, como Maria II, de sete anos,
considerando que ela era portuguesa por ter nascido antes da independência
brasileira. Determinou que seu irmão mais novo, Dom Miguel, ficasse a governar
na qualidade de regente do reino. Logo a seguir encarregou uma comissão de
juristas, orientada por um inglês, de elaborar uma nova Carta Constitucional
destinada a Portugal, tendo executado a tarefa em curtas semanas, que, apesar da
sua origem espúria, foi considerada a mais perfeita constituição portuguesa e
vigorou por mais de oitenta anos. Porém sua indecisão entre o Brasil e Portugal
contribuiu para minar a popularidade e, somando-se a isto o fracasso militar na
guerra cisplatina (1825-1827), os constantes atritos com a assembleia, o seu
relacionamento extraconjugal (1822-1829) com Domitila de Castro Canto e Melo, a
quem fez viscondessa e depois marquesa de Santos, o constante declínio de seu
prestígio e a crise provocada pela dissolução do gabinete, após quase nove anos
como Imperador do Brasil, abdicou do trono em favor de seu filho Pedro (1830)
então com cinco anos de idade. Voltando a Portugal, com o título de duque de
Bragança, assumiu a liderança da luta para restituir à filha Maria da Glória o
trono português, que havia sido usurpado pelo irmão, Dom Miguel, travando uma
guerra civil que durou mais de dois anos (1832-1834). Inicialmente preparou um
exército na Inglaterra, concentrou-o nos Açores, desembarcou ao norte do Porto
(1832) e deu início a uma guerra civil que só terminou com a derrota do irmão
usurpador D. Miguel, e restaurando o absolutismo. Logo que findou a guerra,
tomou uma importante e injusta decisão política: a expulsão das ordens
religiosas, em boa parte favoráveis a seu irmão. Porém voltara tuberculoso da
campanha e morreu no mesmo ano, no Palácio Real de Queluz, na mesma sala onde
nascera, com apenas 36 anos de idade, e foi sepultado no panteão de São Vicente
de Fora como simples general, e não como rei. Cognominado por alguns de o
Liberalista, para Portugal foi apenas um rei especulativo, pois não chegou a
governar, embora tenha tido uma enorme influência na história daquele país. No sesquicentenário da independência do Brasil (1972), seus restos mortais foram
trazidos para a cripta do monumento do Ipiranga, em São Paulo. Sabe-se, ainda,
que o Imperador teve formação musical bastante esmerada, tendo sido aluno de
mestres como o Padre José Maurício Nunes Garcia, Marcos Portugal e Sigismund
Neukomm. Tocava clarineta, fagote e violoncelo. Dele se conhece uma Abertura,
executada no Teatro Italiano de Paris (1832), um Credo, um Te Deum, o Hino da
Carta, adoptado posteriormente como Hino Nacional Português (até 1910), e o Hino
da Independência do Brasil. É possível que sua produção tenha sido mais vasta. É
o Patrono da Cadeira n. 8 da Academia Brasileira de Música.
"Os Grandes Portugueses"
http://www.rtp.pt/gdesport
É o grande obreiro da revolução liberal. D. Pedro IV, “o Rei-Soldado”, assinala
o início do Portugal contemporâneo. Desafia os políticos de Lisboa ao proclamar
a independência do Brasil, outorga a Carta Constitucional aos Portugueses e
acaba com o absolutismo após o célebre cerco do Porto. Morre quatro dias depois
de restituir o trono à filha, D. Maria II, em 1834. Uma figura incontornável da
experiência liberal portuguesa, que impressiona pela obstinada convicção dos
seus ideais. “É o último rei do Antigo Regime”, assinala José Miguel Sardica,
professor universitário.
Herdeiro da coroa portuguesa, D. Pedro IV nasceu em ambiente de grande agitação
política. As ideias liberais da Revolução Francesa proliferavam pela Europa.
Portugal foi invadido pelas tropas napoleónicas, e a corte viu-se obrigada a
fugir para o Brasil, em 1807. D. Pedro tinha 9 anos. Filho de D. João VI e de D.
Carlota Joaquina, nunca se prendeu muito aos estudos. O espírito apaixonado e
corajoso levou-o, no entanto, a assumir funções de destaque ao longo do seu
percurso. “O Rei-Soldado” outorgou a Carta Constitucional e comandou as lutas
entre liberais e absolutistas. “Foi um herói simultaneamente romântico e
aventureiro”, aponta José Miguel Sardica, professor universitário. “Funda o
estado liberal.”
Com o título de príncipe real desde Março de 1816, D. Pedro IV foi nomeado
regente do Brasil aquando do regresso do pai a Portugal, em 1821.
A agitação de inspiração liberal começou a ganhar grandes proporções entre os
naturais do Brasil. D. Pedro, que já se identificava com o liberalismo, recusou
regressar quando foi pressionado pelas Cortes de Lisboa e proclamou a
independência brasileira. “Em Janeiro de 1822 declarou o célebre ‘Eu fico!’.
Para ele era a independência ou a morte”, diz José Miguel Sardica. “Quebrou o
laço atlântico que, desde o século XVI, era o principal eixo económico do
império.” Pouco depois, foi nomeado imperador do Brasil, ficando conhecido como
D. Pedro I. “Um soldado imperador que sempre teve vontade de servir a pátria”,
acrescenta Hélio Loureiro, chefe de cozinha do Porto Palácio Hotel e um
apaixonado pela história de Portugal.
Com a morte de D. João VI, em 1826, D. Pedro tornou-se rei de Portugal. Na
impossibilidade prática de reunir as duas coroas, decidiu apoiar a independência
do Brasil. Outorgou a Carta Constitucional aos Portugueses e abdicou do trono a
favor da sua filha mais velha, D. Maria da Glória (futura D. Maria II). Isto com
a condição de esta se casar com o seu tio D. Miguel - líder da facção
absolutista -, que devia jurar a Carta. D. Miguel acabou por defender os seus
direitos ao trono e começou a governar como rei absolutista, iniciando a guerra
civil que durou de 1828 a 1834. “Foi o conflito mais sangrento no País nos
últimos 200 anos. Nem o Estado Novo criou tantos exilados e repressão política”,
lembra José Miguel Sardica.
No governo do Brasil, a atitude autoritária de D. Pedro em relação às forças
políticas mais liberais levou-o ao afastamento do poder. Viu-se obrigado a
abdicar a favor do filho, futuro D. Pedro II, em 1831. Reduzido ao título de
duque de Bragança, voltou para a Europa para defender os direitos da filha e
ajudar a vingar a causa liberal. “D. Pedro foi um homem de sonhos, que quis
avançar para o futuro”, afirma Hélio Loureiro. “Sabia perfeitamente que eram os
ideais liberais que se propagariam e influenciariam o resto da Europa.”
Chegado aos Açores, o duque de Bragança formou governo, do qual faziam parte o
jurista Mouzinho da Silveira e o diplomata marquês de Palmela. Tornou-se herói
das lutas liberais, a personificação da viragem política, quando rechaçou, no
cerco do Porto, os ataques das tropas miguelistas. Com a conquista de Lisboa, em
24 de Julho de 1833, pelas forças liberais e a assinatura da Convenção de
Évora-Monte, em 26 de Maio de 1834, terminou, finalmente, com a guerra civil e
exilou o rei absoluto. O trono foi restituído a D. Maria e deu-se início aos
seus 19 anos de reinado. D. Pedro IV morreu quatro dias depois, no mesmo quarto
do Palácio de Queluz - o de D. Quixote - onde tinha nascido. “Implantou e
consolidou o Estado constitucional em Portugal. Deixou uma marca indelével”,
conclui José Miguel Sardica.
Palácio de Queluz
Queluz é uma localidade muito próxima de Lisboa e conta com um dos palácios mais
bonitos na zona: o Palácio Nacional de Queluz!
Em 1747, o Infante D. Pedro (futuro D. Pedro III - Rei de Portugal), contratou o
arquitecto Mateus Vicente de Oliveira para transformar esta casa de caça do séc.
XVII num palácio de Verão em estilo Rococó. O corpo principal do Palácio,
construído até 1758, concluiu-se depois do casamento de D. Pedro com D. Maria
Francisca, futura Rainha D. Maria I (1760). Por esta altura, enobreceram-se os
ricos salões, bem como os encantadores jardins, com os mais variados tipos de
fontes barrocas, azulejos e estátuas. Jean Baptiste Robillion foi o mestre
francês responsável pelo magnífico Pavilhão Robillion, pelos jardins e pela
renovação da Sala de Música.
Frequentemente comparado ao Palácio de Versailles, este monumento - para além do
Pavilhão construído por Robillion que detém claras influências europeias - é
muito português, tanto em escala como no próprio espírito artístico.
Actualmente, este palácio é usado pelo Estado Português como residência do
Governo e de Chefes de Estado em visita a Portugal, bem como para reuniões
especiais. Encontra-se também aberto a todos que o queiram visitar, por isso
faça questão de provar um dos muitos deliciosos pratos servidos no restaurante
Cozinha Velha, situado numa das alas do palácio, e de não perder a incrível
exposição de artes decorativas proveniente de colecções reais.
Sala de D. Quixote
Inicialmente Sala de Café, foi Quarto de Dormir de D. Pedro III, D.Carlota
Joaquina, D.João VI, D. Pedro IV, primeiro Imperador do Brasil, que aqui nasceu e
morreu, e D. Miguel.
Sala de planta quadrada onde se tem a ilusão de um espaço circular, cuja
decoração pictórica da cimalha e das sobreportas, com molduras de talha dourada
"rocaile", ilustra episódios da vida de D. Quixote. O teto, já neo-clássico, é
rematado por um tela central, Alegoria à Música.