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D. Manuel Iº - o "Venturoso"
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Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
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D. Manuel Iº - o
"Venturoso"
Nasceu em Alcochete
(Ribatejo) a 31 de Maio de 1469
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro
D. João ll faleceu sem
deixar descendentes directos. Morrera de desastre o único filho que tinha,
por ter caído dum cavalo na Ribeira de Santarém, em 1491. Por esta razão,
sucedeu-lhe no trono, como parente mais próximo, D. Manuel, duque de Beja,
que era primo e cunhado de D. João ll.
Em 1496, mandou D. Manuel l expulsar do Reino todos os judeus e mouros que
se não quisessem converter ao cristianismo. Os que ficaram, por terem
abraçado a cristianismo, chamavam-se cristãos-novos. Esta medida desagradou
a uns e agradou a outros, contentando em especial sua esposa, a princesa D.
Isabel, filha dos reis católicos de Espanha.
Em 1505, deu-se na Igreja de São Domingos, em Lisboa, um tumulto popular
contra os cristãos-novos (matança dos cristãos-novos), tendo morrido
milhares deles. D. Manuel l protegeu então os perseguidos e dissolveu a Casa
dos Vinte e Quatro, criada por D. João l, à qual atribuiu as
responsabilidades desse motim sangrento. Os judeus e mouros habitavam
bairros especiais, respectivamente, pelos nome de Judiarias e Mourarias.
D. Manuel l prosseguiu na senda dos Descobrimentos.
A frota, já preparada por D. João ll para a grande Viagem à Índia,
Encontrava-se então reunida na praia do Restelo (Belém – Lisboa).
Compunha-se de 3 naus (S. Gabriel, São Rafael e Bérrio) e uma barcaça de
mantimentos, levando todas, aproximadamente, uma tripulação de 170 homens.
Era seu almirante Vasco da Gama, e piloto, da nau da capitania, Pêro de
Alenquer. Assim constituída, e depois de desfraldadas as velas, em que se
via a Cruz de Cristo, a armada partiu de Belém com destino à Índia, no dia 8
de Julho de 1497. A 22 de Novembro, dobrava o Cabo da Boa Esperança, a 15 de
Abril de 1498 aportava em Melinde, e a 20 de Maio do mesmo ano chegava
finalmente a Calecute (Índia), depois de ter visitado toda a costa oriental
da África. Estava descoberto, por mar, o Caminho do Oriente.
No ano de 1500, larga do Restelo uma frota comandada por Pedro Álvares
Cabral que, seguindo para o lado ocidental do Atlântico, descobriu Vera
Cruz, mais tarde chamada Brasil.
Em 1501, Gaspar Corte Real encontrou a ilha da Terra Nova; e em 1502, João
da Nova descobriu as ilhas de Ascensão e de Santa Helena.
Em 1519, um navegador português, chamado Fernão de Magalhães, empreendeu, ao
serviço de Carlos V, rei de Espanha, a 1ª viagem à volta da Terra. Esta
empresa foi depois concluída pelo seu companheiro Sebastião del Cano, em
1522, em virtude daquele célebre marinheiro ter morrido numa das ilhas
Filipinas, em combate com os indígenas.
A grandeza e fama de Portugal eram então celebradas por todo o Mundo. Nem
tudo estava, porém, concluído. A cruzada começada pelo Infante D. Henrique
ia entrar na sua fase decisiva, sob os auspícios de D. Manuel l: ÍNDIA.
D. Francisco de Almeida, 1º vice-rei da Índia, conquistou, na costa oriental
da África, Mombaça e Quiloa, em 1505; fundou, no oriente, as fortalezas de
Cananor, Angediva e Cochim; e, perto de Dio, desbaratou uma poderosa armada
egípcia.
Afonso de Albuquerque, 2º vice-rei, guerreiro invencível e conquistador,
tomou Ormuz, Goa e Malaca, de 1507 a 1511.
Em África oriental, foram ainda conquistadas várias fortalezas, como: a de
Safim, por Diogo de Azambuja, e as de Azamor, Tete e Almedina, por D. Jaime,
duque de Bragança.
Depois de descoberto o Caminho Marítimo para a Índia e de assegurado tão
grande império, que se dilatava pelos confins de África, Ásia, América e
Oceânia, D. Manuel l tomou o pomposo título de Rei de Portugal e dos
Algarves, daquém e dalém Mar, em África, Senhor da Guiné e da Conquista,
Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.
No reinado de D. Manuel l, foram construídos os seguintes monumentos:
Mosteiro dos Jerônimos e Torre de Belém, em Lisboa; Capelas Incompletas, no
Mosteiro da Batalha; Castelo da Pena, em Sintra; Convento de Cristo, em
Tomar.
O Mosteiro dos Jerónimos, erigido em comemoração da Descoberta do Caminho
Marítimo para a Índia, é uma obra colossal e magnificente. Foi construído
pelos arquitectos, Boitaca e João de Castilho. Neles se encontram os restos
mortais, entre outros de D. Manuel l e de Camões.
D. Manuel lº
Cognome histórico: o "VENTUROSO" Reinou de 1495 a 1521 O décimo quarto rei
de Portugal nasceu em 1469 em Alcochete (província do Ribatejo). Era filho
de D. Fernando, Duque de Viseu e de sua mulher, a infanta D. Beatriz, e
irmão do Duque de Viseu, que o seu antecessor, D. João ll o "Príncipe
Perfeito", matara. Tendo este falecido sem descendente directo, pois seu
único filho, o príncipe D. Afonso morrera num desastre perto de Santarém,
sucedeu-lhe D. Manuel, que casou em primeiras núpcias com D. Isabel, filha
dos reis de Espanha (os católicos) e viúva do falecido príncipe D. Afonso.
Esta princesa que recebera uma educação fanaticamente católica, impôs como
condição de casamento, que fossem expulsos de Portugal os Judeus e os
Mouros, o que obrigou muitos daqueles a converterem-se ao catolicismo,
ficando a chamar-se "Cristãos Novos". Durante este reinado, foram muitos e
gloriosos os feitos dos navegadores portugueses, e daí o cognome de o
"Venturoso", atribuído a D. Manuel l.
Em 1498, D. Vasco da Gama aporta Calicute (Índia), tendo descoberto o
caminho marítimo para a Índia. Em 1500, D. Pedro Álvares Cabral descobre
terras de Santa Cruz (Brasil) e Gaspar Corte Real, a Terra Nova (Canadá).
Na Índia, D. Francisco de Almeida, Duarte Pacheco e sobretudo Afonso de
Albuquerque, consolidam o território de denominação portuguesa. Todas as
riquezas do Oriente afluem a Lisboa, cujo porto de mar, demandam navios de
muitas nações. D. Manuel l deslumbrou a Europa com o esplendor da sua Corte,
onde brilhavam Gil Vicente (o grande impulsionador do teatro em Portugal) e
Bernardino Ribeiro. Começaram a ser construídos o Mosteiro dos Jerónimos, a
Torre de Belém, o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, o Convento de Tomar.
Mas esta prosperidade é mais aparente do que real, porque o povo continuava
pobre e carregado de impostos. Da opulência seguiu-se rapidamente a
decadência ... D. Manuel l jaz no Mosteiro dos Jerónimos (Belém - Lisboa).
D. Manuel I
Décimo quarto rei de Portugal, nono filho do infante D. Fernando e de D.
Brites.
Filho adoptivo do príncipe D. João II, a quem votava afeição filial, foi
feito, à morte do seu irmão D. Diogo, duque de Beja, senhor de Viseu,
Covilhã e Vila Viçosa, governador do mestrado de Cristo, condestável do
reino, e fronteiro‑mor de Entre-Tejo e Guadiana. O acidente que vitimou o
herdeiro do trono (D. Afonso) conduziu a que fosse aclamado rei em Alcácer
do Sal (27 de Outubro de 1495). Realizou três casamentos, o primeiro em 1497
com D. Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500 com a infanta D. Maria
de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor, irmã de Carlos V.
Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. Recebeu o governo
exactamente no momento em que a Nação se preparava para alcançar a mais
elevada projecção. Os vinte e seis anos do seu reinado conheceram grande
actividade nos domínios da política interna, da política ultramarina e da
política externa.
1) O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e o seu
governo tendeu abertamente para o absolutismo. Com efeito reuniu cortes logo
quando subiu ao trono, em Montemor-o-Novo e só mais três vezes, em 1498,
1499 e 1502, e sempre em Lisboa, o que é significativo. Nas cortes de
Montemor-o-Novo, toma medidas no sentido duma centralização mais profunda de
toda a administração pública: mandou confirmar todos os privilégios,
liberdades e cartas de mercê, pelos principais letrados do reino que elegeu,
reforma os tribunais superiores e toma uma política de tolerância em relação
aos nobres emigrados por razões políticas e judeus castelhanos que D. João
II reduzira à escravatura. Pelo decreto de 1496 obriga todos os judeus que
não se quisessem baptizar a abandonar o país no prazo de dez meses, sob pena
de confisco e morte. Pela lei de 4 de Maio de 1497, proibiu que se indagasse
das crenças dos novos convertidos e, por alvará de 1499, dificulta a saída
do reino aos conversos. O objectivo era agradar aos Reis Católicos e ao
mesmo tempo, evitar que os judeus continuassem a ser um todo independente
dentro do reino. Pelas Ordenações Afonsinas, deixa de reconhecer
individualidade jurídica aos Judeus; faz a reforma dos forais, com o fito
económico de actualizar os encargos tributários e para eliminar a vida
local; em 1502 saiu o regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares
(Livro dos Ofícios); em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512 saiu o
novo regimento de sisas. Por outro lado com D. Manuel inaugura-se o Estado
burocrático e mercantilista, mandando cunhar índios, o português ou escudo
de prata.
2) D. Manuel herdou o impulso dos descobrimentos. Partiu para a índia
(8‑7‑1497) a armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut em 20‑5‑1498. Em
1500 uma armada comandada por Pedro Álvares Cabral, com o objectivo da
Índia, rumou intencionalmente (opinião actual) para sudoeste, atingindo a
Terra de Santa Cruz. D. Francisco de Almeida é nomeado vice-rei da índia,
com o plano de manter o monopólio da navegação e do comércio para Portugal,
tendo em terra pontos de apoio, para a carga da pimenta e reparação dos
barcos. Lançou as bases do futuro «Império», que será obra de Afonso de
Albuquerque. Apesar do comércio da pimenta a administração vivia em pleno
défice (dinheiro gasto superfluamente ou em compra de produtos
manufacturados e alimentares). Afonso de Albuquerque cria novas fontes de
receita, pela conquista de territórios da índia que pagavam impostos.
3) Soube D. Manuel em matéria de política externa, usar de grande habilidade
e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o atraso do ensino
universitário, mandando promover a reforma da universidade, estabelecendo
entre 1500 e 1504 novos planos de estudo e uma nova administração escolar.
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de Portugal, Lisboa,
Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume III: O Século de
Ouro (1495-1580), Lisboa, Verbo, 1978.
Vasco da Gama
http://www.corvobranco.com/Historia/
Vasco da Gama é uma das figuras mais relevantes da história de Portugal e um
dos grandes vultos da história europeia no início dos tempos modernos.
Nenhuma terra portuguesa ficou tão ligada a Vasco da Gama como Sines da
mesma forma como Vasco da Gama não se ligou a nenhuma outra terra como a
Sines. Ele tinha Sines na alma. Toda a vida, Vasco da Gama teve um sonho:
ser conde de Sines. Acaba por não chegar a realizar esse sonho mas isso
indica-nos que Sines era uma terra que deveria conhecer desde a infância. O
alcaide do castelo de Sines era pai de Vasco da Gama e este terá nascido
provavelmente no próprio castelo. Apesar de não haver nenhum documento que
relate o seu nascimento (uma vez que na época não era dado qualquer relevo
ao nascimento das pessoas) as probabilidades do nascimento se ter verificado
no castelo são muito elevadas. Conhecem-se perfeitamente as circunstâncias
da morte de Vasco da Gama mas quanto ao nascimento não há dados fiáveis.
Mesmo quanto à sua data de nascimento não existe nenhum documento ou
qualquer indício que possa dar uma forte evidência de uma data. Sabe-se
apenas que nasceu entre 1465 e 1475 e que era filho de Estêvão da Gama, o
alcaide do castelo de Sines, e era o segundo filho, tendo um irmão mais
velho chamado Paulo da Gama.
Um dos problemas curiosos que os historiadores tiveram que resolver era o
porquê de ser o irmão mais novo a comandar a expedição que descobriu o
caminho marítimo para a Índia, sendo que, naquela época, era norma que fosse
o filho varão a assumir as maiores responsabilidades e continuar as tarefas
e negócios familiares. A hipótese do Prof. José Hermano Saraiva é de que
Vasco da Gama seria o irmão mais forte, mais vigoroso e com maior
resistência física. Paulo da Gama, ao que tudo indica não seria uma pessoa
particularmente resistente, tendo sido sempre de saúde frágil. Talvez por
isso, D. Manuel tenha confiado o comando da armada ao irmão mais novo, ou,
mais provavelmente, aos dois irmãos. No entanto, seria Vasco da Gama a
impor-se como o mais enérgico e capaz de suportar fisicamente a empresa.
Aliás, o irmão mais velho acabará mesmo por morrer na viagem de regresso da
Índia. É assim, compreensível que Vasco da Gama tenha ficado conhecido como
o único comandante da viagem à Índia.
Em Sines, é já tradição há muito tempo que Vasco da Gama tenha de facto
nascido no castelo da vila. O castelo foi construído no reinado de D. Pedro
I por alturas da morte de Inês de Castro (v. Crónicas de Fernão Lopes),
tendo uma arquitectura simples que indica funções quase exclusivamente
militares. Sem dúvida que, sendo Vasco da Gama filho do alcaide do castelo
terá andado no castelo e nas zonas circundantes. Foi também neste castelo
que se fez uma exposição, em 1998, sobre Vasco da Gama: a exposição "Vasco
da Gama e a sua época". A exposição tinha um núcleo no castelo e outro na
igreja das Salvas, uma igreja mandada reconstruir pelo próprio Vasco da Gama
quando já era vice-rei da Índia.
Estêvão da Gama era um homem forte e corajoso e da confiança do rei D. João
II. Apesar de se saber que a família Gama teria prestado grandes e muitos
serviços à coroa apenas há registos de um pois era aquele que era mais
contado e que chegou até aos nossos dias. Numa determinada altura D. João II
teve necessidade de um agente seu numa cidade do Norte de África que
desejava conquistar. Terá então enviado Estêvão da Gama que fez a viagem
miseravelmente vestido de vendedor de figos secos. Como vendedor de figos
secos foi fácil a Estêvão da Gama circular com a sua canasta de figos pelas
ruas e praças da cidade em que o rei estava interessado e conseguir assim as
informações geográficas - físicas e humanas - que tanto interessavam ao
monarca português.
Este episódio serve também para mostrar que a lenda de que Vasco da Gama
seria descendente de uma família fidalga não passa de lenda popular. Nenhum
monarca da altura encarregaria um monarca de fazer um serviço como este que
vimos. Seria contra a mentalidade da época. Para mais, é sabido que el-rei
D. João II tinha vários servidores talentosos recrutados entre pessoas de
classes sociais ditas humildes e que não estaria apenas dependente dos seus
conhecimentos junto do clero e nobreza. D. João II podia assim requisitar
qualquer serviço, por muito estranho e invulgar que fosse sem que lhe fossem
colocadas questões ou sem necessitar de fazer perigar a sua posição
política. Este monarca, aliás, costumava dizer que os países são como o mar
tendo muitas espécies de peixes diferentes: o salmonete que é muito bom mas
muito caro, faz-se pagar e é difícil de apagar e a sardinha que existe em
abundância, é saborosa e não custa quase nada. E D. João II usualmente
concluía "eu sou pela sardinha" querendo significar com isto que procurava
apoio nas classes populares sempre que o podia fazer. E, de facto, no seu
reinado conseguiu todo o apoio político das classes populares.
Era frequente servir-se de agentes como Estêvão da Gama, decididos,
corajosos, capazes de correr quaisquer perigos necessários. Era por serviços
como o descrito acima que Estêvão da Gama era alcaide do castelo. De notar
também que o castelo não dependia do rei mas sim da Ordem de Santiago. A
sede da Ordem de Santiago era no castelo de Palmela uma vez que era aí que
estava o mestre da Ordem, D. Jorge (filho do rei D. João II). Assim, D.
Manuel poderia gostar muito de Vasco da Gama, mas Sines não pertencia ao rei
D. Manuel pertencia a D. Jorge filho do rei D. João II, o monarca da altura
de Estêvão da Gama. D. Jorge era o homem que o rei D. João II quis que fosse
rei. Acaba por não o ser pois em Roma estava o cardeal Alpedrinha e o
cardeal D. Jorge da Costa inimigos do rei D. João II que conseguiram dispor
as coisas de forma a que a Santa Sé nunca reconhecesse que D. Jorge era
filho do rei D. João (mesmo apesar de D. João o ter criado como seu filho e
como sucessor da coroa portuguesa). Como Roma não o legitimou D. Jorge não
pôde herdar o trono e em vez de ser o filho de D. João II a herdar acabou
por ser o primo D. Manuel.
Estes factos não viriam a perturbar a condução dos assuntos de Estado nem
sequer a causar qualquer perturbação familiar entre os dois primos (D. Jorge
e D. Manuel) uma vez que D. Manuel sempre tratou dos assuntos de seu primo
com todo o cuidado. Foi por isso que D. Manuel não se conseguiu impor
enquanto monarca quando quis dar a vila de Sines a Vasco da Gama por
serviços prestados: seu primo, que era a cabeça da Ordem detentora da vila
não concordou. D. Manuel não teve a coragem e não quis passar por cima da
autoridade do filho do anterior rei. Foi preciso que Vasco da Gama esperasse
20 anos até ser conde em 1518. A promessa de que seria feito conde ocorreu
logo após a descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498. E, mesmo
após esse tempo acaba não por ser conde de Sines mas antes da Vidigueira e
Vila de Frades. É após a compra destas duas localidades por Vasco da Gama e
após ter sido feito conde que Vasco da Gama se passa a auto-intitular
Almirante-conde e passa a rodear-se de um fausto quase real.
Vasco da Gama entrou na história por ter sido o comandante da expedição que
descobriu o caminho marítimo directo desde Lisboa até à Índia. Na altura da
descoberta já todos os países europeus conheciam a Índia e sabiam onde
ficava. A Índia abastecia a Europa de especiarias que eram uma mercadoria
preciosa devido ao seu uso na alimentação (conservação e uso culinário),
medicina, farmácia, fabrico de colas, de tintas e perfumes. O mecanismo de
conseguir as especiarias era algo complexo e passava por vários
intermediários o que as tornava um produto particularmente caro e difícil de
obter. Normalmente eram mercadores árabes que da Índia as traziam até à
região do Médio Oriente e do Mediterrâneo Oriental. Quem fazia a
distribuição para a Europa Ocidental eram normalmente as cidades italianas
tradicionalmente ocupadas no comércio com o oriente.
Daí que, desde há muito tempo que a generalidade dos países da Europa
Ocidental procurassem encontrar uma forma de achar o caminho marítimo para o
oriente. É isso que leva Cristóvão Colombo a propor ao rei de Portugal, D.
João II, uma tentativa de descoberta da Índia mas através de uma
circum-navegação (navegando sempre para Ocidente em linha recta até chegar
ao oriente ao invés de tentar navegar para Oriente). D. João II tinha muitas
dúvidas acerca da eficácia da tentativa de Cristóvão Colombo. Se bem que os
argumentos de Colombo pudessem ter colhido simpatias junto do rei português,
este estava interessado numa viagem que efectivamente lhe trouxesse o
resultado seguro da descoberta do caminho para a Índia e não havia nenhuma
certeza de que Colombo não fosse encontrar obstáculos demasiado grandes pelo
caminho. Colombo haveria de encontrar um obstáculo que julgou ser a Índia de
início: a América.
De qualquer forma D. João II não cede e não ordena a expedição de Colombo
acabando por ser os reis católicos mais tarde a fazê-lo. É sim, D. Manuel
que ordena aos irmãos Gama que preparem a expedição. Vasco da Gama embarca
então como comandante numa expedição cujo primeiro objectivo era descobrir
se, navegando para Oriente, seria possível chegar à Índia. A expedição sai
com duas naus feitas de propósito p aquela expedição (S. Gabriel e S.
Rafael) uma caravela chamada Perreo e há alguns historiadores q defendem a
inclusão de um quarto navio, um velho navio carregado de abastecimentos. A
expedição sai de Lisboa em 8 de Julho de 1497 com cerca de 150 homens, do
local onde hoje estão os Jerónimos. Daí que, ainda hoje, o dia 8 de Julho
seja o dia da Marinha em Portugal. A viagem durou dois anos. Chegaram a
Calecute em 28 de Maio de 1498 onde encontraram dificuldades em conseguir
acordos comerciais com o Samorim de Calecute. Regressam depois a Portugal
numa viagem dramática. A viagem de regresso enfrentou ventos contrários (só
p atravessar o Índico levaram mais de três meses), todos os dias morriam
marinheiros vítimas de escorbuto. Quando chegaram a Lisboa em finais de
Agosto de 1499, já só eram 30 dos 150 que tinham partido.
Apesar das dificuldades Portugal ficou, com aquela viagem, com uma
importante posição no comércio das especiarias e com a descoberta mais
decisiva da passagem da Idade Média para a Idade Moderna: a ligação marítima
entre ocidente e oriente. Havia também uma questão mais pessoal. Colombo
tinha sido nomeado pelos reis católicos almirante-mor do mar das Índias
(apesar de não ter descoberto o caminho para a Índia) e existia alguma
picardia entre os monarcas espanhóis e o português por esse facto. Quando a
expedição portuguesa chega a Lisboa, D. Manuel nomeia imediatamente Vasco da
Gama almirante-mor das Índias para mostrar que, afinal, o caminho para a
Índia tinha sido descoberta por ele e não por Colombo. D. Manuel foi
generoso com Vasco da Gama e, em pouco tempo, fez dele um homem rico.
Mas depois desta expedição Vasco da Gama volta ainda a prestar grandes
serviços ao rei. Para a armada seguinte, cerca de 1500, já é nomeado
comandante um fidalgo. Na primeira viagem, o desconhecido e as hipóteses de
se perder totalmente a armada levaram a que se nomeasse Vasco da Gama, na
altura um mero escudeiro. Desta feita, o elemento desconhecido era mais
reduzido, as hipóteses de sucesso eram maiores e então o monarca nomeia
Pedro Álvares Cabral comandante da expedição. Como se sabe foi esta
expedição que descobriu o Brasil. Mas esta expedição foi mal sucedida: os
portugueses que foram deixados na Índia acabam chacinados devido a intrigas
entre mercadores. Ao que parece a rivalidade com os mercadores muçulmanos
teria acabado num banho de sangue tendo sido os portugueses todos mortos.
Isto faz com que a coroa perceba que não poderá fazer concorrência comercial
no oriente sem considerar o aspecto militar.
Assim, D. Manuel volta a chamar Vasco da Gama e, desta feita, fornece-lhe
uma armada com 20 navios com cerca de 3.000 homens, muita artilharia e
encarrega-o de voltar à Índia vingar a chacina dos portugueses, tomar e
defender a feitoria onde os portugueses se tinham instalado. Vasco da Gama
regressa à Índia em 1502 tendo resolvido a questão com uma ferocidade que em
pouco tempo o terror estava espalhado na região pois o rasto de sangue
deixado pela expedição teria sido muito grande. Ao mesmo tempo que espalha o
terror deixa afirmado o poder da coroa portuguesa do séc. XVI conseguido com
isso obter benefícios económicos importantes. Durante muito tempo hindus e
muçulmanos não molestam mais qualquer português.
Após essa expedição volta para Sines. Estava a construir uma casa apalaçada
quando o mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge, protestou contra a
construção da casa devido a não ter dado permissão para novas edificações
num região controlada por si. O rei D. Manuel é obrigado a enviar uma carta
a Vasco da Gama onde lhe dá 30 dias para abandonar a vila de Sines levando a
família e proibindo-o de regressar à vila. Ao que se sabe isto terá
desgostado bastante Vasco da Gama, ao ponto de o fazer desejar abandonar o
país. Envia um pedido ao rei onde pede permissão para ir servir o país
noutras terras. Mas o pedido é recusado.
Mais tarde os serviços de Vasco da Gama voltam a ser necessários. Desta
feita não se tratava de reforçar a posição portuguesa militarmente ou de
criar as condições de segurança para a presença portuguesa na Índia.
Acontece que a presença portuguesa na Índia se tinha desleixado permitindo
um aumento da corrupção, preguiça, desrespeito pelas ordens e interesses da
coroa... Nesta altura, 1524, Vasco da Gama não é já um homem novo tendo já
passado dos cinquenta anos. Com a sua idade e o desgaste de uma vida ao
serviço da coroa sempre em missões difíceis ao fim de três meses de chegar à
Índia morre devido ao esforço, à violência de mais uma viagem e do trabalho
que encontrou pela frente. Ele tenta, em três meses acabar com alguns anos
de desorganização.
Apesar de ser considerado um herói nacional, Vasco da Gama é uma figura não
muito celebrada em Portugal. Em todo o país há pouquíssimas estátuas desta
personagem. A localidade onde se sente mais a sua presença continua a ser
Sines.
Pedro Álvares Cabral
Descobridor do Brasil, nasceu em Belmonte, entre 1460 e 1470, filho de
Fernão Cabral e de D. Isabel Gouveia. Foi moço fidalgo de D. João II, que o
agraciou com uma tençrque.
Em 1500, após o retorno de Vasco da Gama, Cabral foi designado pelo Rei D.
Manuel I para comandar 13 naus, tripuladas por cerca de 1500 homens, em
missão diplomática ao Oriente, onde deveria estabelecer um pacto de amizade
com o Samorim de Calecut.
A partida deu-se a 8 de Março de 1500 e, a 22 de Abril do mesmo ano, após
uma breve escala nas Canárias, é avistada a costa brasileira, da qual já
havia sinais desde a véspera: era a zona do Monte Pascoal, e a esquadra
lança ferro junto da foz do actual Rio Cahy; haviam sido percorridos, desde
a largada de Lisboa, cerca de 6500 km. Nos dias que se seguem a esquadra
muda de ancoradouro, indo fundear mais a Norte, numa Baía que os portugueses
denominaram Porto Seguro; aí se vão estabelecer boas relações com os índios
locais, e ergue-se uma cruz de madeira, símbolo da Cristandade que os
portugueses viriam a levar aos quatro cantos do Globo, junto do Rio Mutary.
Entretanto, logo após a chegada da Armada à Terra de Santa Cruz, nome
inicialmente dado ao Brasil, Pedro Álvares Cabral envia a nau comandada por
Gaspar Lemos com as boas novas rumo a Portugal.
A 2 de Abril, dez dias volvidos da sua chegada ao Brasil, a esquadra parte
para Calecut; uma vez aí chegado, logo Pedro Álvares Cabral envida esforços
no sentido de concluir os laços de amizade previstos. Mas, se de início tudo
pareça correr bem, logo se levantaram intrigas entre os indígenas; estes,
atacaram de surpresa a feitoria que Cabral havia já estabelecido, chacinando
quase todos os portugueses que aí se encontravam; como represália Pedro
Álvares Cabral ordena o bombardeamento da cidade e lança fogo aos navios
muçulmanos. Após este incidente, a expedição segue para Cochim, onde é
embarcada rica mercadoria exótica, com a qual Pedro Álvares Cabral retorna a
Lisboa.
Em 1502, o Rei faz menção de o enviar no comando de nova Armada ao Oriente,
mas Pedro Álvares Cabral escusa-se a tal missão, preferindo retirar-se para
a tranquilidade das suas propriedades de Santarém, onde vem falecer cerca de
1502, jazendo o seu corpo na Igreja da Graça, sita na referida cidade.
Desempenho de D. Francisco de Almeida como Vice-Rei da Índia
http://www2.crb.ucp.pt/historia
D. Francisco de
Almeida, empossado do cargo de Vice-Rei da Índia, parte de Lisboa a 25 de
Março de 1505.
A sua frota ia munida de um forte dispositivo bélico, porque já estava
interiorizado que, só pela guerra, poderiam assegurar a posição das
feitorias já estabelecidas e a expansão a novos pontos nevrálgicos. Para
melhor assegurar o sucesso da missão de que tinha sido incumbido, D.
Francisco de Almeida começou a sua acção na costa oriental africana.
D. Manuel, no regimento que entregara a Francisco de Almeida, determinava
que capturasse e fortificasse Sofala e Quíloa e que construísse uma
fortaleza na ilha de Anjediva. No ano seguinte, o monarca viria a
acrescentar que os territórios de Ceilão e Malaca deveriam ser atacados e
que o trânsito no mar Vermelho deveria ser bloqueado, a fim de impedir o
avanço muçulmano. O monarca português colocava em primeiro plano o bom
entendimento com os soberanos locais, mas em caso de necessidade, usar a
força era imperioso.
D. Manuel refere no regimento, que quer a “paz e amizade” e que aceita os
costumes e religiões dos outros povos, só quebrando o bom entendimento
quando não eram cumpridos os acordos. Este sentimento era bem claro como
demonstra Russel-Wood, “Em Sofala o rei ordenou que tomasse a cidade de
preferência sem luta, mas com esta dissimulação”.
Cumprindo o estabelecido no regimento, D. Francisco começa por empreender o
plano traçado para a costa oriental de África. Fazendo amizade com o rei de
Sofala e edificando uma fortaleza, impedia assim o fornecimento de ouro que
nesse porto abastecia os mercadores árabes. Em Quíloa o rei fugiu quando viu
chegar a armada portuguesa. Este havia usurpado o trono do antigo soberano,
que tinha aceite a vassalagem ao rei português. No seu lugar, o governador
colocou um mouro que tinha ficado como refém, por demonstrar merecer a sua
confiança. Esta política tinha por finalidade facilitar a comunicação,
vencendo assim a barreira da língua.
O rei de Mombaça recebeu a esquadra do vice-rei com guarda reforçada, pois
tinha tomado conhecimento do que se passara em Quíloa. Tentou alvejar
Almeida e a sua comitiva, empreendendo a fuga posteriormente. D. Francisco
mandou um emissário dizer ao rei, que se aceitasse ser vassalo do rei de
Portugal, poderiam entende-se facilmente, caso contrário lhe faria guerra.
Como não aceitou a rendição, D. Francisco de Almeida mandou incendiar parte
da cidade, para que os seus homens pudessem entrar mais facilmente e
saqueá-la.
Já na Índia mandou erguer a fortaleza de Anjediva aproveitando uns alicerces
já ali existentes, junto ao mar. Esta fortaleza estava num ponto muito
sensível e na ausência do governador, foi atacada pelos mouros por via
terrestre. Saquearam toda a mercadoria e queimaram a frota que estava
fundeada. Esta fortaleza viria mais tarde a ser destruída por ordem de D.
Francisco, uma vez que as despesas eram superiores aos lucros, devido aos
roubos.
Em Cochim, Cananor e Ceilão, as negociações resolvem-se pela via
diplomática, ficando tributários de Portugal.
O comércio português no Índico estava em franco progresso, e para isso
contribuiu em grande parte o bom entendimento com alguns soberanos do
Malabar. Estes, descontentes com os mouros egípcios e turcos, que só
negoceiam com Calecute, fazem-se amigos dos portugueses e prometem o seu
apoio. O acesso ao mar Vermelho estava cada vez mais condicionado, passando
só as embarcações que tinham o “livre trânsito” e para o obter, tinham de
fazer o pagamento prévio do imposto. Esta situação não agradava aos mouros
do Cairo, que utilizavam aquele mar para abastecer Veneza e toda a zona
mediterrânica.
Em Lisboa havia a preocupação de aumentar cada vez mais o poder militar no
Oriente. Por essa razão, foi enviada um armada para apoiar o governador,
composta por Afonso de Albuquerque e Tristão da Cunha. Estes levavam como
missão bem definida a tomada da ilha de Socotorá, com a finalidade de lá
construírem uma fortaleza, para impedir a passagem dos muçulmanos no mar
Vermelho. Posteriormente verificou-se que não foi a opção mais acertada, o
que provocou o seu abandono.
D. Francisco de Almeida era uma pessoa de trato dócil, mas de rápidas e
cruéis decisões, quando elas se impunham. Apesar das vitórias que iam
garantindo a supremacia comercial e naval, nem sempre os resultados foram
favoráveis aos portugueses. D. Lourenço de Almeida, filho do governador, foi
surpreendido em Chaul pelas forças do samorim de Calecute, apoiados pelos
egípcios, que não estavam satisfeitos com a quebra do seu negócio. Esta
acção provocou a morte do seu capitão, e a tropa portuguesa retirou-se de
combate. A notícia deste acontecimento chegou até D. Francisco que estava em
Cochim, e logo começou a arquitectar a vingança. Como se aproximava a monção
de Inverno, não pôde partir. Por essa altura chegam à Índia duas armadas,
uma directamente de Lisboa outra que tinha ficado em Moçambique, devido ao
mau tempo. O Governador junta as suas tropas a este duplo apoio, e pretende
assim atacar Calecute.
D. Afonso de Albuquerque quando foi na armada de apoio para o Oriente,
levava consigo a nomeação de Vice-Rei passada por D. Manuel, para suceder a
Francisco de Almeida. Esta nomeação deveria ser mantida em segredo, até ao
final do mandato do Vice-Rei em exercício. Quando terminava o período de
três anos do seu governo, Afonso de Albuquerque foi pedir a passagem de
poderes a D. Francisco de Almeida, pondo-o a par da nomeação feita por D.
Manuel. O governador não gostou da notícia, e disse-lhe que não tivesse
pressa, pois ainda tinha uma missão a cumprir. D. Afonso de Albuquerque
sabia que se referia à vingança da morte do filho e disse-lhe que ele
próprio se encarregaria disso. D. Francisco considerou uma ingerência e
argumentou, dizendo que não costumava deixar para os outros a vingança das
ofensas a ele feitas. Perante esta atitude do governador, Albuquerque
retirou-se para Cochim, esperando que ele lhe fosse fazer a entrega dos
poderes.
Com o apoio das armadas que haviam chegado de Lisboa e a sua própria,
dirigiu-se a Dabul, destruiu a cidade e para completar o seu plano, fez um
ataque violentíssimo a Diu. Daqui em diante, as desavenças entre o
governador ainda em exercício e o novo governador, sucedem-se. D. Francisco
de Almeida não gostou da forma como Albuquerque lhe pediu o poder e ia
adiando a passagem das responsabilidades para as suas mãos. Com o impasse da
situação, Afonso de Albuquerque decide começar a executar o plano, que lhe
havia sido confiado pelo rei português. O conflito chegou ao conhecimento de
D. Manuel, pelo que enviou D. Fernando Coutinho para repor a legalidade.
Este agradece a Francisco de Almeida os seus esforços ao serviço da coroa e
embora tivessem terminado, o seu conselho nos assuntos difíceis seria de
primordial importância. Como nunca foi consultado, decidiu regressar a
Portugal, abatido e triste. Perto do Cabo da Boa Esperança, quando se
abastecia de água e mantimentos, foi morto pelos negros. A vice-realeza de
D. Francisco de Almeida ficou marcada por grandes feitos na Índia.
Conquistou cidades importantes na costa Oriental de África, construiu
feitorias e fortalezas de apoio e defesa dos interesses da coroa portuguesa,
fez alianças pacíficas com cidades-estados da costa do Malabar, na Índia,
venceu pelas armas praças importantes no tráfego mercantil, controlou a
entrada de mercadorias no mar Vermelho, contribui para o estabelecimento da
rota do Cabo. O controlo do mar da Índia foi a sua prioridade, por isso
conseguiu a hegemonia marítima. O trabalho de Francisco de Almeida consistiu
no desbravar do terreno fértil, que proporcionou aos seus sucessores a
concretização dos objectivos estipulados em 1505/ 1506.
O nome do 1.º Vice-Rei na Índia, foi imortalizado por Camões em “Os
Lusíadas”.
Afonso de Albuquerque
http://www.brasilescola.com/biografia/
Militar, conquistador e político português nascido na Quinta do Paraíso,
perto de Alhandra, considerado a figura mais emblemática da expansão
portuguesa no Oriente e que como segundo vice-rei da Índia foi maior
responsável pela expansão do poder das feitorias lusas nesse país.
Descendente da nobreza lusitana, foi criado na corte de D. Afonso V, serviu
em praças-fortes portuguesas de Marrocos e integrou a guarda pessoal de D.
João II. Na sua primeira missão na Índia (1503-1505), confiada por D. Manuel
I, fundou a fortaleza de Cochim, travou combate com os turcos e com tropas
muçulmanas do reino de Calecut, e estudou profundamente a região.
Com prestígio em alta, foi nomeado (1506) por D. Manuel I para substituir o
governador D. Francisco de Almeida. Ao chegar a Índia (1508), Almeida
negou-se a reconhecer a carta secreta do rei na qual o nomeava governador e,
além de não lhe transferir seus poderes, o aprisionou na fortaleza de
Cananor. Com a chegada da esquadra do marechal Fernando Coutinho (1509), o
insatisfeito governante não pode resistir e entregou o cargo a seu sucessor.
O novo vice-rei deu início a sua ofensiva regional para controlar todo o
comércio da área e antes de assumir as suas funções de governador, assaltou
e tomou os portos de Omã e de Ormuz.
Conquistou sucessivamente Goa, Cambaia, Calicut, Narsinga, Malaca e Ormuz
(1510-1515). Comandou a primeira esquadra europeia a entrar no mar Vermelho
(1513), consolidando, assim, o domínio português no Oriente (1514). Seu
plano estratégico era instalar uma linha de fortalezas que pudesse controlar
a navegação no mar Vermelho, impondo o domínio português sobre uma vasta
área territorial, expulsando as forças do Império Otomano.
Porém, seus sucessivos sucessos de conquistas e sua visão de um amplo
domínio português no Oriente, renderam-lhe muitos inimigos invejosos na
corte, até que o rei foi convencido a substituí-lo por Lopo Soares de
Albergaria, um desses fortes inimigos. Frustrado e doente, morreu durante a
viagem de Ormuz para Goa, quando ia passar oficialmente o cargo de vice-rei
ao seu substituto, consciente do boicote de que fora vítima.
Lopo Soares de Albergaria
Nasceu provavelmente, em 1460. Foi nomeado por D. Manuel I, em 1515,
governador da Índia, sucedendo a Afonso de Albuquerque. Não conseguiu dar
continuidade ao trabalho do "Terribil", tendo tido vários insucessos
militares. Após três anos de governo na Índia, voltou a Portugal, deixando o
cargo para Diogo Lopes de Sequeira, mas não sem antes fundar uma fortaleza
em Colombo, Ceilão (actual Sri Lanka). Morreu em data desconhecida.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

FORMATAÇÃO E ARTE: IARA MELO
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