Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
O Ferro
O nome "ferro" deriva do latim "ferrum",
enquanto o anglo-saxónico "iron" tem origem no
escandinavo "iarn". Muitas histórias fabulosas
se contaram ao longo dos séculos, descrevendo
como o ferro meteórico caía na Terra enviado dos
céus como uma dádiva dos deuses ao Homem. Não é,
no entanto, necessária nenhuma explicação
romântica para a descoberta do ferro, se
atendermos à facilidade com que se reduz o ferro
a partir dos seus minérios. Diz-se mesmo que o
primeiro ferro produzido foi obra do acaso,
quando pedaços de minério de ferro foram usados
em vez de pedras nas fogueiras nos banquetes,
onde o fogo era mantido tempo suficiente para
permitir a redução. Seguiu-se a observação que
as mais altas temperaturas obtidas quando o
vento soprava, produziam um melhor material.
Tentou-se então conseguir através de várias
artimanhas uma rajada de vento artificial, até
se conseguir criar uma fornalha de fundição.
Nenhum outro se revelou tão útil
no fabrico de armamento e instrumentos como o
ferro, cujo aparecimento constituí a última e
maior transformação metalúrgica. O ferro fez a
sua aparição após o estabelecimento das
primeiras civilizações. Todos os utentes de
ferro viveram dentro do período civilizado,
mesmo que não fossem civilizados, isto é,
viveriam no período considerado histórico, e não
no pré-histórico.
A Idade do Ferro poderá
ser encarada tanto como o culminar como o
terminar do Neolítico embora os povos já utentes
de ferro coexistissem, durante muito tempo, com
os povos que ainda utilizavam instrumentos
feitos de pedra. Uma ampla difusão do uso do
ferro ocorreu apenas após o ano mil antes de
Cristo. É geralmente aceite que os mais antigos
vestígios da utilização do ferro, tal como da do
cobre, deverão ser procurados na Ásia Menor,
ainda que não se chegue a acordo sobre o local
exacto. A indicação dessa região deve-se ao
facto de aí existir a matéria-prima e também à
experiência acumulada no trabalho de outros
materiais. O ferro necessita de temperaturas
mais elevadas para fundir e, nesta região,
sabia-se já como construir fornos onde se
atingiram temperaturas suficientemente altas
para cozer o barro. Conseguiram-no utilizando o
carvão como combustível e insuflando-lhe ar.
Uma vez descoberta a metalurgia do ferro, esta
divulgou-se rapidamente. Os povos europeus que
designamos de Celtas contam-se entre os mais
habilidosos na utilização do ferro( já haviam-no
sido referidos ao bronze, mas neste campo os
Chineses ultrapassaram-nos em perfeição), mas
isso aconteceu depois de o ferro ter sido
adoptado em toda a parte. Os primeiros povos a
usar o ferro em grande escala foram os Hititas,
(grande império que enfrentou em termos de
igualdade a força dos egípcios dominadores do
mundo antigo, os Hititas tiveram criações
absolutamente originais de arte e linguagem, mas
foi um povo que desapareceu subitamente da
história, restando algumas poucas linhas do
Velho Testamento como lembrança desse povo. Mas
um trabalho de escavações arqueológicas e um
intenso esforço na decifração de escritas
misteriosas no início do século passado
trouxeram de novo à luz a existência de tal
civilização). que fundaram um império no Próximo
Oriente por volta do ano 1500 antes de Cristo.
Naquela era, a supremacia bélica pertencia
obviamente àqueles que possuíam armas de ferro.
Uma espada de ferro era muito mais resistente
que uma de bronze – não falando já do punhal de
cobre nem do machado de pedra. Mas o ferro
revolucionou também a História, ao ser aplicado
na agricultura. Os instrumentos de ferro
revelaram-se os melhores no trabalho da terra e,
por consequência, um melhor rendimento agrícola.
Não só aumentaram as colheitas, como se passou a
cultivar plantas que exigiam sementeira mais
profunda. O derrube de árvores simplificou-se. A
importância das zonas mineiras foi aumentando
com a descoberta de cada metal. Uma vez atingida
a era da civilização, a Europa passou a
despertar a cobiça do resto do Mundo. A
tecnologia dos seus povos era retrógrada quando
comparada com a dos restantes, mas a Europa era
muito rica em minérios facilmente acessíveis e
possuía majestosas florestas em consequência da
retirada dos gelos. Prospectores do Próximo
Oriente começaram a inspeccionar esta área ainda
antes do ano 3000 antes de Cristo e, mil anos
mais tarde, existiam várias regiões metalúrgicas
em actividade, especialmente na Hispânia, na
Grécia e na Itália Central.
O Ferro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferro
O ferro (do latim ferrum) é um elemento químico,
símbolo Fe, de número atómico 26 (26 prótons e
26 eléctrons) e massa atómica 56 u. À
temperatura ambiente, o ferro encontra-se no
estado sólido. É extraído da natureza sob a
forma de minério de ferro que, depois de passado
para o estágio de ferro-gusa, através de
processos de transformação, é usado na forma de
lingotes. Adicionando-se carbono dá-se origem a
várias formas de aço.
Este metal de transição é encontrado no grupo 8
(8B) da Classificação Periódica dos Elementos. É
o quarto elemento mais abundante da crosta
terrestre (aproximadamente 5%) e, entre os
metais, somente o alumínio é mais abundante.
É um dos elementos mais abundantes do Universo;
o núcleo da Terra é formado principalmente por
ferro e níquel (NiFe). Este ferro está em uma
temperatura muito acima da temperatura de Curie
do ferro, dessa forma, o núcleo da Terra não é
ferromagnético.
O ferro tem sido historicamente importante, e um
período da história recebeu o nome de Idade do
ferro.
O ferro, actualmente, é utilizado extensivamente
para a produção de aço, liga metálica para a
produção de ferramentas, máquinas, veículos de
transporte (automóveis, navios, etc), como
elemento estrutural de pontes, edifícios, e uma
infinidade de outras aplicações.
Ferro: - É um metal maleável, tenaz, de
coloração cinza prateado apresentando
propriedades magnéticas; é ferromagnético a
temperatura ambiente, assim como o Níquel e o
Cobalto.
É encontrado na natureza fazendo parte da
composição de diversos minerais, entre eles
muitos óxidos, como o FeO (óxido de ferro II, ou
óxido ferroso) ou como Fe2O3 (óxido de ferro III,
ou óxido férrico). Os números que acompanham o
íon ferro diz respeito aos estados de oxidação
apresentados pelo ferro, que são +2 e +3, e é
raramente encontrado livre. Para obter-se ferro
no estado elementar, os óxidos são reduzidos com
carbono, e imediatamente são submetidos a um
processo de refinação para retirar as impurezas
presentes.
É o elemento mais pesado que se produz
exotericamente por fusão, e o mais leve
produzido por fusão, devido ao fato de seu
núcleo ter a mais alta energia de ligação por
nucleão, que é a energia necessária para separar
do núcleo um neutron ou um próton. Portanto, o
núcleo mais estável é o do ferro-56.
Apresenta diferentes formas estruturais
dependendo da temperatura:
Ferro α: É o que se encontra na temperatura
ambiente, até os 788 ºC. O sistema cristalino é
uma rede cúbica centrada no corpo e é
ferromagnético.
Ferro β: 788ºC - 910ºC. Tem o mesmo sistema
cristalino que o α, porém a temperatura de Curie
é de 770ºC, e passa a ser paramagnético.
Ferro γ: 910ºC - 1400ºC; apresenta uma rede
cúbica centrada nas faces.
Ferro δ: 1400ºC - 1539ºC; volta a apresentar uma
rede cúbica centrada no corpo.
Aplicações: - O ferro é o metal mais usado, com
95% em peso da produção mundial de metal. É
indispensável devido ao seu baixo preço e
dureza, especialmente empregado em automóveis,
barcos e componentes estruturais de edifícios.
O aço é a liga metálica de ferro mais conhecida,
sendo este o seu uso mais frequente. Os aços são
ligas metálicas de ferro com outros elementos,
tanto metálicos quanto não metálicos, que
conferem propriedades distintas ao material. É
considerada aço uma liga metálica de ferro que
contém menos de 2% de carbono; se a percentagem
é maior recebe a denominação de ferro fundido.
As ligas férreas apresentam uma grande variedade
de propriedades mecânicas dependendo da sua
composição e do tratamento que se tem aplicado.
Os aços são ligas metálicas de ferro e carbono
com concentrações máximas de 2,2% em peso de
carbono, aproximadamente. O carbono é o elemento
de ligação principal, porém os aços contêm
outros elementos. Dependendo do seu conteúdo em
carbono são classificados em:
Aço baixo em carbono. Contém menos de 0.25% de
carbono em peso. São frágeis porém dúcteis. São
utilizados em veículos, tubulações, elementos
estruturais e outros. Também existem os aços de
alta resistência com baixa liga de carbono,
entretanto, contêm outros elementos fazendo
parte da composição, até uns 10% em peso;
apresentam uma maior resistência mecânica e
podem ser trabalhados facilmente.
Aço médio em carbono. Entre 0,25% e 0,6% de
carbono em peso. Para melhorar suas propriedades
são tratados termicamente. São mais resistentes
que os aços baixo em carbono, porém menos
dúcteis, sendo empregados em peças de engenharia
que requerem uma alta resistência mecânica e ao
desgaste.
Aço alto em carbono. Entre 0,60% e 1,4% de
carbono em peso. São os mais resistentes,
entretanto, os menos dúcteis. Adicionam-se
outros elementos para que formem carbetos, por
exemplo, formando o carbeto de tungsténio, WC,
quando é adicionado à liga o volfrâmio. Estes
carbetos são mais duros, formando aços
utilizados principalmente para a fabricação de
ferramentas.
Um dos inconvenientes do ferro é que se oxida
com facilidade. Existem uma série de aços aos
quais se adicionam outros elementos ligantes,
principalmente o cromo, para que se tornem mais
resistentes à corrosão. São os chamados aços
inoxidáveis.
Quando o conteúdo de carbono da liga é superior
a 2,1% em peso, a liga metálica é denominada
ferro fundido. Estas ligas apresentam, em geral,
entre 3% e 4,5% de carbono em peso. Existem
diversos tipos de ferros fundidos: cinzento,
esferoidal, branco e maleável. Dependendo do
tipo apresenta aplicações diferentes: em
motores, válvulas, engrenagens e outras.
Por outro lado, os óxidos de ferro apresentam
variadas aplicações: em pinturas, obtenção de
ferro, e outras. A magnetita (Fe3O4) e o óxido
de ferro III (Fe2O3) têm aplicações magnéticas.
História: - Tem-se indícios do uso de ferro,
seguramente procedente de meteoritos, quatro
milénios a.C., pelos sumérios e egípcios.
Entre dois e três milénios antes de Cristo foram
aparecendo cada vez mais objectos de ferro (que
se distingue do ferro proveniente dos meteoritos
pela ausência de níquel) na Mesopotâmia,
Anatólia e Egipto. Entretanto, seu uso parece
ser cerimonial, por ter sido um metal muito
caro, mais que o ouro. Algumas fontes sugerem
que talvez era obtido como subproduto da
obtenção do cobre. Entre 1600 e 1200 a.C.,
observa-se um aumento do seu uso no Oriente
Médio, porém não foi usado para substituir o
bronze.
Entre os séculos XII e X antes de Cristo,
ocorreu uma rápida transição no Oriente Médio na
substituição das armas de bronze para as de
ferro. Esta rápida transição talvez tenha
ocorrido devido a uma escassez de estanho , e
devido a uma melhoria na tecnologia em trabalhar
com o ferro. Este período, que ocorreu em
diferentes ocasiões segundo o lugar,
denominou-se Idade do ferro, substituindo a
Idade do bronze. Na Grécia iniciou-se em torno
do ano 1000 a.C., e não chegou à Europa
ocidental antes do século VII a.C.. A
substituição do bronze pelo ferro foi paulatina,
pois era difícil produzir peças de ferro:
localizar o mineral, extraí-lo, proceder a sua
fundição a temperaturas altas e depois forjá-lo.
Na Europa central, surgiu no século IX a.C. a
"cultura de Hallstatt" substituindo a "cultura
dos campos de urnas", que se denominou "Primeira
Idade do Ferro", pois coincide com a introdução
do uso deste metal. Aproximando-se do ano 450
a.C., ocorreu o desenvolvimento da "cultura da
Tène", também denominada "Segunda Idade do
Ferro". O ferro era usado em ferramentas, armas
e jóias, embora segue-se encontrando objectos de
bronze.
Junto com esta transição de bronze ao ferro
descobriu-se o processo de "carburação", que
consiste em adicionar carbono ao ferro. O ferro
era obtido misturado com a escória contendo
carbono ou carbetos, e era forjado retirando-se
a escória e oxidando o carbono, criando-se assim
o produto já com uma forma. Este ferro continha
uma quantidade de carbono muito baixa, não sendo
possível endurecê-lo com facilidade ao esfriá-lo
em água. Observou-se que se podia obter um
produto muito mais resistente aquecendo a peça
de ferro forjado num leito de carvão vegetal,
para então submergi-lo na água ou óleo. O
produto resultante, apresentando uma camada
superficial de aço, era menos duro e mais frágil
que o bronze.
Na China, o primeiro ferro utilizado também era
proveniente dos meteoritos. Foram encontrados
objectos de ferro forjado no noroeste, perto de
Xinjiang, do século VIII a.C.. O procedimento
utilizado não era o mesmo que o usado no Oriente
Médio e na Europa.
Nos últimos anos da Dinastia Zhou (550 a.C.), na
China, se conseguiu obter um produto resultante
da fusão do ferro (ferro fundido). O mineral
encontrado ali apresentava um alto conteúdo de
fósforo, com o qual era fundido em temperaturas
menores que as aplicadas na Europa e outros
lugares. Todavia, durante muito tempo, até a
Dinastía Qing (aos 221 a.C.), o processo teve
uma grande repercussão.
O ferro fundido levou mais tempo para ser obtido
na Europa, pois não se conseguia a temperatura
necessária. Algumas das primeiras amostras foram
encontradas na Suécia, em Lapphyttan e
Vinarhyttan, de 1150 a 1350 d.C.
Na Idade Média, e até finais do século XIX,
muitos países europeus empregavam como método
siderúrgico a "farga catalana". Se obtinha ferro
e aço de baixo carbono empregando-se carvão
vegetal e o minério de ferro. Este sistema já
estava implantado no século XV, conseguindo-se
obter temperaturas de até 1200ºC. Este
procedimento foi substituído pelo emprego de
altos fornos.
No princípio se usava carvão vegetal para a
obtenção de ferro como fonte de calor e como
agente redutor. No século XVIII, na Inglaterra,
o carvão vegetal começou a escassear e tornar-se
caro, iniciando-se a utilização do coque, um
combustível fóssil, como alternativa. Foi
utilizado pela primeira vez por Abraham Darby,
no início do século XVIII, construindo em
Coalbrookdale um "alto forno". Mesmo assim, o
coque só foi empregado como fonte de energia na
Revolução industrial. Neste período a demanda
foi se tornando cada vez maior devido a sua
utilização, como por exemplo, em estradas de
ferro.
O alto forno foi evoluindo ao longo dos anos.
Henry Cort, em 1784, aplicou novas técnicas que
melhoraram a produção. Em 1826 o alemão
Friedrich Harkot construiu um alto forno sin
mampostería para humos.
Em finais do século XVIII e início do século XIX
começou-se a empregar amplamente o ferro como
elemento estrutural em pontes, edifícios e
outros. Entre 1776 e 1779 se construiu a
primeira ponte de ferro fundido por John
Wilkinson e Abraham Darby. Na Inglaterra foi
empregado pela primeira vez o ferro na
construção de edifícios por Mathew Boulton e
James Watt, no princípio do século XIX. Também
são conhecidas outras obras deste século, como
por exemplo, o "Palácio de Cristal" construído
para a Exposição Universal de 1851 em Londres,
do arquiteto Joseph Paxton, que tem uma armação
de ferro, ou a Torre Eiffel, em Paris,
construída em 1889 para a Exposição Universal,
onde foram utilizadas milhares de toneladas de
ferro.
Abundância e obtenção: - É o metal de transição
mais abundante da crosta terrestre, e quarto de
todos os elementos. Também abunda no Universo,
havendo-se encontrados meteoritos que contêm
este elemento. O ferro é encontrado em numerosos
minerais, destacando-se:
A hematita (Fe2O3), a magnetita (Fe3O4), a
limonita (FeO(OH)), a siderita (FeCO3), a pirita
(FeS2) e a ilmenita (FeTiO3).
Pode-se obter o ferro a partir dos óxidos com
maior ou menor teor de impurezas. Muitos dos
minerais de ferro são óxidos.
A redução dos óxidos para a obtenção do ferro é
efectuada em fornos denominados alto forno ou
forno alto. Nele são adicionados os minerais de
ferro, em presença de coque, e carbonato de
cálcio, CaCO3 , que actua como escorificante.
No alto forno ocorrem as seguintes reacções:
Formação de gases (óxidos de carbono):
O coque reage com o oxigénio produzindo gás
carbónico (dióxido de carbono):
C + O2
→
CO2
O dióxido de carbono reduz-se formando monóxido
de carbono:
CO2 + C
→
2CO
Num processo contrário, o monóxido pode
oxidar-se com oxigénio reproduzindo o gás
carbónico:
2CO + O2
→
2CO2
O processo de oxidação do coque com oxigénio
libera energia. Na parte inferior do alto forno
a temperatura pode alcançar 1900ºC.
Redução dos minerais que são óxidos:
Inicialmente, os óxidos de ferro são reduzidos
na parte superior do alto forno, parcial ou
totalmente, com o monóxido de carbono, já
produzindo ferro metálico. Exemplo: redução da
magnetita:
Fe3O4 + 3CO
→
3FeO + 3CO2
FeO + CO
→
Fe + CO2
Posteriormente, na parte inferior do alto forno,
onde a temperatura é mais elevada, ocorre a
maior parte da redução dos óxidos com o coque
(carbono):
Fe3O4 + C
→
3FeO + CO
O carbonato de calcio se decompoem:
CaCO3
→
CaO + CO2
e o dióxido de carbono é reduzido com o coque a
monóxido de carbono, como visto acima.
Na parte mais inferior do alto forno ocorre a
carburação:
3Fe + 2CO
→
Fe3C + CO2
Processos de enriquecimento:
Finalmente ocorre a combustão e a desulfuração
(eliminação do enxofre) devido à injecção de ar
no alto forno, e por último são separadas as
fracções: a escória do ferro fundido, que é a
matéria-prima empregada na indústria.
O ferro obtido pode conter muitas impurezas não
desejáveis, sendo necessário submetê-lo a um
processo de refinação que pode ser realizado em
fornos chamados convertidores.
Em 2004, os cinco maiores países produtores de
ferro eram a China, o Brasil, a Austrália, a
Índia e a Rússia, com 74% da produção mundial.
Compostos: - Os estados de oxidação mais comuns
são +2 e +3. Os óxidos de ferro mais conhecidos
são o óxido de ferro II, FeO, o óxido de ferro
III, Fe2O3, e o óxido misto Fe3O4. Forma
numerosos sais e complexos com estes mesmos
estados de oxidação. O hexacianoferrato II de
ferro III, usado em pinturas, é conhecido como
azul da Prússia ou azul de Turnbull.
São conhecidos compostos de ferro com estados de
oxidação +4, +5 e +6, porém são pouco comuns. No
ferrato de potássio, K2FeO4, usado como oxidante
, o ferro apresenta estado de oxidação +6. O
estado de oxidação +4 é encontrados em poucos
compostos e também em alguns processos
enzimáticos.
O Fe3C é conhecido como cementita, contém 6,67 %
em carbono. O ferro α é conhecido como ferrita,
e a mistura de ferrita e cementita é denominada
perlita ou ledeburita, dependendo do teor de
carbono. A austenita é o ferro γ.
Papel biológico
O ferro é praticamente encontrado em todos os
seres vivos e cumpre numerosas e variadas
funções.
Há diferentes proteínas que contêm o grupo hemo,
que consiste na ligação da porfirina com um
átomo de ferro. Alguns exemplos:
A hemoglobina e a mioglobina. A primeira
transporta oxigénio, O2, e a segunda o armazena.
A hemoglobina localiza-se no sangue e, pelo fato
de ter átomos de ferro, a cor do sangue é
vermelha.
Os citocromos reduzem o oxigénio em água. Os
citocromos P450 catalisam a oxidação de
compostos hidrofóbicos, como fármacos ou drogas,
para que possam ser excretados, e participam na
síntese de diversas moléculas.
As peroxidases e catalases catalisam a oxidação
de peróxidos, H2O2, que são tóxicos.
As proteínas de ferro/enxofre (Fe/S) participam
em processos de transferência de elétrons.
Também é possível encontrar proteínas onde os
átomos de ferro se enlaçam entre si através de
pontes de oxigénio. São denominadas proteínas
Fe-O-Fe. Alguns exemplos:
As bactérias metanotróficas, que usam o metano,
CH4, como fonte de energia e de carbono, usam
proteínas deste tipo, chamadas monooxigenases,
para catalisar a oxidação do metano.
A hemeritrina transporta oxigénio em alguns
organismos marinhos.
Algumas ribonucleótideo redutases contêm ferro.
Catalisam a formação de desoxinucleótideos.
Os animais para transportar o ferro dentro do
corpo empregam proteínas chamadas transferrinas.
Para armazená-lo empregam a ferritina e a
hemosiderina. O ferro entra no organismo
absorvido no intestino delgado e é transportado
e armazenado por essas proteínas. A maior parte
do ferro é reutilizada e um pouco é excretado.
Tanto o excesso como a deficiência de ferro
podem causar problemas no organismo. O
envenenamento por ferro é chamado de
hemocromatose enquanto que a sua deficiência é
conhecida popularmente como anemia. A palavra
anemia, apesar de estar popularmente associada à
carência de ferro no organismo, não é utilizada
única e exclusivamente para ela. Para a carência
de ferro no organismo, cabe o nome específico de
anemia ferropriva. Nas transfusões de sangue são
usados ligantes que formam com o ferro complexos
de alta estabilidade, evitando que ocorra uma
queda demasiada de ferro livre. Estes ligantes
são conhecidos como sideróforos. Muitos
organismos empregam estes sideróforos para
captar o ferro que necessitam. Também podem ser
empregados como antibióticos, pois não permitem
ferro livre disponível.
Isótopos
O ferro tem quatro isótopos estáveis naturais:
54Fe, 56Fe, 57Fe e 58Fe. As proporções relativas
destes isótopos na natureza são aproximadamente:
54Fe ( 5,8% ), 56Fe ( 91,7% ), 57Fe (2,2%) e
58Fe ( 0,3% ).
Precauções
O ferro em excesso é tóxico. O ferro reage com
peróxido produzindo radicais livres. A reacção
mais importante é:
Fe (II) + H2O2
→
Fe (III) + OH- + OH·
Porém esta mesma reação pode ter aplicação
científica e industrial, na chamada Reacção de
Fenton.
Quando o ferro se encontra nos níveis normais,
os mecanismos antioxidadantes do organismo podem
controlar este processo.
A dose letal de ferro em crianças de 2 anos é de
3 gramas. 1 grama pode provocar um envenenamento
importante.
O envenenamento por ferro é denominado
hemocromatose. O ferro em excesso se acumula no
fígado provocando danos neste órgão.
A Idade do Ferro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_do_Ferro
A Idade do Ferro se refere ao período em que
ocorreu a metalurgia do ferro. Este metal é
superior ao bronze em relação à dureza e
abundância de jazidas A Idade do Ferro vem
caracterizada pela utilização do ferro como
metal, utilização importada do Oriente através
da emigração de tribos indoeuropéias (celtas),
que a partir de 1.200 a.C. começaram a chegar a
Europa Ocidental, e o seu período alcança até a
época romana.
Império Romano é a designação utilizada por
convenção para referir o Estado romano nos
séculos que se seguiram à reorganização política
efectuada pelo primeiro imperador, César
Augusto. Embora Roma possuísse colónias e
províncias antes desta data, o estado
pré-Augusto é conhecido como República Romana. A
diferença entre Império e República está
sobretudo na forma como os corpos governativos
são instituídos. Pode-se definir como República
um sistema de governo que leva em consideração
os interesses dos cidadãos, estes elegem os seus
representantes que irão governar a nação por um
determinado período de tempo. No Império o
governante, neste caso o imperador, é legitimado
muitas vezes através de um golpe militar, ou de
uma "suposta" descendência divina. Diferente da
República, o cargo do governante do império é
vitalício (só cessa com a morte do mesmo).
Os historiadores fazem a distinção entre o
Principado, período de Augusto à crise do
terceiro século, e o Domínio ou Dominato que se
estende de Diocleciano ao fim do império romano
do ocidente. Durante o Principado (da palavra
latina princeps, que significa primeiro, a
natureza autocrática do regime era velada por
designações e conceitos da esfera republicana,
manifestando os imperadores relutância em se
assumir como poder imperial. No Domínio (palavra
com origem em dominus, senhor), pelo contrário,
estes últimos exibiam claramente os sinais do
seu poder, usando coroas, púrpuras e outros
ornamentos simbólicos do seu estatuto.) e na
Escandinávia.
A Escandinávia é uma região geográfica e
histórica do norte da Europa e que abrange, no
sentido mais estrito, a Suécia e a Noruega,
embora muitos geógrafos incluam também a
Dinamarca e, mais raramente, a Finlândia, as
ilhas Feroé e a Islândia. Qualquer que seja a
definição usada, considera-se a península
Escandinava como núcleo principal da
Escandinávia.
Devido às sucessivas vagas de glaciação, a
Escandinávia foi repetidamente despovoada e
desprovida de fauna e flora terrestres ao longo
do tempo. Os estudiosos a apontam como a terra
de origem de uma parte dos povos germânicos e
dos viquingues. ) até a época dos vikings.
Os vikings (por vezes usa-se a forma
aportuguesada viquingues) eram
guerreiros-marinheiros da Escandinávia que entre
o final do século VIII e o século XI pilharam,
invadiram e colonizaram as costas da
Escandinávia, Europa e ilhas Britânicas. Embora
sejam conhecidos principalmente como um povo de
terror e destruição, eles também fundaram
povoados e fizeram comércio pacificamente.
A Era Viking é o nome da última parte do início
da Idade do Ferro na Escandinávia. Hoje, de um
modo um tanto controverso, a palavra viking
também é usada como um adjetivo genérico que se
refere aos escandinavos da Era Viking. A
população escandinava medieval em geral é
referida de um modo mais apropriado como
nórdicos.em torno do ano 1.000 d.C).
O período da Idade do Ferro é dividido em
período da cultura de Hallstatt ( A cultura de
Hallstatt foi a cultura centro-européia
predominante durante a Idade do Bronze local, e
deu origem à Idade do Ferro. Recebeu este nome
pelo sítio arqueológico de Hallstatt, um
vilarejo lacustre no Salzkammergut austríaco, a
sudeste de Salzburgo.) e período da cultura de
La Tène (A cultura de La Tène foi uma cultura da
Idade do Ferro assim denominada em relação ao
sítio arqueológico de La Tène no lado norte do
lago de Neuchâtel na Suíça, onde um tesouro de
artefactos foi descoberto por Hans Kopp in 1857.
)
Na Europa Central, a Idade do Ferro se divide em
quatro períodos:
Cultura dos Túmulos.
Cultura dos Campos de Urnas (1.200-725 a.C.)
Cultura de Hallstatt (A cultura de Hallstatt foi
a cultura centro-européia predominante durante a
Idade do Bronze local, e deu origem à Idade do
Ferro. Recebeu este nome pelo sítio arqueológico
de Hallstatt, um vilarejo lacustre no
Salzkammergut austríaco, a sudeste de
Salzburgo.800-450 a.C.)
Cultura de La Tène (A cultura de La Tène foi uma
cultura da Idade do Ferro assim denominada em
relação ao sítio arqueológico de La Tène no lado
norte do lago de Neuchâtel na Suíça, onde um
tesouro de artefactos foi descoberto por Hans
Kopp in 1857.de 450 a.C.até à conquista romana).
Na Alemanha os historiadores diferenciam uma
Idade do Ferro entre pré-romana e outra romana
(cultura de Jastorf).
Em Portugal, então parte da Hispânia (Hispânia
foi o nome dado pelos antigos romanos a toda a
Península Ibérica (Portugal, Espanha, Andorra e
Gibraltar) e às duas províncias criadas
posteriormente durante a República Romana:
Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior. Durante o
Principado, a Hispânia Ulterior foi dividida em
duas novas províncias: a Bética e a Lusitânia,
enquanto a Hispânia Citerior foi rebaptizada
para Tarraconense. Mais tarde, a parte ocidental
da Tarraconense foi desanexada, inicialmente
como Hispânia Nova, e mais tarde rebaptizada
para Callaecia (ou Galécia, correspondente à
actual Galiza, Norte de Portugal e Astúrias e
parte de Leão). Durante a tetrarquia de
Diocleciano (284 d.C.), o sul da Tarraconense
foi desanexado para constituir a província
Cartaginense. O conjunto de todas as províncias
hispânicas formavam uma única diocese civil, sob
a direcção do vigário de Hispaniae, cujas
competências se estendiam também à Mauretânia
Tingitana (ao redor de Tânger) que, portanto,
eram oficialmente consideradas 'hispânicas'.
A ocupação romana teve início a 218 a.C. com o
desembarque dos Romanos em Ampúrias e terminou
em meados do século V d.C., altura em que toda a
península assistiu à invasão dos Suevos, Alanos
e Vândalos e, mais tarde, dos Visigodos. Ao
longo de todo este período, tanto os povos como
a organização política do território sofreram
profundas e irreversíveis mudanças, e a Hispânia
converteu-se numa parte fundamental do Império
Romano, proporcionando-lhe um enorme caudal de
recursos materiais e humanos, ao mesmo tempo que
foi uma das regiões mais estáveis do Império., a
Idade do Ferro é essencialmente dominada pela
ocupação do território pelo Império Romano,
embora possamos depender da divisão do período
em Idade do Ferro I e Idade do Ferro II, como o
fez Armando Coelho na sua obra Cultura Castreja.
Quando o ferro é a alma da terra por Teresa
Batista, Jornal Nordeste
Falta de investimento levou à desactivação das
minas de Moncorvo (Portugal), um dos maiores
jazigos da Europa
O jazigo de ferro de Moncorvo, considerado um
dos maiores depósitos de minério da Europa, foi
abandonado na década de 80, devido à falta de
rentabilidade económica desta matéria-prima no
mercado internacional.
Passados cerca de 20 anos, a Serra do Reboredo e
o Cabeço da Mua, no concelho de Torre de
Moncorvo, guardam, apenas, os vestígios da
exploração mineira que atingiu o auge nos anos
50.
Quem trabalhou nas minas de Moncorvo recorda a
dureza do trabalho para extrair o ferro da
rocha, bem como o esforço feito para passar o
minério dos vagões do comboio da via estreita
para a via larga.
Manuel Silva, natural da aldeia do Carvalhal,
conta que começou a trabalhar no jazigo de
Moncorvo desde tenra idade, mas não esqueceu o
esforço físico que teve que fazer para partir as
pedras com uma martelo de 10 quilos e os dias
que chegava a molhar os vagões com o suor do
próprio corpo.
“Iniciei o meu trabalho nas minas em 1951.
Naquela altura comecei a partir pedra, era um
trabalho muito duro. Ao fim das oito horas
sentia o corpo todo dorido. Com os anos consegui
chegar a guarda do paiol. Aí o trabalho já não
exigia tanto esforço”, salienta este antigo
mineiro.
Trabalho para todas as idades
O bairro mineiro da Ferrominas, a empresa que
ficou responsável pela exploração das minas a
partir de 1950, altura em que as concessionárias
internacionais, nomeadamente da Alemanha,
cederam a exploração, chegou a albergar famílias
inteiras que laboravam no couto mineiro.
Segundo alguns testemunhos de antigos mineiros,
a exploração do ferro chegou a contar com o
esforço físico de mulheres e crianças, que
acompanhavam os maridos e os pais no trabalho.
“As mulheres trabalhavam nas correias, a
escolher o minério, enquanto as crianças
ajudavam no transporte de água e naquilo que era
preciso na secção do desmonte”, recorda Manuel
Silva.
Nos anos 50, eram muitos os que abandonavam a
agricultura e partiam rumo aos jazigos de
minério, visto que, apesar do trabalho ser mais
esforçado, o salário era mais alto.
Nessa altura, as minas de Moncorvo, receberam
trabalhadores de diversos pontos do País e até
do estrangeiro, de onde vinha grande parte da
mão-de-obra qualificada que trabalhava na
exploração.
O responsável do Museu do Ferro de Moncorvo,
Nelson Campos, lembra que muitos dos engenheiros
que davam apoio às minas, oriundos de países
europeus, acabaram por radicar em Moncorvo,
devido aos laços criados aquando da extracção do
minério.
Teodorico Carriço, natural de Lisboa, é um dos
exemplos de quem deixou a sua terra Natal para
vir laborar para as minas de Moncorvo.
Moncorvo acolhe mineiros
“Os motores das máquinas, quando havia alguma
avaria, eram desmontados cá. Só depois é que iam
para Lisboa para serem reparados. Foi para
efectuar esse trabalho que eu me desloquei para
Moncorvo, onde acabei por construir casa e optei
por refazer cá a minha vida”, salienta este
ex-chefe de máquinas.
Florentino Gil é, igualmente, um dos testemunhos
de quem trocou as brincadeiras de criança para
aprender a profissão de serralheiro no jazigo de
Moncorvo.
“Comecei a trabalhar nas minas com 11 anos de
idade e, nessa altura, era aprendiz de
serralheiro na oficina situada junto às minas.
Naquele tempo havia muita gente a trabalhar
naquela exploração, porque a produção era manual
e os utensílios eram todos reparados nas
oficinas”, recorda este ex-trabalhador mineiro.
Grande parte do minério extraído no couto de
Moncorvo tinha como destino outros países
europeus, onde algum era condensado para a
extracção do ferro, uma matéria-prima muito
rentável aquando da Revolução Industrial e das
Guerras Mundiais que devastaram a Europa.
O canal de escoamento deste produto fazia-se por
via-férrea, mas nos anos 50 eram muitos os
entraves que se colocavam ao transporte deste
produto bruto.
O mineral saía do jazigo em vagões que se
deslocavam pela linha do Sabor, entre o
Carvalhal e o Pocinho, onde eram despejados,
manualmente, para as carruagens que seguiam pela
linha do Douro, já em bitola larga, até ao
litoral do País.
Segundo os ex-mineiros, este era o trabalho mais
árduo, principalmente na época do Verão. “Na
altura do calor alguns até se punham nus, porque
não conseguiam aguentar as altas temperaturas”,
realça Manuel Silva.
Projectos abandonados
Depois de oito horas de trabalho, os mineiros
eram recompensados com 20 escudos, uma quantia,
que, na altura, consideravam razoável.
“Quando o Champalimaud comprou as minas, os
salários aumentaram para cerca de 4 contos. Aí
as condições melhoraram bastante, mas passado
pouco tempo acabou tudo”, sublinha aquele
ex-mineiro.
Apesar da exploração do ferro na serra do
Reboredo ser a céu aberto, ainda houve muitos
trabalhadores a perder a vida em acidentes de
trabalho e vítimas de silicose, a doença
característica dos mineiros.
“Não assisti a nenhum acidente de trabalho, mas
anos mais tarde acabaram por falecer alguns
mineiros vítimas da silicose. Apesar da
exploração ser a céu aberto sempre apanhavam pó
do minério”, afirma Carolino Carvalho, ex-
escriturário das minas.
Quando a rentabilidade do minério começou a
baixar no mercado internacional (década de 80),
foram elaborados diversos projectos para
“salvar” aquele jazigo, mas nenhum saiu do
papel.
Os estudos levados a cabo no local indicavam que
ainda havia muito minério para explorar, tanto
na serra do Reboredo como no Cabeço da Mua, só
que a baixa cotação do ferro no mercado mundial
deitou tudo a perder.
Mineiros acreditam na reactivação
“Tenho pena que a exploração mineira tenha
acabado naquele local. Chegaram a ser feitos
projectos para esta zona, onde constava a
construção de um aeroporto e universidade, mas
depois não houve dinheiro e caiu tudo por
terra”, lamenta Teodorico Carriço.
O responsável do Museu do Ferro confirma a
existência de projectos ambiciosos para a zona
das minas, afirmando, mesmo, que houve muita
gente a adquirir terrenos na zona do Carvalhal
para gerarem dinheiro. No entanto, o
investimento naquela zona nunca se verificou e
grande parte das pessoas que tiravam os seus
rendimentos das minas foram obrigados a emigrar.
Passadas mais de duas décadas do encerramento
daquele jazigo, alguns ex-mineiros ainda
acreditam na reactivação das minas de Moncorvo,
visto que não compreendem porque é que Portugal
importa este material, quando tem uma das
maiores minas de ferro da Europa.