Ortografia da Língua Portuguesa

Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo

 

 

Mudanças no Ortografia da Língua Portuguesa - a partir de Janeiro de 2008 (*)

Em Portugal, ainda não saiu no Diário da República e os livros escolares ainda não foram modificados

 

 

A linguagem é uma das características maiores do homem. Desde a pré-história, a necessidade de comunicação se fazia presente. Antes da língua oral, o homem desenvolveu outras linguagens como gestos, sinais e símbolos pictóricos, amuletos, tudo isto profundamente relacionado com o mítico (deus).
Essa necessidade de se comunicar encontra fundamento na própria essência humana, já que se nota a propensão à partilha e à organização social.
Acredita-se que as primeiras articulações de sons produzidos pelo nosso aparelho fonador com significados distintos para cada ruído, convencionados em código, foram celebradas na Língua Indo-européia, numa região incerta da Europa oriental, a 3000 a.C. A partir de então, o Indo-europeu foi levado a diversas regiões, desde o Oriente Próximo até a Grã-Bretanha. Justamente pela grande propagação dessa língua em territórios tão distantes, O Indo-europeu evolui na forma de diversas novas línguas, como o grego, o eslavo e o itálico.

O latim é uma língua pertencente ao grupo itálico da grande família das línguas indo-européias. Falado na cidade de Roma e na província do Lácio, no século I a.C. estendeu-se a toda a Itália e seguidamente à parte ocidental da Europa, desde a actual Roménia até Portugal, vindo dar origem às línguas latinas.
Foi língua de literatura e língua franca na Europa inteira durante a antiguidade romana e a idade média europeia.


A partir de Janeiro de 2008, Brasil, Portugal e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste terão a ortografia unificada.
O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
Resumo da ópera - o que muda na ortografia em 2008:
- As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiros terão que escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”.
- mudam-se as normas para o uso do hífen
- Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.
- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos” em oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”.
- O trema desaparece completamente. Estará correto escrever “linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”.
- O acento deixará de ser usado para diferenciar “pára” (verbo) de “para” (preposição).
- Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia.
- Em Portugal, desaparecem da língua escrita o “c” e o “p” nas palavras onde ele não é pronunciado, como em “acção”, “acto”, “adopção” e “baptismo”. O certo será ação, ato, adoção e batismo.
- Também em Portugal elimina-se o “h” inicial de algumas palavras, como em “húmido”, que passará a ser grafado como no Brasil: “úmido”.
- Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.
Fontes: Agência Lusa

 

(*) Por enquanto, segundo me parece, só temos este Acordo (tenho o texto completo):

ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Assinado a 16 de Dezembro de 1990.
Foram feitos dois Protocolos Modificativos (17 de Julho de 1998 e 24 de Julho de 2004).
Nos termos do Protocolo Modificativo assinado a 24 de Julho de 2004, em São Tomé, para entrar em vigor carece de ser ratificado, pelo menos por 3 países.
Brasil, Cabo Verde e Portugal ratificaram o Acordo e o Primeiro Protocolo Modificativo.
Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificaram o Segundo Protocolo Modificativo.
12 de Outubro de 1990, Lisboa, Portugal
Aprovação pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras, delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e a adesão da delegação de observadores da Galiza do projecto de texto de ortografia unificada da Língua Portuguesa;
16 de Dezembro de 1990, Lisboa, Portugal
assinatura do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa;
Caso Português:
23 de Agosto de1991
publicação no Diário da República nº. 193, I Série, do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, conjuntamente com a Resolução da Assembleia da República nº 26/91 que o aprova para ratificação.
Caso Brasileiro:
18 de Abril de 1995
Congresso Nacional aprova o texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa;
18 de Abril de 1995
José Sarney, Presidente do Senado Federal  promulga o DECRETO LEGISLATIVO Nº 54, DE 1995
Entrada
em vigor
O artigo 3°. do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa previa a sua entrada em vigor em 1 de Janeiro de 1994 «após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa»;
apenas Brasil, Cabo Verde e Portugal depositaram os referidos instrumentos de ratificação.
17 de Julho de 1998, Praia, Cabo Verde
assinatura do Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, pelos Governos da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República de Cabo Verde, da República da Guiné-Bissau, da República de Moçambique, da República Portuguesa e da República Democrática de S. Tomé e Príncipe;
Dá nova redacção aos artigos 2.º e 3.º do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 16 de Dezembro de 1990;
O artigo 3° deste Protocolo dispõe que "o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor após depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República Portuguesa".
Caso Português:
28 de Janeiro de 2000:
Aprovado para ratificação pela Resolução da Assembleia da República n.º 8/2000;
ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 1/2000.
Publicação:Diário da República I-A, n.º 23, de 28/01/2000
Caso Brasileiro:
12 de Junho de 2002
O Congresso Nacional aprova;
o Presidente do Senado Federal promulga o Decreto Legislativo que aprova o Protocolo Modificativo.
25 de Julho de 2004, São Tomé, São Tomé e Príncipe
A Vª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo aprova o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que aceita a adesão de Timor-Leste e define a entrada em vigor do Acordo com o Depósito dos Instrumentos de Ratificação por três países signatários, conforme prática nos Acordos recentes da CPLP.
O Brasil ratificou o "Segundo Protocolo Modificativo" em Outubro do mesmo ano, em Abril do ano seguinte (2005) Cabo Verde também cumpriu essa exigência e S. Tomé e Príncipe fê-lo em Dezembro 2006.
Torna-se necessário corresponder ao estipulado no art.º 2 do Protocolo Modificativo assinado na Cidade da Praia a 17 de Julho de 1998:
"Art. 2 — Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.


Origem da Língua Portuguesa
http://www.pt.shvoong.com
A Língua Portuguesa tem sua origem ligada ao Latim, língua inicialmente falada na região do Lácio, parte da antiga Itália, onde vivia um povo chamado latino, fundador da cidade de Roma. A miscigenação com povos vizinhos e, por volta do século VII a.C., a anexação da região ao Império Etrusco tornaram Roma a cidade mais importante do Lácio. A cidade expandiu seus domínios, levando sua cultura às regiões dominadas militarmente. Na Grécia, no entanto, os romanos encontraram uma cultura de bases sólidas que exerceu forte influência sobre a cultura latina. Os romanos assimilaram esta cultura, formando nossa herança intelectual greco-latina.   Nos fins do século III a.C. os exércitos de Roma chegaram à Península Ibérica e iniciaram o processo de Romanização, isto é, de imposição de sua cultura aos diversos povos (principalmente celtas e iberos) que nela habitavam: sua organização política, seu direito, sua religião, sua língua. As chamadas culturas autóctones apenas arranharam a poderosa cultura greco-latina, deixando resquícios concretos de sua existência em alguns topónimos da Língua Portuguesa. O Latim era a língua oficial das regiões conquistadas, mas este Latim não é mais o mesmo do início de Roma, primeiro porque a modalidade do Latim que se expandiu junto com o Império era notadamente falada, mais simples e popular (Latim Vulgar, em oposição à modalidade escrita, complexa e elitizada (Latim Clássico). Segundo porque o aprendizado de uma segunda língua deixa nela, em qualquer situação, o acento da língua materna. Terceiro porque a expansão da língua ocorreu de modo imposto, pela força militar, o que gera nos povos dominados certa "má vontade" para aprender.
  Enquanto a Romanização se processava, o Cristianismo crescia no Império. No século IV d.C. a fé cristã se torna finalmente a religião oficial de Roma. Do ponto de vista linguístico, o Cristianismo actuou como força aglutinadora, seja por reunir a comunidade em torno de suas igrejas, seja por preservar o Latim escrito em seus textos sagrados e em seus rituais.
  A partir do século V d.C. povos de origem germânica, vindos da Europa Setentrional, invadiram as terras europeias do Império. Eram os bárbaros, forma como os romanos nomeavam todos aqueles que, vivendo fora dos limites de seu império, não participavam da cultura latina. Estes povos tinham organização social e acervo cultural muito simples se comparados à complexidade da cultura greco-latina. Assim, vencedores pela força, acabaram subjugados pelo
poder cultural dos povos romanizados e optaram por preservar as instituições romanas para que pudessem se manter no poder: aprenderam sua língua, adoptaram sua religião, assimilaram seus costumes. Mas deixaram sua marca no Latim, que nesta época já se encontrava bastante fragmentado. No Português contemporâneo encontramos palavras de origem germânica, geralmente ligadas à guerra ou à agricultura.
   No século VIII d.C. vieram os árabes, eles permaneceram na região por sete séculos, dominando vastas regiões, com excepção do norte, mais montanhoso e hostil, onde os cristãos refugiaram-se para organizar a resistência à invasão. Inúmeros vocábulos ligados ao comércio, à guerra, à administração, à vida quotidiana são de origem árabes.
   Em toda a Europa falava-se neste momento o romanço, nome dado a um conjunto de dialectos que formam a fase transitória entre o Latim e suas actuais línguas neo-latinas.
   Enquanto isso, os povos do norte organizavam a Reconquista do território ocupado pelos árabes. No século XI d.C. a região dividia-se em reinos cristãos (Leão, Castela, Aragão, Navarra). Afonso VI, rei de Leão e Castela comandava a expulsão dos mouros, nisto sendo auxiliado por nobres de toda a Europa cristã. Recebendo a ajuda de Raimundo e Henrique de Borgonha, D. Afonso ofereceu ao primeiro sua filha legítima, D. Urraca e o governo da Galiza; ao segundo, sua filha ilegítima, D. Tareja e o governo do Condado de Portucalense.
  O filho desta última união, D. Afonso Henriques, influenciado pela ambição de sua mãe e pelo desejo de emancipação do povo da região, declarou a independência do Condado no século XII. Tornou-se, assim, o primeiro rei de Portugal e continuou a expandir seus domínios lutando, por um lado, contra Leão e Castela e, por outro, contra os árabes.
  O Galego-Português era o dialecto falado na região do Condado, mas à medida que suas fronteiras avançavam para o sul este dialecto modificou-se em contacto com os falares do sul, que acabaram por prevalecer. Desta forma, o Galego se constituiu como variante do Espanhol e o Português se desenvolveu como língua da nova nação.
  As grandes navegações, a partir do século XV d.C. alargaram os domínios de Portugal e levaram a Língua Portuguesa às novas terras da América (Brasil), África (Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique, S. Tomé e Príncipe), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), Oceânia (Timor) e Ilhas do Atlântico (Açores e Madeira). Em contacto com outras línguas, o Português também se modificou, deu origem a novos falares e dialectos, mas não se fragmentou como o Latim, mantendo sua unidade com a língua falada em Portugal e em muitas das regiões acima citadas.
  Paralelamente a este processo, desenvolviam-se, a partir dos vários romances, as demais línguas neo-latinas: o Francês (França e colónias francesas), o Castelhano, dialecto de Castela, também chamado Espanhol (Espanha e colónias espanholas), o Provençal (sul da França), Rético (Suíço e Tirol), Italiano (Itália), Romeno (Roménia).

 

Língua Portuguesa
http://www.pt.wikipedia.org/wiki
O português desenvolveu-se na parte ocidental da Península Ibérica do latim falado trazido pelos soldados romanos desde o século III a.C.. A língua começou a diferenciar-se das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano e das invasões bárbaras no século V. Começou a ser usada em documentos escritos cerca do século IX, e no século XV já se tinha tornado uma língua com uma literatura rica.
Colonização romana
Em 218 C., os romanos conquistaram a parte ocidental da Península Ibérica, composta principalmente pelas províncias romanas de Lusitânia e Galécia (actualmente, essa região compreende as regiões centro-sul de Portugal e a recentemente constituída euro-região Galiza-Norte de Portugal). Trouxeram com eles uma versão popular do Latim, o Latim Vulgar, do qual se acredita que todas as línguas latinas descendam e que contribuiu com cerca de 90% do léxico do português. Embora a população da Península Ibérica tenha se estabelecido muito antes da colonização romana, poucos traços das línguas nativas persistiram no português moderno. Os únicos vestígios das línguas anteriores permanecem numa parte reduzida do léxico e na toponímia da Galiza e Portugal.
Invasões bárbaras
Entre 409 A.D. e 711, enquanto o Império Romano entrava em colapso, a Península Ibérica foi invadida por povos de origem germânica, conhecidos pelos romanos como bárbaros. Estes bárbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram rapidamente a cultura e língua romanas da península; contudo, e como as escolas romanas foram encerradas, o latim foi libertado para começar a evoluir sozinho. Porque cada tribo bárbara falava latim de maneira diferente, a uniformidade da península rompeu-se, levando à formação de línguas bem diferentes (galaico-português ou português medieval, espanhol e catalão). Acredita-se, em particular, que os suevos sejam responsáveis pela diferenciação linguística dos portugueses e galegos quando comparados com os castelhanos. É, ainda, na época do reino Suevo que se configuram os dias da semana proibindo-se os nomes romanos. As línguas germânicas influenciaram particularmente o português em palavras ligadas à guerra e violência, tais como "Guerra". As invasões deram-se em duas ondas principais. A primeira com penetração dos chamados bárbaros e a assimilação cultural Romana. Os "bárbaros" tiveram uma certa "receptividade" a ponto de receber pequenas áreas de terra. Com o passar do tempo, seus costumes, língua, etc. foram se perdendo, mesmo porque não havia uma renovação do contingente de pessoas e o seu grupo era reduzido. Uma segunda leva foi mais vagarosa, não teve os mesmos benefícios dos ganhos de terra e teve seu contingente de pessoas aumentado devido a proximidade das terras ocupadas com as fronteiras internas do Império Romano.
Invasão dos mouros
Desde 711, com a invasão dos mouros na península, o árabe foi adaptado como língua administrativa nas regiões conquistadas. Contudo, a população continuou a falar latim vulgar; logo que os mouros foram expulsos, a influência exercida na língua foi pequena. O seu efeito principal está no léxico: o português moderno ainda tem um grande número de palavras de origem árabe, especialmente relacionadas com comida e agricultura, o que não tem equivalente noutras línguas latinas. A influência árabe é também visível nos nomes de locais no sul do país, tais como "Algarve" e "Alcácer do Sal". Muitas palavras portuguesas que começam por al- são de origem árabe.
 O despertar da Língua Portuguesa
Já em época romana existiram duas províncias diferenciadas no que seriam os territórios em que se formou a língua portuguesa, a antiga província romana da Lusitânia e a província da Galécia a norte. A língua portuguesa desenvolveu-se principalmente no norte de Portugal e na Galiza, nos condados lucense, asturicense e bracarense da província romana da Galécia coincidentes com o território político do Reino Suevo, e só posteriormente, com a invasão da Reconquista e que foi avançando pelo que actualmente é o centro-sul de Portugal. Porém, a configuração actual da língua foi largamente influenciada por dialectos moçárabes falados no sul, na Lusitânia. Por bastante tempo, o dialecto latino dessa província romana e depois do Reino Suevo desenvolveu-se apenas como uma língua falada, ficando o latim reservado para a língua escrita.
Os Registos mais antigos da Língua Portuguesa
Os registos mais antigos de uma língua portuguesa distinta aparecem em documentos administrativos do século IX, mas com muitas frases em latim à mistura.
O mais antigo documento latino-português é chamado de Doação à Igreja de Sozello, encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, é datado do ano de 870 d.C. A Notícia de fiadores (1175) é o documento Português mais antigo conhecido, com data.
Recentemente descoberto, o Pacto dos irmãos Pais reivindica o título de texto mais antigo em português, no entanto é apenas datável por conjectura, é provavelmente anterior a 1173.
Outro documento, a Notícia de Torto, sem data, acredita-se que tenha sido escrito entre 1211 e 1216. O Testamento de Afonso II, é datado de 1214.
O vernáculo escrito passou gradualmente para uso geral nos séculos seguintes. Portugal tornou-se um país independente em 1143, com o rei D. Afonso I. A separação política entre Portugal e Galiza e Castela (mais tarde, Espanha) permitiu que os dois países desenvolvessem os seus latins vernáculos em direcções opostas. Em 1290, o rei D. Dinis criava a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o português, que então era chamado de "Língua vulgar" ou "Latim Vulgar" fosse usado em vez do Latim Clássico e conhecido como "Língua Portuguesa". Em 1296, o português é adoptado pela Chancelaria Real. Usado agora não só em poesia, mas também quando escrevendo leis e nos notários.
Até 1350, a língua Galaico-Portuguesa permaneceu apenas como língua nativa da Galiza e Portugal; mas pelo século XIV, o Português tornou-se uma língua madura com uma tradição literária riquíssima, e também foi adoptado por muitos poetas Leoneses, Castelhanos, Aragoneses e Catalães. Durante essa época, a língua na Galiza começou a ser influenciada pelo Castelhano (basicamente o Espanhol moderno) e também se iniciou a introdução do espanhol como única forma de língua culta. Em Portugal a variante centro-meridional iniciou o caminho da modernização da língua tornando-se progressivamente por sua vez a variante de língua culta do País.
Entre os séculos XIV e XVI, com os descobrimentos portugueses, a língua portuguesa espalhou-se por muitas regiões da Ásia, África e América. Pelo século XVI tornou-se uma "Língua Franca" na Ásia e África, usada não só pela administração colonial e comércio, mas também para comunicação entre os oficiais locais e os europeus de todas as nacionalidades. No Ceilão (actual Sri Lanka) vários reis se tornaram falantes de português fluente, e os nobres normalmente adquiriram nomes portugueses. O alastramento da língua foi ajudado por casamentos mistos entre portugueses e as gentes locais (algo muito comum também noutras zonas do mundo), e a sua associação com os esforços missionários católicos que levaram a que a língua fosse chamada de "Cristão" em muitos locais. A língua continuou popular mesmo com várias medidas contra ela levadas a cabo pelos holandeses no Ceilão e Indonésia.
Algumas comunidades cristãs falantes de português na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia preservaram as suas línguas mesmo depois de se isolarem de Portugal, e desenvolveram-se pelos séculos em vários crioulos de base portuguesa. Também, muitas palavras portuguesas entraram no léxico de muitas outras línguas, tais como "sepatu" que vem de "sapato" em Indonésio, "keju" que significa "queijo" em Malaio, "meza" (de "mesa") em Swahili além de várias palavras japonesas de origem portuguesa.
Com a Renascença, aumenta o número de palavras eruditas com origem no latim clássico e no grego arcaico, o que aumenta a complexidade do português. O fim do "português arcaico" é marcado com a publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516. Mas formas similares ao português arcaico é ainda falado por muitas populações em São Tomé e Príncipe e no Brasil e Portugal rural.

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal

 

FORMATAÇÃO E ARTE: IARA MELO