O Padre Manuel da Nóbrega, nasceu
em Portugal, em Sanfins do Douro a
18 de Outubro de 1517 e morreu no
Rio de Janeiro a 18 de Outubro de
1570. Foi um sacerdote jesuíta
português, chefe da primeira missão
jesuítica à América do Sul. As
cartas enviadas a seus superiores
são documentos históricos sobre o
Brasil colónia e a acção jesuítica
no século XVI.
No livro da matrícula da
Universidade de Coimbra, fl. 135,
Nóbrega descreve ser filho do
desembargador Balthazar da Nóbrega,
já falecido. Seu pai foi muito
estimado d'El-rei, D. João o
Terceiro. Por ser homem de muita
inteireza, El-rei lhe recomendava
assuntos importantes. Em Coimbra,
Nóbrega se graduou como Bacharel
mesmo sendo muito gago. Continuou
seus estudos em Coimbra e tomou
ordens de missa. Naquela época se
lançavam os alicerces da Companhia
de Jesus em Coimbra, havendo
grandes fervores de espírito em
todos pela salvação das almas. No
tempo em que o Padre Nóbrega estava
em missão na província de Beira,
determinou El-rei D. João com os
Superiores da Companhia mandar
padres ao Brasil para ajudar aos
portugueses como para converter à
nossa fé aos Brasis. Thomé de Souza,
de partida para o Brasil, leva então
Nóbrega consigo, além de alguns
outros padres e Irmãos. Ele aporta
na Bahia em 1549: "Chegamos a esta
Bahia a 29 dias de mez de Março de
1549. Andamos na viagem oito
semanas. Achamos a terra de paz e 40
ou 50 moradores na povoação que
antes era".
Em 1544, recebeu ordens na
Companhia de Jesus. Antes de partir
para a América e dedicar-se ao
apostolado dos índios, fez a
peregrinação a Santiago de
Compostela. Em 1549 embarcou na
armada de Tomé de Sousa, de quem foi
amigo e conselheiro, como também o
foi de Mem de Sá, prestando a ambos
e à coroa portuguesa grande ajuda na
colonização do Brasil.
Colaborou na fundação de Salvador e
do Rio de Janeiro e também na luta
contra os franceses. Convenceu os
portugueses a não permanecer apenas
no litoral, mas vencer os obstáculos
da serra do Mar e penetrar no
sertão. Foi o primeiro a dar o
exemplo, ao subir ao planalto de
Piratininga, para fundar a cidade de
São Paulo. “Nomeado primeiro
Provincial da Companhia de Jesus no
Brasil, Padre Manoel da Nóbrega
resolve subir ao planalto. Chama o
Padre Manoel de Paiva, primo de João
Ramalho, o irmão António Rodrigues e
chegam a Santo André da Borda do
Campo, a primeira vila do altiplano.
Em companhia do filho mais velho de
Ramalho, André Ramalho, percorrem o
vale do Tietê.
Nóbrega escolhe o alto da colina,
entre o Anhangabaú e o Tamanduateí
e, ali, a seu pedido, os índios de
Tibiriçá levantam a casa de
pau-a-pique coberta de folhas de
palmeira, para servir de escola e
abrigo dos jesuítas e, a 29 de
Agosto de 1553, Padre Nóbrega
celebra missa nesse local, hoje
Pátio do Colégio e faz cinquenta
catecúmenos.
Padre Manoel de Paiva, designado por
Nóbrega, celebra a 25 de Janeiro a
missa padroeira da inauguração do
colégio. Serve-lhe coroinha, o Irmão
José de Anchieta, indicado por
Nóbrega, para seu secretário e
primeiro professor de latim do
colégio. Assim, Padre Manuel da
Nóbrega funda o Colégio de
Piratininga no dia de São Paulo, que
deu o nome à povoação, à vila, à
província, ao Estado”. Em constantes
viagens por toda a costa, de São
Vicente a Pernambuco, soube aliar ao
dinamismo um profundo tino político.
Em 1559, é demitido do cargo de
provincial no Brasil, sendo
substituído pelo padre Luís da
Graça. Mesmo assim, auxilia o
governador Mem de Sá na expulsão dos
franceses do Rio de Janeiro. Ainda
nesse ano escreve Informações das
Terras do Brasil, Cartas da Bahia e
de Pernambuco, publicadas em Veneza
entre 1559 a 1570.
Em 1570, é nomeado novamente para o
cargo de provincial, mas morre no
Rio de Janeiro antes de assumir o
antigo posto.
Escreveu Diálogos sobre a conversão
do gentio, primeira obra em prosa da
literatura brasileira, reeditada em
1954 por Serafim Leite, e Cartas do
Brasil (1549-1570), reunidas por
Vale Cabral (1886) e depois anotadas
por Afrânio Peixoto em edição
promovida pela Academia Brasileira
de Letras (1931). Seus escritos
foram posteriormente reunidos nas
Obras completas, publicadas em
Coimbra em 1955. Manuel da Nóbrega
morreu no Rio de Janeiro, em 18 de
Outubro de 1570.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia
livre.
Os escritos do Padre Manuel da
Nóbrega foram obra literária
produzida no Brasil. Nas cartas,
encontra-se o início da história do
povo brasileiro, do ponto de vista
de um catequizador. Contribuição ao
estudo dos costumes da sociedade
tupinambá, já em sua primeira carta
do Brasil, ao padre Simão Rodrigues,
provincial em Portugal, se nota a
postura dos jesuítas a respeito da
conversão do gentio e a tentativa de
eliminar alguns hábitos, como o
canibalismo.
"Diz que quer ser cristão e não
comer carne humana, nem ter mais de
uma mulher e outras coisas:
somente que há de ir à guerra e os
que cativar vendê-los e servir-se
deles, porque estes desta terra
sempre tem guerra com outros e assim
andam todos em discórdia. Comem-se
uns aos outros, digo os
contrários. É gente que nenhum
conhecimento tem de Deus, nem
ídolos, fazem tudo quanto lhe
dizem."
Está aparece, por exemplo, a luta
entre cristãos e índios: os
primeiros consideravam os segundos
como um papel branco onde podiam
inscrever as virtudes mais
necessárias.
Ainda que Nóbrega não tenha alto voo
lírico, estima-se que seu "Diálogo
sobre a conversão do gentio",
primeiro texto em prosa escrito no
Brasil, tenha grande valor
literário. O Padre Serafim Leite
chega a afirmar ser a principal obra
em prosa no século XVI no Brasil.
Frei Odúlio Van der Vat, em sua obra
Princípios da Igreja no Brasil, diz
na página 239:
"Quando em 1549 desembarcaram em
Porto Seguro os primeiros jesuítas,
encontraram a terra toda revirada
por muitas inimizades. Graças,
porém, à sua intervenção, muitos se
reconciliaram publicamente com a
igreja. O Padre Nóbrega continuou
ali por alguns meses, dedicando-se
às obras do apostolado e da
caridade. Visitando os povos
vizinhos desta terra, diz o Jesuíta,
confessei a muitos e grande fruto se
fez, porque muitos deixaram os
pecados e tomaram por mulheres as
concubinas ou as abandonaram, posto
que entre estes se vêem muitos
cristãos que estão aqui no Brasil,
os quais têm não só uma concubina,
mas muitas em casa, fazendo baptizar
muitas escravas sob o pretexto do
bom zelo e para se amancebar com
elas, cuidado que por isso não seja
pecado. E de par com estes estão
muitos religiosos, que caem no mesmo
erro, de modo que podemos dizer
Omnes commixti sunt inter gentes et
didicerunt opera eorum. Nesta terra
, todos, ou a maior parte dos
homens, têm a consciência pesada por
causa dos escravos que possuem
contra a razão, além de que muitos
que eram resgatados aos pais não se
isentam, mas ao contrário ficam
escravos pela astúcia que empregam
com eles, e por isso poucos há que
possam ser absolvidos, não querendo
abster-se de tal pecado nem de
vender um a outro, posto que nisto
muito os repreendo, dizendo que o
pai não pode vender o filho, salvo
em extrema necessidade, como
permitem as leis imperiais. E nesta
opinião tenho contra mim o povo e
também os confessores daqui. E assim
Satanás tem de todo presas as almas
desta maneira, e muito difícil é
tirar este abuso, porque os homens
que aqui vêm não acham outro modo
senão viver do trabalho dos
escravos, que pescam e vão
buscar-lhes o alimento; tanto os
domina a preguiça e são dados a
coisas sensuais e ócios diversos, e
nem curam de estar excomungados,
possuindo os ditos escravos. Pois
que nenhum escrúpulo fazem os
sacerdotes daqui, o melhor remédio
destas coisas seria que o Rei
mandasse inquisidores ou comissários
para fazer libertar os escravos, ao
menos os que são salteados, e
obrigá-los a ficar com os cristãos
até que larguem os maus costumes do
gentio já baptizado, e que a nossa
Companhia houvesse deles cuidado;
amestrando-os na fé, da qual pouco
ou nada podem aprender em casa dos
senhores, e antes vivem como
gentios, sem conhecimento algum de
Deus."