Páscoa
 

 

Páscoa  - Carlos Leite Ribeiro
 
 

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Páscoa (do latim pascha, de uma palavra hebraica, que significa passagem). Festa anual dos Judeus, em memória da sua saída de Egipto. Festa da Igreja cristã, em memória da Ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa do Espírito Santo, a festa do Pentecostes. A festa da Páscoa foi estabelecida pelos Judeus em memória da passagem do Mar Vermelho e também da passagem do anjo exterminador que, na noite em que os Judeus partiram do Egipto, matou todos os primogénitos dos egípcios, mas sem tocar nas casas dos israelitas, marcadas com o sangue do cordeiro. O dia de Páscoa, celebra-se no primeiro domingo depois da primeira lua cheia, que se segue ao equinócio da Primavera, e cai sempre entre os dias 21 de Março a 26 de Abril, podendo, pois, esta festa variar de trinta e seis dias. Dela dependem, para os católicos, todas as festas móveis:
A Septuagésima , 63 dias antes da Páscoa
A Quinquagésima, 49 dias antes
A Paixão, 14 dias antes
Quasimodo, 07 dias depois da Páscoa
A Ascenção, 40 depois da Páscoa
O Pentecostes, 10 dias depois da Ascenção
A Santíssima Trindade, 07 dias depois da Ascensão
O Corpo de Deus, na quinta-feira seguinte.

          O tempo pascal compreende cinquenta dias (em grego = "pentecostes"), vividos e celebrados como um só dia: "os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande domingo" (Normas Universais do Ano Litúrgico, n 22).
          O tempo pascal é o mais forte de todo o ano, inaugurado na Vigília Pascal e celebrado durante sete semanas até Pentecostes. É a Páscoa (passagem) de Cristo, do Senhor, que passou da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a páscoa também da Igreja, seu Corpo, que é introduzida na Vida Nova de seu Senhor por meio do Espírito que Cristo lhe deu no dia do primeiro Pentecostes. A origem desta cinquentena remonta-se às origens do Ano litúrgico.
          Os judeus tinha já a "festa das semanas" (ver Dt 16,9-10), festa inicialmente agrícola e depois comemorativa da Aliança no Sinai, aos cinquenta dias da Páscoa. Os cristãos organizaram rapidamente sete semanas, mas para prolongar a alegria da Ressurreição e para celebrar ao final dos cinquenta dias a festa de Pentecostes: o dom do Espírito Santo. Já no século II temos o testemunho de Tertuliano que fala que neste espaço de tempo não se jejua, mas que se vive uma prolongada alegria.
          A liturgia insiste muito no carácter unitário destas sete semanas. A primeira semana é a "oitava da Páscoa', em que já por irradiação os baptizados na Vigília Pascal, eram introduzidos a uma mais profunda sintonia com o Mistério de Cristo que a liturgia celebra. A "oitava da Páscoa" termina com o domingo da oitava, chamado "in albis", porque nesse dia os recém baptizados deponían em outros tempos as vestes brancas recebidas no dia de seu Baptismo.
          Dentro da Cinquentena se celebra a Ascensão do Senhor, agora não necessariamente aos quarenta dias da Páscoa, mas no domingo sétimo de Páscoa, porque a preocupação não é tanto cronológica mas teológica, e a Ascensão pertence simplesmente ao mistério da Páscoa do Senhor. E conclui tudo com a vinda do Espírito em Pentecostes.
          A unidade da Cinquentena que dá também destacada pela presença do Círio Pascal aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Os vários domingos não se chamam, como antes, por exemplo, "domingo III depois da Páscoa", mas "domingo III de Páscoa". As celebrações liturgias dessa Cinquentena expressam e nos ajudam a viver o mistério pascal comunicado aos discípulos do Senhor Jesus.
          As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão organizados com essa intenção. A primeira leitura é sempre dos Actos dos Apóstolos, a história da igreja primitiva, que em meio a suas debilidades, viveu e difundiu a Páscoa do Senhor Jesus. A segunda leitura muda segundo os ciclos: a primeira carta de São Pedro, a primeira carta de São João e o livro do Apocalipse.
          A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimonias religiosas.
          Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egipto durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.
          No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
          Nossos amigos de Kidlink nos contaram como se escreve "Feliz Páscoa" em diferentes idiomas. Assim:
          A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. A origem do símbolo do coelho vem do fato de que os coelhos são notáveis por sua capacidade de reprodução. Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor do que coelhos, para simbolizar a fertilidade!

           Vamos ver agora como surgiu o chocolate...
          Quem sabe o que é "Theobroma"? Pois este é o nome dado pelos gregos ao "alimento dos deuses", o chocolate. "Theobroma cacao" é o nome científico dessa gostosura chamada chocolate. Quem o baptizou assim foi o botânico sueco Linneu, em 1753.
           Mas foi com os Maias e os Astecas que essa história toda começou.
           O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro.
          Na Europa chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma bebida.
          Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados.
          Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía.
          Chega o século XX, e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro. É tradicionalmente um presente recheado de significados. E não é só gostoso, como altamente nutritivo, um rico complemento e repositor de energia. Não é aconselhável, porém, consumi-lo isoladamente. Mas é um rico complemento e repositor de energia.

           E o coelho?
          A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
          Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
          No antigo Egipto, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antiguidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
          Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertilidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas!

          Mas por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todo ano?
          O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicéia em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a "lua eclesiástica").
          A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
          Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronómico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa "móvel".
          De fato, a sequência exacta de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.
         
           Mas o que é a Páscoa? - Por Benito S. Pepe
          Já há alguns milénios (3,5) os Judeus já comemoravam a Páscoa. Mas como? Jesus Cristo não havia nem mesmo nascido! É verdade! No início, as comemorações da Páscoa já eram nesta época do ano: Março, Abril (primavera no hemisfério norte) eram para comemorar as colheitas. Era, portanto, a festa das colheitas. A alegria de festejar e "bebemorar" com o sucesso de um período trabalhado e seus frutos (na verdade a festa da colheita era 50 dias após a páscoa).
          Muito bem! Mas os nossos Pais religiosos, os Judeus, foram escravizados no Egipto (Império naquela época). Ficaram como escravos muitos anos... Até que, com ajuda de Deus, conseguiram sair da escravidão e voltar à terra prometida e foi o que ocorreu por coincidência ou projecto Divino também nesta mesma época da Páscoa e, assim, então, a comemoração dos Judeus passou a ser a da Passagem, do Êxodo, da libertação da terra do Egipto.
          E agora onde está a Páscoa Cristã? A nossa Páscoa, que é, sem dúvida, a maior Festa e a maior comemoração de todas as festas cristãs, está exactamente neste mesmo período do ano, pois mais uma vez por coincidência ou não ocorre também nesta época.
          O Verbo que era a palavra se fez carne e veio habitar entre nós e após um período aqui na terra nos mostrou que nós também somos eternos, pois o que vivemos é uma Páscoa, ou seja, em Hebreu Páscoa quer dizer PASSAGEM assim sendo, Jesus o Cristo, nos mostrou que aqui é apenas um local de passagem e acima de tudo de aprendizagem. Portanto o mais importante não é o que construímos materialmente, mas, sim, o que construímos espiritualmente. Jesus, após ser crucificado e morto (na época da festa da Páscoa judaica, pois ele havia ido até Jerusalém para as comemorações - ele também era Judeu), ele ressuscita no 3º dia e aparece aos seus discípulos algumas vezes.
          Portanto nós, os Cristãos, comemoramos esta época do ano como a maior de todas as festas, assim, ela é mais importante que o próprio Natal (Nascimento de Jesus). Apesar de o Calendário Gregoriano contar os anos do nascimento de Cristo, na verdade nós estamos há uns 1970 anos de comemorações de Páscoas Cristãs.
          E para quê os Ovos, os coelhos...? O raciocínio é sempre lógico como também muitas vezes é a Fé! Como foi aprendido que a verdadeira Vida é após esta Páscoa (Passagem) assim sendo temos que comemorar a Vida e o que é melhor para simbolizar a vida do que o ovo! E o coelho, é lógico. Como o bichinho procria, não é mesmo? Bem, devemos lembrar também que os fatos e símbolos foram incididos em um outro mundo - o chamado mundo velho (berço da humanidade) - e com suas culturas, portanto também é interessante relembrar que tudo em História se deve contemporizar.
          A passagem por esta terra, por este planeta, é o que temos consciência neste momento, quanto ao futuro temos a esperança. Páscoa, portanto, é a passagem, mas não a passagem desta vida para outra, mas de toda a passagem por esta vida, com todos os seus anos de conhecimentos, aprendizagens, vivências e experiências. Portanto, a Páscoa é, em suma, a comemoração da VIDA!
          Nas vésperas da Páscoa do ano de 786 do antigo calendário romano, se é que é válida tal precisão de data, no mês de Nisã dos hebreus, ocorreu uma crucificação de três homens do lado de fora dos muros da cidade de Jerusalém. Dois deles eram ladrões, o outro tratava-se de um pregador, um rabi chamado Jesus, que se dizia um filho de Deus. Alguém que viera anunciar o Reino dos Céus. O cenário daquela terrível execução de que ele foi vítima iria, bem depois ao longo da história, com o Ocidente inteiro convertido à fé de Cristo, ser infinitas vezes reproduzido por seus seguidores por todos os meios possíveis: em livros, telas, murais, vitrais, esculturas, autos teatrais, representações públicas de ruas e em filmes, fazendo com que a humanidade sofredora se identificasse com o martírio dele.
         
          O suplício da cruz
          "Nenhuma culpa encontro nele. É costume entre vós que eu solte um preso, na Páscoa. Quereis que vos solte o rei dos judeus? Estes não gritaram de novo, clamando: Esse não, mas Barrabás!" -- Pilatos ao povo (João 18)
          Supõe-se que Jesus Cristo não tenha resistido muito tempo ao suplício da cruz, que Cícero definira como "a mais cruel e a mais terrível pena de morte". Estimou-se que um homem forte era capaz de suportá-lo por uns três dias no máximo. O nazareno entregou-se depois de três horas, ou um pouco mais. E não poderia ser diferente para quem levara uma vida praticando jejuns, alimentando-se episodicamente e ainda, antes de ser exposto, teve o corpo violentamente ofendido pelos açoites. Parece ter sido fantasia dos gravuristas e pintores terem-no desenhado, pelos séculos seguintes, preso a uma cruz bem alta, como se seu corpo fosse uma bandeira ensanguentada hasteada nos altos de um mastro. Ao contrário, a vitima era esfaqueada pelos carrascos bem próxima do chão. Para que suas mãos presas com cravos não se rasgassem com o peso do corpo, fixavam uma corda que o enlaçava a partir do ilíaco ou apoiavam os seus pés num sedile, a pequena tábua afixada na parte baixa da cruz. A morte do condenado, como já se disse, era horrível, anunciando-se por gritos pavorosos de dor e gemidos lancinantes, entremeada de apelos desesperados para que o matassem de vez. Jesus fora pregado numa crux immissa (em forma de cruz) às 8 horas da manhã ou ao meio-dia de uma sexta-feira. Seja o que for, à tarde seguramente já estava morto. No alto da haste haviam colocado um cartaz: "Rei dos Judeus", escrito em três línguas (grego, latim e armaico). Era uma ironia maldosa dos romanos, pois o executaram junto com dois delinquentes.
         
          De Herodes a Pilatos
          Pensavam estar livrando-se de um problema, porque durante um bom tempo ninguém sabia o que fazer com aquele homem da Galiléia. Os sacerdotes do templo de Jerusalém, como Caifás, consideravam-no um herético, alguém que estava jogando o povo local contra a tradição e o Sinédrio (o Grande Tribunal, autoridade máxima judicial com 70 membros). Os fariseus e os zelotes viam-no como um divisionista que ao invés de somar-se a eles no repúdio aos romanos, minimizara a ocupação da Palestina com a promessa da chegada de um novo reino, o Reino dos Céus. Para o procurador (praefectus) Pôncio Pilatos, governador romano da região, o nazareno, em quem não via culpa alguma, era apenas uma dor de cabeça a mais no trato com aquele povo metido em confusões e querelas intermináveis. Enviara-o preso para Herodes Antipas, o tetrarca de Israel, um monarca colaboracionista, que o devolvera sem saber o que exactamente fazer com ele. Matá-lo por dizer-se o Messias?
         
           A chegada de um Messias
          Havia entre os judeus, povo quase sempre submetido às crueldades do destino, uma crença muito forte de que um dia lhes viria dos céus um Messias, um Salvador, para livrá-los das desgraças. Assim, não raro, aparecia alguém, um iluminado, dizendo-se ser um desses enviados de Deus. O próprio Jesus alertou o seu povo em razão da abundância desses falsos profetas e charlatães que se diziam os verdadeiros messias.
          Quantos deles não apareciam pelas ruas de Jerusalém julgando-se isso? O único tumulto em que Jesus se envolvera dera-se quando ele, o mais pacífico dos homens, deixou-se assaltar pela fúria ao deparar-se com os "vendilhões do Templo", aquela massa de cambistas, ambulantes e vendedores de pombas, que ofertavam de tudo nas proximidades do edifício santo dos judeus. Nada mais impressionante do que isso.
          Pôncio Pilatos, na época do processo contra Jesus, já estava na região há algum tempo, uns cinco ou seis anos (teria assumido no ano 26 ), mas continuava sem entender as intermináveis dissertações dos hebreus em torno da religião. As nuanças e subtilezas das discussões acaloradas dos rabinos e dos sumos sacerdotes eram-lhe absolutamente estranhas. Quem o indicara para o cargo de procurador da Palestina foi Sejano, um favorito de Tibério. O Imperador, por sua vez, enojado das intrigas políticas de Roma, retira-se no ano de 27 para a maravilhosa ilha de Capri, nas proximidades de Nápoles, a fim de levar uma vida dos deuses, dado inteiramente aos prazeres. Quem algum dia poderia supor que enquanto Tibério se banhava com seus garotos, que ele chamava de "meus peixinhos" , na imensa piscina tépida da sua mansão, o crime que cometiam em seu nome nas longínquas terras da Judéia contra um pregador desconhecido iria um dia abalar o poder de Roma?
         
          A sentença de Pilatos
          "Subirás à cruz" disse Pilatos a Jesus. Até hoje, lembra o historiador J.Gnilka, não se sabe se a sentença que condenou Jesus resultou dele ter cometido o perduellio (grave prejuízo cometido contra a pátria) ou o crimen maiestatis populi romani imminutae (ter provocado algum dano ao prestígio do povo romano). Seja o que for, Pilatos informou a todos que em vista do costume estava disposto a dar-lhe a vénia, a suspensão da sentença, devido à aproximação da Páscoa. Quando a intenção dele chegou aos ouvidos da multidão que estava do lado de fora no paço do tribunal de justiça, as vozes em uníssono clamaram em favor de Barrabás, possivelmente um bandido, rejeitando a oferta do romano de indultar o nazareno. Pilatos então, lavando as mãos, deixou a sentença correr. Jesus foi previamente submetido ao horribile flagellum, a levar um incontável número de chibatadas nas costas.
          
           A morte de Jesus
          Provavelmente já passavam das 3 horas da tarde daquele sexta-feira fatídica, quando um guarda enfiou sua lança no abdómen de Jesus para ver se ele já havia morrido. O líquido que escorreu, um pouco de sangue e água, confirmou-lhe que o homem ali estendido já entregara a alma aos céus. José de Arimatéia (Ha-ramathain), um respeitável homem de algumas posses, reclamou o corpo junto às autoridades e como já estavam em vésperas do shabbath, os romanos consentiram que ele desse o fim apropriado ao cadáver. O local das execuções era tétrico, até o nome Gólgota (caveira em hebraico, calvarius em latim), que descrevia o aspecto descarnado do monte onde expunham os supliciados, contribuía para aumentar a desolação do quadro.
         
           O sepulcro
          Arimatéia, impedido pelo tempo de inumar adequadamente a Jesus, foi auxiliado por Nicodemos. Ambos carregaram o pobre morto para um jardim próximo onde colocaram-no num sepulcro. Um enterro decente só poderia ser-lhe providenciado no domingo, pois no sábado judaico nada se faz, em nada se mexe. Logo que o depositaram em lugar apropriado, protegeram o corpo de Jesus com um sudário e umas faixas de linho aromatizadas. Ao sair daquela tumba improvisada bloquearam a entrada com uma enorme pedra e foram juntar-se aos seus para celebrar o shabbath.
         
            Maria Madalena é surpreendida 
           Na madrugada de domingo, no dia da Páscoa, querendo adiantar-se a todos, talvez com a intenção de renovar os aromas do morto, Maria Madalena, uma das seguidoras, ao chegar ao sepulcro encontrou a rocha afastada. Espantou-se. O interior estava vazio, sendo que as tiras e o sudário que o tinham envolvido estavam postas num canto. Quando estava em prantos, lamentando o desaparecido, imaginando que haviam roubado o corpo, uma voz se lhe apresentou: era Jesus! Disse-lhe que ainda não havia subido ao reino dos céus. À tarde, mostrando suas mãos perfuradas, ele apareceu pessoalmente aos discípulos. Ressuscitara (João, 20-21). Repetia-se na Palestina o assombroso destino de Osíris, o deus egípcio morto que retornara à vida. O nazareno, pensaram seus seguidores, negara-se a morrer, vencera a rotina imposta aos homens. Dali em diante estaria sempre com eles. Enquanto isso em Capri, o imperador Tibério preparava-se para mais um banho, sem que ninguém o alertasse para o que ocorria naquela estranha e inusitada Páscoa. E assim teve início a poderosa lenda de Jesus Cristo.
         
            Bibliografia
          Crossan, John Dominic - El Jesus historico: la vida de un campesino judio del Mediterraneo (Planeta, B.Aires, 1994)
          Donini, Ambrosio - História do Cristianismo (Edições 70, Lisboa, 1980)
          Gnilka, Joachim - Jesus de Nazaré, mensagem e história (Vozes, Petrópolis, 2000)
          Jaspers, Karl - Los grandes filósofos, I, los hombres decisivos (Sur.B.Aires, 1971)
          Renan, Ernest - Vida de Jesus (Lello, Lisboa,1961)
          Rops, H.Daniel- A Igreja dos apóstolos e dos mártires (Quadrante, S.Paulo, 1988)
          Rops, H.Daniel - A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus (Livros do Brasil, Lisboa, s/d)


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal