*** CARLOS PESQUISAS *** A REVOLUÇÃO DE 18 DE JANEIRO  ***

 

 

"Trabalhos e Pesquisas de Carlos Leite Ribeiro

 

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A Revolução de 18 de Janeiro,

na Marinha Grande

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

O concelho de Marinha Grande tem uma área de 190 Km2, e uma população próxima dos 40 mil habitantes.
O concelho é limitado a norte pelo de Leiria; a sul pelo de Alcobaça; a oeste pelo Oceano Atlântico; e a este pelo de Leiria.
Está envolvido pelo Pinhal de Leiria, numa área de 110 Km2.
Até meados do séc. XVIII, vivia quase exclusivamente da agricultura e do Pinhal do Rei (Leiria).
Em 1748, John Beare transferiu uma pequena fábrica de vidros que tinha em Coina (perto do Seixal), para a Marinha Grande. Mais tarde, o Marquês de Pombal convidou Guilherme Stephens para reestruturar e ampliar a fábrica.
Revolução de 18 de Janeiro de 1934,  na Marinha Grande


O movimento operário de 18 de Janeiro de 1934, foi uma acção desencadeada pelas organizações operárias contra a fascização dos sindicatos que a ditadura fascista de Salazar queria obrigatoriamente vincular ao sindicalismo fascista. Para isso havia sido elaborado o decreto 23.050 de Setembro de 1933, que obrigava à dissolução e encerramento dos Sindicatos Nacionais e à sua agregação compulsiva ao Corporativismo até ao dia 31 de Dezembro desse ano de 1933. 
As Associações Sindicais de classe reagiram preparando uma greve geral. Secretamente, preparava-se também uma insurreição armada visando o derrube da ditadura, que viria a falhar, revestindo-se numa grave e pesada derrota para o operariado e suas organizações de classe. Foi na Marinha Grande que o 18 de Janeiro de 1934 teve o seu expoente máximo, pelo cumprimento total das missões previamente atribuídas ao operariado local. Foi tomado o posta da Guarda Nacional Republicana, a estação dos Correios e a então ainda vila isolada por cortes das comunicações terrestres e telefónicas. Embora efemeramente, os operários foram senhores absolutos da então ainda não cidade, tendo reaberto o seu sindicato. Com a chegada de meios militares de Leiria, seriam derrotados, presos na Trafaria (margem esquerda do rio Tejo junto à sua foz) e, posteriormente,, deportados cerca de quarenta operários vidreiros, primeiro para Angra do Heroísmo (Açores) e alguns para o campo de concentração do Tarrafal, tristemente celebrizado por "campo da morte lenta" com processos trazidos da Alemanha fascista. Desses deportados da Marinha Grande, três morreriam no degredo: António Guerra, Augusto Costa e Francisco da Cruz. Nessa madrugada de 18 de Janeiro de 1934 deflagraram outros focos de rebelião contra o regime fascista, como o descarrilamento de um combóio em santa Iria da Azóia (perto de Lisboa), rebentamento da central eléctrica de Coimbra e bombas em Silves (Algarve) e Barreiro (perto da Trafaria), em acções sem grande coordenação que provocaram centenas de prisões entre dirigentes associativos e sindicais. O 18 de Janeiro marcou definitivamente o modo como a ditadura Salazarista viria a olhar o operariado da Marinha Grande. Muitos operários, homens e mulheres, foram perseguidos pela PIDE, a sinistra polícia do regime, que assassinou muitos democratas e antifascistas, como os marinhenses António Lopes de Almeida e José Moreira, tendo sido o primeiro morto a pontapé e ou outro lançado do 3º andar da sede da PIDE em Lisboa. Foram frequentes as cargas da polícia de choque contra a população e operários da Marinha Grande durante o regime fascista, a última das quais em 23 de Outubro de 1973, após as eleições fantoches que confirmaram a continuação de Marcelo Caetano à frente do Governo. Após o 25 de Abril de 1974, apesar de na aparência vivermos num regime democrático, a Polícia de Intervenção voltaria à Marinha Grande em Dezembro de 1994 espancando violentamente os trabalhadores da fábrica Manuel Pereira Roldão e muitos populares. Um dos trabalhadores viria a morrer em consequência das agressões da polícia, um crime convenientemente calado pela democracia (alguns populares foram agredidos na Igreja, entre os quais um padre e no Quartel dos Bombeiros Voluntários). O movimento de 18 de Janeiro de 1934 tem na Marinha Grande um monumento alusivo, de autoria do escultor marinhense Joaquim Correia, colocado no centro da Praça do Vidreiro. Todos os anos, pelo aniversário da data, é efectuada uma romagem ao cemitério local, com deposição de flores nos túmulos dos intervenientes no movimento já falecidos, após o que o cortejo segue para o monumento, onde os dirigentes sindicais e autoridades civis da Marinha Grande relembram a efeméride, em companhia dos sobreviventes daquele que foi o maior levantamento civil armado neste século, intentando o derrube do governo fascista, que deve ser encarado com orgulho pelos jovens de hoje, pelos exemplos de coragem e abnegação que todos os operários então envolvidos demonstraram. A maioria desses operários eram muito jovens na altura e transformaram-se quase em lendas vivas. O 18 de Janeiro de 1934 faz parte da memória colectiva da Marinha Grande e da própria história de Portugal. Nesse dia, um punhado de jovens operários vidreiros, embora por breves momentos, fez tremer a ditadura fascista de Salazar, obrigando o ditador e os seus ministros a refugiarem num quartel de Lisboa (Regimento de Artilharia Ligeira nº 1).
Marinha Grande é uma pequena mas laboriosa cidade, conhecida em todo o mundo pela excelência da fabricação de moldes para plásticos.
A origem do seu nome talvez se deva à sua proximidade com o mar.
O concelho tem duas lindas praias: S. Pedro de Moel e Vieira de Leiria.

A Lenda do Pinhal do Rei
Segundo a lenda, uma embarcação portuguesa vinda do Golfo da Gasconha, teria metido como combustível braças e lenha de pinheiros bravos dessa região. As pinhas ter-se-ão aberto com o calor e a tripulação, habituada a comer os pinhões do nosso pinheiro manso, teriam estranhado a semente muito mais pequena e com uma amêndoa insignificante para servir de comer.
Uma vez entrados no rio Lis, contaram o sucedido à Rainha Santa Isabel, mostrando-lhe as sementes e dizendo-lhes que os pinheiros em França, estavam igualmente em terrenos arenosos e que se desenvolviam bem. Foi então deliberado lançar a semente à terra e, teria sido a Rainha quem transportou no seu avental, a arregaçada de penisco, até uma qualquer clareira existente no pinhal. Passados meses, a sementeira vingou e ficou linda e prometedora.
Quando el-rei D. Dinis voltou a aparecer, foi a própria Rainha mostrar-lhe, não só os trabalhos levado a cabo no Reguengo, como igualmente a sementeira do pinhal que teria feito pelas suas mãos. D. Dinis, ficou logo entusiasmado com o lindo desenvolvimento da sementeira e, desejoso em ter em abundância material para a construção naval, teria dito aos mareantes que, para a outra viagem lhe trouxessem mais sementes.
Vindo então o penisco e não pinhão, este foi lançado noutras clareiras e, o povo cheio de curiosidade e amor à terra, passou a ir ver o Pinhal do Rei e o seu desenvolvimento em franco crescimento.
Depois, a semente alada, transportada pelo vento e levada pelo homem, foi-se espalhando pela costa portuguesa, ao norte do Tejo, penetrou nas Beiras; e, deu-se bem em Portugal que alguns botânicos consideravam indígena o pinheiro bravo, quando parece ter sido a essência exótica introduzida no País. O Pinhal de Leiria (ou Pinhal do Rei), que inicialmente foi de todos que quisessem ir buscar madeiras e lenhas, deve Ter sido coutado pela primeira vez por D. Dinis, pois, D. Fernando 1 já lhe chamava "o nosso pinhal", e esse coutamento assim com as concessões dadas aos pobres de entre Paredes e Campos de Ulmar (Monte Real), dá princípio aos lugares que nasceram à sua volta e que se vão transformando em pequenos povoados. Um desses lugares é hoje a cidade da Marinha Grande. 
 
"LENDA DO PENEDO DA SAUDADE" 
Recordamos que "Penedo da Saudade" existem dois: um romântico situado em Coimbra, voltado para o vale do Calhabé, e o outro em S. Pedro de Moel. É deste que vamos contar a Lenda.
Contrariamente ao que possam imaginar, não vamos falar da Rainha Santa Isabel, da sua mantilha, nem das lágrimas de esposa traída pelo seu rei e senhor D. Dinis o "Lavrador", que gozava de fama (e talvez proveito) de ser uma grande sedutor.
O drama de que vamos falar (lenda), respeita aos Duques de Caminha: D. Miguel Luís Meneses e de sua esposa D. Juliana.
Este feliz casal vivia uma vida muito recatada no seu palácio, afastado do bulício e das intrigas da Corte e da política bem efervescente naquele ano de 1941.
Mas ...
Certo dia foram surpreendidos por um dos seus criados que anunciou a chegada do senhor Marquês de Vila Real, pai de D. Miguel de Meneses.
D. Juliana teve logo o presságio de que algo de grave se tratava, dado que se levantou empalidecida. Em vão seu esposo, D. Miguel, tentava acalmar sua amantíssima esposa. Entretanto, mandou entrar seu pai.
Não obstante o desejo do Marquês falar a sós com seu filho, este insistiu para que a esposa ficasse presente.
"Seja !" - concordou por fim o Marquês de Vila Real. O seu aspecto era grave o que deixou o casal ainda mais inquieto. D. Miguel quis saber da visita de seu pai: "O que se passa, senhor meu pai ?...
Este encarou bem de frente o filho e retorquiu-lhe: "Senhor Duque de Caminha e meu filho, chegou a hora de el-rei D. João IV pagar a sua tirania ! A conspiração está organizada e, dela fazem parte o arcebispo - primaz, o Conde de Armamar, D. Agostinho de Vasconcelos, eu e vós !".
Muito surpreendido, D. Miguel que não havia sido anteriormente consultado, tentou não fazer parte da conjura: "Não meu pai !".
O velho fidalgo quase que fuzilou o filho com o olhar: "E se vos der uma ordem ?... não deveis trair-nos !". D. Juliana assistia atónica e horrorizada ao diálogo trágico travado entre seu sogro e o seu marido.
Cabisbaixo e bastante consternado, D. Miguel, não tendo outra alternativa, decidiu ser um dos conjurados.
D. Juliana, perante a louca decisão de seu amado esposo, caiu desmaiada num canapé, onde, momentos antes partilhava as carícias do esposo que tanto amava.
Gorada a conjura, feitos prisioneiros todos os conjurados, entre os quais estava o Duque de Caminha, foram encarcerados na fortaleza de S. Vicente de Belém (Torre de Belém - Lisboa).
Aí, no silêncio da noite, estendido nas palhas putrefactas do cárcere, D. Miguel tomou noção da sua fraqueza em ter acedido às ordens de seu pai ! Tomou então a decisão de escrever a el-rei pedindo-lhe perdão - mas em vão. D. Juliana também implorou a el-rei o perdão para o marido - mas também sem o conseguir.
D. Miguel de Meneses subiu ao cadafalso e com a morte pagou a fidelidade que o ligava a seu pai.
Inocente ?... Culpado ?... a decisão fora sua !
Para o povo, ele estaria inocente e pagou pelo crime do pai.
Refugiada em S. Pedro de Moel, a Duquesa de Caminha, ia todos os dias chorar as suas desgraças num penedo solitário. Os soluços que se soltavam de seu peito e as suas lágrimas, misturavam-se com as ondas do mar e foram-se espalhando, qual balada trágica, por esse mundo fora.
Perante tamanha dor, o povo de S. Pedro de Moel, passou a chamar àquele rochedo, o Penedo da Saudade.
E assim fez-se lenda ...

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

 

Formatação e Arte Final: Iara Melo

 

Fundo Musical: Noturno nº 12 * Chopin

Webdesigner: Iara Melo

 

 

 

 

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