Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Formatação: Iara Melo
Aparentemente alheio à própria imagem, Ruy exibia uma
fraqueza: a aparência, que beirava o raquitismo. Em uma de suas crónicas no
Jornal do Brasil, o poeta Carlos Drummond de Andrade o definiu como "uma figura
mirrada e feia". Maldade verdadeira. Ruy media 1,57 metro de altura e pesava 48
quilos. Tinha a saúde frágil, era prognata e ligeiramente encurvado. Sua testa
monumental foi, por décadas, uma fonte de chacotas adversárias. Para completar,
ele parecia não levar muita sorte na vida. Na viagem de lua-de-mel, a Friburgo,
por exemplo, contraiu tifo. Amargou dois meses de cama.
Rui Barbosa de Oliveira, político e jurisconsulto, nasceu em Salvador, Bahia, em
5 de Novembro de 1849. Bacharelou-se em 1870 pela Faculdade de Direito de São
Paulo. No início da carreira na Bahia, engajou-se numa campanha em defesa das
eleições directas e da abolição da escravatura. Foi político relevante na
República Velha, ganhando projecção internacional durante a Conferência da Paz
em Haia (1907), defendendo com brilho a teoria brasileira de igualdade entre as
nações. Eleito deputado provincial, e adiante geral, actuou na elaboração da
reforma eleitoral, na reforma do ensino, emancipação dos escravos, no apoio ao
federalismo e na nova Constituição. Por divergências políticas, seu programa de
reformas eleitorais que elaborou, mal pode ser iniciado, em 1891. Em 1916,
designado pelo então presidente Venceslau Brás, representou o Brasil centenário
de independência da Argentina, discursando na Faculdade de Direito de Buenos
Aires sobre o conceito jurídico de neutralidade. O discurso causaria a ruptura
definitiva da relações do Brasil com a Alemanha. Apesar disso, recusaria, três
anos depois, o convite para chefiar a delegação brasileira à Conferência de Paz
em Versalhes. Com seu enorme prestígio, Rui Barbosa candidatou-se duas vezes ao
cargo de Presidente da República - nas eleições de 1910, contra Hermes da
Fonseca e 1919, contra Epitácio Pessoa - entretanto, foi derrotado em ambas,
sendo o período durante a primeira candidatura o marco inicial e sua Campanha
Civilista. Como jornalista, escreveu para diversos jornais, principalmente para
A Imprensa, Jornal do Brasil e o Diário de Notícias, jornal o qual presidia. Sua
extensa bibliografia recolhida em mais de 100 volumes, reúne artigos, discursos,
conferências EE. questões políticas de toda uma vida. Sócio fundador da Academia
Brasileira de Letras, sucedeu a Machado de Assis na presidência da casa. Sua
vasta biblioteca, com mais de 50.000 títulos pertence à Fundação Casa de Rui
Barbosa, localizada em sua própria antiga residência no Rio de Janeiro. Rui
Barbosa faleceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 1923.
Orador, jurista, jornalista, abolicionista e homem público brasileiro nascido em
Salvador, Bahia, fundador da Academia Brasileira de Letras, escolhendo Evaristo
da Veiga como patrono da Cadeira n. 10 da ABL, ficou famoso ao traduzir a obra O
papa e o concílio (1877), de Doelinger, contra o dogma da infalibilidade do
papa. Filho do médico, político e educador João José Barbosa de Oliveira, homem
voltado para os problemas da educação e da cultura e que por vários anos dirigiu
a Instrução Pública de sua província, e de dona Maria Adélia, que lhe deram
ainda uma irmã mais nova, Brites Barbosa. Iniciou (1865) o curso jurídico em
Recife e, conforme tradição da época, transferiu-se (1868), para a Faculdade de
Direito de São Paulo. Lá foi proposto sócio, juntamente com Castro Alves, do
Ateneu Paulistano, então sob a presidência de Joaquim Nabuco. Formado em direito
(1870) fez da introdução do livro um libelo contra a chamada questão religiosa.
Em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira na tribuna e
na imprensa, abraçando como causa inicial a abolição da escravatura. Casou-se
(1876) com Maria Augusta Viana Bandeira, que lhe acompanharia a partir de então
por todos os momentos da vida. Eleito deputado provincial pela Bahia (1878) e
reeleito deputado geral nas duas eleições seguintes, participou da reforma
eleitoral (1881) e da reforma do ensino (1882-1883). Preconizou, juntamente com
Joaquim Nabuco, a defesa do sistema federativo, por isso, quando convidado para
ministro do Gabinete Afonso Celso, pouco antes da proclamação da República,
recusou o cargo, por ser este incompatível com suas ideias federativas.
Destacou-se na defesa da abolição, mas não se mostrou um batalhador da
República, embora criticasse as falhas da monarquia e ajudasse em sua derrocada.
Ministro da Fazenda no primeiro governo provisório, recorreu à inflação para
financiar o crescimento económico. Liberal, ajudou a redigir a nova Constituição
(1891). Oposicionista no governo de Floriano Peixoto, foi obrigado a se exilar
(1893-1894), passando por Buenos Aires, Lisboa e Londres, onde escreveu, então,
as famosas Cartas da Inglaterra para o Jornal do Commercio, tornando-se a
primeira voz no mundo a se levantar contra o famoso Processo Dreyfus. Voltando
ao Brasil (1895) ocupou uma cadeira no Senado, pela Bahia à Assembleia
Constituinte. Permaneceria como Senador da República até à morte, sendo
sucessivamente reeleito. Ganhou fama internacional quando o czar da Rússia
convocou a 2a Conferência da Paz, em Haia (1907). O Barão do Rio Branco, no
Ministério das Relações Exteriores, escolheu primeiramente Joaquim Nabuco para
chefiar a delegação brasileira, mas a imprensa e a opinião pública lançaram o
seu nome e o próprio Nabuco recusou a nomeação em benefício da nomeação do
senador. Investido de uma categoria diplomática não desfrutada até então por
nenhum país da América Latina, defendeu o princípio da igualdade jurídica das
nações soberanas, enfrentando irredutíveis preconceitos das chamadas grandes
potências. Além de nomeado Presidente de Honra da Primeira Comissão, teve seu
nome colocado entre os Sete Sábios de Haia. Os outros eram o Barão Marshall,
Nelidoff, Choate, Kapos Meye, Léon Bourgeois e o Conde Tornielli. Em virtude de
seu discurso defendendo os direitos dos pequenos países e propondo a igualdade
entre todas as nações, ganhou o epíteto de Águia de Haia. Candidatou-se à
Presidência em oposição ao marechal Hermes da Fonseca, liderando a Campanha
Civilista (1910). Derrotado, depois (1913) fundou o Partido Liberal, sendo mais
uma vez indicado para a presidência da República, candidatura que desistiu.
Novamente levantada sua candidatura à presidência da República (1919), numa
campanha radical nas questões sociais, percorreu vários Estados, em campanha
contra a decadência dos nossos costumes políticos. Novamente foi derrotado,
desta vez por Epitácio Pessoa. Foi eleito (1921) juiz da Corte Internacional de
Justiça, como o mais votado, recebendo as mais significativas homenagens do
Brasil e de todo o mundo. Proferiu o último discurso no Senado (1922),
concedendo o estado de sítio ao governo para dominar o movimento revolucionário.
Faleceu em Petrópolis, RJ, deixando uma obra vasta, que incluiu escritos e
discursos sobre todas as questões da época, embora pessoalmente não se
considerasse um escritor. Foi um político radical e de ideias, sob certos
ângulos, muito discutíveis como sua oposição a vacinação obrigatória contra a
febre amarela no Rio de Janeiro e sua criação e aprovação da lei pela eliminação
de todos os documentos que registavam a era da escravidão no Brasil. Segundo
página da Biblioteca do MST (http://www.mst.org.br/biblioteca/lutadores/luisamahin.htm):
Para evitar problemas financeiros e jurídicos com cobranças de pagamentos de
indemnização aos senhores de escravos, após a escravidão ser abolida no país
(1888), o futuro Águia de Haia, então ministro das Finanças do primeiro governo
republicano, assinou um despacho em 14 de Dezembro (1890), determinando que
todos os livros e documentos referentes à escravidão existentes no Ministério
das Finanças fossem recolhidos e queimados na sala das caldeiras da Alfândega do
Rio de Janeiro e assim, em poucos dias, irremediavelmente, uma importante página
de nossa história virou cinzas.
Carreira do Senador Ruy Barbosa
Ruy Barbosa de Oliveira
Nascimento: 5/11/1849
Natural de: Salvador - BA
Filiação: João José Barbosa de Oliveira e Maria Adélia Barbosa de Oliveira
Falecimento: 1/3/1923
Histórico Acadêmico
Secundário - Ginásio Baiano
Direito - Faculdade de Direito
Cargos Públicos
Conselheiro do Império
Vice-chefe da Delegação Brasileira á Conferência de Haia
Representante do Brasil no I Centenário do Congresso Tucumán
21º Ministro da Fazenda
18º Ministro dos Negócios da Justiça - Interino
Profissões: Escritor - Diplomata - Advogado - Jurista - Jornalista
Mandatos:
Deputado Provincial - 1878
Deputado Geral - 1878 a 1881
Deputado Geral - 1882 a 1884
Senador - 1890 a 1892
Senador - 1892 a 1897
Senador - 1897 a 1906
Senador - 1906 a 1915
Senador - 1915 a 1921
Sua Obra Literária:
Visita à terra natal; Figuras brasileiras; Contra o militarismo:
Correspondencia de Rui; Mocidade e estilo: Castro Alves: Elogio do poeta pelos
escravos, 1881; O papa e o concilio, 1877; O anno político de 1887; Relatório do
Ministro da Fazenda, 1891; Finanças e políticas da República: discursos e
escritos,1893; Os atos inconstitucionais do Congresso e do Executivo ante a
Justiça Federal, 1893; Cartas de Inglaterra, 1896; Anistia inversa - casa de
Teratologia Jurídica, 1896; Posse dos direitos pessoais, 1900; O código civil
brasileiro, 1904; Discurso,1904; O Acre septentrional, 1906; Actes et discours.La
Haye: W.P. van Stockum et Fils, 1907; O Brasil e as nações Latino Americanas
naHaia, 1908; O direito do Amazonas ao Acre Septentrional, 1910; Excursão
eleitoral aos Estados da Bahia e Minas Gerais: Manifestos à Nação,1910;
Plataforma, 1910; Rui Barbosa na Bahia, 1910; O Sr. Rui Barbosa, no Senado,
responde às insinuações do Sr.Pinheiro Machado,1915; Problemas de direito
internacional.Londres; Jas.Trucott&Son, 1916; Conferência.Londres:Eyre and
Spottiswoode Ltda, 1917; Oswaldo Cruz, 1917
Gentileza Academia Brasileira de Letras
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