Substantivo Singular
Plural. Feminino: sexta-feira ,
sextas-feiras
denominação dada ao sexto dia da
semana, depois de quinta-feira e
antes de sábado. Dia dedicado à
deusa Vénus, na tradução do
francês, espanhol e italiano.
Sexta-Feira Santa é
a que antecede a Páscoa.
E depois daquela
Sexta-Feira (Santa)... - ABEL
DIAS
Naquela Sexta-Feira (Santa) a
história mudou... o sofrimento e
a morte, experiências mais
profundas e dolorosas do homem
(e de Deus) foram ultrapassadas
e vencidas pelo amor que Deus
nos revelou em seu filho Jesus
Cristo.
O sofrimento é o companheiro
mais assíduo, e ao mesmo tempo,
mais perturbador da caminhada
que é a nossa vida. Está sempre
presente, convivemos com ele no
dia-a-dia, mas, apesar disso,
não o conseguimos explicar
totalmente. É muito difícil
compreender a sua natureza e
ainda muito mais difícil
aceitá-lo como companheiro de
viagem... Dávamos tudo para nos
livrarmos dele e faríamos tudo
para o eliminarmos da nossa
presença..., no entanto, ele
continua presente... como
companheiro de viagem.
Ambicionamos o máximo, mas
dificilmente descolamos do
mínimo; visamos a meta mas
vemo-nos em apuros para
contornarmos os múltiplos
obstáculos que se nos deparam;
lutamos pela vida, mas vamo-nos
aproximando – inexoravelmente –
da morte.
Quando estendemos o olhar para
além do nosso umbigo, para os
outros e para o mundo, então
ainda mais claramente o vemos.
Por vezes, até temos a sensação
que a história e o mundo avançam
somente através da dor nos
conflitos de interesse, de
classes, de raças, de indivíduos
e de povos. As guerras do século
XX (só entre 1989 e 1993
existiram 90 conflitos armados)
mataram o triplo das pessoas que
morreram em todas as outras
guerras dos 19 séculos
anteriores. Estamos a evoluir em
tudo... até nas guerras e nos
sofrimentos!
Assim, o sofrimento não é só uma
constante da nossa história e da
história do mundo como começa a
questionar profundamente a nossa
existência e o sentido da vida.
Para que viver se isso implica
necessariamente sofrer?... O
problema complica-se mais quando
temos fé e acreditamos num Deus
que é bom. Como conciliar então
um Deus que é bom e que quer o
nosso bem com a existência do
sofrimento? Começa então o
“bombardeamento” das perguntas
sem respostas: “Porque é que
Deus não intervém? Porque é que
Deus não protege as pessoas? Se
há Deus, então porque existe o
sofrimento?» Muitas destas
perguntas são a consequência de
um conceito (errado) de Deus
todo-poderoso, omnipotente e que
exclui ‘a priori’ toda a forma
de imperfeição - neste caso o
sofrimento. Este tema tem feito
correr muita tinta ao longo da
história do cristianismo mas o
mistério permanece por
resolver... e é difícil explicar
Deus e o sofrimento.
Mas a história de Cristo e dos
cristãos está atravessada pelo
sofrimento. Para nós, cristãos,
o sofrimento não é só objecto de
experiência, mas é sobretudo e
também objecto de memória.
Que
sentido tem o acontecimento da
cruz para o nosso sofrimento e
para o sofrimento do mundo? O
que é que aconteceu naquela
Sexta-Feira e quais as consequências?
A vida cristã está organizada e
centrada na memória do que
aconteceu entre aquela
Sexta-Feira e o Domingo
(mistério pascal). Sempre que
nos reunimos, recordamos
(fazemos memória) da morte e da
ressurreição do nosso Deus.
Afirmamos que é precisamente
nesse acontecimento (mistério)
que surge a nossa vida e a nossa
salvação. Afirmamos que naquela
Sexta-Feira (Santa) a história
mudou... o sofrimento e a morte,
experiências mais profundas e
dolorosas do homem (e de Deus)
foram ultrapassadas e vencidas
pelo amor que Deus nos revelou
em seu filho Jesus Cristo. As
trevas que naquela Sexta-Feira
cobriram a terra e que hoje
continuam a cobrir os nossos
olhos... foram dissipadas na
madrugada do Domingo (da
ressurreição). Nesse domingo, a
luz de Cristo iluminou a terra
inteira.
A partir daquela Sexta-Feira, em
vez de compreendermos o
sofrimento a partir da nossa
própria vida, vemos a nossa vida
a partir do nosso próprio
sofrimento. Aquela Sexta-Feira
mudou a nossa vida, tantas vezes
vergada pelo peso da amargura,
do desencanto e até do
desespero. É que, enquanto a
nossa experiência histórica nos
diz que a vida humana é um
caminho em direcção à morte,
Cristo mostra-nos que na própria
morte é possível ascender à
verdadeira vida.
Caro Invencível, nunca procures
um Deus sem cruz (esse Deus não
existe), porque podes encontrar
uma cruz sem Deus. Sé é verdade
que não há domingo sem
sexta-feira – que não há
ressurreição sem cruz, também é
verdade que não há sexta-feira
sem domingo, cruz sem
ressurreição... Depois daquela
Sexta-Feira (Santa) veio o
Domingo (da ressurreição)...
depois das trevas veio a luz...
depois do Inverno vem a
Primavera... depois da noite vem
o dia... depois do sofrimento
veio, vem e virá a vida.
Não tenhas medo do sofrimento,
ele não nos foi nem será tirado
por Deus... foi, isso sim,
transformado. Consegues ver a
diferença? Também tu podes fazer
esta experiência na tua vida.
Mais ainda, podes ajudar a que
outros a façam... podes
transformar o sofrimento em
alegria, o desespero em
esperança, a guerra em paz, a
escravidão em liberdade, a morte
em vida...
Uma Santa e Feliz Páscoa (passagem-transformação)
Vaticano
Discussão com judeus
sobre missa de Sexta-Feira
Santa (Lisboa, 06 Março de
2008 (Agência Lusa)
Uma delegação do grande
rabinato de Jerusalém vai
reunir-se na próxima semana com
representantes do Vaticano, em
Roma, para debater a celebração
da Missa de Sexta-Feira Santa,
cujo texto papal, controverso,
defende a conversão dos judeus.
Para o grande rabino de Roma,
Riccardo di Segni, o texto
"constitui um obstáculo ao
diálogo entre judeus e
cristãos", noticiou hoje a
agência católica Ecclesia.
O presidente da Comissão para as
Relações Religiosas com o
Judaísmo, cardeal Walter Kasper,
reconheceu que a nova oração de
Sexta-Feira pelos judeus,
redigida por Bento XVI, tem
causado "preocupações".
A reunião na Santa Sé surge em
resposta a várias reacções do
mundo hebraico perante a decisão
do Papa, que alterou a oração de
Sexta-Feira Santa pelos judeus,
contida no Missal Romano de
1962, cujo uso foi
"liberalizado" em Julho do ano
passado.
O texto cita uma passagem da
Carta de São Paulo aos Romanos,
segundo a qual "todo o Israel
será salvo" depois da entrada da
"totalidade dos gentios" na
Igreja.
A oração do Missal anterior ao
Concílio Vaticano II, publicada
no pontificado de João XIII, já
não incluía a expressão
"pérfidos judeus", embora
pedisse a oração dos fiéis para
que Jesus retirasse dos seus
corações "a cegueira" e a "obscuridão".
O novo texto de Bento XVI pede a
oração pelos judeus para que
Jesus "ilumine o seu coração",
para que reconheçam em Deus "o
salvador de todos os homens" e
todo o povo de Israel "seja
salvo".
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro – Marinha
Grande - Portugal