Sexta-Feira Santa

 

 

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro

 

Arte Final: Iara Melo 

 

 

 

Substantivo Singular Plural. Feminino: sexta-feira , sextas-feiras
denominação dada ao sexto dia da semana, depois de quinta-feira e antes de sábado. Dia dedicado à deusa Vénus, na tradução do francês, espanhol e italiano.

 

 

Sexta-Feira Santa é a que antecede a Páscoa.

 

E depois daquela Sexta-Feira (Santa)... -  ABEL DIAS
Naquela Sexta-Feira (Santa) a história mudou... o sofrimento e a morte, experiências mais profundas e dolorosas do homem (e de Deus) foram ultrapassadas e vencidas pelo amor que Deus nos revelou em seu filho Jesus Cristo. 


O sofrimento é o companheiro mais assíduo, e ao mesmo tempo, mais perturbador da caminhada que é a nossa vida. Está sempre presente, convivemos com ele no dia-a-dia, mas, apesar disso, não o conseguimos explicar totalmente. É muito difícil compreender a sua natureza e ainda muito mais difícil aceitá-lo como companheiro de viagem... Dávamos tudo para nos livrarmos dele e faríamos tudo para o eliminarmos da nossa presença..., no entanto, ele continua presente... como companheiro de viagem. Ambicionamos o máximo, mas dificilmente descolamos do mínimo; visamos a meta mas vemo-nos em apuros para contornarmos os múltiplos obstáculos que se nos deparam; lutamos pela vida, mas vamo-nos aproximando – inexoravelmente – da morte.


Quando estendemos o olhar para além do nosso umbigo, para os outros e para o mundo, então ainda mais claramente o vemos. Por vezes, até temos a sensação que a história e o mundo avançam somente através da dor nos conflitos de interesse, de classes, de raças, de indivíduos e de povos. As guerras do século XX (só entre 1989 e 1993 existiram 90 conflitos armados) mataram o triplo das pessoas que morreram em todas as outras guerras dos 19 séculos anteriores. Estamos a evoluir em tudo... até nas guerras e nos sofrimentos!


Assim, o sofrimento não é só uma constante da nossa história e da história do mundo como começa a questionar profundamente a nossa existência e o sentido da vida. Para que viver se isso implica necessariamente sofrer?... O problema complica-se mais quando temos fé e acreditamos num Deus que é bom. Como conciliar então um Deus que é bom e que quer o nosso bem com a existência do sofrimento? Começa então o “bombardeamento” das perguntas sem respostas: “Porque é que Deus não intervém? Porque é que Deus não protege as pessoas? Se há Deus, então porque existe o sofrimento?» Muitas destas perguntas são a consequência de um conceito (errado) de Deus todo-poderoso, omnipotente e que exclui ‘a priori’ toda a forma de imperfeição - neste caso o sofrimento. Este tema tem feito correr muita tinta ao longo da história do cristianismo mas o mistério permanece por resolver... e é difícil explicar Deus e o sofrimento.


Mas a história de Cristo e dos cristãos está atravessada pelo sofrimento. Para nós, cristãos, o sofrimento não é só objecto de experiência, mas é sobretudo e também objecto de memória.

 

Que sentido tem o acontecimento da cruz para o nosso sofrimento e para o sofrimento do mundo? O que é que aconteceu naquela Sexta-Feira e quais as consequências? 


A vida cristã está organizada e centrada na memória do que aconteceu entre aquela Sexta-Feira e o Domingo (mistério pascal). Sempre que nos reunimos, recordamos (fazemos memória) da morte e da ressurreição do nosso Deus. Afirmamos que é precisamente nesse acontecimento (mistério) que surge a nossa vida e a nossa salvação. Afirmamos que naquela Sexta-Feira (Santa) a história mudou... o sofrimento e a morte, experiências mais profundas e dolorosas do homem (e de Deus) foram ultrapassadas e vencidas pelo amor que Deus nos revelou em seu filho Jesus Cristo. As trevas que naquela Sexta-Feira cobriram a terra e que hoje continuam a cobrir os nossos olhos... foram dissipadas na madrugada do Domingo (da ressurreição). Nesse domingo, a luz de Cristo iluminou a terra inteira.


A partir daquela Sexta-Feira, em vez de compreendermos o sofrimento a partir da nossa própria vida, vemos a nossa vida a partir do nosso próprio sofrimento. Aquela Sexta-Feira mudou a nossa vida, tantas vezes vergada pelo peso da amargura, do desencanto e até do desespero. É que, enquanto a nossa experiência histórica nos diz que a vida humana é um caminho em direcção à morte, Cristo mostra-nos que na própria morte é possível ascender à verdadeira vida.


Caro Invencível, nunca procures um Deus sem cruz (esse Deus não existe), porque podes encontrar uma cruz sem Deus. Sé é verdade que não há domingo sem sexta-feira – que não há ressurreição sem cruz, também é verdade que não há sexta-feira sem domingo, cruz sem ressurreição... Depois daquela Sexta-Feira (Santa) veio o Domingo (da ressurreição)... depois das trevas veio a luz... depois do Inverno vem a Primavera... depois da noite vem o dia... depois do sofrimento veio, vem e virá a vida.


Não tenhas medo do sofrimento, ele não nos foi nem será tirado por Deus... foi, isso sim, transformado. Consegues ver a diferença? Também tu podes fazer esta experiência na tua vida. Mais ainda, podes ajudar a que outros a façam... podes transformar o sofrimento em alegria, o desespero em esperança, a guerra em paz, a escravidão em liberdade, a morte em vida...
Uma Santa e Feliz Páscoa (passagem-transformação)

 

Vaticano

Discussão com judeus sobre missa de Sexta-Feira Santa  (Lisboa, 06 Março de 2008 (Agência Lusa)

 

Uma delegação do grande rabinato de Jerusalém vai reunir-se na próxima semana com representantes do Vaticano, em Roma, para debater a celebração da Missa de Sexta-Feira Santa, cujo texto papal, controverso, defende a conversão dos judeus.


Para o grande rabino de Roma, Riccardo di Segni, o texto "constitui um obstáculo ao diálogo entre judeus e cristãos", noticiou hoje a agência católica Ecclesia.


O presidente da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, cardeal Walter Kasper, reconheceu que a nova oração de Sexta-Feira pelos judeus, redigida por Bento XVI, tem causado "preocupações".


A reunião na Santa Sé surge em resposta a várias reacções do mundo hebraico perante a decisão do Papa, que alterou a oração de Sexta-Feira Santa pelos judeus, contida no Missal Romano de 1962, cujo uso foi "liberalizado" em Julho do ano passado.


O texto cita uma passagem da Carta de São Paulo aos Romanos, segundo a qual "todo o Israel será salvo" depois da entrada da "totalidade dos gentios" na Igreja.


A oração do Missal anterior ao Concílio Vaticano II, publicada no pontificado de João XIII, já não incluía a expressão "pérfidos judeus", embora pedisse a oração dos fiéis para que Jesus retirasse dos seus corações "a cegueira" e a "obscuridão".


O novo texto de Bento XVI pede a oração pelos judeus para que Jesus "ilumine o seu coração", para que reconheçam em Deus "o salvador de todos os homens" e todo o povo de Israel "seja salvo".

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal

  

 

 

 

 

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